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Obstetrícia e Ginecologia

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Obstetrícia e 
Ginecologia 
 
Filipa Sampaio 1/1/17 Licenciatura em Enfermagem 
 
 
 
 
1 
 
CONTENTS 
Definições em ginecologia .............................................................................................................................................................. 5 
Definições em obstetrícia ................................................................................................................................................................ 5 
Saúde Materna .................................................................................................................................................................................. 7 
Temas a abordar nas consultas de saúde materna ...................................................................................................................... 9 
Período Gestacional ....................................................................................................................................................................... 12 
Confirmação do diagnóstico de gravidez ............................................................................................................................... 12 
Trimestre, cálculo da idade gestacional, data provável de parto ......................................................................................... 13 
História clínica ............................................................................................................................................................................. 13 
Risco obstétrico .......................................................................................................................................................................... 15 
Factores de risco pré-natal .................................................................................................................................................... 15 
Cálculo de risco obstétrico .................................................................................................................................................... 17 
Cálculo de risco de anomalias fetais .................................................................................................................................... 20 
Alimentação ................................................................................................................................................................................ 21 
Ganho ponderal .......................................................................................................................................................................... 22 
Suplementação com ferro, ácido fólico, vitamina b12, iodo ................................................................................................ 22 
Exercício físico ............................................................................................................................................................................. 23 
Sono e repouso ........................................................................................................................................................................... 24 
Tabaco, álcool, uso de drogas .................................................................................................................................................. 24 
Higiene ......................................................................................................................................................................................... 24 
Vestuário ...................................................................................................................................................................................... 24 
Relações sexuais ......................................................................................................................................................................... 25 
Segurança rodoviária ................................................................................................................................................................. 25 
Alterações decorrentes da gravidez / adaptações fisiológicas............................................................................................. 25 
1º Trimestre ............................................................................................................................................................................. 25 
2º Trimestre ............................................................................................................................................................................. 26 
3º Trimestre ............................................................................................................................................................................. 28 
Alterações gerais (por sistema) ............................................................................................................................................. 29 
Sinais de alarme durante a gestação ....................................................................................................................................... 39 
Prevenção de toxoplasmose, listeriose, salmonelose, brucelose ......................................................................................... 39 
Relações sexuais ......................................................................................................................................................................... 40 
2 
 
Exame físico ................................................................................................................................................................................. 40 
Exame geral ............................................................................................................................................................................. 40 
Exames auxiliares de diagnóstico durante a gravidez – ecografias ................................................................................. 42 
Vacinação da grávida ................................................................................................................................................................. 43 
Incompatibilidades sanguíneas – Profilaxia de isoimunização Rh ....................................................................................... 44 
Licenças de maternidade/ paternidade, etc ............................................................................................................................ 47 
Desenvolvimento fetal ............................................................................................................................................................... 48 
Desenvolvimento fetal por períodos ................................................................................................................................... 48 
Desenvolvimento fetal por trimestre ................................................................................................................................... 49 
Etapas do desenvolvimento do bebé mês a mês: .............................................................................................................. 49 
Feto sente dor? ....................................................................................................................................................................... 53 
Referenciação .............................................................................................................................................................................. 53 
Gravidez na adolescência ..........................................................................................................................................................53 
Hipertensão arterial crónica, gestacional, pré-eclâmpsia e eclâmpsia ................................................................................ 54 
Diabetes ....................................................................................................................................................................................... 56 
Anemia na gestação ................................................................................................................................................................... 57 
Gestação múltipla ....................................................................................................................................................................... 57 
Hiperemese gravídica ................................................................................................................................................................ 58 
Anomalias associadas ao líquido amniótico ........................................................................................................................... 58 
Hemorragias genitais ................................................................................................................................................................. 60 
Metrorragias ................................................................................................................................................................................ 60 
Aborto .......................................................................................................................................................................................... 61 
Interrupção voluntária da gravidez .......................................................................................................................................... 62 
Gravidez ectópica ....................................................................................................................................................................... 64 
Neoplasia trofoblástica gestacional benigna (mola hidatiforme) ........................................................................................ 66 
Descolamento corioamniótico .................................................................................................................................................. 68 
Inserções anormais da placenta ............................................................................................................................................... 68 
Placentia prévia ....................................................................................................................................................................... 68 
Placenta acreta, increta e percreta ....................................................................................................................................... 69 
Descolamento Prematuro de placenta normalmente inserida (DPPNI) .............................................................................. 70 
Roptura uterina ........................................................................................................................................................................... 70 
3 
 
Vasa prévia .................................................................................................................................................................................. 71 
Infecções e gravidez ................................................................................................................................................................... 72 
Infecção urinária ..................................................................................................................................................................... 73 
Toxoplasmose ......................................................................................................................................................................... 73 
Rubéola .................................................................................................................................................................................... 74 
Varicela .................................................................................................................................................................................... 75 
VIH ............................................................................................................................................................................................ 75 
Vulvovaginites ......................................................................................................................................................................... 76 
Cervicite ................................................................................................................................................................................... 77 
Pólipo endocervical .................................................................................................................................................................... 77 
Pólipos endometriais ................................................................................................................................................................. 77 
Leiomiomas ................................................................................................................................................................................. 77 
Dor pélvica................................................................................................................................................................................... 78 
Doença inflamatória pélvica (DIP) ............................................................................................................................................ 78 
Endometriose .............................................................................................................................................................................. 79 
Incontinência urinária ................................................................................................................................................................ 79 
Restrição de crescimento fetal (RCF) ....................................................................................................................................... 79 
Malformações .............................................................................................................................................................................. 80 
Parto ................................................................................................................................................................................................. 84 
Incompetência cervico-ístmica/ ameaça de parto pré termo ............................................................................................... 84 
Roptura prematura de membranas .......................................................................................................................................... 84 
Trabalho de parto prematuro ................................................................................................................................................... 85 
Parto pré termo .......................................................................................................................................................................... 85 
Monitorização fetal ..................................................................................................................................................................... 86 
Sinais de trabalho de parto .......................................................................................................................................................88 
Fases do trabalho de parto ....................................................................................................................................................... 88 
Manobras de parto – parto normal .......................................................................................................................................... 89 
Manobras de parto – apresentações fetais anómalas ........................................................................................................... 92 
Prolapso do cordão .................................................................................................................................................................... 93 
Distócia de ombros .................................................................................................................................................................... 93 
Retenção de placenta................................................................................................................................................................. 94 
4 
 
