Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

02/06/25, 19:58 PDF.js view er Ampliando horizontes: ensino de inglês para crianças com transtorno do espectro autista Otto Henrique Silva Juliana Reichert Assunção Resumo Introdução Quando tratamos do ensino de inglês A área de ensino de língua inglesa para crianças, cenário da educa- para crianças (LIC) como língua adicio- ção atual se apresenta como propício a propostas de pesquisas que forta- nal vem crescendo em número de pesqui- leçam a importância da inclusão em sas, 0 que abre possibilidades para novos contexto escolar. Neste trabalho obje- tivamos discutir, por meio de análise debates, e envolvem-se temáticas que qualitativo-interpretativa, papel da agregam conhecimentos e auxiliam na aprendizagem da língua inglesa para formação de professores para atuarem crianças com transtorno do espectro autista (TEA) em seu desenvolvimento também no contexto da educação infantil evidenciando a contribui- e primeiro ciclo do ensino fundamental ção da língua inglesa para a supera- (TONELLI; CRISTOVÃO, 2010; SAN- ção das dificuldades de aprendizagem que podem surgir em decorrência do TOS, 2011; TUTIDA, 2016). Em con- diagnóstico. Os dados foram gerados a trapartida, a Base Nacional Curricular partir de atividades inseridas em uma Comum (BRASIL, 2017), frustrando 0 sequência didática desenvolvida e apli- cada em contexto de estágio supervisio- desejo e as necessidades de educadores/ nado em língua inglesa, junto a uma turma do nível pré-5, incluindo um aluno autista. Os resultados apontam Mestrando do Programa de Pós-graduação em Estudos que, realizadas as adaptações de mate- da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina riais e abordagens, ensino da língua (UEL). E-mail: otto.letras@gmail.com pode favorecer desenvolvimento lin- Pós-doutora em Didática das Línguas pela Universidade de Genebra e em Linguística Aplicada pela Universida- guístico das crianças com TEA, além de de Brasília. Docente no Curso de Letras Estrangeiras de possibilitar 0 engajamento social, a do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da fim de caracterizar, de fato, a inclusão. Universidade Estadual de Londrina (UEL). Docente permanente no Programa de Pós-graduação em Estu- Palavras-chave: Ensino de inglês para dos da Linguagem e no Mestrado Profissional em Letras Estrangeiras Modernas (UEL). E-mail: jtonelli@uel.br crianças. Transtorno do espectro au- tista. Inclusão escolar. Desenvolvi- Data de submissão: set. 2020 Data de aceite: nov. 2020 mento http://dx.doi.org/10.5335/rdes.v16i3.11449 557 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 1/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er as que atuam nesta etapa da escolari- a escola. Diante dessas e outras caracte- zação, não inclui 0 ensino de LIC nos rísticas que serão apresentadas em seção anos iniciais, e apresenta uma proposta subsequente, entendemos que sejam de ensino de língua inglesa baseada nas necessárias atividades e propostas que interações sociais e a aprendizagem por contemplem as necessidades específicas meio das práticas somente para alunos desses alunos, sendo que é essencial mais velhos. que professores tenham a formação Como consequência da aplicação da adequada para lidarem com 0 preparo e política de inclusão escolar advinda a utilização desses materiais (ROCHA, da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 2016; MEDRADO; CELANI, 2017). 13.146/2015), que garante a todos Neste artigo, discutimos por meio de alunos direitos iguais de receberem a análise de atividades componentes de educação e a informação, vem aumen- uma sequência didática¹ (SD) (DOLZ; tando 0 número de alunos com laudo de NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004), an- deficiência nas escolas. Em virtude disso, corada no referencial teórico relacionado é necessário que professores estejam ao TEA e ao ensino de LIC, possíveis preparados para a possibilidade de tra- contribuições que a aprendizagem de balharem em contextos de inclusão, já uma língua estrangeira/adicional, mais considerando que cada um dos alunos em especificamente 0 inglês, pode promover sala de aula possui suas singularidades e ao desenvolvimento das capacidades de que há alunos que necessitam de adapta- linguagem² (CL) (DOLZ; PASQUIER; ções de materiais e propostas, pois só por BRONCKART, 1993) do aluno autista, meio de capacitação docentes saberão tomando por base 0 interacionismo agir e transformar 0 ambiente escolar em sociodiscursivo (BRONCKART, 2003), inclusivo (VITALIANO, 2013). corrente teórica que considera a lingua- Dentre possíveis laudos, de acordo gem como elemento fundador do funcio- com Lemos, Nunes e Salomão (2020), 0 namento e desenvolvimento humano. de transtorno do espectro autista (TEA) Acreditamos que por meio da linguagem vem, cada vez mais, sendo identificado a criança possa tornar-se apta a agir e nas escolas. Os alunos com 0 diagnósti- interagir na sociedade, estabelecendo CO de TEA têm as suas capacidades de relações interpessoais e lidando com socialização e interação afetadas (PEN- sujeitos e objetos. NINGTON, 1997), além da busca pelo O trabalho está organizado em cinco reconhecimento de padrões e referências partes: na primeira, apresentamos a que lhes proporcionem segurança nos definição e as características do TEA, ambientes onde frequentam, incluindo junto a um panorama das legislações 558 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 2/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er e diretrizes vigentes no Brasil para 0 Os desafios que envolvem a inclusão ensino e a inclusão. Após, fazemos uma de crianças com TEA em sala de aula relação com 0 campo do ensino e a apren- estão relacionados à construção de rela- dizagem de LIC, visando compreender ções sociais e contextos que favoreçam como estes ocorrem atualmente em nosso estabelecimento de ciclos de amizade país, de acordo com 0 aporte teórico que e relacionamento afetivo junto a esses fundamenta este artigo. Em seguida, alunos, pois é importante que visualizem iniciamos a discussão para compreender a escola como um ambiente acolhedor, a se, e de que forma, ocorreu a inclusão de fim de aprenderem de forma significativa. um aluno com TEA em grau severo (S1) De acordo com Pennington (1997), 0 diag- em aulas de inglês e de que forma 0 en- nóstico precoce pode funcionar como uma sino de inglês pode colaborar para 0 seu ferramenta que facilita a definição de es- desenvolvimento linguístico. Na quarta tratégias que favoreçam a aprendizagem parte, discorremos sobre métodos e e 0 desenvolvimento cognitivo da criança. analisamos três atividades realizadas No Brasil, a Lei 12.764 (BRASIL, por S1 e, por fim, são apresentadas as 2012) instituiu uma política de proteção considerações finais a respeito do tema aos direitos dos indivíduos com TEA, discutido no artigo. reconhecendo essas pessoas perante as suas limitações e características comuns transtorno do espectro e reservando seus direitos como portado- autista e inclusão res de uma síndrome clínica. Segundo Silveira, Santos e Silva O TEA, assim denominado após as (2015), prejuízos em que TEA impli- modificações de nomenclatura trazidas ca podem limitar 0 interesse dos alunos pelo manual de diagnóstico e estatística em atividades escolares tradicionais, de transtornos mentais³ 5 (DSM-5) (APA, tornando ainda mais importante pro- 2013), é definido por Pennington (1997) cessos de desenvolvimento e elaboração como um transtorno que pode implicar de materiais, além da escolha adequada em dificuldades de aprendizagem dian- pela abordagem a ser utilizada. Em te do fato de afetar indivíduos em adição, Rocha e Tonelli (2013b, p. 3) ca- suas capacidades de cognição social e racterizam TEA como um transtorno interação; além disso, algumas crianças que "priva 0 indivíduo de seu desenvol- diagnosticadas com TEA desenvolvem vimento social pleno". a oralidade tardiamente, 0 que pode Considerando as peculiaridades e implicar na necessidade de adaptação individualidades apresentadas por cada de atividades para esses alunos. uma das crianças presentes na sala de 559 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3, p. 557-572, set./dez. 2020 https://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/11449/114115845 3/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er aula, podemos definir a escola como um A inclusão se tornou mais visível e ambiente heterogêneo, repleto de indi- ganhou força no cenário da educação víduos que aprendem e se desenvolvem brasileira a partir da sanção da Lei Bra- de formas únicas e diferentes (COUDRY; sileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) FREIRE, 2005). A Lei 9.394 (BRASIL, que, em seu texto, esclarece ter 0 objetivo 1996), aprovada após a Declaração de de "assegurar e a promover, em condições Salamanca (BRASIL, 1997), garante 0 de igualdade, 0 exercício dos direitos e ensino que contempla as características das liberdades fundamentais por pessoa individuais de cada aluno, de modo a com deficiência, visando à sua inclusão possibilitar a aprendizagem de todos. social e cidadania" (BRASIL, 2015, art. Para obter a inclusão dos alunos com Por considerarmos a escola como um TEA em sala de aula, precisamos nos local para a construção da identidade pautar do conceito de educação para social do cidadão e 0 desenvolvimento todos (BRASIL, 1988) e compreender- por meio das interações, afirmamos que mos como passamos de um sistema que a lei deve ser contemplada dentro do excluía alunos com deficiência, para ambiente escolar, a fim de favorecer sistema que busca incluí-los junto aos desenvolvimento do conhecimento dos alunos regulares em sala de aula. alunos com deficiência no contexto de No passado, as pessoas com deficiên- inclusão escolar. cia eram marginalizadas pela sociedade, Segundo Vitaliano (2013), prin- que se estendia também ao ambiente cipais atores para a constituição de escolar, onde eram rejeitadas e forçadas mudanças que transformam 0 ambiente a tentarem se adequar às condições, às escolar em acolhedor e inclusivo, são propostas e normas consideradas padrões professores e gestores escolares, por meio para a sociedade (CARNEIRO, 2012). de ações que possibilitem e promovam a Sanches e Teodoro (2006), por sua vez, aprendizagem. Porém, a autora assume abordam 0 movimento de passagem desse que há dificuldades relacionadas à im- cenário de exclusão, em que alunos com plantação da educação inclusiva, des- deficiência sofriam com as imposições, tacando entre as possíveis razões para para de inclusão, onde há propostas de a existência de tais dificuldades a falta adaptação de metodologias e materiais de investimento na área para a compra para 0 ensino desses alunos em salas de materiais pedagógicos e ferramentas, regulares, considerando suas individuali- adaptações estruturais para fins de aces- dades e necessidades, sem deixar de lado