Prévia do material em texto
351 Abordagem inicial xABCDE x. eXsanguinantes • Controle de hemorragias exsanguinantes A. Airway • Via Aérea E Estabilização de coluna cervical B. Breathing • Respiração E Ventilação C. Circulation • Circulação com controle da hemorragia D. Disability • Glasgow E Pupilas E. Exposition • Exposição do paciente e Prevenção de hipotermia Conceitos iniciais O que é “trauma”? Lesão decorrente da exposição aguda de alguma forma de energia: mecânica, elétrica, térmica, química ou radioativa O que é “politraumatizado”? Vítima de lesões multissistêmicas, ou seja, aquele que possui lesão de 2 ou mais sistemas (crânio, tórax, abdome, musculoesquelético, etc.), sendo que pelo menos um - ou a combinação destas le- sões - representa risco à vida do paciente. Ex.: hematoma subdural + contusão pul- monar, lesão esplênica + fratura de pelve Principais causas de morte no Brasil: • Doenças do aparelho circulatório • Tumores • Doenças do aparelho respiratório • Causas externas de morbidade e mortalidade • Principal causa de morte entre 1 e 40 anos: • Anos de vida produtiva perdidos Distribuição temporal de mortes no trauma comparados à distribuição histórica N ú m er o d e m or te s Horas Mortes imediatas Mortes precoces Mortes tardias Trimodal histórico xABCDE 352 1. Preparação 2. Triagem 3. Exame Primário - xABCDE com imediata rea- nimação 4. Medidas auxiliares ao exame primário 5. Considerar necessidade de transferência do paciente 6. Exame secundário 7. Medidas auxiliares ao exame secundário 8. Reavaliação e monitoração contínua pós- -reanimação 9. Cuidados definitivos A sequência lógica do atendimento Triagem Múltiplas vítimas Desastre (vítimas em massa) Hospital “dá conta” Hospital “não dá conta” Atender quem tem mais chance de morrer Atender quem tem mais chance de viver Lembrem-se de tudo que está envolvido no trauma • Ambiente (cena segura) • Equipe (APH e hospitalar) • Materiais • Paciente • Local de destino Extra-hospitalar • Prioridade de atendimento • Equipe de assistência adequada • Recursos adequados • Instituição compatível com o paciente Intra-hospitalar • Prioridade no atendimento • Setor adequado para atendimento • Novo Capítulo do ATLS 11 • Controle do sangramento - Como fazer? • Compressão direta • Torniquete • Controle cirúrgico precoce x: Hemorragias eXsanguinantes 353 • Glasgow 15 • Ausência de dor cervical: • Movimentação ativa • Movimentação passiva • Exame físico confiável: • Exame neurológico normal • Sem uso de álcool e/ou drogas • Sem dores absurdas Solicitar TC (risco de lesão cervical) • > 65 anos • Parestesia em extremidades • Trauma de alta energia (quedas >1 metro, colisão automobilística, morte na cena, etc.) • Incapacidade de rotação cervical lateral de 45⁰ A: Airway (via aérea) • Assim que possível! Retirada do colar Indicações para conversão do torniquete • Métodos alternativos de hemostasia estão prontamente disponíveis. • O paciente não está em choque. • É possível monitorar a ferida para reavaliação de sangramento. • O torniquete não está sendo usado para controlar sangramento de uma amputação. Indicações para manter o torniquete no lugar • O torniquete está controlando o sangramento de uma amputação evidente, amputação quase completa ou a tentativa de conversão falhou. • O torniquete está no local há mais de 6 horas. Retirada da prancha Via aérea no paciente consciente • Está pérvia? • O2 100% 10L/min • Tem risco de ficar impérvia? • Hematoma em expansão ou enfisema sub- cutâneo no pescoço • Trauma maxilofacial importante • Sangramento ativo em via aérea • Lesão química ou térmica em nariz, boca ou hipofaringe • Vômitos intensos recorrentes • Sinais de que está impérvia? • Taquipneia • Dispneia • Estridor • Cianose • Condutas • Laringoscopia • Avaliar fraturas cervicais • Aspiração sonda rígida Colar Prancha 354 Via aérea no paciente INconsciente • Impedir a queda da base da língua Fonte das imagens: ATLS, 10 edição Chin Lift Combitubo Máscara laríngea Crico por punção Jaw Thrust Dispositivos de via aérea temporária Jaw Thrust