Cuidados ao recém nascido após o nascimento .................................................................................................................... 94 
Puerpério ......................................................................................................................................................................................... 98 
Alterações no puerpério ............................................................................................................................................................ 98 
Cuidados à puérpera ................................................................................................................................................................ 100 
Incontinência pós-parto .......................................................................................................................................................... 102 
Adaptação à parentalidade ..................................................................................................................................................... 103 
Tristeza puerperal (Baby blues) e Depressão puerperal (depressão pós-parto) .............................................................. 103 
Contracepção no pós-parto .................................................................................................................................................... 104 
Relações sexuais no pós-parto ............................................................................................................................................... 104 
Sinais e sintomas comuns relativos ao bebé ........................................................................................................................ 105 
Sinais de alerta relativos ao bebé ........................................................................................................................................... 106 
Amamentação ........................................................................................................................................................................... 107 
Aleitamento artificial ................................................................................................................................................................ 126 
Alimentação por copo/biberão;.............................................................................................................................................. 130 
Introdução de novos alimentos .............................................................................................................................................. 130 
Vitamina D3 (Colecalciferol) .................................................................................................................................................... 132 
Sono ........................................................................................................................................................................................... 132 
Eliminação intestinal e vesical................................................................................................................................................. 132 
Higiene do bebé ....................................................................................................................................................................... 133 
Cuidados ao coto umbilical ..................................................................................................................................................... 134 
Segurança e prevenção de acidentes .................................................................................................................................... 134 
A integração do novo elemento na família ........................................................................................................................... 135 
Avaliação do desenvolvimento do bebé ............................................................................................................................... 135 
 
 
5 
 
DEFINIÇÕES EM GINECOLOGIA 
 Menarca – 1ª menstruação 
 Cataménio ou menstruação – fluxo fisiológico de sangue, com origem uterina, 
que ocorre ciclicamente na mulher, com duração de cerca de 4 a 6 dias, que 
ocorre em intervalos de 21 a 35 dias (interlúnios). 
 Menopausa – última menstruação (confirmação/ diagnóstico clínico ao fim de 
1 ano). 
 Coitorragia – perda hemática vaginal durante/imediatamente após o coito. 
 Menorragia ou hipermenorreia – hemorragia uterina regular mas prolongada 
(>7 dias) e/ou excessiva (>80ml). 
 Metrorragia – hemorragia uterina irregular e/ou intermenstrual. 
 Menometrorragia – hemorragia uterina que ocorre de modo irregular com 
menstruações excessivas (>80ml) e/ou prolongadas (>7dias). 
 Oligomenorreia – hemorragia uterina que ocorre de modo regular com 
intervalos > 35 dias (alargamento dos interlúnios). 
 Polimenorreia – hemorragia uterina que ocorre de modo regular com intervalos 
< 21 dias (encurtamento dos interlúnios). 
 Amenorreia – ausência de menstruação por um período > 6 meses ou 3 ciclos 
menstruais. 
 Hemorragia/metrorragia pós-menopausa – hemorragia uterina recorrente na 
mulher pós menopausa. 
DEFINIÇÕES EM OBSTETRÍCIA 
 A obstetrícia é o ramo da medicina que estuda a reprodução na mulher. 
Investiga a gestação, o parto e o puerpério nos seus aspectos fisiológicos e 
patológicos. 
 Parto de termo – entre as 37 e 42 semanas 
 Parto pré-termo – antes das 37, após atingir o limiar inferior de viabilidade (20 
semanas) 
 Parto pós-termo – após as 42 semanas 
 Baixo peso – peso <2500g 
 Muito baixo peso – < 1500 g 
 Extremo baixo peso – < 1000g 
 Macrossómico – > 4000g 
 Leve para a IG – peso < P10 
 Pesado para a IG - > P90 
6 
 
 Restrição de crescimento fetal – estimativa peso fetal ou perímetro abdominal 
< P10 
 
 
7 
 
SAÚDE MATERNA 
Antes mesmo da concepção é recomendada a marcação de uma consulta pré-
concepcional, preferencialmente antes de o casal interromper a utilização do método 
contraceptivo, na qual se procede a uma avaliação inicial e aconselhamento geral, se 
avalia o risco de uma eventual gravidez, se realizam exames auxiliares de diagnóstico 
ao casal e se procede à referenciação para cuidados pré-concepcionais 
especializados, quando indicado. 
O acompanhamento e os cuidados pré-natais, regulares, diminuem a incidência de 
complicações da gestação. 
Esquema de consultas – a 1ª consulta de gravidez deverá ser sempre o mais 
precocemente possível, idealmente nas primeiras 12 semanas de gravidez. Numa 
gravidez normal recomenda-se a realização de uma consultamensal até às 30 
semanas de gestação e quinzenal entre as 30 e as 36 semanas, tempo de gestação 
em que se deve referenciar a mulher ao Hospital de apoio perinatal para as consultas 
de termo da gravidez. 
De acordo com a ULSM, deverão ser efectuadas pelo menos 6 consultas de saúde 
materna: 
 1ª até às 12semanas 
 2ª entre as 14 e 16/17 semanas 
 3ª antes das 24 semanas 
 4ª entre as 27 e 30/31 semanas 
 5ª entre as 34 e 35/36 semanas 
 6ª entre as 36 e 38/39 semanas 
A Consulta de Revisão de Puerpério deverá ser efectuada 4 a 6 semanas após o 
parto. 
Objectivos do acompanhamento de saúde materna: 
 Orientar antecipadamente para o médico de família caso exista diagnóstico de 
gravidez e promover a integração da mulher grávida num plano de vigilância 
da gestação; 
 Orientar para a importância da vigilância precoce da gravidez, da revisão de 
puerpério e do aleitamento materno; 
8 
 
 Fornecer boletim da grávida, orientar para a importância de a mulher grávida 
se fazer acompanhar deste boletim até à consulta de revisão do puerpério, e 
proceder ao registo/ actualização dos registos; 
 Vigiar a gravidez, avaliando a grávida periodicamente; 
 Vigiar o bem-estar materno e fetal; 
 Vigiar o crescimento e desenvolvimento fetal; 
 Identificar atempadamente complicações; 
 Detectar precocemente factores de risco e orientá-los correctamente; 
 Promover a educação para a saúde; 
 Aumentar conhecimento sobre sinais e sintomas caracterísitcos da gravidez e 
alertar para complicações; 
 Ajudar a grávida a adaptar-se às alterações fisiológicas próprias da gravidez e a 
superar a sintomatologia por ela provocada. 
 Aumentar conhecimento sobre alimentação, vestuário, calçado, exercício físico, 
sono, etc; 
 Aumentar conhecimento sobre enxoval, higiene do recém-nascido, transporte, 
cuidados com o coto umbilical, prevenção de acidentes, etc; 
 Incentivar o aleitamento materno e aumentar conhecimento sobre benefícios 
da amamentação, fisiologia, tipos de leite, etc; 
 Promover a saúde da mãe, feto e família; 
 Proceder à administração de profilaxia de isoimunização Rh às 28 semanas nas 
grávidas com essa indicação; 
 Orientar para curso de preparação para o parto; 
 Orientar para curso de recuperação pós parto e massagem infantil; 
 Realizar visita domiciliária até aos 15 dias de vida do recém nascido e/ou até 
aos 6 dias de vida, caso seja para diagnóstico recoce; 
 Averiguar e actualizar vacinação; 
 Alertar o serviço social para situações de risco social; 
Critérios de referenciação para o médico: 
 Suspeita de diagnóstico de gravidez; 
 Quando é necessária a actualização do rastreio do cancro do colo do útero; 
 Verificação de alterações na história ou exame físico da grávida. 
9 
 
