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Aula 3 Operações Motivadoras Prof Dr Fernando Del Mando Lucchesi AURELIANO, L.F.G; BORGES N.B Operações motivadoras. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012 (p. 33 – 39). Operações Motivadoras • > Definição de ambiente. • > Estímulos antecedentes e consequentes. • > Funções de estímulos: evocativo ou alterador de função. • > História da motivação na análise do comportamento. • > Operações motivadoras e suas funções. • > Tipos de operações motivadoras: estabelecedoras versus abolidoras, condicionadas versus incondicionadas. Operações Motivadoras Vamos continuar o estudo de como os fatores ambientas influenciam nossas ações, sentimentos e pensamentos. O que é Ambiente? A resposta "Tudo aquilo que nos cerca" é uma explicação que deixa claro que o ambiente ainda é ambiente mesmo sem o organismo, o que a torna uma resposta superficial. Relembrando: Qual o papel do ambiente na determinação do comportamento? Operações Motivadoras Tourinho (1997), afirma que, para o Behaviorismo, tudo o que existe a nossa volta é o Universo, mas Ambiente é a parcela desse todo que afeta o organismo. Portanto, é o ambiente em que o organismo se comporta. Para muitos autores da Análise do Comportamento, a própria definição de Comportamento não pode ser descrita sem a presença do ambiente: O Comportamento não é apenas o “R” (resposta) analisado na contingência tríplice (S-R- C), mas sim a interação entre os três: o S (estímulo antecedente), o R (resposta) e o C (consequência). [ou seja, o R é apenas a ação, é apenas parte do comportamento] Operações Motivadoras Dessa forma, qual o papel do ambiente? Para Jack Michael (1983), os eventos do ambiente podem ser: a) Evocativas b) Alteradoras de repertório (selecionadoras) ▪ A função Evocativa, ou instanciadora, exerce um efeito momentâneo, fazendo com que uma resposta já aprendida ocorra. ▪ A função alteradora de repertório, ou selecionadora, exerce um efeito duradouro, ensinando uma nova relação. História e Evolução do Conceito de Operação Motivadora No senso comum: O que é a motivação??? E na Análise do Comportamento? Assim como muitos dos fenômenos descritos por outras teorias ou pelo senso comum, a Análise do Comportamento deu a devida atenção ao que chamamos de Motivação. História: • Em 1938, Skinner fala sobre fatores ambientais que aumentam ou diminuem a força do comportamento, chama-os de drive. Em sua explicação a privação de alimento é um drive para alimentar-se. História e Evolução do Conceito de Operação Motivadora • Em 1950, Keller e Shoenfeld discutem os eventos motivacionais enquanto impulsos (Mas não é uma causa interna, e sim da interação). • Skinner, em 1953, abandona o termo drive e adiciona a estimulação aversiva como um fator motivacional. • Millenson (1967) apresenta a motivação enquanto operações de impulso, com função de alterar o valor da consequência, aumentando-a (privação) ou diminuindo-a (saciação). Todos esses autores enfatizaram que a motivação seria o produto de uma relação entre o organismo e o meio, não necessitando de um mediador interno (mente, inconsciente, desejo interno, etc...) História e Evolução do Conceito de Operação Motivadora • Jack Michael foi um dos autores que mais se debruçou sobre o estudo da motivação. Em 1982 ele publica suas primeiras teorias sobre a motivação, especificando estímulos antecedentes relacionados a aspectos motivacionais. Ele argumenta devemos abarcar eventos diferentes, além da privação e saciação. Exemplo: ingestão de sal, mudanças de temperatura, estimulação aversiva, etc... Seus efeitos são de alterar a efetividade de um reforçador (positivo ou negativo) ou punidor (positivo ou negativo) e a probabilidade de respostas que no passado tenham produzido tal consequência. O Conceito de Operação Motivadora Motivative operations and terms to describe them: some further refinements (Laraway, Snycerski, Michael e Poling, 2003) • Jack Michael (2003), juntamente com outros colegas, escreve o artigo: Neste, temos uma última versão do conceito: Operação Motivadora Abrange Operações Estabelecedoras (que evocam comportamentos) e Operações Abolidoras (que suprimem o comportamento) Definições de Operações Motivadoras Chamamos de Operação Motivadora qualquer evento ambiental que afeta o comportamento operante de duas maneiras: • 1. Alterando a efetividade dos estímulos consequentes (reforçadores ou punidores) e • 2. Modificando a frequência da classe de respostas que produzem essas consequências. Definições de Operações Motivadoras Então vamos lá: Quando dizemos 1. Alterar a efetividade dos estímulos consequentes, significa aumentar ou diminuir o quão algo é reforçador ou o quão algo é punidor. . • No caso de Operações Estabelecedoras, há o aumento da efetividade do reforçador ou diminuição da efetividade punidora. • No caso de Operações Abolidoras, há a diminuição da efetividade do reforçador ou aumento da efetividade do punidor. As operações estabelecedoras estão relacionadas ao aumento da frequência de respostas, enquanto as operações abolidoras referem-se à diminuição da frequência de respostas. Definições de Operações Motivadoras Exemplos: Operações Estabelecedoras Exemplo 1. Um tempo muito longo em que uma criança fique longe de sua mãe, faz com que a atenção da mãe seja muito mais reforçadora para a criança. Aumenta a probabilidade de ocorrer toda uma classe de respostas que leve ganhar a atenção da mãe. Inclusive bagunça. Maior efetividade do Reforço Menor efetividade da Punição. Definições de Operações Motivadoras Exemplo 2: A temperatura aumentar (normal de Bauru) enquanto uma menina está na praia, aumentará a probabilidade de que ela emita comportamentos de entrar no mar, tomar uma ducha ou comprar sorvetes. Maior efetividade do Reforço Definições de Operações Motivadoras Definições de Operações Motivadoras Operações Abolidoras Exemplo 1. Logo após comer uma feijoada com os amigos e familiares, o rapaz não dá certeza se vai encontrar com os mesmos amigos no dia seguinte para continuar a confraternização. Aqui, o valor reforçador da confraternização e da própria comida diminui. Comer a feijoada se torna operação abolidora que a torna menos atrativa e diminui as respostas em que a consequência seja mais feijoada. (É o famoso: Nunca mais eu vou comer nada; Nunca mais eu bebo, etc...) Menor efetividade do Reforço Definições de Operações Motivadoras Exemplo 2. Depois de se esforçar, o universitário reprovou pela 3ª vez seguida em Fisiologia... E trancou o curso. A reprova foi Operação Abolidora para o comportamento de frequentar a faculdade. Menor efetividade do Reforço (fazer o curso/ formar-se) Maior efetividade da punição (reprovar de novo seria muito aversivo) Para completar a definição de Operações Motivadoras Vamos lembrar dos conceitos de reforçamentos incondicionados e condicionados; e punidores condicionados e incondicionados O que são os reforçadores incondicionados? Consequências que afetam nossos comportamentos independentemente da nossa história de vida. Exemplos?____ E os reforçadores condicionados? Operações Motivadoras Condicionadas e Incondicionadas A Privação de Água é algo que naturalmente aumenta as chances de bebermos água, afinal água é um reforçador natural, ou incondicionado. Dessa forma, vamos chamar a privação de água (ficar sem beber água) de Operação Motivadora Incondicionado. E isso se aplica aos outros tipos incondicionados, como por exemplo____________________? Agora vamos aos reforçadores e punidores Condicionados. Operações Motivadoras Condicionadas e Incondicionadas Operações Motivadoras Condicionadas e Incondicionadas Aprendemos a ser sensíveis a estes estímulos (puramente cultural) e por isso se tornam reforçadores Condicionados. • Passar perrengue no ônibus lotado pode aumentar o valor reforçador do dinheiro (para acumulare trocar por um carro ou andar de uber). Neste caso temos um exemplo de Operação Motivadora Condicionada O “andar de ônibus lotado” altera a probabilidade de um comportamento em que a consequência é um estímulo reforçador condicionado (dinheiro). Outro exemplo: • Ver vitrines com roupas "maravilhosas" e bastante caras aumenta a probabilidade de uma moça trabalhar mais, fazer horas extras ou até arranjar outro emprego (diminui o valor aversivo e aumenta o reforço do trabalho!). A resposta de trabalhar é consequenciada com dinheiro (Ref condicionado) Existem outras formulações, mais complexas, mas essas são as definições básicas para entendermos o fenômeno da Motivação. Operações Motivadoras Condicionadas e Incondicionadas Clínica E na clínica, em que isso se aplica? Trabalhar com fatores que levaram o paciente até você. Se os estímulos do ambiente 1. Evocam respostas já aprendidas, e 2. Alteram repertórios, podemos dizer que: • No início da terapia, o psicólogo(a) tem função de evocar respostas que o paciente traz de sua história de vida. • Mas em algum momento temos que exercer a função de alteração de repertório (caso contrário, não haverá mudanças). Clínica Mini-Estudo de caso: Vamos imaginar um caso em que o cliente chega para você com queixas de Transtorno de Pânico (TP). Ele conta que as crises acontecem em qualquer lugar e qualquer momento, e por isso deixou de frequentar muitos lugares e parou de fazer muitas coisas por conta disso. Depois de algumas sessões relatando como são esses momentos, identificamos que: 1. Esses ataques são constituídos por vários eventos privados em comum: Taquicardia, sudorese, desconforto, etc... 2. Respostas de fuga: abandonar o local, deixar de fazer o que estava fazendo, etc... Clínica Podemos assumir que, então, os eventos privados relatados funcionam como:______? Operação Motivadora, do tipo Estabelecedora, Por que? Aumenta a efetividade do reforçamento de qualquer comportamento que diminua esses "eventos ruins". Ou seja, comportamentos de fuga e esquiva são reforçados. O que fazer para ajudar essa pessoa?? Uma alternativa aqui é diminuir o valor aversivo destes eventos privados (conversa, técnicas, etc...) e aumentar o valor reforçador do enfrentamento destas situações. Clínica Dessa forma, haverá uma mudança da função da Operação Motivadora. E neste processo você funcionará como um estímulo ambiental (do paciente, claro) que altera repertório, ou seja, no ensino de novos comportamentos. • Obrigado =) Jack Michael B.F. Skinner