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CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
- Doença arterial oclusiva periférica (DAOP), comumente chamada de doença arterial periférica (DAP) ou doença 
vascular periférica (DVP), refere-se à obstrução ou deterioração das artérias, exceto as que suprem o coração e 
dentro do cérebro. 
→ A aterosclerose é uma das principais causas, sendo uma doença sistêmica das artérias de grande e médio calibre que 
causa estreitamento luminal (focal ou difuso) como resultado do acúmulo de material lipídico e fibroso entre as 
camadas íntima e média do vaso. Pode causar doenças das artérias coronárias, cerebrais e periféricas. 
-Podem ocorrer sintomas agudos ou crônicos, em decorrência de embolia proveniente de vasos + proximais ou 
trombose de uma artéria que foi progressivamente estreitada. Os sintomas isquêmicos ocorrem quando há um 
desequilíbrio entre a oferta e a demanda de fluxo sanguíneo. 
EPIDEMIOLOGIA 
-A prevalência mundial da DAOP dos membros inferiores está entre 3 e 12%. A maioria (70%) dos acometidos vive 
em países de baixa ou média renda 
-É + prevalente em indivíduos + velhos, afro-americanos, em famílias c/ aterosclerose e naqueles c/ fatores de risco 
p/ doenças cardiovasculares (hipertensão, diabetes, hiperlipidemia, síndrome metabólica, tabagismo). 
-A incidência de DAP sintomática  c/ a idade em cerca de 0,3%/ano p/ homens entre 40-55 anos p/ cerca de 1%/ano 
p/ homens acima dos 75 anos 
-A DAP é + predominante na população ñ branca, e ñ está totalmente explicado o  na incidência dessa comorbidade 
-O ITB < que 0,90 é quase 2 vezes + comum em negros ñ hispânicos que em brancos 
-O risco  em fumantes e pacientes c/ HAS, dislipidemia, estado hipercoagulável, insuficiência renal e DM 
-A predominância de DAP é muito alta em população diabética + jovem, afetando 1 em cada 3 diabéticos c/ + de 50 
anos 
-O risco de DAP também  em indivíduos c/ + de 50 anos, homens, obesos ou c/ histórico familiar de doença 
vascular, ataque cardíaco ou AVC. Outros fatores de risco que estão sendo estudados incluem níveis de vários 
mediadores inflamatórios, como proteína C reativa e homocisteína 
FATORES DE RISCO 
-Os fatores de risco p/ aterosclerose podem ser divididos entre ñ 
modificáveis, ou constitucionais, e modificáveis 
-O tabagismo parece ser um fator de risco + 
poderoso p/ DAOP. Foi relatada por diversos 
estudos uma relação entre a quantidade do uso 
de cigarros e o risco de DAOP, além do  da 
gravidade, efeitos negativos na permeabilidade da 
reconstrução vascular,  do risco de amputação e 
mortalidade cardiovascular após revascularização 
associados a um nº > de maços-ano 
FISIOPATOLOGIA 
-A parede arterial consiste em 3 camadas concêntricas: 
1. A camada + interna é a íntima: é um tubo de células endoteliais que são alinhadas em camada única e interagem c/ o sangue, 
fornecendo reatividade metabólica e sinalizando através do transporte de mediadores pela sua arquitetura celular interna. A parte 
íntima é separada da média pela membrana elástica interna. 
2. A parte média é a principal estrutura de suporte p/ a artéria: é predominantemente composta de células musculares lisas 
dispostas circunferencialmente, colágeno, elastina e proteoglicanos. Os proteoglicanos servem de material de liga ou cimento nos 
espaços intersticiais. O suprimento sanguíneo p/ a parte + interna da 
média é feito por difusão direta através da íntima. O suprimento 
sanguíneo p/ as camadas + externas é fornecido pelas artérias 
penetrantes menores, conhecidas como vasa vasorum. A média é 
separada da camada + externa, a adventícia, pela membrana elástica 
externa. 
