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CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL
BACHARELADO EM ENFERMAGEM
ANDREINA MACHADO RODRIGUES - UL23120326
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
ORGANIZAÇÃO DO CUIDADO E PROCESSO DE ENFERMAGEM
ALTAMIRA - PA
2026
ANDREINA MACHADO RODRIGUES
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
ORGANIZAÇÃO DO CUIDADO E PROCESSO DE ENFERMAGEM
Trabalho acadêmico apresentado ao curso de Bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal como requisito parcial de avaliação, sob orientação da enfermeira docente Joelma Santos de Oliveira Souza.
ALTAMIRA - PA
2026
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	1
2 OBJETIVOS	2
2.1 Objetivo geral	2
2.2 Objetivos específicos	2
3 DESENVOLVIMENTO	3
3.1 Fundamentos históricos e conceituais	3
3.2 SAE e Processo de Enfermagem	3
3.3 Bases legais éticas e profissionais	3
3.4 Teorias e modelos de enfermagem	4
3.5 Avaliação de Enfermagem	4
3.6 Diagnóstico de Enfermagem	5
3.7 Planejamento de Enfermagem	6
3.8 Implementação de Enfermagem	6
3.9 Evolução de Enfermagem	7
3.10 Linguagens padronizadas de enfermagem	7
3.11 Raciocínio clínico e tomada de decisão	8
3.12 Registros prontuário e comunicação	8
3.13 Segurança do paciente e qualidade	9
3.14 SAE na Atenção Primária à Saúde	9
3.15 SAE na assistência hospitalar	10
3.16 SAE em urgência terapia intensiva e perioperatório	10
3.17 SAE nos ciclos de vida e saúde mental	11
3.18 Implantação educação permanente auditoria e tecnologias	12
3.19 Indicadores desafios e perspectivas	12
4 METODOLOGIA	14
5 CONCLUSÃO	15
6 REFERÊNCIAS	16
1 INTRODUÇÃO
A Sistematização da Assistência de Enfermagem organiza condições, recursos, métodos, pessoas e instrumentos necessários à prática profissional. Seu propósito é tornar o cuidado planejado, contínuo, individualizado, documentado e avaliável. Quando a organização institucional favorece o trabalho, a enfermagem consegue identificar necessidades, estabelecer prioridades e acompanhar resultados com maior segurança.
O Processo de Enfermagem é o método clínico que orienta o pensamento crítico e o julgamento do enfermeiro. A Resolução Cofen nº 736/2024 determina sua realização deliberada e sistemática em todo contexto socioambiental onde ocorre cuidado de enfermagem. O processo é composto por cinco etapas inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e cíclicas: avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e evolução.
SAE e Processo de Enfermagem relacionam-se, mas não são sinônimos. A SAE cria condições organizacionais para que o processo seja executado; o Processo de Enfermagem direciona o cuidado clínico à pessoa, família, coletividade ou grupo. Essa distinção atualiza a compreensão profissional e evita reduzir a assistência ao preenchimento de formulários.
Este trabalho analisa os fundamentos, etapas, bases legais, linguagens padronizadas, registros e aplicações da sistematização em diferentes cenários. O enfoque está na enfermagem e no Sistema Único de Saúde, considerando segurança, continuidade, autonomia profissional e resultados sensíveis ao cuidado.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Analisar a Sistematização da Assistência de Enfermagem e o Processo de Enfermagem, destacando fundamentos, etapas, responsabilidades, documentação e aplicação nos diferentes contextos do cuidado.
2.2 Objetivos específicos
Diferenciar Sistematização da Assistência e Processo de Enfermagem.
Apresentar bases legais, éticas, teóricas e profissionais.
Descrever as cinco etapas definidas pela Resolução Cofen nº 736/2024.
Explicar o uso de linguagens padronizadas e resultados de enfermagem.
Relacionar raciocínio clínico, evidências e tomada de decisão.
Discutir registros, comunicação e continuidade do cuidado.
Analisar contribuições para segurança e qualidade assistencial.
Aplicar a sistematização à Atenção Primária e ao hospital.
Abordar situações de urgência, terapia intensiva e ciclos de vida.
Identificar estratégias de implantação, avaliação e melhoria.