and “Vise Grip” A CB D Fonte das imagens: ATLS, 11 edição Cânula de Guedel 355 Dispositivos de via aérea definitiva A Entalhe Proeminência da cartilagem tireoide Cartilagem tireoide Cartilagem cricoide Traqueia Membrana cricotireoidea B C D A intubação em sequência rápida (ISR) • Preparação • Pré-oxigenação • Pré-intubação otimizada • Paralisia com indução de hipnose • Posicionamento do paciente • Passagem do tubo endotraqueal • Pós-intubação Crico cirúrgicaIOT 356 Drogas na IOT Classe Observação Etomidato Hipnótico “Cardio estável” Quetamina Hipnótico Efeito broncodilatador Propofol Hipnótico Efeito hipotensor Midazolam Hipnótico Tempo de ação prolongado; efeito hipotensor moderado Succinilcolina Bloqueador neuromuscular Checar contraindicações Rocurônio Bloqueador neuromuscular Reversão pelo Sugammadex Metaraminol Vasopressores e inotrópicos “Aramin” Adrenalina/ Noradrenalina Vasopressores e inotrópicos Prevenir hipotensão do procedimento • Não precisa administrar em todos os pacientes • Fentanil: • Emergências hipertensivas • Dissecção de aorta • Sangramento intracraniano ativo • Hipertensão intracraniana • Lidocaína: • Mais recomendada em pacientes asmáticos (↓ reatividade de VA) • Está perdendo relevância em nosso meio E cadê o Fentanil ou a Lidocaína? 357 Confirmar com CO² expirado sustentado Declarar "Intubação Falhada" Declarar "não é possível entubar, não é possível oxigenar" Via Aérea Cirúrgica Bisturi, bougie, tubo Via Aérea de Resgate • Ventilação com máscara laringea ou facial • Máximo 3 tentativas em cada • Trocas se não for bem sucedido Intubação Traqueal • Indução e BNM • Manter oxigenação • Máximo 3 tentativas de laringoscopia Sucesso Falha Pare e pense, considere ventilação com máscara laringea. Auxílio de especialista. Técnicas avançadas. Via aérea cirúrgica Manejo Pós-Intubação Checagem Preparação • Posicionamento; • Pré-oxigenação; • Acesso vascular; • Monitoramento (incluindo CO²); • Plano de comunicação; • Alocação de funções; • Checagem. FalhaSucesso B: Breathing • Exame físico • Saturação de O2 • Frequência respiratória • Oferta de O2 a 100% • Inspeção • Palpação • Percussão • Ausculta • Saturação de O2 Exame Físico 358 C: Circulation • Exame físico • Acessos venosos • Reposição volêmica/Hemoderivados • LABS / FAST / LPD • Diurese / SVD Pneumotórax Hipertensivo Hemotórax Maciço Ausculta Reduzida/Abolida Reduzida/Abolida Jugulares Túrgidas Colabadas Percussão Timpanismo Macicez/ Submacicez Hemitórax acometido no RX Preto Branco Condutas Imediatas PTX hipertensivo Punção de alívio no 2º ou 5º espaço intercostal + drenagem PTX Drenagem Hemotórax Drenagem Hemotórax maciço Drenagem + reposição volêmica + hemotransfusão + suporte hemodinâmico Fratura de costela Analgesia Contusão pulmonar Suporte ventilatório e de O2 Tórax instável Analgesia, suporte ventilatório e de O2 359 • Retroperitôneo • Abdome • Pelve • Tórax • Ossos longos Por onde pode sangrar? Localizações de hemorragias traumáticas Condutas imediatas nas hemorragias Fratura de pelve Estabilização pélvica (lençol) Fratura de pelve Tamponamento pré-peritoneal Qualquer lesão em sítio compressível Compressão manual Lesão em extremidade com sangramento ameaçador à vida Torniquete* Fraturas de ossos longos Estabilização de membro Fratura de pelve, lesão de vísceras intra-abdominais Angioembolização Qualquer lesão, dependendo do contexto clínico Cirurgia 1. Cavidade torácica 2. Cavidade Peritoneal 3. Espaço Retroperitoneal 4. Ossos longos/ Compartimentos de tecido mole 5. Hemorragia externa Laceração pulmonar Fígado Estômago Baço Intestinos Fraturapélvica Lesão da coluna lombar Rins e outros órgãos retroperitoneais Vasos lesionados Fratura fechada de osso longo Fratura exposta Laceração do couro cabeludo Hemotórax Lesão da parede torácica 360 Classes do choque Parâmetro Classe I Classe II (Leve) Classe III (Moderada) Classe IV (Severa) Perda sanguínea 40% FC 100bpm >120bpm >140bpm PA Normal Normal Diminuída Diminuída FR 14-20 20-30 30-40 >35 Débito urinário >30mL/h 20-30mL/h 5-15mL/h Ausente Consciência Ansioso