Clínica Médica de Pequenos Animais 2   02
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Clínica Médica de Pequenos Animais 2 02


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V e t e r i n a r i a n D o c s 
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Clínica Médica de Pequenos Animais 
 
 
Neurologia 
Anatomia 
01-Encéfalo 
 01.1-Divisão simplificada: o encéfalo inclui o cérebro, tronco cerebral e 
cerebelo. O tronco cerebral inclui o diencéfalo (tálamo e hipotálamo), o mesencéfalo, a 
ponte (metencéfalo ventral) e a medula oblonga (mielencéfalo). 
01.-2-Divisão ontogênica e filogênica: 
 Rombencéfalo: dividido em duas partes principais (mielencéfalo e 
metencéfalo). 
 Mielencéfalo: composto pela medula oblonga e bulbo. 
 Metencéfalo: composto pela ponte e cerebelo. 
 Mesencéfalo: composto pelos pedúnculos cerebrais ventralmente e 
corpos quadrigêmios e lâmina tectal dorsalmente. 
 Prosencéfalo: dividido em duas partes principais (diencéfalo e 
telencéfalo). 
Diencéfalo: composto pelo tálamo, hipotálamo, epitálamo e 
metatálamo. 
 Telencéfalo: composto por dois hemisférios cerebrais (cérebro). 
 
 
 
 
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Figura 1. Esquematização do encéfalo. 
Fonte: TAYLOR in NELSON e COUTO, 2010. 
O termo neurônio motor superior (NMS) refere-se aos neurônios do cérebro que 
controlam a atividade motora do corpo. Os NMS exercem seus efeitos estimulando ou 
inibindo os neurônios que inervam diretamente os músculos. Os verdadeiros neurônios 
que inervam os músculos são os neurônios motores inferiores (NMI). 
 Em outras palavras, o NMS fala ao NMI o que fazer. 
 O sistema NMS é responsável por: iniciação do movimento voluntário, 
manutenção do tônus muscular e controle da postura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2. Representação esquemática da associação entre NMS e NMI. 
Fonte: DEWEI, 2006. 
 
 
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02-Medula Espinhal 
 Cães: a medula espinhal termina entre L6 e L7. 
 Gatos: a medula espinhal termina em S1. 
Tratos Motores Descendentes 
Neurônio Motor Superior (NMS) 
A influência do NSM no NMI (isto é, a lesão do NMS) tipicamente resulta na 
liberação da inibição muscular (desinibição). 
 Lesão em partes da medula que não apresentam NMI de significância clínica 
(C1 a C5 e T3 a L3) interrompe o controle descendente do NMS sobre NMI, 
acarretando os sinais de NMS. 
 O resultado é paresia com atividade reflexa normal ou aumentada (o arco reflexo 
não é afetado por lesão em NMS) e aumento do tônus do músculo extensor. 
Neurônio Motor Inferior (NMI) 
Embora existam NMI por toda a extensão da medula espinhal, os NMS de 
importância clínica são aqueles que suprem os membros, bexiga urinária e os esfíncteres 
uretral e anal. 
 Os NMI de importância clínica situam-se na intumescência cervical (C6 a T2) e 
na intumescência lombossacra (L4 a S3). Lesão nestes segmentos ocasiona paresia ou 
plegia de NMI, caracterizada por reflexos fracos ou ausentes e diminuição do tônus 
muscular. 
O NMI compõe o neurônio efetor do arco reflexo. Seus corpos celulares se 
encontram na região ventral da substância cinzenta. 
Cauda equina: são raízes de nervos derivados do segmento L7 da medula e 
caudalmente à ele. 
 
 
 
 
 
 
Figura 3. Esquematização dos segmentos medulares em um cão. 
 
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Figura 4. Segmentos da medula espinhal e suas localizações em relação às vértebras, em um cão. 
Fonte: DEWEY, 2006. 
A medula espinhal pode ser dividida de acordo com os segmentos medulares da 
seguinte forma: Cervical (C1-C8), Torácica (T1-T13), Lombar (L1-L7), Sacral (S1-S3) 
e caudal ou coccígea, em número variável. 
 
