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Apostila Direito do Trabalho   OAB 1ª Fase (2017) Alexandre Teixeira Curso Prime

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CURSO PRIME – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2222 1 
 
OS: 0194/9/16-Gil 
OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OS: 0194/9/16-Gil 
OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
DIREITO DO TRABALHO 
Prof. Alexandre Teixeira 
Apostila 2017 
 
 
CONTRATO DE TRABALHO E TERCEIRIZAÇÃO 
 
1 – EMPREGADO URBANO 
1.1. Definição legal 
A Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 3º, define o principal sujeito da relação de emprego a quem a 
norma trabalhista se destina: o empregado urbano. Assim, “considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços 
de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Como se pode ver, na definição de 
empregado se encontram quatro elementos essenciais caracterizadores de sua situação jurídica. 
Para que um trabalhador seja caracterizado como empregado, deve prestar serviços não-eventuais com 
pessoalidade, subordinação e com a intenção de receber salários. A ausência de qualquer desses elementos retira 
do trabalhador sua qualidade de empregado, podendo aparecer figuras diversas tais como os autônomos, 
eventuais, avulsos, diaristas, etc. 
 
1.2. Elementos essenciais 
1.2.1. Pessoa física/natural: Esse elemento advém do conceito econômico de trabalho, que é o dispêndio de energia para a 
consecução de um determinado fim. Assim, pessoa jurídica não despende energia, pessoa jurídica é um pedaço de 
papel, é mera formalidade. Trabalho só pode ser feito por ser humano, pois quem despende energia é pessoa natural, 
pessoa física. Logo, empregado só pode ser pessoa física. 
Hoje em dia é muito comum o fenômeno da “pejotização” que é exigir que o empregado se constitua em pessoa 
jurídica (empresário individual) para se esquivar da formação da relação de emprego. No entanto, caso evidenciada a fraude, 
deve-se pedir a desconsideração da pessoa jurídica e pedir o reconhecimento do vínculo empregatício com a pessoa física. 
Alguns hospitais ao contratar profissionais da saúde exigem que estes se constituam como pessoa jurídica para se livrarem de 
obrigações trabalhistas, pagando aos profissionais mediante a emissão de nota fiscal. Esta é uma clara demonstração de 
fraude à Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. 
Art. 9º, CLT - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a 
aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Não pode o empregado ser pessoa jurídica, pois esta é 
incapaz de prestar serviços pessoalmente a alguém, fazendo-o através de prepostos ou de seus próprios empregados. 
1.2.2. Pessoalidade: esse elemento significa dizer que o empregado não pode se fazer substituir na relação de trabalho. Não 
é possível o próprio empregado se fazer substituir, pois a titularidade, a direção da prestação de serviços é do 
empregador. Esse raciocínio é inferido do art. 450, CLT. 
Art. 450, CLT. Ao emprego chamado a ocupar, em comissão, interinamente, ou em substituição eventual ou 
temporária, cargo diverso do que exercer na empresa, serão garantidas a contagem do tempo naquele serviço, bem 
como a volta ao cargo anterior. 
A pessoalidade é elemento essencial à caracterização do empregado, no entanto, não está prevista no 
conceito legal de empregado, sendo encontrado no conceito de empregador (art. 2º, CLT). 
Art. 2º, CLT. Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade 
econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. 
 
 
 
 
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OS: 0194/9/16-Gil 
OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
O dispositivo não quer dizer que o empregador dirige pessoalmente a prestação dos serviços do empregado, 
mas quer dizer que esse empregador dirige a prestação pessoal dos serviços do empregado. A prestação pessoal é dos 
serviços do empregado, então a pessoalidade é característica do empregado. 
A pessoalidade significa que só e somente só o empregado contratado é que poderá prestar o serviço, pois o 
empregador ao contratar o empregado leva em consideração a pessoa do empregado. As obrigações decorrentes do 
contrato são obrigações personalíssimas, ou seja, somente aquele empregado pode cumprir, ele não pode se fazer 
substituir. Não significa que o empregado não possa ser substituído, o empregado não pode é se fazer substituir, ou seja, 
ele mesmo não poder arranjar um substituto para ele. É o empregador que substitui um empregado por outro 
empregado. 
 
1.2.3. não-evenualidade (habitualidade ou permanência): habitualidade ou permanência é a prestação de serviços nas 
atividades normais ou permanentes da empresa. Assim explica a Teoria da Permanência. 
Toda empresa tem as suas chamadas atividades ou necessidades normais ou permanentes. Ela desenvolve 
certas atividades, atividades fim e atividades meio. Atividades fim é a atividade principal da empresa, sem a qual ela 
deixa de existir. As atividades meio são as atividades secundárias, mas mesmo sendo secundárias não são menos 
importantes, pois muitas vezes, essa atividade secundária viabiliza, apoia e suporta a atividade fim. 
 
 
Necessidades normais ou 
permanentes 
Atividade-fim: são as atividades normais da empresa sem as quais a empresa deixa 
de existir 
Atividade-meio: são as atividades secundárias, mas que viabilizam dando apoio e 
suporte à atividade-fim 
 
O trabalhador que presta serviços nas necessidades normais/permanentes de uma empresa presta serviços não-
eventuais, portanto é um trabalhador não-eventual. 
Eventual é o trabalho que não se enquadra nas necessidades normais da empresa. 
EXEMPLO: em cursos preparatórios para concursos, a atividade fim é o ensino e existem, ainda, atividades 
permanentes desta empresa que é a recepção, a mecanografia, a limpeza, a vigilância. Quando um ar condicionado 
apresenta eventualmente um problema é chamado um técnico para consertar. Esse trabalhador não presta serviços nas 
atividades permanentes da empresa. O técnico chega à empresa, conserta, recebe seu pagamento e vai embora, ou seja, 
presta serviço eventual. 
A não-eventualidade não está relacionada à quantidade de dias trabalhados. Pode-se trabalhar um dia só na 
semana e ser empregado, desde que a prestação de serviços daquele empregado seja necessária com habitualidade à 
determinada empresa ou empregador. 
1.2.4. subordinação: o trabalho do empregado é fator de produção e como tal é entregue ao empregador, pois este o 
admite, assalaria e dirige sua prestação pessoal de serviços, determinado-lhe os horários de trabalho, o modo de 
realizar o trabalho em sua quantidade e qualidade, daí dizer-se que há relação de subordinação jurídica entre 
empregado e empregador. 
1.2.4.1. onerosidade/intenção de receber salários: o empregado ao prestar serviços de natureza não eventual e 
subordinado o faz com a intenção de receber salário. O empregador pode até não pagar salários a seus empregados 
porque os reduziu à condição de escravos, mas os serviços prestados pelos “escravizados” o foram com a intenção 
de receber salários. 
 
1.3. Empregados Domésticos 
O artigo 1º da Lei Complementar n. 150/2015 conceitua empregado doméstico como sendo aquele que presta 
serviços de natureza contínua, subordinada, onerosa, pessoal, de finalidade