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CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
151
CLÓVIS MARZOLA 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
“PRINCÍPIOS GERAIS E 
FUNDAMENTAIS DA 
CIRURGIA” 
 
 
 
 
 
 
 
 
Π 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
152
CAPÍTULO III 
 
PRINCÍPIOS GERAIS E 
FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA* 
 
INTRODUÇÃO 
 
 Para toda e qualquer intervenção cirúrgica, torna-se necessário 
observar os princípios gerais capazes de levá-la a um bom termo. A assepsia e a 
anti-sepsia do paciente e do operador, bem como a esterilização e a desinfecção, 
devem ser perfeitamente estudadas, para prevenir-se contra infecções tão 
desfavoráveis, para o inteiro sucesso das intervenções. 
 A seleção do material e instrumental para determinadas intervenções é 
importante, pois nada deverá faltar na mesa cirúrgica. O conhecimento de cada um 
(arsenal cirúrgico), assim como a maneira como devem ser empunhados e usados, 
também, é de grande importância para o bom andamento da intervenção, da mesma 
forma que o é sua disposição na mesa auxiliar, que facilitará grandemente seu 
manuseio, reduzindo assim a duração das intervenções. 
 A visualização do campo operatório, o conforto do paciente e o 
descanso do profissional durante a intervenção devem ser, igualmente, objeto de 
estudo detalhado, por estarem diretamente ligados ao sucesso da intervenção. 
 
 
1. ASSEPSIA, ANTI-SEPSIA, 
ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO 
 
 A intervenção cirúrgica compreende um conjunto de manobras 
realizadas pelo cirurgião, que constituem uma agressão aos tecidos vivos. Este 
traumatismo que se inicia com a incisão, produz uma quebra da continuidade dos 
tecidos, rompendo sua proteção natural mantida pelo epitélio, sendo expostos assim 
os tecidos internos ao meio ambiente. Se não forem tomadas precauções necessárias, 
esta região será facilmente invadida por microorganismos que normalmente ali já se 
encontram, bem como nos instrumentos usados. Como conseqüência desta invasão, 
o organismo deverá lutar contra mais este agente agressor, que muitas vezes 
acarretará infecções com complicações difíceis de serem combatidas. Num 
organismo debilitado a infecção poderá assumir proporções perigosas, sendo levada à 
corrente circulatória, com possibilidades de provocar bacteremia ou septicemia. 
 Com a finalidade de serem evitadas estas complicações, necessário se 
torna que todo o instrumental e material em contato com o campo operatório, bem 
como as mãos do operador, estejam isentos de microorganismos. 
 A pele, mucosa do paciente e mãos do operador devem ser objetos de 
cuidados especiais, pois cada centímetro quadrado contém aproximadamente dez mil 
bactérias de todos os tipos, destacando-se os estafilococos e os estreptococos. 
 
_____________________________________________ 
*AUTORES: 
 Prof. Dr. Clóvis Marzola 
 Prof. Dr. João Lopes Toledo Filho 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
153
 Além disso, o instrumental e material deverão ser preparados de tal 
maneira que não fiquem impregnados de partículas nocivas aos tecidos bucais, além 
de estarem, também, isentos de germes. Para serem seguidos rigorosamente estes 
preceitos, o conhecimento dos meios disponíveis e, como deverão ser empregados 
são imprescindíveis. Isto é possível através da assepsia, anti-sepsia, esterilização e 
desinfecção. 
 Surge então uma pergunta: 
 - Se há tantos microorganismos e, se existem tantas possibilidades de 
se infectar, como explicar que só alguns apresentam infecções ou doenças? 
 - Porque há sempre um equilíbrio entre resistência e infecção, há 
também, um equilíbrio entre a resistência do hospedeiro e a atividade patogênica de 
um microorganismo produzir a doença. 
 Nossa posição, portanto, não deve ser unicamente de expectativa nem 
a de deixar-se por conta do organismo a possibilidade de vencer ou não a luta contra 
os microorganismos. Existem meios para afastá-los e até eliminá-los e, quando 
assim se procede, executa-se uma desinfecção ou uma esterilização. 
 É importante lembrar que em qualquer ambiente cirúrgico: 
“Não somos os responsáveis pelos microorganismos que encontramos, 
mas o somos por aqueles que levamos”. 
 O uso de sulfas e antibióticos proporcionou extraordinários sucessos 
nos pós-operatórios, trazendo, entretanto um perigo, relacionado com o descuido na 
prática cotidiana dos métodos de esterilização, ou pelo menos o da atividade mais 
complacente de alguns profissionais, relativamente aos princípios rígidos da técnica 
da assepsia. Não se pode nem se deve transferir a responsabilidade de uma infecção 
após atos clínicos e cirúrgicos a determinado antibiótico, quando uma correta 
assepsia teria protegido melhor o paciente. 
 
TERMINOLOGIA 
 
 1. Assepsia é o conjunto de meios usados para impedir a penetração de 
microorganismos numa determinada área, constituindo-se assim no ideal de não 
infectar, sendo a base da cirurgia. 
 2. Asséptico é um meio isento de bactérias. As bactérias possuem a 
forma vegetativa que são encontradas na cavidade bucal e, mais facilmente 
eliminadas além dos esporos. São também encontradas as formas transitórias, 
adquiridas por contato e se aderem à pele, além das permanentes ou resistentes 
estáveis e resistentes normais. Biocida, que elimina as formas vegetativas 
bacterianas, esporos, fungos, bacilos, vírus lipídicos e não lipídicos. 
 3. Contaminação é o ato ou o efeito de contaminar-se, o contato 
preliminar entre o organismo vivo e o microorganismo. 
 4. Degermação é a remoção ou redução das bactérias da pele, seja por 
meio de ação ou limpeza mecânica através do uso de sabões, detergentes ou 
escovação, ou pela ação de agentes químicos. É aplicada sobre tecidos vivos, 
removendo a maior parte da flora microbiana transitória, com propriedades de 
umidificação, penetração, emulsificação e dispersão. 
 5. Descontaminação ou desinfecção prévia tem por objetivo proteger 
as pessoas que irão realizar a limpeza do material e instrumental. 
 6. Anti-sepsia é a inativação dos microorganismos, impedindo sua 
multiplicação, numa área de tecidos vivos na superfície do organismo. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
154
 7. Anti-sépticos são substâncias que destroem os microorganismos 
patogênicos em seres animados à temperatura ambiente. 
 8. Áreas críticas são os locais onde existe a possibilidade real de 
contaminação através de matéria orgânica. Devem passar pelo processo de 
desinfecção constantemente e, como exemplo estão as salas de cirurgia ou centros 
cirúrgicos, salas de hemodiálise, laboratórios de anatomia patológica e análises 
clínicas, etc. 
 9. Áreas semicríticas são os locais ocupados por pacientes portadores 
de doenças não infecciosas ou de baixa transmissibilidade e como exemplos estão as 
salas de recepção, corredores de clínicas ou de hospitais, etc. 
 10. Áreas não críticas são aqueles locais com acesso proibido a 
pacientes ou ainda edifícios abertos ao público, como o saguão de hotéis, bibliotecas, 
escritórios, aeroportos, etc. 
 11. Instrumental crítico são aqueles instrumentos que penetram nos 
tecidos subepiteliais, na corrente vascular e, outros órgãos isentos de flora 
microbiana própria, devendo estar necessariamente esterilizados, como as agulhas de 
sutura de anestesia, lâminas, curetas cirúrgicas e periodontais, etc. 
 12. Instrumental semicrítico são aqueles instrumentos que entram em 
contato com a mucosa íntegra, saliva e eventualmente o sangue. Devem ser 
esterilizados ou desinfetados e, como exemplo pode-se citar o porta-amalgama, as 
moldeiras, a seringa tríplice, brocas, etc. 
 13. Instrumental não crítico entra em contatoapenas com a pele 
íntegra e diretamente com o paciente, devendo ser desinfetado e isento de agentes de 
doenças infectos transmissíveis, podendo-se encontrar as alças de RX e refletores, 
botões de controle de comando, armários, telefones, termômetros, etc. 
 14. Esterilização é a liberação de objeto, superfície ou ambiente pela 
destruição de todos os microorganismos, patogênicos ou não, quer em forma 
vegetativa ou esporulada. 
 15. Esterilizante é o agente físico ou químico capaz de produzir a 
esterilização. 
 16. Fomites são objetos inanimados capazes de causarem infecção 
cruzada através do contágio indireto como as mesas auxiliares, telefones, canetas, 
alça do RX, refletores, etc. 
 17. Infecção representa a reprodução, multiplicação e 
desenvolvimento de microorganismos, em um organismo altamente desenvolvido. 
 18. Infecção cruzada significa que houve infecção pela transmissão 
de um microorganismo, de um organismo para outro susceptível, podendo-se dar por 
quatro maneiras: a) de pacientes para o pessoal odontológico; b) do pessoal 
odontológico para os pacientes; c) de paciente para paciente via pessoal odontológico 
e, d) de pacientes para pacientes via fomites. 
 19. Micróbios são seres unicelulares patogênicos capazes de causar 
doenças, podendo ser bactérias ou vírus. 
 20. Microorganismos são seres somente visualizados com auxílio do 
microscópico, sendo que os patogênicos são capazes de produzir uma infecção. 
 21. Vírus são seres que se multiplicam no interior das células vivas, e 
visualizados em microscópio eletrônico, podendo transmitir doenças como a hepatite 
B, AIDS, caxumba, herpes, etc. 
 22. Desinfecção é a destruição dos microorganismos patogênicos, 
eliminando-os de seres inanimados, matando as formas vegetativas sem atingir os 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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esporos, sendo realizada por meios físicos ou químicos, por ação bactericida ou 
bacteriostática. 
 23. Desinfetantes são substâncias que destroem os microorganismos 
patogênicos em seres inanimados à temperatura ambiente, desnaturando as proteínas 
celulares. 
 24. Equipamento de proteção individual (EPI) como gorro, máscara, 
óculos, luvas e aventais. 
 25. Esporos são bactérias que se protegem com um revestimento, ou 
cápsula protetora resistente, quando as condições do meio ambiente são 
desfavoráveis a elas, podendo resistir à ação de germicidas e alguns até a altas 
temperaturas. 
 Com todas estas definições e conceitos, pode-se concluir que não 
existe meio termo: “quase estéril” ou “parcialmente estéril”. Um objeto está ou não 
está estéril. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE 
ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO 
 
 Podem-se classificar os agentes esterilizantes e desinfetantes em três 
grupos de acordo com o processo de atuação dos mesmos: 1)Meios físicos, 2) Meios 
químicos e, Meios físico-químicos: gases. 
 1) Meios físicos: 
 1. O calor: Empregado na temperatura certa por tempo correto, 
constitui-se no mais importante esterilizante disponível, daí sua maior aplicação. 
Alguns fatores influem na esterilização pelo calor, como o tempo de exposição e, os 
fatores ligados diretamente aos microorganismos, como o número, o tipo na forma 
vegetativa ou esporulada, a idade por serem as células jovens aquelas mais 
vulneráveis. 
 Destes, a umidade é o principal fator influenciador na esterilização 
pelo calor, pois a presença ou a ausência desta umidade é que determinará a 
temperatura exata na qual os microorganismos serão inativados. A morte dos 
microorganismos ocorre quando há coagulação das proteínas bacterianas, no 
protoplasma das células vivas. Um exemplo básico da relação entre umidade e 
coagulação pode-se observar com a clara de ovo, na sua substância protéica: 
 Com 0 % de umidade a albumina se coagula a 160º / 170º C. 
 Com 6 % de umidade a albumina se coagula a 145º C. 
 Com 15% de umidade a albumina se coagula a 96º C. 
 Com 50% de umidade a albumina se coagula a 56º C. 
 Pode-se concluir assim que, quanto maior a umidade, menor a 
temperatura. 
 Existem dois tipos de utilização do calor-seco e úmido entre os 
métodos de esterilização pelo calor. Quando se utiliza o calor úmido pelo vapor, a 
ação esterilizante provém do calor latente liberado, quando ele se condensa sobre 
uma superfície atingida. No microorganismo sob a forma de esporo o vapor se 
condensa sobre sua parede, e sendo maior o conteúdo aquoso, pela hidrólise ele se 
desintegra. Quando se trabalha com o calor seco sem umidade, os microorganismos 
são mais resistentes ao calor, daí aumentar-se ou o tempo ou a temperatura de 
trabalho. Os microorganismos são destruídos quando ocorre a oxidação dos 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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constituintes celulares. Enfim, usam-se temperaturas muito altas, maiores do que 
aquelas necessárias para a coagulação das proteínas. 
 1.1 Calor úmido: 
 Pasteurização: 
• Este método, embora incluído como sendo de esterilização, é mais 
uma técnica de desinfecção, pois não destrói todas as formas vivas 
de microorganismos, em verdade elimina a maioria dos 
patogênicos. Assim, destroem microorganismos que contribuem 
para as doenças originários do leite, a brucelose, salmonelose, 
tuberculose e outras. Seu uso consiste no aquecimento a 63º C 
durante meia hora do material líquido, seguido de resfriamento 
rápido. Isto impede a multiplicação de microorganismos, que vem 
a ocorrer ao redor de 37º C que é a temperatura ótima. 
 Fervura: 
• Este método embora ainda utilizado, não oferece atualmente 
garantia de esterilização, por não destruir todos os 
microorganismos. Assim, as bactérias sob a forma de esporos 
(tétano, botulismo e gangrena) e os vírus da hepatite, resistem 
bem. Seria também este, mais um processo de desinfecção. 
• Uso: 100º C durante 30 minutos. 
• Desvantagens: Esta temperatura somente é alcançada ao nível do 
mar, o que já vem constituir uma limitação ao método, quando 
usado fora daquele nível. Como a temperatura de ebulição varia 
com a altitude, recomenda-se que este tempo deva ser aumentado 
20% em cada variação de 300 metros de altitude. Acarreta a 
oxidação, levando à corrosão de muitas peças. Depois da 
desinfecção, a possibilidade de contaminação é muito alta quando 
da retirada do material. 
• Observações: Deve-se observar imersão completa do objeto a ser 
fervido, para que ocorra um bom contato. A presença de bolhas 
de ar, gorduras, muco, sangue (soro), proteína impede um bom 
contato da água com o objeto. Portanto, o material deve estar 
sempre muito bem limpo. 
• O uso da água esterilizada é indicado em vez de água corrente, 
pois aquela evita a formação de depósitos de sais de cálcio no 
aparelho e no instrumental. 
• O acréscimo de 2% de carbonato de sódio reduz a ferrugem e 
destruição do corte; aumenta o poder germicida, servindo também 
para remoção de vestígios de material aderido ao instrumental, 
sendo que as borrachas e os vidros estragam-se. 
• A adição de detergentes catiônicos traz, da mesma forma, bons 
resultados. 
• Deve-se manter a tampa sempre bem fechada. 
 Vapor à pressão atmosférica: 
• Neste método emprega-se o esterilizador de Arnoud ou a própria 
autoclave com a válvula de escape aberta. 
• Uso: 100º C durante 30 minutos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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• Material: Aqueles que se alteram com temperatura maior que 100º 
C. A utilização deste método repetido durante três vezes 
sucessivas é chamada esterilização intermitente ou tyndallização. 
Os seguintes materiais podem passar por este processo: leite, 
soluções de açúcares, soro fisiológico. 
• Observação: Em relação às bactérias esporuladas contata-se o 
seguinte: inicialmente ocorredestruição das formas vegetativas e, 
caindo a temperatura, os esporos germinam. No segundo e 
terceiro aquecimentos há destruição das formas esporuladas. 
 Vapor saturado sobre pressão - autoclave: 
• O princípio físico aplicado à autoclave é o mesmo da marmita de 
Papin: água aquecida em recipiente fechado, ficando o vapor 
retido sob pressão, atingindo temperatura mais elevada que seu 
ponto de ebulição, sem entrar, contudo, em ebulição. Na 
autoclave, o que realmente esteriliza é o calor úmido, e não a 
pressão. 
• Como vantagem deste processo físico pode-se citar a alta 
eficiência, baixo custo, ser atóxico, prático e funciona como 
esporicida, podendo-se esterilizar materiais resistentes ao calor e 
umidade. O curto espaço de tempo para a esterilização, bom 
poder de penetração, e dependendo do seu tamanho comporta 
grande quantidade de material em seu interior. Seu princípio 
básico é a destruição dos microorganismos por coagulação 
irreversível das proteínas, e desnaturação de enzimas. São 
necessários para este tipo de esterilização quatro requisitos: a) 
vapor, b) pressão, c) tempo e d) temperatura. A temperatura ideal 
para a correta esterilização é de 15 a 30 minutos a 121º C, isto 
ainda dependendo do material e especificação do fabricante. 
• Vários são os modelos e tamanhos de autoclave: vertical e 
horizontal, sendo o horizontal usado para a esterilização de 
diversos tipos de materiais e, o vertical em laboratórios na 
esterilização de líquidos. A autoclave dispõe de válvulas de 
segurança, adaptadas ao orifício de escapamento do ar. É muito 
usada em laboratórios de bacteriologia e em hospitais, existindo 
tipos de autoclaves para esterilização de tecidos, campos, aventais, 
compressas de gaze em geral. 
• Este aparelho é constituído de uma câmara de vapor, que 
geralmente é produzido em caldeiras situadas a distância, e que 
por meio de outra válvula reguladora é admitido primeiramente à 
câmara externa, com a finalidade de aquecer a parede da câmara 
de esterilização e, a seguir, na câmara interna para a esterilização 
do material. O objeto da primeira operação é a condensação do 
vapor sobre a superfície interna da câmara ao ser admitida a ela 
num segundo tempo. A autoclave em geral é operada por um 
período de 30 minutos com pressão de vapor de 15 libras, que 
corresponde à temperatura de 121º C ou 250º F, sendo que esta 
temperatura deve ser regulada pelo termômetro e não pelo 
manômetro de pressão. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
158
• Este processo assegura a destruição de todos os microorganismos 
na sua forma vegetativa ou esporulada. Nos últimos anos as 
autoclaves vêm sendo aperfeiçoadas, estando munidas de um 
controle automático, capazes de realizar todas as operações sem a 
intervenção humana, desde que estejam ligadas e, regulado o 
alarme para avisar que a esterilização está concluída. 
• O controle eficaz da temperatura, como já foi citado 
anteriormente, deve ser guiado pelo termômetro que marca a 
temperatura interna, e quando esta temperatura é controlada pelo 
termômetro acoplado ao manômetro, leva a erros de esterilização. 
O mais comum é a não esterilização do ar residual, o ar retido no 
aparelho quando é fechada a autoclave. Quando é colocada em 
funcionamento surge a pressão do vapor do ar residual, 
observando-se no manômetro a pressão recomendada, quando na 
realidade a temperatura ideal para a esterilização ainda não foi 
atingida. Quando o ar residual não é eliminado, a temperatura da 
mistura (ar+vapor) será menor que a temperatura de vapor puro, 
contudo apresenta a mesma pressão. Esta mistura ar + vapor, tem 
também menor poder de penetração, sendo que o ar residual forma 
determinados bolsões, e principalmente na parte inferior é mais 
pesado, impedindo a esterilização correta do material colocado a 
esse nível. 
• Material: Todo material constituído de fibras vegetais, tecidos, 
gazes, algodão, cones absorventes, fios de sutura com água. 
• Líquidos. 
• Artigos de borracha. 
• Instrumentos. 
• Observações práticas: Quando se pretende a destruição dos 
microorganismos de um instrumental cirúrgico contaminado, 
devem ser colocados numa bandeja com detergente catiônico ou 
solução de fosfato trisódico até cobri-los, usando-se a autoclave. 
Após o tempo de esterilização, descarregando o vapor 
rapidamente, o instrumental está devidamente esterilizado e limpo. 
Assim, consegue-se que o encarregado da lavagem de 
equipamentos trabalhe com maior segurança, isto porque na 
grande maioria dos ambientes hospitalares o instrumental sofre 
primeiro uma limpeza pelo encarregado e, em seguida, é que será 
esterilizado. A seqüência lógica é a seguinte: a) instrumental 
contaminado; b) esterilização + detergente; c) limpeza; d) 
esterilização. 
• A autoclave é menos nociva que a fervura para o instrumental. 
• Pacotes deverão sempre ser mantidos em posição vertical, não 
devendo ser muito grandes. 
• O instrumental para a autoclavagem nunca deverá ser lubrificado, 
mas sim muito bem limpo. 
• Tambores devem ser colocados e mantidos na horizontal, com 
musselina envolvendo todo o material como gaze e algodão, com 
os orifícios laterais abertos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
159
• Se os líquidos estiverem contidos em frascos muito grandes, sua 
porção central não é esterilizada. 
• Para o uso de cubas: num recipiente fechado de metal, que não 
permita a passagem de vapor, ele não entra em contato com o 
material, não cedendo seu calor latente, e em conseqüência nada é 
esterilizado. Pode-se, portanto deduzir que o material esterilizado 
em cubas é quanto muito desinfetado, pois na verdade o processo 
é suficiente apenas para destruir a maioria dos microorganismos 
patogênicos, mas não todos. 
1.2 Calor seco: 
 Incineração: 
• Uso: Carbonização do material infectante. 
• Material: Gaze, algodão, guardanapos, campos, animais 
inoculados com microorganismos patogênicos, fragmentos de 
tecidos ou órgão. 
• Observação: O material deve ser envolvido em papel-jornal, pois 
além de absorver umidade, protege o encarregado de sua 
manipulação. 
 Incandescência: 
• Uso: Aquecimento ao rubro. 
• Material: Alça de platina que na clínica não tem muita aplicação. 
A esterilização pelo calor seco propriamente dita compreende 
duas formas: a) flambagem e, b) ar quente. 
 Flambagem: 
• É o meio mais simples de esterilização de instrumental, que deve 
ser aquecido diretamente ao rubro no bico de Bunsen. Na técnica 
bacteriológica, utiliza-se para esterilizar a alça de platina, pipeta, 
brocas e, tubos de balões em que se faz semeadura. Usar de 
preferência a chama azulada que possui maior temperatura, sendo 
mais prática. É contra-indicado flambar agulhas hipodérmicas ou 
qualquer outro tipo de agulha com finalidade de esterilizar, visto 
que na luz da agulha não pode ser obtida a temperatura 
esterilizante. 
 Ar quente - estufa ou forno de Pasteur: 
• O forno de Pasteur leva o nome do próprio autor. É um recipiente 
retangular de paredes duplas e internamente revestidas de amianto, 
sendo aquecido por uma coroa de bicos de gás ou eletricidade. 
Em seu interior existem prateleiras móveis, sendo que na sua parte 
superior há orifícios para a ventilação, além de outro orifício em 
que é colocado termômetro graduado até 200º C. 
• O material aqui colocado será esterilizado a 160-180º C, durante 1 
hora. O papel que protege o material ou instrumental, além de 
tampões de algodão, adquirem coloração parda, contudo não 
devem escurecer muito nem se tornarem quebradiços. Deixa-se 
esfriar por si antes de retirá-lo, pois a abertura do forno ainda 
quente provoca grande variação da temperatura dentro da própria 
estufa, podendo com istotornar o material quebradiço, ou mesmo 
quebrá-lo. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
160
• O método da estufa é eficaz, entretanto exige cuidadosa 
fiscalização, por variar muito a temperatura dentro da própria 
estufa, de um ponto para outro. 
• As estufas aquecidas a gás são talvez menos satisfatórias e, 
mesmo as elétricas só funcionam adequadamente quando providas 
de um ventilador para fazer circular o ar quente. O mecanismo 
deste tipo de esterilização dá-se pela oxidação de células secas. O 
uso do vapor seco limita-se à esterilização de material ou 
instrumental incapaz de restituição corrosiva ou hidrolizadora do 
calor úmido, tais como instrumentos cortantes, seringas e produtos 
anidros como a glicerina, óleos, etc. 
• Vantagens: Material em que o vapor não penetra. Material em que 
a umidade é nociva. Para instrumental cortante. 
• Desvantagens: Lenta penetração do calor. Tempo mais longo. Alta 
temperatura que às vezes é nociva. 
• Observação: A 160º C não prejudica o fio de determinados 
instrumentos. O calor seco é usado para a esterilização dos 
seguintes materiais: 
• Agulhas hipodérmicas: a 160º C durante 120 minutos, podendo ser 
colocadas em tubos especiais. 
• Agulhas de sutura: a 160º C durante 60 minutos, sendo as agulhas 
esfriadas em gaze enrolando-se em musselina. 
• Gaze vaselinada: a 160º C durante 150 minutos, com quantidade 
limitada a 20 tiras de 5 x 20 m e não mais de 120 g de vaselina, 
em caixas para sonda de 6,5 x 20 x 3 c/c. 
• Glicerina: a 170º C durante 60 minutos, com uma quantidade 
limitada a uma camada de 6 a7 mm, aproximadamente 30 c/c, em 
balão de Erlemeyer de 200 c/c. 
• Instrumentos com bordas cortantes: a 160º C durante 60 minutos, 
sendo que o instrumental deve ser limpo e livre de óleo ou 
gordura, e colocado em caixas metálicas abertas ou em bandejas. 
• Óleo: a 170º C durante 60 minutos a 160 - 120º C, sendo que a 
quantidade deve ser limitada a uma camada de 60 mm 
(aproximadamente 30 c/c), em balão de Erlemeyer de 200 c/c. 
Peróxido de zinco: a 140º C durante 4 horas. Para aplicação 
clínica a quantidade deve ser limitada a 15 ou 20 g em recipiente 
adequado. 
• Pós (sulfanilamida, sulfapiridina e sulfatiazol): a 170-160º C 
durante 4 horas. Quantidade limitada a uma camada de 6 a 7 mm 
(aproximadamente 30 g) em placa de Petri, pote para pomada ou 
outro aparato semelhante. 
• Seringas (em pacotes): a 160º C durante 60 minutos. As seringas 
devem ser desmontadas e enroladas em musselina. Agulhas 
enfiadas num pedaço de gaze podem ser incluídas no pacote. 
• Sulfas em pó: a 140º C durante 3 horas. Quantidade limitada a 4 
ou 5 g em envelopes de paredes duplas, ou em tubos de ensaio 
fechados com algodão. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
161
• Vaselina líquida: a 170º C durante 60 minutos, e 160º C durante 
120 minutos. A quantidade deve ser limitada a uma camada de 6 
a 7 mm (aproximadamente 30 c/c) em balão de Erlemeyer. 
• Vaselina sólida: a 170º C durante 60 minutos e, 160º C durante 
120 minutos. A quantidade de ser limitada a uma camada de 60 
mm (aproximadamente 30 c/c) em placa de Petri ou outra vasilha 
semelhante (pirex ou tampa). 
• Vidraria: a 160º C durante 60 minutos. As peças devem estar 
limpas e livres de óleo ou gordura. 
• Algumas sugestões: Para proteger de contaminação pós-
esterilização o material ou instrumental que vai ao forno, um 
ótimo recurso é envolvê-lo com papel Kraft. Convém marcar o 
dia da esterilização e o nome do instrumento. As seringas podem 
ser esterilizadas com o êmbolo em seu interior envoltas em papel 
Kraft. A esterilização das agulhas se faz interiormente nos tubos 
de ensaio pequenos, com ou sem algodão no fundo, protegendo-as 
com um tubo de plástico pequeno e transparente. 
 1.3 Filtração: velas, filtros de asbestos e membranas filtrantes: 
 1.4 Radiação tipo não ionizante: raios ultravioletas e 
infravermelhos: 
 1.5 Radiação ionizante: raios gama e elétrons de alta energia: 
• A esterilização é realizada em temperatura ambiente, pela ação 
dos raios gama e/ou cobalto 60. Artigos para a implantodontia são 
exemplos de materiais esterilizados por este processo. A maior 
desvantagem é o alto custo. 
 2) Meios químicos: 
• O termo “estéril” não deve ser empregado para designar o 
resultado da ação dos agentes químicos, pois na prática não há 
destruição de todos os germes. A designação correta seria 
“desinfecção química” e, não “esterilização química”. Os 
desinfetantes químicos de uso prático não destroem todos os 
esporos bacterianos, incluindo os patogênicos. Entretanto, na 
literatura especializada, encontram-se já alguns desinfetantes que 
são classificados como esporicidas. Entre eles, destaca-se a 
solução aquosa ativada de glutaraldeído a 2% (Cidex da Johnson 
& Johnson). 
• Mecanismo de ação: Os agentes químicos são em sua grande 
maioria venenos protoplasmáticos, causando, a desnaturação das 
proteínas; hidrólise; formação de sais insolúveis com proteínas; 
oxidação; aumento de permeabilidade; bloqueio de enzimas; 
formação de potencial de oxi-redução inadequada. 
• Qualidades do agente químico: O agente químico ideal seria 
aquele que apresentasse as seguintes propriedades: 1. Ação 
antimicrobiana de largo espectro, tanto in vitro, como in vivo. 2. 
Atuação rápida em fracas concentrações. 3. Não inibir defesas 
naturais do hospedeiro. 4. Não ter sua ação inibida pela presença 
de soro, pus ou muco. 5. Ser ativo à temperatura e pH normais. 6. 
Não ser corrosivo. 7. Ser insípido e inodoro. 8. Ser solúvel em 
água. 9. Ser quimicamente estável. 10. Ser econômico. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
162
• Fatores que interferem na desinfecção química: Contato - limpeza. 
Poder de contato - poder umectante - tensão superficial. 
Concentração - material a seco. Tempo. Temperatura. pH. Matéria 
orgânica. Número de organismos. 
 Agentes químicos mais usados na prática: 
 2.1 Álcoois: Etílico, isopropílico, triclorobutanol: 
• Na concentração de 70 ou 77% são germicidas tendo pouca ação 
residual evaporando rapidamente. São bactericidas eliminando as 
formas vegetativas. Têm ação fungicida e virucida para alguns 
vírus, além de ser cáustico, irritando e ressecando a pele. Na 
presença de matérias orgânicas são inativados. A concentração 
oficial como anti-séptico é a de 70% peso/volume ou 77º GL 
(v/v). Para observação desta concentração utiliza-se o alcoômetro. 
Para serem feitas diluições dos álcoois, é necessário conhecer sua 
concentração em peso. O alcoômetro indica apenas a 
concentração do álcool em volume. Como explicar a não-infecção 
da pele em maior escala, se a maioria dos profissionais emprega o 
álcool 96 GL na anti-sepsia ? - A não-infecção deve-se mais à 
resistência do indivíduo (a pele), do que à ação do álcool 96 GL 
ou 42 Cartier. Na literatura especializada há trabalhos 
demonstrando que a fricção com gaze embebida em álcool a 70 
GL corresponde a seis minutos de escovação. Outros ainda 
afirmam que a fricção de gaze durante 3 minutos com as mãos e 
antebraços imersos em álcool a 70 GL reduz 97% da flora 
bacteriana. 
• Observação: o álcool não atua sobre os esporos. 
 2.2 Aldeídos: 
Formaldeído, formol e glutaraldeído: 
• O formaldeído é eficaz na eliminação de bactérias, fungos e 
vírus, sendo um potente germicida, entretanto é tóxico aos tecidos 
em concentrações ideais (8% em álcool e 10% em solução 
aquosa), podendo provocar dermatite e reações alérgicas. Sua 
ação é lenta, sendo que o tempo preconizado para produzir uma 
desinfecção é de 30 minutos, e a partir de 18 horas é também 
esporicida. É um produto volátil, desprendendo odor e gases 
irritantes.Para alguns metais é corrosivo. É encontrado em forma 
de pastilhas, sendo, entretanto inadequadas como desinfetantes. 
Pode-se citar como exemplo o Germekil. 
• O formol é irritante para pele e mucosa e sua ação está 
diretamente relacionada à umidade relativa. Assim, na sua forma 
em tabletes, deve ser empregado em ambientes fechados com a 
temperatura mínima de 60º C e, umidade maior que 60% num 
tempo maior que 20 horas. Todo material desinfetado por esta 
substância deve ser lavado anteriormente ao seu uso, com água 
esterilizada ou esperar que a substância evapore-se (exemplo os 
fios de sutura). 
• O glutaraldeído comparado com o formaldeído, sua potência é de 
2 a 8 vezes superior. Quando usado por mais de 12 horas tem o 
poder de esterilização, mas normalmente é utilizado por 30 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
163
minutos, sendo apenas um desinfetante. Algumas embalagens 
segundo o fabricante, podem permanecer por até 28 dias. Na 
presença de matéria orgânica, não sofre qualquer alteração. 
Podem-se desinfetar as peças de mão que não são autoclaváveis. 
Após a imersão do instrumental obedecendo ao tempo 
preconizado procede-se à limpeza dos mesmos com água 
esterilizada ou soro fisiológico, pois pode irritar a pele e a mucosa. 
Como exemplo pode-se encontrar o Cidex e o Glutarex. 
Normalmente estes produtos têm uma alta atividade germicida, 
não sendo corrosivos. É muito eficaz contra quase todos os 
microorganismos e entre eles o HBV e HIV. Alguns exemplos de 
materiais que podem passar por este processo estão o enxerto de 
acrílico, cateteres e, tubos de borracha. 
 2.3 Halogênicos: 
• Cloro: ou hipoclorito de sódio ou o líquido de Dakin, é um 
potente germicida e, de baixo custo e seu uso contínuo é irritante 
para a pele. São considerados agentes alvejantes e, dissolvem a 
matéria orgânica como os coágulos sangüíneo e material 
necrótico, contudo têm um poder reduzido na presença destes. 
Além de serem irritantes para a pele, são corrosivos para os 
metais, provocam a descoloração de tecidos, são instáveis, 
devendo-se assim proteger o frasco da luz solar e do calor. 
Normalmente são utilizados nas concentrações de 0,5% e de 1,0%. 
Os nomes comerciais são: Líquido de Dakin 0,5%, Solução de 
Milton 1,0% e Virucid a 1,0%. Têm ação sobre o vírus da AIDS. 
Sua diluição deve ser efetuada no momento de sua utilização, daí 
um dos inconvenientes. Ele inativa o vírus HIV em 5 minutos e o 
Micobacterium tuberculosis em 30 minutos. 
• Iodo: É bactericida, tuberculicida, fungicida e, também para 
alguns vírus. Alguns autores preconizam a remoção parcial do 
PVPI para aumentar sua ação residual. São produtos de baixa 
toxicidade, podendo reduzir em até 85% da população bacteriana 
existente. Na presença de matéria orgânica têm sua eficiência 
reduzida. Aplicações repetidas podem ocasionar uma dermatite de 
contato, podendo manchar e corroer certos instrumentos. Como 
exemplo pode-se encontrar o PVPI tópico e o Povidine tópico. 
• Solução aquosa ou alcoólica de iodo - a tintura: É mais 
penetrante, mas também mais irritante, não devendo ser usada em 
pessoas sensíveis. 
 2.4 Agentes ativos em superfície: 
Compostos aniônicos, catiônicos e, aniônicos anfolíticos: 
• Os compostos aniônicos liberam ions com carga negativa. 
• Os compostos catiônicos são bactericidas para bactérias gram 
positivas e negativas, não eliminando o bacilo da tuberculose, 
vírus e esporos. Também são inativados na presença de matéria 
orgânica. Como exemplo pode-se encontrar no mercado o 
Germekil, e sua ação consiste em liberar ions com cargas 
positivas. 
• Os compostos não iônicos não se dissolvem em solução aquosa. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
164
 2.5 Fenóis: 
Ácido carbórico, cresóis, xilóis, clorofenóis, cloroxilenóis, bifenóis: 
• São os clorofenóis, ácido carbórico e os xilóis. O hexaclorofeno 
3% é bacteriostático, atuando contra as bactérias gram positivas, 
tendo baixa atividade na presença de matéria orgânica. São 
encontrados no mercado com o nome de Sabofen e Duplofen. A 
clorexidina 4% tem ação prolongada e rápida, sendo bactericida 
para bactérias gram positivas e negativas, mas ineficaz para o 
bacilo da tuberculose, esporos e vírus da hepatite. É de baixa 
toxicidade perdendo parte de sua eficiência na presença de matéria 
orgânica e, como exemplo encontra-se o Clorohex. 
 2.6 Corantes: 
Anilina, compostos de acridina - violeta genciana: 
 2.7 Sais metálicos: 
Mercuriais, cobre e, prata: 
• Podem ser citados o mertiolate e o mercúrio cromo, que são 
germicidas fracos, não devendo ser usados para a desinfecção de 
instrumentos. 
 2.8 Detergentes enzimáticos: 
• São compostos que têm a propriedade de se localizarem na 
interfase. São agentes tensoativos e, estas substâncias apresentam 
um grupo solúvel em gordura e, outro grupo solúvel em água. Os 
detergentes enzimáticos de última geração apresentam em suas 
fórmulas enzimas, facilitando a remoção de sujidade como 
gorduras e matéria orgânica. No mercado podem ser encontrados 
com o nome de Endozime. 
 3. Meios físico-químicos: 
 3.1 gás de óxido de etileno (ETO): 
• Muito embora haja sido descoberto em 1950 por Saul Raye, 
somente nestes últimos anos sua utilização tem sido mais intensa. 
É o mais aceitável e eficaz agente esterilizante de todos os 
procedimentos de esterilização. Atua sobre numerosos aparelhos, 
substâncias e até mesmo em certos instrumentos que com outros 
métodos poderiam ser danificados, como por exemplo, os 
plásticos em geral. Sua maior desvantagem é o alto custo, 
devendo ser utilizado para artigos que não podem ser 
autoclavados. Como vantagens pode-se citar que é um método 
que não necessita altas temperaturas tendo grande poder de 
penetração, matando todas as bactérias. Suas características 
principais podem ser constatadas como sendo uma substância 
incolor, inflamável e explosiva, e por esta razão o perigo de 
explosão e de fogo, contudo este produto afeta a camada de 
ozônio, sendo sua comercialização proibida. A atividade 
antimicrobiana do ETO resulta da substituição dos átomos de 
hidrogênio por um grupo alquila de proteínas, o DNA e o RNA, 
impedindo o metabolismo e a replicação das células. Sua ação 
depende da concentração do gás, temperatura, umidade e tempo de 
exposição. O ideal é ter-se de 450 a 1200 mg/l, de 29º C a 65º C e 
de 2 a 5 horas. Entre os materiais que podem sofrer este processo 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
165
estão: marcapasso, próteses, equipamentos de hemodinâmica, 
acessórios de respiradores, etc. É necessário após a esterilização 
com o ETO, de um tempo mínimo de arejamento, sendo de 6 
horas para as borrachas e materiais plásticos finos; de 24 horas 
para borrachas e materiais plásticos grossos; de 4 dias para marca-
passos internos; de 7 dias para luvas, cateteres e outros materiais 
em invólucros plásticos e de 7 horas para qualquer tubo utilizado 
em cirurgia cardíaca. Enfim, o maior risco na esterilização pelo 
ETO é a aeração inadequada. 
 3.2 formaldeído: 
• Já foi explicado no 2.2 entre os aldeídos. 
 
