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O BARROCO
SUMÁRIO
Para começar
Um mundo em crise
Renascimento × Barroco
O homem dividido
Por que “Barroco”?
Da Europa para o Brasil
Boca do Inferno
Cultismo e conceptismo
Figuras de linguagem
Principais autores
Gêneros literários
Síntese e debate
“Quem sobe ao alto lugar que não merece, / homem sobe, asno vai, burro parece.”
Gregório de Matos, em soneto contra o governador da Bahia, o “Braço de Prata”. Por versos assim, o poeta ganhou o apelido de “Boca do Inferno”.
PARA COMEÇAR
UM MUNDO EM CRISE
REFORMA
Em 1517, Lutero rompe com a Igreja. A Europa se divide entre católicos e protestantes.
CONTRARREFORMA
ABSOLUTISMO
A Igreja reage: Concílio de Trento, Inquisição e jesuítas reforçam a fé católica.
Reis com poder total e cortes luxuosas. A arte serve para exibir grandeza e poder.
01
02
03
CERTEZAS ABALADAS
NOVA CIÊNCIA
Copérnico e Galileu mostram que a Terra não é o centro do universo.
GUERRAS E PESTES
PORTUGAL EM CRISE
Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), fome e epidemias: a vida parece frágil.
União Ibérica (1580–1640): Portugal passa ao domínio espanhol.
04
05
06
RENASCIMENTO
DUAS VISÕES
Equilíbrio, razão e clareza. O ser humano no centro do mundo.
BARROCO
Tensão, emoção e exagero. O ser humano dividido entre Deus e o mundo.
O Barroco herda o humanismo do Renascimento, mas a Contrarreforma traz de volta a fé medieval. Desse choque nasce o conflito barroco.
FÉ × RAZÃO
CÉU × TERRA
ESPÍRITO × CORPO
ETERNO × PASSAGEIRO
HOMEM DIVIDIDO
O homem barroco vive entre forças opostas e tenta conciliar o que parece impossível. Daí o gosto pelos contrastes.
POR QUE “BARROCO”?
Em português, barroco era o nome de uma pérola irregular, imperfeita. O termo nasceu como crítica a uma arte “exagerada” e virou o nome do estilo dos séculos XVII e XVIII.
LINHA DO TEMPO
FIM DO SÉC. XVI
O estilo nasce na Itália e na Espanha, com Marino e Góngora.
1580
Portugal: morte de Camões e União Ibérica. Começa o Barroco português.
1601
Brasil: Prosopopeia, de Bento Teixeira. Auge na Bahia do séc. XVII.
1756 E 1768
Fim: Arcádia Lusitana (Portugal) e Obras, de Cláudio Manuel da Costa (Brasil).
O BRASIL COLÔNIA
AÇÚCAR E
SALVADOR
JESUÍTAS
ESCRAVIDÃO
INVASÕES
HOLANDESAS
Os engenhos geram riqueza. Salvador é a capital da colônia (1549–1763).
Catequese, colégios e teatro espalham a fé e a cultura europeia.
Base da economia: contraste entre o ouro das igrejas e a miséria do povo.
Bahia (1624) e Pernambuco (1630–1654): guerra pelo açúcar.
BOCA DO INFERNO
Romance histórico de Ana Miranda (1989), passado em Salvador nos anos 1680. Gregório de Matos, perseguido pelo governador Braço de Prata, precisa fugir.
O ENREDO
O assassinato do alcaide-mor inicia a guerra entre os Menezes e os Ravasco, ligados ao Padre Vieira.
FATO
O crime, a rivalidade das famílias, Vieira, Gregório e o Braço de Prata são históricos.
FICÇÃO
Anica de Melo foi inventada; as falas foram recriadas a partir de cartas, sermões e poemas.
Jogo de palavras: vocabulário raro, inversões e metáforas. Apela aos sentidos. Inspirado em Góngora.