sibilidade nas escolas, além do desprepa- 0 fato de que eles são parte de um grupo ro dos profissionais que deveriam fazer a que todos devem ser ensinados. diferença na implementação das práticas 560 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 https://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/11449/114115845 4/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er inclusivas. Ainda, segundo a autora, inglês aos alunos da educação infantil e isto ocorre, pois há lacunas na formação do primeiro ciclo do ensino fundamental. oferecida em cursos de licenciatura, que A autora aponta soluções a alguns dos não preparam suficientemente alunos problemas que professores podem para atuarem em contexto de inclusão. vivenciar em salas de aula de inglês Concordamos com Barros, Silva e Cos- com crianças pequenas, com base em ta (2015) quando destacam 0 fato de que evidências que apontam a necessidade esforços políticos e financeiros para a de melhor preparação dos professores efetividade das propostas inclusivas de- para a atuação no contexto de ensino de vem ser vistos na prática e não somente LIC, conforme mostram Tonelli, Ferreira em legislações e diretrizes. A luta pelos e Belo-Cordeiro (2017). direitos básicos, como 0 de aprender, só Assim como Garton e Copland (2019), se transforma, realmente, em conquista, acreditamos que está aumentando a quando há a possibilidade de ser concre- oferta do inglês como língua adicional tizada na sociedade em situações e con- nas séries iniciais na América Latina textos reais, por meio de práticas e ações e no Brasil. A ausência de leis e dire- socioeducativas dentro e fora da escola. trizes claras faz com que a proposta de pesquisas surja como a fonte ideal para ensino e a 0 reconhecimento de ideias, materiais aprendizagem de inglês e abordagens que ofereçam suporte aos para crianças profissionais que se formam nos cursos de graduação e veem a área de ensino de O ensino de LIC vem sendo discuti- LIC como um campo em que há espaço do com frequência e, por consequência, para exercerem a docência. surgem questões relacionadas ao desen- Concordamos com Rocha (2010) quan- volvimento e à utilização de materiais do discorre sobre as implicações da didáticos, à formação de professores, à globalização no mundo, que reforçam organização de salas de aula, aos mo- problemáticas como a da desigualdade, dos de avaliar, às políticas linguísticas, diante de uma população cada vez mais entre outras (GARTON; COPLAND, repleta de uma pluralidade e 2019). Rocha (2010) explora a temática cultural que poderia e deveria ser refor- e aborda 0 ensino de LIC diante de todas çada como identidade individual de cada as suas limitações e desafios, apontando aluno. Ainda, em acordo com a autora, que estes existem em função da falta de reconhecemos 0 importante papel que diretrizes específicas no Brasil, que não exerce a Linguística Aplicada neste pro- possui leis que garantam ensino de cesso, porém, para que sejam superadas 561 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3, p. 557-572, set./dez. 2020 5/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er tais implicações como as das dificuldades No caso de alunos com 0 diagnósti- de ensino e aprendizagem em função da CO de TEA, embora há as limitações nas desigualdade social, professores preci- capacidades de interação e socialização sam estar preparados para ensinarem a impostas pelo transtorno, entendemos todos, auxiliando e mediando esse proces- que a aprendizagem e 0 desenvolvi- so, permitindo aos alunos se reconhece- mento estejam relacionados ao conceito rem no ambiente escolar para que, deste de plasticidade cerebral (VYGOTSKY, modo, se identifiquem como participantes 1991), considerando 0 cérebro como uma ativos na sociedade e construam as suas unidade mutável que se desenvolve e histórias como seres humanos críticos e pode se regenerar de forma gradativa, linguisticamente desenvolvidos. possuindo capacidades cognitivas que Assim como Lopes (2012), acreditamos são transformadas de acordo com ser necessário estar atentos não somente estímulos que recebem ao longo da vida ao desenvolvimento cognitivo e linguísti- (COSTA; SILVA; JACÓBSEN, 2019). CO dos alunos, mas também aos aspectos Relacionando 0 conceito de plasticida- afetivos e sociais para a aprendizagem de cerebral à área do ensino de línguas, (VYGOTSKY, 2001, 2003). Quando fala- compreendemos que 0 desenvolvimento mos do ensino de LIC com 0 diagnóstico linguístico seja processual e que erros de TEA, é necessário que identifiquemos decorrentes de dificuldades de aprendi- a forma como 0 desenvolvimento linguís- zagem dos alunos não apontem para a tico pode exercer papel fundamental impossibilidade de aprender, mas para para as relações sociais dos indivíduos, marcas de que a aprendizagem está ocor- que podem ter as suas possibilidades de rendo. Como é por meio da linguagem que interação ampliadas pela compreensão e estabelecemos nossas relações, ações e co- a utilização da segunda língua. municações, seres humanos necessitam do desenvolvimento de suas capacidades Ampliando horizontes linguísticas para agirem socialmente. Tratando do ensino a crianças com Partindo dos pressupostos inerentes TEA, Santos et al. (2013) apontam que à lei da inclusão escolar, todos alunos as atividades a serem aplicadas devem devem ter direitos iguais, 0 que torna conter estímulos concretos, para facilitar parte da função dos professores e gesto- a organização visual e preterir a inte- res escolares criarem um ambiente que ração estritamente verbal. Em adição, proporcione condições de desenvolvimen- Sousa, Costa e Castro (2012) indicam a to a seus alunos, independente de limi- necessidade da proposição de atividades tações impostas por suas deficiências. que proporcionem a aprendizagem por 562 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 6/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er meio da ludicidade, já que é fundamental uma possibilidade para 0 desenvolvi- que as crianças se interessem pela me- mento de atividades que contemplem as todologia de ensino para que aprendam necessidades específicas de cada criança, e se desenvolvam de forma significativa. diante da possibilidade de adaptação Sem desconsiderar aspecto desa- (DOLZ, 2009) e da utilização de recursos fiador, Rocha e Tonelli (2013b) indicam tecnológicos multimodais, transpassan- a importância do ensino de inglês a do barreiras e buscando superar limites. alunos com TEA, relacionando desen- É necessário que OS professores explorem volvimento dos indivíduos a forma como materiais que aproximem 0 aluno com a aprendizagem de uma língua estran- TEA dos temas abordados nas ativida- geira/adicional pode auxiliar no processo des, a fim de que haja a compreensão de aquisição de novas capacidades de linguística dos estímulos apresentados interação social e, consequentemente, no contexto e, desta forma, 0 aluno passe cognitivas. Ademais, Santos et al. (2013) a se interessar pelo idioma. afirmam que, mesmo considerando as O aumento nas possibilidades de ex- limitações inerentes ao diagnóstico de ploração de conteúdo que se apresenta TEA, é necessário não nos atermos às junto ao estudo de uma segunda língua atividades que não apresentem desafios traz novas possibilidades de trabalho da aos alunos, que somente exercitem as comunicação ao aluno, possibilitando que habilidades que já possuem. professores busquem alternativas e va- Desta forma, apontamos que traba- riem ainda mais as atividades, com 0 ob- lhar as dificuldades de desenvolvimento jetivo de adequá-las às individualidades. linguístico advindas do diagnóstico de Além do cuidado com materiais e as TEA por meio da língua inglesa pode ser próprias atividades, é importante que uma alternativa para ensinar aos alunos, professores saibam enxergar e valorizar desde que busquemos atividades que seus papéis em relação ao aluno e a sua estimulem e permitam a aprendizagem inclusão em sala de aula. A criança com da criança junto aos outros alunos no TEA tem no professor uma figura de re- contexto de inclusão, porém, compreen- ferência e busca nele a compreensão para dendo que há limitações que exigem a comportamentos padrão em sala de aula, exploração de materiais que oportunizem identificação de rotina e de organização ao aluno a experiência de aprendizagem (SANTOS et al., 2013). adequada a sua individualidade. Reconhecendo a importância da A proposta de ensino de LIC, por meio construção social e da identidade das de gêneros textuais usando a SD como crianças, Rocha e Tonelli (2013a, p. 36) dispositivo de organização, aparece como afirmam: 563 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3, p. 557-572, set./dez. 2020 7/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er ensino de LI é de suma importância para 0 Paraná, onde 0 primeiro autor realizou aprendizado e desenvolvimento do aluno au- seu estágio supervisionado obrigatório, tista, pois este implica não apenas na apren- dizagem mas também na inserção sob orientação da segunda autora. As deste aluno na sociedade globalizada. atividades foram criadas e selecionadas sob 0 critério de estarem inseridas nos Entendemos que a aprendizagem de módulos⁴ da SD e terem sido idealizadas uma língua estrangeira/adicional pode representar a oportunidade de conheci- como intervenções específicas para 0 ensino e a inclusão de S1, considerando mento de novas culturas, 0 que colabora suas limitações. para 0 desenvolvimento de um senso de Ressaltamos que todas as atividades sociedade, além da compreensão de ele- mentos relacionados à diversidade, 0 que foram coproduzidas e analisadas pelos pode facilitar a aproximação da criança autores assegurando, assim, aspectos éticos de pesquisa. A esse respeito, es- com TEA e auxiliar no estabelecimento dos seus vínculos sociais. clarecemos que a pesquisa desenvolvida está inserida em projeto de pesquisa Métodos e análise das mais amplo sob título "Ensino de línguas adicionais para crianças com base em atividades gêneros textuais organizado em torno do dispositivo sequência didática: pro- Diante das análises de atividades por meio do estudo de caso (YIN, 1993; DÖR- posições de registrado na Pró-reitoria de Pesquisa da Universida- NYEI, 2006) proveniente das atividades de Estadual de Londrina (UEL) (número realizadas por um aluno, este artigo está 12597) e aprovado pelo Comitê de Ética inserido no paradigma qualitativo-inter- em Pesquisa envolvendo seres humanos pretativo de dados (DENZIN; LINCOLN, na mesma universidade, sob número 2006; COHEN; MANION; MORRISON, 2010). Durante 0 processo de elaboração da Para identificar como podem ser or- SD, consideramos 0 fato de que 0 diag- ganizadas e adaptadas atividades que nóstico de autismo em grau severo de S1 promovam, de fato, a aprendizagem de implicava em dificuldades para se comu- inglês de crianças com TEA, apresenta- nicar e se relacionar com