3. A adventícia contém fibroblastos, colágeno e tecido elástico, e é 
a camada de força da artéria 
-A aterosclerose é a patologia + comum associada a 
DOAP, sendo caracterizada por lesões na íntima chamadas 
ateromas, ou placas ateromatosas principalmente 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
colesterol e ésteres de colesterol, c/ restos necróticos), recobertas por uma cápsula fibrosa. Estas são lesões elevadas 
compostas por centro mole e grumoso de lipídeos. Essas lesões provocam o endurecimento da artéria 
→ O termo aterogênico é usado p/ substâncias ou processos que causam aterosclerose 
→ Arteriosclerose é um termo geral que descreve qualquer endurecimento (e perda de elasticidade) de artérias médias ou 
grandes (do grego arteria, significando artéria, e esclerosis, significando endurecimento) 
→ Aterosclerose é qualquer endurecimento (e perda de elasticidade) das arteríolas (pequenas artérias) 
-As placas ateromatosas podem obstruir o lúmen vascular e romper, o 
que evolui p/ trombose dos vasos. Elas também enfraquecem a 
camada média subjacente e levam à formação de aneurismas. 
-Fatores que causam a arteriosclerose: hiperlipidemia, hipercolesterolemia, 
hipertensão, diabetes melito e exposição a agentes infecciosos ou toxinas 
como o fumo 
-Mecanismo fisiopatológico: pensa-se que o mecanismo comum 
seja a lesão da célula endotelial→a proliferação de célula muscular 
lisa→reatividade inflamatória →depósito de placa 
-Componentes da placa aterosclerótica: lipídios, células musculares 
lisas, tecido conjuntivo e células inflamatórias (geralmente 
macrófagos) 
-Em placas avançadas, é vista calcificação, e áreas erosivas ou 
ulcerações podem ocorrer, expondo o conteúdo da placa a células pró-
trombóticas circulantes 
-O núcleo lipídico da placa pode se tornar uma mistura necrótica de lipídios 
extracelulares amorfos, proteínas e fatores pró- trombóticos cobertos 
por uma camada de células musculares lisas de espessura variável, a 
capa fibrosa. Se a capa fibrosa fina se romper e os conteúdos do centro 
lipídico são expostos aos fatores humorais circulantes, então o corpo, 
percebendo a ulceração como uma lesão, mobiliza as plaquetas p/ o local e 
inicia a formação de trombos 
→ A morfologia da placa pode ser avaliada por US e RM 
-Dessa forma, uma estenose hemodinamicamente insignificante, de 
relativo baixo grau pode precipitar uma trombose aguda e resultar em 
evento isquêmico dramaticamente significativo 
-A placa heterogênea c/ capa fibrosa fina ou ulceração, frequentemente 
descrita como instável ou vulnerável, apresenta risco elevado de 
embolização de partículas e potencial 
trombótico 
-A isquemia, então, pode resultar 
de vários possíveis 
comportamentos da 
placa, como a invasão no lúmen (estenose ou obstrução) c/ hipoperfusão, 
estagnação e trombose; a ruptura da capa fibrosa, induzindo a formação de 
trombo no lúmen c/ obstrução total; e embolização dos detritos trombóticos 
na circulação a jusante 
-As placas tendem a ocorrer em bifurcações ou dobras associadas ao estresse 
externo repetitivo. As áreas em que o estresse  c/ distúrbios no fluxo ou 
turbulência, c/ vetores lateralizantes e formação de turbilhonamento, são propensas a degeneração ateromatosa 
→ Essas áreas são: aorta abdominal infrarrenal, bifurcações ilíacas, bifurcações carotídeas, artérias femorais superficiais na 
saída do canal de Hunter e óstios das artérias coronárias, renais e mesentéricas 
→ Reciprocamente, as artérias das extremidades superiores e as artérias carótidas, renais e mesentéricas, além de seus 
óstios, frequentemente estão muito menos envolvidas 
CLÍNICA 
-Pacientes c/ DAOP geralmente são assintomáticos, no entanto, se o suprimento de sangue ñ for suficiente p/ 
atender os requisitos metabólicos contínuos como consequência do estreitamento arterial, ocorrerão sintomas 
→ A gravidade dependerá do grau de estreitamento arterial, nº de artérias afetadas e nível e atividade dos pacientes. 
