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Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

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e mantém cons-
tantes as relações anatômicas do pescoço, facilitando 
a introdução da agulha. 
Localiza-se o bordo interno do fascículo esternal 
do músculo esternocleidomastoídeo e identifica-se a 
cartilagem cricóide. O prolongamento de uma linha 
horizontal que passa por ela, indica a posição da apó-
fise transversa da 6ª vértebra cervical e o tubérculo 
de Chassaignac a nível do bordo do esternocleido-
mastoídeo. Nos longilíneos, a cartilagem cricóide po-
de estar mais alta, ao nível da 5ª vértebra cervical. 
A palpação da apófise transversa nos bordos do ester-
nocleidomastoídeo é facilitada quando rodamos dis- 
Fig. 66: 1 — nervo vago. 2 — nervo laríngeo recurrente. 3 — 
plexo braquial. 4 — gânglio estrelado. 5 — artéria vertebral. 6 
— artéria subclávia. 
 
cretamente a cabeça para o lado oposto. A apófise 
transversa da 1a. vértebra cervical pode ser localizada a 
1,5 cm abaixo do ponto citado. A Figura 67 ilustra a 
identificação deste ponto colocando dois dedos 
transversos aproximadamente a 4 cm a partir da junção 
esternoclavicular, no bordo do músculo. 
A punção pode ser feita a nível da 6a. ou da 1a. 
vértebra quando se vai usar anestésico local. Opta-se 
pelo ponto mais próximo do gânglio, ao nível da última 
vértebra cervical e com controle radiológico, quando se 
vai executar a neurólise química. 
Recomenda-se ao paciente que mantenha a boca 
aberta discretamente, não fale, não tussa nem degluta. A 
Figura 68 mostra os dedos indicador e médio palpando 
na profundidade o bordo interno do fascí-culo esternal 
do esternocleidomastoídeo e a carótida, para serem 
afastados lateralmente. Os dedos fixam esta posição 
comprimindo e afastando o conjunto musculovascular, 
sem palpar a apófise transversa correspondente . 
A punção é realizada com agulha 40x7 e seringa de 
10 ml, num ponto que dista 1,5 cm da linha média, 
perpendicular à pele e os planos subjacentes. A agulha 
deve progredir lentamente sem resistência até atingir a 
apófise transversa. A distância percorrida é pequena 
dependendo da forma do pescoço e da depressão teci-
dual determinada pela palpação profunda. A Figura 69 
ilustra os dedos e agulha posicionadas. Após localizar a 
superfície óssea, recua-se a agulha 3 a 5 mm, para não se 
injetar solução na massa muscular que recobre os ossos 
da região, ilustrados na Figura 70. Após aspiração, 
injeta-se 1 a 2 ml de solução anesté-sica. Se não houver 
sinais de injeção vascular (nesta região surge 
imediatamente), injeta-se o restante da solução. 
Os limites aponeuróticos da região e os tecidos 
areolar e gorduroso que envolvem o gânglio, tornam a 
extensão do bloqueio dose dependente. Dois milili-tros 
injetados no gânglio estrelado produzem bloqueio das 
fibras simpáticas da cabeça, 10 ml são necessários para 
bloquear as fibras que inervam os membros superiores, 
caixa torácica e órgãos intratorácicos. Quando se usa 
neurolíticos, o volume não deve exceder 1,5 ml de álcool 
absoluto ou fenol aquoso a 7% injetados lentamente, 
após localização comprovada por radiografia e injeção 
de anestésico local (1-2 ml). 
A efetividade do bloqueio simpático é comprovada 
clinicamente pela instalação ipsilateral da síndro-me de 
Claude Bernard-Horner caracterizado por: (a) ptose 
palpebral, (b) miose e (c) enoftalmia (Fig. 62). Anidrose, 
vasodilatação que ocasiona enrubecimento e aumento da 
temperatura da pele, congestão da con-juntiva e da 
esclerótica e obstrução nasal são facilmente verificados. 
Estes sinais e sintomas dão a certeza de que fibras 
simpáticas que suprem o crânio e a face foram 
bloqueados. 
Quando a finalidade é bloqueio simpático dos 
membros superiores, vasodilatação, aumento da tem-
peratura e anidrose devem ser observados. Quando 
predomina dor em queimação, observa-se redução ou 
desaparecimento imediato da dor e aumento da função 
do membro afetado. Outros sinais comprovam a eficácia 
dos bloqueios como a prova do reflexo simpático 
galvânico, aumento da amplitude das pulsações 
observadas num osciloscópio e a termografia. Se estes 
sinais não ocorrerem, deve-se repetir o bloqueio. 
Complicações 
As complicações podem ser divididas em vasculares, 
pleuropulmonares e neurológicas. 
A complicação neurológica mais comum é o blo-
queio do nervo laríngeo recorrente, que ocorre quando 
altos volumes e concentração de anestésico local são 
empregados. Esta complicação manifesta-se por 
rouquidão passageira e gera certo grau de ansiedade. 
Bloqueio incompleto do plexo braquial ocorre na 
punção mais lateral quando se injeta a solução sem tocar 
a superfície óssea onde se aloja o gânglio. 
Raquianestesia e anestesia peridural são complicações 
graves, porém raramente relatadas. 
Nos atendimentos ambulatoriais, os pacientes de-
vem ser observados durante, no mínimo, uma hora após 
a realização do bloqueio. 
A complicação vascular mais importante é a injeção 
arterial de solução anestésica local, que pode determinar 
perda da consciência transitória. Hematomas por lesão 
arterial ou venosa deixam a região dolorosa 
 