3 DESENVOLVIMENTO
3.1 Fundamentos históricos e conceituais
A enfermagem desenvolveu métodos próprios para transformar observações em decisões de cuidado. A valorização do ambiente, da higiene, da vigilância e do registro evoluiu para teorias, diagnósticos, resultados e intervenções estruturados. Essa trajetória consolidou a enfermagem como profissão com conhecimento, responsabilidade e objeto de cuidado específicos.
Sistematizar significa organizar o trabalho para que necessidades sejam reconhecidas e acompanhadas de forma coerente. Escalas, protocolos e formulários são ferramentas, não a finalidade. O centro é a pessoa e sua resposta à condição de saúde, ao tratamento, ao ambiente e às transições do cuidado.
3.2 SAE e Processo de Enfermagem
A SAE envolve dimensionamento, fluxos, instrumentos, competências, educação, recursos e suporte institucional. O Processo de Enfermagem é aplicado ao cuidado e gera avaliação, diagnósticos, resultados, prescrições, implementação e evolução. Uma unidade pode possuir formulários sem realizar julgamento clínico; isso não representa processo completo.
As etapas são cíclicas. Novos dados podem alterar diagnóstico, prioridade e intervenção. O plano não é documento fixo e deve acompanhar a resposta do paciente. Sistematização efetiva une organização, método clínico, comunicação e melhoria contínua.
3.3 Bases legais éticas e profissionais
A Lei nº 7.498/1986 regulamenta o exercício da enfermagem e delimita atribuições do enfermeiro, técnico e auxiliar. A Resolução Cofen nº 736/2024 estabelece a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto de cuidado. A Resolução nº 358/2009 foi revogada, mas teve papel histórico na consolidação da SAE e do processo.
	Profissional
	Responsabilidades no processo
	Enfermeiro
	Avaliação, diagnóstico, planejamento, prescrição e evolução
	Técnico e auxiliar
	Participação na implementação, checagem, observação e comunicação
	Instituição
	Condições, pessoal, instrumentos, capacitação e sistemas
	Equipe multiprofissional
	Integração do plano sem substituir decisões privativas
A participação de técnicos e auxiliares ocorre sob orientação e supervisão do enfermeiro, com registros das ações e respostas observadas. O enfermeiro possui responsabilidade pelo julgamento clínico, diagnóstico e prescrição de enfermagem. Delegar tarefas não significa transferir responsabilidade de avaliação e supervisão.
O Código de Ética exige cuidado seguro, respeito à dignidade, privacidade, autonomia, sigilo e registros fidedignos. O prontuário possui valor assistencial, ético e legal. O profissional não deve registrar ação não realizada, omitir intercorrência ou utilizar credencial alheia.
3.4 Teorias e modelos de enfermagem
A Resolução Cofen nº 736/2024 determina que o Processo de Enfermagem seja fundamentado em suporte teórico. Teorias e modelos ajudam a selecionar dados, compreender necessidades e definir objetivos. A escolha deve ser coerente com população, cenário, missão institucional e capacidade de aplicação pela equipe.
	Referencial
	Ênfase possível
	Necessidades humanas básicas
	Necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais
	Autocuidado
	Capacidade, déficit e apoio necessário
	Adaptação
	Respostas aos estímulos e mecanismos adaptativos
	Cuidado transcultural
	Valores, práticas e contexto cultural
	Cuidado centrado na pessoa
	Preferências, participação e experiência do usuário
O referencial não deve ser citado apenas na introdução do protocolo; precisa orientar coleta, diagnóstico e intervenção. Instrumentos muito extensos, sem relação com o modelo, geram dados que não apoiam decisões. A instituição pode combinar estruturas compatíveis, protocolos e evidências, mantendo clareza conceitual.
A escolha teórica também influencia educação e avaliação. Na Atenção Primária, família e território podem ocupar lugar central; em terapia intensiva, estabilidade fisiológica e risco imediato predominam. Em todos os cenários, dimensões sociais, emocionais e funcionais permanecem relevantes.3.5 Avaliação de Enfermagem
A Avaliação de Enfermagem compreende coleta de dados subjetivos e objetivos pertinentes à saúde da pessoa, família, coletividade ou grupo. Inclui entrevista, exame físico, observação, escalas, prontuário e informações de cuidadores. Dados são validados para reduzir suposições e erros.