 
TEMAS A ABORDAR NAS CONSULTAS DE SAÚDE MATERNA 
1ª consulta 
 Dados da consulta pré-concepção 
 Bem estar da grávida e do casal 
 Cálculo da idade gestacional (IG) e data provável de parto (DPP) 
 Avaliação da motivação e adaptação à gravidez (desejada, planeada, aceite...) 
10 
 
 Suporte social (família, amigos, etc) 
 História clínica (história familiar, história anterior, doenças actuais, medicação 
habitual, dados relativos a gestações anteriores, etc) 
 Factores de risco pré-natal 
 Alimentação, exercício físico, hidratação, higiene oral, sono e repouso, 
consumos nocivos, vestuário 
 Suplementação com ácido fólico, ferro, etc 
 Alterações e desconfortos decorrentes da gravidez nesta fase (1º trimestre) 
 Sinais de alarme 
 Prevenção de infecções (infecção urinária, toxoplasmose, listeriose) 
 Prevenção de acidentes (uso de cinto de segurança, exposição a agentes 
teratogénicos, actividades radicais, etc) 
 Relações sexuais 
 Exame físico à grávida (peso e altura antes da gravidez e actual, IMC, pressão 
sanguínea, análise de urina com teste de combur) 
 Frequência cardíaca fetal (a partir das 11 semanas) (normal 110-160bpm) 
 Fornecimento e preenchimento do boletim da grávida 
 Importância da vigilância periódica da gravidez 
 Verificação do registo vacinal 
Consultas seguintes 
 Bem estar da grávida e do casal 
 Cálculo da idade gestacional (IG) e data provável de parto (DPP) 
 Alterações e desconfortos decorrentes da gravidez nesta fase (2º e 3º trimestres) 
 Sinais de alarme 
 Alimentação, exercício físico, hidratação, sono e repouso, consumos nocivos, 
vestuário 
 2º trimestre (12-28 semanas) 
o Desenvolvimento fetal 
o Preparar a chegada do bebé (preparação da casa, enxoval, preparação 
para o parto, etc) 
o Alimentação do bebé 
 3º trimestre (>28 semanas) 
o Desenvolvimento fetal 
o Fases do trabalho de parto 
o Preparação das malas a levar para o hospital 
11 
 
o Características do recém-nascido/ reconhecer o padrão de crescimento e 
desenvolvimento normais 
o Assegurar a higiene e manter a pele saudável 
o Cuidados ao coto umbilical 
o Lidar com o choro do bebé 
o Lidar com problemas comuns 
o Promoção e vigilância da saúde 
o Garantir a segurança e prevenir acidentes 
o Preparar a integração do novo elemento na família 
o Necessidade de revisão do puerpério após 6 semanas de parto 
o Motivação para planeamento familiar 
 Isoimunização Rh – às 28 semanas, realizar profilaxia de isoimunização Rh a 
todas as grávidas Rh negativo não sensibilizadas (coombs indirecto negativo), 
com 300 microgramas de imunoglobulina antigénio D 
 Vacinação TdPa – Entre as 20 e 36 semanas, idealmente até às 32 semanas, 
realizar vacinação contra a tosse convulsa 
 Exame físico à grávida (peso, IMC, pressão sanguínea, análise da urina com teste 
de combur, edema, insuficiência venosa, etc) 
 Frequência cardíaca fetal (a partir das 11 semanas) (normal 110-160bpm) 
 Movimentos fetais (perceptíveis habitualmente entre as 18 a 20 semanas em 
multíparas e 22 a 24 semanas em nulíparas) 
 Preenchimento do boletim da grávida 
 Oferta da oportunidade para realizar preparação para o parto, devendo a 
referenciação ser até às 20 semanas 
Consulta de revisão do puerpério 
 Bem estar da puérpera e do casal 
 Dados relativos ao parto – data, tipo de parto, complicações, lóquios, 
corrimento, hemorragias 
 Dados relativos ao recém-nascido – idade gestacional ao nascimento, sexo, 
apgar ao 1º e 5º min, peso, complicações neonatais 
 Suporte social (família, amigos, etc) 
 Assegurar higiene e manter a pele saudável 
 Cuidados ao coto umbilical 
 Vestuário e vestir/despir 
 Alimentar a criança 
 Lidar com o choro 
12 
 
 Lidar com problemas comuns 
 Garantir a segurança e prevenir acidentes 
 Reconhecer o padrão de crescimento e desenvolvimento normais 
 Promoção e vigilância da saúde 
 Ligação mãe/pai-filho 
 Início do contraceptivo 
 Exame físico – Pressão sanguínea, peso, exame da mama, circulação (varizes, 
hemorróides) 
PERÍODO GESTACIONAL 
 
CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ 
Sinais e sintomas característicos de gravidez 
 Sinais e sintomas de presunção e probabilidade 
o Interrupção de menstruação – ausência de menstruação no período 
normal, em pessoa cuja menstruação costuma ser regular 
o Spotting e dor abdominal no momento em que normalmente ocorre a 
menstruação, durante 1 a 2 dias, com corrimento de cor rosada ou 
acastanhada. Isto pode ser provocado pela implantação do óvulo na 
parede uterina e, também, pela acção hormonal. 
o Náuseas e vómitos 
o Mamas tensas, inchadas e dolorosas 
o Aumento da frequência urinária 
o Cansaço e sonolência 
o Aumento do tamanho do abdómen 
o Percepção de movimentos fetais (ocorre geralmente por volta da 18 a 20ª 
semana em multíparas e 22 a 24ª semana em primigestas) 
o Teste de gravidez de farmácia positivo 
 Sinais de certeza 
o Diagnóstico analítico (pesquisa de BHCG na urina/sangue – a pesquisa dasubunidade beta da hormona gonadotrófica coriónica humana tem a 
vantagem de, por ser quantificável, permitir estimar a idade gestacional e 
ainda o facto de ter grande sensibilidade). 
o Diagnóstico ecográfico 
o Batimentos fetais (doppler a partir das 12 semanas e estetoscópio Pinard 
a partir das 20 semanas). 
13 
 
 
 
TRIMESTRE, CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL, DATA PROVÁVEL DE PARTO 
A gravidez divide-se em 3 trimestres: 
 1º trimestre – até 13 
semanas 
 2º trimestre – 14 a 27 
semanas 
 3º trimestre – a partir 
das 28 semanas 
 
 
Cálculo da idade 
gestacional 
 Todas as consultas 
 Quando a data da última menstruação (DUM) é conhecida: 
o Contar o número de semanas a partir do 1º dia da última menstruação 
até à data da consulta. 
o Uso de disco – instrução no verso do disco. 
Cálculo da data provável do parto 
 1ª consulta 
 Regra de Nãgele 
o Identificar 1º dia da última mestruação (DUM) 
o Ao dia da DUM somar 7 
o Ao mês da DUM subtrair 3 meses (ou somar 9 meses) 
o Exemplo: DUM 11 de setembro 2001. Dia = 11 + 7 = 18. Mês = 9 – 3 = 6. 
DPP = 18 Junho 2002 
HISTÓRIA CLÍNICA 
História familiar, história anterior, doenças actuais, medicação habitual, dados 
relativos a gestações anteriores, etc 
14 
 
