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Mobiliario Baiano_Monumenta IPHAN

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n o t a s
1 – Para documentação a respeito ver Mauro, Frédéric. Le Portugal et l’Atlantique au XVIIème 
siècle, 1570-1670. Paris: Sevpen, 1960. p. 120-126. No Arquivo Histórico Ultramarino consta 
numerosa documentação, comunicando o envio de madeiras para o Arsenal da Marinha.
2 – Até meados do século XVIII, o território hoje correspondente à Bahia era formado por três 
capitanias: Ilhéus, Porto Seguro e Bahia propriamente dita. Alcançava parte do Espírito Santo e 
o atual estado de Sergipe.
3 – lisboa, Balthazar da Silva. Riquezas do Brasil em madeiras de construcção e carpintaria. In 
Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Bahia, no 26, p. 243 e segs., 1926.
4 – vilHena, L. S. Op. cit., p. 699.
5 – lisboa, B. S. Ob. cit., p. 258.
6 – Significado não encontrado. Provavelmente refere-se a caixas, ou melhor “de caixas”.
7 – langHans, Franz-Paul. As corporações dos ofícios mecânicos. Lisboa: Imprensa Nacional, 
1943. v. 1, p. 479.
8 – Idem.
9 – idem, v. 1, p. 479. 
10 – Marcgrave, Jorge. História natural do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial, 1942.p. 102.
11 – souza, Gabriel Soares de. Noticias do Brasil. São Paulo: Martins, s.d,, t.2, cap. 67, nota 1).
12 – Postura 111, 1710. In: POSTURAS (1650-1787), Arquivo da Prefeitura Municipal do Salvador 
/ Fundação Gregório de Mattos, fl. 53.
13 – franco, Carlos José de Almeida. O mobiliário nas casas das elites lisboetas nos finais do 
Antigo Regime. Porto: Universidade Católica Portuguesa /Escola das Artes, 2007. 
14 – souza, G. S. de. Op. cit., cap. 72, p. 73; cap. 64, p. 54-55.
15 – gonzaga, Armando Luiz. Madeira; uso e conservação. Brasília: Iphan/Monumenta, 2006. p. 
202-205.
16 – vilHena, L. S. Op. cit., v. 3, p. 696.
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M o b i l i á r i o b a i a n o
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17 – lisboa, B. S. Op. cit., p. 256.
18 – vilHena, L.S. Op. cit., v. 3, p. 697.
19 – lisboa, B. S. Op. cit., p. 253.
20 – vilHena, L. S. Op. cit., v. 3, p. 697.
21 – lisboa, B.S. Op. cit., p. 242.
22 – vilHena, L. S. Op. cit., v. 3. p. 697. Indaga-se se Vilhena, ao falar em “violete”, não estaria se 
referindo ao jacarandá-violeta, já que em sua obra não nomeia o jacarandá, tão usado na Bahia.
23 – lisboa, B. S. Op. cit., p. 258.
24 – idem, p. 237. 
25 – vilHena, L. S. Op. cit., v. 1, p. 57-58.
26 – aHu, Loc. cit., doc. 11.477 (1784), 1914, v. 32, p. 533. ms; Pinto, Augusto C. e nasciMento, J. 
F. S. Cadeiras portuguesas. Lisboa: Bertrand, 1952. p. 60-61.
27 – Regimento dos correeiros In: langHans, F.-P. Op. cit,. v. 1, cap. 20. p. 700-701.
28 – As datas representam os limites entre os quais existem referências nos documentos. Isto 
não quer dizer que a atividade desses artífices não tenha se estendido antes e depois do período 
fixado. Embora deficientes, colocam-se as datas a fim de possibilitar a localização dos oficiais 
correeiros no tempo.
29 – O regimento dos correeiros será transcrito no momento em que se tratar de móveis que 
traziam o couro como complemento.
30 – Postura 17, 1785. In: Postura (1650-1787), Arquivo da Prefeitura Municipal do Salvador / 
Fundação Gregório de Mattos. fl. 128v.
31 – Idem.
32 – inventários, Loc. cit., doc. no 2/620, Manoel João da Silva, 1721, fl. 97. ms 
33 – idem, doc. no 7/693, 1814, fl. 12. ms. 
34 – idem, doc. no 1/778, 1832, fl. 17. ms.
35 – apud valente, v asco. O vidro em Portugal. Porto: Portucalense, 1950. p. 52.
36 – cartas do governo (1797-1798), Loc. cit., fl. 278v. ms.