SOLUÇÕES DESINFETANTES E AGENTES ESTERILIZANTES 
MAIS UTILIZADAS NA PRÁTICA 
 
• Dermoiodine ou povidine degermante: é uma solução detergente 
à base de iodo ativo, cujo veículo é o PVPI a 10% ou seja, 
polivinilpirolidona. Sua ação é por contato, sendo que após 
mergulhar as mãos na solução ou após friccioná-la na pele do 
paciente, deve-se deixar em contato por dois minutos antes de 
enxugá-la com toalha estéril. 
• Dermoiodine ou povidine tópico: sendo a base a mesma que o 
anterior, somente sendo modificada a ação emoliente ou 
degermante para atintura, em que a substância cora as mucosas, 
por pequeno período de tempo. Não se dissolve facilmente na 
presença de água e outros líquidos. É utilizado para a anti-sepsia 
das mucosas. 
• Sterylderme: é um anti-séptico concentrado, incolor e 
tensoativos, sendo usado na anti-sepsia pré-operatória das mãos e 
braços do cirurgião. Para isto deve-se diluir 10 c/c em 1 litro de 
álcool e imergir os braços e mãos na solução ou espalhar sobre a 
pele, deixando-se em seguida secar. É germicida para material 
não metálico como borrachas, plásticos e vidros após diluição de 
10 c/c em 1 litro de água. 
• Soapex com HTC o hexaclorofeno e triclorocarbalinídica é um 
sabonete anti-séptico e detergente, sendo usado na anti-sepsia das 
mãos e braços, molhando-se a pele, usando-se como sabonete 
comum por 2 minutos e em seguida enxugar. 
• Marcus 88 é um desincrostante do material cirúrgico, quando 
principalmente sangue, pus e muco, não são facilmente 
despregados e dispensados. É usado para a limpeza do 
instrumental cirúrgico, agulhas, plásticos, seringas, vidraria e 
borrachas, com uma colher-medida de Marco 88 em 1 litro 
d’água. 
• Cidex é uma solução aquosa de dialdeído ativado de ação rápida, 
não corrosiva, não manchando e, além de inibir a ferrugem tem 
ação desinfetante e esterilizante, sendo usado para instrumentos e 
utensílios médico-cirúrgicos. Sua ação é esporicida, tuberculicida, 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
166
virucida, bactericida, fungicida e pseudomonácida. A desinfecção 
ocorre em 10 minutos, matando todos os germes patogênicos nas 
formas negativas, inclusive o Mycobacterium tuberculosis e a 
Pseudomona aeroginosa. Sua utilização promove a esterilização 
em 10 horas no mínimo, matando assim todas as formas 
esporuladas patogênicas. 
• Duo-cide é um desinfetante, desodorizante, detergente e 
germicida. É um germicida para o chão, paredes, corredores, 
banheiros, vidros de janelas, etc. utilizando-se duas colheres de 
sopa de Duo-cide em um litro d’água, aplicando-o com pano ou 
esponja. Máscaras cirúrgicas, gorros e aventais devem ser 
mergulhados na solução por 10 minutos. 
• Germ pol, foi especialmente formulado para desinfetar todas as 
dependências dos hospitais e sanatórios para tuberculosos. 
 
ANTI-SEPSIA DAS MÃOS DO OPERADOR 
 
 Esta manobra requer grande esmero, pois a destruição dos germes 
nelas, é um problema muito difícil. De um lado, a escovação e desinfetantes 
poderosos provocarão irritações. Por outro lado, deve-se levar em conta, que os 
germes alojam-se nos interstícios da pele protegidos pela camada cutânea e, somente 
por meio de uma ótima anti-sepsia, lavação e escovação se conseguirá sua remoção. 
 As mãos e antebraço devem obrigatoriamente passar por um processo 
de degermação e anti-sepsia antes de qualquer procedimento, quer cirúrgico ou não. 
 A forma mais indicada para se efetuar corretamente este passo, e 
assim ter-se maior segurança na cirurgia, é a lavação acompanhada da escovação. 
Com sabonetes normais removem-se as bactérias transitórias e, com sabonetes 
específicos aquelas permanentes ou resistentes, sendo estas compostas por 
microorganismos que vivem e multiplicam-se na própria pele sendo de baixa 
virulência, e dificilmente causam uma infecção. As transitórias são passageiras e 
seus microorganismos são mais facilmente removidos, como os Staphilococcus 
epidermie e o aureus. 
 Os anti-sépticos aplicados na pele e mucosa classificam-se em dois 
tipos: 
• Os detergentes ou degermantes que têm como função remover 
detritos e impurezas sendo encontrados com os nomes comerciais 
de PVPI a 10% (1% de iodo ativo) e a Clorexidina a 4% (com 4% 
de álcool etílico) para aqueles casos em que existe alergia pelo 
iodo. 
• As soluções alcoólicas. 
 Os produtos indicados para a anti-sepsia das mãos e antebraços não 
devem irritar nem manchar a pele, sendo que a técnica preconiza os seguintes passos: 
• Remover todos os adornos de dedos, mãos, pulsos e antebraços. 
• Equipar-se com os EPIs. 
• Molhar os dedos, mãos, antebraços e cotovelos. 
• Submeter as superfícies aos produtos anti-sépticos. 
• Escovar com auxílio de uma escova de cerdas macias todas as 
regiões citadas, iniciando pelas unhas indo a direção ao cotovelo. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
167
Lembrar que não se deve voltar a escova para áreas que já 
sofreram a anti-sepsia. 
• Enxaguar com água corrente todas as superfícies escovadas de 
forma que a água escorra da ponta dos dedos em direção ao 
cotovelo. 
• Secar com campo ou papel toalha esterilizados. 
• Vestir avental cirúrgico. 
• Calçar luvas esterilizadas. 
 Deve-se sempre dar preferência aos papéis toalhas de cor branca, pois 
sua qualidade é superior àqueles de cor parda. 
 
Quadro III. I - Potência germicida de alguns anti-sépticos (PRICE, 1957). 
 
 
Porcentagem de redução da flora bacteriana de mãos e antebraço, 
120 segundos após sua aplicação: 
 
 
 Tintura de iodo a 7% 99,0% após 30’’ 
 Iodo a 2% em álcool a 77% v/v 97,5% 
 Iodo a 5% em água (solução de lugol) 98,5% 
 Iodo a 1% em álcool a 77% v/v 95,0% 
 Álcool a 77% v/v 90,0% 
 Nitromersol (Metafen) a 1:2000 (em álcool e acetona) 70,0% 
 Álcool a 50% p/v - acetona a 10% 54,0% 
 Merbromino (Mercurocromo) 1:50 (em álcool e acetona) 50,0% 
 Nitromersol (Metafen) 1:500 (em água) 40,0% 
 Cloreto de mercúrio (em álcool e acetona) .35,0% 
 Timersol (Mertiolate) 1:1000 (em álcool e acetona) 30,0% 
 Nitromersol (Metafen) 1:2500 (em água) 30,0% 
 Cloreto de mercúrio 1:1000 (em água) 20,0% 
 Timersol (Mertiolate) 1:1000 (em água) 18,0% 
 Sabão e água 10,0% 
 
 
 
LAVAÇÃO E ESCOVAÇÃO DAS MÃOS 
E DOS ANTEBRAÇOS 
 
 
 Após a devida paramentação, já estando com gorro, máscara e óculos 
de proteção, deve-se passar para a lavação e anti-sepsia dos antebraços e das mãos. 
Para que isto ocorra de maneira efetiva, as unhas devem estar sempre bem aparadas, 
devendo ser removidos todos os anéis, assim como pulseiras, relógios e outros 
objetos que possam interferir na realização adequada deste importante ato pré-
operatório. 
 Costuma-se dividir para isto o antebraço e as mãos em 3 terços, onde 
o nível de infecção aumenta, quando se caminha para a extremidade (mãos e dedos) 
(Fig. III. 1). 
 A partir desta divisão, existem duas técnicas de escovação: a primeira 
inicia-se pela área considerada como menos contaminada, caminhando-se 
progressivamente até atingir as unhas. Na outra ocorre exatamente o inverso. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
168
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 1 - O nível de infecção aumenta no sentido inferior (C para A). 
 
 Inicialmente deve-se promover ensaboamento abundante das mãos e 
dos antebraços com sabão de coco e, em seguida com uma escova de cerdas macias, 
estéril ou mergulhada em solução bactericida, inicia-se a seqüência da escovação 
(Fig. III. 2). 
 A técnica consiste nos seguintes passos: 
• Escovar as unhas da mão. 
• Escovar a palma da mão e dos dedos. 
• Escovar o dorso da mão e dos dedos. 
• Escovar o antebraço até o cotovelo. 
• Remover completamente o sabão, deixando escorrer a água pelo 
cotovelo. 
• Enxugar as mãos com toalha esterilizada. 
 A escova utilizada deve ficar na pia sendo recolhida pelos 
funcionários da clínica e, na necessidade de repetição da manobra, será necessário 
utilizar outra escova desinfetada. 
 Antes de enxugar as mãos, o profissional deverá passá-las numa 
solução de Dermoiodine ou Povidine degermante. 
 Completada a seqüência da escovação das mãos e antebraços, deve-se 
mantê-los numa posiçãotal, que as mãos fiquem num nível mais alto que os 
cotovelos. 
 Deve-se enxaguar as mãos em água corrente, de tal maneira que venha 
a escorrer para os cotovelos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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Fig. III. 2 – Escovação enérgica em água corrente da ponta dos dedos e das unhas e ao redor delas. 
 
O ato de calçar as luvas segue o seguinte ritual (Fig. III. 3): 
• As luvas são apresentadas com as faces palmares voltadas para 
cima e com os punhos dobrados para fora, a fim de serem 
apanhadas sem tocar-lhes a face externa. 
• Ajeita-se a abertura da luva esquerda e os quatro últimos dedos 
penetram no interior da luva. 
• Após a introdução dos 4 últimos dedos nas suas respectivas 
aberturas, penetra-se com o polegar. 
• Os dedos são aprofundados até ficarem nos seus respectivos 
lugares. 
• Com a mão esquerda já enluvada, se pega com a mão direita na 
dobra da luva direita. 
• Os dedos da mão esquerda são introduzidos na dobra do punho e a 
face palmar externa da luva direita é apresentada para a introdução 
da mão direita. Notar o contato de luva com luva. A mão não 
pode contaminar a parte externa das luvas. 
• Os 4 últimos dedos da mão direita nas respectivas aberturas. 
• A mão direita já enluvada, notando-se o contato de luva com luva. 
• Apoiam-se os dedos da mão esquerda na dobra da luva direita a 
fim de tracioná-la sobre os punhos do avental, em toda a volta. 
• Mão e punho direitos completamente enluvados. 
• Apoiam-se os quatro dedos da mão direita na dobra da luva 
esquerda. Traciona-se e aplica-se a luva sobre os punhos do 
avental, em toda a volta. 
• Ambas as mãos e punhos enluvados, não deixando qualquer parte 
do punho do avental para fora. 
 CLÓVIS MARZOLA 
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PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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B 
A 
Fig. III. 3 – (A e B) Aspectos parciais de como se coloca uma luva cirúrgica. 
 