Possíveis efeitos das condições médicas existentes e terapêuticas utilizadas 
sobre o feto 
 Hipotiroidismo – aumenta o risco de aborto espontâneo, morte fetal, baixo peso 
na criança, problemas cognitivos na criança, e compliações maternas como 
hipertensão arterial; 
 Hipertiroidismo – o metimazol não deverá ser utilizado durante o primeiro 
trimestre, devendo optar-se pelo propiltiouracil, devido à sua menor passagem 
pela placenta; 
 Fenilcetonúria – atraso mental, microcefalia ou defeitos congénitos cardíacos 
no feto; 
 Diabetes mellitus mal controlada – aumenta o risco de defeitos congénitos 
cardíacos ou no tubo neural, morte fetal, aborto, parto prematuro, complicações 
no recém-nascido ou na mulher; 
 Hipertensão arterial – aumenta o risco de desenvolver pré-eclâmpsia. a 
adequação da medicação é importante; 
 Obesidade (IMC > 30) – maior risco de complicações na gravidez e de defeitos 
no recém-nascido, morte fetal, defeitos do tubo neural, complicações no parto, 
hipertensão ou diabetes gestacional, inferilidade; 
 Baixo peso (IMC<18,5) – aumenta o risco de baixo peso na criança ou parto 
prematuro, deficiência de nutrientes, osteoporose, amenorreia, infertilidade, 
arritmias; 
 Epilepsia – a terapêutica pode ser teratogénica, devendo ser alterada. A terapia 
medicamentosa também aumenta o consumo de folato, razão pela qual é 
importante a suplementação de ácido fólico; 
 HIV – de modo a prevenir a transmissão vertical durante a gravidez, no parto e 
no pósparto, deverá ser realizado o uso de antirretrovirais na gestação, o uso 
de AZT no parto e para o recém-nascido exposto e a inibição da lactação, assim 
como a disponibilização da fórmula láctea. 
 Lúpus eritematoso sistémico – mulheres com esta patologia exibirão melhor 
resultado obstétrico e perinatal se a sua doença estiver inativa e sob controlo 
pelo menos até 6 meses antes da concepção e com funcionamento renal 
estabilizado. 
 Asma brônquica – é importante que a mulher engravide durante um período 
estável da doença. 
 
Medicações não recomendadas / teratogénicas 
 Antiepilépticos – a concepção deve ser adiada até existir um bom controlo da 
doença, preferencialmente em monoterapia. Alguns antiepilépticos como o 
ácido valpróico são teratogénicos, devendo ser evitados. Devem ser preferidos 
15 
 
medicamentos com menor potencial teratogénico, como a carbamazepina, por 
exemplo; 
 Varfarina – teratogénica. Se possível, utilizar no início da gravidez um 
anticoagulante com menor risco; 
 Isotretinoína – teratogénica. Deve ser utilizada protecção dupla um mês antes, 
durante e um mês após o tratamento; 
 Inibidores da enzima de conversão de angiotensina e antagonistas de 
receptores de angiotensina – teratogénicos; 
 Estatinas – representam risco para o desenvolvimento fetal; 
 Metimazol (utilizado no hipertiroidismo) – associado a alterações congénita se 
utilizado durante o primeiro trimestre. 
 Efavirenz (antiretroviral) – teratogénico. 
 Estreptomicina (tuberculostático) – teratogénico. Risco de surdez congénita. 
 Antibióticos não aconselhados – estolato de eritromicina, aminoglicosídeos, 
tetraciclinas, quinolonas, sulfonamidas, cloranfenicol (3ª trimestre), trimetoprim 
(1ª trimestre). 
 
RISCO OBSTÉTRICO 
(Avelino, 2016, Prefeitura Municipal de Londrina, 2006) 
FACTORES DE RISCO PRÉ-NATAL 
Características individuais e condições sociodemográficas desfavoráveis: 
 Idade: 
o Maior que 35 anos; 
o Menor que 17 anos; 
 Altura 
o Menor que 1,45m; 
 Peso pré-gestacional 
o Menor que 45kg; 
o Maior que 75kg (IMC30); 
 Anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos; 
 Situação conjugal insegura; 
 Conflitos familiares; 
 Baixa escolaridade; 
 Desemprego; 
 Imigração, refugiados; 
16 
 
 Condições habitacionais precárias; 
 Condições ambientais desfavoráveis; 
 Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; 
 Hábitos de vida 
 Fumo e álcool; 
 Exposição a riscos ocupacionais: esforço físico, carga horária > 10/dia, 
permanecer em pé mais de 6h de forma ininterrupta, rotatividade de horário, 
exposição a agentes nocivos como produtos químicos, metais pesados, 
pesticidas, repelentes, fertilizantes, radiações, excreções de gatos ou de 
roedores, produtos utilizados em limpeza a seco, tipografia, têxteis, agricultura, 
instalações sanitárias, stress. 
Condições clínicas preexistentes: 
 Hipertensão arterial; 
 Diabetes; 
 Cardiopatias; 
 Pneumopatias; 
 Nefropatias; 
 Endocrinopatias (principalmente diabetes e tiroidopatias); 
 Hemopatias; 
 Epilepsia; 
 Doenças infecciosas como toxoplasmose, sífilis, HIV, etc (considerar a situação 
epidemiológica local); 
 Doenças autoimunes; 
 Ginecopatias; 
 Neoplasias. 
História reprodutiva anterior: 
 Aborto habitual; 
 Morte perinatal explicada e inexplicada; 
 História de recém-nascido com crescimento restrito ou malformado; 
 Parto pré-termo anterior; 
 Esterilidade/infertilidade; 
 Intervalo entre partos menor que dois anos ou maior que cinco anos; 
 Nuliparidade e grande multiparidade; 
 Síndrome hemorrágica ou hipertensiva; 
 Diabetes gestacional; 
17 
 
 Cirurgia uterina anterior (incluindo duas ou mais cesáreas anteriores). 
Complicações relativas a gestação actual (transformando-a numa gestação de 
alto risco): 
 Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido 
amniótico; 
 Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada; 
 Ganho ponderal inadequado; 
 Pré-eclâmpsia e eclâmpsia; 
 Diabetes gestacional; 
 Hemorragias da gestação; 
 Perda de peso; 
 Infecção urinária; 
 Doenças como toxoplasmose, hepatites, sífilis, etc. 
 Óbito fetal. 
Numa gestação de risco, a grávida deverá redobrar a atenção aos sinais de alerta e 
intensificar os cuidados preventivos. O pré-natal de uma gestante de risco é diferente, 
na medida em que esta grávida precisará de ser acompanhada mais de perto e de 
modo mais frequente pelos profissionais de saúde e, dependendo do caso, alterar o 
seu estilo de vida, hábitos, realizar tratamentos específicos, etc. 
CÁLCULO DE RISCO OBSTÉTRICO 
 
