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Diagnostico por imagem

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animais, devido, principalmente, à grande variação entre espécies e, dentro destas, as 
características raciais. Por exemplo, a dificuldade dentro de uma mesma espécie é a 
diferença entre cães dolicocéfalos, mesocéfalos e braquicéfalos. 
Dolicocéfalos: nestes animais o diâmetro antero-posterior da cabeça é longo, 
deixando a impressão que a cabeça é estreita em relação ao comprimento. Ex.: Dobermann. 
Braquicéfalos: animais com esta característica possuem a cabeça achatada no 
sentido antero-posterior, deixando a impressão de que a cabeça é larga em relação ao 
comprimento. Ex.: Boxer e Bulldog. 
Mesocéfalos: são cães com a medida proporcional de largura e comprimento da 
cabeça, sendo intermediária em relação aos anteriores. Correspondem a aproximadamente 
75% das raças caninas. Ex.: Rottweiler e Labrador. 
O crânio dos felinos tem características uniformes em sua maioria, mas algumas 
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raças apresentam características braquicéfalicas, como os Persas, por exemplo. 
A cavidade nasal e os seios frontais são facilmente identificados pela sua 
radiolucência. Os ossos turbinados das conchas nasais conferem uma imagem trabeculada 
de linhas finas radiopacas no meio radiolucente normal, enquanto o septo nasal divide a 
cavidade em duas porções simétricas (esquerda e direita). Afecções relacionadas a esta 
região incluem um aumento de radiopacidade, alteração no padrão trabeculado e destruição 
ou proliferação óssea. As alterações mais comuns são os processos inflamatórios, 
infecciosos, hemorrágicos e tumorais, os quais diminuem a radiolucência da cavidade nasal, 
porém, não são diferenciáveis entre si radiograficamente. Radiografias nasais de boa 
qualidade ajudam a definir a localização e extensão das lesões. A projeção dorso-ventral 
com o filme intra-oral permite visualizar a região trabeculada da cavidade nasal sem 
interferência de sobreposição com a mandíbula. 
 
POSICIONAMENTOS 
 Para as incidências de maxila ou mandíbula com boca aberta e trans-orais, é 
necessário que os animais estejam anestesiados. 
Os posicionamentos principais são: 
 Dorso-ventral. 
 Ventro-dorsal. 
 Lateral: com a boca aberta ou fechada. 
 Obliquados. 
 Trans-oral com boca aberta para avaliar bulas timpânicas. 
 Skyline, para avaliar seios frontais. 
 
PREPARO 
 Sempre que possível limpar a região a ser radiografada, para evitar artefatos 
como sujidades ou pomadas iodadas. 
 Quando necessário se faz uso de sedação ou até anestesia geral. 
 
ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL (fig. 10.1 e fig. 10.2) 
 
 
Figura 10.1 – A- Imagem radiográfica normal em projeção lateral de crânio de cão. B- Projeção dorso-
ventral de crânio de cão. C- Projeção dorso-ventral de crânio de gato. 
 
A C B 
 78 
 
 Figura 10.2 – A- Imagem radiográfica em projeção ventro-dorsal com boca aberta evidenciando a 
cavidade nasal. B- Projeção Skyline demonstrando os seios frontais radiolucentes. 
 
ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS 
 
AFECÇÕES CONGÊNITAS 
 
HIDROCEFALIA 
Enfermidade congênita, podendo ser adquirida, a hidrocefalia (fig. 10.3) refere-se 
ao acúmulo de líquido na região do neurocrânio, por excesso de produção de líquido 
cérebro espinhal ou decréscimo na absorção do mesmo. Afeta principalmente raças toy, 
braquicéfalos e Beagles. Os principais sinais clínicos estão relacionados a estado mental 
alterado, com convulsões, deficiências visuais, disfunção motora e desenvolvimento 
retardado. 
Radiograficamente será observado aumento de radiopacidade e homogeneidade na 
região do neurocrânio, aumento do vértice craniano, adelgaçamento do osso e retardamento 
no fechamento das suturas ósseas. 
 
 
Figura 10.3 – Imagem radiográfica de hidrocefalia. Aumento da radiopacidade da região 
craniana de um cão. A- Projeção lateral. B- Projeção dorso-ventral. 
 
