Emergências Méd no Cons Odon
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Emergências Méd no Cons Odon


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PRO-ODONTO | CIRURGIA | SESCAD 75
Pylyp Nakonechnyj
EMERGÊNCIAS MÉDICAS
NO CONSULTÓRIO
ODONTOLÓGICO
INTRODUÇÃO
O conceito de emergência, aplicado às ciências da saúde e, mais especificamente, à
Odontologia, pode ser definido como: \u201cuma situação imprevista, que exige uma atitude
imediata\u201d, podendo ser expandido para: \u201cé uma situação clínica crítica imprevista, que exige
atuação imediata, implicando risco de morte para o paciente se não tratada devidamente\u201d.
Diante destas definições, o cirurgião-dentista deve estar preparado para identificar e agir de
acordo com cada uma das situações de emergência que podem ocorrer no consultório
odontológico. Deve ter, além dos conhecimentos necessários, uma estrutura de materiais e
equipamentos próprios para tanto, assim como a equipe multiprofissional do consultório
deve estar treinada para agir em conjunto.
A formação e o treinamento dos profissionais de Odontologia devem ocorrer preferencialmente
nos cursos de graduação, que devem incorporar o tema como matéria obrigatória, como já
ocorre nos cursos de especialização, conforme a Resolução do Conselho Federal de Medicina
- CFO 063/2005: \u201cDeverá constar da área conexa, de todos os cursos de especialização, a
disciplina de Emergência Médica em Odontologia com carga horária mínima de 15 horas\u201d. 1
Embora a ocorrência de emergências em Odontologia não seja freqüente, basta
uma situação mal resolvida chegar aos meios de comunicação para comprometer
tanto o profissional envolvido como toda a classe odontológica.
Os avanços da medicina têm aumentado o número de pessoas com doenças graves e sob
controle, com incremento na média de idade da população. Os progressos sociais fazem com
que estas pessoas tenham mais acesso aos serviços odontológicos, que precisam se ajustar a
esta realidade.
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76 EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
Os tratamentos odontológicos são mais sofisticados, lançando mão de procedimentos mais
demorados, cirurgias reconstrutoras e uso de substâncias medicamentosas na prática cotidiana,
expondo os pacientes normais e com comprometimento médico a situações de risco.
O uso de anestésicos locais tornou-se prática comum na Odontologia, deixando o campo dos
procedimentos mais agressivos para serem utilizados em todas as áreas. Com o número de
cirurgiões-dentistas registrados no CFO igual a 214.949,1 fazendo um cálculo conservador
que cada cirurgião-dentista praticará apenas um ato anestésico por dia, ainda assim o número
de anestesias diárias será bem grande, com a possibilidade de situações adversas bem
freqüentes, mesmo que sem evoluir para o óbito.
No texto da Lei 5.081, de 24/08/1966, no artigo 6º, está prescrito que o cirurgião-
dentista pode \u201cprescrever e aplicar medicação de urgência no caso de acidentes
graves que comprometam a vida e a saúde do paciente\u201d, sendo confirmado pela
Resolução CFO-063-2005, não devendo haver a preocupação de estar praticando
ato ilegal ao agir diante de uma situação de emergência.1,2
Assim sendo, por este conjunto de possibilidades, a classe odontológica tem que incorporar
o presente tema em suas preocupações diárias, a partir dos bancos acadêmicos, buscando
sempre atualização ao longo de sua prática profissional.
O objetivo deste capítulo não é esgotar o tema e sim trazê-lo à atenção do profissional,
dando um panorama geral das emergências médicas mais comuns que possam ocorrer no
consultório odontológico, fornecendo protocolos simplificados e eficazes que possam ser
utilizados pelo cirurgião-dentista e sua equipe.
Existe literatura ampla e detalhada sobre o tema à disposição, cabendo ressaltar que a matéria
já é obrigatória nos cursos de especialização, restando fazer parte do currículo regular da
graduação dos cursos de Odontologia.
OBJETIVOS
Ao término do estudo deste capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
ƒ reconhecer os casos mais comuns de emergências odontológicas;
ƒ identificar os sintomas de cada caso e seus respectivos procedimentos emergenciais;
ƒ decidir pelo tratamento que mais condiz a cada paciente;
ƒ utilizar adequadamente as técnicas e equipamentos básicos para tratamento de
emergências.
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Materiais e equipamentos
Medicamentos
Prontuário odontológico
Emergências médicas
Suporte básico da vida
Conclusão
Armamentarium
Emergências cardiovasculares
Síncope
Angina pectoris
Infarto do miocárdio
Parada cardíaca
Crise hipertensiva
Emergências respiratórias
Hiperventilação
Crise asmática
Enfisema
Parada respiratória
Emergências neurológicas
Acidente vascular cerebral
Convulsão
Emergências metabólicas
Hipoglicemia
Alergia
ESQUEMA CONCEITUAL
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78 EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
PRONTUÁRIO ODONTOLÓGICO
No consultório odontológico deve existir um prontuário que contenha não somente
os dados relativos ao tratamento, como também informações relativas à saúde geral
do paciente, permitindo que o cirurgião-dentista esteja preparado para ajustar sua
conduta e seu plano de tratamento, em função de estados patológicos de seu
paciente.
Um dos elementos mais importantes para estabelecer os estados de risco de cada paciente é
o questionário de saúde. Ele é a primeira etapa para que o cirurgião-dentista conheça a
saúde de seu paciente, demonstrando a ele o interesse e o zelo por seu bem-estar. A partir
das informações obtidas pelo questionário, o profissional poderá prever possíveis complicações
durante o tratamento, tomar medidas preventivas e antecipar providências em caso de
emergências. Constitui-se também em importante documento odontolegal, em casos de
emergências.
As informações colhidas através do questionário indicarão a necessidade de realização de
exames complementares ou de consultas com médicos especialistas.
Existem vários modelos de questionários de saúde, entre eles, o modelo sugerido pelo Conselho
Federal de Odontologia. De uma maneira geral, os questionários podem ser preenchidos
pelo profissional, sob a forma de entrevista, ou pelo próprio paciente ou seu responsável,
cabendo ao profissional revisar a ficha preenchida pelo paciente e comentar as respostas.
No modelo proposto, neste capítulo, foi feita uma pesquisa para incluírem-se as patologias
mais comuns e freqüentes, procurando utilizar linguagem acessível ao leigo. A programação
visual colocou todas as perguntas numa única página, tornando o preenchimento mais
dinâmico e amistoso para o paciente, que marcará as opções que se enquadram em seu
caso, devendo o cirurgião-dentista comentar com o paciente apenas as respostas positivas.3
O cirurgião-dentista não tem a obrigação de conhecer todas as patologias da área
de competência médica, mas deve alertar-se para as patologias anunciadas pelos
pacientes, devendo, dentro do seu conhecimento, adequar o plano de tratamento.
Já existe literatura especializada dirigida à Odontologia sobre este tema.4
Caso o paciente tenha algum comprometimento sério de saúde, é conveniente registrar no
prontuário o nome e telefones do médico responsável, para eventuais contatos.
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Figura 1 \u2013 Questionário de saúde
Fonte: Moraes e Nakonechnyj (1990).3
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80 EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO
O questionário de saúde deve ser complementado com um exame físico sumário, composto
pela observação do biótipo do paciente, sinais sugestivos de patologias não relacionadas, e
registro dos sinais vitais básicos, como pressão arterial, freqüência cardíaca, temperatura e
freqüência