Ansioso/ letárgico Ansioso/ Confuso Confuso/ letárgico Hemocomponentes Monitorizar Possível Sim Protocolo de transfusão maciça 361 Gravidade da hemorragia resposta Avaliar resposta 1L ou 20 ml/kg (crianças) Reposição volêmica Resposta transitória Resposta rápida Cristalóide aquecido Parâmetro Leve Moderada Grave Frequência Cardíaca (bpm) Inalterada Inalterada a Aumentada Aumentada (>100) Aumentada Marcadamente (>120) Pressão Sistólica (mmHg) Inalterada Inalterada Inalterada a Diminuída Diminuída Marcadamente (40% Hemoderivado Reserva (CH) tipado com pro- va cruzada Hemotransfusão tipo específico (ABO e Rh) Hemotransfusão de Urgência (PTM) Cirurgia Possível Provável Imediata O melhor parâmetro para avaliar a perfusão tecidual é a diurese Posso sondar? Adultos > 0,5 ml/kg/hora Crianças > 1,0 ml/kg/hora Sangue no meato uretral Equimose/ Hematoma escrotal/perineal Retenção Urinária Fratura Pélvica Hipotensão permissiva • PAM 50 e PAS 70-90 mmhg • Contraindicada se TCE ou TRM Transfusão equilibrada • 1 CH • 1 PFC • 1 PLQ Transfusão maciça • > 10 CHs nas primeiras 24 horas • > 4 CHs na primeira hora • Indicações: • Hemorragia grave • Pontuação ≥ 2 no ABC score Conceitos importantes 363 ABC Score (Assessment of Blood Consumption) Não Sim Mecanismo de trauma penetrante 0 1 FAST + 0 1 FC ≥ 120 bpm 0 1 PAS ≤ 90 mmHg 0 1 • Fibrinólise • Ac. Tranexâmico • ↓ PLQ • PLQ • ↓ Fatores de coagulação • PFC • Hemorragia não compressível • Associado à transfusão • Hemorragia grave • 1ª dose: bolus 1g em 10 min: • Ideal ≤ 10 min do trauma • Até 3 horas do trauma • 2ª dose: 1g ao longo de 8 horas • Dose única de 2g Tromboelastograma Ácido tranexâmico Indicações: 10 60 mm 60 40 40 20 20 20 30 40 50 min Hiperfibrinólise 364 D: Disability Parâmetro Resposta Obtida Pontuação Abertura ocular Espontânea 4 Ao estímulo verbal 3 Ao estímulo doloroso 2 Sem resposta 1 Resposta verbal Orientado 5 Confuso 4 Verbaliza palavras soltas 3 Verbaliza sons incompreensíveis 2 Sem resposta 1 Resposta motora Obedece comandos 6 Localiza estímulo 5 Flexão normal 4 Flexão anormal (Decorticação) 3 Extensão anormal (Descerebração) 2 Sem resposta 1 Trauma leve Trauma moderado Trauma grave 13-15 9-12 3-8 Reatividade Pupilar Inexistente Unilateral Bilateral -2 -1 0 Escala de coma de Glasgow 365 Por que saber a ECG? • Adoram cobrar em prova • O enunciado descreve os achados e pede o cálculo do Glasgow • É a classificação que usaremos na graduação do TCE • Nos auxilia na indicação de IOT O que avaliar nas pupilas? • Anisocoria • Midríase bilateral • Miose bilateral Por que as pupilas são importantes? • Lesões no SNC (hemorragias) • Hipertensão intracraniana • Herniação cerebral E: Exposition • Expor o doente: • Dorso • Períneo • Extremidades • Retirar o colar cervical e a prancha Não esquecer da prevenção de hipotermia • Cobertores • Mantas térmicas • Fluídos aquecidos • Controle da temperatura da sala de trauma Tríade Letal Coagulopatia Hipotermia Acidose Coagulopatia Hipotermia Hipocalcemia Acidose Diamante da morte 366 Exame secundário • Anamnese AMPLA: • A. Alergias • M. Medicações • P. Passado médico e possibilidade de gravidez • L. Líquidos e alimentos ingeridos antes do trauma • A. Ambiente do trauma • Exame físico da cabeça aos pés Monitorização não invasiva • MOVE, MOVE, MOVE SVD • Lembrar das contraindicações: • Sangue no meato uretral • Equimose/Hematoma escrotal/perineal • Retenção Urinária • Fratura Pélvica SNG • Gastroparesia por ↑ catecolaminas • ↓ distensão gástrica • ↓ risco de broncoaspiração • Auxilia na investigação de • hemorragia gastrointestinal Contraindicação • Qualquer sinal suspeito de fratura de base de crânio Medidas Auxiliares • Na sala de trauma • Nunca devem atrasar uma medida terapêutica • Nunca devem atrasar a transferência do doente Isso cai em prova como pegadinha! • Atentem-se à complexidade do serviço do primeiro atendimento • Estabilizem o paciente • Transfiram sem atrasos causados por exames complementares Edema periorbital e equimose Rinorreia Otorreia Equimose retroauricular A B Radiografias