 
18 
 
 
19 
 
 
20 
 
CÁLCULO DE RISCO DE ANOMALIAS FETAIS 
1ª ecografia (11-13 semanas)  datar a gravidez, exame morfológico, 
translucência da nuca (se > 3mm - diagnóstico pré natal), corionicidade 
Além da confirmação da vitalidade fetal e da datação da gravidez, a ultrassonografia 
morfológica no 1° trimestre degravidez, realizada entre as 11 e 13 semanas, tem 
como intuito rastrear possíveis alterações cromossómicas do feto, as quais podem 
identificar síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), síndrome de Edwards 
(trissomia do cromossomo 18) ou síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13). 
O rastreio do primeiro trimestre apresenta duas etapas: 
 Análise sanguínea: o exame de sangue avaliará os níveis de duas substâncias 
específicas no sangue materno: 1.Gravidez associada à proteína plasmática-A 2. 
Gonadotrofina coriônica humana; 
 Ultrassonografia: para avaliar a medida da translucência nucal (conteúdo 
líquido, com linfa, localizado na parte posterior do pescoço do feto) e de outros 
marcadores, como por exemplo: presença de osso nasal (é bom sinal), 
regurgitação da válvula tricúspide e avaliação do ducto venoso. 
O médico responsável poderá então avaliar o risco de o bebé ser portador ou não de 
alguma aneuploidia – material genético alterado – usando a idade da mãe e os 
resultados das análises sanguíneas e ultrassom. Num software próprio, são 
combinados os valores bioquímicos, os dados da ecografia e da história da grávida 
(o chamado rastreio combinado), e o ecografista que está certificado pode calcular o 
risco de anomalias cromossómicas. 
O rastreio combinado veio permitir a redução do número de técnicas invasivas para 
o estudo dos cromossomas fetais, tais como a amniocentese ou a biópsia de 
vilosidades coriónicas. 
No caso do risco ser baixo, o rastreio do primeiro trimestre pode oferecer segurança 
de uma gestação saudável para a gestante. Se o nível de risco for moderado ou alto, 
o médico poderá indicar um rastreio mais profundo e invasivo para o complemento 
do resultado anterior utilizando o método de biópsia das vilosidades coriónicas (que 
pode ser realizada entre as 11 e 14 semanas) ou amniocentese (que pode ser realizada 
por volta das 16 semanas). 
Biópsia das vilosidades coriónicas  geralmente é realizada durante o período 
estipulado para realização da ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre (11 
21 
 
a 14 semanas de gestação). Apresenta um pequeno risco de aborto por ser um exame 
invasivo (cerca de 1%). 
Amniocentese  pode ser realizada para o diagnóstico de alterações cromossómicas 
ou alterações do tubo neural. Uma amostra do líquido amniótico é obtida por meio 
da punção abdominal uterina. Também apresenta um pequeno risco de evoluir para 
aborto (cerca de 1%). 
ALIMENTAÇÃO 
Segundo a OMS (2015), a Associação Portuguesa dos Nutricionistas (2011), a DGS 
(2011), o Ministério da Saúde (2012) e a Prefeitura Municipal de Londrina (2006), 
existem medidas que se podem adotar para ter uma alimentação saudável, como por 
exemplo: 
 Adoptar uma dieta variada, nutricionalmente equilibrada, rica em legumes, 
leguminosas, verduras e frutas e pobre em gorduras (totais e saturadas); 
 Tomar sempre pequeno-almoço; 
 Fazer 5 a 6 refeições por dia, evitando ficar mais de 3h sem comer; 
 Consumir mais água ao longo do dia (cerca de um litro e meio, que corresponde 
a 8 copos); 
 Comer cinco porções de fruta e legumes por dia; 
 Consumir mais peixe; 
 Peixes – evitar alguns tipos de peixe como atum fresco, cavala ou peixe-espada, 
devido ao perigo de contamição com mercúrio. No caso do atum, pode optar 
por atum enlatado. 
 Preferir as carnes brancas, retirando a pele e a gordura visível; 
 Consumir mais alimentos ricos em fibra como os cereais integrais, as frutas, os 
legumes, as leguminosas; 
 Iniciar as refeições principais com sopa; 
 Comer devagar e mastigar bem os alimentos; 
 Preferir temperos naturais: limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha 
 Reduzir o consumo de gorduras 
 Reduzir o consumo de sal para o nível inferior ao recomendado de 5 a 6 gramas 
diárias e preferir o sal iodado; 
 Reduzir o consumo de açúcar para menos de 10% da ingestão calórica diária, 
correspondendo a cerca de 50 gramas ou 12 colheres de café de açúcar; 
 Cafeína – dose recomendada é cerca de 200mg (cerca de 2 chávenas). 
 Álcool – o consumo deve ser evitado no 1º trimestre de gestação. Após esse 
período, é aconselhável não ultrapassar as duas doses, duas vezes por semana. 
 
22 
 
GANHO PONDERAL 
Durante a gravidez, é natural que o peso aumente, devido à formação da placenta, 
líquido amniótico, crescimento do bebé, volume do útero e do sangue, tecido 
mamário e gordura de reserva. Um inadequado ganho de peso está associado ao 
aumento do risco de atraso de crescimento intrauterino e mortalidade perinatal. Por 
seu lado, o elevado ganho de peso da grávida está associado ao aumento de peso do 
bebé ao nascimento e, secundariamente, ao aumento do risco de complicações na 
vida adulta. 
Ganho médio de peso durante a gestação é em média 9 a 13/14kg. 
Ganho de peso durante a gestação varia de acordo com a classificação do IMC antes 
da gravidez: 
 Gravidez de gémeos – 15,9 – 20,4 kg (deve aumentar 0,7 kg/semana no 2º e 3º 
trimestres) 
 IMC baixo – 12,5 – 18 kg (deve aumentar 0,5 kg/semana no 2º e 3º trimestres) 
 IMC normal – 11,5 – 16 kg (deve aumentar 0,4 kg/semana no 2º e 3º trimestres) 
 IMC alto (excesso de peso) – 7 – 11,5 kg (deve aumentar 0,3 kg/semana no 2º e 
3º trimestres) 
 IMC muito alto (obesidade) – 5 – 9 kg (deve aumentar 0,2 kg/semana no 2º e 3º 
trimestres) 
SUPLEMENTAÇÃO COM FERRO, ÁCIDO FÓLICO, VITAMINA B12, IODO 
 