 Do mesmo modo que se dá muita importância ao ato de calçar as luvas 
com técnica, torna-se necessário também, descalçá-las de maneira correta, pois a 
contaminação da luva poderá ser passada para o cirurgião ao final da cirurgia, através 
do contato com a luva contaminada (Fig. III. 4). 
 O problema da assepsia e anti-sepsia do paciente é também muito 
importante, por ser a cavidade bucal meio altamente contaminado. Aconselha-se 
fazer assepsia extra-oral com solução de Povidine ou Dermoiodine degermante da 
seguinte maneira: 
• Com gaze passa-se inicialmente a solução por toda a região da 
cavidade bucal extra-oralmente e, em seguida, repete-se a 
manobra de modo centrífugo. 
• A anti-sepsia intra-oral é realizada passando-se gaze embebida 
numa solução de Dermoiodine ou Povidine tópico em toda a 
cavidade bucal. 
 
 Desta maneira, o profissional estará em condições de iniciar a 
intervenção cirúrgica. 
 Para o paciente aconselha-se ainda o emprego de campos autoclavados 
na região do tórax, por ser o local em que o profissional está mais em contato com o 
paciente. Dependendo do caso, sendo também essencial, o profissional deverá 
colocar um turbante no paciente ou ainda o campo perfurado (Fig. III. 5). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
171
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 4 – Seqüência de retirada de luva sem comprometer a pele do cirurgião. 
 
 
 
 
B 
 
 
 A 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 5 – (A) Anti-sepsia do paciente extra e intrabucal (B) e o paciente devidamente preparado 
para as manobras cirúrgicas. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
172
MONITORAÇÃO DA ESTERILIZAÇÃO 
 
 O controle da eficácia dos métodos de esterilização e desinfecção deve 
ser monitorado seguidamente por meio de indicadores biológicos, químicos ou 
físicos. Um correto acondicionamento e armazenamento dos artigos, o controle dos 
equipamentos utilizados e, o uso correto dos agentes e meios da esterilização e 
desinfecção, também é de fundamental importância para se obter o sucesso nos 
tratamentos médicos e odontológicos. 
 Três são os processos utilizados: 
• Método físico: realizado a partir da observação física da 
temperatura, pressão e outros parâmetros. 
• Método químico, quando há mudança de cor de indicadores 
corados com tinta termosensível. 
• Método biológico que é o mais eficiente indicando se os esporos 
foram eliminados. Para o processo de esterilização que se 
preconiza o calor seco e o óxido de etileno, usa-se o Bacillus 
subtilis e, para o vapor o Bacillus stearthermophilus. O 
procedimento para este processo é submeter a tira com o esporo 
teste ao método de esterilização, depois cultivá-lo em meio de 
cultura adequado, incubando-o por 7 dias a 55º C e, caso haja 
crescimento bacteriano houve falha na esterilização. 
 As seguintes embalagens podem ser usadas: 
• Tecido de algodão cru duplo que são econômicos e duráveis. 
• Papel grau cirúrgico, o que melhor atende às exigências. 
• Papel Kraft branco, que é de baixo custo e descartável. 
• Caixas metálicas de alumínio ou de aço inoxidável. 
 A estocagem do material ou instrumental deve seguir algumas normas 
como ficar guardado em armários fechados, em áreas limpas e livres de poeira, sendo 
desaconselhável ficar próximo à pias, fontes de água e tubos de drenagem. Caso 
fique em prateleiras abertas o prazo de validade da esterilização chega a 7 dias, 
podendo chegar a 1 mês quando cobertos com plástico ou bolsa selada. 
 
DESINFECÇÃO 
 
 Alguns procedimentos são de extrema importância para diminuir o 
risco de infecção cruzada, entre os quais pode-se citar: 
• A utilização de aspiradores intra-orais de alta potência para a 
interceptação de aerosóis formados em procedimentos cirúrgicos 
ou não. 
• A solicitação para que os pacientes façam bochechos com 
soluções anti-sépticas antes de qualquer intervenção. 
• O uso de EPIs. 
• A remoção de todos os adornos como jóias, anéis, relógios, etc. é 
obrigatória. 
• Quando acontecer de derramar sangue no piso ou mesmo nas 
cuspideiras, deve ser imediatamente limpo com hipoclorito de 
sódio a 1% e, utilizar para a lavagem das mãos uma torneira 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
173
específica, de preferência com acionamento automático, evitando 
o contato com as mãos. 
 As barreiras que protegem os profissionais e pessoal auxiliar são os 
chamados de EPIs, podendo-se citar os gorros, máscaras, óculos de proteção, luvas e 
aventais, existindo também as barreiras para a proteção de superfícies, como as 
folhas de alumínio e plástico, além dos campos cirúrgicos ou não. 
 A anti-sepsia previne de bacteremia, diminui o número de 
microorganismos, diminui a contaminação pelo aerossol, sendo a microbiota oral do 
paciente também é reduzida. Realizada intra-oralmente pode-se usar clorexidina 
0,12%, iodo a 2% e, extra-oralmente o mais indicado é a solução de PVPI. Entre os 
agentes físicos citados na literatura como anti-sépticos aquele de maior importância é 
o uso do ultra-som na linha cervical ou o jato de bicarbonato. 
 Sabe-se que o uso de anti-sépticos e desinfetantes diminui o número 
de microorganismos locais e conseqüentemente o risco de infecção e infecção 
cruzada. Este procedimento tem como objetivo reduzir a intensidade da resposta 
inflamatória séptica adquirida da contaminação da ferida cirúrgica. 
 A desinfecção pode ser classificada em dois tipos: 
• Por imersão, quando o material ou instrumental é deixado imerso 
por um período de tempo preconizado pelofabricante. 
• De superfície, realizado na desinfecção da parte externa do 
material. 
 Um desinfetante ideal deve ter as seguintes qualidades: 
• Ação rápida. 
• Alto nível biocida. 
• Ação prolongada. 
• Estabilidade química. 
• Odor agradável. 
• Incolor. 
• Não produzir manchas. 
• Não ser corrosivo ao material. 
• Não irritar os tecidos vivos. 
• Não ser inativado na presença de matéria orgânica. 
 A partir do conceito de desinfecção, deve-se submeter a este processo, 
materiais e instrumentos que não possam ser esterilizados e assim, citam-se os 
seguintes exemplos: 
• Moldeiras e modelos devem ser desinfetados em imersão com 
hipoclorito a 1% durante 30 minutos e, diques de borracha com 
iodo a 1%. 
• Tubetes de anestésico devem ser imersos em álcool 70% por 3 
minutos, ou em clorexidina 0,5 % por 10 minutos. 
• Rx e cabos de refletores devem estar limpos e cobertos com 
película de pvc ou de plástico. 
• A luz solar tem importância na desinfecção do consultório 
odontológico, porque exerce efeito antibactericida. 
• Para as peças de mão é aconselhável dar preferência àquelas que 
possam ser esterilizadas, caso contrário, friccioná-las por 3 
minutos com álcool 70%, sendo este processo ineficaz para vírus e 
esporos, mas é bactericida contra certos microorganismos 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
174
encontrados na saliva e no sangue. Para remover-se sangue, 
aconselha-se o uso de água oxigenada. 
• Para brocas e materiais plásticos proceder à limpeza mecânica, 
removendo sujidade e imergí-los em solução desinfetante como o 
glutaraldeído 2%. 
 Pode-se concluir com a frase: 
 
 
NUNCA DESINFECTAR O QUE SE PODE ESTERILIZAR E 
O QUE PODE SER ESTERILIZADO, 
QUE SEJA ESTERILIZADO 
 
 
 Para a mesa cirúrgica o profissional deverá também colocar campos 
autoclavados duplos, não sem antes ter praticado uma desinfecção do local com o 
álcool. 
 
ARSENAL CIRÚRGICO 
 
 Observação e verificação de todo o instrumental e material cirúrgico é 
muito importante para o profissional. Por sua perfeita apresentação, uso e manuseio, 
além de sua distribuição na mesa auxiliar, chega-se a um bom termo numa cirurgia. 
Assim, conhece-se um bom profissional pela sua destreza no emprego de seu 
instrumental, na arrumação e disposição correta de sua mesa cirúrgica, bem como no 
aspecto em que se encontra esta mesma mesa cirúrgica no final da cirurgia. 
 São descritos a seguir alguns instrumentos e materiais mais utilizados 
em cirurgia bucal, assim como sua maneira de empunhá-los e como são corretamente 
usados: 
 
 1. Porta-agulhas: 
 São de certa forma, a mão do cirurgião, pois mediante este 
instrumento, são manuseadas as agulhas e os fios de sutura. Existem porta-agulhas 
de vários tamanhos e formas, adequados a determinados tipos de cirurgias e às 
especialidades cirúrgicas. O mais empregado em Odontologia é o de Mathieu, que 
possui nos ramos compridos a cremalheira para a fixação da agulha. Apresenta uma 
trava na extremidade do cabo longo, permitindo ao cirurgião executar manobras mais 
suaves e precisas. Sua ponta ativa pode ser com ponta de vídea que confere a este 
instrumento uma duração muito maior, além de um poder espetacular de aderência à 
agulha. Deve ser tomado da seguinte maneira: dentro dos ramos menores deve ser 
orientada a agulha no sentido que melhor convier ao cirurgião, devendo ficar sempre 
bem na extremidade do ramo e, este, bem próximo ao olho da agulha. Os ramos 
maiores, o cabo, são tomados com a palma da mão, sendo que a pressão exercida 
sobre eles determinará a fixação da agulha na cremalheira. 
 A agulha deverá passar sempre do tecido móvel para o fixo, devendo 
ser assim orientada no porta-agulhas. O seu empunhamento é dígito-palmar. A 
porta-agulhas de Hegar é também muito utilizado, de acordo sempre com as 
preferências individuais. O seu empunhamento é dígito-digital, em que os dedos 
anular e polegar ficam nos anéis e o indicador na articulação (Fig. III. 6). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
175
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 6 – Empunhadura correta do porta-agulha de Hegar. 
 
 2. Agulhas: 
 São destinadas a passar fios através dos tecidos. O cirurgião poderá 
referir-se às agulhas baseado em alguns de seus elementos constitutivos, à sua forma 
ou ainda ao modo de manejá-las. 
 As agulhas são constituídas por ponta, corpo e olho, podendo ser: 
• Curvatura: curvas, semi-retas, retas e mistas. 
• Formato: prismáticas (cortantes) e cilíndricas (atraumáticas). 
• Uso: montadas com fio e para serem montadas. 
 É importante que a ponta da agulha seja aguda e afilada, pois assim 
penetrará mais facilmente nos tecidos, cujos elementos são afastados com o mínimo 
de traumatismo. 
 São conhecidos os seguintes tipos de agulhas: cônicas, lanceoladas, 
rombas e triangulares. A forma do corpo das agulhas é estabelecida pela sua secção 
transversal, podendo ser: redonda, triangular, plana transversal, plana lateral e 
completa. O olho poderá ser fechado ou aberto e, em cada um sua forma é variada: 
oval, circular e triangular. Aquelas agulhas que possuem o olho fechado apresentam 
alguma dificuldade para serem montadas, o que não ocorre com as de outro tipo. A 
abertura em algumas é posterior e em outras, lateral, sendo que nas primeiras, a 
pressão que se exerce com o fio separa o delgado aço da extremidade, que logo se 
fecha ao penetrar o fio. Nas agulhas de abertura lateral, o olho é aberto graças a um 
passador que excursiona movido por um botão ou alavanca. Sua dimensão é muito 
variada, podendo-se considerá-las dentro da seguinte escala: grandes: com mais de 
46 mm; médias: 45 a 36 mm; menores: de 35 a 26 mm; pequenas: de 25 a 16 mm e, 
as ínfimas: de 15 a 2 mm. 
 As formas que as agulhas podem apresentar são as seguintes: 
• Retas: com ponta cônica, olho fechado e corpo redondo (agulhas 
de costureira). 
• Lanceoladas: de secção completa (de Pauchet ou de Keith). 
• Atraumáticas: quando o fio já vem unido à agulha. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
176
• Curvas: com ponta triangular, corpo plano-lateral e olho fechado 
(de Hagedorn). 
• Circulares: com ponta triangular, corpo aplanado, olho fechado ou 
aberto. 
 Existem ainda as agulhas de Meynihan, de Doyan, de Martin, de 
Mayo, que não têm muita aplicação em cirurgia bucal. 
 As agulhas retas e curvas devem ser tomadas com 3 dedos, de tal 
forma que seja possível seu firme manuseio e, tanto uma quanto a outra, após a 
passagem do fio, são usadas da seguinte maneira: toma-se com uma pinça de 
dissecção o lábio proximal da ferida, atravessando-o com a agulha, repetindo-se a 
manobra para o lábio distal, e assim sucessivamente, até terminar a sutura. 
 Para as cirurgias da boca, onde devem ser realizadas suturas delicadas, 
são empregadas sempre agulhas pequenas ou ínfimas, manejadas com o auxílio de 
porta-agulhas (Fig. III. 9). 
 
 3. Fios de sutura: 
 Uma das preocupações constantes do cirurgião é dispor de fios de 
sutura que sejam garantia para a união de planos e, para uma hemostasia perfeita. 
Assim, devem procurar fios que ofereçam maior resistência, menor calibre, máxima 
segurança de esterilização e, de baixo custo. 
 Qualquer um deles atuará como corpo estranho, provocando reação 
defensiva do organismo, que se traduzirá num processo de inflamação asséptica, cuja 
resultante fibrosa virá constituir o verdadeiro e definitivo elemento de união e de 
oclusão vascular. Entretanto, este processo inflamatório não tem a mesma 
intensidade e duração frente aos fios. Com efeito, segundo experiências de diversos 
autores, o categute produz edema e inflamação nas primeiras 48 horas, o mesmoocorrendo com o linho e, com menor intensidade a seda e o algodão. Por outro lado, 
a reação que provocam estes 3 últimos fios tende a desaparecer rapidamente, 
enquanto a do categute, somente desaparecerá após o décimo dia. 
 Os fios de sutura podem ser classificados em: 
• Absorvíveis e, 
• Não absorvíveis. 
 Os fios absorvíveis são todos de origem animal como o categute, o 
tendão de canguru, etc. Devido sua constituição albuminóide são facilmente atacados 
pelos fagócitos e seus fermentos, fazendo digestão em prazo variável, porém breve. 
Por esta razão são empregados para suturas e ligaduras na intimidade dos tecidos. 
 Os fios não absorvíveis podem ser orgânicos e metálicos. Os 
orgânicos, uma vez abandonados na intimidade dos tecidos, não são digeridos pelos 
fagócitos, contudo seus fermentos sofrem enquistamento, que não é prejudicial, 
desde que o fio tenha sido corretamente esterilizado. Caso contrário provocam 
reação tecidual inflamatória, muitas vezes tardia, a qual se abre no exterior, 
terminando somente quando desaparece o corpo estranho. 
 O material inabsorvível à base de seda, linho ou algodão é superior ao 
categute, como foi comprovado experimentalmente, razão pela qual, têm grande 
aplicação em cirurgia. Para empregá-los três itens devem ser resolvidos 
antecipadamente: 
• a eleição do fio: aqueles que possuem menor calibre são mais 
vantajosos porque se necessita de técnica suave para manuseá-los; 
• a esterilização; que pode ser realizada pela autoclave; 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
177
• o acondicionamento: que deverá ser efetuado enrolando-o em 
bobinas de vidro; 
• a técnica: pontos próximos uns dos outros. 
 A fim de serem cumpridos todos estes requisitos, é indispensável a 
utilização de instrumental delicado, tanto para a hemostasia quanto para as suturas. 
Assim, o pedículo é muito pequeno, as ligaduras exigem pouco fio e, sua 
aproximação se faz sem tensão e mais perfeitamente, sendo a cicatrização da ferida 
excelente. 
 Os fios orgânicos empregados são: seda, algodão, nylon e ainda o 
Dexon que é uma sutura sintética de ótima aplicação, além do Polivicryl que é uma 
poliglectina 910. 
 O fio de algodão mais utilizado em cirurgia bucal é o de natureza 
celulósica. É delgado, flexível, de fácil esterilização, muito barato e não irritante 
para as feridas, sendo, portanto, muito bem tolerado. Todas as pesquisas realizadas 
neste sentido revelaram tratar-se o algodão de um excelente material, notando-se 
ainda que as suturas realizadas com fios de nylon eram aquelas que apresentavam 
menor reação, assim como aqueles monofilamentados, cuja reação era menor do que 
aqueles multifilamentados. 
 Ao aplicar-se o fio de algodão é indispensável tomá-lo pelas suas 
extremidades, de tal modo que a zona central, aquela que fará a sutura, não seja 
contaminada. Nós feitos com este fio são mais firmes, pois não correm nem se 
desmancham. 
 Dentre os fios metálicos, investigações realizadas demonstraram que o 
tantalium é o melhor, sendo bem aceito pelos tecidos vivos, tanto normais quanto 
enfermos. A reação que provoca é mínima comparada com a de outros metais, sendo 
resistente e podendo ser seccionado e torcido, apesar de sua dureza. 
 O Dexon (polyglycolic acid suture synthetic, absorbable sterile) está 
sendo largamente utilizado em cirurgias gerais e, também da cavidade bucal, sendo 
que nos casos por nós realizados, foi observada sua ótima aplicação, principalmente 
nas intervenções em que há necessidade da sutura permanecer por um tempo maior. 
 Para melhor compreensão pode-se agrupá-los de acordo com sua 
origem, na indicação material e desvantagem. 
• De origem orgânica: 
• a. de origem animal: 
• Categute - simples e cromado; monofilamentar. 
• Indicação: suturas profundas, laqueadura de vasos, 
sínteses em locais sem infecção. 
• Material: absorvível, 8-10 dias de pós-operatório. 
• Desvantagem: pode desencadear reações alérgicas, 
de difícil esterilização, e podendo manter latente o 
bacilo tetânico. 
• Seda - multifilamentar, retorcido e trançado. 
• Indicação: já foi considerado o fio ideal e/ou mais 
empregado em suturas intrabucais. 
• Material: não reabsorvível. 
• Desvantagem: sua característica, aos 4 dias de pós-
operatório é que ele induz uma resposta 
inflamatória. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
178
• b. de origem vegetal: 
• Algodão: fio multifilamentar, retorcido e pouco estirado: 
1.0, 2.0, 3.0, 4.0 e 5.0. 
• Indicação: suturas superficiais intrabucais, em 
exodontias, regularização de rebordos, onde não 
sejam necessárias as permanências de suturas além 
de 5 a 7 dias e detalhes estéticos. 
• Material: não absorvível. 
• Desvantagem: na cavidade bucal interfere no 
processo cicatricial, provocando áreas inflamadas e 
deposição de matéria alba (placa). 
• De origem sintética: 
• Poliéster - fio multifilamentar, traçado e estirado; Prolene, 
Mersilene 2.0, 3.0 e 4.0. 
• Indicações: suturas superficiais e em cirurgias 
parendodônticas. 
• Material: não absorvível. 
• Desvantagem: provoca reação inflamatória por 
tempo limitado. 
• Vantagem: apesar de apresentar reação 
inflamatória, há melhor aceitação pelo organismo e 
menor reação inflamatória inicial em suturas 
superficiais. 
• Nylon - fio monofilamentar; Mononylon, 2.0, 3.0, 4.0, 5.0, 
6.0, 7.0 e 8.0; Polipropileno. 
• Indicações: suturas de pele. 
• Material: não absorvível. 
• Desvantagem: provoca reação inflamatória de 
pequena extensão e por tempo limitado. 
• Vantagem: apesar de ser um fio ideal do ponto de 
vista biológico, deve-se concordar que tem a 
desvantagem de traumatizar a mucosa bucal. 
• PGA (ácido poliglicólico): fio multifilamentar e trançado. 
• Indicações: suturas profundas, internas. 
• Material: absorvível por hidrólise em 30 a 60 dias. 
• Desvantagem: acúmulo de indutos em suturas 
superficiais além do alto custo. 
• Poliglactina 910: multifilamentar trançado bem estirado, 
boa resistência à tração e fácil manuseio. 
• Indicações: qualquer tipo ou plano de suturas em 
estruturas intrabucais, inclusive nas condições mais 
delicadas de sutura e que possam requerer maior 
tempo de permanência. 
• Material: absorvível num período de 60 a 80 dias. 
• Vantagem: ótima compatibilidade tecidual, não 
oferecendo aderência de indutos (Fig. III. 7). 
 
 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
179
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 7 – Porta-agulhas montando a agulha com o fio correto. 
 
 4. Seringa tipo Carpule: 
 Empregada em cirurgia bucal para as anestesia intra-orais e algumas 
extra-orais. Atualmente desde que foram abandonados os intermediários e as 
agulhas tradicionais, que possibilitavam a esterilização, são oferecidos dois tipos de 
agulhas: curtas e longas, sendo descartáveis. Os tubos de anestésicos são adaptados à 
seringa, que tem duas amplas aberturas laterais, através das quais o profissional 
observa a saída do anestésico ou a penetração do sangue mesclando a solução 
anestésica (Fig. III. 11). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 8 – A empunhadura correta da seringa Carpule, observando-se o tubete de anestésico inserido 
no local devido. 
 
 5. Seringa tipo Luer-Look: 
 É empregada em cirurgia bucal para aplicação de algumas anestesias 
extra-orais ou ainda para irrigação de lojas cirúrgicas. 
 6. Espelho bucal e pinças: 
 Empregado em cirurgia bucal como auxiliar no exame clínico e, além 
de permitir o afastamento das bochechas, lábio e língua, para melhor visão do campo 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
180
operatório, oferecendoo recurso de uma visão indireta de estruturas inacessíveis à 
visão. O espelho bucal poderá servir ainda, para proteger a língua em casos de 
exodontia por seccionamento dental. 
 As pinças clínicas são usadas para embrocação intra e extra-oral, além 
de serem utilizadas também, como auxiliares para eliminação de fios de sutura. 
 As pinças dente-de-rato são utilizadas como auxiliares para a tomada 
de retalhos e, são assim chamadas por possuírem na ponta ativa forma semelhante 
aos dentes de um rato. 
 Tanto os espelhos bucais quanto as pinças, são tomados como se toma 
uma faca ou uma caneta. 
 
 7. Bisturi: 
 Para as cirurgias bucais, o bisturi mais indicado é aquele para lâminas 
intercambiáveis (Fig. III. 9). Serve para incisão ou secção dos tecidos moles. As 
lâminas mais utilizadas para este bisturi são: 
• número 11, para drenagem de abcessos, alguns tipos de incisões 
ou ainda para incisões de papilas interdentais no preparo da 
sindesmotomia; 
• número 12, para incisões distalmente aos segundo e terceiro 
molares; 
• número 15, para as incisões na mucosa bucal. 
 As lâminas devem ser sempre montadas ao cabo do bisturi 
(geralmente número 3) com o auxílio do porta-agulhas, para serem evitados 
acidentes desagradáveis, assim como para retirá-las (Fig. III. 9). 
 O bisturi pode ser empunhado como caneta (Fig. III. 10) na grande 
maioria das oportunidades e ainda, como arco de violino ou como se segura uma 
faca. 
 
 
 
A 
 
 
 
 
B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 9 – (A) Os bisturis utilizados com as lâminas intercambiáveis (B) e a maneira correta para a 
montagem da lâmina ao cabo do bisturi para serem evitados acidentes desagradáveis. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
181
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 10 – Maneira correta de empunhar-se um bisturi para cirurgias da cavidade bucal, em forma 
de caneta. 
 
 8. Sindesmótomo: 
 Instrumento cirúrgico destinado à sindesmotomia 
(sindesmo=ligamento e, tomia=corte). Este instrumento tem como objetivo romper, 
cortar ou dilacerar pela insinuação da sua lâmina entre o dente e o alvéolo, as fibras 
gengivais e cristodentais. Assim, a desinserção da gengiva será facilitada, 
possibilitando a introdução das pontas ativas dos fórceps ou dos extratores. O 
sindesmótomo deve ser empunhado como caneta, com apoio digital nos dentes 
vizinhos. Pode também ser utilizada para este fim a espátula número 7. 
 
9. Destaca-periósteo: 
 Instrumento cirúrgico destinado para o descolamento do retalho 
mucoperiostal. Este instrumento deve ser empunhado como caneta, com ponto de 
apoio nos dentes vizinhos, ou ainda como faca. 
 
 10. Tesouras: 
 São utilizadas para o corte ou secção dos tecidos moles, sendo que em 
exodontia, as mais empregadas são aquelas com lâminas finas, retas ou curvas, 
pontiagudas ou rombas. As tesouras com pontas rombas e curvas são usadas para o 
corte de fios de sutura. Devem ser empunhadas introduzindo-se os dedos anular e 
polegar nas alças, apoiando-se o indicador na união das lâminas, enquanto que o 
médio apoia-se numa das alças (Fig. III. 11). Isto facilita a manobra de jogar a 
tesoura para a palma da mão, para trabalhar em seguida com os outros dedos. 
 No caso de cirurgias bucais são utilizadas: 
• Tesoura de Metzenbaum: instrumento delicado geralmente 
utilizado para diérese em tecidos frouxos. 
• Tesoura de Mayo: empregada para cortar fios de sutura existindo 
dois tipos: a reta para fios superficiais e a curva para fios no 
interior de cavidades. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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Fig. III. 11 – Tesoura cirúrgica curva, notando-se a maneira correta de empunhá-la. 
 