→ A maioria dos pacientes assintomáticos tem curso benigno, no entanto, as manifestações clínicas podem progredir de 
forma rápida naqueles que continuamfumando ou naqueles c/ diabetes ou insuficiência renal. 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
-Quadro clínico típico: 
• Dor na panturrilha, coxa ou nádega provocada por atividade e aliviada c/ repouso (claudicação intermitente) 
• Dor atípica nas pernas ou dor constante (dor isquêmica no repouso) ela acorda o paciente do sono 
• Dor nas pernas por esforço que começa após uma certa distância a pé, faz c/ que ele pare de andar e se resolve dentro 
de 10 min, permitindo que retome a caminhada. Pode se apresentar uni ou bilateralmente, em nádegas, quadris, coxas, 
panturrilhas ou pés 
• Feridas ñ cicatrizadas, ulceração ou gangrena 
• Síndrome de Leriche 
O paciente pode apresentar dor de 1 ou + grupos musculares dos membros inferiores relacionados à atividade 
(claudicação intermitente) 
-As diretrizes da American College of Cardiology/ American Heart Association (ACC/AHA) sobre DAOP sugeriram a 
seguinte distribuição da apresentação clínica da DAOP nos pacientem c/ ≥ 50 anos: 
• Assintomático: dor na perna atípica + claudicação clássica + membro ameaçado 
• Assintomáticos: os pacientes assintomáticos são diagnosticados pela triagem que é recomendada em casos específicos. 
Estes pacientes se beneficiam da redução de lipídeos, controle da PA e cessação do tabagismo que reduzem o risco de 
infarto do miocárdio, AVC e morte. 
• Dor nos membros inferiores: é o sintoma predominante nos pacientes, ocorre devido a graus variados de isquemia. 
Pode ocorrer dor na panturrilha, coxa ou nádega provocada por atividade e aliviada com repouso (claudicação 
intermitente), dor atípica nas pernas ou dor constante (dor isquêmica no repouso) 
• Claudicação intermitente: é definida como um desconforto reprodutível de um grupo definido de músculos, sendo 
induzida pelo exercício e aliviada c/ o repouso. Ocorre devido uma incompatibilidade entre o suprimento de sangue e o 
 da demanda induzida pela atividade. A sua percepção pode variar de um desconforto incômodo a uma dor severa e 
debilitante que limita o estilo de vida. É comum o relato do paciente de dor nas pernas por esforço que começa após 
uma certa distância a pé, faz c/ que ele pare de andar e se resolve dentro de 10 min, permitindo que retome a 
caminhada. Pode se apresentar uni ou bilateralmente, em nádegas, quadris, coxas, panturrilhas ou pés 
→ Nádegas quadris: acometimento aorto-ilíaco. Pulso femoral está  uni ou bilateralmente. Pode haver disfunção erétil em 
homens 
→ Coxas: acometimento de artéria femoral. 
→ Panturrilhas: é a queixa + comum. Dor nos dois terços superiores da panturrilha ocorre devido à estenose da artéria 
femoral superficial, enquanto a dor no terço inferior da panturrilha ocorre devido à estenose da artéria poplítea 
→ Pés: acometimento das artérias tibial e fibular. É pouco comum 
• A síndrome de Leriche é uma doença oclusiva aorto-ilíaca e se apresenta c/ a tríade: claudicação, pulsos femorais 
ausentes ou  e disfunção erétil 
• Dor atípica nas extremidades: os sintomas atípicos são + comuns em pacientes c/ comorbidades, inatividade física e 
percepção aletrada da dor 
• Dor isquêmica em repouso: uma redução severa na perfusão dos membros pode resultar em dor isquêmica em 
repouso. Esta é tipicamente localizada no antepé e nos dedos dos pés e ñ é facilmente controlada por analgésicos. O 
paciente refere uma piora da dor c/ a elevação do membro inferior. Reduções crônicas no fluxo sanguíneo das 
extremidades também podem levar a uma dor neuropática isquêmica sobreposta que é frequentemente descrita como 
latejante ou ardente. 
