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Mobiliario Baiano_Monumenta IPHAN

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Ms.
73 – Idem, doc. no 1/892, de sua mulher Helena Clara da Rocha, 1855.s.n.fl. ms.
74 – Santo português, protetor dos exércitos lusos, primeiro padroeiro de Salvador, sob a 
invocação de Arguim. No século XVIII, passou a ser venerado como Santo Antônio de Lisboa e 
ganhou a patente e soldo, que conservou até 1907, de capitão “enterdenido”, como prêmio por 
perder o título de protetor da Cidade.
75 – inventários. Loc. cit., doc. no 7/633, Joana Maria da França,.1755, s.n.fl.. ms.
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M ó v e i s e m o b i l i á r i o 
76 – estatutos da Província de santo antônio do brasil. Lisboa: na Officina de Manuel e Joseph Lopes 
Ferreyra, 1709. p. 15. 
77 – constituições PriMeiras do arcebisPado da baHia, feitas, e ordenadas pelo Illustrissimo e 
Reverendissimo Senhor D. Sebastião Monteiro da Vide, 5o Arcebispo do dito Arcebispado, e do 
Conselho de Sua Magestade: propostas e aceitas em o Synodo Diocesano, que o dito Senhor 
celebrou em 12 de Junho do anno de 1707. São Paulo: Typog. 2 de Dezembro de Antonio Louzada 
Antunes, 1853. Lo. III, no 478.
78 – leite, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil, século XVI. Lisboa/Rio de Janeiro: 
Portugalia/Civilização Brasileira, 1938. v. 5.
79 – Com exceção da imagem de São Francisco, no primeiro altar lateral, lado da Epístola, as 
demais imagens não foram “modernizadas”, considerando que a tentativa feita com o santo 
citado o transformou num aleijão. Foi retirada apenas a policromia de todas elas.
80 – ott, Carlos. A Santa Casa de Misericórdia da Cidade do Salvador. Rio de Janeiro: Ministério 
da Educação e Cultura, 1960. 
81 – Usa, literalmente, essa expressão.
82 – Também usa esse termo. Documentadamente são atribuídas a esse frei leigo, as grades das 
capelas laterais da nave da igreja de São Francisco.
83 – alves, Marieta; sMitH, Robert; ott, Carlos e ruy, Affonso. História das artes na Cidade do 
Salvador. Salvador: Prefeitura Municipal do Salvador, 1967. 
84 – constituições, 1853, L. 4o, tit. XXIV, item 712. p. 260-261.
85 – O arquibanco, por suas dimensões e características, foi mais freqüente nos edifícios 
religiosos.
86 – constituições, 1853, L. 1o, tit. XIX, item 68, 69. p. 27, 28.
87 – regiMento..., In: constituições, 1853. p. 151.
conclusões
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c o n c l u s õ e s
Procurou-se, neste estudo, dar uma idéia bastante abrangente dos móveis usados 
nas casas e recintos religiosos de Salvador, de 1700 a 1850.
Os móveis da casa baiana, nesse período, não tiveram a característica de “mobília”, 
isto é, conjunto de móveis com elaboração e decoração harmônicas. Prevaleceram, ao 
mesmo tempo, modelos diferentes, não havendo, especialmente no século XVIII, os 
chamados “conjuntos” de mobília. Estes só começariam a aparecer, aos poucos, em fins 
do século XVIII, intensificando-se o uso somente na segunda metade do século XIX. Seu 
número foi aumentando à medida que mudava a relação do baiano com o interior de 
sua casa. 
A quantidade de móveis presentes nas casas geminadas, pouco claras e arejadas 
em seu interior, e nas casas isoladas no meio de jardins arborizados, cheios de janelas 
e árvores, mostra a mudança clara nessa relação. No século XVIII, os habitantes de 
Salvador estavam voltados para a rua, enquanto no século XIX começaram a se voltar 
para dentro de suas mansões, especialmente fora do centro da cidade. Assim, a escassez 
de móveis, característica dos setecentos, é substituída pela superabundância dos mesmos 
nos oitocentos.
