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Responsabilidade Civil e Direito do Consumidor

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Prévia do material em texto

ROTEIRO DE CURSO
2008.2
1ª edição
responsabilidade civil e 
direito do consumidor
Produzido Por Carlos affonso Pereira de souza e rafael Viola
Sumário
Responsabilidade civil e direito do consumidor
MéTODO DE AvAlIAçãO ...................................................................................................................................................................3
PROgRAMA DA DISCIPlInA .............................................................................................................................................................6
ROTEIRO DAS AUlAS .......................................................................................................................................................................7
 Aula 1. Estrutura e Funções da Responsabilidade Civil .................................................................. 7
 Aula 2. Dano Material ................................................................................................................. 14
 Aula 3. Dano Moral ..................................................................................................................... 18
 Aula 4. Culpa e Responsabilidade subjetiva .................................................................................. 24
 Aula 5. Risco e Responsabilidade objetiva .................................................................................... 30
 Aula 6. Nexo causal ...................................................................................................................... 35
 Aula 7. Excludentes de responsabilidade civil I ............................................................................. 40
 Aula 8. Excludentes de responsabilidade civil II ........................................................................... 45
 Aula 9. Responsabilidade Civil por ato de terceiro ........................................................................ 49
 Aula 10. Abuso do Direito ........................................................................................................... 54
 Aula 11. Liquidação de Danos ..................................................................................................... 66
 Aula 12. Responsabilidades Civil dos Provedores de serviços na Internet ...................................... 74
3fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
método de avaliação
O método de avaliação do desempenho dos alunos na disciplina Responsabili-
dade Civil e Direito do Consumidor está dividido em dois blocos temáticos, abaixo 
detalhados. 
Responsabilidade Civil
O bloco de responsabilidade civil ocupa a primeira metade do curso. A avalia-
ção de desempenho desse bloco será realizada através do somatório de duas notas, 
correspondentes às seguintes atividades: (i) uma prova escrita; e (ii) uma nota de 
participação.
A primeira prova escrita será conferida nota de 0 (zero) a 9 (nove). O último 
01 (hum) ponto que completa a nota desse primeiro bloco temático corresponde à 
nota de participação.
A prova escrita de responsabilidade civil será marcada previamente pelo profes-
sor, preferencialmente no horário de aula. Ela será realizada, em princípio, no perío-
do compreendido entre as aulas nº 12 a 13 do curso, de forma a marcar a passagem 
do primeiro para o segundso bloco temático. 
O aluno poderá consultar a legislação pertinente para elaborar as suas respostas. 
Salvo alguma necessidade especial, a Constituição Federal e o Código Civil, com 
sua legislação complementar, deverão ser suficientes para que o aluno possa reali-
zar a prova. Salvo orientação distinta por parte do professor, não será permitida a 
consulta à legislação comentada durante a prova. A mesma proibição vale para os 
códigos anotados cujas anotações transcendam a simples remissão a outros disposi-
tivos legais, como ocorre na obra “Código Civil e Legislação em Vigor”, elaborado 
por Theotonio Negrão.
A prova escrita de responsabilidade civil será composta de pelo menos duas ques-
tões, sendo requerido ao aluno que demonstre domínio sobre os conceitos estrutu-
rais da disciplina e facilidade para aplicá-los a situações reais ou hipotéticas, quando 
confrontado com um caso concreto.
A nota de participação, por sua vez, é composta de duas avaliações. A primeira metade 
da nota de participação (0,5 ponto) corresponde à efetiva participação do aluno durante 
o curso. A outra metade da nota de participação (0,5 ponto) se refere à(s) resposta(s) 
apresentada(s) pelo aluno à(s) pergunta(s) dirigida(s) ao mesmo em sala de aula sobre os 
textos de leitura obrigatória das respectivas aulas e/ou a sua participação na WikiDireito, 
seja inserindo ou alterando o conteúdo da respectiva matéria lecionada. 
A “efetiva participação” aqui avaliada não corresponde à quantidade de interven-
ções feitas pelo aluno em sala de aula, mas sim à qualidade de eventuais interven-
ções, o interesse demonstrado pela matéria, o questionamento dos conhecimentos 
apresentados pelo professor, e a presença constante em sala de aula. Esses são os 
principais fatores que determinam essa primeira metade da nota de participação.
4fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
O aluno que atender integralmente a esses requisitos terá 0,5 ponto na nota de 
participação.
A segunda metade da nota de participação consiste na participação do aluno na 
WikiDireito e/ou na(s) resposta(s) apresentada(s) pelo aluno quando indagado pelo 
professor sobre o texto de leitura obrigatória para a aula. Toda aula terá pelo menos 
um texto de leitura obrigatória. É certo que os sentidos são traiçoeiros, já dizia Des-
cartes, mas o texto de leitura obrigatória é exatamente tudo isso que o nome indica: 
a sua leitura é obrigatória.
Dessa forma, o professor poderá perguntar para o aluno durante a aula alguma 
questão relacionada ao texto. O professor deverá considerar que o aluno leu o texto, 
uma vez que a sua leitura está indicada no material didático. Essa medida visa a 
solucionar o recurso por vezes utilizado de apenas ler o texto correspondente à certa 
aula depois da mesma ser lecionada pelo professor. Pode parecer para o aluno que 
assim procedendo ele terá uma compreensão melhor do texto. Todavia, no método 
participativo, um aluno que não leu o texto pertinente à aula é um aluno que pode-
rá ter dificuldades em participar efetivamente, seja perguntando, seja simplesmente 
compreendendo o conteúdo da aula.
Adicionalmente, é importante lembrar que a aula lecionada pelo professor reflete 
a leitura feita pelo mesmo do texto recomendado. Ainda que a leitura do professor 
esteja apoiada em estudos mais aprofundados, nada impede que o aluno, ao tomar 
contato com o texto antes da aula, perceba outros pontos, tenha outras dúvidas ou 
perplexidades que o próprio professor não teve quando tomou contato com o texto. 
O intercâmbio de experiências de leitura é uma das características mais importantes 
dessa disciplina, pois auxilia o professor a identificar e suprimir as eventuais dificul-
dades de leitura encontradas pelos alunos. Sendo assim, o aluno que não lê o texto 
antes da realização da aula fica – voluntariamente – alijado dessa particularidade do 
estudo jurídico. E, em nota de teor mais prático, ainda corre o risco de perder meio 
ponto na avaliação.
O aluno mais atento perceberá que o texto do material de Responsabilidade Civil 
não possui a quantidade de páginas constante de outros materiais disponibilizados 
durante o curso de Direito Civil como Direito das Pessoas e dos Bens e Teoria Geral 
das Obrigações e dos Contratos. Antes de refletir uma provável escassez de tempo para 
escrever páginas e mais páginas sobre o assunto, ele representa uma característica 
desse bloco temático, que é a problematização da responsabilidade civil através do 
estudo de casos e da leitura e crítica à diversas decisõesjudiciais proferidas sobre o 
tema. Espera-se que mais essa característica estimule o aluno a ler os materiais sele-
cionados para a aula, não tornando o material didático um inadequado substituto 
dos textos de leitura obrigatória. 
Ao desempenho do aluno na(s) resposta(s) da(s) questão(ões) formuladas e/ou 
sua participação na WikiDireito, será conferido até 0,5 ponto, compondo assim até 
01 (hum) ponto na nota de participação. Essa nota de participação complementa o 
grau obtido na prova escrita. O somatório das notas obtidas na prova e na participa-
ção pode alcançar o total de 10 (dez) pontos para esse primeiro bloco temático.
5fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
diReito do ConsumidoR
O bloco temático relativo à disciplina do Direito do Consumidor ocupa a se-
gunda parte do curso. A avaliação desse bloco será realizada através do somatório de 
quatro notas correspondentes às seguintes atividades: (I) ED - exercício em duplas 
com consulta; (II) PP - prova parcial individual; (III) P - participação nas ativida-
des; (IV) PF - prova final individual. 
O exercício em dupla valerá de 0 (zero) a 2,0 (dois) pontos e será adicionado 
com a prova parcial individual que valerá de 0 (zero) a 8,0 (oito). A participação 
nas atividades valerá de 0 (zero) a 2 (dois) e será somada à prova final, valendo de 0 
(zero) a 8,0 (oito). A média do aluno será obtida através da seguinte fórmula:
µ = [ed (2,0) + PP(8,0)] + [P (2,0) + PF (8,0)]
2
O aluno que obtiver nota inferior a 7,0 (sete) e superior ou igual a 4,0 (quatro) 
pontos, deverá fazer uma prova final. O aluno que obtiver média inferior a 4,0 
(quatro) pontos estará automaticamente reprovado da disciplina.
Para os alunos que fizerem a prova final a média de aprovação a ser alcançada é 
de 6,0 (seis) pontos, a qual será obtida conforme a fórmula constante no Manual 
do Aluno – Manual do Professor. Esta prova terá a metade das questões elaboradas 
e corrigidas pelo Prof. Carlos Affonso e a outra metade elaborada e corrigida pela 
profa. Daniela.
6fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
programa da disciplina
Responsabilidade Civil
Aula 1. As funções da responsabilidade civil. 
Aula 2. Dano material. 
Aula 3. Dano moral.
Aula 4. Culpa e responsabilidade subjetiva.
Aula 5. Risco e responsabilidade objetiva. 
Aula 6. Nexo causal. 
Aula 7. Excludentes da responsabilidade civil. 
Aula 8. Excludentes da responsabilidade civil.
Aula 9. Responsabilidade civil por ato de terceiro. 
Aula 10. Abuso do direito. 
Aula 11. Liquidação de danos. 
Aula 12. Responsabilidade civil dos provedores de serviços na Internet.