• Dor difusa grave: é caracterizada pelo início repentino dor nas 
extremidades, progredindo p/ dormência e, finalmente, paralisia 
da extremidade, acompanhada de palidez, parestesias e ausência 
de pulsos palpáveis. 
• Ferida/úlcera sem cicatrização: as úlceras isquêmicas geralmente 
começam como pequenas feridas traumáticas e depois ñ cicatrizam 
porque o suprimento de sangue é insuficiente p/ atender às 
demandas do tecido cicatrizante. As úlceras isquêmicas que 
envolvem o pé podem ser infectadas e levar à osteomielite 
• Descoloração da pele/ gangrena: a isquemia extrema altera a aparência da pele. Podem 
surgir áreas focais de descoloração da pele que podem evoluir p/ necrose cutânea. 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
-A síndrome do dedo azul ocorre geralmente devido à oclusão das artérias digitais c/ material ateroembólico de uma 
fonte arterial proximal e pode progredir p/ uma úlcera ñ cicatrizante ou áreas focais de gangrena se houver DAOP 
grave. 
-Membro ameaçado: a isquemia suficiente p/ ameaçar um membro ocorre quando o fluxo sanguíneo arterial é 
insuficiente p/ atender às demandas metabólicas dos músculos em repouso. Os pacientes podem enfrentar graus 
variados de perda de tecido ou gangrena de dígitos. A isquemia aguda é definida como aquela que ocorre dentro de 
2 semanas após o evento que a causou e comumente está associada a 
tromboembolismo (fibrilação atrial, por exemplo). Já a isquemia crônica é aquela 
que ocorre após + de 2 semanas do evento deflagrador e é geralmente resultado 
de estenoses 
-Uma característica que pode ser encontrada no exame físico dos pacientes c/ 
DAOP é extremidades c/ pele fina, seca, brilhante e sem pelos. As unhas podem 
ficar quebradiças, hipertróficas e estriadas. Pode ser observada também uma 
alteração da temperatura da pele local (um membro isquêmico é frio). As 
ulcerações têm uma aparência característica dependendo da sua origem, são 
causadas por isquemia estão tipicamente localizadas na terminação dos ramos 
arteriais, nas pontas dos dedos dos pés e entre os dígitos. São lesões dolorosas, secas e c/ pouco sangramento. 
CLASSIFICAÇÃO 
-Os sintomas apresentados pelos pacientes foram agrupados em sistemas de classificação, amplamente conhecidos 
atualmente. Os sistemas Rutherford e Fontaine foram os + usados por décadas: 
 
-As lesões arteriais podem ser classificadas pelo TASCII - TransAtlantic Inter-Society Consensus II), em tipos A, B, C ou 
D de acordo c/ a distribuição anatômica, nº, natureza das lesões e taxa de sucesso no tratamento c/ técnicas 
endovasculares e cirúrgicas. 
 
DIAGNÓSTICO 
-Na investigação da DAOP algumas perguntas na anamnese são importantes p/ caracterização do quadro, entre elas: 
➢ O paciente sente dor c/ a deambulação? 
➢ Até onde pode caminhar antes que a dor ocorra? 
➢ A dor o leva a parar de andar? 
➢ Depois de quanto tempo consegue retomar a caminhada? 
➢ O paciente sente alguma dor nas extremidades que o acorda do sono? 
➢ Onde está localizada a dor? 
➢ O paciente notou feridas ou úlceras de difícil cicatrização nos dedos dos pés? 
