APS-1 DIREITO PENAL - Crimes Contra a Honra
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APS-1 DIREITO PENAL - Crimes Contra a Honra

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REDE DE ENSINO DOCTUM
FACULDADE DE DIREITO DA SERRA
ADRIANO CINTRA CORREIA
FRANCYNELLI BINOW
RODOLPHO SCARPATTI
THAIS SOARES
DIREITO PENAL III
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
SERRA
2017
ADRIANO CINTRA CORREIA
FRANCYNELLI BINOW
RODOLPHO SCARPATTI
THAIS SOARES
DIREITO PENAL III
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
Trabalho conferido ao docente da disciplina Direito Penal III, da Faculdade de Direito da Serra, como requisito parcial para avaliação acadêmica no curso de Direito e aprovação no 5º período, tendo como orientador de conteúdo a Profa. Fabiane Aride Cunha.
SERRA
2017\ufffd
SUMÁRIO
31. INTRODUÇÃO	\ufffd
42. DOS CRIMES CONTRA A HONRA	\ufffd
42.2. Objeto jurídico	\ufffd
43. EXEMPLOS DE CRIMES CONTRA A HONRA	\ufffd
43.1. CALÚNIA	\ufffd
53.1.1. Sujeitos do crime	\ufffd
53.1.2. Sujeito ativo	\ufffd
53.1.3. Sujeito passivo	\ufffd
73.1.4. Tipo objetivo	\ufffd
73.1.5. Tipo subjetivo	\ufffd
83.1.6. Consumação e tentativa	\ufffd
83.1.7. Agente que propala ou divulga a calúnia (art. 138, §1, do CPB-41)	\ufffd
83.1.8. Exceção da verdade e de notoriedade	\ufffd
103.1.9. Pena e ação penal	\ufffd
103.2. DIFAMAÇÃO	\ufffd
113.2.1. Sujeitos do crime	\ufffd
123.2.2. Tipo objetivo	\ufffd
123.2.3. Tipo subjetivo	\ufffd
123.2.4. Consumação e tentativa	\ufffd
133.2.5. Exceção da verdade e de notoriedade	\ufffd
133.2.6. Pena e ação penal	\ufffd
133.3. INJÚRIA	\ufffd
143.3.1. Sujeitos dos crime	\ufffd
143.3.2. Tipo objetivo	\ufffd
143.3.3. Tipo subjetivo	\ufffd
153.3.4. Consumação e tentativa	\ufffd
153.3.5. Perdão judicial: provocação e retorsão (§1º, I e II, do art. 140, do CPB-41)	\ufffd
153.3.6. Qualificadoras	\ufffd
153.3.6.1. Injúria real	\ufffd
163.3.6.2. Injúria preconceituosa	\ufffd
163.3.7. Pena e ação penal	\ufffd
173.3.8. Excludente dos crimes de injúria e difamação (art. 142 do CPB-41)	\ufffd
174. CONCLUSÃO	\ufffd
19REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	\ufffd\ufffd
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1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por objetivo salientar o ponto de vista dos doutrinadores ao tratar de crimes contra a honra. Discorrendo sobre a evolução da histórica e observando as concepções de vários autores e as possibilidades tendentes a sua evolução.
No âmbito dos direitos da personalidade, ou também chamados de direito individuais, iram variar conforme o doutrinador estudado. Essa disparidade muitas vezes acaba levando ao leitor a dúvida se o fato consiste ou não em ser criminoso.
Desta maneira a complexidade nesse trabalho não é somente na conduta dos sujeitos, mais também no seu modo de exteriorização, dos indivíduos atingíveis no crime e os elementos de cada tipo penal estudado.
Assim, foi fundamental que houvesse a fragmentação dos crimes contra a honra, na suas naturezas, calúnia, injúria e difamação. Tornando assim mais visível cada particularidade e destacando o que difere os dispositivos.
Em suma, a calúnia consiste em imputar a alguém fato definido como crime, já na difamação o fato é simplesmente desonroso e na injúria protege-se o sentimento de dignidade e decoro do ofendido.
Portanto, não cabe a confusão entre os crimes contra a honra, pois agora sabe-se que para cada fato típico há elementos diferentes e específicos para que seja enquadrado o fato dentro dos artigos aqui estudados definidos no Código Penal.