Prova escrita (N1)
7fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
roteiro das aulas
aula 1. estrutura e Funções da responsabilidade civil
leituRa obRigatóRia
George Ripert. “A Responsabilidade dos Riscos”, in O Regimen Democrático e o 
Direito Civil Moderno. São Paulo: Saraiva, 1937; pp. 327/368; e Maria Celi-
na Bodin de Moraes. “A Constitucionalização do Direito Civil e seus efeitos 
sobre a responsabilidade civil”, in Cláudio Pereira de Souza Neto e Daniel 
Sarmento (orgs). A Constitucionalização do Direito. Rio de Janeiro: Lúmen 
Juris, 207; pp. 435/454. 
leituRas ComplementaRes
Richard Posner. Economic Analysis of Law. Nova Iorque: Aspen, 1988; pp. 
179/236. Hans Hattenhauer. Conceptos Fundamentales Del Derecho Civil. 
Barcelona: Ariel, 1987; pp. 95/110. Carlos Alberto Bittar Filho. “A reparação 
de danos como medida de maior alcance”, in Carlos Alberto Bittar e Carlos 
Alberto Bittar Filho. Tutela dos Direitos da Personalidade e dos Direitos Auto-
rais nas Atividades Empresariais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002; pp. 
32/39.
1. RoteiRo de aula
a estrutura da responsabilidade civil
A responsabilidade civil é como a campainha de um alarme.1 Quando diversas 
ações indenizatórias são propostas com a mesma finalidade, tendo por objeto o res-
sarcimento de danos provenientes de determinada atividade, percebe-se a necessida-
de de atuação do Direito para apaziguar essas relações sociais e evitar a perpetuação 
de condutas ilícitas.
A atuação do homem em sociedade pressupõe a obediência a regras jurídicas, nas 
quais estão dispostas as conseqüências atinentes às condutas adotadas. Na medida 
em que um dano é causado a terceiro, o ordenamento jurídico disponibiliza os 
meios para que a parte prejudicada busque o ressarcimento pela lesão sofrida. 
Atualmente, têm-se reconhecido que a responsabilidade civil não deve permane-
cer atrelada apenas ao binômio dano-reparação, devendo o ordenamento jurídico 
prever, além de formas de ressarcimento pelo prejuízo causado, mecanismos que 
permitam à pessoa impedir que o dano venha se realizar. Nessa direção, pode-se 
1 a metáfora é de autoria do 
professor italiano stefano ro-
dotà, em entrevista concedida à 
Revista Trimestral de Direito Civil, 
nº 11 (jul-set/2002); p. 288. 
8fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
mencionar a previsão da chamada tutela inibitória, no artigo 461 do Código de 
Processo Civil.
De qualquer forma, o tema da responsabilidade civil remete aos estudos do mo-
mento patológico das relações jurídicas, ou seja, quando a conduta adotada por 
uma pessoa gera um ato ilícito.
Toda vítima de um ato ilícito tem o direito de buscar a tutela jurisdicional com 
vistas ao ressarcimento de seus prejuízos. Admitida essa premissa, nasce, então, 
o direito de indenização pelos danos sofridos, junto ao correlato dever do agente 
de reparar o prejuízo causado. Esse dever surge da necessidade de se devolver à 
vítima as mesmas condições em que se encontrava antes, buscando, dessa forma, 
restabelecer o status quo ante, de modo a minimizar o resultado do dano causado 
sobre a vítima.
O Código Civil, em um título reservado à responsabilidade civil (Título IX), 
dispõe, no seu art. 927, que “aquele que, por ato ilícito (art. 186 e 187), causar dano 
a outrem, fica obrigado a repará-lo”. Conseqüentemente, para que se compreenda 
o conceito de ato ilícito, faz-se necessário recorrer aos art. 186 e 187, do Código 
Civil, que assim dispõem:
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou impru-
dência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, co-
mete ato ilícito.”
“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, 
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela 
boa-fé ou pelos bons costumes.”
O ato ilícito pressupõe, portanto, uma conduta por parte de uma pessoa. En-
tende-se por conduta todo o comportamento humano adotado em virtude de uma 
determinada situação. Dentro desse conceito estão inseridas as práticas comissivas 
(realizadas através de uma ação) e omissivas (consubstanciadas pela abstenção do 
agente). Portanto, a realização de um ato ilícito pode ter duas modalidades distintas: 
comissiva ou omissiva. 
Entende-se por ato ilícito comissivo aquele praticado através de uma ação huma-
na pela qual direciona-se forças físicas ou intelectuais à realização de uma conduta. 
Não se deve confundir prática comissiva com prática dolosa, pois a configuração do 
dolo exige a caracterização da intenção do agente.
Ocorre ato ilícito omissivo quando o agente, tendo o dever legal de agir para 
evitar o resultado, deixa de praticá-lo. Toda pessoa que assume a responsabilidade 
de evitar um resultado, ou que tem, por lei, obrigação de cuidado ou vigilância, ou 
com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do resultado.
A responsabilidade civil decorrente de um ato ilícito depende, em regra, da reu-
nião de três elementos: (i) a conduta culposa do agente; (ii) o nexo causal entre a 
conduta do agente e o dano causado; e (iii) a ocorrência de dano.
O conceito de culpa aqui utilizadoé bastante abrangente, alcançando, para fins 
de responsabilização civil, todo comportamento contrário ao Direito, seja intencional 
9fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
(dolo), ou não (culpa). Valendo-se dos conceitos lançados pelo Código Penal, é im-
portante observar a redação do seu art. 18, que estabelece o seguinte: 
“Art. 18. Diz-se crime: 
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; 
II – culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência 
ou imperícia”.
Assim, a conduta culposa do agente que contribui para o ato ilícito poderá ser 
voluntária, no sentido de que o resultado ilícito de sua atuação era efetivamente 
desejado (dolo), ou involuntária, considerando-se aqui que o resultado não era de-
sejado, mas terminou por se realizar em virtude da imprudência, negligência, ou 
imperícia de seu autor.
O nexo causal, por sua vez, é a relação de causa e efeito existente entre a conduta 
do agente e o resultado danoso obtido. A sua importância é evidente, na medida 
em que a configuração do nexo de causalidade permite identificar a relação que se 
forma entre o agir do autor do ilícito e o dano decorrente. Sem a confirmação do 
nexo causal não se pode falar em responsabilidade.2
A ocorrência de um dano, por fim, gera a responsabilização do agente de um ato 
ilícito. Para os fins de configuração da responsabilidade civil, o dano pode ser de 
natureza material, ou moral. 
O dano material é aquele que causa um prejuízo passível de mensuração econô-
mica direta ao lesado. É importante ressaltar que o dano material pode atingir não 
apenas o patrimônio atual, como também o patrimônio futuro da vítima, dando 
ensejo à reparação por danos emergentes e lucros cessantes, respectivamente.
Já o dano moral apresenta conceituação mais desafiadora, pois enquanto parte da 
doutrina atrela o mesmo à experiências de dor, angústia e sofrimento, outros equiva-
lem a sua ocorrência à lesão aos direitos da personalidade ou encontram o seu funda-
mento na violação da dignidade da pessoa humana,3 conforme inserida na cláusula 
geral de tutela da personalidade, inscrita nos seguintes artigos da Constituição Federal: 
(i) art. 1º, III (dignidade da pessoa humana como valor fundamental da República); 
(ii) art. 3º, III (igualdade substancial); e art. 5º, §2º (possibilidade de reconhecimento 
de novos direitos que não os previamente elencados na Constituição).
Por fim, cumpre observar que a responsabilidade civil é usualmente concebida 
no direito brasileiro através de duas espécies: (i) a responsabilidade subjetiva; e a (ii) 
responsabilidade objetiva.
A responsabilidade subjetiva está atrelada à noção de conduta culposa do agente 
causador do dano, no que se aplicam todas as considerações acima sobre os ele-
mentos que devem ser reunidos para a configuração da responsabilidade. Assim, no 
regime da responsabilidade subjetiva, a vítima deverá provar que o agente do dano 
agiu com culpa, o nexo causal existente entre a conduta do agente e o dano causado, 
e, finalmente, o dano efetivamente ocorrido.
A responsabilidade civil objetiva prescinde da prova da conduta culposa do agen-
te. Para gerar o direito à indenização, basta à vítima provar o nexo causal e o dano 
2 sobre o nexo de causalidade, 
vide, por todos, Gustavo Tepedi-
no. “notas sobre o nexo de cau-
salidade”, in Revista Trimestral 
de Direito Civil, nº 06; pp. 3/20. 
3 Gustavo Tepedino. “a tutela da 
personalidade no ordenamento 
civil-constitucional brasileiro”, 
in Temas de Direito Civil. rio, re-
novar, 2ª ed., 2001; p. 47.
10fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
sofrido. Essa nova forma de responsabilização surgiu em decorrência dos avanços 
científicos e tecnológicos, além da explosão demográfica, ocorridos no século passa-
do. Percebeu-se que, se fosse compelida a vítima a provar a culpa do agente em nu-
merosas situações, terminar-se-ia por gerar verdadeiras injustiças, dada a dificuldade 
que a produção dessa prova poderia acarretar.
Embora possa ser afirmado que o direito brasileiro adotou a responsabilização 
de natureza subjetiva como regra no Código de 1916 e, de forma mais mitigada no 
Código de 2002, o número de situações em que a responsabilização será de natureza 
objetiva tem crescido exponencialmente, em especial após a publicação do Código 
de Defesa do Consumidor, em 1990, que estabelece a responsabilidade objetiva 
como regra para todas as relações de consumo. A existência de uma cláusula geral 
de responsabilidade objetiva no artigo 927, §, comprova a tese e exigirá maiores 
aprofundamentos em aula dedicada ao tema.
as funções de responsabilidade civil
Mas qual seria a função ou as funções desempenhadas pela responsabilidade civil 
na sociedade contemporânea? Se por um lado a maior parte dos autores está de 
acordo com a função compensatória da responsabilidade civil, ou seja, na finalidade 
de reparar os danos causados à vítima, fazendo com que a situação retorne, da forma 
mais adequada possível, ao status quo ante, outras funções podem ser encontradas 
para a disciplina da responsabilidade civil.