	Fonte
	Exemplos
	Relato
	Sintomas, percepção, preferências, rotina e objetivos
	Exame físico
	Sinais vitais, inspeção, palpação, ausculta e testes
	Escalas validadas
	Dor, risco de queda, lesão por pressão e funcionalidade
	Prontuário
	Diagnósticos, exames, medicamentos e evolução
	Contexto
	Família, moradia, renda, cultura, trabalho e rede de apoio
A coleta deve ser direcionada pela condição e pelo referencial. Em situação aguda, priorizam-se ameaças à vida; depois amplia-se a avaliação. Em acompanhamento crônico, adesão, autocuidado e contexto ganham destaque. A avaliação precisa reconhecer riscos e potencialidades, não apenas problemas.
Dados discordantes exigem confirmação. Um valor automático inesperado deve ser repetido com técnica adequada; informação do prontuário deve ser confrontada com o estado atual. A avaliação é contínua: qualquer mudança relevante pode reiniciar o ciclo e modificar o plano.
3.6 Diagnóstico de Enfermagem
O Diagnóstico de Enfermagem é o julgamento clínico sobre respostas humanas, condições de saúde, vulnerabilidades ou disposição para melhorar. É formulado a partir da análise dos dados e direciona resultados e intervenções de enfermagem. Não corresponde ao diagnóstico médico nem deve ser escolhido apenas por existir em uma lista.
	Tipo
	Exemplo de foco
	Problema atual
	Resposta presente sustentada por sinais e sintomas
	Risco
	Vulnerabilidade apoiada por fatores de risco
	Promoção da saúde
	Motivação para melhorar comportamento ou capacidade
	Síndrome
	Conjunto de respostas que ocorrem juntas
A construção envolve agrupar indícios, reconhecer padrões, comparar com critérios e excluir explicações inconsistentes. Prioridade considera risco de vida, segurança, sofrimento, funcionalidade, preferência e possibilidade de intervenção. Vários diagnósticos podem coexistir e ser reordenados conforme evolução.
Erros comuns incluem rótulo sem evidência, uso de diagnóstico médico como resposta humana, fatores sem possibilidade de intervenção e excesso de diagnósticos sem prioridade. A linguagem padronizada melhora comunicação, mas não substitui raciocínio nem individualização.
3.7 Planejamento de Enfermagem
O Planejamento de Enfermagem estabelece prioridades, resultados esperados, indicadores e prescrição de intervenções. Os resultados devem ser observáveis, relevantes, realistas e vinculados ao diagnóstico. Quando possível, paciente e família participam da definição de metas e compreendem o que será avaliado.
	Componente
	Pergunta orientadora
	Prioridade
	O que ameaça segurança, vida ou funcionalidade?
	Resultado
	Qual mudança é esperada e em quanto tempo?
	Indicador
	Como a mudança será observada ou medida?
	Intervenção
	Que ação de enfermagem pode produzir o resultado?
	Reavaliação
	Quando e por quem a resposta será verificada?
A prescrição deve ser clara, específica e executável, indicando ação, frequência, condições e cuidados. Expressões vagas como “observar” ou “manter cuidados” dificultam execução e auditoria. Intervenções dependentes de prescrição multiprofissional são integradas ao plano, enquanto ações autônomas são fundamentadas no julgamento de enfermagem.
O planejamento considera recursos, cultura, capacidade de autocuidado e transição entre serviços. Alta e continuidade começam desde a admissão. Uma meta adequada ao hospital pode precisar ser reformulada no domicílio, onde ambiente e rede de apoio determinam viabilidade.
3.8 Implementação de Enfermagem
A Implementação de Enfermagem corresponde à realização das intervenções planejadas por enfermeiros, técnicos, auxiliares, paciente e cuidadores, conforme competências. Antes da ação, confirmam-se identificação, prescrição, condições atuais, riscos, materiais e necessidade de consentimento.
	Intervenção
	Exemplos
	Direta
	Higiene, posicionamento, medicação, curativo e monitoramento
	Indireta
	Gestão de materiais, comunicação, vigilância e organização
	Educativa
	Demonstração, orientação e validação da compreensão
	Coordenação
	Encaminhamento, discussão de caso e transição
	Prevenção
	Precauções, identificação de riscos e barreiras de segurança
A implementação não é execução mecânica. Se a condição mudou, o profissional interrompe, avalia e comunica antes de realizar intervenção inadequada. Técnicos e auxiliares registram ações, observam respostas e comunicam achados; o enfermeiro reavalia o plano e supervisiona a equipe.
A educação deve usar linguagem acessível, demonstração e retorno da informação. Entregar folheto não garante aprendizagem. O plano considera letramento, idioma, cultura, limitações sensoriais e presença do cuidador, respeitando autonomia e confidencialidade.