outras crianças remos três atividades arroladas em uma da turma, afetando também a oralidade SD e aplicadas ao aluno S1, incluído em e a possibilidade de participação de ativi- uma turma de nível pré-5 em um centro dades com autonomia e mediação redu- de educação infantil de universidade zida. S1 também apresentava interesses pública localizado no norte do estado do restritos, dando preferência à realização 564 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 8/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er de propostas que envolvessem estímulos A primeira atividade de S1 que tra- visuais, organização de figuras e ativida- zemos para a análise (Figura 1) teve des em que pudesse apresentar respostas por objetivo aproximar as crianças do por meio de movimentos corporais. conceito e do papel do personagem por Tomando por base Bronckart (2003) meio da identificação da personagem e 0 conceito de par mais experiente principal da HI utilizada na apresen- (VYGOTSKY, 1998), desenvolvemos tação da situação. Os alunos deveriam atividades que promovessem interações pintar somente a lagarta, repetindo e escolhas conjuntas, para favorecer a oralmente 0 nome da personagem junto comunicação e as trocas de experiências ao professor. Na atividade exposta por entre as crianças. Com base no contexto meio da Figura 1, a seguir, percebemos de aplicação das atividades, 0 gênero que S1 conseguiu identificar e pintar a textual selecionado para ser 0 norteador personagem principal da HI, conforme das atividades da SD foi história infantil requisitado no enunciado da atividade. (HI) (TONELLI, 2005) e a HI utilizada na apresentação da situação⁵ aos alu- Figura 1 Pinte a personagem da HI nos foi The Very Hungry Caterpillar⁶ (CARLE, 1969). Na produção inicial⁷, alunos deveriam organizar a história na ordem correta dos seus aconteci- mentos, de acordo com elementos e personagens mencionados pelo professor, FISH BEAR CAT colando as figuras na ordem correta e reconhecendo 0 que fosse requisitado. A realização desta atividade tinha por objetivo diagnosticar conhecimentos dos alunos e foi realizada em grupos de DOG quatro crianças, sendo que cada uma realizava as etapas e respondia aos comandos individualmente. Durante a atividade, foi percebida a necessidade de intervenções para 0 desenvolvimento CATERPILLAR SNAKE das CL de S1 e dos outros alunos, pois Fonte: OS demonstraram dificuldades para reco- nhecimento das partes da história e das Tendo em vista 0 fato de que 0 aluno personagens em inglês. ainda não tinha a oralidade desenvolvida 565 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 9/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er em função do TEA, foi solicitado a ele que contação de uma história. Para que S1 apontasse para a personagem, enquanto pudesse selecionar 0 animal, trouxemos 0 professor repetia 0 nome da lagartinha imagens com várias opções e pedimos em inglês: caterpillar. aluno participou que ele escolhesse, dentre todas elas, ativamente da proposta, realizando a ati- qual era 0 seu animal favorito. Durante vidade conforme havia sido requisitado, a mediação, foi necessário chamar a assim como seus colegas de turma. atenção de S1 para as figuras algumas A segunda análise é de uma atividade vezes, a fim de concentrá-lo na proposta; em que 0 mesmo aluno, S1, teve que es- porém, após certo tempo, S1 escolheu a colher qual seria a personagem principal figura do cachorro. Na Figura 2, apre- em sua própria HI, já que a produção sentamos 0 desenho realizado por ele, final da SD consistia na elaboração e no qual representou 0 animal escolhido. Figura 2 Desenhe seu animal favorito Handout 20 Draw your Favorite Animal STUDENT DATE: DOG Fonte: OS autores. Após a realização desta atividade, a explicação de qual havia sido 0 animal escolha de todos alunos da sala foi escolhido. Com 0 auxílio do professor, compartilhada por meio da apresenta- S1 foi à frente e mostrou 0 seu desenho, ção do desenho à frente da classe e a apontando para cachorro, para reforçar a escolha da personagem principal da HI. 566 Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 10/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er A última atividade (Figura 3) que Very Hungry Caterpillar e em sua própria trazemos teve por objetivo desenvolver as HI, observando desenhos da lagartinha capacidades linguístico-discursivas e as como é no início e das comidas que ela capacidades de ação do aluno, já que alia comeu no meio do enredo, e desenhando estudo referente às partes da história e a sua própria versão da história, com 0 ao vocabulário utilizado. Na referida ati- cachorro como personagem principal, re- vidade, foi solicitado a S1 que relacionas- presentando também um acontecimento se 0 conteúdo abordado na história The que ocorreria no meio da HI. Figura 3 que cachorro come Handout 27 What does the dog eats Date: Name Fonte: OS autores. Nesta atividade podemos observar representarem um dos acontecimentos que 0 aluno fez a relação entre algumas que fariam parte do enredo no meio da das comidas que a lagartinha comeu e HI. Da mesma forma que a anterior, também as desenhou. Porém, ele não esta atividade foi apresentada em frente ilustrou todas as comidas, demonstrando à sala, processo do qual 0 professor fez a capacidade de escolher entre as frutas, parte, mediando e auxiliando S1 para doces e salgados, quais, dentre esses, ele que socializasse seu desenho ao restante gostaria de incluir em sua história, para da turma. 