A função punitiva do agente do dano é uma das finalidades mais comumente 
encontradas na doutrina e nas decisões judiciais e cuja própria existência tem gerado 
sucessivos debates. No cerne da discussão está a compreensão de que a responsa-
bilidade civil não serviria apenas para reparar a vítima do dano, mas também para 
sancionar o agente do ilícito de forma a desestimular a prática de novas condutas 
danosas ou mesmo a perpetuação de uma conduta ilícita atual.
À função punitiva geralmente se relaciona uma terceira finalidade, de caráter 
sócio-educativa, apontando que a responsabilidade civil opera não apenas de forma 
a educar o autor do dano através de uma punição, mas também instrui a sociedade 
como todo, alertando para a não admissibilidade de um certo comportamento.
No que diz respeito ao conhecimento da responsabilidade civil para a condução 
de atividades empresariais, pode-se dizer que a disciplina assume uma função de 
gestão de riscos na medida em que possibilita prever o impacto jurídico derivado 
das decisões administrativas sobre a condução de suas atividades, especialmente no 
que diz respeito aos possíveis danos causados a funcionários, usuários e terceiros em 
geral que venham a ser afetados por essas atividades.
Quando se está diante de casos em que a vítima e o ofensor possuem capacida-
des econômicas bastante diferenciadas, a disciplina da responsabilidade civil ganha, 
não raramente, contornos bastante polêmicos no que diz respeito à quantificação 
do dano sofrido. Levar-se-ia em conta para a estimativa do dano o potencial eco-
nômico da vítima ou do ofensor? Hipóteses como essa poderiam gerar verdadeiras 
situações de enriquecimento sem causa, como também impor indenizações que, na 
11fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
verdade, pouca importância respresenatriam sobre o patrimônio de uma das partes 
envolvidas. Nesses casos, questiona-se sobre a utilização da responsabilidade civil 
como um mecanismo de “justiça social” camuflado, função essa que, de todo ina-
propriada, parece ser encontrada em algumas decisões nacionais e internacionais, 
sendo objeto de estudo por autores ligados à análise econômica do direito.
Polêmicas ou de maior aceitação, o debate sobre as funções da responsabilidade 
civil pode ser construído a partir de decisões e dos textos doutrinários sobre o tema. 
Para os fins de introdução ao debate, recomenda-se a leitura dos textos indicados no 
início da presente aula e dos trechos abaixo selecionados de julgado bastante citado 
do Superior Tribunal de Justiça, que servirá como caso gerador. 
2. Caso geRadoR
Leia os trechos abaixo do acórdão do Superior Tribunal de Justiça proferidono 
Recurso Especial n° 287849/SP, julgado em 17/04/2001. Trata-se de caso no qual 
o autor da demanda, durante a estada em hotel-fazenda no interior de São Paulo, 
utilizou o escorregador para mergulhar em piscina cujo nível de água estava baixo e 
não sinalizado, sofrendo então múltiplas lesões por conta do acidente. Constaram 
do pólo passivo da ação indenizatória o hotel no qual jovem hospedou e a opera-
dora de turismo que havia vendido o pacote de viagem (no qual estava incluída a 
hospedagem no referido hotel).
Após a leitura, debata os fundamentos da decisão proferida, buscando delinear (i) 
qual seria o comportamento esperado de cada uma das partes envolvidas para evitar 
o evento danoso, (ii) a repercussão jurídica das condutas efetivamente adotadas e 
(iii) os regimes de responsabilidade atinentes ao hotel e à operadora de turismo.
ementa
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Responsabilidade do fornece-
dor. Culpa concorrente da vítima. Hotel. Piscina. Agência de viagens. - Responsa-
bilidade do hotel, que não sinaliza convenientemente a profundidade da piscina, de 
acesso livre aos hóspedes. Art. 14 do CDC. - A culpa concorrente da vítima permite 
a redução da condenação imposta ao fornecedor . Art. 12, § 2º, III, do CDC. - A 
agência de viagens responde pelo dano pessoal que decorreu do mau serviço do 
hotel contratado por ela para a hospedagem durante o pacote de turismo. Recursos 
conhecidos e providos em parte.
decisão do tribunal de Justiça de são paulo:
“Aliás, mesmo que fosse o caso, nem de culpa concorrente poder-se-ia cogitar 
diante da ausência total de comunicação sobre a profundidade da piscina, que tinha 
seu acesso livre e apresentava iluminação precária. Tanto há responsabilidade do 
hotel, que uma criança, brincando pelo local e não sabendo ler, podendo penetrar 
12fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
livremente nas dependências da piscina, não sabendo nadar, caindo dentro d’água, 
morreria afogada e não se pode olvidar que o infausto acontecimento ocorreu às 
vésperas do Natal, quando os hotéis ficam lotados.”
voto do min. Ruy Rosado (relator)
“Ocorre que o autor usou do escorregador e ‘deu um salto em direção à piscina’, 
conforme narrou na inicial, batendo com a cabeça no piso e sofrendo as lesões des-
critas no laudo. Esse mau uso do equipamento – instalação que em si é perigosa, mas 
com periculosidade que não excede ao que decorre da sua natureza, legitimamente 
esperada pelo usuário – concorreu causalmente para o resultado danoso.
(...) Voltando ao caso dos autos, acredito que a definição da responsabilidade 
jurídica da CVCTUR decorre de sua situação como agente de viagem contratante 
de um pacote turístico, com terceiros prestadores de serviço, mas sendo ela a organi-
zadora da viagem e garantidora do bom êxito da sua programação, inclusive no que 
diz com a incolumidade física dos seus contratantes.
Na espécie, foi isso reconhecido no r. acórdão, daí a conseqüência da sua respon-
sabilização. No nosso sistema, tal responsabilidade é solidária entre ela, a organiza-
dora do pacote e o hotel na causação do resultado, em concorrência com o hóspede, 
nesse mesmo limite se fixa a responsabilidade da operadora.
Haverá dificuldade em estender a responsabilidade da operadora por danos de-
correntes da prestação dos serviços contratados de terceiros quando o fato acon-
tece no âmbito do risco que razoavelmente se espera do serviço. Quando houver 
falta de segurança do serviço do prestatário, fora da possibilidade de previsão 
por parte da operadora de turismo, que se limita a confiar no que normalmente 
acontece - nessa situação, à falta de norma expressa que lhe atribua diretamente 
a responsabilidade total – esta somente poderia ser reconhecida se a operadora 
colocou os seus clientes sob risco acima do normalmente esperado (art. 14, §1°, 
II, do CDC). A restrição se explica não apenas em razão da necessidade de se dar 
aplicação ao disposto nessa regra, mas também porque nosso sistema legal é de 
reparação integral do dano, diferentemente do previsto na legislção de países da 
União Européia, que permitem, nesses casos, a limitação tarifada da indenização. 
O sistema que amplia a hipótese de responsabilidade da operadora está conforma-
do com a possibilidade de limitação indenizatória; quando a reparação é integral, 
razoável que se restrinja a responsabilização apenas aos casos em que ‘a operadora 
coloca o cliente em risco acima do normalmente esperado’, cabendo-lhe a prova 
dessa exoneração.”
voto min. César asfor Rocha
“Mas igualmente, com o mesmo respeito, vou ousar discordar dos votos já ma-
nifestados quanto à responsabilidade da companhia de turismo, porque, por maior 
esforço que possa fazer, não consigo enxergar, porque o só fato de ela ter dispensado 
um guia para acompanhar esse ‘pacote fechado’ que foi vendido, possa importar na 
13fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
sua responsabilização por um fato que não diga respeito diretamente ao que leva, ao 
que conduz uma pessoa a procurar o serviço de uma companhia de turismo.
Quem busca uma companhia de turismo vai querer desta a indicação de um hotel 
nos moldes em que a pessoa paga, isto é, se é um hotel cinco estrelas, se é um hotel 
que presta os serviços indicados, com as refeições oferecidas, com relação ao trans-
porte prometido mas, evidentemente, que foge da expectativa do consumidor que a 
companhia de turismo dê a ele os serviços que possam importar na sua segurança. Se 
assim não fosse, por exemplo, em um pacote completo que houvesse sido vendido 
para uma excursão pela Europa, estaria subsumido na responsabilidade da compa-
nhia de turismo qualquer assalto que a pessoa pudesse porventura sofrer em alguma 
dessas cidades, que foram escolhidas e sugeridas pela companhia de turismo.
Não vejo como, ainda que tendo um guia, pudesse a companhia se responsabi-
lizar pela falta que foi cometida pelo hotel, decorrente do só fato de não ter feito a 
indicação da altura da linha d´água, da profundidade da piscina. Nem poderia se 
exigir, se pretender, que o guia chegasse a tanto, porque ele não poderia se desdobrar, 
não teria o dom da onipresença, porque senão teria que estar ao lado de todos os 
viajantes, os usuários daquele pacote de viagem. 
Conhecço parcialmente do recurso da empresa hoteleria e, nessa parte, dou pro-
vimento, e conheço, na sua integralidade, do recurso da companhia de turismo para 
eximi-la de qualquer responsabilidade.”
voto do min. sálvio de Figueiredo texeira
“Também me ponho acorde quanto à possibilidade da atenuação da resonsabili-
dade em face de eventual culpa concorrente.
No mérito, todavia, peço vênia para divergir. Com efeito, sem embargo de la-
mentar profundamente o ocorrido, e de votar com o coração apertado, tenho que 
essa circunstância não me autoriza a transferir a responsabilidade para quem não 
vejo presente a culpa.
