A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
44 pág.
Apostila estrutura anatomica e química da madeira

Pré-visualização | Página 1 de 9

UNIVERSIDADE 
FEDERAL DE VIÇOSA 
 
Departamento de 
Engenharia Florestal 
 
 
 
Laboratório de Celulose e 
Papel 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM 
TECNOLOGIA DE CELULOSE E PAPEL 
 
 
 
 
 
MÓDULO I – Estrutura Anatômica e Química da Madeira 
 
 
 
 
 
Parte I – Estrutura Anatômica da Madeira 
(Roteiro Descrito) 
 
 
 
Ana Márcia M. L. Carvalho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Viçosa, MG 
Janeiro/2005 
INTRODUÇÃO 
 
1 - CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA DOS VEGETAIS: 
 
Plantas são organismos eucariontes, multicelulares, autótrofos, que 
realizam fotossíntese. Elas podem ser divididas, segundo EICHLER (1883), em 
dois grandes grupos: 
Criptógamas: plantas que não produzem flores nem sementes. Ex: algas, 
musgos e samambaias. 
Fanerógamas: plantas que produzem flores e sementes. Ex: pinheiros, 
eucaliptos, mangueira, coqueiros etc. 
 
“Os serem eucariontes são formados por células eucarióticas, que apresentam 
basicamente membrana plasmática, citoplasma e núcleo, sendo que este é 
delimitado por uma membrana denominada carioteca. Além, disso, apresentam 
membranas internas delimitando organelas na região citoplasmática”. 
 
Figura 1 – Célula vegetal eucariótica (Fonte: Lopes, 1994). 
 
“A célula dos organismos procariontes apresenta membrana plasmática e 
citoplasma, sendo que o material nuclear, denominado nucleóide, não é 
delimitado por carioteca, inexistente em células procarióticas. Nestas células não 
há organelas delimitadas por membranas”. 
 
 2 
“Os únicos seres vivos que apresentam células procarióticas são as bactérias e 
algas azuis (cianobactérias). Todos os outros organismos de estrutura celular 
são formados por células eucarióticas”. 
 
Figura 2 – Célula procariótica (bactéria) (Fonte: Lopes, 1994). 
 
Entre as criptógamas, podem-se conter outros grupos menores, com base 
na organização do seu corpo: 
Talófitas: criptógamas cujo corpo é um talo, estrutura não diferenciada em 
raiz, caule e folha. São as algas verdes, vermelhas e pardas. Até pouco tempo, 
entre as talófitas eram também incluídas: as algas azuis, hoje no grupo das 
cianofíceas ou cianobactérias; as Bactérias (hoje classificadas no Reino Monera) 
e os Fungos (hoje classificados no Reino Fungi). 
Briófitas: criptógamas cujo corpo pode se apresentar diferenciado 
externamente em caulóide, filóide, além de estruturas semelhantes a raiz, 
denominadas e rizóide (estruturas uni ou pluricelulares, com função de absorção). 
Ex: musgos e hepáticas. 
Pteridófitas: criptógamas que possuem raiz, caule e folhas verdadeiros. 
Ex: samambaias e avencas. 
 
As talófitas e briófitas não possuem elementos condutores de seiva. As 
pteridófitas e todas as fanerógamas possuem tais elementos, sendo, por isso, 
chamadas plantas vasculares ou traqueófitas. 
 
 3 
Como a presença de vasos condutores é uma característica da folha, da 
raiz e do caule, podemos dizer que as briófitas que são avasculares, não 
possuem folhas, raiz e caules verdadeiros. Por essa razão, muitos preferem 
adotar os termos filóide, caulóide e rizóide; no entanto, aceitam-se também os 
termos raiz e caule, considerando-se apenas a semelhança morfológica externa. 
 
As fanerógamas são divididas em dois grupos: 
- Gimnospermas: fanerógamas cujas flores não formam frutos. Suas sementes 
são “nuas”, não abrigadas no interior de frutos, vindo deste fato à denominação 
do grupo: gymnos = nu; spermae = semente. Ex: pinheiro do Paraná (Araucária 
angustifólia). 
 São também chamadas de coníferas, resinosas, não porosas (ausência de 
vasos ou poros), ou “softwood”. Como exemplo de madeiras brasileiras nativas, 
do grupo das gimnospermas, podemos citar o Pinheiro-do-Paraná (Araucária 
angustifólia) e o Pinho Bravo, com duas espécies: Podocarpus lambertii e o 
Podocarpus sellowii. Das espécies exóticas, cultivadas no Brasil, pertencente a 
esse mesmo grupo tem o Pinus elliottii, P. taeda, P. patula, P.oocarpa, P. 
caribaea e suas variedades, além de outras gimnospermas menos expressivas 
(Figura 3B). 
 