-A avaliação inicial deve incluir a história clínica detalhada, incluindo as comorbidades. Além de DAC, estenose da 
artéria carótida (EAC) e histórico de AVC, os fatores de risco p/ aterosclerose (diabetes, hipertensão, dislipidemia, 
tabagismo, hiper-homocisteinemia) devem ser avaliados. Como o tratamento clínico é a base da terapia vascular, 
uma revisão dos medicamentos do paciente é imperativa, c/ atenção p/ a necessidade de agentes antiplaquetários, 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
BB, IECA) e estatina como rotina. O uso prévio de heparina, protamina e insulina NPH deve ser anotado. Alergias aos 
agentes de contraste ou iodo devem ser documentadas 
-O exame físico começa c/ os sinais vitais, que revelam hipertensão e taquicardia. A pressão sanguínea nos 2 braços 
deve ser documentada. Presença ou ausência de sopro carotídeo e cardíaco, e os sopros abdominais, do flanco ou da 
virilha devem ser anotados. O abdomedeve ser apalpado p/ a pulsação aórtica. Cicatrizes de incisões devem ser 
anotadas. As pulsações da carótida bilateral, radial, ulnar, femoral, poplítea, da artéria dorsal do pé (DP) e tibial 
posterior (TP) devem ser apalpadas e anotadas c/ as amplitudes. Os pés devem ser meticulosamente examinados à 
procura de ulcerações ou sinais de lesões na pele. Deve ser feito exame neurológico documentando a força muscular 
equivalente, a sensibilidade dos membros e o estado dos pares cranianos. 
-Achados físicos comuns de DOAP incluem: perda de cabelo, pele seca brilhante c/ hipertrofia das unhas 
→ Em isquemia crítica dos membros observa o rubor e palidez c/ teste de hiperemia reativa positiva após elevação do 
membro podem ser observados 
→ Nos casos de dor em repouso grave, os pacientes podem ter edema periférico porque são obrigados a manter as pernas 
pendentes no leito, na tentativa de aliviar a dor 
-Exames laboratoriais incluem: hemograma completo, bioquímica (p/ avaliar a função renal e a glicose), lipidograma, 
nível de albumina(p/ avaliar o estado nutricional do pct se necessário), 
hemoglobina glicada A1c (HbA1c) 
-Um eletrocardiograma deve ser obtido 
-Exames vasculares ñ invasivos: o índice tornozelo-braço (ITB), o grandiente descendente de pressão segmentar 
(GDPS), c/ medida da pressão multissegmentar dos membros inferiores, morfologia das curvas das ondas com 
Doppler de registro e índice de pressão dedo-braquial (IPDB), registro do volume de pulso (RVP), fotopletismografia 
(FPG) e ecocolor Doppler arterial. 
-Recomendado que pacientes assintomáticos c/ risco p/ DAP e aqueles c/ sintomas passem pelos testes do ITB e do 
GDPS 
-O Índice de Pressão sistólica tornozelo-braquial (ITB) em repouso é um teste simples que pode ser realizado à beira 
leito e deve ser medido em pacientes c/ 1 ou + achados sugestivos de DAOP. O ITB é a 
razão entre a pressão arterial sistólica do tornozelo e a pressão sistólica braquial 
detectada c/ Doppler. Em pacientes sem sintomas leves ou moderados, um ITB < 0,90 
presenta alto grau de sensibilidade e especificidade p/ DAOP. Pacientes c/ isquemia + 
grave podem ñ tolerar a insuflação do manguito ou os sinais do Doppler nos vasos 
pode ser muito fraco p/ medir c/ precisão as pressões de corte. 
→ P/ obter um ITB preciso, o pct deve descansar por 15 a 30 min antes de medir 
→ O estudo começa c/ a aferição das pressões do pulso pedioso e da artéria tibial posterior no tornozelo 
→ O manguito de pressão é colocado acima do tornozelo; enquanto se ouve o pulso pedioso ou da artéria tibial posterior 
c/ um doppler, o manguito é insuflado a uma pressão acima da qual o sinal audível do doppler desaparece. A pressão no 
manguito é liberada lentamente até o pulso retornar 
→ É registrada pressão sistólica na qual ocorre o retorno do pulso 
→ Repete-se a aferição da mesma forma em outro vaso do mesmo membro inferior e depois no membro inferior 
contralateral 
→ É aferida a pressão sistólica da artéria braquial bilateralmente de maneira semelhante, usando o manguito e o doppler 
→ O ITB em cada extremidade é calculado dividindo-se a pressão sistólica mais alta do tornozelo em cada extremidade 
inferior pela pressão sistólica da artéria braquial 
 ITB normal vai de 0,91 a 1,3 
 ITB > 1,3 sugere a presença de vasos calcificados e a necessidade de estudos vasculares adicionais 
 ITB ≤ 0,9 é diagnóstico de doença arterial oclusiva em pacientes c/ sintomas de claudicação ou outros sinais de isquemia 
 Existe uma correlação geral entre sintomas e gravidade da DAOP estimada a partir do ITB: 
❖ Claudicação: ITB 0,4 - 0,9 
❖ Dor em repouso: 0,2 – 0,4 
❖ Perda de tecido (úlcera, gangrena): 0 – 0,4 
-P/ pacientes c/ fatores de risco p/ DAOP e sintomas atípicos ou claudicação, mas c/ ITB normal, sugere-se a 
realização de teste ergométrico p/ fornecer dados diagnósticos úteis na diferenciação entre claudicação arterial e ñ 
arterial (pseudoclaudicação) 
-O teste ergométrico é realizado usando protocolo padronizado de exercícios e esteira p/ garantir a reprodutibilidade 
das medidas de distância livre de dor e distância máxima caminhada. 
-P/ a maioria dos pacientes é indicada a realização de testes vasculares antes da intervenção vascular. 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
-Exames de imagem: o padrão-ouro tem sido a angiografia. Pode ser feita também a angiotomografia (ATC) ou a 
angiorresonância (ARM), que oferecem imagens vasculares de excelente padrão, permitindo o planejamento do 
procedimento cirúrgico aberto ou endovascular sem a necessidade de angiografia pré-operatória na maioria dos 
casos. A radiografia simples de membros inferiores pode mostrar calcificação arterial em locais consistentes c/ DAOP, 
como nos pontos de ramificação arterial. 
-As complicações da angiografia diagnóstica e de todos os 
procedimentos endovasculares incluem hematoma na região 
inguinal, sangramento retroperitoneal, pseudoaneurisma, e 
dissecação arterial 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
-Diante de uma úlcera em membros inferiores é importante 
lembrar do diagnóstico diferencial entre úlceras venosas, arteriais e 
neuropáticas: 
 
-Os principais diagnósticos diferenciais de obstrução arterial são: 
trombose arterial devido aneurisma, lesão arterial, dissecção arterial ou tromboembolismo, Tromboangeíte 
obliterante e síndrome do aprisionamento da artéria poplítea. 
TRATAMENTO 
-Uma abordagem racional do tratamento leva em consideração a idade do paciente e as comorbidades médicas, 
atividades e limitações diárias, gravidade dos sintomas e localização e extensão da doença. 
-Deve incluir modificação dos fatores de risco (hiperlipidemia, hipertensão, hiperglicemia), prática de exercícios e 
terapia farmacológica. Em geral, o exercício físico deve ser realizado por um período mínimo de 45 a 60 min, pelo 
menos 3 vezes/semana, durante pelo menos 12 semanas. Durante cada sessão, um nível de exercício c/ intensidade 
suficiente p/ provocar claudicação deve ser alcançado. 
→ Evidências sugerem que a cessação do tabagismo e os programas de caminhada gradualmente progressiva podem 
retardar a progressão da doença e melhorar os sintomas de DAOP 
-O uso de AAS e estatinas é recomendado por diversas diretrizes por reduzir a mortalidade cardiovascular nos 
pacientes c/ DAOP. 