 
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A medula espinhal está localizada dentro do canal vertebral e contém raízes 
dorsais (sensitivas) e ventrais (motoras) que irão unir-se à saída de cada forame 
intervertebral para formar os nervos espinhais do Sistema Nervoso Periférico. 
Em comparação com as outras regiões da coluna vertebral, a região cervical 
apresenta um espaço maior dado ao maior diâmetro do canal medular. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. Esquematização da medula espinhal com a intumescência cervical e lombossacral. 
 
Tratos Medulares 
A substância branca ocupa a área periférica da medula espinhal e é a primeira 
afetada em casos de lesão medular. Nessa região encontra-se o trato ascendente ou 
sensorial, que carreia as informações sensitivas do Sistema Nervoso Periférico (SNP) e 
conduz ao Sistema Nervoso Central (SNC). 
Discos Intervertebrais 
Com exceção de C1-C2 e das vértebras sacrais, que são fusionadas, todos os 
corpos vertebrais articulam-se por meio de discos intervertebrais, que 17 são 
responsáveis pela flexibilidade da coluna e atuam como absorventes de impacto. 
Os discos são ricos em água e são compostos pelo anel fibroso, constituído de 
material fibrocartilaginoso e pelo núcleo pulposo, constituído de material gelatinoso. 
O ligamento longitudinal dorsal, junto com o anel fibroso, é um dos fatores 
responsáveis pela manutenção da estabilidade do disco. 
 
 
 
 
 
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Figura 6. Desenho esquemático da espinha cervical e seus componentes. 
 
Vias Nervosas 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7. Corte esquemático da medula espinhal. 
Fonte: SLATTER, 2007. 
As fibras de dor profunda são as mais internas e resistentes na medula. Se perder 
dor profunda 50% da medula está comprimida (grau 5). 
 
 
 
 
 
 
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Exame Neurológico (8 etapas) 
 -Estado mental e comportamento; 
 -Atitude e postura; 
 -Marcha; 
 -Reações de atitude e posturais; 
 -Reflexos espinhais; 
 -Função do trato urinário; 
 -Avaliação sensorial (nocicepção); 
 -Avaliação dos nervos cranianos; 
01-Estado Mental e Comportamento 
 -Normal: alerta. 
 -Deprimido: apático e pouco reativo, mas excitável. 
 -Delirante: responde de forma exacerbada e inadequadamente à estímulos. 
 -Estupor: inconsciente e responde somente a grandes estímulos ambientais e 
dolorosos. 
 -Coma: inconsciente e não pode ser excitado, mesmo com estímulos dolorosos. 
02-Atitude e Postura 
 Atitude: refere-se à posição dos olhos e da cabeça em relação ao corpo. 
 Anormalidade: rotação e desvio da cabeça. 
 Postura: é a posição do corpo em relação à gravidade e é mantida pela 
integração das vias do sistema nervoso central e reflexos espinhais. 
 Anormalidade: posição de estação com membros em abdução, rigidez 
por descerebração, rigidez por descerebelação e síndrome de Schiff- Sherrington. 
 02.1-Rigidez por descerebração: deve-se a lesão no tronco 
cerebral e é caracterizada pela extensão de todos os membros e, às vezes, opistótono, 
redução do nível de consciência (estupor ou coma). 
 02.2-Rigidez por descerebelação: deve-se à lesão cerebelar aguda 
e é caracterizada por opistótono, extensão de membros torácicos e flexão dos 
posteriores (maior tônus do músculo ílio-psoas). A consciência não é alterada, pois não 
há envolvimento do tronco cerebral. 
 
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 02.3-Síndrome de Schiff-Sherrington: deve-se à lesão nos 
segmentos espinhais lombares ou torácicos. É caracterizada por extensão de membros 
torácicos com paralisia flácida de membros pélvicos e aumento de reflexo patelar 
(NMS). O nível de consciência costuma ser normal. 
 
 
 
 
 
 
Figura 8. Posturas anormais. 
Fonte: PELLEGRINO, SURANITI e GARIBALDI, 2003. 
03-Marcha 
 Ataxia: é a incapacidade para executar