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Introdução: O modelo de seleção por consequências e sua implicação para a compreensão do comportamento humano Prof Dr. Fernando Del Mando Lucchesi Plano de Ensino: Nesta disciplina vamos estudar: • O modelo aplicado da Análise do Comportamento para a compreensão do comportamento humano; • Métodos de avaliação e intervenção específica em Análise do Comportamento; • As Terapias Comportamentais, suas diferenças e semelhanças, técnicas e efetividade. Plano de Ensino: CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Contribuições da filosofia do Behaviorismo Radical para a prática profissional: Modelo de seleção por consequências e conceito de liberdade. 2. Contribuições da Análise do Comportamento para a prática profissional: Operações motivadoras e episódios emocionais. 3. Avaliação e Análise Funcional do Comportamento. 4. Transtornos psiquiátricos 5. Primeira, Segunda e Terceira geração das terapias comportamentais. 6. Procedimentos e metodologias de aplicação: Brincar como ferramenta de avaliação e intervenção. Treino de habilidades sociais. Técnicas de modificação do comportamento. 1.Provas bimestrais, individuais, escritas, sem consulta: As provas deverão conter 12 questões, sendo 10 questões objetivas e 2 questões dissertativas. 2.Trabalho: no segundo bimestre será solicitada a realização de um trabalho em grupo, Avaliação Funcional de um Personagem de Filme. Composição da nota: • NP1: Prova avaliada de zero (0,0) a dez (10,0) pontos. • NP2: Prova avaliada de zero (0,0) a dez (10,0) pontos, com peso 8 (oito) e o trabalho valendo de zero (0,0) a dez (10,0) pontos com peso 2 (dois). Plano de Ensino: Avaliação • BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012. • DE FARIAS, A. K. C. R. Análise Comportamental Clínica: aspectos teóricos e estudos de caso. Porto Alegre: Artmed, 2010. Plano de Ensino: Bibliografia BÁSICA Aula 1 O modelo de seleção por consequências e sua implicação para a compreensão do comportamento humano Referências: • Sampaio, A. A. S., & Andery, M. A. P. A. (2012). Seleção por consequências como modelo de causalidade e a clínica analítico-comportamental. In: N. B. Borges, F. A. Cassas (Orgs). Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos (pp. 77-86). Porto Alegre: ARTMED. • Skinner, B. F. (1981/2007). Seleção por consequências. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. 9(1), 129-137. Disponível em: http://pepsic.bvs- psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452007000100010&lng=pt&nrm=iso Compreendendo causas e efeitos • Começando por entender o título da aula: Modelos de Causalidade • O modelo de Seleção Por Consequências é um modelo de causalidade, dentro da teoria (ou sistema explicativo) Análise do Comportamento • Um conjunto de suposições de “causas e efeitos”. • Uma grande influência para a criação desse Modelo: O livro “A Origem das Espécies”. Seleção por Consequências • A Seleção Natural, de Darwin, é o processo pelo qual se dá a evolução: Processo pelo qual seres vivos sofrem ação do ambiente, sobrevivendo ou não, a partir de alterações fisiológicas, anatômicas ou comportamentais. • Exemplo mais famoso é a pesquisa de Darwin sobre os bicos dos Tentilhões: Isolamento geográfico (natural); Novas espécies surgiram; Originais sofreram extinção. Seleção por Consequências • A explicação de Darwin acabou por contradizer e, mais tarde, sobrepor, teorias que inferiam sobre: “Uma vontade inerente do SER envolvido na evolução da espécie ou que, com vistas em um objetivo final (comer folhas de árvores altas), os animais iam se modificando.” O Ambiente Causa Mudanças?? = Não, o Ambiente Seleciona Mudanças Comportamentos selecionados pelo Meio Para Skinner as causas do comportamento podem ser encontradas a partir da análise de 3 Níveis de Seleção do Comportamento: - Nível Filogenético - Nível Ontogenético - Cultura Vamos ver cada um deles: Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Filogenético Nível Filogenético - O que é a seleção Natural? Fonte: Khan Academy. https://pt.khanacademy.org/science/biology/her/evolution-and-natural-selection/a/darwin-evolution-natural-selection Fonte: Khan Academy. https://pt.khanacademy.org/science/biology/her/evolution-and-natural-selection/a/darwin-evolution-natural-selection Nível Filogenético - O que é a seleção Natural? Fonte: Khan Academy. https://pt.khanacademy.org/science/biology/her/evolution-and-natural-selection/a/darwin-evolution-natural-selection Nível Filogenético - O que é a seleção Natural? • Paralelo com comportamentos. Nossa carga genética que nos permite respirar de uma forma específica, digerir alimentos de uma forma específica, etc... São características da nossa espécie. • E a Linguagem, é genética? • Tem relação direta com a seleção da espécie humana. • Apesar da pergunta “É genético?” para uma atividade humana nunca ter uma resposta simples, podemos dizer quase sempre: “De certa forma, sim”. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Filogenético • A espécie humana apresenta comportamentos inatos e determinadas pela genética, como a salivação (Comportamentos Reflexos). • E capacidade de associar a outros estímulos também é genética: Condicionamento respondente – Pavlov • Além destes, o ser humano é capaz de emitir comportamentos voluntários, operando em seu meio. (Comportamentos Operantes) • E a capacidade de aprender novos operantes, por meio de reforçadores, é fruto de uma seleção natural e, portanto, filogenética. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Filogenético • Em resumo, somos Seres Humanos (Homo Sapiens Sapiens) por uma seleção do ambiente, por termos sido aptos a sobreviver. • Outras espécies de hominídeos, como os Neandertais, morreram há 40 mil anos... • E outros também desapareceram: Como os hominideos de Denisona Desapareceram entre 15 e 30 mil anos atrás. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Filogenético Nível Ontogenético Comportamentos selecionados pelo Meio • Apesar de: A capacidade de emitir comportamentos operantes ser fruto de uma seleção da espécie. • É na história do indivíduo e nas diferenças encontradas de indivíduo para indivíduo que encontramos outro tipo de ambiente, consequências e seleção. • Temos então o segundo nível de seleção pelas consequências. Mas o que isso quer dizer? Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético • Para entender o que Skinner quis dizer com seleção pelas consequências, é imprescindível compreender o comportamento operante. Diferentemente do Comportamento Respondente: S -> R Que não depende da Consequência Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético O Comportamento Operante: S - R -> R é explicado pelas Consequências!! Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético • O Respondente (R) (salivação ou contração da pupila) é CONTROLADO pelo estímulo antecedente (S). • O Operante (R) é CONTROLADO pela consequência (C), ou seja, pela forma que alterou o meio, com efeitos reforçadores, ou aversivos. Esta consequência “boa ou ruim”, reforçadora ou aversiva, é que nos dirá se esse comportamento será emitido novamente ou não. Se a consequência for Reforçadora, podemos assumir que esse comportamento se repetirá no futuro (e neste contexto específico). Se a consequência for Aversiva ou inexistente, tem poucas chances de ser emitido novamente no futuro (e no mesmo contexto). Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético Lembrando: Reforços Positivos e Negativos X Punição Negativa e Positiva Uma consequência reforçadora pode ser ganhar algo ‘bom’, mas também ser fugir ou evitar uma consequência aversiva. Por exemplo: Estudar para a prova para não pegar uma DP! Evitação de uma consequência ruim (aversiva). E a ausência de Reforçadores também influencia na aprendizagem: A Extinção Por exemplo: Escolher um texto muito bom para a aula, mas osalunos não gostam de ler... Processo de extinção de comportamento. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético Variedade: Por que a diferença é importante? • No Nível Filogenético, só é possível que haja sobrevivência da espécie, se houver, dentro dela, indivíduos diferentes entre si. • Diferenças em cor, altura, personalidade, etc, etc, etc.... • Ou seja, variabilidade genética. A partir da reprodução entre indivíduos diferentes, novos indivíduos com características diferentes podem surgir. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético Variedade: Por que a diferença é importante? • Em relação ao Nível Ontogenético (Nível Operante), apenas com a Variabilidade Comportamental, é possível que se fale sobre seleção, com manutenção ou extinção de comportamentos. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético • Ou seja, um número grande de comportamentos diferentes sendo emitidos em contextos diferentes é que permite a aprendizagem de comportamentos adaptados. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético O ambiente tem um papel de Selecionar e de Evocar 1. Selecionar • Na evolução de operantes, o ambiente tem um papel selecionador. • As consequências ambientais (estímulos reforçadores) selecionam classes (conjuntos, tipos) de respostas com certas características, isto é, tornam as classes mais prováveis em certas circunstâncias (Sampaio & Andery, 2012). • Ou seja, o ambiente seleciona o tipo de comportamento mais adequado para a situação. • E é assim que aprendemos a nos comportar inicialmente em situações diferentes. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético Exemplos: - Se você entrar na torcida do Corinthians e gritar “Porcoooo”, você vai ser selecionado “pra fora do estádio”!; Agora, se gritar “Timããão eow”, vai ser incentivado e acolhido, e se isso for reforçador pra você, provavelmente vai continuar ou repetir em outro momento. - Ou então, imagine na casa da sogra, você diz “Muito obrigada”, “com licença”, esses comportamentos serão bem recebidos e, portanto, selecionados (mas se botar o pé na mesa, provavelmente será punida). Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético 2. Evocar Já no caso de comportamentos já selecionados (aprendidos), o ambiente também tem um papel de evocar a resposta. • É um anjo na casa da sogra (ambiente1), mas a capeta no rolê (ambiente2). • Assiste ao jogo quietinha em casa (ambiente1), mas na torcida (ambiente2) xinga todo mundo! • Conversa com seus amigos que nem “machão” (ambiente1), mas fala com a namorada com “vozinha de bebê” (ambiente2). Ou seja, contexto é importante, mas a consequência é que controla a resposta. Comportamentos selecionados pelo Meio Nível Ontogenético Fonte: Oller, D. K., & Eilers, R. E. (1988). The role of audition in infant babbling. Child Development, 59(2), 441-449. Voltemos ao caso da Linguagem • Entre os seres humanos temos evidências de que comportamentos inatos do choro e do balbuciar devem-se a uma seleção da espécie, no entanto, crianças que nascem surdas balbuciam menos e com menor frequência. • Estudos mostram que crianças cujos pais repetem balbucios da criança, apresentam uma frequência maior de balbucios. • Apesar de inato o comportamento de balbuciar (respondente), sua frequência e variabilidade (de vogais mais simples para mais complexas), dependem da audição, experiência e relação social. Ou seja, são selecionados, mantidos ou extintos pelo meio. Comportamentos selecionados pelo Meio • O ser humano, portanto, por meio da linguagem, que é também um comportamento operante (Skinner, 1957), conseguiu não apenas aumentar o alcance e eficácia em operar no mundo • Mas também criar conhecimento e passá-lo a outros indivíduos e outras gerações. • Surge daí um outro nível de seleção de comportamento: A Cultura Comportamentos selecionados pelo Meio Cultura Comportamentos selecionados pelo Meio A Cultura • Os comportamentos de uma cultura são passados à diante, especialmente por meio da linguagem, sendo selecionadas e mantidas por uma comunidade. • Neste nível de seleção, no entanto, não é o reforçador individual que determina o comportamento, mas o benefício do grupo. • É também na cultura que surge a subjetividade. Na inter-relação entre comportamentos dos indivíduos, a história da espécie humana, e a função simbólica da linguagem. Seleção por Consequências “o comportamento humano é o produto conjunto de a) contingências de sobrevivência responsáveis pela seleção natural das espécies, e b) contingências de reforçamento responsáveis pelos repertórios adquiridos por seus membros, incluindo c) contingências especiais mantidas por um ambiente cultural evoluído.” (SKINNER, 1981/2007, p. 131) Seleção por Consequências Psicologia -> Trabalha com o segundo nível, o Ontogenético (Nível Operante), em que podemos observar as transformações nos comportamentos de um indivíduo ao longo de um período, fazendo a análise destas relações entre contextos e consequências. Biologia -> o primeiro nível de seleção, o filogenético Antropologia -> estuda a Cultura humana. Seleção por Consequências: Implicações O modelo causal da Seleção pelas Consequências almejou substituir noções mecânicas que outrora explicavam a ação humana enquanto: • Produto de algo interno e autônomo: um desejo, a mente ou um traço de personalidade. • E explicações do comportamento tendo apenas sua finalidade como causa. (Por exemplo: as girafas cresceram para poder comer folhas mais altas) Seleção por Consequências: Implicações No Behaviorismo Radical, os seres vivos e seus comportamentos: “só podem ser explicados considerando-se que tais fenômenos têm múltiplas ‘causas’ que são sempre históricas e inter-relacionadas” (Sampaio & Andery 2012). Dessa forma, a compreensão do comportamento humano deve sempre olhar a relação entre o organismo e seu meio em um período. Seleção por Consequências: Implicações • Na atuação do psicólogo (na clínica, na escola, em uma empresa, etc...) qualquer compreensão e, por conseguinte, mudança de comportamento almejada, só é possível por meio de: Intervenção na relação do individuo com o ambiente (sendo este ambiente não apenas físico, mas também seus pensamentos, sentimentos, ou seja, eventos privados). E é disso que vamos tratar no nosso curso. Obrigado =)