-Tratamento clínico: é realizado c/ base nos sintomas do paciente 
 Dislipidemia: estatina ou genfibrozila 
 Hipertensão: IECA ou BB 
 Aterosclerose: estatina ou clopidogrel 
-A terapia farmacológica específica da claudicação visa melhorar os sintomas e  a distância caminhada sem dor em 
pacientes c/ claudicação, principalmente se a modificação dos fatores de risco e exercícios físicos ñ forem eficazes e a 
revascularização ñ puder ser oferecida 
→ P/ pacientes c/ claudicação que limita o estilo de vida, pode ser realizado um ensaio terapêutico (3 a 6 meses) de 
Cilostazol, sendo um inibidor da fosfodiesterase que suprime a agregação plaquetária e é um vasodilatador arterial 
direto. Os benefícios da terapia são observados cerca de 4 semanas após o início do uso. É usado via oral, 100mg, 2 
vezes/dia, meia hora antes ou 2 horas após as refeições. Seus efeitos colaterais incluem cefaleia, diarreia, tontura e 
palpitação. 
→ A Pentoxifilina é outra droga que pode ser utilizada no tratamento dos pacientes c/ DAOP, reduzindo o sintoma da 
claudicação. Atua  a deformabilidade das hemácias,  a viscosidade sanguínea e  a adesividade plaquetária 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
-A intervenção cirúrgica é uma opção p/ pacientes 
significativamente incapacitados pela claudicação, naqueles 
refratários ao tratamento clínico, ou com dor em repouso, 
gangrenas ou úlceras. O objetivo é a retomada no fluxo sanguíneo 
adequadono membro mal perfundido. As opções incluem 
intervenção percutânea, desvio cirúrgico ou uma combinação das 
2 técnicas. A intervenção percutânea envolve o acesso da artéria 
femoral, passagem de um fio guia, expansão de um balão e 
colocação de stent. A angioplastia c/ balão possibilita uma 
ampliação do lúmen do vaso estenosado. Outra opção é a 
aterectomia que consiste na ressecção da placa de ateroma. A 
revascularização cirúrgica envolve a identificação de um vaso 
apropriado acima e outro abaixo da área obstruída, com sutura de um enxerto vascular (veia ou prótese-Dacron ou 
PTFE) entre eles. 
→ A veia safena magna é a + usada 
p/ 
→ realização de enxerto vascular na 
DAOP por ter melhor desempenho para 
reconstrução arterial de membros 
inferiores. Ela pode ser usada invertida, 
in situ ou translocada. As derivações 
extra-anatômicas consistem em 
procedimentos cirúrgicos realizados em 
via que não corresponde à anatomia 
natural. Podem ser unilaterais, quando ligam vasos ipsilaterias, por exemplo: fêmoro-poplítea ou ilíaca-femoral, ou 
cruzadas, por exemplo: fêmoro-femoral. 