567 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 11/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er Após 0 desenvolvimento das ativida- educacionais especiais. No caso do ensino des, 0 aluno conseguiu, como produção de LIC a alunos com TEA, nota-se que a final da SD, com mediação do professor, adaptação de materiais é essencial para criar a sua própria HI, optando pelo que 0 ensino e a aprendizagem ocorram cachorro como personagem principal da de forma efetiva. Assim, propostas que história, escolhendo as comidas que fa- não sejam estritamente verbais, mas que riam parte do enredo, quando 0 cachorro envolvam estímulos visuais e concretos fica forte e grande, e incluindo um final, em atividades lúdicas fazem-se neces- em que 0 cachorro ficou velhinho e teve sárias. Além disto, importa ressaltar a filhotinhos. importância da figura do professor como mediador em sala de aula, assumindo, Conclusão assim, um papel essencial no processo de criação da identidade da criança Apesar de termos apresentado neste como um aluno que não somente faz artigo as leis e diretrizes que colocam a parte do contexto escolar, mas que dele inclusão e reafirmam 0 direito de edu- participa ativamente a despeito de suas cação a todos no Brasil na atualidade, limitações. a falta de recursos e capacitação de Consideramos que, quando as aulas profissionais faz com que, muitas vezes, são planejadas mantendo em vista as a inclusão, na prática, não ocorra. Na questões discutidas neste artigo, tendo escrita deste texto, tivemos como objetivo em conta as limitações em que implicam reunir evidências que pudessem indicar 0 diagnóstico de TEA e as individualida- que, no caso apresentado, não somente des de cada aluno, 0 ensino de LIC pode é possível ensinar inglês a crianças com favorecer 0 desenvolvimento linguístico TEA, mas também que a aprendizagem de crianças acometidas pelo autismo, da língua adicional pode promover 0 ampliando horizontes do aluno e desenvolvimento linguístico dos alunos. possibilitando a superação de desafios A proposta da escola como um am- relacionados às dificuldades na comuni- biente acolhedor, que favoreça 0 de- cação e interação próprios ao transtorno. senvolvimento do aluno como um ser Reconhecendo desafios que envolvem que possui a sua identidade e papel na 0 ensino da LIC a alunos com diagnóstico sociedade, só é cumprida e objetivos de TEA, propomos privilegiar as possibi- só são alcançados, se as oportunidades lidades que tal prática pode proporcionar são apresentadas a todos alunos, aos alunos, abrindo espaço para novas respeitando as individualidades de cada discussões e pesquisas que reforcem a um, as especificidades e necessidades importância da criação de espaços para 568 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 https://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/11449/114115845 12/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er 0 autoconhecimento e 0 estabelecimento Expanding horizons: teaching de vínculos sociais por meio do desenvol- English to children with vimento linguístico. Entendemos que a autism spectrum disorder aprendizagem do idioma representa uma conquista valiosa não só para alunos, Abstract mas também aos professores que atuam When it comes to teaching English no contexto de LIC. Assumimos que to children, the education scenario existam dificuldades impostas pelo TEA, nowadays is presented as opened to mas afirmamos que estas não impedem new research proposals that reinforce the importance of inclusion in scho- a interação e a aprendizagem. lar context. In this paper we aim to Por meio deste artigo, esperamos discuss, through colaborar para que outros professores tative analysis, the role of English learning to the linguistic development e pesquisadores se dediquem a pensar of children with Autistic Spectrum atividades, adaptar materiais e ensinar Disorder, discussing the contribution a alunos com deficiência em contexto of the English language to the pro- de inclusão, motivando-os a realizarem cess of overcoming the challenges that may arise from the diagnosis. seus trabalhos para compreender que é The data were generated through possível atingir seus objetivos relaciona- activities that are part of a didactic dos ao ensino e à aprendizagem e que é sequence developed and applied in a supervised internship context, to a le- importante que busquem identificar as vel 5 group of students, including an maneiras como as atividades que pro- autistic child. The results point out porcionam e as abordagens de ensino that, whether didactic material and approach adaptations are made, tea- podem e devem ser significativas para 0 ching English to children with autis- desenvolvimento de seus alunos. tic spectrum disorder can favor their A expectativa é que haja um mo- linguistic development, in addition to enabling social engagement, characte- vimento crescente de pesquisas com rizing, in fact, inclusion. propostas de reflexão que possibilitem aos professores refletirem a respeito de Keywords: Teaching English for chil- dren. Autistic spectrum disorder. seus papéis como mediadores do conhe- Scholar inclusion. Linguistic develo- cimento das disciplinas que lecionam em pment. sala de aula, reforçando a importância de suas ações para a construção de co- Notas nhecimento e identidade de cada uma 1 Dispositivo didático para a organização de de suas crianças, sejam eles alunos com atividades visando ensino de línguas e de- deficiência, ou alunos regulares⁸. senvolvimento das capacidades de linguagem (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004). 