Pelos fatos expostos, não tenho por caracterizada a responsabilidade do hotel. Ia 
deter-me em algumas considerações sobre a posição da agência, mas me abstenho 
de fazê-lo porque, se não reconheço a responsabilidade de quem prestou o serviço 
diretamente, no caso o hotel, muito menos poderia atribuir essa responsabilidade à 
agência, que agiu dentro das normas legais e sequer fez má escolha, não se tratando, 
na espécie, de responsabilidade objetiva.”
 
14fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
aula 2. dano material
leituRa obRigatóRia
Agostinho Alvim. Da Inexecução das Obrigações e Suas Conseqüências, 4ª Ed. Atual., 
São Paulo: Saraiva, 1972, p. 169/176; Mário Julio de Almeira Costa. Direito 
das Obrigações, 10ª ed. reelaborada, Coimbra: Almedina, 2006, p. 590/599.
leituRas ComplementaRes
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 11ª ed. rev., atualizada de acordo 
com o código civilde 2002 e aumentada por Rui Bedford Dias. Rio de ja-
neiro: Renovar, 2006, p. 969/991.
1. RoteiRo de aula
Como visto, quando causado um prejuízo em razão do descumprimento de um 
dever jurídico, surge a obrigação de indenizar que tem por finalidade tornar indem-
ne o lesado, isto é, colocar a vítima na situação em que estaria sem a ocorrência do 
fato danoso.
Desta feita, torna-se importante determinar o que é o prejuízo ou, em outras 
palavras, o que é o dano. Este último é o primeiro pressuposto da responsabilidade 
civil e, sem a sua existência, inexiste qualquer dever de reparação.
Com efeito, apenas em função do dano o instituto da responsabilidade civil 
realiza a sua finalidade essencialmente reparadora ou reintegrativa. Mesmo quando 
lhe caiba algum papel repressivo e preventivo, sempre se encontra submetido, como 
regra, aos limites da eliminação do dano4.
Agostinho Alvim define dano como a diminuição ou subtração de um bem jurí-
dico5. A importância deste primeiro conceito é que ele tem em vista não só a perda 
total de um bem jurídico, mas, também, a sua perda parcial.
Todavia, a doutrina mais moderna, atenta às transformações sociais, especialmen-
te à aparição de novos bens jurídicos merecedores de tutela – como por exemplo o 
dano moral –, define dano como sendo a subtração ou diminuição de um bem jurí-
dico, qualquer que seja a sua natureza, quer se trate de um bem patrimonial, quer se 
trate de um integrante da própria personalidade da vítima, como a sua honra, a ima-
gem, a liberdade etc. Em suma, dano é a lesão de um bem jurídico, tanto patrimonial 
como moral, vindo daí a conhecida divisão do dano em patrimonial e moral6.
Sem embargo que este conceito por englobar tanto os chamados danos patrimo-
niais quanto os danos morais é mais condizente com a ordem jurídica vigente. Para 
encerrar a questão, parece-nos possível definir dano como toda ofensa de bens ou 
interesses alheios protegidos pela ordem jurídica.
4 CosTa, mário Julio de almeira. 
Direito das Obrigações, 10ª ed. 
reelaborada, Coimbra: almedi-
na, 2006, p. 590.
5 alVim, agostinho. Da Inexecu-
ção das Obrigações e Suas Con-
seqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 172. 
neste sentido, também, Carlos 
roberto Gonçalves. Responsabi-
lidade Civil, 8ª ed. Ver. de acordo 
com o novo Código Civil, são 
Paulo: saraiva, 2003.
6 CaValieri filHo, sergio. 
Programa de Responsabilidade 
Civil, 7ª ed são Paul: atlas, 2007, 
p.70.
15fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
Por fim, registre-se que para um dano ser indenizável é preciso que ele seja certo 
e atual. Atual é o dano que já existe ou já existiu no momento da ação de responsa-
bilidade civil e certo é o dano fundado sobre um fato preciso e não sobre hipótese. 
Não havendo nem a atualidade e nem a certeza, o dano não poderá ser indenizado. 
Ressalte-se que o dano futuro é indenizável, como dispõe a parte final do próprio 
art. 402 (“o que razoavelmente deixou de lucrar”). O que não se indeniza são os 
danos hipotéticos, isto é, aquele que pode não vir a se realizar.
danos patrimoniais
O dano patrimonial é aquele suscetível de avaliação pecuniária. Em outras pa-
lavras, é aquele que incide sobre interesses de natureza material ou econômica e, 
portanto, reflete-se no patrimônio do lesado. Podemos afirmar, então, que nos da-
nos patrimoniais, também chamados de danos materiais, o fato danoso representa a 
lesão de interesses de ordem material. Todavia, o dano deve ser certo, não se justifi-
cando a reparação do dano hipotético.
Os danos materiais geralmente são divididos em duas espécies: os danos emer-
gentes e os lucros cessantes. Aliás, essa foi a posição do Código Civil de 2002 que 
contou com a aprovação da doutrina.
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devi-
das ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente 
deixou de lucrar.
O dano emergente é representado pela diminuição patrimonial, seja porque se 
depreciou o ativo, seja porque aumentou o passivo7. Em outros dizeres, o dano 
emergente compreende a perda ou diminuição de valores já existentes no patrimô-
nio do lesado. Ele é de fácil constatação bastando confrontar a diferença do valor do 
patrimônio da vítima não fosse a ocorrência do dano.
O lucro cessante, por sua vez, é a fustração da expectativa de ganho, ou seja, 
refere-se aos benefícios que o lesado deixou de obter em conseqüência da lesão, 
isto é, ao acréscimo patrimonial frustrado. Podemos dizer, portanto, que o lucro 
cessante pressupõe que o lesado tinha no momento da lesão a titularidade de uma 
situação jurídica que, mantendo-se, lhe daria direito a um ganho. Sérgio Cavalieri 
Filho explica com clareza:
Consiste, portanto, o lucro cessante na perda do ganho esperável, na frustração 
da expectativa de lucro, na diminuição potencial do patrimônio da vítima.
É preciso alertar, entretanto, o cuidado do juiz no momento de caracterizar o 
citado dano. Não se pode confundir lucro cessante com lucro imaginário, simples-
mente hipotético, odioso para o direito.
Com efeito, trata-se de um juízo de probabilidade objetiva e não de mera pos-
sibilidade, isto é, é necessário que do curso normal das coisas e circunstâncias do 
7 Gomes, orlando. Obrigações, 
16ª ed. rev. atua. e aumentada 
de acordo com o código civil de 
2002, por edvaldo brito. rio de 
Janeiro: forense, 2006, p. 183.
16fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
caso concreto o ofendido provavelmente teria um ganho não fosse o dano causado. 
Dessa forma, se vê desde logo, a necessidade de levar em conta não somente o des-
falque, mas aquilo que não entrou ou não entrará para esse patrimônio, em virtude 
de certo fato danoso.8
Finalmente, é importante ressaltar os danos em ricochete ou reflexos. É aceito 
em doutrina e jurisprudência que na categoria do dano cabem os danos diretos, 
que são os efeitos imediatos do fato ilícito, mas também os danos indiretos que 
são as conseqüências mediatas ou remotas do dano direto. Esses danos, também 
chamados de danos reflexos ocorrem na hipótese dos prejuízo reflexamente so-
frido por terceiros, titulares de relações jurídicas que são afetadas pelo dano, 
não na sua substância, mas na sua consistência prática (imagine-se a hipótese 
do ex-marido que deve pensão aos filhos e sofre uma lesão na sua capacidade 
laborativa. Os filhos teriam legitimidade para demandar em face do causador do 
dano). O dano em ricochete é reparável desde que seja certa a repercussão do 
dano principal.
perda da Chance
Questão que suscita muitas dúvidas é a da teoria da perda de uma chance. Ini-
cialmente, é de ressaltar que ela guarda uma certa proximidade com o lucro cessante 
uma vez que ambos dizem respeito à uma situação futura.
Na perda da chance, entretanto, não existe um benefício futuro certo, ou seja, 
não existe uma certeza absoluta de que o ganho ocorreria, isto é, poderia tanto ser 
um resultado favorável como não. Caracterza-se, portanto, quando alguém se vê 
privado da oportunidade de obter determinada vantagem ou de evitar um prejuízo 
em virtude de uma conduta ofensiva. Em outras palavras, ela ocorre quando, em 
virtude da conduta de outrem, desaparece a probabilidade de um evento que possi-
bilitaria uma benefício futuro para a vítima.9
A teoria, que já foi muito discutida, hodiernamente encontra ampla aceitação na 
doutrina e jurisprudência pátria. O entendimento atual é o de não se indenizar o 
possível resultado, mas a própria perda em si. Isto é, não se indeniza o que hipoteti-
camente deixou de lucrar, e sim a oportunidade existente no patrimônio da vítima 
no momento do ato danoso. Admite-se, assim, um valor patrimonial da chance por 
si só considerada.
2. Caso geRadoR
Carla, estudante de direito, estava animadíssima com a sua participaçãono pro-
grama de perguntas e respostas que poderiam lhe render o prêmio máximo de um 
milhão de reais. Após estudar e se preparar durante um mês, a participante foi ao 
show e lá logrou êxito nas respostas às questões formuladas.
Finalmente, após ter garantido quinhentos mil reais, a participante foi subme-
tida à última pergunta que lhe premiaria com o prêmio de um milhão. Nervosa, a 
8 alVim, agostinho, Da Inexecu-
ção das Obrigações e Suas Con-
seqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 172.
9 CaValieri filHo, sergio. 
Programa de Responsabilidade 
Civil, 7ª ed são Paul: atlas, 2007, 
p.75.
17fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
participante aguardava ansiosamente a última indagação que foi feita nos seguintes 
moldes:
A Constituição reconhece direitos aos índios de quanto do território brasileiro?