- Angiospermas: Fanerógamas cujas flores femininas ou hermafroditas possuem 
ovário, que se desenvolve, dando origem ao fruto. No interior do fruto estão 
abrigadas as sementes. A denominação do grupo baseia-se nesse fato: angios = 
urna; spermae = semente. Ex: mangueira, abacateiro, eucaliptos. 
 As madeiras de angiospermas são também chamadas folhosas, porosas 
ou “Hardwood”. São as angiospermas que respondem, quase exclusivamente, 
pela produção de madeiras. Como exemplos desse grupo podemos citar: a 
peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), angicos (Piptadenia sp), Imbuia (Ocotea 
porosa), Eucaliptos (Eucalyptus sp), cerejeira (Torresea cearensis), cedros 
(cedrella sp) e outras inúmeras (Figura 3A). 
As angiospermas ainda se dividem em dois grupos, que são: 
Monocotiledôneas: cujas sementes têm apenas um cotilédone. Ex: milho, sorgo, 
bambu etc. 
 4 
Dicotiledôneas: cujas sementes têm dois cotilédones. Ex: feijão, abacate, 
eucalipto etc. 
 
 
2 - ESTRUTURA ANATÔMICA DA MADEIRA 
 
 Embora a madeira se apresente macroscopicamente como uma substância 
compacta e homogênea, trata-se de um material constituído de inúmeros 
elementos celulares, unidos entre si, formando tecidos diferenciados conforme a 
função que desempenham. É o conjunto e arranjo do lenho que definem sua 
estrutura. Ainda que as madeiras sejam formadas todas basicamente pelos 
mesmos elementos, as modificações de forma, tamanho e arranjo dos 
componentes tornam diferentes as estruturas das diversas espécies. Embora 
exista uma grande variabilidade da madeira dentro da mesma espécie e, até 
mesmo, dentro de uma mesma árvore, a estrutura básica das madeiras 
pertencentes a uma mesma espécie mantém-se constante. Esta característica se 
torna possível a classificação e identificação das madeiras através de 
observações de seus elementos. Dentro de certos limites, o estudo da estrutura 
da madeira permite avaliar as possibilidades de sua aplicação. 
 
Estrutura do caule: 
Seções fundamentais de observação: 
A madeira é um material tridimensional e sua anatomia pode ser melhor descrita 
através de observações em três seções ou superfícies fundamentais de 
observação (Figura 4). 
 
Seção transversal ou de topo: Plano de corte da madeira perpendicular aos 
elementos axiais ou ao eixo maior do caule. Esta é a seção onde se observa com 
maior facilidade as várias disposições dos tecidos do lenho das dicotiledôneas 
para fins de identificação. 
 
Seção longitudinal-tangencial: Plano de corte da madeira no sentido axial, 
paralelo ao eixo maior do caule em ângulo reto ou perpendicular aos raios da 
madeira e, ainda, tangencial às camadas ou anéis de crescimento. 
 5 
 
Coníferas Folhosas 
A B
Figura 3 – Amostra de coníferas e folhosas com 
anatômicas (Fonte: Gullichsen & Paulapuro, 2000). 
 
 
Seção Tangencial 
Se
 
Figura 4 – Diagrama esquemático do caule ilustrando 
de observação. 
 
 
 
Seção longitudinal-radial: Plano de corte no sentid
maior do tronco, paralelamente aos raios da madeira
camadas de crescimento. 
 
 
 
 
 
 
suas respectivas estruturas 
Seção Radial 
ção Transversal 
os três planos fundamentais 
o axial, passando pelo eixo 
 e, ainda, perpendicular às 
6 
COMPOSIÇÃO DO CAULE: 
 Observadas em seção transversal, notam-se do centro para periferia as 
seguintes regiões do caule: medula, cerne, alburno e casca. Entre a casca e o 
alburno encontra-se uma região denominada câmbio, visível somente ao 
microscópio. Nas gimnospermas, principalmente, aparecem no lenho regiões 
escuras intercaladas por regiões claras,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.