3.9 Evolução de Enfermagem
A Evolução de Enfermagem avalia resultados alcançados, respostas às intervenções e necessidade de manter, modificar ou encerrar o plano. É realizada pelo enfermeiro com análise comparativa dos dados. Não consiste em repetir informações anteriores ou listar procedimentos sem interpretação.
	Situação
	Decisão possível
	Resultado alcançado
	Encerrar diagnóstico ou manter prevenção
	Melhora parcial
	Continuar e ajustar prazo ou intensidade
	Sem resposta
	Reavaliar diagnóstico, causa, adesão e intervenção
	Piora
	Priorizar, comunicar e modificar imediatamente
	Nova necessidade
	Iniciar nova avaliação e novo ciclo
A frequência depende da condição e do cenário. Paciente instável necessita avaliação contínua; em acompanhamento comunitário, o intervalo pode ser maior, mas mudanças e eventos precisam ser registrados. Na alta, descrevem-se condição, necessidades persistentes, orientações e continuidade.
A evolução sustenta a demonstração de resultados sensíveis à enfermagem, como controle da dor, prevenção de quedas, integridade da pele, mobilidade, conhecimento e autocuidado. Sem indicadores e comparação, não é possível saber se a assistência produziu o efeito esperado.
3.10 Linguagens padronizadas de enfermagem
Sistemas de linguagem padronizada oferecem termos para diagnósticos, resultados e intervenções, permitindo comunicação, pesquisa, indicadores e registros eletrônicos. Entre os sistemas utilizados estão NANDA International, Classificação dos Resultados de Enfermagem, Classificação das Intervenções de Enfermagem e Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem.
	Sistema
	Uso principal
	NANDA-I
	Diagnósticos de enfermagem
	NOC
	Resultados e indicadores
	NIC
	Intervenções e atividades
	CIPE
	Diagnósticos, resultados e intervenções em terminologia internacional
	Protocolos locais
	Detalhamento operacional compatível com evidências
A instituição escolhe o sistema conforme finalidade, licença, capacitação e prontuário. Misturar termos sem mapeamento reduz consistência. A terminologia deve apoiar, não engessar: o texto clínico complementa os códigos e descreve particularidades que não cabem em opções padronizadas.
Mapeamento entre linguagens pode favorecer interoperabilidade, mas exige governança. Atualizações de versões precisam ser controladas. Indicadores extraídos do prontuário só são confiáveis quando conceitos, campos e critérios de registro são claros para toda a equipe.
3.11 Raciocínio clínico e tomada de decisão
Raciocínio clínico integra dados, conhecimentos, experiência, evidências e preferências para decidir. Envolve reconhecer pistas, gerar hipóteses, priorizar, agir e refletir. O pensamento crítico questiona informações incompletas e evita aceitar resultados que não combinam com a condição observada.
	Risco cognitivo
	Estratégia de redução
	Ancoragem
	Reavaliar hipóteses quando surgem novos dados
	Confirmação
	Buscar evidências que contradigam a hipótese
	Disponibilidade
	Usar critérios e não apenas lembrança recente
	Fechamento precoce
	Manter diagnósticosdiferenciais pertinentes
	Automação
	Conferir alertas, cálculos e dados do sistema
Protocolos e escalas reduzem variação, mas não substituem julgamento. Um escore baixo não deve impedir ação quando a equipe percebe deterioração. A decisão precisa ser comunicada e acompanhada de reavaliação para identificar efeito ou evento adverso.
Discussão de casos, simulação, supervisão e reflexão sobre eventos aprimoram raciocínio. A cultura deve permitir perguntar e revisar decisões sem punição injusta. Reconhecer incerteza e pedir apoio é conduta segura, não sinal de fraqueza profissional.
3.12 Registros prontuário e comunicação
O registro documenta avaliação, diagnóstico, planejamento, prescrição, implementação e evolução. Deve conter data, hora, identificação profissional, dados objetivos, respostas e comunicação relevante. Termos vagos, julgamentos pessoais e abreviaturas não padronizadas prejudicam continuidade e segurança.