Resposta: 1 - 22%
2 - 02%
3 - 04%
4 - 10% (resposta correta)
Por desconhecer a resposta, Carla preferiu salvaguardar a premiação já acumula-
da de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), posto que, caso apontado item diverso 
daquele reputado como correto, perderia o valor em referência.
Posteriormente, ao chegar em casa e procurar em sua Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988 o art. 231, verificou que o referido dispositivo não 
mencionava o percentual de território reconhecido aos índios.
Revoltada com a pergunta formulada no programa, Carla ingressou com ação 
judicial pleiteando indenização por danos materiais e morais ao fundamento de 
inadimplemento por culpa do devedor.
Em sua defesa, o programa afirmou que a pergunta estava de acordo com a En-
ciclopédia Mundo Vivo e que, caso fosse o questionamento final do programa for-
mulado dentro de parâmetros regulares, considerando o curso normal dos eventos, 
não seria razoável esperar que ela lograsse responder corretamente à “pergunta do 
milhão”. Como você, juiz da ação, decidiria?
18fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
aula 3. dano moral
leituRa obRigatóRia
MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à pessoa humana: uma leitura civil-
constitucional dos danos morais. Rio de Janeiro: Renovar, 2003; p. 182/192.
leituRas ComplementaRes
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 11ª ed. rev., atualizada de acordo 
com o código civil de 2002 e aumentada por Rui Bedford Dias. Rio de ja-
neiro: Renovar, 2006, p 992/1026.
1. RoteiRo de aula
O dano moral é com certeza um dos temas mais controvertidos na responsabi-
lidade civil. Não há consenso na doutrina quanto a seu conceito, seus efeitos ou 
seus critérios de fixação do quantum. Nas palavras de Paulo Schonblum não há um 
único aspecto aceito de forma unânime pela doutrina em matéria de dano moral10. 
Tentaremos nesse curto trabalho demonstrar um conceito em acordo com os dita-
mes constitucionais. 
No Brasil a questão foi tão controvertida quanto na Itália, França e Portugal11. 
Nas primeiras leis brasileiras editadas nota-se certa inclinação para a reparação do 
dano moral: o Código Criminal de 1832 dispunha que a mesma sentença condena-
tória do réu também disporia acerca de reparações de injúrias e prejuízos apuradas 
no cível. Com efeito, reparações de injúrias tem um cunho não patrimonial. O Có-
digo Penal de 1890 determinava que nos defloramentos, bem como nos estupros, o 
ofensor estaria obrigado a dotar a ofendida.
Entretanto, foi sem dúvida a Lei de Estradas de Ferro (Lei 2.681/12) que primei-
ro visualizou uma hipótese de ressarcimento por dano moral em seu art. 21. Este 
dizia que no caso de lesão corpórea, ou deformidade, à vista da natureza da mesma 
e de outras circunstâncias, além das despesas com o tratamento e lucros cessantes, 
deverá pelo juiz ser arbitrada uma indenização conveniente. Assim, a reparação do 
dano moral tinha previsão legal, mas de forma específica e casuística.
O Código Civil de 1916 nada mencionou acerca da reparabilidade do dano 
moral. Como era de se esperar surgiram duas correntes: a primeira que tinha como 
defensor Agostinho Alvim entendia que o dano moral não era indenizável diante do 
nosso ordenamento pátrio, pois:
Em face do direito constituído, entendemos não haver lugar para ressarcibilidade 
do dano moral, não sendo possível inferi-la de preceitos insulados, e nada explícitos 
a respeito.12
10 sCHonblum, Paulo maxi-
milian Wilhelm. Dano moral: 
questões controvertidas, rio de 
Janeiro: forense, 2000, p.3.
11 Para um maior detalhamento 
acerca da histótia do instituto, 
v. silVa, Wilson melo da, O 
dano moral e sua reparação, 3ª 
ed. rev. e ampl., rio de Janeiro: 
forense, 1983.
12 alVim, agostinho. Da ine-
xecução das obrigações e suas 
conseqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 234.
19fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
O autor ainda adverte para o fato de que o legislador não havia inserido no Có-
digo nenhuma regra sobre dano moral, nenhuma norma de caráter geral. Entretan-
to, admitia que é “o sentimento de justiça que impulsiona no sentido de admitir-se 
a indenização por dano moral”13 e afirmava que “considerando-o, porém, diante do 
direito a constituir-se não nos repugna, como a muitos, admitir o ressarcimento de 
danos morais.”14
Na doutrina, todavia, solidificou-se o entendimento pela aceitação da reparabi-
lidade do dano moral. O seu fundamento estava previsto no art. 76 que dispunha 
que para propor ou contestar uma ação é necessário ter legítimo interesse econômi-
co ou moral. O interesse moral justificaria a indenização pelo dano moral.
Entretanto, diversas foram as críticas à essa construção, pois interesse moral ju-
ridicamente protegido, não se confunde com ressarcimento por via econômica de 
valores meramente afetivos15. Ora, outra construção doutrinária se fazia necessária e 
não tardou. Passou-se a dizer que o art. 159 teria caráter genérico tratando de dano 
de forma ampla o que englobaria tanto o dano patrimonial quanto o moral. E, neste 
sentido, o art. 1.553 (Liquidação das Obrigações) complementaria o art. 159, pois 
nos casos não previstos no capítulo, fixar-se-ia a indenização por arbitramento. Des-
ta forma, os danos não específicos seriam liquidados por arbitramento judicial.
Certo que de forma a superar os problemas da reparação por danos morais sobre-
vieram diversas normas especiais das quais podemos citar duas como fundamentais. 
A primeira, a Lei 4.117/62 (Código Brasileiro de Telecomunicações), que contem-
plou o dano moral e sua ressarcibilidade no art. 81.
Art. 81 - Independentemente da ação penal, o ofendido pela calúnia, difamação 
ou injúria cometida por meio de radiodifusão, poderá demandar, no Juízo Cível, a 
reparação do dano moral, respondendo por este solidariamente, o ofensor, a conces-
sionária ou permissionária, quando culpada por ação ou omissão, e quem quer que, 
favorecido pelo crime, haja de qualquer modo contribuído para ele.
A segunda, a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67), que em seu art. 49 regulou de 
forma expressa a reparabilidade do dano moral.
Art. 49. Aquêle que no exercício da liberdade de manifestação de pensamento e 
de informação, com dolo ou culpa, viola direito, ou causa prejuízo a outrem, fica 
obrigado a reparar: 
I - os danos morais e materiais, nos casos previstos no art. 16, números II e IV, 
no art. 18 e de calúnia, difamação ou injúrias; 
II - os danos materiais, nos demais casos.
Posteriormente, a Constituição Federal de 1988 pôs fim à discussão assegurando 
em seu art. 5º, X o direito à indenização pelo dano moral. Logo após foi promulga-
do o Código de Defesa do Consumidor que assegurou expressamente a efetiva re-
paração dos dano morais nas relações de consumo em seu art. 6º, VI. E, finalmente, 
diante da adoção total da reparação do dano moral, o Código Civil de 2002 adotou 
13 Idem, p. 224.
14 Idem, p. 234.
15 Idem, p. 232.20fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
expressamente esta teoria ao dispor no art. 186 que aquele que, por ação ou omissão 
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ain-
da que exclusivamente moral, comete ato ilícito. E a norma é complementada pelo 
art. 927 que determina que aquele que por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano 
a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Ainda dentro da evolução histórica, parece ser pertinente discorrermos acerca 
das objeções à indenização por danos morais. Podemos resumí-las em três: i) A 
impossibilidade da rigorosa avaliação dos danos morais e imoralidade da compen-
sação da dor com o dinheiro; ii) impossibilidade e a dificuldade da reparação; e iii) 
o excessivo arbítrio dos juízes nas reparações por danos morais.
Em oposição à primeira objeção Agostinho Alvim rebate:
Acham muitos que é uma grosseria querer mitigar a dor moral por meio do 
dinheiro. (...) Mas, não têm razão os que assim pensam. Não é por causa desta ou 
daquela hipótese, mais ou menos ridícula, que havemos de rejeitar um instituto tão 
útil. Na realidade, não se pode admitir que o dinheiro faça cessar a dor, como faz 
cessar o prejuízo patrimonial. Mas, em muitos casos, o conforto que possa propor-
cionar, mitigará, em parte, a dor moral, pela compensação que oferece.16
Nesse diapasão, Maria Celina Bodin de Moraes afirma que, nos últimos anos, 
passou-se a entender que “se era imoral receber alguma remuneração pela dor so-
frida, não era a dor que estava sendo paga, mas sim a vítima, lesada em sua esfera 
extrapatrimonial, quem merecia ser (re)compensada pecuniariamente, para assim 
desfrutar de algumas alegrias e outros estados de bem-estar pscicofísico, contraba-
lançando (rectius, abrandando) os efeitos que o dano causara em seu espírito”.17
Em relação à segunda objeção, ela procede. Realmente é uma tarefa árdua tentar 
encontrar o equivalente ao dano, talvez até impossível alcançar um valor que repare 
integralmente, mas deve-se tentar chegar ao mais próximo disso. Entretanto, a difi-
culdade de avaliação em qualquer situação não pode ser obstáculo à reparação.18 
Sem embargo que a terceira e última objeção não poderia proceder. Ora, arbitra-
mento não é sinônimo de arbitrariedade. Ao contrário, devem ser aferidos critérios 
objetivos para que o juiz estabeleça o quantum evitando-se, assim, valores aleatórios. 
Sem sombra de dúvida esta tarefa cabe em especial à doutrina e à jurisprudência.
Conceito
Após essa rápida evolução do instituto, devemos procurar um conceito para dano 
moral. Este um dos seus maiores problemas. Muitas são suas definições e que talvez 
não alcancem o instituto em sua totalidade. Inicialmente o dano moral fora enten-
dido como o dano causado a outrem que não atinja ou diminua seu patrimônio19. 