A B 
A B 
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AFECÇÕES TRAUMÁTICAS 
 
FRATURA 
As fraturas (fig. 10.4), quando grandes, são facilmente evidenciadas, porém, as 
pequenas, são de difícil observação, sobretudo na cabeça, pela sobreposição das estruturas. 
Em geral decorrem de traumas e quando se estendem à cavidade nasal ou seios frontais, 
podem provocar enfisema subcutâneo e / ou processos hemorrágicos. Várias incidências 
radiográficas podem ser necessárias para obtenção do diagnóstico. 
 
 
 Figura 10.4 – A- Fratura craniana em felino caracterizada por linha radiolucente (cabeça de seta). B-Projeção 
lateral com boca aberta em canino com fratura de ramo mandibular (seta). 
 
LUXAÇÃO 
A luxação, geralmente, resulta de traumatismo e caracteriza-se por uma 
instabilidade palpável da articulação, determinada por deslocamento entre as estruturas que 
se articilam. Na região do crânio e face observam-se luxações na articulação têmporo-
mandibular e na sínfise mandibular, podendo estar associadas a fraturas na mandíbula. 
A luxação da articulação têmporo-mandibular, caracteriza-se radiograficamente pelo 
afastamento do processo condilóide da mandíbula do seu local anatômico que é a fossa 
mandibular do osso temporal, podendo ser uni ou bilateral e ter deslocamento cranial, 
caudal ou lateral. 
 
CORPO ESTRANHO 
Corpos estranhos podem ser radiopacos ou radiolucentes. Os radiopacos são 
facilmente observados, como projéteis que apresentam densidade de metal. 
Os radiolucentes nem sempre são visíveis, mas, dependendo da localização, nas 
fossas nasais, por exemplo, podem ocasionar reação inflamatória e, neste caso, mostrar 
determinada área com aumento de radiopacidade, que poderá ser confundida com outras 
afecções. 
 
AFECÇÕES DE ORIGEM METABÓLICA E / OU NUTRICIONAL 
 
HIPERPARATIROIDISMO SECUNDÁRIO RENAL 
Também conhecido como Osteíte fibrosa renal, Raquitismo renal, Osteodistrofia 
renal ou Mandíbula de Borracha. Em animais velhos a causa principal é a doença renal 
A B 
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crônica, enquanto em cães jovens se deve às nefropatias congênitas, resultando em 
desmineralização óssea, primeiramente no crânio, afetando maxila e mandíbula que têm a 
radiopacidade diminuída. A desmineralização no restante do esqueleto, pode ocorrer, mas é 
mais lenta. 
Com o desenvolvimento da enfermidade, a mandíbula torna-se maleável, o que 
justifica a expressão “mandíbula de borracha”. Os dentes parecem soltos na radiografia 
devido à absorção da lâmina dura e a respiração pode estar dificultada devido ao colapso 
dos ossos da região das fossas nasais. 
 
ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E / OU INFECCIOSAS 
 
SINUSITE 
As projeções ventro-dorsal, lateral ou rostro-caudal permitem a avaliação dos seios 
frontais. Radiograficamente observa-se aumento de radiopacidade de um ou ambos os seios 
frontais. O diagnóstico diferencial de neoplasia deve ser considerado. 
 
ABSCESSO APICAL OU PERIAPICAL 
É uma afecção associada à raiz dentária que pode resultar de fraturas, cáries ou 
doença periodontal. Radiograficamente evidencia-se uma área de radiolucência 
circunscrita, típica também de processos infecciosos. Geralmente é progressiva, há 
reabsorção radicular, lise ou esclerose adjacente ao ápice do dente e aumento do espaço 
periodontal ao redor da raiz (halo radiolucente). Osteomielite (rarefação óssea) pode 
ocorrer nos ossos adjacentes. 
 
OSTEOMIELITE 
É uma lesão inflamatória e / ou infecciosa que pode ter origem traumática, cirúrgica 
ou hematógena. Radiograficamente evidencia-se áreas características de rarefação (lise) e 
esclerose óssea. 
 
OTITE 
O conduto auditivo e a bula timpânica são radiolucentes, mas nos casos de otite 
crônica, principalmente, as radiografias demonstrarão densidade radiológica aumentada 
nestas estruturas. A parede da bula poderá estar espessada.