 11. Cinzéis: 
 São instrumentos cortantes destinados à osteotomia (osteo=osso e 
tomia=corte), ou ostectomia (osteo=osso; ec=com retirada e tomia=corte). Os 
cinzéis empregados em exodontia são retos, goivos e, em bisel duplo. Podem e 
preferentemente devem ser utilizados sob pressão manual, evitando sérios 
desconfortos para o paciente, ou com o auxílio do martelo cirúrgico, ainda em prática 
por muitos profissionais. 
 Nas osteotomias realizadas com cinzéis sob pressão manual, eles 
devem ser empunhados como faca, e quando usados com o auxílio do martelo 
cirúrgico, devem ser tomados como caneta. Atualmente foi adaptado, por nossa 
sugestão, o cabo dos extratores ao cabo dos cinzéis, para maior facilidade de tomada 
para as ostectomias (Chinellato e SS White). Estes mesmos cinzéis foram também 
confeccionados em alumínio, diminuindo consideravelmente seu peso (Duflex) (Fig. 
III. 12). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 12 – Diferentes tipos de cinzéis quer no seu cabo ou em sua ponta ativa, notando-se a 
modificação por nós sugerida aos cabos dos cinzéis e a maneira correta de empunhá-los. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
183
 12. Osteótomos de Winter: 
 São instrumentos destinados à eliminação de osso e mais 
particularmente dos septos inter-radiculares. As pontas ativas destes instrumentos 
são anguladas com relação à haste e, esta última é perpendicular ao cabo, devendo 
ser empunhados como uma faca. Não são tão necessários numa mesa cirúrgica, 
podendo ser perfeitamente substituídos pelas pinças-goivas, ou ainda pelos extratores 
angulados. 
 
 13. Pinça-goiva, alveolótomo ou Rongeur: 
 É usado para a remoção de espículas ósseas alveolares, septos inter-
radiculares supra-alveolares ou interdentais e, ainda determinadas exostoses. Deve 
ser empunhada colocando-a totalmente na palma da mão, com a parte convexa 
sempre voltada para a cirurgia (Fig. III. 13). Existem dois tipos, a reta e a curva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 13 – Maneira correta de empunha uma pinça-goiva, sempre com a parte convexa voltada para 
a cirurgia. 
 
 14. Limas para osso: 
 São instrumentos cortantes empregados para limar e alisar 
determinadas superfícies ósseas, na grande maioria das cirurgias bucais. São 
empunhadas como caneta. Assim, após intervenções nas quais são praticadas 
osteotomia, ficando o tecido ósseo irregular, utiliza-se lima para a eliminação das 
espículas ósseas. Conseqüentemente, promovem a regularização dos rebordos 
alveolares. 
 
 15. Trefina, brocas cirúrgicas e discos: 
 Para a trepanação da tábua óssea labial ou vestibular, com a finalidade 
de alcançar um resíduo de raiz ou um ápice radicular dilacerado numa apicoplastia, 
ou ainda para a colocação de um implante, utiliza-se a trefina, que consiste num 
cilindro oco, denteado em sua porção ativa e, acionado pela peça de mão comum. As 
brocas cirúrgicas podem também ser usadas com a mesma finalidade, além de 
servirem para o alisamento do tecido ósseo em alveoloplastias extensas. 
 Para o seccionamento dental são utilizadas as brocas dentais números 
703, 704 e 706 da S.S. White. As brocas dentais são montadas em peças de mão, 
contra-ângulo ou mesmo ângulo. São ainda utilizadas as brocas número 8 da S.S. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
184
White para eliminação de septos inter-radiculares, a fim de se promover a 
regularização dos rebordos alveolares (Fig. III. 14). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 14 – Brocas comuns e brocas cirúrgicas usadas em cirurgia bucal. 
 
 16. Fórceps: 
 São pinças denominadas impropriamente de boticões, destinadas à 
extração dental devendo ser empunhados corretamente para um perfeito 
desenvolvimento da técnica exodôntica. Adaptam--se totalmente na palma da mão, 
estando o polegar sempre entre seus braços para dosar a força neles exercida(Fig. 
III. 15). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 15 – A maneira corretas para realizar a empunhadura de um fórceps. 
 
 Podem ser divididos, para finalidade didática nas seguintes partes: 
• Partes constituintes: 
• Ponta ativa e braço. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
185
• Relação entre a ponta ativa e o braço: 
• Ponta ativa num ângulo obtuso com relação ao braço: 
fórceps números 151 e, 18R e 18L. 
• Ponta ativa no mesmo plano que o braço: fórceps número 
1. 
• Ponta ativa num ângulo reto em relação ao braço: fórceps 
número 17. 
• Ponta ativa em baioneta: fórceps números 32 e 53R e L. 
• Uso de fórceps segundo a relação entre a ponta ativa e o braço: 
• Ponta ativa num ângulo obtuso em relação ao braço: 
• Para os dentes inferiores de incisivos a pré-
molares. 
• Para os dentes superiores primeiros e segundos 
molares direitos e esquerdos. 
• Ponta ativa no mesmo plano que o braço: 
• Para os dentes superiores anteriores, inclusive pré-
molares. 
• Ponta ativa num ângulo reto em relação ao braço: 
• Para os molares inferiores. 
• Ponta ativa em baioneta: 
• Para os dentes superiores anteriores, inclusive pré-
molares e, também para os molares superiores. 
• Tipos de fórceps: 
• São aconselhados os seguintes tipos de fórceps, de acordo 
com sua numeração de fábrica: 
• Incisivos centrais: 
• Superiores: 1 e 32. 
• Inferiores: 151. 
• Incisivos laterais: 
• Superiores: 1 e 32. 
• Inferiores: 151. 
• Caninos: 
• Superiores: 1 e 32. 
• Inferiores: 151. 
• Primeiros e Segundos Pré-molares: 
• Superiores: 1 e 32. 
• Inferiores: 151. 
• Primeiros, Segundos e Terceiros Molares: 
• Superiores: 18R, 18L, 53R e 53L. 
• Inferiores: 17. 
• Raízes: 
• Superiores: 32. 
• Inferiores: 151. 
 
 Pode-se, portanto, constatar que somente com seis fórceps consegue-
se extrair todos os dentes superiores ou inferiores, variando somente aqueles fórceps 
para profissionais destros (números 53R e 53L) (MARZOLA, 2000). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
186
 17. Extratores: 
 Extrator é o nome sugerido às alavancas ou aos elevadores, cuja 
função é também a de extrair dentes. Adapta-se totalmente na palma da mão do 
profissional, devendo o dedo indicador situar-se nas proximidades da ponta ativa 
(Fig. III. 16). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 16 – Os extratores dentais e a maneira correta para empunhá-los. 
 
 Estão divididos da seguinte maneira: 
• Partes constituintes: 
• Ponta ativa, haste e cabo (Fig. III. 23). 
• Relação entre a ponta ativa e a haste: 
• Ponta ativa num mesmo plano que a haste e, 
• Ponta ativa perpendicular à haste. 
• Relação entre o cabo e a haste: 
• Cabo num mesmo plano que a haste e, 
• Cabo perpendicular à haste. 
• Tipos de extratores: 
• Extratores dentais: angulados e retos e, 
• Extratores apicais (MARZOLA, 2000). 
 
 18. Pinças hemostáticas: 
 As pinças hemostáticas retas e curvas tipo Halstead com 12 cm de 
comprimento, são usadas para hemostasia, provocando o esmagamento de tecidos 
moles em casos de hemorragia em lençol (capilar), ou para o laqueamento de vasos. 
São igualmente utilizadas para o pinçamento dos frênulos labial e lingual em casos 
de frenulectomia. São empunhadas com os dedos polegar e anular em suas alças e, o 
indicador na porção intermediária (Fig. III. 17). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
187
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 17 – Pinças hemostáticas tipo Halstead e a maneira correta como devem ser empunhadas. 
 
 19. Afastadores: 
 Além dos espelhos bucais, que podem ser utilizados como afastadores, 
existem os afastadores de Farabeuf. Possuem as extremidades em ângulo reto, 
possibilitando sua introdução entre os tecidos moles, facilitando assim, a 
visualização do campo operatório por parte do cirurgião. Devem ser apreendidos 
pelo auxiliar sem apoiá-lo na cabeça do paciente e segurando-o pela outra 
extremidade. Pode, também, serem usados com uma adaptação em forma de alça 
com grandes vantagens, principalmente no deslocamento de retalhos, sem 
traumatizá-lo em demasia (Fig. III. 18), como acontece com muitos outros 
afastadores que estão sendo adaptados para sua utilização em cirurgia oral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 18 – O afastador de Farabeuf modificado corretamente empunhado. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
188
 20. Curetas: 
 São instrumentos que possuem a ponta ativa em forma de colher. 
Existem em vários tamanhos, sendo, entretanto os mais utilizados em cirurgia oral 
aquelas de números 1, 2, 3, 4 e 5. São empregadas para curetar e, não raspar, na 
grande maioria das cirurgias bucais, para a eliminação de granulomas, cistos, 
esquírolas ósseas, seqüestros ósseos, etc. Devem ser empunhadas como uma caneta 
(Fig. III. 19). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 19 – Maneira correta como se deve empunhar uma cureta ou uma lima para osso. 
 
 21. Gaze: 
 Material imprescindível em qualquer mesa cirúrgica. Para a cirurgia 
bucal a gaze pode ser cortada em retângulos dobrados de 4x3 cm e autoclavada. É 
utilizada na cirurgia bucal para hemostasia do campo operatório, para assepsia e anti-
sepsia. Pode ser ainda utilizada embebida em soro fisiológico para limpeza do 
instrumental utilizado durante a cirurgia por parte do instrumentador, podendo-se 
notar qual deve ser sua colocação na mesa auxiliar. 
 
 22. Campos: 
 Também denominados de “guardanapos”, são destinados a cobrir a 
mesa auxiliar, bem como o instrumental. São colocados no paciente, sobre seu tórax, 
impedindo que o fio de sutura entre em contato com suas vestes, podendo também ter 
uma perfuração correspondente à boca do paciente, cobrindo assim também sua 
cabeça. Devem ser corretamente autoclavados, pois entrarão em contato com o 
instrumental e material já devidamente esterilizados, havendo possibilidade de 
contaminação evidente. Não se admite usar estes campos sem sua correta 
esterilização. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
189
DISPOSIÇÃO DO MATERIAL E 
INSTRUMENTAL NA MESA AUXILIAR 
 
 O material e o instrumental devem estar dispostos na mesa auxiliar 
obedecendo a uma metodologia correta de acordo com a seqüência da cirurgia e, de 
acordo com o seguinte esquema, além de preparar a mesa de maneira adequada, tanto 
para o operador quanto para o auxiliar (Fig. III. 20) (MARZOLA, 2000): 
 
 1. Anestesia e diérese (canto superior esquerdo): 
• Seringa Carpule. 
• Seringa Luer-Look. 
• Bisturi e lâminas. 
• Tesouras. 
• Agulhas descartáveis para seringas. 
• Tubetes de anestésico. 
 2. Hemostasia (centro, acima): 
• Compressas de gaze. 
• Cubeta inoxidável para soro fisiológico. 
• Pinças hemostáticas ou instrumentos ou materiais afins. 
 3. Síntese (canto superior direito): 
• Pinças porta-agulhas. 
• Agulhas para sutura. 
• Fios de sutura. 
• Tesouras. 
• Pinças anatômicas. 
 4. Instrumental auxiliar (canto inferior esquerdo): 
• Pinça clínica. 
• Espelho bucal. 
• Explorador. 
• Destaca-periósteo. 
• Brocas para alta e baixa rotação. 
 5. Instrumental especial (inferior-meio): 
• Aqui é colocado todo o instrumental que é o objeto da cirurgia: 
• Cinzéis. 
• Martelo. 
• Extratores. 
• Fórceps. 
 6. Instrumental complementar (canto inferior direito): 
• Alveolótomos. 
• Limas para osso. 
• Curetas. 
• Afastadores. 
• Pontas para aspiração. 
 
 Este material, à medida que o cirurgião vai utilizando, o auxiliar ou o 
instrumentadordeverá limpá-lo e colocá-lo novamente em seu respectivo local. 
Assim, o instrumentador ou mesmo o cirurgião, saberá sua correta localização, 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
190
quando houver necessidade de utilizá-lo novamente, procurando sempre a colocação 
exata e não deixando a mesa comprometida. Após a cirurgia o instrumental deverá 
ser colocado numa cuba com uma solução desincrostante para limpá-lo corretamente 
(MARZOLA, 2000). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 20 – Cirurgião montando corretamente a mesa cirúrgica. 
 
 Deve-se sempre lembrar que: 
 
“Se reconhece um bom cirurgião pela mesa cirúrgica – 
ao terminar uma cirurgia, ela deverá estar da mesma maneira 
como ao ser iniciada”. 
 
 
 
Quadro III. II - Disposição dos instrumentais na mesa cirúrgica. 
 
 
(1) (2) (3) 
ANESTESIA 
E HEMOSTASIA SÍNTESE 
DIÉRESE 
 
 
(4) (5) (6) 
INSTRUMENTAL INSTRUMENTAL INSTRUMENTAL 
AUXILIAR ESPECIAL COMPLEMENTAR 
 
 
 
 
 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
191
POSIÇÃO DO PACIENTE E DO OPERADOR 
 
 O paciente deverá estar sempre confortavelmente instalado na cadeira 
cirúrgica, variando sua posição conforme se trate de intervenções para a maxila ou 
para a mandíbula (MARZOLA, 2000). 
 Deve-se sempre destacar que para a exodontia com fórceps sempre se 
torna necessário que o profissional fique sempre em pé, para que a distribuição de 
forças que ele fará durante a mecânica da exodontia, distribua-se por todo o seu 
corpo e termine nos pés. Se ele estiver sentado a distribuição das forças não se fará 
corretamente, daí a indicação sempre correta de que para a exodontia com fórceps o 
profissional deverá sempre trabalhar em pé. 
 
 1. Posição do paciente para as intervenções na maxila: 
 O espaldar da cadeira deverá estar num ângulo de 45° com relação ao 
solo. A cabeça deverá estar ligeiramente para trás, de tal modo que o arco dental 
superior forme um ângulo de 90° com o longo eixo do tronco (Fig. III. 21). 
 
 
 
 
B 
 
 
 A 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 21 – (A) Esquema da posição do paciente e cirurgião para as intervenções na maxila. (B) 
Demonstração clínica da posição correta. 
 
 
 2. Posição do paciente para as intervenções na mandíbula: 
 O espaldar da cadeira deverá formar um ângulo de aproximadamente 
60° com o piso, de tal forma que o plano oclusal dos dentes inferiores esteja sempre 
paralelo ao solo quando o paciente estiver com a boca aberta (Fig. III. 22). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
192
 
 
 B 
 
 A 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 22 – (A) Esquema da posição do paciente e cirurgião para as intervenções na mandíbula. (B) 
Demonstração clínica da posição correta. 
 
 Para ambas as posições, a parte superior do espaldar da cadeira deverá 
ficar na altura da omoplata do paciente, enquanto os coxins deverão estar situados 
sempre na altura das protuberâncias occipitais. 
 
 3. Posição do operador: 
 Para extração de qualquer dente da maxila ou outra região, o operador 
deverá situar-se à direita e ligeiramente à frente do paciente ou ainda atrás (Fig. III. 
23). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 23 – Posição correta do cirurgião e seu auxiliar para cirurgias na maxila. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
193
 Para a extração de qualquer dente da mandíbula, ou para outra 
intervenção, o operador deverá situar-se, sempre que possível, à direita e um pouco à 
frente do paciente, de tal forma que seu cotovelo fique numa linha imaginária traçada 
a partir da altura da boca do paciente. Devem ser evitadas posições inadequadas que 
muito prejudicarão a postura do profissional após alguns anos de profissão (Fig. III. 
24). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 24 – Posição incorreta do profissional ou de seu auxiliar para as intervenções na cavidade 
bucal. 
 
 Existe, ainda, a posição supina, em que o profissional deve trabalhar 
sentado. Esta posição, porém, não se presta para exodontias a fórceps. 
 Uma das complicações de urgência de maior ocorrência em 
exodontias ou cirurgias, de modo geral, é a lipotimia, falta de oxigenação súbita no 
cérebro, causada principalmente por ansiedade e tensão emocional, que são bastante 
freqüentes em pacientes cirúrgicos. Muitas vezes pode também ser ocasionada pela 
nutrição deficiente do paciente. 
 O profissional deve estar sempre preparado para tal ocorrência que, 
basicamente se resolve colocando o paciente numa posição tal que favoreça o aporte 
sangüíneo para o cérebro. Esta posição que foi idealizada há muitos anos, por um 
alemão chamado Trendelemburg, consiste em colocar-se o paciente com o tronco e a 
cabeça em 30° negativos em relação aos membros inferiores. 
 Evidentemente, todas estas posições poderão variar de acordo com o 
tipo de intervenção, segundo as aptidões do profissional e, ainda de acordo com seu 
tipo físico. 
 O profissional deverá sempre, antes de se preparar convenientemente 
para uma cirurgia, adaptar a cadeira e a posição do paciente à sua. Deste detalhe 
dependerá em muito a rapidez da cirurgia e, conseqüentemente seu sucesso. Outro 
fato muito importante também, é que o profissional que trabalha numa posição 
correta sempre manterá seu estado físico de maneira plenamente satisfatória, o que 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
194
não acontecerá caso venha adaptar-se a determinadas posições ou colocações 
totalmente incorretas. 
 Um detalhe muito importante neste item é que para todas as 
intervenções cirúrgicas com fórceps, sempre o profissional deverá trabalhar em pé, 
para que as forças exercidas possam distribuir-se por completo pelo corpo do 
profissional, sendo eliminadas para o solo. Se o profissional encontrar-se sentado, 
estas forças não serão eliminadas, não ocorrendo um perfeito rendimento mecânico. 
 
PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO EM CIRURGIA 
 
 Pré-operatório é o conjunto de medidas adotadas para a realização de 
um tratamento cirúrgico, desde a recepção do paciente até o planejamento da 
intervenção. 
 Para a indicação metódica dos caminhos que deve o profissional 
seguir, desde a recepção do paciente até a conclusão total de seu tratamento é 
necessário estabelecer-se um roteiro cirúrgico. Assim, para toda e qualquer 
intervenção cirúrgica, devem ser obedecidas as seguintes etapas neste roteiro 
cirúrgico. 
 O encontro inicial do cirurgião com seu paciente é o momento mais 
importante desta associação. Nunca se deve esquecer que cada um está avaliando o 
outro: o paciente avaliando seu cirurgião, bem como sendo avaliado pelo cirurgião. 
O procedimento do cirurgião é tão importante para o paciente quanto as palavras que 
escolher para explicar a conduta que adotará. A avaliação pré-operatória começa 
portanto, no primeiro momento do encontro e, continua durante todo o período do 
pré-operatório. Sua finalidade é permitir ao cirurgião tirar proveito de todas as 
informações que julgar necessárias ao preparo do paciente para a cirurgia ou 
freqüentemente tão importante, para adiar a cirurgia ou julgá-la desnecessária. 
 Até a bem pouco tempo cirurgiões-dentistas não dispensavam ao pré-
operatório a devida importância, por uma simples questão de conceituação de 
amplitude das intervenções cirúrgicas que se realizam em consultórios dentários. 
Tais cirurgias eram encaradas como pequenas ou menores e, que não necessitavam 
de cuidados maiores que a simples esterilização do material e instrumental 
necessários. 
 Não se lembravameles de que uma pequena intervenção cirúrgica é 
também uma agressão, podendo acarretar, devido a fatores circunstanciais muitas 
vezes imprevisíveis, problemas no trans e pós-operatório, de ordem local ou geral, 
capazes de levar a intervenção a resultados não desejados. A uma pequena agressão 
aos tecidos respondem complexos sistemas, uns aumentando a taxa de adrenalina na 
corrente circulatória, com significativo aumento na pressão arterial e, outros 
enviando à ferida operatória elementos de defesa, etc. 
 Uma exodontia não deve ser encarada como simples rompimento ou 
esmagamento dos ligamentos alvéolo-dentais, ou a extração do dente de seu alvéolo. 
Este conceito é tão restrito quanto aquele que vê o dente a ser extraído como se 
estivesse no espaço, desvinculado de um todo orgânico. 
 A Odontologia já está se libertando deste conceito unitarista, simplista 
e até mesmo arcaico, lançando-se em direção àquele de sentido mais amplo, mais 
científico, de interdependência orgânica, conceito de o paciente ser encarado como 
um “todo”. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
195
 No estudo do paciente como um todo já existe uma correlação entre o 
dente a ser extraído e os tecidos periodontais, aquele com a cavidade bucal e esta 
com o soma do paciente. O conceito vai ainda mais longe, relacionando o soma ao 
componente psíquico e, assim, no pré-operatório de um paciente que deverá ser 
submetido a uma cirurgia bucal menor, deverá ocorrer análise ampla, se bem que 
muitas vezes rápida, de seu complexo psíquico-somático. 
 Tão importantes e íntimas são as relações entre o componente 
psíquico e o soma, que a medicina, que há bem pouco tempo tratava de seus 
pacientes como um “indivíduo psíquico-somático”, agora os vê como um 
“indivisível psíquico-somático”. Assim, a Odontologia psíquico-somática os está 
estudando sob este aspecto, relacionando-o entre o bem-estar mental, saúde e 
integridade dos tecidos bucais. 
 O conhecimento dos princípios psíquico-somáticos influenciará 
sobremaneira o comportamento dos pacientes e o andamento das intervenções 
cirúrgicas. 
 Assim, o pré-operatório poderia ser situado não a partir do 
estabelecimento da necessidade da intervenção, mas como já se citou anteriormente, 
desde o momento em que o paciente se encaminha ao consultório dentário, na 
suposição ou certeza de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. 
 A análise do roteiro cirúrgico se faz da seguinte maneira, podendo 
seguir o esquema proposto (Quadro III. 3): 
 
Quadro III. 3 – Seqüência a ser seguida num roteiro cirúrgico 
 
 
Recepção do paciente 
↓ 
Identificação 
↓ 
Queixa 
↓ 
Anamnese 
↓ 
Exames clínicos → Exames complementares 
↓ 
Necessidade → Oportunidade 
↓ 
Tratamento pré-operatório 
↓ 
Planejamento → Tratamento cirúrgico 
↓ 
Tratamento pós-operatório 
 
 
 1. Recepção do paciente: 
 O primeiro contato do profissional com o paciente é de significativa 
importância pela análise recíproca, cujo complemento entre ambos será 
psicologicamente favorável ou não no desenvolvimento de futuros tratamentos 
cirúrgicos. 
 O primeiro contato objetivo entre o profissional e o paciente é 
realizado ao ser preenchida a ficha clínica, onde deverão ser anotados: dados 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
196
pessoais do paciente, respostas à anamnese a ser encarada como um questionário e, 
não um inquérito além, dos resultados dos exames clínicos e complementares. 
 
 2. Identificação: 
 O fichamento dos dados pessoais do paciente será realizado pelas 
seguintes perguntas: nome, idade, gênero, cor, nacionalidade, profissão, estado civil, 
endereço residencial e o endereço profissional, com a finalidade de se conhecer o 
cliente em sua intimidade. 
 