Trata-se de uma concepção negativista que não tem o exato alcance da amplitude 
do dano moral não esclarecendo suas características.20
Superando-se essa corrente negativista, surgiram vários conceitos de dano moral. 
Um primeiro posicionamento e, que encontra respaldo na jurisprudência atual, 
16 alVim, agostinho. Da ine-
xecução das obrigações e suas 
conseqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 235.
17 moraes, maria Celina bodin 
de. Danos à pessoa humana: 
uma leitura civil-constitucional 
dos danos morais. rio de Janei-
ro: renovar, 2003; p. 147.
18 Venosa, silvio de salvo. 
Direito civil: responsabilidade 
civil, 3ª ed., são Paulo: atlas, 
2003, p. 206. nesse sentido 
também alVim, agostinho. Da 
inexecução das obrigações e suas 
conseqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 236 que 
afirma: “Todavia, esta objeção, 
ou dificuldade, não deve ser 
considerada como obstáculo 
invencível ao desenvolvimento 
da teoria, que terá de triunfar 
de seus contrários, pois, longe 
de infringir ética, a indenização 
por dano moral é da mais estrita 
justiça.
19 alVim, agostinho. Da ine-
xecução das obrigações e suas 
conseqüências, 4ª ed. atual., são 
Paulo: saraiva, 1972, p. 219.
20 bernardo, Wesley de oliveira 
louzada. Dano moral: critérios 
de fixação de valor, rio de Janei-
ro: renovar, 2005, p. 73.
21fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
entende que os danos morais são a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que 
fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do 
indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem-estar.21
Essa definição também se mostra insuficiente. Maria Celina critica tal concep-
ção, pois através desses vocábulos apenas se descrevem sensações e emoções desagra-
dáveis.22 Zannoni afirma que as dores e angústias são, na verdade, conseqüências do 
dano que cada pessoa vivencia de forma mais ou menos intensa, mas que o direito 
não indeniza o estado de espírito.23
Nesse sentido, Carlos Roberto Gonçalves, apoiado em Zannoni afirma que o 
dano moral consistiria na lesão a um interesse que visa à satisfação ou gozo de um 
bem jurídico extrapatrimonial contido nos direitos da personalidade ou nos atribu-
tos da pessoa.”24
Esse conceito, que tem sido adotado por muitos doutrinadores na atualidade e 
pelo STJ, é uma grande evolução em relação aos conceitos anteriores. A sua crítica 
é que as situações subjetivas não se esgotam apenas nos direitos da personalidade, 
mas em diversas outras hipóteses. Ora, se admitirmos essa concepção como a ideal, 
excluiríamos da reparação civil uma série de situações, o que não se compatibiliza 
com nosso ordenamento que prevê no art. 1º, III da CRFB/88 o princípio da dig-
nidade da pessoa humana.
Maria Celina Bodin de Moraes, levando em consideração a cláusula geral de 
tutela da pessoa humana, afirma que:
(...) a unidade do ordenamento é dada pela tutela à pessoa humana e à sua digni-
dade, como já exposto; portanto, em sede de responsabilidade civil, e, mais especifi-
camente, de dano moral, o objetivo a ser perseguido é oferecer a máxima garantia à 
pessoa humana, com prioridade, em toda e qualquer situação da vida social em que 
algum aspecto de sua personalidade esteja sob ameaça ou tenha sido lesado.
(...)
Nesse sentido, o dano moral não pode ser reduzido à ‘lesão a um direito da 
personalidade’, nem tampouco ao ‘efeito extra-patrimonial da lesão a um direito 
subjetivo, patrimonial ou extrapatrimonial’. Tratar-se-á sempre de violação da cláu-
sula geral de tutela da pessoa humana, seja causando-lhe um prejuízo material, seja 
violando direito (extrapatrimonial) seu, seja, enfim, praticando, em relação à sua 
dignidade, qualquer ‘mal evidente’ ou ‘perturbação’, mesmo se ainda não reconheci-
do como parte de alguma categoria jurídica.”25
Diante da ordem constitucional vigente, parece que a melhor forma de se tutelar 
a pessoa em sua totalidade é se entendermos o dano moral como uma violação à 
dignidade da pessoa humana, valor máximo do nosso ordenamento, não restan-
do, a reparação, limitada a certo número de situações tipo: qualquer lesão à uma 
situação jurídica subjetiva existencial será suficiente para garantir a reparação. No 
entanto, é preciso muita atenção por parte dos julgadores, sob pena de banalização 
do instituto.
21 o próprio desembargador 
sérigio Cavalieri filho entendia 
dessa forma. CaValieri filHo, 
sergio, Programa de responsabi-
lidade civil, rio de Janeiro: ma-
lheiros editores, 1996, p.76.
22 moraes, maria Celina bodin 
de. Danos à pessoa humana: 
uma leitura civil-constitucional 
dos danos morais. rio de Janei-
ro: renovar, 2003; p. 130.
23 aPud Valler, Wladimir. A re-
paração do dano moral no direito 
brasileiro, 2ª ed., são Paulo: e.V. 
editora ltda., 1994, p. 37/38.
24 GonÇalVes, Carlos roberto. 
Responsabilidade Civil, 8ª ed. 
rev. de acordo com o novo Có-
digo Civil, são Paulo: saraiva, 
2003, p. 549.
25 moraes, maria Celina bodinde. Danos à pessoa humana: 
uma leitura civil-constitucional 
dos danos morais. rio de Janei-
ro: renovar, 2003; p. 182/184. 
nesse sentido também o de-
sembargador sergio Cavalieri, 
apesar de qualificar a digni-
dade da pessoa humana como 
direito subjetivo. “Temos hoje 
o que se pode ser chamado de 
direito subjetivo constitucional 
à dignidade. ao assim fazer, 
a Constituição deu ao dano 
moral uma nova feição e maior 
dimensão, porque a dignidade 
humana nada mais é do que a 
base de todos os valores morais, 
a essência de todos os direitos 
personalíssimos. CaValieri 
filHo, sergio. Programa de res-
ponsabilidade civil, são Paulo: 
atlas, 2007, p. 76.
22fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
natureza da indenização por dano moral
Mais uma vez é de se registrar que não existe consenso na doutrina quanto à 
natureza da reparação. Uns sustentam que o dano moral possui caráter meramente 
compensatório, pois o dinheiro serviria apenas como conforto, mitigando em parte 
a dor e o sofrimento tendo caráter unicamente de ressarcimento do dano.
Outros, entretanto, sustentam que a natureza da reparação tem caráter eminen-
temente punitivo. Explica-se. Numa época em que não se admitia a reparação por 
danos morais, a doutrina encontrou no caráter punitivo o fundamento de valida-
de deste tipo de reparação. Também se entendia que se tivesse caráter meramente 
compensatório, na hipótese de vítima rica, esta jamais seria indenizada. Elogiável, 
portanto, a construção doutrinária à época.
No entanto, o posicionamento amplamente adotado pelos tribunais brasileiros 
e pela doutrina consiste em que a indenização por dano moral possui uma dupla 
natureza: compensatória e punitiva.26
Dessa forma, a jurisprudência defende um caráter pedagógico-punitivo na apli-
cação do dano moral de sorte que no momento de sua fixação deve ser levado 
em conta critérios de proporcionalidade,e razoabilidade atendidas as condições do 
ofensor, ofendido e do bem jurídico lesado.
prova do dano moral
Outra dificuldade a respeito do dano moral consiste na verificação de sua prova. 
Majoritariamente, a doutrina e a jurisprudência brasileiras já têm aceito a sua con-
figuração independentemente de prova. O Superior Tribunal de Justiça pacificou a 
matéria ao determinar que a caracterização do dano moral é in re ipsa. Ou seja, in-
denpende de prova. Basta a demonstração do fato que por si só será suficiente para 
demonstrar o dano extrapatrimonial.
dano moral de pessoa jurídica
Apesar da ferrenha discussão doutrinária acerca da possibilidade de reparação 
por danos morais da pessoa jurídica, o Superior Tribunal de Justiça editou a súmula 
227 estabelecendo expressamente a possibilidade.
Súmula 227, STJ - A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
2. Caso geRadoR
Dentre as hipóteses abaixo, identifique aquelas que poderiam ser enquadradas 
como casos de dano moral:
a) Morte de cônjuge separada de fato há mais de dois anos;
26 Conforme informa maria 
Celina bodin de moraes, essa 
posição tem encontrado inúme-
ros adeptos no brasil, tanto em 
doutrina como na jurisprudên-
cia. moraes, maria Celina, bo-
din de, Danos a Pessoa Humana: 
uma leitura civil-constitucional 
dos danos morais, rio de Janei-
ro: renovar, 2003, p. 218.
23fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
b) inscrição indevida no cadastro restritivo de crédito;
c) extravio de bagagem em viagem ao exterior;
d) inscrição indevida no cadastro retritivo de crédito de devedor contumaz;
e) disparo de alarme em supermercado.
24fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
aula 4. culpa e responsabilidade subjetiva
leituRa obRigatóRia
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 11ª ed. rev., atualizada de acordo 
com o código civil de 2002 e aumentada por Rui Bedford Dias. Rio de ja-
neiro: Renovar, 2006, p. 133/152.
leituRa ComplementaR
SCHREIBER, Anderson. Novos paradigmas da responsabilidade civil: da erosão 
dos filtros à diluição dos danos. São Paulo: Atlas, 2007, p. 9/17-29/48.
1. RoteiRo de aula
A Culpa tem um papel fundamental dentro da responsabilidade civil. Ela é, 
ao lado do dano e do nexo causal, um dos pressupostos da responsabilidade sub-
jetiva.