A cronologia dos estudos clássicos, apresentada pela maioria dos autores que 
escreveram sobre o mobiliário brasileiro, apresenta uma defasagem em relação à obtida 
neste estudo por meio dos inventários e testamentos. O atraso observado deveu-se ao tempo 
decorrido entre a introdução do móvel na Bahia, época à qual normalmente se referem os 
autores em questão, e a sua vulgarização, época à qual se referem os inventários, com as 
devidas correções de desvios. Por se tratar de moda, de sua relação com os habitantes de 
Salvador e uso corrente por grande parte desses habitantes, preferiu-se trabalhar com 
a cronologia ligada à vulgarização dos móveis. Foi encontrada defasagem que chegou a 
atingir cinqüenta anos entre as duas cronologias..
Portanto, os móveis de estilos artísticos europeus – renascentista, barroco, rococó, 
neoclássico simultâneo ao eclético – sempre foram tardios no Brasil, pois levaram muito 
tempo para ser divulgados e vulgarizados, mesmo nos núcleos urbanos mais importantes. 
Os modelos eram portugueses, indianos, de influência inglesa ou francesa, originais ou 
copiados pelos oficiais mecânicos. Estes os reproduziram em larga escala, algumas vezes 
com pequenas adaptações, a depender do lugar, da competência da mão de obra, dos 
materiais ou ferramentas.
A regulamentação das diferentes profissões, exercidas pelos oficiais mecânicos, 
por meio das posturas, permitiu ao Senado da Câmara de Salvador, apesar de não 
Penteadeira feita em série, século XIX. Convento de São Francisco, Salvador.
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M o b i l i á r i o b a i a n o
possuir o poder judiciário e administrativo pleno, exercer controle sobre as atividades 
dos marceneiros, torneiros, correeiros e serralheiros, o que resultou numa uniformização 
das obras realizadas, principalmente durante o século XVIII. O controle e interferência 
na execução de móveis era feito pelas Câmaras, tomando modelos de origem lusa, ou 
comercializados por Portugal, reforçados pela presença de oficiais mecânicos vindos da 
Metrópole. Isso explica a relativa uniformidade dos móveis luso-brasileiros.
É importante notar, ainda, que essa uniformização restringiu-se quase 
exclusivamente à cópia de modelos importados de Portugal. Convém ressaltar, também, 
que era uso do período copiar os modelos pré-existentes. Para ser mestre, o oficial 
deveria copiar uma obra de outro mestre. Desse modo, não se pode falar em mobiliário 
tipicamente brasileiro, pelo menos no que se refere à Bahia. Deve-se lembrar que, de 
acordo com a ideologia da época, os artistas e artesãos não procuravam criações originais. 
Isso se verificou na arquitetura, na imaginária, na escultura e, principalmente, na pintura 
e no móvel.
De muitos móveis que são citados, não se encontraram exemplares nas coleções 
locais e mesmo nacionais. Em conseqüência, não aparecem na historiografia do mobiliário 
brasileiro e, muito menos, na baiana. É o caso dos móveis feitos com a madeira pequiá, 
com entalhes ou com trabalhos de marchetaria. Também os móveis com pés de burro já são 
inexistentes nesses acervos.
A partir do século XIX, quando o Brasil foi atingido pelos reflexos da Revolução 
Industrial, os modelos franceses, especialmente da época dos luíses, e os da Inglaterra e 
dos Estados Unidos, além de móveis esparsos de outras regiões européias, entraram na 
Bahia através das cidades do Porto e de Lisboa e do gosto dos baianos. A vinda da corte 
para o Brasil, com D. João VI, intensificou ainda mais o seu uso, apesar das relações 
políticas. Com a chegada da corte, foi necessário reconstruir o Rio e dar-lhe feições de 
capital. Logo depois, chegavam os famosos membros da chamada missão francesa, que 
incentivou as artes.
Muitos móveis pertencentes a determinados acervos museológicos ou a coleções 
são reminiscências estilísticas que reapareceram na segunda metade do século XIX, sob a 
designação de móveis à moda Luís XIV, Luís XV ou Luís XVI, tendo a aparência de móveis 
barrocos, rococós, neoclássicos ou ecléticos, mas de forma estilizada e feita em série, 
mecanicamente, formando já conjuntos de mobília.
Nesse sentido, é preferível utilizar as designações estilísticas européias para 
classificar os móveis usados em Salvador, considerando que a classificação pelos