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Apostila estrutura anatomica e química da madeira

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ausentes (Tsuga e Abies), e são designados canais resiníferos traumáticos. Estes 
canais apresentam uma distribuição especial muito peculiar, que facilmente os 
distinguem dos canais resiníferos normais. Estes últimos ocorrem de forma difusa 
na madeira, enquanto que aqueles surgem em faixas tangenciais regulares, 
correspondentes à época em que foram originados. De acordo com este princípio, 
procede-se à exploração comercial as resinas de algumas espécies (Pinus sp), 
que é aproveitada como matéria-prima na fabricação de tintas, vernizes, sabões, 
inseticidas etc. 
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Figura 14 – Canal resinífero em Pinus sp, delimitado por células epiteliais (Fonte: 
Burger & Richter, 1991). 
 
 
 
 
 
PLANO A - 1-1a - anel de crescimento; 2 - canal de 
resina; 3-3a = raio; a-a’ = traqueídeos longitudinais; 
b - células epiteliais; c - células do raio; d - par de 
pontuação; e - pontuação areolada; f, g - par de 
pontuação; h - par de pontuação entre traqueídeo e 
parênquima radial. 
 
PLANO B - 4-4a - traqueídeos longitudinais; 5-5a - 
raio uniseriado; i, j = pontuação areolada; k - 
traqueídeos radiais; 1 - células de parênquima 
radial. 
 
PLANO C - 6-6a - traqueídeos longitudinais; 7-7a - 
raio; m - extremidade de traqueídeo longitudinal; n - 
pontuação areolada; p - células de parênquima 
radial; r = canal de resina transversal. 
 
Figura 15– Diagrama de um lenho de gimnosperma 
 
 
 
 
 
 
 
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DAS ANGIOSPERMAS: 
 As madeiras de angiospermas dicotiledôneas que representam a grande 
maioria das madeiras nativas brasileiras, possuem uma estrutura bem mais 
complexa do que as das gimnospermas devidas apresentarem um maior número 
de tipos de célula em sua composição. 
 
Elementos vasculares ou elementos de vasos (vaso/”poros”): 
 São células que se dispõe em séries axiais coalescentes, formando os 
vasos. Estes quando vistos em seção transversal são denominados “poros” em 
anatomia da madeira. 
 Os elementos de vaso apresentam uma área de comunicação entre si que 
é chamada de placa de perfuração. 
 
 
 
PLANO A - 1-1a = anel de crescimento
anual; 2-2a = células radiais
procumbentes; 
2b-2c = raio de células eretas; a-a6 =
poros, 
 b-b4 = fibras; c-c3 = células de
parênquima longitudinal; e = células
radiais procumbentes. 
 
PLANO B - f-f1 = elementos vasculares; 
g-g1 = fibras; h = parênquimas
longitudinais; 
3-3a = raio heterocelular; i =células
radiais eretas; j = células radiais
procumbentes. 
 
PLANO C - k, kl, k2 = elementos
vasculares; 
 l = fibras; 4-4a = raio; m = células
radiais eretas; n = células radiais
procumbentes. 
 
Figura 16 – Diagrama de uma angiosperma nos três planos de observação. 
 
Tanto os traqueídeos como os elementos de vaso, no curso de sua 
diferenciação, perdem seus protoplasmas, tornando-se aptos para o transporte da 
água e dos sais minerais. Nos elementos de vaso, a parede terminal de cada 
extremidade sobre um processo de dissolução, originando a placa de perfuração 
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(Figura 17). A dissolução a parede terminal pode ser total, dando origem à placa 
de perfuração simples, ou parcial, constituindo as placas de perfuração 
foraminadas, reticulada, escalariforme e mista (Figura 17). As placas de 
perfuração também podem ser encontradas nas paredes laterais dos elementos 
de vaso e, em alguns casos, nas células específicas do parênquima radial, as 
células perfuradas de raio, estão diretamente envolvidas no transporte de água. 
 Os elementos de vaso apresentam também comunicações com outros 
elementos que o circundam, através de pontuações. A natureza e dimensão 
dessas pontuações variam de acordo com o tipo de célula em contato com o 
elemento vascular. Entre dois elementos vasculares justapostos, entre um 
elemento vascular e um fibrotraqueídeo e entre dois traqueídeos, as pontuações 
são sempre areoladas. Quando os elementos vasculares estiverem em contato 
com as células parenquimáticas, as pontuações serão do tipo semi-areoladas. As 
pontuações areoladas das folhosas nunca aspiram. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17 – Representação esquemática das placas de perfuração (Fonte: Glória 
e Guerreiro, 2003). 
 