A evolução da responsabilidade civil no Direito Romano culmina justamente 
na célebre Lei Aquília. Essa última operou uma transformação na responsabilidade 
civil. Se não é certo que ela trouxe a culpa para dentro da responsabilidade civil, é 
possível afirmar que a evolução no sentido de introduzir o elemento subjetivo para 
a reparação iniciou-se nela.
Foi, então, com base na interpretação e aplicação cada vez mais extensiva da Lex 
Aquilia pelos jurisconsultos que o Código Napoleônico adotou uma teoria geral de 
responsabilidade civil fundada na culpa. Essa teoria foi posteriormente adotada por 
quase todos os ordenamentos jurídicos. No Brasil não foi diferente. 
Na vigência do Código Civil de 1916, estabeleceu-se como regra a responsabili-
dade civil subjetiva. Ou seja, só era possível imputar responsabilidade a alguém caso 
o ato tivesse sido cometido culposamente. A responsabilidade objetiva, portanto, 
era exceção só admitida quando prevista em lei.
Atualmente, verifica-se um abandono da culpa no âmbito da responsabilidade 
civil que culminou, no Código Civil de 2002, com a positivação de uma cláusula 
geral de responsabilidade civil objetiva no art. 927, parágrafo único. Esse “processo 
de desculpabilização” está diretamente ligado com a necessidade de reparar a vítima, 
permitindo a ampla reparação.
Todavia, apesar do alargamento das hipóteses de responsabilidade objetiva, é 
importante frisar que a responsabilidade subjetiva ainda é necessária. E o Código 
Civil de 2002 previu uma cláusula geral de responsabilidade aquiliana no art. 186 
c/c art. 927, caput:
25fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudên-
cia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete 
ato ilícito.
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo.
ato ilícito
Como dito anteriormente, a responsabilidade subjetiva era a regra no Código 
Civil de 1916 e, portanto, era imprescindível a prova da conduta culposa para o 
surgimento do dever de indenizar oriundo do ato ilícito.
Antes de falar sobre o conceito de culpa é preciso dinstinguí-la de culpabilidade. 
Este último é a qualidade ou conjunto de qualidades do ato que permitem formular, 
a respeito dele, um juízo ético-jurídico de reprovação ou censura. Já a culpa exprime 
a voluntariedade da conduta, envolvendo apenas um juízo de fato, que se baseia no 
estado psíquico do autor. É o nexo de imputação psicológica do ato ao agente.27
Para caracterização do ato ilícito são necessários dois pressupostos: a imputabili-
dade do agente (elemento subjetivo) e a conduta culposa (elemento objetivo).
imputabilidade do agente
A imputabilidade é o conjunto de condições pessoais que dão ao agente capaci-
dade para poder responder pelas conseqüências de uma conduta contrária ao dever. 
Dessa forma, diz-se imputável a pessoa com capacidade natural para prever os efei-
tos e medir o valor dos atos que pratica e para se determinar de acordo com o juízo 
que se faça deles.28
Aliás, é o próprio art. 186 do Código Civil que prevê o elemento imputabilidade 
para existência do ato ilícito. Nesse sentido, pode-se afirmar que não responde pelas 
conseqüências do fato danoso quem, no momento em que o fato ocorreu, estava in-
capacitado de entender ou querer. Em outras palavras, aquele que não pode querer 
e entender não incorre em culpa.
Tem-se, dessa forma, que os incapazes são irresponsáveis. Essa assertiva, todavia, 
sofre temperamentos.O Código Civil de 2002 adotou a responsabilidade mitigada 
e subsidiária dos incapazes. Dessarte, pelos atos dos incapazes responde primeira-
mente a pessoa encarregada da guarda.
Somente responderá o incapaz quando as pessoas responsáveis por ele não ti-
verem a obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. Contudo, o 
avanço em admitir a responsabilidade do incapaz de forma subsidiária, foi infor-
mado pelo princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e, dessa for-
ma, nosso ordenamento prevê uma indenização eqüitativa de forma a garantir o 
necessário à subsistência do incapaz e de quem dele depender. Esse é, também, o 
entendimento esposado no Enunciado 39 da Jornada de Direito Civil promovida 
pelo Centro de Estudos da Justiça Federal.
27 Pessoa JorGe, fernando de 
sandy lopes. Ensaio sobre os 
pressupostos da responsabili-
dade civil. Coimbra: almedina, 
1995, p. 315/321.
28 Varela, antunes, das obri-
gações em Geral, Volume i, 10 
ª edição, revista e actualizada, 
Coimbra: almedina, 2000, p. 
563.
26fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele res-
ponsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser eqüitativa, 
não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem.
Culpa
Não basta a imputabilidade do agente, é preciso que o imputável tenha agido 
com culpa. O segundo elemento do ato ilícito, portanto, se expressa através da 
conduta reprovável, ou seja, da culpa. Esta, no âmbito da responsabilidade civil, 
possui duas concepções: lato sensu e stricto sensu. A primeira concepção se desdobra 
em dolo e culpa propriamente dita. Registre-se que aqui o dolo não diz respeito ao 
vício da vontade, mas ao elemento interno que reveste o ato de causar o resultado. 
A segunda concepção se traduz numa determinada posição ou situação psicológica 
do agente para com o fato.
dolo
O dolo aparece como a modalidade mais grave da culpa lato sensu. Pode-se de-
finir o dolo como a infração consciente do dever preexistente, ou o propósito de 
causar dano a outrem. Existem, entretanto, outras modalidades de dolo. São elas:
a) dolo direto: quando o agente atua para atingir o fim ilícito;
b) dolo necessário: quando o agente pretende atingir o fim lícito, mas sabe que 
a sua ação determinará inevitavelmente o resultado ilícito;
c) dolo eventual: quando o agente atua em vista de um fim lícito, mas com a 
consciência de que pode eventualmente advir do seu ato um resultado ilícito 
e quer que este se produza.
Culpa em sentido estrito
A culpa stricto sensu ou propriamente dita, por sua vez, diz respeito à vontade do 
agente que é dirigida ao fato causador da lesão, mas o resultado não é querido pelo 
agente. Podemos dizer, então, que é a falta de diligência na observância da norma 
de conduta, isto é, o desprezo, por parte do agente, do esforço necessário para ob-
servá-la, com resultado, não objetivado, mas previsível29. É a omissão da diligência 
exigível do agente.
A mera culpa (ou culpa em sentido estrito), portanto, pode ser definida como a 
violação de um dever jurídico por negligência, imprudência ou imperícia. Ela pode 
consistir numa ação ou numa omissão.
Negligência se relaciona com a desídia. É a falta de cuidado por conduta omis-
siva. Imprudência está ligada à temeridade, ou seja, é a afoiteza no agir. É a falta de 
cautela por conduta comissiva. A imperícia, finalmente, é a falta de habilidade. Em 
outras palavras, decorre da falta de habilidade no exercício de atividade técnica.
29 dias, José de aguiar. Da res-
ponsabilidade civil. 11ª ed. rev., 
atualizada de acordo com o có-
digo civil de 2002 e aumentada 
por rui bedford dias. rio de ja-
neiro: renovar, 2006, p. 149.
27fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
A culpa ainda pode ser graduada em razão da gravidade da conduta. Apesar 
do Código Civil não fazer qualquer menção sobre o tema, tanto doutrina quanto 
jurisprudência têm se utilizado dos graus de culpa no momento da fixação da inde-
nização, especialmente no dano moral.
Entrementes, para analisar a conduta é preciso saber qual é o padrão por que se 
afere a conduta do lesante, ou seja, será a diligência que o agente costuma aplicar 
nos seus atos, ou será a diligência de um homem normal, medianamente sagaz, 
prudente, avisado e cuidadoso?
A doutrina coloca que deve se aferir através da culpa em abstrato. Isto é, deter-
mina-se pelo modelo de um homem-tipo a que no direito romano se designava por 
bonus pater familiar (bom pai de família), que é o homem médio.
Admite-se, então, três graus de culpa: grave, leve e levíssima. Culpa grave é aque-
la imprópria ao comum dos homens. É o erro grosseiro, descuido injustificável e 
equiparado ao dolo.
A culpa leve, por sua vez, é a falta evitável com atenção ordinária, com o cuida-
do próprio do homem comum. Por fim, a culpa levíssima caracteriza-se pela falta 
de atenção extraordinária, com especial habilidade ou conhecimento singular. Não 
obstante os diferentes graus, aquele que age com culpa (mesmo que levíssima) está 
obrigado a reparar (in lege Aquilia et levissima culpa venit).
espécies de Culpa
Embora as espécies de culpa aqui referidas estejam praticamente extintas em 
razão do Código Civil de 2002 estabelecer a responsabilidade objetiva por fato de 
outrem ou na responsabilidade pelo fato do animal ou da coisa, é importante para 
fins didáticos explicá-las. A doutrina geralmente coloca como espécies de culpa as 
culpas in eligendo, in vigilando e in custodiando.
A primeira caracteriza-se pela má escolha do preposto. Nesse diapasão, foi ela-
borada a Súmula 341 do Supremo Tribunal Federal que determinava presumida a 
culpa do patrão pelo ato culposo do empregado ou preposto.
A culpa in vigilando decorre da falta de atenção ou cuidado com o procedimento 
de outrem que estava sob a guarda ou responsabilidade do agente. Por fim, a culpa 
in custodiando caracteriza-se pela falta de atenção em relação a animal ou coisa que 
estavam sob os cuidados do agente.
Culpa presumida
Se por um lado foi adotado em quase todos os ordenamentos do mundo uma 
teoria geral de responsabilidade civil fundada na culpa, por outro lado, essa teoria 
traz um grave óbice à reparação da vítima.