2. DOS CRIMES CONTRA A HONRA
2.2. Objeto jurídico
Sob a rubrica \u201cCrimes contra a honra\u201d cuida o Código Penal daqueles delitos que ofendem bens imateriais da pessoa humana, no caso, a sua honra pessoal. São eles: calúnia (CP, art. 138), difamação (CP, art. 139) e injúria (CP, art. 140). Tutela-se um bem imaterial, relativo à personalidade humana. Assim, o homem tem direito à vida, à integridade física e psíquica, como também a não ser ultrajado em sua honra, pois o seu patrimônio moral também é digno da proteção penal. Essa proteção é garantida pela Constituição de 1988, que em seu art. 5º, X, prevê que \u201csão invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação\u201d. Se, por um lado, é certo que a proteção da honra salvaguarda um bem personalíssimo, por outro, conforme ressalva Uadi Lammêgo Bulos, \u201ctutelando a honra, o constituinte de 1988 defende muito mais o interesse social do que o interesse individual, uti singuli, porque não está, apenas, evitando vinditas e afrontes à imagem física do indivíduo. Muito mais do que isso, está evitando que se frustre o justo empenho da pessoa física em merecer boa reputação pelo seu comportamento zeloso, voltado ao cumprimento de deveres socialmente úteis\u201d.
A honra, segundo E. Magalhães Noronha, conceitua-se \u201ccomo o complexo ou conjunto de predicados ou condições da pessoa que lhe conferem consideração social e estima própria\u201d.
3. EXEMPLOS DE CRIMES CONTRA A HONRA
3.1. CALÚNIA
Caluniar é ligar alguém \u2013 por escrito, gestos ou palavras \u2013 a fato, falsamente e consabido pelo ofensor, definido como crime; fere-se, como se visualiza, a honra objetiva, que é o bem jurídico protegido. Portanto, contar uma história mentirosa na qual a vítima teria cometido um crime pode assim o qualificar. Ademais, é de se notar, que dentre os crimes contra a honra, a calúnia se afigura como o mais grave, visto que, pela própria redação legal, o agente dissemina informação que sabe ser falsa e que constitui crime, atribuindo-a a outrem. O objeto material é a pessoa contra a qual recair a calúnia. Vê-se, pois, que a conduta consiste em imputar falsamente fato definido como crime, e, ademais, por tratar-se de bem jurídico disponível (art. 145 c/c 107, V, ambos do CPB-41), em havendo o consentimento o crime desaparece, restando atípico a conduta do agente.
Assim, leciona Rogério Sanches (2013, p. 192)
Hoje, porém, pacificou-se entendimento, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, de que o consentimento da vítima exclui o delito (a honra é disponível). Contudo, tal anuência tem de ser manifestada pela própria vítima, não admitindo consentimento dado por interposta pessoa (representante), vez que o bem jurídico (honra) não lhe pertence.
Conquanto a lei diga que o fato há de ser falso, haverá a configuração típica mesmo que o fato delituoso for verdadeiro, desde que o ofendido não seja o autor do ilícito penal.
Em decorrência da pena cominada \u2013 de 6 meses a 2 anos caberá a suspensão condicional do processo (art. 89, L. 9.099/95) e transação penal (art. 76, L. 9.099/95), salvo, neste último caso, se incide a causa de aumento prevista no art. 141 do CPB-41.
3.1.1. Sujeitos do crime
3.1.2. Sujeito ativo
Trata-se de crime comum. Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime de calúnia. Caluniador não é apenas o autor original da imputação, mas também quem a propala ou divulga (cf. § 1º). Assim como na calúnia original, é indispensável tenha o divulgador ou propalador ciência da falsidade (\u201c... sabendo falsa a imputação...\u201d).
Por se tratar de crime comum, não se exige qualidade especial dos sujeitos do crime, significando que qualquer pessoa, de início, pode ser sujeito ativo e passivo (sujeito passivo material é a vítima; sujeito passivo formal exclusivamente será o Estado); excepcionalmente, porém, os parlamentares não podem figurar no pólo ativo, visto que gozam de imunidade material (art. 53, CRFB-88), como os senadores, deputados e vereadores (estes nos limites territoriais da circunscrição do Município que ele representa).
3.1.3. Sujeito passivo
Para melhor compreensão do tema, em face da divisão da doutrina quanto à admissibilidade dos sujeitos passivos a seguir elencados, faremos uma análise individualizada de cada um deles.
O sujeito passivo de uma infração penal é a pessoa ou o ente que sofre as consequências da mesma. Porém, existem algumas questões sobre a possibilidade de figurar como sujeito passivo: nos casos dos inimputáveis, das pessoas jurídicas e dos mortos. No caso dos inimputáveis, é possível que os mesmos se enquadrem como sujeito passivo, já que nada impede estes de praticar