569 Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 13/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er 2 As capacidades de linguagem são as que devem BNCC_publicacao.pdf. Acesso em: 02 jun. ser dominadas para que indivíduos sejam capa- 2020. zes de compreender e utilizar gêneros textuais orais e/ou escritos. São elas: capacidades de BRASIL. Lei n° 12.764, de 27 de dezembro ação, capacidades discursivas e capacidades de 2012. Dispõe sobre a política nacional (DOLZ; PAZQUIER; de proteção dos direitos das pessoas com BRONCKART, 1993). Tais capacidades foram transtorno do espectro autista. Disponível expandidas por Cristovão e Stutz (2011), com em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ a proposição da inclusão das capacidades de ato2011-2014/2012/lei/112764.htm Acesso significação. em: 13 fev. 2016. 3 Diagnostic and statistical manual of mental disorders, em inglês. BRASIL. Declaração de Salamanca: sobre 4 As atividades das SD são arroladas em módu- princípios, políticas e práticas na área das los, sendo que cada um possui uma temática e necessidades educativas especiais. 1997. um objetivo condizente com desenvolvimento Disponível em: http://portal.mec.gov.br/se- das CL (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004). esp/arquivos/pdf/salamanca.pdf Acesso em: 6 Etapa da SD em que gênero é apresentado 29 jun. 2015. aos alunos e é explicada a proposta do projeto BRASIL. Ministério de Educação e Cultura. de classe (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 2004). 6 Estabelece as diretrizes e bases da Educação Alagarta muito faminta, em língua portuguesa. - Nesta etapa da SD, professor aplica uma Nacional. Brasília, DF: MEC, 1996. atividade diagnóstica aos alunos, a fim de com- BRASIL. Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. preender conhecimento prévio que possuem Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pes- (ou não) em relação ao gênero e adaptar as soa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com atividades dos módulos (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY, 2004). Deficiência). Disponível em: http://www.pla- 8 Agradecemos a Profa. Dra. Betânia Passos nalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/ Medrado, docente na Universidade Federal de lei/113146.htm. Acesso em: 04 jun. 2020. Pernambuco, pela leitura crítica e sugestões BRASIL. Constituição (1988). Constituição para artigo. da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988. Referências BRONCKART, J. P.Atividade de linguagem, textos e discurso: por um interacionismo AMERICAN PSYCHIATRY sócio-discursivo. Tradução de Anna Raquel Diagnostic and Statistical Manual of Mental Machado e Péricles Cunha. São Paulo: disorders DSM-5. 5. ed. Washington: Ame- EDUC, 2003. rican Psychiatric Association, 2013. CARNEIRO, R. U.C. Educação Inclusiva na BARROS, A. B.; SILVA, S. M. M.; COSTA, Educação Infantil. Práxis Educacional, V. 8, M. P. R. Dificuldades no processo de inclusão p. 81-95, 2012. escolar: percepções de professores e alunos CARLE, E. The Very Hungry Caterpillar. com deficiência visual das escolas públicas. United States: Putnam/Philomel, 1969. Boletim Academia Paulista de Psicologia, V. 35, p. 23, 2015. COSTA, A. R.; SILVA, P. L. O. da; JACÓB- SEN, R. T. Plasticidade cerebral: conceito(s), BRASIL. Base Nacional Comum contribuições ao avanço científico e estudos Educação é a Base. Brasília, DF: Ministério brasileiros na área de Letras. da Educação, 2017. Disponível em: 568 http:// Fortaleza, V. 9, n. 3, p. 457-476, 2019. basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ 570 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 14/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er COUDRY, M. I. H.; FREIRE, F. M. P. O LEMOS, E. L. M. D.; NUNES, L. L.; SA- trabalho do cérebro e da linguagem: a vida LOMÃO, N. M. R. Transtorno do espectro e a sala de aula. Campinas: CEFIEL, 2005. autista e interações escolares: sala de aula CRISTOVÃO, V.L. L.; STUTZ, L. Sequências e pátio. Revista Brasileira de Educação didáticas: semelhanças e especificidades no Especial, Bauru, V. 26, n. 1, jan./mar. 2020. contexto francófono como L1 e no contexto LOPES, L. M. Ludicidade: uma alternativa brasileiro como LE. In: SZUNDY, P. T. C. et para a educação inclusiva no ensino regular. al. (org.). Linguística Aplicada e Sociedade: 2012. 58 f. Trabalho de Conclusão de Curso ensino e aprendizagem de línguas no con- (Pós-graduação em Educação: Métodos e Téc- texto brasileiro. Campinas: Pontes Editores, nicas de Ensino) Universidade Tecnológica 2011. p. 17-40. Federal do Paraná, Medianeira, 2012. COHEN, L.; MANION, L.; MORRISON, K. MEDRADO, B. P.; CELANI, M. A. A. A Lei Research methods in education. 