Logo Passei Direto
Buscar

Esse resumo é do material:

DOENÇA ARTERIAL OBSTRUTIVA PERIFERICA
26 pág.

Cardiologia • Universidade Federal do AmapáUniversidade Federal do Amapá

Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

## Resumo sobre Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP)A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação clínica da aterosclerose que afeta principalmente as artérias dos membros inferiores, caracterizada pelo estreitamento luminal devido ao acúmulo de material lipídico e fibroso entre as camadas íntima e média das artérias. A aterosclerose é uma doença sistêmica que pode acometer artérias coronárias, cerebrais e periféricas, sendo a DAOP a forma mais comum quando envolve os membros inferiores. Os sintomas da DAOP surgem quando há desequilíbrio entre a oferta e a demanda de fluxo sanguíneo, podendo variar desde claudicação intermitente até isquemia crítica que ameaça a integridade do membro. A prevalência mundial da DAOP varia entre 3% e 12%, sendo mais frequente em idosos, afro-americanos e indivíduos com fatores de risco cardiovascular como hipertensão, diabetes, hiperlipidemia, síndrome metabólica e tabagismo. O tabagismo, em particular, é um fator de risco especialmente potente para DAOP, associado a maior gravidade da doença, piora da permeabilidade vascular após revascularização e aumento do risco de amputação e mortalidade cardiovascular.### Fisiopatologia e Aspectos ClínicosA aterosclerose, base da DAOP, é uma resposta inflamatória crônica da parede arterial à lesão endotelial, que leva à formação de placas ateromatosas compostas por lipídios, células inflamatórias e tecido fibroso. O processo inicia-se com a adesão de monócitos ao endotélio, migração para a íntima, diferenciação em macrófagos e formação de células espumosas, culminando na proliferação de células musculares lisas e formação da placa madura. As placas tendem a se localizar em bifurcações e angulações arteriais, como a aorta infrarrenal, artérias iliofemorais, bifurcação carotídea e artérias poplíteas. Clinicamente, a DAOP pode ser assintomática ou apresentar sintomas variados, como claudicação intermitente — dor muscular induzida pelo exercício e aliviada pelo repouso —, dor atípica, dor isquêmica em repouso, úlceras isquêmicas, gangrena e até isquemia aguda com risco de perda do membro. A localização da dor pode indicar o segmento arterial afetado, por exemplo, dor nas nádegas e quadris sugere acometimento aorto-ilíaco, enquanto dor na panturrilha é mais comum em estenoses da artéria femoral superficial ou poplítea. A síndrome de Leriche, uma forma específica de DAOP, caracteriza-se pela tríade de claudicação, pulsos femorais ausentes e disfunção erétil.### Diagnóstico e ClassificaçãoO diagnóstico da DAOP baseia-se na anamnese detalhada, exame físico e exames complementares. O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é um teste simples e sensível que compara a pressão arterial sistólica do tornozelo com a do braço, sendo valores ≤ 0,9 indicativos de DAOP. Valores > 1,3 sugerem calcificação arterial e requerem exames adicionais. O ITB correlaciona-se com a gravidade clínica: claudicação geralmente apresenta ITB entre 0,4 e 0,9, dor em repouso entre 0,2 e 0,4, e perda tecidual abaixo de 0,4. Em casos de ITB normal com sintomas sugestivos, o teste ergométrico pode ajudar a diferenciar claudicação arterial de outras causas. A imagem vascular, como arteriografia (padrão-ouro), angiotomografia e angiorressonância, é indicada para planejamento terapêutico e avaliação anatômica detalhada. A DAOP pode ser classificada segundo os sistemas Rutherford e Fontaine, que categorizam os pacientes em estágios que vão do assintomático à gangrena, e pelo Consenso Transatlântico (TASC II), que classifica as lesões arteriais em tipos A a D conforme extensão, localização e complexidade, orientando a escolha do tratamento.### TratamentoO manejo da DAOP deve ser individualizado, considerando idade, comorbidades, gravidade dos sintomas e extensão da doença. A maioria dos pacientes com claudicação é inicialmente tratada com terapia médica, que inclui modificação dos fatores de risco (controle de hipertensão, diabetes, dislipidemia, cessação do tabagismo), exercícios físicos regulares (45-60 minutos, 3 vezes por semana, por pelo menos 12 semanas) e uso de medicamentos como antiagregantes plaquetários (ácido acetilsalicílico) e estatinas, que reduzem a mortalidade cardiovascular. Para pacientes com claudicação limitante, o uso de Cilostazol, um inibidor da fosfodiesterase com ação vasodilatadora e antiagregante, pode melhorar a distância de caminhada sem dor. A pentoxifilina também pode ser utilizada para melhorar a microcirculação. Em casos de isquemia crítica, úlceras não cicatrizantes ou gangrena, a intervenção invasiva é indicada, podendo ser percutânea (angioplastia com balão, stent, aterectomia) ou cirúrgica (bypass com enxertos venosos ou protéticos). A escolha do procedimento depende da classificação anatômica da lesão, condições clínicas do paciente e recursos disponíveis.---## Destaques- A DAOP é causada principalmente pela aterosclerose, que provoca estreitamento das artérias dos membros inferiores, levando a sintomas que variam de claudicação a isquemia crítica.- O tabagismo é um fator de risco especialmente importante para DAOP, associado a maior gravidade e complicações.- O diagnóstico baseia-se em anamnese, exame físico e exames complementares, com o Índice Tornozelo-Braquial (ITB) sendo um teste fundamental.- A classificação da DAOP (Rutherford, Fontaine, TASC II) orienta o manejo clínico e intervencionista.- O tratamento inclui modificação dos fatores de risco, exercícios, terapia medicamentosa e, em casos avançados, procedimentos endovasculares ou cirúrgicos para restaurar o fluxo sanguíneo.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina