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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA BACHARELADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO RODRIGO CORREIA LIMA DA SILVA PROCESSO DECISÓRIO NAS ORGANIZAÇÕES AVA 2 RIO DE JANEIRO-RJ 2026 RODRIGO CORREIA LIMA DA SILVA AVA 2 Trabalho avaliativo referente à disciplina: PROCESSO DECISÓRIO NAS ORGANIZAÇÕES ORIENTADOR: FERNANDA SOUZA DO NASCIMENTO RIO DE JANEIRO-RJ 2026 1. INTRODUÇÃO A sustentabilidade e a competitividade de uma organização no mercado contemporâneo dependem diretamente da qualidade e da eficácia de suas decisões estratégicas. Conforme preconizado por Herbert Simon (1970), as empresas constituem verdadeiros sistemas de decisões nos quais cada escolha gera desdobramentos sobre o uso de recursos, a saúde financeira e o clima organizacional. Entretanto, o processo decisório não ocorre em um ambiente isolado ou puramente matemático. Ele é delimitado pela racionalidade limitada dos tomadores de decisão e por variáveis dinâmicas provenientes dos ambientes interno e externo. Quando a gestão ignora as barreiras cognitivas e estruturais do processo, a organização arrisca perder seu direcionamento estratégico e distanciar-se de sua identidade corporativa — fundamentada em sua missão, visão e valores. Neste contexto, o presente trabalho analisa as quatro principais fontes de limitações no processo decisório: percepção limitada, informação parcial, lógica da satisfação e interferência política, demonstrando conceitualmente como esses fatores afetam o desempenho e os resultados das organizações. 2. ANÁLISE CONCEITUAL DAS FONTES DE LIMITAÇÕES DECISÓRIAS 2.1 Percepção Limitada A percepção limitada ocorre quando o tomador de decisão falha em mapear o panorama completo da situação-problema, restringindo a identificação de alternativas viáveis e o alcance de soluções inovadoras. Esse fenômeno fundamenta-se na tendência humana de observar a realidade a partir de vieses cognitivos, experiências passadas estreitas ou filtros culturais do próprio setor. Impacto Organizacional: A limitação perceptiva induz a empresa ao erro da "cegueira estratégica", onde os gestores ignoram novas tendências de mercado ou ameaças emergentes por não conseguirem enxergar caminhos fora dos procedimentos convencionais. Exemplo Prático: Uma empresa industrial tradicional que visualiza a queda nas vendas apenas como uma oscilação passageira de mercado e foca em reduzir custos de produção, sem perceber que o consumidor migrou para soluções digitais e sustentáveis oferecidas por novos concorrentes. 2.2 Informação Parcial A limitação por informação parcial caracteriza-se pela escassez, fragmentação ou baixa qualidade dos dados disponíveis para subsidiar a escolha entre alternativas. De acordo com Carvalho (2006) e Beal (2007), a gestão da informação envolve as etapas de coleta, armazenamento, distribuição e análise. Na ausência de dados consolidados sobre o micro e macroambiente, o processo decisório é tomado sob alta incerteza, forçando a gestão a recorrer à intuição sem fundamentação técnica. Impacto Organizacional: Leva à confusão entre sintomas e causas raízes dos problemas, gerando desperdício de capital financeiro e tempo em soluções paliativas que não corrigem a falha operacional primária. Exemplo Prático: Um gestor comercial que decide conceder descontos agressivos nos preços dos produtos acreditando que as vendas caíram por objeção financeira, quando, na verdade, uma análise de dados detalhada revelaria que o problema real era o atraso na entrega e a péssima qualidade do atendimento ao cliente. 2.3 Lógica da Satisfação Conceituada por Herbert Simon no âmbito da Teoria da Racionalidade Limitada, a lógica da satisfação descreve o comportamento decisório em que o gestor interrompe a busca por alternativas assim que encontra a primeira opção que atenda a um critério mínimo aceitável. Em vez de despender esforço cognitivo e analítico para selecionar a solução ideal (optimização), o decisor aceita uma resposta "suficientemente boa" (satisfacimento). Impacto Organizacional: Acomoda a organização na mediocridade operacional, inibindo a inovação e o alto desempenho. A longo prazo, compromete a vantagem competitiva da empresa frente aos concorrentes que buscam a máxima eficiência e eficácia. Exemplo Prático: Diante da escassez pontual de insumos no estoque, o comprador da empresa fecha contrato imediatamente com o primeiro fornecedor disponível na internet sem realizar cotações adicionais, assumindo custos de frete abusivos e matérias-primas de qualidade inferior apenas para resolver a urgência imediata. 2.4 Interferência Política A limitação por interferência política ocorre quando a escolha de uma alternativa é guiada prioritariamente por jogos de poder, interesses pessoais, barganhas interpessoais ou defesa de posições hierárquicas, em detrimento do viés técnico e dos objetivos estratégicos da organização. Conforme o Modelo Político abordado por Chun Wei Choo (2006), a decisão passa a refletir a autoridade e a influência de determinados atores internos ou pressões externas não neutras. Impacto Organizacional: Gera desalinhamento entre os setores, deteriora o clima organizacional, provoca alocação ineficiente de investimentos e divide a cultura da empresa, afastando as decisões da missão e dos valores institucionais. Exemplo Prático: A diretoria de uma empresa aprova o orçamento milionário para o projeto de expansão defendido por um diretor influente devido à sua posição hierárquica, ignorando pareceres técnicos e dados apresentados pela equipe de Engenharia de Produção e Finanças que comprovaram a inviabilidade financeira do projeto. 3. IMPACTOS NO DESEMPENHO E MECANISMOS DE MITIGAÇÃO A ocorrência sistemática dessas limitações compromete diretamente dois indicadores essenciais da gestão administrativa: a eficiência (otimização de recursos e processos) e a eficácia (atingimento das metas corretas preconizado por Peter Drucker). Para evitar que a percepção limitada, a informação parcial, a lógica da satisfação e a interferência política degradem o desempenho institucional, as organizações devem sincronizar o processo decisório com o Planejamento Estratégico Formal e adotar ferramentas estruturadas de gestão da qualidade, tais como: 1. Gestão da Informação e Business Intelligence (BI): Transformar dados em conhecimento sistemático para neutralizar o viés da informação parcial (CARVALHO, 2006). 2. Diagrama de Ishikawa (6 Ms): Investigar analiticamente as causas raízes dos problemas, eliminando a percepção limitada e a avaliação superficial (CAMPOS, 1996). 3. Ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Action): Promover a melhoria contínua e a revisão constante das premissas decisórias, superando a acomodação gerada pela lógica da satisfação. 4. Governança e Critérios Objetivos de Decisão: Estabelecer comitês técnicos e matrizes de ponderação de critérios para blindar a empresa contra a interferência política arbitrária. Ao consolidar um fluxo decisório transparente, embasado em dados e alinhado aos seus princípios institucionais, a organização assegura resiliência operacional e crescimento sustentável. REFERÊNCIAS BEAL, Adriana. Gestão estratégica da informação: como transformar a informação em um ativo vencedor para a sua organização. São Paulo: Atlas, 2007. CARVALHO, E. L. Importância da gestão da informação para o processo decisório nas organizações. In: VALENTIN, M. L. P. (org.). Informação, conhecimento e inteligência organizacional. 2. ed. Marília: Fundepe, 2006. p. 81-97. CHOO, Chun Wei. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. SãoPaulo: Senac São Paulo, 2006. DRUCKER, Peter Ferdinand. A decisão eficaz. In: HARVARD BUSINESS REVIEW. Processo decisório: os melhores artigos da Harvard Business Review. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 9-26. SILVA, Hermes de Andrade. Análise de decisão no processo decisório estratégico: abordagens e aplicações nas organizações. São Paulo: Atlas, 2004. SIMON, Herbert Alexander. Comportamento administrativo: estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 1970.