Com efeito, na medida em que as atividades humanas vão se expandindo e se 
tornando menos controláveis, os riscos vão se multiplicando. Diante dessa nova rea-
lidade, a responsabilidade civil vem exorbitando seus antigos domínios30 para tentar 
alcançar soluções conforme os anseios sociais. O desenvolvimento das indústrias e 
30 silVa, Wilson melo da. Res-
ponsabilidade sem culpa. 2ª ed. 
são Paulo: saraiva, 1974, p.151.
28fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
dos meios de transporte veio denunciar-lhe a insuficiência para a solução de grande 
número de casos.31
A verdade é que exigir da vítima uma prova que ela não pode produzir é o 
mesmo que negar a reparação. A prova da culpa em algumas situções é uma prova 
impossível de ser produzida. Nesse diapasão, em conformidade com a tendência 
que tem como escopo a reparação da vítima e, de acordo com o princípio da ampla 
reparação, a doutrina e jurisprudência passaram a admitir o recurso à inversão da 
prova, como fórmula de assegurar ao autor as probabilidades de bom êxito que de 
outra forma lhe fugiriam totalmente em muitos casos.32
Dessa forma, surgem as hipóteses de culpa presumida. Nessa seara, ainda é im-
prescindível a culpa para fins de reparação, contudo, existe uma presunção cabendo 
ao autor do dano demonstrar que sua conduta não foi culposa. É, portanto, uma 
relativização do brocardo latino actori incumbit probatio (aoautor cabe o ônus da 
prova). A sua vantagem é que através da culpa presumida, permite-se que a vítima 
seja reparada em inúmeras situações.
Concepção normativa da culpa
A concepção normativa, por sua vez, baseia-se na idéia de erro de conduta. Inú-
meras atividades são desempenhadas diariamente que podem provocar danos. Por 
essa razão, a lei estabelece uma série de deveres e cuidados que o agente deve ter 
quando desempenhar essas atividades (p. ex. limite de velocidade, uso de equipa-
mentos especiais, etc).
Não havendo normas legais ou regulamentares específicas, o conteúdo do dever 
objetivo de cuidado só pode ser determinado por intermédio de um princípio me-
todológico – comparação do fato concreto com o comportamento que teria adota-
do, no lugar do agente, um homem comum, capaz e prudente33. Isto é, entende-se 
que a culpa é a quebra do dever a que o gente está adstrito por norma específica 
(legal ou contratual) e na falta desta, pelo dever genérico de não causar dano a ou-
trem (neminem laedere).
A diferença da concepção clássica para a concepção normativa é que nesta não 
se exige um dever universal de cuidado, mas um padrão de conduta (standard) a ser 
utilizado para cada situação específica, ou seja em cada caso concreto. A culpa aqui 
passou a representar a violação de um padrão de conduta34, de onde conclui-se que 
a noção de culpa é normativa, exigindo um juízo de valor em cada caso.35
2. Caso geRadoR
Joana era uma senhora de 40 anos. Cansada de sua aparência, resolveu ma-
tricular-se em uma academia de ginástica para emagrecer e modelar seu corpo. 
Todavia, após seis meses de academia, achava que não estava no ponto ideal. Foi 
quando sua amiga, Cléia, sugeriu que fosse ao seu médico, Dr. Paulo, para uma 
lipoaspiração.
31 alVim, agostinho, Da Inexecu-
ção das Obrigações e Suas Conse-
qüências, 4ª ed. atual., são Pau-
lo: saraiva, 1972, p. 305.
32 dias, José de aguiar. Da res-
ponsabilidade civil. 11ª ed. rev., 
atualizada de acordo com o có-
digo civil de 2002 e aumentada 
por rui bedford dias. rio de ja-
neiro: renovar, 2006, p. 110.
33 CaValieri filHo, sergio. 
Programa de Responsabilidade 
Civil, rio de Janeiro: malheiros 
editores, 2003, p. 53.
34 moraes, maria Celina, bodin 
de. Danos a Pessoa Humana: 
uma leitura civil-constitucional 
dos danos morais, rio de Janei-
ro: renovar, 2003, p. 212.
35 CaValieri filHo, sergio. 
Programa de Responsabilidade 
Civil, rio de Janeiro: malheiros 
editores, 2003, p. 53.
29fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
Chegando no consultório médico, o médico sugeriu que fizesse uma cirurgia 
estética reformadora de mamas e abdômem. Realizada a cirurgia, Joana teve alta 
dois dias depois.
Ocorre que chegando em casa, a paciente começou a sentir dores insuportáveis 
nas mamas, abdômen e na cabeça. Ao ligar para o médico, este informou que ela de-
veria continuar com o tratamento anteriormente prescrito. Ao persistirem as dores, 
Joana se dirigiu ao hospital local onde foi informada que seu estado era gravíssimo, 
apresentando coloração preta nos mamilos e pontos amarelados. Foi informada, 
ainda, que seus mamilos foram totalmente comprometidos. Sofreram processo de 
necrose, que significa a morte dos tecidos afetados, resultando cicatrizes em seu 
lugar.
Após a cirurgia, Joana sofreu de depressão e precisou fazer duas cirurgias corre-
tivas. Inconformada com a situação, a paciente ingressou com ação de indenização 
por danos materiais e morais.
Em defesa, o médico alegou tão somente que a autora não demonstrou sua cul-
pa. Decida com base na legislação pertinente.
3. Questões de ConCuRso:
OAB – 31° Exame de Ordem (1ª fase)
44) Quanto à responsabilidade civil aquiliana pode-se afirmar:
A. Limita-se única e exclusivamente à pessoa de agente;
B. Para sua caracterização depende sempre da comprovação da culpa;
C. Ocorrendo excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, o juiz 
poderá reduzir, eqüitativamente, o valor da indenização;
D. A nossa sistemática jurídica não admite a responsabilização por omissão.
30fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
aula 5. risco e responsabilidade objetiva
leituRa obRigatóRia
SCHREIBER, Anderson. Novos paradigmas da responsabilidade civil: da erosão dos 
filtros da reparação à diluição dos danos. São Paulo: Atlas, 2007, p. 18/29.
leituRa ComplementaR
COSTA, Mário Julio de Almeida. Direito das Obrigações, 10ª ed. reelaborada, 
Coimbra: Almedina, 2006, p. 524/539. CAVALIERI FILHO, Sergio. Pro-
grama de responsabilidade civil, 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 126/140. 
Pietro Trimarchi. Istituzioni di Diritto Privato. Milão: Giuffrè, 17ª ed., 2007; 
pp. 126/133.
1. RoteiRo de aula
a responsabilidade objetiva
Como vimos, a evolução da responsabilidade civil levou a criação de uma teoria 
geral fundada na culpa. Isto é, dos danos que cada um sofra, só lhe será possível 
ressarcir-se à custa de outrem quanto àqueles que, provindo de ato ilícito, sejam 
imputáveis a conduta culposa de terceiros. Os restantes, quer provenham de caso 
fortuito ou de força maior, quer sejam causados por terceiro, mas sem culpa do 
autor, terá de suportá-los o titular dos bens ou direitos lesados.36
Entretanto, se a responsabilidade fundada na culpa ainda é importante, ela é 
insuficiente para reparar todos os danos sofridos na sociedade dinâmica em que 
vivemos. Com efeito, no mundo contemporâneo, fortemente tecnológico e indus-
trializado, o desenvolvimento das possibilidades e dos modos de atuação humana 
também multiplicou os riscos.37
Ora, em uma sociedade desenvolvida, com tantos avanços científicos e tecnoló-
gicos, os interesses das pessoas se entrecruzam e se interpenetram com muito mais 
intensidade, criam-se relações sociais complexas, surgem novos vínculos de naturezas 
díspares, as atividades jurídicas adentram cada vez mais na esfera jurídica dos demais38. 
Todas essas novas situações, entretanto, trazem consigo um mal: o contato incessante 
faz com que os interesses sofram constantes atentados Nos dizeres de Alvino Lima 
vivemos mais intensamente e mais perigosamente e, assim, num aumento vertiginoso, 
crescente e invencível, de momentos e de motivos para colisões de direitos39.
A vida moderna, portanto, ressaltando a categoria dos danos resultantes de fata-
lidades, levantou a questão relativa à sua adequada reparação, a que não satisfaziam 
os moldes tradicionais.
36 Varela, antunes, das obri-
gações em Geral, Volume i, 10 
ª edição, revista e actualizada, 
Coimbra: almedina, 2000, p. 
630.
37 CosTa, mário Julio de al-
meida. Direito das Obrigações, 
10ª ed. reelaborada, Coimbra: 
almedina, 2006, p. 528.
38 mazeaud, Henri, mazeaud, 
leon y TunC, andré. Tratado 
teórico y práctico de la respon-
sabilidad civil delictual y contra-
tual. Tomo primeiro, vol i, trad. 
luis alcalá-zamora y Castillo. 
5ª ed. buenos aires: ediciones 
Jurídicas europa-américa, 
1961, p.11.
39 lima, alvino, Culpa e risco, 2ª 
edição revista e atualizada pelo 
Prof. ovídio rocha barros san-
doval, são Paulo: editora revis-
ta dos Tribunais: 1998, p. 16.
31fGV direiTo rio
resPonsabilidade CiVil e direiTo do Consumidor
É nesse contexto que surge o sistema da responsabilidade objetiva que independe 
da culpa. Com efeito, assiste-se a um claro movimento que busca garantir a repara-
ção dos chamados danos anônimos, ou seja, a reparação de todo e qualquer dano, 
independentemente do caráter culposo ou ilícito do ato que o produziu.
O sistema objetivo, portanto, é uma evolução natural da teoria da responsabi-
lidade civil que visa à reparação da vítima, pois se percebeu que se a vítima tivesse 
que provar a culpa do causador do dano, em numerosíssimos casos ficaria sem 
indenização.
Atento às modificações, nosso ordenamento pátrio, na vigência do Código Civil de

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