3. Anamnese: 
 Após o fichamento, o paciente deverá ser instado a fornecer elementos 
relativos à razão principal de sua visita, bem como a relatar suas enfermidades. 
 A qualidade de um cirurgião reflete-se na obtenção da história inicial e 
no exame físico. A queixa principal deve constar de uma breve declaração com as 
próprias palavras do paciente. A história da doença atual deverá ser cuidadosamente 
apurada e, o início de quaisquer alterações dos sintomas deverão ser sempre anotados 
com referência às datas e aos seus intervalos. A história familiar poderá ajudar na 
descoberta de distúrbios metabólicos subjacentes e, será completada pelos parentes 
mais chegados. A tabulação da história patológica pregressa do paciente incluirá 
doenças próprias da infância, condições inflamatórias, tendências hemorrágicas, 
distúrbios mentais, traumas, operações, uso de drogas e antecedentes alérgicos. 
Breve histórico social também será anexado, pois amiúde mostra alguma indicação 
da estabilidade emocional do paciente. 
 Contudo, o relato das enfermidades por parte do paciente, muitas 
vezes é insuficiente ou impreciso, sendo necessária a realização de um interrogatório 
de forma objetiva em auxílio às suas enfermidades e informações, entretanto, este 
interrogatório deverá ser levado a efeito de maneira descontraída e amigável. 
 No entanto, não são poucos aqueles que, percorrendo as numerosas 
perguntas em roteiros de anamnese, perguntam a si próprios se deveriam fazer tantas 
perguntas ou, ainda, se seriam dispensáveis algumas delas, ou como poderiam chegar 
às conclusões sobre o diagnóstico provisório baseado em tais inquirições. Estas 
perguntas não encontram freqüentemente alguma resposta e, a ausência na literatura 
em nosso meio, de relatos sobre complicações ou acidentes no trans ou pós-
operatório levam à falsa sensação de segurança. Esta é a razão maior pela qual é 
limitado o número de profissionais que lançam mãos da anamnese no pré-operatório, 
corretamente. 
 Ideal seria que o próprio profissional realizasse seu interrogatório, que 
lhe traria ótimo benefício, pois assim, faria algumas perguntas que representassem 
melhor suas necessidades de informação. Para a organização deste interrogatório, o 
profissional deveria rever algumas situações que a técnica semiológica evidencia 
relativamente ao estado geral do paciente. 
 Assim, como exemplo pode-se citar: 
• num primeiro caso o paciente desconhece ou ignora seu estado 
geral e, o profissional não suspeita de enfermidade alguma; 
• num segundo caso o paciente informa, em sua queixa, ser 
portador de determinada enfermidade e, 
• num terceiro caso, o profissional suspeita da presença de 
determinada enfermidade. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
197
 Para todos os casos são estabelecidas enfermidades que possam 
acarretar acidentes ou complicações no trans e pós-operatório cirúrgico. 
 No primeiro caso será necessário que o profissional, para evidenciar 
alguma enfermidade não suspeitada, tenha já estabelecido qual ou quais 
enfermidades, cuja possibilidade do paciente ser portador, sejam afastadas. É assim, 
estabelecida uma lista de enfermidades que ele julgue importantes para serem 
evidenciadas ou não. 
 Como exemplo: 
 - Desejo saber se meu paciente é anêmico, emotivo, alérgico, etc. 
 Neste caso, anotará ao lado de cada enfermidade a pesquisar os sinais 
e sintomas, assim: 
• anemia: tonturas, cefaléias, taquicardia, palidez, etc. 
• emotividade: preocupação inusitada ao ser submetido a exame 
médico ou odontológico, sensação de mal-estar ao sofrer aplicação 
da agulha para anestesia, instabilidade emocional, etc. 
 Com esta lista de enfermidades a serem pesquisadas, irá ao paciente e 
perguntará se ele sofre de tonturas, cefaléias, taquicardia, avaliando o grau de palidez 
de seu rosto, sendo possível concluir, pelas respostas, se o paciente é anêmico ou 
não. 
 No segundo caso, se o paciente disser: -“Sou anêmico”, ou ainda, 
“meu médico disse que estou anêmico”, o profissional deverá ir em busca de 
informações do paciente observando os sinais e sintomas característicos desta 
enfermidade: tonturas, cefaléias, etc. ao praticar exercícios ou esforço moderado. 
Com isto, poderá confirmar ou não o diagnóstico feito anteriormente ou suspeitado. 
 No terceiro caso, serão realizadas perguntas relativas aos sinais e 
sintomas característicos da enfermidade suspeitada. Muitas vezes, o aluno ou o 
profissional pouco experiente tem alguma dificuldade em estabelecer certos 
diagnósticos provisórios, tendo em vista que determinados sinais e sintomas são 
comuns a várias enfermidades. Daí ser aconselhável e correto mesmo procurar-se 
estabelecer diagnóstico diferencial entre as diversas enfermidades encontradas na 
cavidade oral ou no organismo. Desta maneira, serão unificadas as principais 
enfermidades e seus sinais e sintomas, além de sua verificação pelos exames 
complementares. 
 
PRINCIPAIS ENFERMIDADES E 
SEUS SINAIS E SINTOMAS 
 
 1. Agranulocitose ou neutropenia maligna: 
• Sinais: lesões ulcerosas na mucosa nasal e na faringe; hipertermia 
e esplenomegalia. 
• Sintomas: mal-estar; febre; debilidade e cefaléias (semelhantes aos 
da gripe e do resfriado). 
 2. Anemias: 
• Sinais: palidez; glossite; atrofia das papilas linguais. 
• Sintomas: anorexia; diarréia intermitente; náuseas e vômitos; 
debilidade; vertigens; desmaios e palpitações. 
 3. Alergia (medicamentos): 
• Rinite alérgica: 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
198
• Sinais: lacrimejar; espirros e coriza. 
• Sintomas: congestões e edema das mucosas; prurido das partes 
afetadas. 
• Asma: 
• Sinais: respiração do tipo sibilante; dispnéia. 
• Sintomas: dispnéia. 
• Edema angioneurótico (edema de Quincke): 
• Sinais: tumefação rápida dos lábios, pálpebras, em alguns casos 
edema da glote. 
• Sintomas: prurido ou ardor; sensação de aumento volumétrico dos 
lábios e pálpebras, dificuldade em deglutir. 
 4. Diabetes mellitus: 
• Sinais: perda de peso; raramente hálito de acetona, baixa 
resistência às infecções, dificuldade na cicatrização. 
• Sintomas: debilidade geral; aumento de apetite e maior ingestão 
de alimentos (polifagia), sede intensa (polidipsia); eliminação 
urinária abundante (poliúria); prurido localizado ou generalizado. 
 5. Neuroses: 
• Sinais: taquicardia e desmaios. 
• Sintomas: nervosismo ao ser submetido ao exame médico ou 
odontológico; irritação ou perda de calma com facilidade; 
ansiedade. 
 6. Endocardite bacteriana subaguda: 
• Sinais: perda de peso; febre moderada de longa duração; palidez; 
sopro cardíaco; esplenomegalia. 
• Sintomas: astenia; dispnéia; anorexia; dores e sintomas 
semelhantes aos da gripe. 
 7. Epilepsia: 
• Sinais: acessos convulsivos seguidos de períodos comatosos. 
• Sintomas: não existem. 
 8. Hemofilia: 
• Sinais: na infância: intensas hemorragias cutâneas após ligeiros 
traumas; hematomas na língua, nas articulações, etc.; hemorragias 
gengivais espontâneas. 
• Sintomas: hemorragias freqüentes e abundantes, além de 
prolongadas em indivíduos do sexo masculino. 
 9. Hipertensão arterial: 
• Sinais: freqüentes hemorragias nasais; edema das extremidades. 
• Sintomas: fadiga; insônia; cefaléia; vertigem; zumbido nos 
ouvidos; formigamento das extremidades. 
 10. Hipotensão: 
• Sinais: não existem. 
• Sintomas: tonturas; freqüentes desmaios; fadiga fácil e 
taquicardia. 
 11. Leucemia: 
• Sinais: hipertermia (39° a 40°); palidez; hemorragias gengivais; 
equimoses; diarréias; linfoadenopatia generalizada; 
hepatoesplenomegalia. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
199
• Sintomas: esgotamento profundo; cefaléias; mialgias; febre; 
hemorragias. 
 12. Púrpura trombocitopênica essencial: 
• Sinais: manchas purpúreas abaixo da pele; epistáxis; hemorragias 
de tipos diversos; algumas vezes hipertermia. 
• Sintomas: não existem. 
 13. Sífilis: 
• Sinais: erupção eritematosa cutânea (secundária); exantemas 
generalizados (secundária); placas mucosas (terciária). 
• Sintomas: mal-estar; anorexia; cefaléia; ligeira elevação de 
temperatura. 
 14. Telangiectasia hereditária: 
• Sinais: dilatações de pequenos vasos tomando aspectos variados: 
em teia de aranha, etc.; pequenas manchas purpúreas na pele e 
mucosa; hemorragias profusas e espontâneas após traumatismos. 
• Sintomas: hemorragias. 
 Pode-se também, chegar a determinadas conclusões baseando-se nos 
tipos de medicamentos que os pacientes estão ingerindo, mas para isto necessita-se 
possuir perfeita base farmacodinâmica, a fim de poder analisar corretamente o tipo 
de medicamento que o paciente está tomando, bem como sua ação. 
 Enfim, todos estes sinais e sintomas devem ser observados como um 
todo, para estabelecer-se corretamente um diagnóstico diferencial, o qual será 
devidamente firmado com os exames complementares especiais e de rotina. 
 
 4. Exame clínico: 
 É outra etapa do roteiro cirúrgico, muito importante, pois após o 
interrogatório e anamnese, minucioso exame da cavidade bucal deverá ser efetuado 
por inspeção direta ou indireta, além da palpação. Diretamente são notadas todas as 
estruturas bucais e, indiretamente com o auxílio dos espelhos ou sondas. A inspeção, 
quer direta ou indireta, deve ser feita de maneira ordenada, para não ser omitida 
estrutura alguma da cavidade bucal. Entretanto, se neste exame de rotina evidenciar-
se qualquer alteração morfológica ou funcional, deve-se passar à palpação. Este 
exame possibilitará a verificação da consistência dos tecidos, sua sensibilidade 
dolorosa, tamanho, mobilidade dos nódulos, etc. 
 Com os dados obtidos por estes exames, o cirurgião poderá firmar um 
diagnóstico provisório. 
 É importante, todavia, que o profissional tenha em mente quais as 
principais enfermidades cujos reflexos são notados na cavidade bucal, que são 
relacionadas a seguir: 
 4.1. Hiperplasia e hipertrofia das papilas interdentais e zona 
marginal da gengiva: 
• Origem local: má higiene oral; irritação conseqüente às bordas 
cavitárias; restaurações salientes; produtos farmacológicos, 
respiração bucal. 
• Origem geral: granuloma gravídico; gengivites da gestação; 
carência do complexo B ou de vitamina C; disfunção endócrina, 
especialmente as da puberdade; hipertireoidismo; produtos 
farmacológicos; hipertrofia tecidual na diabete não tratada; 
leucemia e neoplasias. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
200
 4.2. Destruição, atrofia e ulceração das papilas interdentais e zona 
marginal gengival: 
• Origem local: fusoespiroquetose; cáusticos empregados para a 
cura da fusoespiroquetose; hiperfunção mandibular; retenção de 
partículas alimentares e hábitos. 
• Origem geral: carências nutritivas; fusoespiroquetose; neutropenia 
maligna (precoce); anemia aplástica e neoplasias. 
 4.3. Hiperplasia e hipertrofia da gengiva vestibular e lingual: 
• Origem local: má higiene bucal; cálculos e abcessos periodontais; 
fibromatose difusa. 
• Origem geral: transtornos endócrinos especialmente durante a 
puberdade; hiperplasia por barbitúricos ou dilantínica; escorbuto e 
leucemia. 
 4.4. Destruição, ulceração ou atrofia da gengiva vestibular e 
lingual: 
• Origem local: úlcera trofoneurótica; queimaduras graves; 
osteorradionecroses. 
• Origem geral: leucemia (tardia); agranulocitose; gangrena 
diabética; necrose por mercúrio, arsênio e fósforo e, úlceras 
sifilíticas. 
 4.5. Inflamação aguda da gengiva labial e lingual: 
• Origem local: reações de hipersensibilidade e colutórios; pastas 
dentais e cremes; estomatites estafilocócicas e estomatites 
gonocócicas.• Origem geral: carência de vitaminas do complexo B; alterações 
teciduais por disfunção gonadal na menopausa; exantemas do 
sarampo e escarlatina; reações agudas à administração do 
mercúrio e bismuto; reações alérgicas a alimentos; líquen plano 
(tipo erosivo). 
 4.6. Palato duro e mole: 
• Origem local: leucoplasia, inflamação ou hipertrofia das glândulas 
palatinas; inflamação da papila incisiva por fatores mecânicos; 
cistos da papila; fenda palatina parcial ou total; neoplasia; 
traumatismos e reações alérgicas aos materiais de dentaduras. 
• Origem geral: goma sifilítica; lesões necróticas nas discrasias 
sangüíneas; neutropenia maligna e leucemia; líquen plano; herpes; 
eritema polimorfo; manifestações alérgicas; equimose da icterícia; 
endocardite bacteriana subaguda; pênfigo; úlceras tuberculosas; 
necroses após exodontias em diabéticos não tratados ou mal 
tratados; placas sifilíticas. 
 4.7. Mucosa das bochechas: 
• Origem local: leucoplasia; lesões traumáticas; queimaduras e 
traumatismos, incluindo os produzidos durante a assistência 
odontológica; cistos de retenção; neoplasias; pontos de Fordyce; 
irritação traumática por mal oclusão; restaurações e próteses 
defeituosas; hábitos; estomatite estreptocócica. 
• Origem geral: herpes simples; queilites carenciais; cancro 
sifilítico; eritema polimorfo; pênfigo: pigmentação racial; líquen 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
201
plano; lesões necróticas na leucemia e neutropenia maligna; aftas; 
reações alérgicas; pigmentação na enfermidade de Addison; 
manchas de Koplik. 
 4.8. Lábios: 
• Origem local: leucoplasia; queilose por umedecimento; queilose 
por contato; lesões traumáticas; queimaduras físicas ou químicas; 
anomalias congênitas; queilose angular por diminuição da 
dimensão vertical; sialorréia; ulcerações por fusoespiroquetose; 
pigmentação metálica por contato; inflamação das glândulas 
solitárias dos lábios; neoplasias. 
• Origem geral: herpes simples; queilose nos estados carenciais; 
lesões generalizadas no período secundário da sífilis; líquen plano; 
eritema polimorfo; cancro sifilítico; fissuras sifilíticas; úlceras 
tuberculosas; pênfigo e edema angioneurótico; manifestações 
medicamentosas. 
 4.9. Língua: 
• Origem local: língua geográfica; leucoplasia lingual; carcinoma; 
glossite esclerosante sifilítica; revestimento anormal da língua; 
anomalias congênitas e de desenvolvimento; anquiloglossia e 
macroglossia; glossites rômbicas medianas; traumatismos por 
dentes, restaurações ásperas ou cálculos; aparelhos protéticos 
traumatizantes; neoplasias. 
• Origem geral: atrofia e inflamação das papilas; carência do 
complexo B; síndrome de Plumer-Vinson; anemia secundária; 
descompensação cardíaca; hipercloridria; líquen plano; sífilis; 
eritema polimorfo; edema angioneurótico; úlcera tuberculosa; 
pênfigo: lesões por anemia perniciosa; hipotireoidismo; diabetes. 
 
 5. Exames complementares: 
 Na prática, o profissional não deve e não pode estabelecer um 
diagnóstico definitivo baseado apenas na anamnese e nos exames clínicos. Há 
necessidade, freqüentemente, de estes exames serem comprovados por outros, 
chamados de complementares. Estes exames são realizados quer na clínica, quer em 
laboratórios especializados, sendo classificados em exames de rotina e especiais, 
sendo que ambos, por sua vez, podem ser locais e gerais. 
• Exames de rotina: 
• Locais: 
• radiografias periapicais (dentados), 
• radiografia oclusais (desdentados), 
• radiografias panorâmicas. 
• Gerais: 
• Tempo de coagulação, sangramento e dosagem de 
hemoglobina; pressão arterial e pulso. 
• Exames especiais: 
• Locais: 
• radiografias oclusais (dentados), 
• radiografias extra-orais, 
• radiografias pelo método de Miller-Winter, 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
202
• biópsia; transiluminação; cutirreação; 
intradermorreação; oftalmorreação. 
• Gerais: 
• Exame de urina; hemograma; prova de retração do 
coágulo; prova de fragilidade capilar; reação de 
Wassermann (sorológica); Machado Guerreiro 
(sorológica); reflexo-óculo-cardíaco; HIV (AIDS). 
 
PRINCIPAIS ENFERMIDADES E SUA CONSTATAÇÃO 
POR EXAMES COMPLEMENTARES 
 
• Agranulocitose ou neutropenia maligna: 
• Hemograma: 
• ausência de granulocitos jovens, 
• diminuição do número de polimorfonucleares, 
• eritrócitos normais, 
• hemoglobina normal. 
• Anemia perniciosa: 
• Hemograma: 
• hemoglobina reduzida a 5,8 a 6 g%, 
• redução do número de eritrócitos a 1 milhão/mm3, 
• aumento do volume dos eritrócitos, 
• diminuição do número de plaquetas a 40.000 mm3. 
• Anemia hipocrômica microcítica: 
• Hemograma: 
• hemoglobina reduzida para 6 g%, 
• redução do número de eritrócitos para 3 
milhões/mm3, 
• diminuição do volume dos eritrócitos, 
• Anemia aplástica: 
• Hemograma: 
• hemoglobina reduzida, 
• redução do número de eritrócitos para 1 
milhão/mm3, 
• redução notável de neutrófilos, 
• hemoglobina reduzida. 
• tempo de coagulação prolongado. 
• Alergia: 
• Cutirreação: são praticadas escarificações na face ventral 
do braço próximo ao antebraço, depositando-se aí algumas 
gotas do medicamento. Espera-se de 10 a 16 minutos para 
a verificação das reações que venham a decorrer. Se a 
reação for positiva, surgirá no local da escarificação uma 
intensa hiperemia. 
• Intradermorreação: injeta-se uma gota de solução a ser 
estudada no antebraço subcutaneamente. Se a reação for 
positiva aparecerá no local da pápula formada pela 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
203
penetração da substância uma formação semelhante a 
pseudópodos, acompanhada algumas vezes de hiperemia e 
reação geral de pequena intensidade. 
• Oftalmorreação: instila-se uma gota da solução a ser 
estudada na conjuntiva, apreciando a reação surgida nos 15 
minutos seguintes. Se for positiva poderá haver marcante 
reação. Se forem fracamente positivas, dentro de alguns 
minutos involuirão. Se forem intensas, haverá necessidade 
da aplicação de solução milesimal de adrenalina para 
instalação na conjuntiva ou intramuscular. Se forem 
sistêmicas, há necessidade de um antiestamínico. 
• Diabetes mellitus: 
• Exame de urina: 
• verificação da glicosúria pela reação de Benedict 
ou pela utilização da glicofita. 
• Hematológico: 
• verificação da glicemia. 
• Hemofilia: 
• Tempo de sangria: 
• normal. 
• Tempo de coagulação: 
• excessivamente prolongado. 
• Retração do coágulo: 
• normal. 
• Plaquetas: 
• normal. 
• Prova de Rumpel-Leede: 
• Hipertensão arterial: 
• Pressão arterial: 
• diastólica: acima de 90 mmHg. 
• sistólica: acima de 150 mmHg. 
• Leucemia linfóide aguda: 
• Hemograma: 
• eritrócitos reduzidos. 
• redução da hemoglobina (6 a 8 g). 
• aumento exagerado de leucócitos (de 150.000 a 
250.000 por mm3. 
• grande número de linfoblastos. 
• redução do número de plaquetas (100.000). 
• Leucemia mielóide aguda: 
• Hemograma: 
• redução do número de eritrócitos (2 milhões). 
• dosagem de hemoglobina (6 a 8 g). 
• aumento exagerado de leucócitos. 
• grande número de mieloblastos. 
• redução do número de plaquetas (50 mil). 
• Púrpura trombocitopênica essencial: 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
204
• Tempo de sangria: 
• prolongado. 
• Tempo de coagulação: 
• normal. 
• Retração do coágulo: 
• prolongada. 
• Prova de Rumpel-Leede: 
• positiva. 
• Número de plaquetas: 
• diminuído. 
• Telangiectasia hereditária: 
• Tempo de sangria: 
• normal. 
• Tempo de coagulação: 
• normal. 
• Retração do coágulo: 
• normal. 
• Sífilis: 
• Reações sorológicas: 
• VDRL:positivo. 
• Wassermann: positivo. 
• AIDS: 
• Exame: 
• HIV. 
 
DA AVALIAÇÃO DO RISCO CIRÚRGICO 
 
 Baseando-se nas informações obtidas pela anamnese e exames 
clínicos, a indicação da cirurgia pode ser determinada com alguma segurança e, o 
cirurgião saberá quando deverá realizá-la, ficando apto a fazer uma estimativa do 
risco envolvido. Tal avaliação neste período é importante, a fim de se planejar quais 
determinações laboratoriais deverão ser requisitadas, solicitar pareceres, se 
necessário e, preparar o paciente para o que possa advir. 
 Prévia avaliação do risco cirúrgico, em uma das três categorias que se 
seguem, não deverá ser difícil: 
 Pacientes considerados de bom risco são aqueles encontrados em 
excelentes condições de saúde, que se internam num hospital para submeter-se à 
correção cirúrgica de lesão de natureza local e, não apresentam efeitos sistêmicos. 
Neste paciente, não existe qualquer doença imediatamente manifesta, envolvendo 
outros órgãos. 
 Paciente considerado de mau risco é aquele cuja lesão local é 
suficientemente grave para produzir efeitos sistêmicos pronunciados, ou que 
apresenta enfermidade grave de um ou outro órgão vital. Tal enfermidade exigirá 
investigação minuciosa e, poderá requerer medidas de emergência capazes de 
controlá-la temporariamente e, muito certamente influenciará na escolha do agente 
anestésico, da oportunidade e caráter do plano cirúrgico. 
 Pacientes considerados de risco intermediário são aqui incluídos 
muitos daqueles devido a razões de idade, de doenças sistêmicas de mediana 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
205
gravidade ou de efeitos sistêmicos precoces da própria lesão cirúrgica, que exigirão 
certas condutas de correção e, a realização de investigações pré-operatórias, além das 
rotineiras. 
 
 6. Necessidade das intervenções: 
 Firmado o diagnóstico definitivo com dados já obtidos por exames 
clínicos e complementares, o cirurgião deve verificar problemas relativos à 
necessidade da intervenção. 
 -Quando se deve optar pelo tratamento cirúrgico ? 
 Este é dos mais delicados assuntos em todo tratamento cirúrgico, pois 
requer do profissional, ética e conhecimento de todas as especialidades 
odontológicas, para conscientemente, decidir por um tratamento cirúrgico ou não, 
além da possibilidade de avaliação do risco cirúrgico. 
 O bom cirurgião é aquele que, na medida do possível, realiza 
tratamento clínico ou cirúrgico-conservador, preferentemente a um tratamento 
cirúrgico-radical. 
 
 7. Oportunidade da intervenção: 
 Verificada a necessidade de se intervir cirurgicamente, devem-se 
avaliar as possibilidades da oportunidade da intervenção: 
 - É oportuna ou não a intervenção ? 
 O profissional deverá constatar a oportunidade da intervenção 
cirúrgica naquele momento. Muitas vezes não será oportuna ou conveniente, isto 
porque alterações de ordem geral ou local, patológicas ou não, podem contra-indicar 
o tratamento cirúrgico naquele instante. O adiamento da cirurgia para outra ocasião 
será muitas vezes necessário, para que o paciente possa ser operado em melhores 
condições. 
 Assim, deve-se verificar: menstruação, gestação, agranulocitose ou 
neutropenia maligna, anemia perniciosa, anemia hipocrômica microcítica, anemia 
aplástica, alergia, diabetes mellitus, hemofilia, hipertensão arterial, leucemia, púrpura 
hemorrágica, telangiectasia hereditária, sífilis, tuberculose e outras. 
 Todas estas condições estão explicadas com minúcias na oportunidade 
da intervenção (Capítulo IV). 
 
 8. Tratamento pré-operatório: 
 Diversos tratamentos para pacientes com as alterações vistas 
anteriormente podem ser: 
• Pacientes alérgicos: 
• Pacientes que apresentam reações alérgicas à anestesia 
local, antibióticos ou a outros medicamentos devem ser 
preparados antes das intervenções cirúrgicas. Recomenda-
se geralmente: 
• Peridex comprimidos (Merck Sharp & Dohme): 
• Adultos: 1 a 5 comps ao dia. 
• Crianças: 1,5 a 4 comps ao dia. 
Para melhor resultado terapêutico é importante 
que a posologia seja freqüentemente ajustada às 
necessidades de cada paciente. 
• Trilergon comprimidos (Quimiofarma): 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
206
• Adultos: 4 comps ao dia de 4/4 horas. 
• Crianças: 1 a 3 comps ao dia. Com 6 anos: 
 1 comp. ao dia ou a critério médico. 
• Benadryl (Parke Davis): 
• Adultos: 0,05 a 1 cm injetável via 
intramuscular ou endovenosa ao dia - 1 
cápsula 3 a 4 vezes ao dia. 
• Crianças: 1 a 3 colheres de chá 3 a 4 vezes 
ao dia. 
• Fenergan (Rhodia): 
• Adultos: 2 a 6 drágeas ao dia. 
• Casos de emergência: injetável via 
intramuscular (50 mg) (choque anafilático 
ou crises de asma). 
 Antes de qualquer receita, consultar o DEFE, a fim de ser verificada 
qualquer alteração nos medicamentos e em sua posologia. 
• Pacientes diabéticos: 
• Por apresentar baixa resistência às infecções merecem cuidados 
especiais, não somente no pré-operatório como também durante o 
trans-operatório. A intervenção deve ser realizada durante a curva 
decrescente de glicemia, geralmente uma hora e meia a três horas 
após aplicação de insulina. Devem ser evitados os problemas da 
apreensão, ansiedade, tratamentos longos que poderão acarretar 
aumento ainda maior de glicose na corrente sangüínea. Durante o 
trans-operatório, indicam-se soluções anestésicas sem vaso-
constritores e, as intervenções deverão ser de pequena duração e 
extensão. O trauma deve ser mínimo em razão da dificuldade no 
processo de reparo. Não são raros os casos de necrose nos tecidos 
moles após cirurgias. 
• Pacientes hemofílicos: 
• Tratamento nestes pacientes deve ser realizado em hospitais em 
colaboração com o médico. Administra-se geralmente, plasma 
liofilizado antes da intervenção e nos três dias subseqüentes ao 
tratamento cirúrgico, para manter o tempo de coagulação em nível 
abaixo de 20 minutos. Devem ser extraídos no máximo dois 
dentes em cada etapa. Empregam-se também as transfusões 
sangüíneas. Como tratamento local, a esponja de fibrina 
preparada com fibrinogênio e trombina humanos tem oferecido 
bons resultados. Podem ser utilizados, ainda, gelfoan e celulose 
absorvível. A celulose absorvível poderá ser umedecida com 
solução de trombina. 
• Pacientes com hipertensão arterial anormal: 
• Profissional deve tomar certas precauções antes e durante o 
tratamento cirúrgico de pacientes hipertensos, mesmo após a 
autorização do médico especialista. Assim, deverá evitar todo e 
qualquer procedimento que possa elevar sua pressão, como: 
apreensão e excitação, ambas de fundo psíquico; solução 
anestésica contendo vasoconstritores; cirurgias extensas e de 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
207
grande duração. Recomenda-se ainda, a utilização de medicação 
pré-anestésica. 
• Pacientes com afecções hepáticas: 
• Pacientes portadores de icterícia obstrutiva ou hepatopatias 
primitivas podem apresentar deficiências na formação de 
protrombina devidas à hipovitaminose K. Estão assim, sujeitos a 
hemorragias no trans e pós-operatório cirúrgicos. Quando a 
intervenção cirúrgica for necessária, o tratamento pré-operatório à 
base de vitamina K é recomendado. Administra-se geralmente, de 
1 a 3 ampolas de Sinkavit (Roche) por via intramuscular cada 6 a 
12 horas. 
• Pacientes com fragilidade capilar ou prova de Rumpel-Leede 
positiva: 
• Pacientes com púrpura trombocitopênica apresentam fragilidade 
capilar e, em conseqüência, graves hemorragias no trans e pós-
operatórios cirúrgicos. Nestes casos, deve ser utilizado como 
tratamento pré-operatório medicamento com ação sobre os 
capilares. Geralmente, aplica-se 1 a 2 ampolas de Adrenostase(Keto) por via intramuscular profunda, ou uma ampola de 
Styptanon (Organon-20 mg) por via endovenosa ou intramuscular 
antes da intervenção cirúrgica. 
 
 9. Planejamento das intervenções cirúrgicas: 
 Antecedendo a qualquer intervenção cirúrgica, é necessário que ela 
seja objeto de cuidadoso planejamento. Neste planejamento, devem ser analisados os 
seguintes fatores: 
 Localização do processo patológico ou do elemento sede do processo. 
 Relações de contigüidade do processo a ser eliminado com estruturas 
anatômicas importantes. 
 Vias de acesso ao elemento e suas vias de eliminação. 
 Recursos que facilitam a eliminação do processo patológico. 
 Material e instrumental indicado para facilitar a intervenção. 
 Para toda e qualquer intervenção, serão estabelecidos planejamentos 
cirúrgicos, segundo técnicas cirúrgicas e tempos operatórios, capazes de satisfazer 
todos os itens acima citados. 
 
 10. Tratamentos pós-operatórios e cuidados: 
 Para que não ocorram acidentes após uma cirurgia, deve-se proceder a 
um diagnóstico correto, levando a cabo a cirurgia dentro dos preceitos da técnica. 
 Em cirurgia surgem acidentes, apesar das maiores preocupações 
comumente tomadas pelos operadores. Para diminuir cada vez mais o número e a 
freqüência dos acidentes desta natureza, seria necessária uma revisão periódica das 
condições que podem concorrer para produzi-los. Grande parte das dificuldades 
apresentadas pelos cirurgiões deve-se a mau julgamento, planejamento deficiente ou 
a procedimentos operatórios deficientes. Para evitar ainda mais problemas pós-
operatórios, deve-se logo após o ato cirúrgico, instruir devidamente os pacientes a 
respeito dos cuidados e tratamentos pós-operatórios que devem seguir (SCHRAM, 
1964). Estes devem ser adequados, a fim de assegurar o êxito da intervenção, pois a 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
208
inadequada ou simples falta de instrução pós-operatória, podem ser a causa de 
deiscência da ferida convenientemente operada (HINDS, 1960). 
 Estas instruções devem ser entregues por escrito ao paciente, pois as 
verbais podem não ser perfeitamente compreendidas ou até mesmo esquecidas, 
devendo este método ser empregado tanto em clínica particular como em escolas de 
Odontologia, para evitarem-se sérios mal-entendidos. 
 As instruções pós-operatórias devem ser claras e sucintas, porém com 
detalhes suficientes para resolver os problemas. Deve-se ainda, dentro do possível, 
advertir o pacientes sobre seqüelas operatórias que poderão advir. 
 Do ponto de vista psicológico, é bem melhor que o paciente conheça a 
extensão de desconforto pós-operatório, pois isto parece condicioná-lo mais 
adequadamente para o evento. Por outro lado, caso ocorram acidentes 
desagradáveis, mesmo que sejam de gravidade menor do que poderia ser esperado, o 
paciente não advertido estaria mais propício a fazer uma crítica mais severa ao 
tratamento cirúrgico recebido. 
 Na Faculdade de Odontologia de Bauru, no Departamento de 
Estomatologia (Disciplina de Cirurgia) e em Cursos de Especialização e 
Residência por nós coordenados, é adotada uma ficha com as seguintes instruções 
mínimas necessárias para o paciente: 
• Não fazer bochechos, pelo menos durante 24 horas após a 
intervenção, devendo somente lavar a boca após as refeições com 
solução de água fria e sal. 
• Retirar a gaze protetora da boca após uma hora. 
• Aplicar bolsa de gelo sobre o local operado, durante todo o dia em 
que foi realizada a intervenção, com períodos de descanso, de 
aproximadamente 1 hora, até à noite, começando imediatamente 
após a intervenção. 
• Em caso de dor, tomar um a dois comprimidos 
de..................(colocar o nome do comprimido), 
ou.......................gotas de.................... 
• Em caso de dor forte..................(explicar por escrito o que o 
paciente deverá fazer). 
• Alimentos líquidos, de preferência frios ou gelados (caldos, sopas, 
mingaus, suco de frutas, etc.). 
• Evitar os excessos físicos e mentais, se necessário manter repouso 
na cama e deitar sempre com a cabeça mais elevada que o resto do 
corpo. 
• Em caso de saída de sangue maior que a normal, morder ou 
comprimir no local um rolo de gaze ou de algodão durante 10 
minutos e fazer uma injeção de......................(Colocar o nome da 
injeção). 
• Em caso de complicação chamar pelo telefone (colocar os 
números dos telefones onde provavelmente será encontrado). 
• No dia seguinte à intervenção, fazer a higiene da boca com 
..........(colocar a solução), fisioterapia e compressas quentes no 
local da intervenção (3 ou 4 vezes ao dia). 
• Voltar no dia...../...../.....às.....horas, para observação e para a 
retirada dos pontos. 
 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
209
 Com respeito aos acidentes de discrasias sangüíneas, o profissional 
que pratica cirurgia bucal deve estar sempre atento para evitar, controlar e tratar a 
hemorragia. Inicia-se por prevenir a instalação de uma hemorragia, durante a 
operação, com medidas cirúrgicas. Na maioria dos casos a dissecção limpa e 
cuidadosa evita a hemorragia trans e pós-operatória, pois como diz BERMAN 
(KRUGER, 1960) “tratando-se os tecidos com bondade amorosa, eles saram”. 
 É de suma importância fazer incisões nítidas, evitar romper tecidos, 
fragmentar ossos. Para controle e prevenção de hemorragias pós-operatórias, o 
cirurgião deve proceder com método planificado de maneira eficiente. 
 A sutura deve ser realizada em todos os casos, mesmo naqueles em 
que a única finalidade seja a proteção do coágulo sangüíneo, porque uma de suas 
razões é a manutenção dos tecidos moles sobre o alvéolo após a extração, protegendo 
a região. Ajuda na formação de correta coagulação, que significará menos dor pós-
operatória, especialmente aquela originada pela exposição do tecido ósseo. Além 
disso, evita a penetração de alimentos, microorganismos orais na ferida, diminuindo 
riscos de uma infecção. 
 Completando-se a prevenção de uma hemorragia, deve-se proteger o 
local da intervenção com gaze colocada firmemente entre os dentes ou rebordos, a 
qual deverá permanecer durante meia a uma hora após a intervenção. Deve-se ainda, 
instruir o paciente para que não faça bochechos, pois sua utilização poderia provocar 
uma hemorragia, se feito antes de a coagulação haver-se processado, ou mesmo após. 
 Além disso, o paciente deve ser instruído para que faça aplicações de 
gelo extra-oralmente sobre o local operado durante 15 minutos, permanecendo 15 
minutos ou mais descansando, iniciando imediatamente após a intervenção. Esta 
aplicação é feita com o objetivo de evitar a congestão da dor pós-operatória, prevenir 
hematomas e hemorragia, além de diminuir e circunscrever o edema pós-operatório. 
Com a aplicação do frio sobre a região, provoca-se inicialmente uma contração dos 
tecidos, obtendo-se assim, uma isquemia devido à expulsão do sangue dos capilares 
pela contração das fibras elásticas e musculares dos tecidos. Havendo, portanto, esta 
contração dos vasos sangüíneos haverá diminuição, por reflexos, da irrigação dos 
tecidos subjacentes. Extrai-se o calor do interior pela aplicação do frio, diminuindo-
se a sensibilidade das terminações periféricas nervosas e, por conseguinte a dor. 
 Pelo resfriamento dos tecidos impede-se a circulação, inibe-se a 
leucocitose e o afluxo de linfa às partes afetadas, havendo conseqüentemente 
diminuição de pressão sobre as fibras nervosas e a distensão dos tecidos. Por este 
mesmo processo fisiológico, este mecanismo pode inibir a cura, privando os tecidos 
afetados de maior circulação, pois está provado que a inflamação é a resposta natural 
à lesão. Por este motivo as aplicações de frio devem ser breves, devendo-se evitá-las 
principalmente empessoas idosas, nas quais existe afluxo de menor intensidade. O 
frio agrava a êxtase no lugar da inflamação, portanto seu uso prolongado poderá 
levar à necrose e à gangrena. Deduz-se que a aplicação do frio tem sua utilização 
limitada, devendo ser empregada apenas nos primeiros períodos do trauma, nos quais 
não há infecção aguda (após extrações e outras cirurgias), com a finalidade de 
diminuir a inflamação. 
 Se a ação do frio, para os casos em que foi indicada, não produziram 
nenhuma redução do processo, decorrido 24 horas, deve-se recorrer às aplicações do 
calor. Quando se emprega o calor, em forma de cataplasmas, compressas, bolsas de 
água, etc., sua penetração nos tecidos não é grande, pois alcança somente 1 mm e, o 
aquecimento dos tecidos é feito por condução. Isto está em oposição à maior ação 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
210
penetrante de fontes luminosas de calor, tais como a luz solar, lâmpadas de 
tungstênio ou lâmpadas de filamento de carvão. Tanto por condução ou por 
radiação, em qualquer método, a quantidade de calor que penetra nos tecidos é baixa. 
 Se for aumentada a temperatura dos tecidos acima de 37°C, o 
organismo se incumbe rapidamente de regular este calor mediante reflexos 
circulatórios. Daí concluir-se que a quantidade de energia calórica, necessária para 
alterar a temperatura dos tecidos a qualquer profundidade, deve ser muito grande. 
 A exposição local ao calor resulta pois, num estímulo aos reflexos 
vasomotores. Desta maneira, há aumento do número de capilares abertos e uma 
aceleração do metabolismo dos tecidos, havendo conseqüentemente aumento das 
trocas entre o sangue e os tecidos. O calor, causando dilatação das fibras musculares 
lisas nas paredes dos vasos periféricos, produz também vasodilatação periférica e 
elevação da pressão capilar. Ao mesmo tempo em que os capilares se distendem, 
aumentam as áreas das paredes capilares para a troca dos líquidos, resultando assim 
maior afluência de linfa, plasma e líquidos tissurais e, desta maneira, aumento dos 
mecanismos locais de defesa. 
 Com o aumento da circulação local, o edema destaca-se. O calor local 
aumentando a rede de capilares linfáticos e, conseqüentemente a formação de linfa e, 
esta por sua vez, acelera a drenagem linfática, havendo assim estímulo da atividade 
dos leucócitos na fagocitose. Estes fatores desempenham importante papel na luta 
contra a infecção. Se esta se inclinar para a formação de coleção purulenta, o calor 
apressará este processo e, se a infecção tiver tendência à cura espontânea e rápida, 
então o calor acelerará a cura. 
 Não tem qualquer fundamento a teoria de que o calor, produzindo 
localização de uma infecção, retardaria a cura, impedindo assim o processo de reparo 
por si mesmo. 
 O paciente deverá alimentar-se com líquidos, de preferência frios ou 
gelados, promovendo-se com isto a reposição de líquidos, pois a cirurgia bucal influi 
na ingestão de líquidos e eletrólitos. Certos fatores podem alterar a ingestão de 
alimentos e água devido à ansiedade, estados patológicos predisponentes que 
produzem dor pré e pós-operatória, tumorações, trismo, mal-estar ou náuseas, 
ocasionando a perda de equilíbrio dos líquidos. Estas condições atuando por mais de 
24 horas, diminuem a ingestão de 2,5 litros, com ligeira desidratação do paciente, o 
que irá perturbar o equilíbrio ácido-base, aumentando assim a possibilidade de se 
apresentarem complicações e retardando a convalescença. 
 Como outra recomendação instrui-se o paciente para evitar excessos 
físicos, mantendo-se em repouso, com a cabeça mais elevada que o corpo, exercícios 
muscular e, a conseqüente vasodilatação, de modo a não prejudicar a hemostasia e, 
assim o processo de reparo. 
 Depois de tomados todos estes cuidados iniciais, se o paciente notar 
sangramento maior que o normal, é necessário que saiba as medidas a tomar 
imediatamente, ou seja, comprimir o local com gaze ou algodão, procurando com 
isto coibir a hemorragia pela ação mecânica local, até chegar ao consultório do 
profissional ou na escola. 
 Os cuidados a serem tomados no dia seguinte à intervenção cirúrgica 
devem ser: 
 Fazer a higienização da boca com solução anti-séptica como o 
Malvatricin ou derivados da malva. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
211
 Aconselhar o paciente a fazer compressas quentes, ou ainda a 
aplicação de raios infravermelhos no local operado, no caso de se apresenta edema. 
 Desde que as instruções não sejam suficientemente razoáveis para a 
resolução dos problemas, o paciente deverá entrar em contato com o profissional, 
para que providências imediatas sejam tomadas. 
 Os problemas mais freqüentes que poderão ocorrer por uma extração 
dental são: hemorragia e alveolite. 
 Em casos de hemorragia, deve-se primeiramente pesquisar qual o tipo 
que está ocorrendo, além de sua localização, se óssea ou dos tecidos moles, pois para 
cada caso haverá um procedimento terapêutico. Quando a hemorragia for devida a 
problemas de ordem geral, deve-se encaminhar o paciente imediatamente a um 
hospital, para a realização de uma intervenção com maiores cuidados e segurança 
(Veja em Manobras Cirúrgicas Fundamentais). 
 As alveolites são infecções causadas por estafilococos e estreptococos 
após uma extração dental, podendo ser devidas à falta de circulação alveolar e 
conseqüentemente à falta de coágulo. Ainda poderão ser devidas à retirada do 
coágulo do alvéolo pelo paciente, à falta de assepsia e anti-sepsia do operador e do 
paciente, bem como pela falta de esterilização do instrumental. Poderá também vir a 
ocorrer pela raspagem do alvéolo após uma extração pela remoção dos restos de 
ligamentos periodontais, impossibilitando desta maneira uma fixação correta do 
coágulo neste alvéolo (Veja em Acidentes e Complicações das Exodontias). 
 
o0o 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
212
MANOBRAS CIRÚRGICAS 
FUNDAMENTAIS 
 
 Para toda e qualquer intervenção cirúrgica, torna-se necessária a 
observação de princípios gerais e, de manobras fundamentais, capazes de levá-la a 
um bom termo. 
 A assepsia e anti-sepsia do paciente e do operador, bem como a 
esterilização e desinfecção, devem ser perfeitamente estudadas para prevenir-se 
contra infecções, desfavoráveis para o sucesso das intervenções. 
 A seleção do material e instrumental para determinadas manobras é 
importante, pois nada poderá faltar na mesa cirúrgica. O conhecimento de cada um 
(arsenal cirúrgico), assim como a maneira como devem ser empunhados e usados, 
também é de grande importância para o bom andamento de uma intervenção, da 
mesma forma que o é a disposição na mesa auxiliar, que virá facilitar grandemente 
seu manuseio, reduzindo assim a duração das intervenções. 
 A visualização do campo operatório, conforto do paciente e descanso 
do profissional durante a intervenção devem ser igualmente, objetos de estudo 
detalhado, pois estão diretamente ligados ao sucesso da intervenção. 
 A cirurgia compreende um conjunto de manobras realizadas pelo 
cirurgião e seu auxiliar, que constituem uma agressão aos tecidos vivos. Este 
traumatismo, que já se inicia com a manobra da incisão, produz uma quebra da 
continuidade dos tecidos, rompendo sua proteção natural mantida pelo epitélio, 
expondo, desta maneira, os tecidos internos ao meio ambiente. Se não forem 
tomadas precauções necessárias, esta região será fatalmente invadida por 
microorganismos que normalmente ali se encontram, bem como nos instrumentos 
usados. 
 Como conseqüência natural desta invasão, o organismo deverá lutar 
contra mais este agente agressor, que muitas vezes acarretará infecções com 
problemas difíceis de serem combatidos. Num organismo debilitadoa infecção 
poderá assumir proporções perigosas, sendo levada à corrente circulatória, com 
possibilidade de provocar uma bacteremia ou uma septicemia. 
 Para serem evitadas estas complicações, além de todos os cuidados de 
assepsia, anti-sepsia, esterilização e desinfecção já vista nos capítulos anterior, o 
cirurgião deverá ter conhecimento preciso e seguro sobre a diérese, hemostasia e 
síntese, a fim de levar a cirurgia a um bom final. 
 
DIÉRESE 
 
 É o tempo operatório que reúne em si um certo número de manobras 
cirúrgicas destinadas à separação cruenta dos tecidos. A diérese está dividida, com 
finalidade didática em: diérese dos tecidos moles e dos tecidos duros. 
 1. Diérese dos tecidos moles: Compreende: incisão corte ou secção e 
a divulsão podendo como conseqüência ser aqui incluídos os retalhos. 
 1.1 Incisão: É a manobra cirúrgica na qual os tecidos são separados 
pela penetração da lâmina cortante do bisturi. Os bisturis constam de 2 partes: cabo 
e lâmina. O uso de bisturis e lancetas com a ponta ativa fixada ao cabo era bastante 
generalizado, entretanto a utilização de bisturis com lâminas intercambiáveis, é quase 
que total, possibilitando o emprego de lâminas sempre novas, pela sua simples 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
213
substituição. A lâmina intercambiável é montada sob pressão na ranhura do cabo. 
Existe uma série variada de pontas ativas e, cada uma idealizada para uma 
determinada espécie de incisão. Assim, em cirurgias da cavidade bucal, são usadas 
as lâminas: número 11, para incisões intra-orais e drenagem de abcessos; número 12, 
para incisões mucoperiostais distalmente aos segundos e terceiros molares; número 
15, para a grande maioria das incisões intra-orais, além de também algumas extra-
orais (Ver “Arsenal Cirúrgico”). 
 É usado ainda para incisões o bisturi elétrico, contudo, com indicações 
bastante limitadas em Odontologia. THOMA (1963) faz as seguintes referências 
com respeito à eletrocirurgia: “É muito útil para execução de operações sem 
hemorragia, para destruir por coagulação neoplasmas malignos profundos e, para 
efetuar descamação de lesões superficiais da boca por fulguração. O eletrodo 
uniterminal bipolar serve para fazer uma coagulação ou seja, a destruição de lesões 
pequenas por ação limitada. Para operações extensas prefere-se o método 
biterminal unipolar”. 
 Dá-se o nome de acussecção ao corte feito com eletrodo em agulha ou 
em alça. Sua ação depende da intensidade da corrente e da rapidez com que é 
aplicada. Quando se faz com a agulha um movimento rápido, desintegra-se o tecido 
e divide-se quase antes que chegue à agulha, da mesma forma que se corta a 
manteiga com uma faca quente. O resultado depende assim mesmo do tamanho do 
eletrodo: quanto maior a superfície de contato, tanto maior é a destruição. Quando a 
corrente de alta freqüência divide os tecidos, oclui os vasos linfáticos e capilares e 
evita a hemorragia. Grandes vasos podem ser comprimidos com pinças 
hemostáticas, as quais são tomadas com a mão, sem deixar que toquem em nenhuma 
outra parte do corpo, fazendo-se passar por elas a corrente de coagulação, ocluindo 
assim, os vasos sangrantes e, evitando-se a necessidade de ligá-los. 
 Deve-se lembrar que, produzindo-se calor intenso, ele se propaga à 
distância considerável do eletrodo e ao tecido ósseo contíguo, sofrendo necrose e 
seqüestração. Geralmente forma-se um esfacelamento na superfície tratada desta 
maneira, que vem a cair após 10 a 14 dias. Para evitar-se uma infecção prescreve-se 
antibiótico. Pacientes que sofrem este tipo de cirurgia não sentem quase nenhuma 
dor, pois são destruídas as terminações nervosas. É provável que a cicatriz deixada 
pela eletrocoagulação seja densa e fibrosa. 
 A fulguração é uma rápida carbonização superficial, que impede a 
ulterior penetração da corrente. Mantém-se a agulha à curta distância da lesão, 
distribuindo-se por toda a região faíscas produzidas pela corrente cortante. O tecido 
tratado desta maneira descama-se, eliminando assim as lesões mais superficiais. O 
método é bastante útil para o tratamento de leucoplasias. Não produz efeito muito 
profundo para a destruição de neoplasias malignas. 
 Como se deve empunhar um bisturi: O bisturi deve ser empunhado 
de 3 maneiras: como caneta (com 3 pontos de apoio), como arco de violino e, como 
faca. É aconselhável usá-lo como se apreende uma caneta, porque permite orientar 
sua ponta ativa com delicadeza e incisar com precisão, além de manter-se a mão com 
possibilidade de apoio. O dedo polegar é colocado no lado esquerdo do cabo, o 
indicador na parte superior e o médio à direita e abaixo. Desta maneira, podem-se 
imprimir todos os movimentos desejados, à custa das articulações dos dedos e do 
punho. Quando se pretende tomar o bisturi com extrema precisão, devem-se manter 
os dedos indicador e médio na proximidade da ponta ativa da lâmina (Ver “Arsenal 
Cirúrgico”). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
214
 A incisão deve ser iniciada penetrando-se a ponta ativa da lâmina 
perpendicularmente aos tecidos. A seguir, a lâmina deve ser inclinada, estendendo-
se a incisão. Ao término desta, o bisturi volta novamente à posição inicial para poder 
sair perpendicularmente aos tecidos. Com esta técnica evitam-se as denominadas 
caudas de incisões em suas extremidades, e ainda, as indesejáveis linhas secundárias. 
Convém também, dar-se uma ligeira inclinação à lâmina do bisturi, para coaptar-se 
melhor as bordas da ferida. 
 Requisitos das incisões: As incisões devem ser praticadas 
observando-se certo número de exigências impostas pela técnica cirúrgica, cujas 
finalidades são evitar mutilações desnecessárias, além de auxiliarem no processo de 
cicatrização. O planejamento de uma incisão é essencial, porque após sua realização 
não existe mais possibilidade de sua correção. 
 Os requisitos são os seguintes: 
 a. conhecimento anatômico perfeito da região onde se opera, para 
evitar-se lesões de órgãos vizinhos, ou ainda de vasos e nervos com funções 
essenciais. 
 b. deve ser ampla a incisão, a fim de que o campo operatório seja bem 
visualizado e, o profissional possa trabalhar com liberdade. Contudo, não devem ser 
desnecessariamente extensas, sendo que o retalho deve ser bem irrigado para evitar 
necroses e auxiliar a cicatrização. 
 c. a incisão deve ser nítida e não apresentar linhas secundárias, porque 
incisões sinuosas e linhas secundárias produzem cicatrizes deformantes. 
 d. as incisões praticadas sobre o tecido ósseo, com a finalidade de nele 
se intervir, devem abranger o periósteo, bem como ser traçadas de modo que, ao 
adaptar-se o retalho em sua posição primitiva, a linha de incisão repouse sobre tecido 
ósseo íntegro. O periósteo incisado será lesado ou desgarrado, causando copiosa 
hemorragia e dificultando a regeneração óssea. Se a linha de incisão repousar sobre 
a cavidade óssea, haverá deiscência de sutura, impedindo o bom andamento da 
cicatrização. 
 e. a lâmina do bisturi deve estar com ligeira inclinação, para a mucosa 
ser incisada em bisel. 
 Tipos de incisões: As incisões podem ser planejadas obedecendo a 
todos estes requisitos. Isto é muito importante, pois uma incisão mal planejada 
produzirá cicatrizes deformantes. Existem diferentes tipos de incisões para todas as 
cirurgias, sendo que algumas delas poderão ser estudadas pelas figuras expostas. 
Pode-se assim, aquilatar qual a incisão que melhores vantagens trará ao paciente e, 
aquela que não segue os requisitos julgados fundamentais. 
 Observam-se incisões corretas e incorretas para apicoplastias (Fig. III. 
25), para toro palatino (Fig. III. 26), para a extração de terceiros molares inferiores 
retidos, para as extrações de raízes, para as drenagens deabcessos (Fig. III. 27) e 
para a extração de dentes retidos no palato (Fig. III. 28), para rânulas e freios 
linguais (Fig. III. 29). 
 Finalidades: 
 Podem ser: 
 a. Incisional propriamente dita, quando para as drenagens de 
abcessos intra ou extra-orais (lâmina n°11) e, para o preparo de acesso à 
sindesmotomia nas papilas gengivais (lâmina n°11); incisões localizadas distante dos 
segundos e terceiros molares (lâmina n°12), para a confecção de retalho (lâmina 
n°15) e, para incisões de pele (lâminas n°10 e 15) (Figs. III. 30). 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
215
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
D C 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 25 – (A, B, C e D) Incisões corretas e incorretas para apicoplastias. 
 