37 – Posturas de 1716. Nota à margem esquerda do livro de Posturas (1650-1787), Arquivo da 
Prefeitura Municipal do Salvador / Fundação Gregório de Mattos, fl. 79v.
38 – idem.
Bofete barroco, século XVIII. Sacristia da Igreja de São Francisco, Salvador.
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M a t e r i a i s u t i l i z a d o s
Móveis e Mobil iár io
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Neste trabalho optou-se pelo emprego dos termos mais genéricos, historicamente 
consagrados e comumente usados no mundo Ocidental para designar os estilos dos 
móveis: renascentista, barroco, rococó, neoclássico, eclético. Para especificar os móveis, 
serão utilizados os mesmos termos empregados na época, constantes nas avaliações de 
bens dos inventários, como torneado, retorcido, talha, gavetas e pés de volta, pés de galo, 
pés de burro, etc. O significado de cada um desses termos está explicado no texto ou no 
glossário. Contraria-se, pois, os autores que tomaram a divisão por reinados para permitir 
uma compreensão associativa tempo-estilo-forma, conforme foi referido.
É certo que alguns autores adotaram a divisão por reinados apenas para permitir 
uma compreensão associativa, mais inteligível que puramente cronológica. Seu uso muitas 
vezes se explica por ser uma divisão didática e que já está consagrada. Porém, assimilou-se 
de tal modo as formas dos móveis às figuras dos reis, que essa relação perdeu o caráter 
simplesmente associativo, tornando-se sugestiva de que os estilos e modas de cada tempo 
são fruto da intervenção direta da pessoa do rei.
Se houve interferência governamental no estilo dos móveis, esta foi levada a 
efeito pelo Senado da Câmara, por meio das posturas e suas aplicações, da taxação dos 
preços relacionando o tipo de obra, material e seu modelo, de sua fiscalização sobre os 
oficiais mecânicos, da determinação dos modelos que deviam ser executados por ocasião 
das examinações, etc.
Embora a interferência do Senado da Câmara tenha sido menor, por razões já 
referidas, em Salvador e no Brasil em geral, vários foram os portugueses que trabalharam nas 
diversas partes do território sob domínio luso, tendo trazido da corte seus hábitos pessoais 
e profissionais. Como se viu, grande parte dos marceneiros, torneiros, ensambladores e 
carpinteiros de móveis e samblagem portugueses, que vieram para a Bahia no século XVIII e 
começos do XIX, seguiram as normas ditadas pela Câmara e, certamente, exerceram grande 
influência sobre os locais.
Mesmo em Portugal, somente em última instância solicitava-se a intervenção do 
rei, havendo casos em que a resolução real foi revogada em parte em favor da Câmara e 
da Casa dos Vinte e Quatro1. 
As “modas” na Bahia, todas elas importadas, atingiam as camadas mais abastadas, 
em primeiro lugar, sendo depois vulgarizadas através da produção dos mesmos modelos 
de móveis no tipo “ordinário” ou comum. Eram adaptadas, por assim dizer, ao mercado 
consumidor local, que incluía desde os que tinham algumas posses até os que dispunham 
de condições para adquirir o que, na época, ainda se apresentava como supérfluo.
M ó v e i s e M o b i l i á r i o
Banca de esbarra rococó, séculos XVIII-XIX. Museu de Arte da Bahia.
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M o b i l i á r i o b a i a n o
Não havendo padronização social, mas classes sócio-econômicas distintas, na 
época em que o Brasil era possessão lusa, nota-se que a vulgarização de certos modelos 
de móveis só se verificou alguns anos após a sua introdução nas residências mais nobres. 
A cronologia utilizada no presente trabalho está baseada nessa vulgarização dos modelos 
e não nas datas de introdução de raros modelos da moda européia.
A casa baiana, no período estudado, não se prendeu a estilos de móveis 
cronologicamente distintos, mas a modelos específicos de móvel. O mais comum, numa 
residência baiana, nos séculos estudados, era a utilização dos três tipos de móveis já 
destacados – de luxo, ordinários e toscos –, dependendo dos aposentos e sempre com 
estilos misturados. 
Em Salvador, os marceneiros vendiam em suas lojas não somente móveis novos, 
mas também móveis ou trastes usados, – e por vezes fora de moda –, sendo estes acessíveis 
aos mais pobres. O costume de comprar e utilizar móveis usados foi bastante comum 
e se prolongou, ainda, até o período da República.