-Tratamento resumido: 
 Claudicação intermitente: mudanças dos fatores de 
risco(cessação do tabagismo) + Cilostazol+ exercícios 
físicos(caminhadas) + revascularização 
endovascular(utilizada se o grau da claudicação for 
muito incapacitante) 
 Isquemia crítica do membro: mudanças dos 
fatores de risco(cessação do tabagismo) + 
antibióticos( se for necessário a revascularização) + 
revascularização (c/ objetivo de restabelecer o fluxo 
sanguíneo) + desbridamento cirúrgico ou amputação (caso tenha perda de tecido c/ infecção e deve ser feito antes da 
revascularização) 
 Pé diabético: avaliação do ITB a cada 5 anos em pacientes c/ diabetes + instruções sobre medidas preventivas(uso de 
sapatos adequados) + análise do estado da circulação arterial+ avaliar a presença de celulite + terapia antibiótica 
IV(usada em infecções c/ celulite sem envolvimento subjacente do tecido mole e em pcts que realizaram o 
desbridamento cirúrgico)+ desbridamento cirúrgico (em casos de gangrena, exposição articular, exposição óssea ou 
abscesso) + amputação (em casos de infecção extensiva do pé, c/ gás, dor na panturrilha ou sepse sistêmica) + 
revascularização da extremidade inferior c/ cirurgia aberta ou stent (p/ otimizar a cicatrização da ferida e salvar o 
membro) 
 Amputações da extremidade inferior: representa uma falha da terapia ou cuidado e a recuperação funcional c/ 
deambulação é ruim em pacientes c/ amputação acima do joelho 
 Amputação em raia: é feita uma incisão em raquete ao redor da base do dedo afetado. Para amputações do 1º dedo, o 
cabo da raquete é orientado ao longo da face medial da cabeça do metatarso; p/ o 5º dedo, ele é orientado 
lateralmente. P/ os pododáctilos 2° ao 4°, a incisão é ao longo da 
linha mediodorsal. Por causa da incidência significativa de úlcera 
de repetição e da necessidade de revisão de até 60% dos 
pacientes submetidos a amputação pela técnica em raia do 1º 
pododáctilo, alguns preferem realizar diretamente a amputação 
transmetatarsiana nesses pacientes. A amputação 
transmetatarsiana pode ser feita quando 2 pododáctilos estão 
envolvidos, e o pé é considerado salvável. Contudo, a amputação 
em raia de múltiplos pododáctilos deixará o pé estreito, 
resultando na instabilidade e mudança do mecanismo da marcha 
CIRURGIA VASCULAR Carolina Ferreira 
e apoio do pé, que pode levar a úlceras de repetição, à complicação da ferida e à necessidade de revisão. 
 Amputação Transmetatársica: uma incisão curvilínea é feita acima das cabeças dos 
metatarsos, c/ um retalho plantar intencionalmente + longo. O paciente é orientado p/ ñ 
carregar peso por pelo menos 4 semanas. No caso de infecção, a amputação em guilhotina 
pode ser feita, e um curativo a vácuo é aplicado. Após surgir granulação no coto de 
amputação pode-se colocar um enxerto de pele. 
 Amputação Abaixo do Joelho: a + comum é a do retalho posterior longo. Um 
torniquete pode ser usado p/  a perda de sangue, que pode ser substancial, mesmo em 
paciente vascular. Cerca de 10 cm abaixo da tuberosidade tibial, é feita uma incisão anterior 
de dois terços da circunferência. Uma tala gessada ou um imobilizador do joelho bem 
almofadado é aplicado p/ prevenir a contratura do joelho 
 Amputação acima do Joelho: em geral, quanto + longo o coto, melhor. Uma incisão em boca de peixe é feita. 
PREVENÇÃO 
-Suspender o uso de cigarros, controlar a pressão alta, colesterol elevado e diabetes devem ser iniciados de imediato, 
além de estimular o hábito de caminhar 
PROGNÓSTICO 
-A história natural dos pacientes c/ DAP é influenciada principalmente pela dimensão das patologias vasculares 
coronarianas e cerebrovasculares coexistentes 
-Cerca de 33 a 50% daqueles c/ DAP sintomática apresentam evidências de DAC c/ base na apresentação clínica e 
eletrocardiograma, e + de 50% apresentam DAC significativa c/ base na angiografia coronariana 
-Os pacientes c/ DAP apresentam uma taxa de mortalidade aos 5 anos de 15 a 30% e um risco 2 a 6 vezes > de morte 
devido à DAC 
-As taxas de mortalidade são + altas nos c/ a DAP + grave 
-A medida ITB é útil p/ a detecção de DAP e identificação de pessoas em risco de futuros eventos aterotrombóticos 
-Cerca de 75 a 80% dos pacientes ñ diabéticos, os quais apresentam claudicação intermitente leve a moderada, 
permanecem sintomaticamente estáveis 
-Aproximadamente 25 a 30% dos pacientes c/ isquemia crítica de membro submetem-se à amputação no período de 
um ano 
-O prognóstico é pior em pacientes que continuam

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