 Iodo 
o Mulheres com deficiência em iodo podem fazer suplementação de iodo 
desde o período pré-concepcional e durante toda a gravidez e 
aleitamento. 
o Deve ser iniciada o mais precocemente possível a toma de iodeto de 
potássio, em doses de 150-200 microgramas/dia, desde que não haja 
contraindicação. 
 Ferro 
o É aconselhável o rastreio da deficiência de ferro para identificação e 
tratamento da anemia. 
o É recomendada a suplementação com ferro se hemoglobina <10.5mg/dL 
no 2ºT e 11 no 3º T 
o É recomendada a suplementação de 30 a 60 mg/dia de ferro elementar, 
desde que não haja contraindicação. 
23 
 
o Orienta-se que a ingestão seja realizada uma hora antes das refeições. A 
suplementação de ferro deve ser mantida no pósparto e no pós-aborto 
por 3 meses. 
o Alimentos ricos em ferro – feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, folhas 
verde-escuras, grãos integrais, castanhas, etc. 
 Ácido fólico (vitamina B9) 
o Reduz o risco de defeitos do tubo neural, como a espinha bífida (formação 
incompleta da medula espinal e vértebras) e anencefalia (formação 
incompleta do cérebro). 
o Reduz o risco de anemia, lábio leporino e fenda palatina, baixo peso, parto 
prematuro. 
o Encontra-se em alimentos (carne vermelha, espinafres, espargos, alface, 
lentilhas, feijão, laranja, limão, tangerina, ovo cozido, salmão, banana, 
papaia, abacate), mas é difícil obter a quantidade necessária através da 
alimentação, sendo recomendada a suplementação. 
o Mulheres que pretendem engravidar devem iniciar a suplementação de 
ácido fólico pelo menos 2 a 3 meses antes da data de interrupção do 
método contraceptivo, em geral doses de 400mcg/dia, até ao final do 1ª 
trimestre. Mulheres que apresentam risco elevado de ter uma criança com 
defeitos do tubo neural (mulheres que já tiveram um filho com defeitos 
relacionados com a deficiência de ácido fólico, mulheres que tomam 
antagonistas do ácido fólico, que têm epilepsia, obesidade ou diabetes) 
podem tomar doses mais elevadas de ácido fólico, 4 a 5mg/dia no 
período préconcepcional e gravidez. 
EXERCÍCIO FÍSICO 
 A prática de exercício físico na gestação melhora a capacidade respiratória, 
reduz a ansiedade, ajuda no controlo de peso e beneficia a estética corporal. 
 Poderá ser necessário adequar os exercícios, diminuindo a intensidade e 
duração. 
 Mergulho, desportos com alto impacto e desportos com maior potencial detrauma abdominal e queda deverão ser evitados. 
 
De acordo com Baptista et al (1997), Nogueira et al (2012), a Sociedade Portuguesa 
de Hipertensão (2014) e a Prefeitura Municipal de Londrina (2006), os benefícios da 
prática de actividade física são: 
 Diminui a Pressão arterial 
 Diminui a resistência à insulina 
 Melhora a força muscular 
24 
 
 Melhora a mobilidade articular 
 Melhora o perfil lipídico 
 Melhora a resistência física 
 Aumenta a densidade óssea 
 Controla o peso corporal 
 Diminui o risco cardiovascular 
SONO E REPOUSO 
 A grávida deve dormir cerca de 8h/noite. 
 Viagens longas devem ser restritas, pois causam esforço físico. 
 Realizar tarefas domésticas leves a moderadas, sem esforços intensos. 
 Durante o dia, sempre que possível, fazer breves intervalos de relaxamento e 
descanso físico e mental 
TABACO, ÁLCOOL, USO DE DROGAS 
O consumo de substâncias nocivas com o tabaco, álcool e drogas ilícitas implica riscos 
tais como a diminuição da fertilidade, complicações na grávida e graves danos fetais. 
 Tabaco – associa-se a parto pré-termo e baixo peso à nascença. O tabagismo 
passivo também acarreta riscos. 
 Álcool – pode provocar danos no feto (problemas na aprendizagem, 
emocionais, comportamentais ou atraso mental, síndrome alcoólica fetal, 
alterações do sistema nervoso central, restrição do crescimento, morte fetal). 
 Cocaína – o seu uso no 1º trimestre resulta num maior risco de aborto 
espontâneo, anomalias congénitas, particularmente urogenitais, hemorragia 
intraventricular, atraso no desenvolvimento físico, psíquico e cognitivo. 
HIGIENE 
 Banho 
o Não fazer duchas ou lavagens intravaginais 
o Não utilizar desodorizantes íntimos 
o Os banhos de imersão são desaconselhados nas últimas 4 semanas de 
gestação, tendo em conta que poderá já haver algum grau de dilatação 
cervical, com consequente risco de contaminação. 
 Dentes e gengivas 
o É comum a ocorrência de sangramento gengival durante a gestação, pelo 
que será importante utilizar escovas de dentes com cerdas macias 
VESTUÁRIO 
25 
 
 Utilizar vestuário confortável, que permita liberdade de movimentos 
 São contraindicadas as cintas e ligas circulares, que prejudicam a circulação 
venosa 
 Evitar o uso de sapato de salto alto, pois influencia o equilíbrio da grávida. 
 Havendo varizes, é recomendável o uso de meias elásticas, que facilitam o 
retorno venoso. Fazer também a elevação dos membros inferiores e 
caminhadas. 
RELAÇÕES SEXUAIS 
Numa gravidez de baixo risco, de modo geral, não há contraindicação para as relações 
sexuais. 
Entre as situações que contraindicam as relações sexuais com penetração vaginal 
temos, por exemplo, sangramento vaginal, rutura prematura de membranas ou risco 
de parto pré-termo. 
SEGURANÇA RODOVIÁRIA 
 Usar cinto de segurança, não deixando que o mesmo exerça pressão sobre o 
abdómen. 
 No terceiro trimestre de gravidez, a grávida deve evitar os lugares com airbag 
frontal. Se tiver que sentar num desses lugares, deverá recuar o banco o mais 
possível. 
ALTERAÇÕES DECORRENTES DA GRAVIDEZ / ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS 
Ao longo deste período, o corpo da mãe experimenta alterações fisiológicas: 
respostas fisiológicas adaptativas do corpo às necessidades crescentes do feto quanto 
à nutrição, protecção contra lesões e espaço para crescer. 
1º TRIMESTRE 
Dimensão psicológica 
 É capaz de afirmar “eu estou grávida” , incorporando a ideia de uma criança no 
seu corpo, que é vista como parte de si; 
 Os seus pensamentos estão centrados em si própria e na realidade imediata 
 Ambivalência – pensamentos sobre o desejo e não desejo da gravidez; 
 Dúvidas e ansiedade sobre estar ou não grávida, uma vez que o feto ainda não 
é concretamente sentido e as alterações corporais serem discretas; 
 Medo de abortar; 
 Sentimentos de perda de controlo sobre o seu corpo 
 Sentimentos de medo da gravidez e das suas complicações 
26 
 
 Sentimentos relativos à irreversibilidade do papel de mãe 
 Aceitação da gravidez (pela grávida e pelos outros que a rodeiam) 
 Instabilidade emocional e oscilações de humor 
Dimensão física 
 Sialorreia – andar sempre com lenços de papel, caso necessite; 
 Náuseas, vómitos, refluxo gastro esofágico, pirose, sensação de enfartamento – 
fazer dieta fracionada (comer várias vezes ao dia, aprox 6 refeições/dia e em 
pouca quantidade de cada vez); evitar gorduras, fritos e fast-food; evitar 
alimentos com odores fortes; evitar os alimentos irritantes (ex: o café, o chá 
preto/verde, o chocolate e comida muito condimentada); evitar álcool; evitar 
líquidos durante as refeições, dando preferência à sua ingestão nos intervalos; 
ingerir alimentos sólidos antes de levantar pela manhã, como bolachas de água 
e sal; evitar deitar-se após as refeições; evitar deitar-se em decúbito dorsal 
completamente, preferindo o decúbito lateral esquerdo ou decúbito dorsal com 
elevação do tronco; agendar consulta médica ou referir ao pré-natal de alto 
risco, em caso de vómitos frequentes; 
 Desejo e aversão por determinados alimentos; 
 Sonolência – programar períodos de repouso ao longo do dia; 
 Mamas tensas e sensíveis – não usar roupas demasiado justas; usar sutiã que 
forneça boa sustentação das mamas e que seja confortável; 
 Aumento do corrimento vaginal – evitar os pensos diários; caso observe 
alterações no corrimento como cor amarelada, ardor ou cheiro intenso, deverá 
consultar o médico; 
 Aumento da frequência urinária – realizar exercícios de Kegel; fazer restrição de 
líquidos antes de se deitar; contactar o médico caso haja dor ou ardor ao urinar; 
 Aumento do risco de infecção urinária – Beber 6 a 8 copos de água/dia; evitar a 
cafeína, o álcool e o açúcar; urinar no momento em que tem vontade e esvaziar 
completamente a bexiga; depois de urinar, secar-se sem friccionar e manter a 
área genital limpa; realizar higiene da região genital 2 vezes/dia; limpar a área 
genital sempre no sentido da frente para trás; evitar usar sabonetes fortes, 
cremes antissépticos e pós de higiene feminina trocar diariamente a roupa 
interior e procurar que seja de algodão; evitar usar calças demasiado apertadas; 
evitar as relações sexuais durante o tratamento de uma infecção urinária; urinar 
antes e depois das relações sexuais; agendar consulta médica caso haja disúria 
ou hematúria, acompanhada ou não de febre ou resultado de urina alterado; 
2º TRIMESTRE 
Dimensão psicológica 
27 
 
 Afirma “vou ter um bebé”, aceitando o feto em desenvolvimento como um ser 
distinto de si; 
 As alterações na estrutura corporal podem ter um impacto mais ou menos 
intenso na pessoa; 
 Alterações da auto-imagem; 
 Toma consciência de um novo ser no seu interior através dos movimentos fetais; 
 Personificação do feto – a grávida cria uma imagem imaginária do bebé, com 
traços peculiares, e imagina o bebé a comunicar-se com ela através dos seus 
movimentos; 
 Desenvolve-se a formação da relação mãe-bebé e pai-bebé; 
 Reflexão sobre o papel de mãe; 
 Reflexão sobre o significado de ser mãe; 
 Introversão e passividade; 
 Reordenação das relações e interesses; 
 Eventuais alterações de humor; 
 Diminuição do desejo sexual. 
Dimensão física 
 Aumento do abdómen – verbalizar os sentimentos e partilhar com alguém; 
utilizar roupa adequada à gravidez mas que seja igualmente bonita, chamativa 
e que evidencie os aspectos positivos; 
 Prurido – fazer higiene com água morna; aplicar creme hidratante diariamente; 
os cremes e produtos de higiene devem ter um Ph neutro; secar a pele sem 
friccionar; usar roupa de algodão. 
 Cefaleias – preferir ambientes calmos e com pouca luz; aplicar um pano com 
água fria na testa; fazer refeições ligeiras; vigiar a pressão sanguínea; consultar 
omédico se as cefaleias persistirem. 
 Pirose, refluxo gastro esofágico 
 Dor lombar – fazer períodos de repouso; evitar estar muito tempo em pé, 
ininterruptamente; adoptar uma postura correcta; evitar calçado com tacão alto; 
ao baixar-se, fazer flexão daas pernas e não das costas; aplicar calor e massajar 
o local, caso haja contractura muscular. 
 Edema e varizes – utilizar meias elásticas; elevar os membros inferiores; evitar 
estar muito tempo parada na mesma posição e, se o fizer, ir fazendo exercícios 
com os pés; praticar actividade física regularmente; não ultrapassar os 5 a 6 gr 
de sal/dia; utilizar roupa e calçado confortáveis; não utilizar roupas justas nem 
meias com elásticos apertados. 
 Obstipação – Realizar dieta rica em fibras e líquidos: frutas cítricas, verduras, 
mamão, ameixa e cereais integrais, água; evitar alimentos de alta fermentação 
como lacticínios, feijão, couve e repolho; realizar actividade física; regularizar o 
hábito intestinal, indo ao WC sempre que necessitar; 
28 
 
 Aumento da pigmentação da pele, podendo ocorrer também aumento da 
oleosidade da pele e acne – usar boné; aplicar protector solar; não se expor 
directamente ao sol por longos períodos; realizar higiene do rosto 2vezes/dia, 
utilizando os produtos adequados ao tipo de pele. 
 Hemorroidas – Fazer dieta a fim de evitar obstipação intestinal; não usar papel 
higiénico áspero; agendar a consulta médica caso haja dor ou sangramento anal 
persistente. 
 Produção de colostro – usar discos de aleitamento. 
 Fraqueza e sensação de desmaio – realizar várias refeições ao dia, evitando o 
jejum prolongado e grandes intervalos entre refeições; não fazer mudanças 
bruscas de posição; evitar inactividade prolongada; preferir o decúbito lateral 
esquerdo; evitar locais muito abafados e/ou com muita exposição solar; se se 
sentir tonta, sentar-se com a cabeça abaixada entre os joelhos, respirando 
profunda e pausadamente. 
 Epúlides e gengivorragias – escovar os dentes após as refeições; usar escova de 
dentes macia; agendar consulta no dentista. 
3º TRIMESTRE 
Dimensão psicológica 
 Afirma “vou ser mãe”, preparando-se para o parto e para a maternidade; 
 Alterações da auto-imagem; 
 Os desconfortos acentuam-se; 
 Tomada de decisões relativas ao bebé, como escolher o nome, preparar o 
enxoval, a casa, etc; 
 Intensificação das ansiedades com a proximidade do parto e da mudança de 
vida que irá ocorrer após a chegada do bebé; 
 Intensificação do medo do parto; 
 Maior facilidade de rever antigas memórias e conflitos infantis da grávida com 
os seus pais e irmãos. O ressurgimento dessas vivências pode abrir a 
possibilidade de encontrar novas soluções e resolver conflitos antigos que 
poderiam interferir na relação mãe-bebé. 
Dimensão física 
 Aumento da frequência urinária 
 Caimbras – repousar, alongar, massajar e aplicar calor no músculo afectado; 
 Insónias – utilizar técnicas/estratégias de relaxamento; deitar-se 
confortavelmente com o apoio de almofadas; tomar um duche não muito 
quente antes de se deitar; 
 Pressão na região genital e anal; 
29 
 