	Registro
	Conteúdo esperado
	Avaliação
	Dados subjetivos, objetivos, riscos e validação
	Prescrição
	Ações claras, frequência, condições e responsáveis
	Checagem
	Execução e justificativa quando não realizada
	Evolução
	Comparação, análise, resultado e revisão do plano
	Transferência
	Situação atual, dispositivos, pendências e riscos
A Resolução Cofen nº 754/2024 relaciona registros e anotações ao disposto na Resolução nº 736/2024. Credenciais são pessoais; copiar e colar sem atualização pode perpetuar erros. Correções seguem regras do sistema e preservam rastreabilidade, sem apagar informação de forma indevida.
A comunicação estruturada melhora passagens de plantão e transferências. Informações críticas devem ser confirmadas pelo receptor. O prontuário eletrônico precisa de campos úteis, alertas proporcionais e disponibilidade; excesso de cliques e duplicidade afastam o profissional do cuidado.
3.13 Segurança do paciente e qualidade
A sistematização contribui para identificar riscos, padronizar barreiras, acompanhar intervenções e reconhecer deterioração. Identificação correta, segurança medicamentosa, prevenção de quedas, lesão por pressão, infecção e falhas de comunicação podem ser integradas ao plano individual.
	Risco
	Aplicação do processo
	Queda
	Avaliar fatores, planejar barreiras e reavaliar após mudança
	Lesão por pressão
	Examinar pele, reduzir pressão e monitorar evolução
	Medicamentos
	Conciliar, checar, observar efeitos e educar
	Infecção
	Aplicar precauções, vigiar sinais e revisar dispositivos
	Deterioração
	Monitorar tendências e acionar resposta precoce
Indicadores medem estrutura, processo e resultado. Taxa de avaliação de risco mede execução, mas não garante prevenção; deve ser associada à qualidade das intervenções e aos eventos. Auditoria educativa identifica falhas de desenho do sistema, não apenas do indivíduo.
Incidentes e quase falhas devem alimentar revisão do plano e dos processos. Uma cultura justa distingue erro humano, comportamento de risco e violação intencional. Segurança melhora quando profissionais podem comunicar problemas e a gestão remove barreiras recorrentes.
3.14 SAE na Atenção Primária à Saúde
Na Atenção Primária, o Processo de Enfermagem considera pessoa, família, território e longitudinalidade. Consulta, visita domiciliar, grupos e ações coletivas permitem acompanhar ciclos de vida, condições crônicas, saúde mental, vulnerabilidades e promoção da saúde. O plano deve dialogar com projetos terapêuticos e linhas de cuidado.
	Ação
	Aplicação
	Consulta
	Avaliação, diagnóstico, prescrição e retorno
	Visita domiciliar
	Ambiente, cuidador, barreiras e segurança
	Condição crônica
	Metas compartilhadas e apoio ao autocuidado
	Ações coletivas
	Diagnóstico comunitário e intervenção territorial
	Coordenação
	Encaminhamento, contrarreferência e seguimento
A classificação das necessidades inclui determinantes sociais, acesso a medicamentos, alimentação, transporte e violência. Prescrição inviável no contexto não produz resultado. Agente comunitário e equipe multiprofissional ampliam informações e continuidade, preservando sigilo.
O Cofen disponibilizou material específico sobre Processo de Enfermagem na APS após a atualização normativa. A implantação pode usar instrumentos por população, sem transformar consulta em roteiro rígido. Dados essenciais e alertas são priorizados para manter vínculo e escuta.
3.15 SAE na assistência hospitalar
No hospital, a sistematização acompanha admissão, permanência, procedimentos, transferências e alta. A avaliação inicial identifica riscos e dispositivos; prescrições são atualizadas conforme condição. Passagem de plantão, visita multiprofissional e prontuário integram informações e evitam perda de continuidade.
	Momento
	Prioridades
	Admissão
	Identificação, riscos, medicação, funcionalidade e necessidades
	Permanência
	Resposta, complicações, dispositivos, mobilidade e educação
	Procedimentos
	Preparo, segurança, monitoramento e recuperação
	Transferência
	Estabilidade, comunicação, documentação e pertences
	Alta
	Reconciliação, autocuidado, sinais de alarme e retorno
Cuidados omitidos podem ocorrer por dimensionamento inadequado, materiais, interrupções e comunicação. A SAE deve tornar prioridades visíveis e apoiar distribuição do trabalho. Formulário completo não compensa ausência de cuidado direto ou supervisão.
O planejamento da alta começa cedo e considera capacidade do paciente e cuidador. Demonstração de curativos, uso de dispositivos e medicamentos precisa ser verificada. A contrarreferência informa necessidades e resultados, evitando que a rede reinicie avaliação sem conhecimento do percurso.