 
 
Tipos de elementos vasculares: 
 Quando a madeira é observada no plano transversal, os vasos ou “poros” 
podem estar rodeados completamente por outros tipos de células que não vasos. 
Este tipo é denominado vaso solitário. Quando dois ou mais vasos solitários estão 
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justapostos, formam os vasos múltiplos, podendo ser múltiplos, de 2, 3, 4 ou mais 
vasos, formando cadeias geralmente radiais e às vezes tangenciais. 
 
Distribuição: 
 A distribuição dos vasos nas madeiras de angiospermas podem ser de 3 
tipos: em anéis porosos, difusa e semi-difusa. 
 
Disposição: 
 Os vasos solitários podem se agrupar formando arranjos oblíquos ou 
diagonais, tangenciais, em cacho, faixas ondeadas etc. Os vasos múltiplos 
geralmente formam cadeias radiais e raramente outros tipos de cadeias. 
 
Diâmetro e freqüência: 
 O diâmetro e a freqüência dos “poros” variam de espécie para espécie e 
numa mesma espécie, variam da medula para casca e também num anel de 
crescimento. 
 
Conteúdo: 
 Os “poros” podem ou não conter obstruções como depósitos de óleo- 
resina, calcários, tilas (tilos ou tiloses) etc. 
 As tiloses são membranas semelhantes a bolas que entram nos vasos a 
partir das células do parênquima adjacente através dos pares de pontuação. Este 
fenômeno é atribuído a diferenças de pressão entre vasos e células de 
parênquima contíguas. Enquanto estes conduzem os fluidos ativamente, as 
pressões dentro das células de ambos são mais ou menos idênticas. Porém, com 
a diminuição da intensidade do fluxo de líquidos nos vasos (por ocasião da 
cernificação do alburno) torna-se bem maior e, em conseqüência, a fina parede 
primária das pontuações do parênquima se distende penetrando na cavidade dos 
vasos. Ferimentos externos podem estimular a formação de tiloses visando 
bloquear a penetração de ar na coluna de líquidos em circulação. Às vezes, o 
surgimento de tiloses é decorrente da degradação enzimática das membranas de 
pontuação por organismos xilófagos. 
As tiloses são encontradas no cerne de certas espécies de madeira e 
chegam a obstruir total ou parcialmente o lúmen dos vasos. 
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 Assim as tiloses, gomas ou outros depósitos podem impedir ou diminuir 
grandemente a permeabilidade do cerne de muitas madeiras de angiospermas. 
 
Parênquima axial ou longitudinal: 
 O parênquima axial desempenha a função de armazenamento e de 
translocação de água e solutos a curta distância, sendo mais freqüente e 
abundante nas angiospermas (Figura 18A-C) e raro ou mesmo ausente nas 
gimnospermas. Destaca-se na estrutura da madeira, por apresentar células 
alongadas no sentido vertical e paredes mais delgadas, em comparação com as 
paredes dos elementos de vasos e das fibras (Figura 18A-C). 
 
 
 
Figura 18 – Representação esquemática de um tronco de angiosperma 
seccionado nos planos transversal (A), longitudinal tangencial (B) e longitudinal 
radial (C) (Fonte: Glória & Guerreiro, 2003). 
 
 O parênquima axial é classificado, de acordo com seu padrão de 
distribuição em relação aos vasos, em: paratraqueal (Figura 19A-D), quando se 
encontra associado aos elementos de vasos; apotraqueal (Figura 19E e F), 
quando não está em contato direto com os elementos; e em faixas (Figura 20), 
que pode ou não estar associado aos vasos, formando faixas retas, onduladas, ou 
em diagonal, contínuas ou descontínuas. 
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 O parênquima paratraqueal apresenta diferentes padrões, sendo então 
denominado: Vasicêntrico, quando forma bainha completa em torno dos

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