CULTISMO E
CONCEPTISMO
CULTISMO
Jogo de ideias: raciocínio engenhoso e argumentos. Apela à razão. Inspirado em Quevedo; no Brasil, Vieira.
CONCEPTISMO
AS FIGURAS
ANTÍTESE
“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, / Depois da Luz se segue a noite escura” (Gregório de Matos)
PARADOXO
METÁFORA
“O todo sem a parte não é todo, / A parte sem o todo não é parte” (Gregório de Matos)
Os pregadores são “o sal da terra” (Padre Vieira, Sermão de Santo Antônio aos Peixes)
AUTORES EUROPEUS
GÓNGORA
Luís de Góngora (Espanha, 1561–1627): mestre do cultismo. Obra: Soledades.
QUEVEDO
Francisco de Quevedo (Espanha, 1580–1645): conceptismo, sátira e poesia sobre a morte.
CALDERÓN
Calderón de la Barca (Espanha, 1600–1681): teatro. Peça: A vida é sonho.
MARINO
Giambattista Marino (Itália, 1569–1625): deu nome ao marinismo. Obra: Adone.
RELIGIOSA
LÍRICO-AMOROSA
FILOSÓFICA
SATÍRICA
GREGÓRIO DE MATOS
O “Boca do Inferno” (1636–1696). Nascido em Salvador, satirizou governantes, clero e povo. Foi exilado em Angola, e sua obra circulou em cópias à mão.
SEXAGÉSIMA (1655)
PADRE VIEIRA
Sobre a arte de pregar. Critica o estilo rebuscado do cultismo.
AOS PEIXES (1654)
Os peixes representam os colonos que exploram os mais fracos.
Antônio Vieira (1608–1697), jesuíta, é o maior orador da língua portuguesa. Defendeu os indígenas e deixou cerca de 200 sermões conceptistas.
OUTROS AUTORES
BENTO TEIXEIRA
Prosopopeia: poema épico que imita Os Lusíadas. Marco inicial do Barroco brasileiro.
FREI VICENTE
BOTELHO DE OLIVEIRA
História do Brasil: primeira história do país escrita por um brasileiro.
Música do Parnaso: primeiro livro de um autor nascido no Brasil.
1601
1627
1705
A POESIA BARROCA
POESIA
RELIGIOSA
LÍRICO-
AMOROSA
POESIA
FILOSÓFICA
POESIA
SATÍRICA
Pecado e perdão: o medo da condenação, reflexo da Contrarreforma.
O amor dividido entre o desejo do corpo e o ideal espiritual.
A vida passa depressa: carpe diem e memento mori.
Denúncia da corrupção e da hipocrisia da sociedade colonial.
PROSA E TEATRO
SERMÃO
Discurso religioso para convencer os fiéis: a palavra a serviço da fé. Ex.: Vieira.
TEATRO
PROSA HISTÓRICA
Encenado em igrejas e cortes: a vida é ilusão e passagem. Ex.: A vida é sonho.
Relatos sobre a colônia: registrar e valorizar a terra nova. Ex.: Frei Vicente.
PARA LEMBRAR
ORIGEM
Nasce da crise religiosa e política: Reforma e Contrarreforma.
VISÃO DE MUNDO
O homem dividido entre fé e razão, céu e terra, eterno e passageiro.
LINGUAGEM
Rebuscada: cultismo e conceptismo, antíteses e paradoxos.
NO BRASIL
De 1601 a 1768. Grandes nomes: Gregório de Matos e Padre Vieira.
1. Por que Gregório de Matos ganhou o apelido de “Boca do Inferno”? A sátira dele faria sentido hoje?
2. Em que momentos sentimos conflitos “barrocos”, como entre o desejo e o dever?
3. Num romance histórico como Boca do Inferno, como separar fato e ficção?
PARA PENSAR
OBRIGADA!
O Barroco · Literatura · 1º ano
Profª Suzana Piazzi
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