3.16 SAE em urgência terapia intensiva e perioperatório
Em urgência, avaliação e intervenção ocorrem simultaneamente. O ABCDE organiza prioridades, e o plano é breve, dinâmico e centrado em ameaças imediatas. Após estabilização, o histórico e o exame são ampliados. Registros cronológicos de horários, terapias e respostas são essenciais.
	Cenário
	Características do processo
	Urgência
	Priorização, reavaliação rápida e comunicação estruturada
	Terapia intensiva
	Monitoramento contínuo, dispositivos e prevenção de complicações
	Centro cirúrgico
	Segurança, posicionamento, contagem e assepsia
	Recuperação
	Via aérea, dor, sangramento, náusea e critérios de alta
	Transferência
	Estabilidade, equipamentos, medicações e pendências
Na terapia intensiva, grande volume de dados exige seleção de tendências e metas. Sedação, delirium, ventilação, pele, mobilidade, infecção e família devem constar do plano. Alarmes não substituem exame clínico e precisam ser configurados conforme a condição.
No perioperatório, a sistematização abrange pré, intra e pós-operatório. Confirmação de identidade, procedimento, lateralidade, alergias e materiais complementa o plano. O enfermeiro avalia riscos e garante continuidade entre unidade, centro cirúrgico e recuperação.
3.17 SAE nos ciclos de vida e saúde mental
Crianças, gestantes, puérperas, adultos e idosos possuem necessidades específicas. Na pediatria, desenvolvimento, vínculo e participação do responsável são centrais. Na saúde da mulher, autonomia, segurança materna e fetal e sinais de risco orientam o plano. No idoso, funcionalidade, cognição, polifarmácia e suporte ganham importância.
	População
	Focos de avaliação
	Criança
	Crescimento, desenvolvimento, família, dor e segurança
	Gestante e puérpera
	Risco obstétrico, autocuidado, vínculo e rede de apoio
	Pessoa idosa
	Funcionalidade, cognição, quedas, pele e medicamentos
	Saúde mental
	Risco, sofrimento, vínculo, autonomia e projeto terapêutico
	Cuidados paliativos
	Sintomas, preferências, comunicação e apoio à família
Na saúde mental, escuta e relação terapêutica são instrumentos clínicos. Avaliam-se risco de autoagressão, heteroagressão, abstinência, uso de substâncias, rede e capacidade de autocuidado, sem reduzir a pessoa ao diagnóstico. O plano promove segurança com a menor restrição necessária.
Cuidados paliativos utilizam o processo para controlar sintomas, alinhar metas e respeitar preferências.Comunicação de prognóstico é multiprofissional; a enfermagem identifica sofrimento e necessidades da família. O registro de decisões evita intervenções incompatíveis com objetivos definidos.
3.18 Implantação educação permanente auditoria e tecnologias
Implantar SAE exige diagnóstico situacional, apoio da liderança, participação da equipe, referencial, instrumentos, dimensionamento, treinamento e avaliação. Iniciar apenas pelo formulário costuma gerar resistência. Projetos-piloto permitem testar linguagem, tempo e integração antes da expansão.
	Fase
	Ação
	Diagnóstico
	Mapear fluxo, recursos, competências e problemas
	Desenho
	Definir referencial, linguagem, instrumentos e responsabilidades
	Piloto
	Testar em unidade e ajustar com usuários
	Expansão
	Capacitar, apoiar e monitorar
	Sustentação
	Auditar, atualizar e devolver resultados
Educação permanente parte de problemas reais, inclui casos, simulação e acompanhamento no trabalho. Capacitação única não garante mudança. Referências locais e supervisão clínica apoiam dúvidas. Auditoria deve verificar coerência entre dados, diagnóstico, intervenção e resultado, não somente presença de campos.
Tecnologias podem sugerir riscos, organizar prescrições e produzir indicadores. Porém, alertas excessivos, campos duplicados e escolhas automáticas induzem registro superficial. Governança clínica, segurança da informação e participação da enfermagem no desenvolvimento são essenciais.
3.19 Indicadores desafios e perspectivas
A avaliação da SAE utiliza indicadores de estrutura, processo e resultado. Estrutura inclui dimensionamento, capacitação e disponibilidade do prontuário; processo considera avaliação e prescrição individualizadas; resultado observa quedas, lesões, dor, autocuidado, satisfação e outros desfechos sensíveis à enfermagem.
	Desafio
	Estratégia
	Sobrecarga
	Dimensionamento, prioridades e redução de duplicidades
	Baixa adesão
	Participação, feedback e supervisão clínica
	Formulário extenso
	Campos essenciais e desenho centrado no usuário
	Pouca integração
	Passagem estruturada e interoperabilidade
	Indicadores sem retorno
	Painéis simples e planos de melhoria
A implantação enfrenta número insuficiente de profissionais, rotatividade, fragmentação, pouco domínio das linguagens e sistemas inadequados. Esses problemas não se resolvem atribuindo culpa individual. Gestão, educação, tecnologia e prática clínica precisam atuar em conjunto.
Perspectivas incluem interoperabilidade, dados de resultados, apoio à decisão e maior participação do paciente. A inteligência artificial pode apoiar síntese e alertas, mas requer validação, transparência e responsabilidade humana. O futuro da sistematização depende de manter tecnologia a serviço do julgamento e do vínculo.
4 METODOLOGIA
Trata-se de revisão narrativa, descritiva e educativa sobre Sistematização da Assistência de Enfermagem e Processo de Enfermagem. A pesquisa priorizou legislação profissional, resoluções e materiais do Conselho Federal de Enfermagem, documentos sobre segurança do paciente e literatura de fundamentos e classificações de enfermagem.
Foram utilizados os descritores “Sistematização da Assistência de Enfermagem”, “Processo de Enfermagem”, “diagnóstico de enfermagem”, “prescrição”, “evolução”, “registros”, “segurança do paciente” e “Atenção Primária”. Incluíram-se fontes relacionadas ao conceito, etapas, aplicação, implantação e avaliação.
Excluíram-se conteúdos publicitários, textos sem autoria identificável, duplicações e materiais sem relação direta com o objetivo. A Resolução Cofen nº 736/2024 foi adotada como referência normativa central, considerando que revogou a Resolução nº 358/2009 e atualizou a organização do Processo de Enfermagem.
As informações foram sintetizadas em categorias temáticas, com citações autor-data e referências acadêmicas. Por utilizar documentos públicos, sem participantes, dados pessoais ou intervenção, o trabalho não exigiu submissão a comitê de ética. A aplicação deve observar normas e protocolos vigentes.
5 CONCLUSÃO
A Sistematização da Assistência de Enfermagem organiza recursos, métodos e condições para o cuidado, enquanto o Processo de Enfermagem orienta o julgamento clínico. Diferenciar os conceitos evita reduzir a prática a formulários e reforça que a organização institucional deve sustentar avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e evolução.
As cinco etapas são interdependentes e cíclicas. Dados sustentam diagnósticos; diagnósticos direcionam resultados e intervenções; a evolução verifica respostas e reinicia o processo quando necessário. Linguagens padronizadas apoiam comunicação e indicadores, mas não substituem individualização nem raciocínio.
A aplicação varia entre Atenção Primária, hospital, urgência, terapia intensiva, perioperatório, ciclos de vida e saúde mental. Em todos os contextos, registros fidedignos, participação do paciente, comunicação e reavaliação são essenciais. Técnicos e auxiliares participam da implementação sob orientação do enfermeiro.
Conclui-se que a SAE fortalece autonomia, segurança, continuidade e visibilidade dos resultados da enfermagem. Sua efetividade depende de dimensionamento, liderança, educação permanente, prontuário funcional e cultura de melhoria. A Resolução Cofen nº 736/2024 oferece base atual para consolidar esse compromisso.
6 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem. Brasília, DF, 1986.
BRASIL. Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF, 2017.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF, 2024.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 754, de 16 de maio de 2024. Normatiza aspectos dos registros e da atuação da equipe de enfermagem. Brasília, DF, 2024.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Processo de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde. Brasília, DF: Cofen, 2025.
HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S.; LOPES, C. T. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2024-2026. Porto Alegre: Artmed, 2024.
MOORHEAD, S. et al. Classificação dos resultados de enfermagem NOC. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2024.
WAGNER, C. M. et al. Classificação das intervenções de enfermagem NIC. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2024.
INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES. International Classification for Nursing Practice ICNP. Geneva: ICN, 2025.
HORTA, W. A. Processo de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
TANNURE, M. C.; PINHEIRO, A. M. SAE: Sistematização da Assistência de Enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
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