 
 
B A 
 
 
 
 
 
 
C D 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 26 – (A, B, C e D) Incisões corretas para toro palatino. 
 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 27 – (A e B) Incisões para a extração de terceiros molares inferiores retidos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
216
 
 
B A 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 28 – (A e B) Incisões para a extração de caninos superiores retidos no palato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 29 – Incisão para o soalho de boca para frenulectomias. 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 30 – (A e B) Incisões com finalidade incisional. 
 
 b. Excisional, quando nas exéreses de tecidos moles, biópsias, 
hiperplasias de palato, frenulectomias, neoplasias, etc. (Fig. III. 31). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 31 – Incisão com finalidade excisional. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
217
 c. Plástica, quando nas comunicações buconasais e sinusais, 
regularizando bordas de feridas cirúrgicas ou não, para dar-lhes forma geométrica 
favorável ao seu fechamento e, na elaboração de retalhos com finalidade plástica 
(Fig. III. 32). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 32 – Incisão com finalidade plástica. 
 
 1.2 Corte ou secção: É a manobra cirúrgica na qual os tecidos são 
separados pelas pontas ativas de uma tesoura. As tesouras são instrumentos 
destinados a cortar ou seccionar tecidos ou ainda, materiais usados em cirurgia. A 
tesoura, como os demais instrumentos, deve ser tomada com 3 pontos de apoio: o 
dedo polegar é introduzido numa alça, o anular na outra alça e o dedo médio é 
apoiado junto a esta alça, ficando o indicador apoiado no cruzamento das duas 
lâminas. Esta maneira de segurar a tesoura permite colocá-la na palma da mão, 
quando não estiver em uso, ficando-se com os dedos médios, indicador e polegar 
relativamente livre (Ver “Arsenal Cirúrgico”). 
 
 1.3 Divulsão: É a manobra cirúrgica na qual cria-se um espaço entre 
os tecidos sem, contudo incisá-los ou cortá-los. A divulsão permite poupar tecidos, 
evitar traumatismos desnecessários e impedir que estruturas anatômicas importantes 
sejam seccionadas. É empregada geralmente nos planos musculares ou no tecido 
conjuntivo. Esta manobra é realizada com tesoura de pontas rombas, da mesma 
forma que para cortar ou seccionar. O instrumento é introduzido fechado nos 
tecidos, sendo afastadas suas pontas ativas (Fig. III. 33). 
 
 
 A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 33 – (A e B) Divulsão dos tecidos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
218
 1.4 Retalhos: Os retalhos são aqui incluídos porque nada mais são do 
que conseqüências das incisões e, por isto devem obedecer a todos os requisitos das 
incisões e mais: 
 a. tamanho: deverá ser suficiente para cobrir com folga a cavidade, de 
tal modo que a linha de sutura não fique sobre a antiga comunicação. Além disso, 
devem cobrir sem que os tecidos fiquem em tensão (Fig. III. 34). 
 b. sua nutrição deve ser assegurada por amplos pedículos dispostos de 
maneira que facilitem a irrigação e, para isto sua base deve ser sempre maior que a 
extremidade, para não contrariar sua natural irrigação, evitando-se assim a necrose 
por deficiência circulatória (Fig. III. 35). 
 
 
 
A 
 
B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 34 – (A e B) Retalhos suficientes para cobrir com folga a cavidade. 
 
 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 35 – (A e B) Retalhos com nutrição suficiente para assegurar um amplo pedículo. 
 
 c. sua mobilidade deve ser tal que os tecidos nunca fiquem tensos ao 
serem suturados. Aí reside a causa de vários fracassos na elaboração de retalhos, 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
219
pois os tecidos são muito esticados, sendo a separação deles a resposta à imperícia 
técnica. Para ser conseguida uma boa mobilidade não se deve vacilar em recorrer à 
incisões amplas e profundas, atingindo em muitos casos o periósteo transversalmente 
ao nível do pedículo para eliminar este fator adverso à mobilidade (Fig. III. 36). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 36 – (A e B) A mobilidade do retalho deve ser tal, que os tecidos nunca fiquem tensos ao 
serem suturados. 
 
 Os retalhos são indicados sempre que: 
 a. permitirem melhor acesso e visibilidade. 
 b. houver necessidade da remoção de osso. 
 c. desejar a eliminação de uma solução de continuidade. 
 d. desejar-se evitar desgarros do tecido mole. 
e. houver necessidade de perfeita plástica e melhor cicatrização. 
 Os retalhos são sempre descolados delicadamente com o auxílio dos 
destaca-periósteos ou espátulas número 7 (Ver “Arsenal Cirúrgico”). 
 2. Diérese dos tecidos duros: É a manobra cirúrgica pela qual é 
removido parcial ou totalmente o tecido ósseo de uma região. Pode ser dividida em: 
 a. Ostectomia: quando o tecido ósseo é cortado e removido. 
 b. Osteotomia: quando o tecido ósseo é apenas cortado. 
 Seu objetivo é corrigir uma deformidade congênita ou adquirida, 
retificar o eixo de uma fratura mal consolidada, corrigir uma anquilose e, criar 
condições para a realização de determinadas cirurgias. Em ambas as diéreses de 
tecidos duros, o corte do osso é precedido pela incisão dos tecidos moles, podendo 
esta incisão ser ampla ou pequena. Quando ampla, é praticada diérese a céu aberto e, 
quando é pequena, o suficiente para permitir a passagem do instrumento que deverá 
efetuar o corte do osso, a diérese é denominada de subcutânea. 
 Estas manobras podem ser ainda: 
 Lineares - em traço único ou, 
 Segmentárias - que podem ser cuneiformes, trapezoidais, discoidais, 
planas e convexas. 
 Para as ostectomias ou osteotomias são usados os seguintes 
instrumentos: cinzéis, pinças goivas, limas para osso, serras e brocas (Ver Cap. II - 
“Arsenal Cirúrgico”). 
 
HEMOSTASIA 
 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
220
 A hemostasia é toda manobra que tem por finalidade evitar a perda de 
sangue - hemorragia - de uma ferida, acidental ou operatória. É complemento de 
toda técnica cirúrgica, pois nas incisões há sempre uma secção de vasos de maior ou 
de menor calibre. A hemorragia é um dos obstáculos que deve o cirurgião vencer em 
qualquer operação que efetue. 
 O ideal é operar em campo exangue, para melhor visualização do 
campo. Por outro lado os pacientes têm resistência limitada à hemorragia que, 
quando copiosa, diminui grandemente esta resistência, favorecendo a instalação de 
infecção, bem como aumentando o perigo do choque operatório. Partindo deste 
princípio, a hemostasia é um dos processos profiláticos do choque. Para tomar-se 
conhecimento do tratamento das hemorragias, é necessário saber-se como classificá-
las. 
 Assim, as hemorragias podem ser classificadas em: 
 1. Segundo a localização: 
 1.1Externa: tipo de hemorragia que se exterioriza na superfície da 
área em que se intervém, sendo por este motivo de fácil diagnóstico. Geralmente, 
nas intervenções intra-orais, as hemorragias são externas. 
 1.2 Interna: tipo de hemorragia produzido numa cavidade fechada, 
sem que se exteriorize. O diagnóstico é feito pelos sinais clínicos apresentados pelo 
paciente. Ocorre raramente em intervenções realizadas na cavidade bucal. 
 2. Segundo a natureza do vaso: 
 2.1 Arterial: quando o sangue flui em jatos intermitentes que 
acompanham a pulsação arterial. Apresenta o sangue uma coloração vermelho-vivo. 
 2.2 Venosa: quando a hemorragia é contínua, apresentando o sangue 
uma coloração vermelho-escuro. 
 2.3 Capilar: também chamada de hemorragia em lençol, quando o 
sangue flui na superfície cruenta de modo difuso e contínuo, sendo aquela mais 
freqüente na cavidade bucal. 
 Desta maneira pode-se deduzir que a hemostasia será mais facilmente 
coibida na lesão de uma artéria que de uma veia, pois no primeiro caso, o vaso 
seccionado poderá ser mais facilmente reconhecido que no segundo. 
 3. Segundo o momento da hemorragia: 
 3.1 Imediata: quando consecutiva ao traumatismo acidental ou 
operatório de um vaso. 
 3.2 Mediata: poderá ser por recorrência ou secundária. Por 
recorrência ocorre após algumas horas, ou ainda nas primeiras 24 horas após a 
intervenção, sendo possivelmente devida à hemostasia deficiente. Deve-se ainda a 
vasos não ligados, nos quais a circulação já tenha sido restabelecida diretamente por 
colaterais e anastomoses, sendo constatadas através de hematomas. A hemorragia 
secundária é, na grande maioria das vezes, conseqüência do rompimento de suturas, 
ocorrendo alguns dias após a intervenção cirúrgica. 
 Causas das hemorragias: 
• Traumáticas; 
• Cirúrgicas; 
• Hipertensão - arteriosclerose; 
• Neoplasias; 
• Diáteses sangüíneas: 
• afecções hepáticas; 
• hemofilia; 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
221
• leucemia; 
• anemia perniciosa aplástica; 
• trombocitopenia; 
• telangiectasia hereditária e, 
• falta de vitaminas, principalmente C e K. 
• Tratamento das hemorragias - Hemostasia 
• O tratamento das hemorragias pode ser: 
• Profilático: quando realizado anteriormente ao ato 
cirúrgico para suprir deficiências dos elementos 
responsáveis pela coagulação. 
• Curativo: quando efetuado imediatamente no 
paciente, podendo ser: 
• De ordem geral: bem como o profilático é, 
necessário sempre que não se obtiver do paciente 
uma boa história clínica, ou ainda quando não a 
souber interpretá-la, ou mesmo quando é enviado 
com hemorragia acidental ou secundária. São 
utilizados os seguintes meios no tratamento de 
ordem geral bem como para o profilático: 
transfusão de sangue integral ou parcial, ou de 
plasma, dependendo, contudo, da causa da 
hemorragia ou do estado geral do paciente. Pode 
ser utilizada também a antibióticoterapia (após ser 
efetuada a hemostasia local), quando for observado 
que a causa da hemorragia foi uma infecção local 
pós-operatória, que destruiu ou lesou vasos da 
região interessada. Também pode ser empregada 
medicação anti-hemorrágica, de acordo com a 
causa determinante (adrenocromos, estrógenos, 
venenos de cobra, protrombina concentrada, 
vitamina K, ACTH e cortisona, etc.). 
• De ordem local: Este tratamento é feito sobre a 
região da hemorragia, podendo ser: 
medicamentoso, principalmente nas hemorragias 
em lençol ou capilares, e mecânico, que pode ser 
realizado por: 
• Pressão com substâncias hemostáticas: é 
colocada uma porção de gaze sobre a 
superfície sangrante, sendo feita 
compressão digital por alguns minutos. 
Este método é empregado para hemorragias 
em lençol, podendo ser usados os seguintes 
medicamentos: espuma de fibrina, esponja 
de gelatina e a celulose oxidada. Após esta 
aplicação o local deve ser perfeitamente 
suturado, sendo aconselhada a aplicação de 
gelo extra-oralmente. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
222
• Laqueamento ou ligadura: Este tipo de 
hemostasia é usado para coibir hemorragias 
provenientes de vasos de maior calibre. A 
técnica é a seguinte: o vaso deve ser 
pinçado com uma pinça hemostática tipo 
mosquito pelo auxiliar que a levanta, com o 
objetivo de formar um pequeno pedículo. 
A seguir o cabo da pinça é baixado, sendo 
apresentada ao cirurgião sua ponta ativa, 
com o fio passando por baixo desta ponta, 
dando-se o primeiro nó para a fixação do 
pedículo. Após este nó, a auxiliar solta a 
pinça e o cirurgião dá o segundo nó, com o 
ajudante cortando os fios, deixando suas 
extremidades livres (Ver “Arsenal 
Cirúrgico”). 
• Eletrocoagulação: é o processo físico mais 
empregado atualmente para a hemostasia, 
podendo ser utilizado para as hemorragias 
em lençol e de artérias de pequeno calibre. 
O aparelho utilizado é o mesmo que para 
eletrocirurgia, variando a ponta ativa do 
bisturi e a intensidade da corrente. Para 
hemorragias em lençol usa-se ponta ativa 
esférica com baixa intensidade e alta 
freqüência, que permitirá coagular somente 
a superfície. Para hemorragias provenientes 
de vasos, pode-se pinçá-los com uma pinça 
hemostática, tocando-se com a ponta ativa 
do bisturi nas proximidades da ponta ativa 
da pinça. Por condução, coagula-se a luz 
do vaso. 
• Crioterapia: consiste em baixar a 
temperatura corporal com aplicação de gelo 
triturado sendo no homem nos testículos e, 
na mulher nas proximidades dos ovários, 
durante 15 a 20 minutos, controlando-se a 
temperatura do corporal do paciente. É 
providência para casos extremos, devendo 
ser levada a efeito com supervisão médica. 
Com este processo muitas vezes consegue-
se coibir hemorragias graves. 
• Hemostasia de vasos intra-ósseos: 
• Quando a hemorragia é capilar usa-se o processo de compressão 
com gaze, simples ou associada a hemostáticos. Quando é 
proveniente de vasos de maior calibre, como não é possível fazer a 
ligadura, é usado um artifício que consiste no seguinte: localiza-se 
a região do vaso lesado e, com um instrumento rombo, faz-se 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
223
pressão sobre a superfície óssea para que as trabéculas ósseas se 
aproximem e obliterem sua luz. 
• Hemostasia dos alvéolos: 
• Pode ser feita com: 
• 1. Gaze sob pressão: toma-se um chumaço de 
gaze, com ou sem hemostático, colocando-o no 
alvéolo e, pedindo ao paciente para que morda 
durante alguns minutos. Casos mais simples são 
bem resolvidos desta maneira. 
• 2. Tamponamento: quando a hemorragia é mais 
difícil de ser debelada, toma-se gaze embebida com 
hemostáticos ou adrenalina a 1/1000 e se tampona 
o alvéolo, colocando a gaze em forma de sanfona 
no seu interior. Os tecidos moles das bordas do 
alvéolo são suturados para manter o tampão em 
posição. Dois dias após retira-se o tampão do 
local. 
• Conduta a seguir para o atendimento de portador de 
hemorragia acidental ou secundária: 
• 1. Preparar todo o material, instrumental e medicamentos, 
tão logo seja recebida a comunicação de encaminhamento 
de tal natureza. 
• 2. Chegando o paciente, procurar tranqüilizá-lo, e ao 
mesmo tempo limpando cuidadosamente sua face e boca. 
• 3. Por meio de uma aspiração e assepsia, observar o local 
sangrante, para determinar se a hemorragia é arterial, 
venosa ou capilar ou ainda, se proveniente de tecido mole 
ou ósseo, e qual a causa local ou geral determinante. 
• 4. Fazer aplicação dos métodos sugeridos e, de preferência 
sob anestesia. 
• 5. Somente liberar o paciente após o estancamento 
completo da hemorragia e, depois de havê-lo instruído 
convenientemente sobre o pós-operatório. 
• Hemostáticos: São substâncias capazesde sustar o derramamento 
de sangue - hemorragia. Alguns são aplicados localmente 
(hemostáticos locais), enquanto outros são introduzidos no 
organismo (hemostáticos gerais). 
• Alguns grupos locais: ácido tânico a 10% (tanino), ácido 
oxálico, esponja de gelatina, espuma de fibrina com 
trombina, celulose oxidada absorvível estéril, água 
oxigenada, percloreto de ferro e adrenalina. 
• Alguns hemostáticos gerais: vitaminas C, P e K, 
transfusão sangüínea, soro normal, plasma humano, 
solução fisiológica isotônica, sais de cálcio e extratos 
glandulares. 
• Nomes comerciais de alguns hemostáticos: botropase, 
hemostyl, flavonil, syncavit, zimoespuma, trombin tópico, 
hemostático rhesus, serpentase, adrenostase, kanakion, 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
224
trombovitan, vitarrutin, oxycel, tanino, neosinefrina, 
adrenoxil, gluconato de cálcio, rutina, vitamina C, 
coaguleno, gynergene, sucedâneos da vitamina K e anti-
histamínicos. 
 
• Principais constituintes sangüíneos - Seus valores normais e 
interpretação clínica das suas variações: 
• 1. Elementos nitrogenados: 
• 1.1 Hemoglobina: 
• Normal: 13 a 18 g. 
• Aumento indica: policitemia, ciorréia 
grave, cianose. 
• Diminuição indica: anemias, moléstias 
parasitárias, tumores malignos e doenças 
infecciosas. 
• 1.2 Uréia: 
• Normal: 20 a 50 mg. 
• Aumento indica: glomerulonefrite aguda e 
crônica, nefrites tóxicas, nefrosclerose, 
obstrução intestinal, rim policístico e 
insuficiência cardíaca. 
• 1.3 Azoto uréico: 
• Normal: 9,6 a 17,6 mg. 
• Aumento indica: insuficiência renal e 
córtico-supra-renal, toxicose gravídica, 
obstrução intestinal, nefrite, uremia, 
peritonite, pneumonia e insuficiência 
cardíaca. 
• 1.4 Azoto total: 
• Normal: 22 a 29 mg. 
• Aumento indica: desidratação. 
• Diminuição indica: pletora hidrópica. 
• 1.5 Azoto não protéico: 
• Normal: 25 a 35 mg. 
• Aumento indica: nefrite, especialmente 
crônica. 
• 1.6 Ácido úrico: 
• Normal: 4 a 5 mg. 
• Aumento indica: insuficiência renal, 
eclampsia, diátese artrítica. 
• 1.7 Creatina: 
• Normal: 1,5 a 3 mg. 
• Aumento indica: graves moléstias 
musculares e diabete. 
• 1.8 Creatinina: 
• Normal: 1 a 2 mg. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
225
• Aumento indica: insuficiência renal e 
descompensação cardíaca. 
• 1.9 Proteínas totais: 
• Normal: 6,5 a 7,9g. 
• Só as variações quantitativas consideráveis, 
juntamente com as modificações 
qualitativas das várias frações protéicas, 
têm valor clínico. 
• 1.10 Albumina: 
• Normal: 4,7 a 5,7 g. 
• Aumento indica: desidratação. 
• Diminuição indica: nefroses, nefrites 
agudas e desnutrição. Uma diminuição da 
albumina se observa fisiologicamente na 
gravidez. 
• 1.11 Globulina: 
• Normal: 1,46 a 2,54g. 
• Aumento indica: tumores malignos, 
nefroses, toxiinfecções, anafilaxia. O 
aumento da globulina se observa 
fisiologicamente na gravidez. 
• 1.12 Fibrinogênio: 
• Normal: 200 a 400 mg. 
• Aumento indica: pneumonia aguda, 
nefroses, carcinomas. 
• Diminuição indica: cirrose hepática e íleo-
tifo. 
• 1.13 Bilirrubina: 
• A bilirrubina hepática normalmente não se 
encontra no sangue, aparecendo na icterícia 
obstrutiva infecciosa ou tóxica, nas 
moléstias hemolíticas e na necrose do 
pâncreas. 
• 2. Elementos inorgânicos: 
• 2.1 Cálcio: 
• Normal: 9 a 11,5 mg. 
• Aumento indica: hiperplasias ou tumores 
da tireóide. 
• Diminuição indica: tetania, diarréia, 
doença celíaca, raquitismo, osteomalácia, 
nefrose e paratireoidectomia. 
• 2.2 Cloro: 
• Normal: 335 a 376 mg. 
• Aumento indica: nefrite, eclampsia, 
hipertrofia da próstata ou prostática, 
cardiopatias, anemias, anestesia por éter. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
226
• Diminuição indica: diarréia, diabete, 
vômitos, febre, pneumonia, policitemia, 
jejum e queimaduras. 
• 2.3 Fósforo inorgânico: 
• Normal: 3,7 a 5 mg. 
• Aumento indica: nefrite, hiperinsulinismo, 
formação de calo ósseo, hipervitaminose D, 
insuficiência renal. 
• Diminuição indica: raquitismo, osteíte 
fibrosa e osteomalácia. 
• 2.4 Magnésio: 
• Normal: 1,65 a 2,22 mg. 
• Aumento indica: paratireoidismo. 
• Diminuição indica: tetania. 
• 2.5 Potássio: 
• Normal: 16 a 22 mg. 
• Aumento indica: pneumonia, doença de 
Addison, infecções agudas, uremia. 
• Diminuição indica: hipertrofia córtico-
supra-renal e desidratação. 
• 2.6 Sódio: 
• Normal: 315 a 340 mg. 
• Aumento indica: nefrite, obstrução 
pilórica. 
• Diminuição indica: déficit de substâncias 
alcalinas, doença de Addison e mixedema. 
• 3. Enzimas: 
• 3.1 Fosfatase ácida: 
• Normal: 0 a 1,1 unidade Bodansky. 
• Aumento indica: metástases ósseas do 
carcinoma da próstata. 
• 3.2 Fosfatase alcalina: 
• Normal: 2 a 34 unidades Bodansky. 
• Aumento indica: icterícias obstrutivas, 
colecistites, cirrose biliar, raquitismo, 
osteomalácia, doença de Paget, 
hiperparatireoidismo e tumores ósseos. 
• 3.3 Transaminases: 
• Glutâmico-oxalacética: 
• Normal: 8 a 40 unidades 
espectrofotométricas. 
• Glutâmico-pirúvica: 
• Normal: 5 a 35 unidades 
espectrofotométricas. 
• Quando alteradas: hepatite 
viral (inversão entre as duas 
transaminases) e em outras 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
227
formas de hepatopatias e nas 
necroses de tecidos ricos das 
duas enzimas, que passam na 
circulação (enfarte do 
miocárdio, pancreatite 
hemorrágica, arteriopatias 
com gangrena, etc...). 
• 4. Elementos glicídicos: 
• 4.1 Glicose: 
• Normal: 80 s 110 mg. 
• Aumento indica: diabete, hipertrofia 
córtico-supra-renal, feocromocitoma, 
hipertireoidismo. 
• Diminuição indica: hiperinsulinismo, 
insuficiência córtico-supra-renal e 
glicogenólise. 
• 5. Elementos lipídicos: 
• 5.1 Lípides totais: 
• Normal: 385 a 675 mg. 
• Aumento indica: xantomatose, 
arteriosclerose, diabete, hipotireoidismo e 
nefrose lipóide. 
• 5.2 Colesterol total: 
• Normal: 150 a 230 mg. 
• 5.3 Colesterol esterificado: 
• Normal: 65 a 75 mg. 
• Aumento indica: nefrose, hipotireoidismo, 
diabete e colecistite. 
• Diminuição indica: doenças caquéticas, 
hipertireoidismo, anemia perniciosa e 
infecções. 
• Principais vitaminas, avitaminoses correspondentes, 
características mais importantes do quadro carencial no 
homem, mecanismo de ação e fontes naturais: 
• 1. Classe de vitaminas hidrossolúveis: 
• 1.1 Vitaminas do complexo B: 
• Vitamina B1 ou tiamina: 
• Avitaminose: beribéri ou doença dos 
comedores de arroz. 
• Característica principal: polineurite. 
• Mecanismo de ação: atua na 
descarbozilação do ácido pirúvico. 
• Fontes naturais: germe de trigo, farinha 
integral de cereais, legumes, levedura de 
cerveja, ovos, fígado, coração e rins, porco 
magro e verduras. 
• Vitamina B2 ou riboflavina: 
• Avitaminose: arriboflavinose. 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
228
• Característica principal: queilite e córnea 
vascularizada. 
• Mecanismo de ação: componente de 
sistemas óxido-redutores, essenciais para o 
metabolismo celular. 
• Fontes naturais: germe de trigo, fígado, 
levedura, folhas verdes, ovos, leite e carne 
magra. 
• Vitamina B6 ou piridoxina: 
• Avitaminose: dermatite dos ratos ou 
acrodinia. 
• Característica principal: conjunto de 
fenômenos a cargo do sistema nervoso 
central, da cútis e do sangue. 
• Mecanismo de ação: intervém no 
metabolismo dos aminoácidos, na síntese de 
gorduras, das proteínas e na formação da 5-
hidroxitriptamina. 
• Fontes naturais: cereais integrais, 
levedura, fígado, músculos erins, ervilhas e 
leite. 
• Vitamina PP ou nicotinamida: 
• Avitaminose: pelagra ou doença dos 
comedores de fubá de milho. 
• Característica principal: estados 
demenciais, dermatite e gastrenterocolite. 
• Mecanismo de ação: faz parte de sistemas 
de desidrogenação. 
• Fontes naturais: fígado, levedura, carne 
magra, batata-doce, cenoura, trigo integral, 
leite, ovos, peixe e amendoim. 
• Ácido pantotênico: 
• Avitaminose: dermatite dos frangos, 
acromotriquia dos ratos. 
• Característica principal: síndrome do pé 
quente, incoordenação motora, 
hipocalcemia e perturbações 
gastrointestinais. 
• Mecanismo de ação: coenzima da 
acetilação. 
• Fontes naturais: é largamente difundido 
nos alimentos. 
• Vitamina H ou biotina: 
• Avitaminose: dermatite seborréia dos ratos. 
• Característica principal: seborréia da 
criança de peito. 
• Mecanismo de ação: coenzima das reações 
de carboxilação. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
229
• Fontes naturais: trigo e sementes de 
muitas plantas, levedura de cerveja, fígado 
e rins. 
• Vitamina H1 ou ácido p-aminobenzóico: 
• Avitaminose: parada do desenvolvimento 
de muitas espécies bacterianas. 
• Característica principal: descoramento do 
pelo dos ratos. 
• Mecanismo de ação: princípio essencial 
para o metabolismo de muitos 
microorganismos. 
• Fontes naturais: levedura de cerveja, 
fígado e germe de trigo. 
• Ácido fólico ou ácido pteroilglutânico: 
• Avitaminose: não tem nome característico, 
mas corresponde à anemia (macrocítica e 
megaloblástica). 
• Característica principal: anemia. 
• Mecanismo de ação: é necessário para a 
síntese de nucleótides precursor dos ácidos 
nucleínicos. 
• Fontes naturais: folhas verdes, couve-flor, 
fígado e levedura de cerveja. 
• Vitamina B12 ou cianocobalamina: 
• Avitaminose: anemia perniciosa 
progressiva. 
• Característica principal: anemia 
macrocítica megaloblástica, acloridria, 
degeneração de feixes medulares. 
• Mecanismo de ação: fator de maturação 
eritroblástica. 
• Fontes naturais: fígado cru, extratos de 
fígado e atividade metabólica de certos 
microorganismos. 
• 1.2 Vitaminas do complexo C: 
• Vitamina C ou ácido ascórbico: 
• Avitaminose: escorbuto ou doença dos 
marinheiros. 
• Característica principal: dentes abalados, 
hemorragias e tumefação gengival. 
• Mecanismo de ação: é essencial à 
formação de substâncias intercelulares dos 
tecidos de derivação mesenquimática e à 
consolidação dos capilares. 
• Fontes naturais: frutas cítricas frescas, 
caju, tomate cru, pimentões e pimenta, 
saladas verdes, batatas. 
• Vitamina P ou rutina: 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
230
• Avitaminose: não apresenta denominação 
normal. 
• Característica principal: traduz-se por 
uma exagerada fragilidade e permeabilidade 
capilar, com pequenas perdas sangüíneas, 
espontâneas ou por causas 
desproporcionais. 
• Mecanismo de ação: fator de economia e 
de potencialmente da vitamina C, por 
diminuir-lhe a eliminação e destruição 
oxidativa. 
• Fontes naturais: é extraída de muitos 
vegetais, mas é do trigo sarraceno que vem 
sido obtida comumente. 
• 2. Classe de vitaminas lipossolúveis: 
• Vitamina A ou axeroftol: 
• Avitaminose: xeroftalmia ou cegueira 
crepuscular. 
• Característica principal: secura da 
conjuntiva e da córnea, lenta adaptação à 
obscuridade, distrofia dos epitélios. 
• Mecanismo de ação: necessária à 
regeneração da púrpura visiva na retina, 
bem como ao desenvolvimento e à 
maturação das células epiteliais. 
• Fontes naturais: leite, manteiga, queijo, 
fígado, ovos, óleo de fígado de peixe 
(principalmente o bacalhau) e, vegetais 
verdes (nos quais está presente sob a forma 
de provitamina A ou beta-caroteno). 
• Vitamina D ou ergocalciferol: 
• Avitaminose: raquitismo ou doença dos 
países brumosos. 
• Característica principal: defeituosa 
calcificação dos ossos. 
• Mecanismo de ação: condiciona a 
absorção de cálcio e sua fixação nos ossos. 
• Fontes naturais: óleo de peixe 
(principalmente bacalhau), gema de ovo e 
ação da luz solar sobre a pele. 
• Vitamina E ou alfa-tocoferol: 
• Avitaminose: não apresenta denominação 
característica, sendo causa de esterilização 
no rato macho e de aborto ou morte do feto 
(com sua sucessiva reabsorção) na fêmea. 
• Característica principal: aborto habitual, 
distrofias musculares, inclusive do 
miocárdio. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
231
• Mecanismo de ação: é ainda obscura a 
natureza de ação da vitamina E sobre a 
estrutura dos músculos, dos testículos e do 
tecido fetal. 
• Fontes naturais: certas verduras foliáceas, 
óleos vegetais, óleo de germe de trigo, 
carne, leite, manteiga, queijo e ovos. 
• Vitamina K ou menodiona: 
• Avitaminose: hipoprotrombinemia. 
• Característica principal: prolongamento 
do tempo de coagulação do sangue, 
determinando às vezes, hemorragias. 
• Mecanismo de ação: aumenta a taxa de 
protrombina. 
• Fontes naturais: folhas verdes, alfafa, 
espinafre, repolho, urtiga, gordura de fígado 
e proteínas em putrefação. 
 