e dificultam os bloqueios subseqüentes. Volumes su-
periores a 5 ml podem determinar bloqueio das fibras 
cardioaceleradoras, que nos cardiopatas podem de-
senvolver bradicardia importante. Aqueles com "tor-
sade de pointes" podem desenvolver taquicardia nos 
bloqueios do gânglio estrelado direito, geralmente o lado 
não predominante. 
As lesões da pleura e pulmão com pneumotórax são 
pouco freqüentes. A possibilidade de bloqueio do 
frênico, de bradicardia e pneumotórax, contra-indicam o 
bloqueio bilateral num mesmo tempo. 
Bloqueio do Plexo Celíaco 
 AS Oliveira, TSA & CA Sanchez, TSA 
Considerações Anatômicas 
O plexo celíaco é a maior formação ganglionar pré-
vertebral do sistema nervoso autônomo. É constituído 
por três pares de gânglios interligados; os celía-cos, 
aorticorrenaís e mesentéricos. Recebe fibras somáticas 
eferentes pré-ganglionares dos nervos grande 
esplâncnico (T5-T9), pequeno esplâncnico (T10-T11), 
esplâncnico mínimo (T12), fibras simpáticas pós-gan-
glionares lombares superiores e fibras parassimpáticas 
dos vagos, principalmente do plexo esofágico inferior. 
Possui fibras aferentes simpáticas e ou viscerais respon-
sáveis pela condução do estímulo doloroso, cujo corpo 
celular se encontra no gânglio espinal correspondente. 
As fibras aferentes que acompanham o sistema paras- 
simpático pelos vagos, transmitem impulsos reflexos de 
náuseas e vômitos. A maioria das fibras pós-gan-
glionares do plexo celíaco acompanham os respectivos 
pedículos vasculares, formando uma densa rede de 
plexos secundários que suprem principalmente o dia-
fragma, fígado, baço, estômago, duodeno, pâncreas, 
adrenais, intestino delgado e parte do cólon transverso. 
Suprem secundariamente os ovários, fundo do útero, 
cordão espermático, aorta abdominal, mesen-tério e o 
restante do intestino grosso. 
O emaranhado de gânglios e fibras que forma o 
plexo celíaco ocupa uma área de 3cm de comprimento 
por 4cm de largura. No plano transverso uma área entre 
as glândulas adrenais, envolvendo a aorta. No plano 
longitudinal, ocupa uma área delimitada 
35 
Fig. 71: Plexo celíaco. 1 — 
nervo grande esplâncnico. 2 — 
nervo pequeno esplâncnico. 3 
— nervo mínimo esplâncnico. 4 
— primeiro gânglio simpático 
lombar. 5 — músculo psoas. 6 
— nervo genitofemoral. 7 — 
ramos do nervo vago. 8 — 
gânglio celíaco. 9 — gânglio 
mesentérico. 10 — plexo renal. 
11 — plexo aórtico. 12 — 
gânglio e plexo mesentérico 
inferior. 13 — nervo e artéria 
cólica esquerda. 
por cima da artéria celíaca e por baixo das artérias 
renais. Localiza-se na frente da metade inferior da 
12ª vértebra torácica, da 1ª lombar e, mais raramente, 
na frente da parte superior da 2a. lombar. Entre o 
plexo e a coluna vertebral há o crura do diafragma e 
a aorta. Os gânglios

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