6. ed. Lon- Brasileira de Inclusão: as antigas e novas don: Routledge, 2010. demandas para a formação de professores de línguas. In: MATEUS, Elaine; TONELLI, DENZIN, N.; LINCOLN, Y. O Planejamento Juliana (org.). Diálogos (im)pertinentes entre da pesquisa qualitativa: teorias e aborda- formação de professores e aprendizagem de gens. Porto Alegre: ArtMed, 2006. línguas. São Paulo: Blucher Open Access, DOLZ, J.; PASQUIER, A.; BRONCKART, 2017. V. 1. p. 203-220. J. P. L'acquisition des discours: émergence PENNINGTON, B. F. 1946 Diagnósticos de d'une compétence ou apprentissage de ca- pacités langagières? Études de Linguistique distúrbios de aprendizagem: um referencial Appliquée, n. 102, p. 23-37, 1993. neuropsicológico. São Paulo: Pioneira, 1997. ROCHA, C.H. Propostas para o inglês no en- DOLZ, J.; NOVERRAZ, M.; SCHNEUWLY, sino fundamental I público: plurilinguismo, B. Sequências didáticas para 0 oral e a es- transculturalidade e multiletramentos. Tese crita: apresentação de um procedimento. In: (Doutorado em Linguística Aplicada) Insti- SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e tuto de Estudos da Linguagem, Universidade escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Estadual de Campinas, Campinas, 2010. Sales Cordeiro. Campinas: Mercado de Le- tras, 2004. p. 95-128. ROCHA, E. P.; TONELLI, J. R. A. A Síndro- DOLZ, J. Os cinco grandes desafios da for- me de Asperger e ensino de língua inglesa: possibilidades e desafios. Revista X/UFPR, mação docente de línguas. 2009. Disponível V. 1, n. 1, p. 38-48, 2013a. em: ROCHA, E. P.; TONELLI, J. R. A. O autista na sala de aula de Língua Inglesa: um dile- Acesso em: ma, ou um mundo de oportunidades? Revista 06 out. 2020. Eletrônica Pro Docência / UEL, V. 1, n. 3,jan./ DÖRNYEI, Z. Research methods in applied jun. 2013b. Disponível em: http://www.uel. linguistics: quantitative, qualitative and br/revistas/prodocenciafope. Acesso em: 08 out. 2020. mixed methodologies. Oxford: Oxford Uni- versity Press, 2006. ROCHA, E. P. Possibilidades e desafios na formação de professores de língua inglesa GARTON, S.; COPLAND, F. The Routledge a indivíduos com a Síndrome de Asperger. Handbook of Teaching English to Young 2016. 142 f. Dissertação (Mestrado em Estu- Learners. New York: Routledge, 2019. dos da Linguagem) Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2016. 571 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 https://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/11449/114115845 15/1602/06/25, 19:58 PDF.js view er SANCHES, I.; TEODORO, A. Da integração TONELLI, J. R. A.; FERREIRA, O. H. S. à inclusão escolar: cruzando perspectivas e Adaptação de sequência didática para 0 en- conceitos. Revista Lusófona de Educação, V. sino de inglês a uma criança com transtorno 8, p. 63-83, 2006. do espectro do autismo. In: CELANI, Maria SANTOS, A.; BISPO, M.; PINHEIRO, N. Antonieta Alba; MEDRADO, Betânia Passos (org.). Diálogos sobre inclusão: das políticas S.; SANTANA, T. O. Metodologias de ensino para crianças autistas: superando limitações às práticas na formação de professores de línguas estrangeiras. Campinas: Pontes, em busca da inclusão. Anais Fiped V, V. 1, n. 2017. V. 1. p. 201-228. 2, 2013. Disponível em: http://www.editorare- alize.com.br/revistas/fiped/trabalhos/Traba- TONELLI, J. R. A.; FERREIRA, O. H. S.; BELO-CORDEIRO, A. E. Remendo novo em 8a90ab371b8e7be05bf467184f1ded.pdf. vestido velho: uma reflexão sobre cursos de Acesso em: 09 out. 2020. letras-inglês. Revista Educação, Linguagem SANTOS, L. I.S. Professores de língua in- e Literatura, V. 9, n. 1, 2017. glesa para crianças: interface entre formação TUTIDA, A. F. Ensino de língua inglesa para inicial e continuada, experiência e fazer pe- crianças: questões sobre formação de profes- dagógico. Revista Brasileira de Linguística sores e saberes da prática. 2016. Disser- Aplicada, V. 11, p. 223-246, 2011. tação (Mestrado em Estudos da Linguagem) Programa de Pós-Graduação em Estudos SILVEIRA, S. N.; SANTOS, A. J.; SILVA, da Linguagem, Universidade Estadual de M. K. A Formação do Professor de Língua Londrina, Londrina, 2016. Inglesa e Processo de Inclusão da Criança com Transtorno do Espectro Autista TEA VITALIANO, C. R. Educação inclusiva e na Sala de Aula. In: SEMANA INTERNA- as reconstruções necessárias no processo CIONAL DE PEDAGOGIA, 4; SEMINÁRIO de formação de professores. In: LIMA, An- LUSO-BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO IN- gela Maria de Sousa et al. (org.). Inclusão: FANTIL, 1; 21 a 25 de novembro de 2015. debates em diferentes contextos. Londrina: Anais [...]. Universidade Federal de Alagoas, Universidade Estadual de Londrina, 2013. 2015. SOUSA, F.R. M.; COSTA, E. A. B.; CASTRO, VYGOTSKY, L. S.A formação social da men- T. H. C. WorldTour: Software para Suporte te. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. no Ensino de Crianças Autistas. In: SIMPÓ- SIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA VYGOTSKY, L.S. Pensamento e linguagem. EDUCAÇÃO (SBIE), 2012. Anais [...]. Rio 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. de Janeiro: Sociedade Brasileira de Compu- VYGOTSKY, L.S. Psicologia pedagógica. São tação, 2012. p. 1-10. Disponível em: http:// Paulo: Martins Fontes, 2001. www.br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/ view/1806. Acesso em: 04 out. 2020. VYGOTSKY, L. S. Ciclo da Aprendizagem. Revista Escola, ed. 160, Fundação Victor TONELLI, J. A. R.; CRISTOVÃO, V.L. L. Civita, São Paulo, 2003. papel dos cursos de Letras na formação de YIN, R. Applications of case study research. professores de inglês para crianças. Calidos- cópio (Unisinos), V. 8, p. 65-76, 2010. Beverly Hills, CA: Sage Publishing, 1993. TONELLI, J. R. A. Histórias infantis no ensino da língua inglesa para crianças. 2005. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2005. 572 Revista do Programa de em Letras da Universidade de Passo Fundo, V. 16, n. 3,p. 557-572, set./dez. 2020 16/16

Mais conteúdos dessa disciplina