SÍNTESE 
 
 Após a realização da diérese, na maioria das vezes, é necessário 
restabelecer-se a continuidade dos tecidos, sendo isto conseguido através da síntese. 
Por síntese dos tecidos entende-se o conjunto de manobras realizadas pelo cirurgião 
para aproximá-los de tal forma a coaptá-los o melhor possível, favorecendo a perfeita 
e rápida cicatrização da ferida cirúrgica. 
 Esta sutura poderá ser imediata ou mediata, sendo a primeira durante o 
ato cirúrgico e, a segunda a posteriori, uma vez que a limpeza e a boa granulação da 
ferida assim o requeiram. 
 Na cirurgia bucal existem duas correntes antagônicas com relação à 
sutura: a primeira, daqueles que não adotam esta manobra e a segunda, daqueles que 
a realizam sistematicamente. 
 As razões apresentadas pelos partidários da sutura como rotina são as 
seguintes: 
 1. prevenção de acidentes hemorrágicos pós-operatórios, 
particularmente do mais freqüente tipo de hemorragia pós-exodôntica, a capilar. 
 2. proteção do alvéolo, exposto em algumas exodontias, favorecendo 
formação e manutenção do coágulo neste alvéolo. 
 3. manutenção do retalho em posição. 
 4. prevenção da entrada no alvéolo, de microorganismos, afastando 
possível infecção. 
 Muito embora apenas estes argumentos já bastem para indicação da 
sutura, é necessário que em cirurgia o profissional seja eclético, adotando meio-
termo e “bom senso”, utilizando este recurso cirúrgico quando necessário e 
imprescindível. 
 As condições a serem seguidas para a realização de uma boa sutura e, 
que são fundamentais para a obtenção de rápida cicatrização da ferida, são as 
seguintes: 
 1. correta assepsia e anti-sepsia. 
 2. perfeita hemostasia. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
232
 3. bordas retas ou bem regulares e nítidas. 
 4. material e instrumental delicado e adequado. 
 5. técnica delicada. 
 6. tração moderada. 
 7. pontos em número suficiente e nos locais mais aconselháveis. 
 8. coaptação plano a plano. 
 9. indicação correta do tipo de sutura mais aconselhável. 
 
 Para serem corretamente realizadas devem ser muito bem treinadas 
preferentemente em locais onde se podem observar suas características estéticas e de 
perfeito domínio da técnica. Assim, elas poderão ser treinadas em pranchas 
confeccionadas com madeira e feltro (Fig. III. 37), na laranja (Fig. III. 38) e, em 
língua de vaca (Fig. III. 39). 
 Assim o profissional ou o aluno poderá ter uma perfeita destreza para 
realizarem de modo correto todasessas manobras que exigem muita presteza, técnica 
e domínio do instrumental. 
 As suturas são realizadas com porta-agulha, agulhas e fios, podendo 
classificar-se da seguinte maneira (Ver “Arsenal Cirúrgico”) (MARZOLA, 2000): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 37 – Aspecto do treinamento realizado em modelo para maior destreza na confecção de uma 
sutura e de nós cirúrgicos. 
 
 A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 38 – (A) Aspecto do treinamento realizado em laranja para maior adestramento na confecção 
de uma sutura (B) e de nós cirúrgicos. 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
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Fig. III. 39 – Aspecto do treinamento efetuado em língua de vaca para um maior adestramento na 
confecção de suturas e de nós cirúrgicos. 
 
 
• 1. Quanto à localização: 
• 1.1 Superficiais: Denomina-se sutura superficial aquela 
realizada no plano dos tegumentos, compreendendo, 
portanto pele e tecido celular subcutâneo (Fig. III. 40). 
• 1.2 Profundas: A sutura profunda tem lugar a partir do 
plano aponevrótico (Fig. III. 41). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 40 – Representação esquemática de uma sutura superficial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 41 – Representação esquemática de uma sutura profunda. 
 
• 2. Quanto à forma de reunir os tecidos: 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
234
• 2.1 Em massa: A sutura em massa consiste em englobar 
com cada fio todos os planos que o cirurgião interessou na 
diérese. É uma sutura pouco utilizada na cirurgia oral. É 
um tipo de sutura aplicável em casos de urgência, servindo 
para aproximar os planos. Por ser pouco anatômica e 
deixar espaços mortos, tem escassa aplicação (Fig. III. 
42). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 42 – Representação esquemática de uma sutura em massa. 
• 2.2 Por planos: É a ideal, porquanto realiza uma síntese 
anátomo-fisiológica, evitando assim espaços livres entre os 
tecidos (Fig. III. 43). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 43 – Representação esquemática de uma sutura por planos. 
 
• 2.3 Mista: É aquela que reúne tecidos com pontos em 
massa e por planos alternadamente, sendo freqüentemente 
usada em cirurgia de lábio, nas exéreses ou ainda em casos 
de acidente (Fig. III. 44). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 44 – Representação esquemática de uma sutura mista, podendo-se notar também o ponto de 
Donati de sustentação e coaptação. 
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CAPÍTULO III 
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Quadro III. 4- Fatores de coagulação com os respectivos sinônimos. 
 
FATOR DE 
COAGULAÇÃO 
SINÔNIMO 
Fibrinogênio Fator I 
Plaquetas Fator plaquetário 3 
Protrombina Fator II 
Fator V Pró-acelerina; fator lábil; Ac-globulina: Ac-G. 
Fator VII Acelerador sérico da conversão da protrombina: SPCA; pró-convertina; 
autoprotrombinal. 
Fator VIII Fator anti-hemofílico: AHF; globulina anti-hemofílica: AHG. 
Fator IX Componente tromboplastínico plasmático: PTC; fator Christmas: CF; 
autoprotrombina II. 
Fator X Fator Stuart; fator Stuart Prower; fator Proxer; autoprotrombina Ic. 
Fator XI Antecedente plasmático da tromboplastina: PTA. 
Fator XII Tromboquinase; tromboplastina completa. 
 
• 3. Quanto à disposição dos fios: 
• 3.1 Por pontos separados ou simples: Este tipo de sutura 
é dos mais utilizados. Apresenta sobre o surjet a grande 
vantagem de permitir, em casos de necessidade, a abertura 
parcial da ferida para a saída de exudatos ou coleções 
purulentas, ou ainda a colocação de drenos, bastando para 
isso seccionar um ou mais pontos, sem que o restante da 
sutura venha a soltar-se. Isto não ocorre com o surjet, no 
qual o seccionamento de um ponto determinaria um 
afrouxamento de toda a sutura. São conhecidos os 
seguintes tipos de sutura por pontos separados (Fig. III. 
45): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 45 – Representação esquemática de uma sutura simples. 
 
• Sutura de pontos separados simples: são dados pontos 
interrompidos e um nó em seguida, sendo cortadas as 
extremidades do fio. Estas suturas podem ser treinadas em 
laranja para maior destreza do profissional ou na língua, 
como já foi visto anteriormente (Fig. III. 37, 38 e 39 ). 
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236
• Sutura por pontos em X: Da mesma maneira que a 
anterior somente que é dado um ponto em cruz, que poderá 
ficar por cima do tecido ou abaixo dos tecidos. 
• Sutura por pontos em U: Da mesma maneira que na 
sutura contínua, somente que cortando o fio em toda a 
volta do U. 
• Sutura capitonada: Procede-se da seguinte maneira: 
introduz-se uma gaze numa das alças que forma o fio, 
tanto de um lado como do outro, podendo em lugar da 
gaze ser utilizado um pedaço de borracha, botão, etc. Estas 
suturas capitonadas são muito empregadas quando há 
necessidade de serem coaptadas superfícies espessas, 
resistentes e separadas, nas quais o ponto simples 
fracassaria pelo seccionamento dos tecidos. 
• Sutura com pontos de Donati: O objetivo é evitar a 
inversão dos lábios da ferida. Donati idealizou o ponto 
também denominado de duplo U vertical da seguinte 
maneira: 2 cm da borda cruenta a agulha é introduzida, 
emergindo a igual distância na outra borda, sendo a 
continuação feita por um segundo ponto saindo a poucos 
milímetros desta segunda borda e penetrando a igual 
distância na primeira, suturando-se as duas extremidades 
na mesma região onde foi iniciada a sutura (Fig. III. 44). 
• 3.2 Contínuas: São suturas com pontos comuns, 
empregadas no tecido celular subcutâneo e, em cirurgia 
bucal, geralmente nas alveoloplastias extensas (Fig. III. 
39) (MARZOLA, 2000). 
 
Segundo a maneira com que o fio é passado entre as margens 
da ferida distinguem-se vários tipos: 
 
• Sutura em surjet simples ou espiral: é a mais 
simples e rápida dentre todas, sendo indicada 
quando os lábios da ferida não são muito espessos e 
estão separados e ainda quando não há perigo de 
infecção. É também chamada de sutura em espiral. 
• Sutura do ponto passado (Doyen): quando o 
surjet é muito comprido, convém assegurar a 
fixação da sutura que foi feita, evitando que ela se 
afrouxe. O surjet é praticado como de rotina, 
contudo a cada 3 ou 4 pontos, a agulha é passada 
no ponto anterior, dando-se um nó a fim de ficar 
firme, continuando normalmente a sutura. É pouco 
utilizada em suturas da cavidade bucal. 
• Sutura festonada (Reverdin): É assim 
denominada pelos franceses, representando 
excelente método de sutura contínua, pois que 
realiza a coaptação muito firme e exata dos tecidos. 
Realmente, é um surjet simples, no qual todos os 
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CAPÍTULO III 
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237
pontos foram passados sobre o anterior ou sobre ele 
mesmo. O fio, como em toda sutura contínua, 
deverá ser mantido em tensão durante todo o 
procedimento. É o tipo de sutura contínua mais 
realizado em cirurgias orais extensas, 
principalmente por ser muito estética. 
• Sutura retrógrada ou do ponto atrás: É um 
surjet no qual cada 2 ou 3 pontos são intercalados 
por um ponto cruzado. 
• Sutura em zigue-zague ou em barra grega: Neste 
tipo de sutura, as porções visíveis do fio, ao invés 
de cruzarem o leito da ferida como nos tipos 
anteriores, conservam-se paralelas àquele. É uma 
sutura contínua de pontos em U. 
 
• 4. Quanto ao material utilizado: 
 
• 4.1 Fios absorvíveis: 
 
ETHICON* - 
VICRYL* 4-0 
DG - DAVIS + 
GECK - T - 16 
ETHICON*-4-
0-CROMADO 
ETHICON* - 3-0 
SIMPLES 
ETHICON* - 
3-0 SIMPLES
Gastrointestinal 
(poligalactina910) 
violeta trançada - 
70 cm - estéril 
Gastrointestinal 
7217-41 
Dexon*-Sutura ácido 
poliglicól. verde, 
sintética, absorvível, 
estéril trançada - 70 
cm 
Especial torcido 
absorvível - 45 
cm. 
Gastrointest. - G-
44103 - Absorvível 
- 
70 cm. 
CS - 113 - 
Absorvível - 
2,5 m. 
 
• 4.2 Fios não absorvíveis: 
 
CIRUMÉDICA* -
SEDA 4-0 
CIRUMÉDICA* - 
SURGILENE 
ETHICON*- 
ALGODÃO 2-0 
ETHICON* - 5-0 ETHICON* - 
VICRYL 3-0 
V-24203, vascular, 
preta, trançada, 
siliconizada, não 
absorvível - 75 cm. 
Poliéster, trançado, 
siliconizado, verde 
3-0, 
45 cm. 
Cuticular - 
Algodão/ 
algodón 
preto/negro 
torcido/ 
trançado - 
45 cm. 
B-1102 - nylon -
incolor -
monofilamento- 
45 cm. 
Gastrointest. 
(poligalactina 
910) - violeta - 
trançado - 
70 cm. 
* Marca de Indústria e Comércio 
 
• 5. Quanto aos tipos de nós empregados (Fig. III. 46) 
(MARZOLA, 2000): 
• 5.1 Nó simples: é aquele executado com o auxílio do 
porta-agulha. 
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238
• 5.2 Nó de cirurgião: é aquele executado com o auxílio dos 
dedos, sendo de mais fácil manobra. 
• 5.3 Nó triplo com travamento: é aquele executado para 
tratamento com fios à base de polietileno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
C 
B 
A 
Fig. III. 46 – (A) Tipos de nós utilizados, destacando-se o nó simples, (B) o nó de cirurgião (C) e o nó 
triplo. 
 
• 6. Quanto à permanência dos fios: 
• 6.1 Transitória: quando depois de alguns dias o fio deverá 
ser eliminado. A técnica para a retirada do fio de sutura é 
a seguinte: 
• 1. passa-se algodão com anti-séptico com a 
finalidade de praticar-se uma anti-sepsia local, que 
é muito importante. 
• 2. toma-se a pinça de dissecção, apreendendo uma 
extremidade do fio e tracionando-o. 
• 3. com uma tesoura de ponta fina, seccionasse o fio 
junto à mucosa. 
• 4. continua-se a tração até sua completa 
eliminação. 
• Em algumas oportunidades a retirada dos pontos 
torna-se difícil devido a uma retração cicatricial ou, 
uma aderência do tecido. Nestes casos, deve-se 
retirar o ponto o mais depressa possível, usando a 
tesoura com o máximo de cuidado para não 
traumatizar os tecidos. 
• Nas suturas contínuas, corta-se somente uma volta 
da espiral em todo seu trajeto, para evitar a 
penetração de resíduos alimentares para dentro da 
loja cirúrgica, por este motivo é que se reveste de 
grande importância a anti-sepsia anteriormente à 
retirada dos pontos. 
• 6.2 Definitiva: quando o tipo de fio utilizado assim o 
permitir, sendo empregada apenas para suturas 
abandonadas no interior dos tecidos. 
 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
239
Princípios gerais para uma sutura 
• 1. Quando o plano de sutura é profundo, e não podendo 
exteriorizar-se, usam-se agulhas curvas, sendo que a sutura 
deverá ser iniciada da esquerda para a direita, de acordo 
com a posição da ferida. 
• 2. Não deixar nós sobre a linha de incisão, que provocaria 
deiscência de sutura ou retrações cicatriciais. 
• 3. Se o plano for superficial, pode ser empregado qualquer 
tipo de agulha curva ou reta. O tipo de sutura deverá ser 
por pontos separados ou contínuos. 
• 4. Não deixar osso exposto ou desprotegido, que viria 
prejudicar sensivelmente a cicatrização da ferida. 
• 5. A sutura deverá ser realizada sempre se partindo do 
retalho móvel para o fixo. 
• 6. Quando a ferida é extensa, aconselha-se a colocação do 
primeiro ponto na metade dela, para facilitar a perfeita 
coaptação de seus lábios, além da sutura inicial em suas 
extremidades iniciais. Em seguida deverão ser aplicados 
os pontos remanescentes em cada um dos segmentos 
formados. 
• 7. Dentes vizinhos poderão ser usados, em alguns casos, 
como ancoragem. 
• 8. Em toda sutura deve-se tomar a mesma quantidade de 
tecido nas duas bordas da ferida. 
• 9. Para que uma ferida tenha bons resultados cicatriciais, é 
necessário que a incisão seja bem planejada. 
 
OSTEOSSÍNTESE 
 
 É assim denominada a reunião cruenta de dois fragmentos ósseos, por 
meio de fios ou placas metálicas (Figs. III. 47 e III. 48). Poderá também ser 
empregada para unir uma prótese interna à porção restante da mandíbula ou maxila, 
após sua ressecção parcial, ou para manter em seu lugar um enxerto ósseo. 
 A grande porcentagem de fracassos nas osteossínteses deve-se a seu 
emprego em pessoas com idade avançada, diabéticos ou ainda quando existe 
qualquer tipo de infecção local ou geral. Como causa local destes insucessos, pode-
se apontar a mobilidade dos fragmentos ósseos e, necrose óssea no local em que são 
realizadas as perfurações para a passagem dos fios metálicos ou parafusos. 
 A técnica para a osteossíntese consiste no seguinte: após a realização 
da incisão, desloca-se o tecido muco-perióstico junto à fratura e, com o auxílio de 
brocas esféricas perfura-se a mandíbula em dois pontos eqüidistantes em ambos os 
fragmentos, de modo que a reta que passe pelos dois orifícios fique perpendicular à 
linha de fratura. Deve-se proceder assim, para que o fio metálico fique bem fixado e 
mantenha as superfícies da fratura bem coaptadas. Após, com porta-agulha ou pinça 
hemostática, passa-se o fio pelos orifícios e com alicate prendem-se as duas pontas 
do fio, torcendo-o até que fique bem adaptado às superfícies ósseas e, que as mesmas 
também estejam bem resolvidas. Corta-se o excesso de fio, adaptando as pontas 
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CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
240
junto ao orifício para não traumatizar os tecidos moles da região. Os retalhos são 
colocados em posição e suturados, para que o osso fique protegido do meio bucal. 
 A osteossíntese pode também, ser realizada com placas, mini e micro-
placas de vitallium ou de titânio, sendo a técnica efetuada da seguinte maneira: 
preparam-se as placas que se adaptem perfeitamente à superfície da mandíbula, 
perfurando-se suas extremidades, ou quantas vezes for necessária devido ao tamanho 
da placa utilizada. Em seguida as placas são adaptadas ao osso, fixando-as com 
parafusos também de vitallium ou de titânio. 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 47 – (A e B) Osteossíntese realizada na mandíbula utilizando-se de fios de aço. 
 
 
A B 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. III. 48 – (A) Osteossíntese realizada na mandíbula utilizando-se de placas (B) e miniplacas. 
 
 Quando houver fratura com perda de substância óssea ou for realizada 
uma mandibulectomia segmentar, procede-se de modo semelhante ao caso anterior, 
utilizando-se para isto uma placa de reconstrução, para que os fragmentos sejam 
ligados à placa, podendo-se colocar no interstício enxerto ósseo para produzir uma 
perfeita consolidação do local. Nestes casos a sutura ou a osteossíntese poderá ser 
definitiva (ZORZETTO; MARZOLA, C.; TOLEDO FILHO, J. L. et al., 1998; 
TOLEDO FILHO; MARZOLA; PASTORI et al., 1998; PASTORI; 
MARZOLA; TOLEDO FILHO et al., 1998; MARZOLA; TOLEDO FILHO; 
PASTORI et al., 1998). 
 
o0o 
 CLÓVIS MARZOLA 
CAPÍTULO III 
PRINCÍPIOS GERAIS E FUNDAMENTAIS DA CIRURGIA 
241
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CAPÍTULO III 
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