 Sensação de falta de ar – adoptar postura correcta; dormir com elevação do 
tronco; evitar comer demasiado e encher muito o estômago; não fumar; 
contactar o médico caso os sintomas se agravem. 
ALTERAÇÕES GERAIS (POR SISTEMA) 
 Sistema reprodutor 
o Útero 
 O blastocisto (futuro embrião) implanta-se e inicia a secreção de 
HCG (hormona coriónica humana), cuja função é impedir a 
degeneração do corpo amarelo, impedindo a diminuição dos níveis 
de estrogénio e de progesterona e impedindo, assim, a 
menstruação. 
 Para conter o produto da concepção, o útero cresce rapidamente, 
sobretudo à custa da hipertrofia das células miometriais. Útero 
cresce cerca de 4 cm por mês, sofre um aumento do peso, de 70gr 
para 1200gr e um aumento do volume, de 10ml para 2-10L; 
 Ocorre hipertrofia e hiperplasia do tecido conjuntivo, vasos e 
inervação. 
o Colo do útero 
 Aumento da vascularização e hipertrofia das glândulas. Sinal de 
Godell (amolecimento do colo devido ao aumento da 
vascularização). 
 A secreção vaginal é abundante, espessa, esbranquiçada e ácida (pH 
3,5-6). Forma-se o rolhão mucoso que evita a contaminação do 
útero por bactérias ou outras substâncias; 
o Vagina 
 Aumento da vascularização e congestão. Sinal de Chadwick (cor azul 
púrpura da vagina devido ao aumento da vascularização). 
 Mucosa vaginal mais espessa e flexível. 
 Musculatura lisa hipertrofia-se e o tecido conjuntivo torna-se mais 
laxo/elástico – aumento da distensibilidade no parto. 
 Aumento das secreções vaginal e cervical (brancas e ácidas); 
o Ovários 
 Cessa a ovulação. 
 Persistência do corpo amarelo (produção de progesterona durante 
as primeiras 6 a 7 semanas; produção de relaxina ao longo da 
gravidez). 
o Istmo 
30 
 
 Alonga-se e às 12 semanas faz parte da cavidade uterina. 
 Menos espesso ao longo da gravidez. 
 Fluxo sanguíneo aumenta exponencialmente à medida que a 
gravidez progride. 
o Mamas 
 Crescimento dos ductos, lóbulos, alvéolos mamários (durante os 
primeiros 3 meses) e glândulas de Montgomery. 
 Aumento do tamanho e da sensibilidade das mamas. 
 Aumento da rede arteriovenosa. Veias superficiais mais salientes. 
 Aréolas maiores, mais pigmentadas. 
 Mamilos maiores, mais pigmentados e evertidos. 
 Orientações – Recomendar uso constante de sutiã que ofereça boa 
sustentação. 
 Sistema Cardiovascular 
o Coração 
 FC aumenta (10-15bpm) devido ao aumento progressivo do 
automatismo do nodo sinusal. 
 Aumento do débito cardíaco, podendo atingir um máximo de 40 a 
50 % entre o fim do segundo trimestre e o início do terceiro 
trimestre da gestação (20-28 semanas), mantendo-se depois 
estacionário e podendo diminuir ligeiramente (devido ao facto de o 
crescimento do útero comprimir as veias (veia cava inferior) que 
devolvem o sangue das pernas até ao coração, diminuindo o 
retorno venoso) até ao término da gravidez. Este aumento deve-se 
ao aumento do volume sistólico e da frequência cardíaca. O débito 
cardíaco também é influenciado pela posição da mãe, aumentando 
na posição de decúbito lateral esquerdo e diminuindo quando a 
paciente está na posição supina, pois o útero em crescimento pode 
obstruir totalmente a veia cava inferior, principalmente no terceiro 
trimestre, ocasionando uma queda do débito cardíaco, devida à 
redução do retorno venoso. 
 Aumento do volume cardíaco. O Miocárdio hipertrofia-se devido a 
aumento da massa muscular, aumento do volume tele-diastólico do 
ventrículo esquerdo, aumento do diâmetro da aurícula esquerda e 
aumento da contractilidade do miocárdio. 
 Horizontalização do coração causada por progressiva elevação do 
diafragma provocada pelo crescimento do útero. ECG – desvio do 
eixo para a esquerda, alteração ST, onda T; 
31 
 
o Vasos sanguíneos 
 Modificações na estrutura da parede dos vasos – colagénio mais 
laxo e hipertrofia do m.liso. Paredes vasculares ficam mais 
permeáveis, facilitando a passagem de água para o espaço extra-
vascular, favorecendo o aparecimento de edema. 
 Vasodilatação devido à diminuição da sensibilidade a substâncias 
vasopressoras e devido à acção da progesterona. 
 Diminuição da resistência periférica total devido à interposição do 
circuito uteroplacentar, que é de baixa resistência, e devido à 
vasodilatação. 
 Expansão do volume plasmático (aumento da volémia) devido ao 
aumento da retenção de água, que leva à necessidade de aumento 
de espaço vascular para conter esse maior volume 
 Redução do hematócrito, que reduz a viscosidade sanguínea 
 Diminuição da sensibilidade às substâncias vasopressoras, tais 
como angiotensina II 
 Diminuição da pressãosanguínea que se inicia logo nas primeiras 
semanas de gravidez, atinge o seu máximo durante o 2º trimestre e 
regressa ao normal com a aproximação do termo. Diminuição 
discreta na sistólica (<10mmHg) e mais acentuada na diastólica (10-
15mmHg). Qualquer aumento de 30mmHg na PA é um dado 
anormal. 
 Dilatação vascular da mucosa nasal pode produzir epistáxis. 
 Pode ocorrer estase venosa sanguínea nas extremidades inferiores. 
 Aumento do fluxo dos rins, útero, mamas, pele. Aumento da 
filtração renal. 
 Aumento do fluxo de sangue superficial. 
 Aumento do fluxo de sangue nas mãos pode produzir eritema. 
o Edema – devido ao aumento da permeabilidade vascular, aumento da 
retenção de água e sódio e diminuição da pressão oncótica do plasma. 
 Sangue e Hemostase 
o Volume plasmático e massa eritrocitária 
 Aumento do volume plasmático (de 600 a 1250ml) 
progressivamente a partir das 6-8 semanas, atinge o máximo cerca 
das 24 semanas de gestação, depois estabiliza-se em platô 
(aumentos mais lentos) até ao final da gestação, estabilizando no 
final do terceiro trimestre e podendo diminuir perto do termo. 
32 
 
 Aumento da eritropoiese, isto é, aceleração da produção de 
eritrócitos (aumento da produção mas não da semi-vida) com 
consequente aumento da massa eritrocitária, que é menos 
acentuado do que o aumento do volume plasmático. 
 Anemia fisiológica por hemodiluição (a massa eritrocitária aumenta 
com a gravidez, mas de uma forma menos acentuada do que o 
plasma, o que leva a um certo grau de hemodiluição e, 
consequentemente, a valores de hematócrito mais baixos do que os 
observados anteriormente à gravidez). 
o Ferro 
 Aumento das necessidades de ferro para a produção de 
hemoglobina, devido ao aumento da massa de eritrócitos. 
 Aumento da absorção intestinal e mobilização das reservas do 
organismo materno. 
o Vitamina B12 e B9 (ácido fólico) 
 Aumento da necessidade de vitamina B12 e ácido fólico (vitamina 
B9). 
 A quantidade de ácido fólico fornecida pela dieta é insuficiente, pelo 
que é necessário um suplemento (níveis adequados de ácido fólico 
diminuem defeitos do tubo neural). 
 A quantidade de vitamina B12 fornecida pela dieta é suficiente, 
excepto se vegetariano. 
o Leucócitos 
 Leucocitose moderada (neutrófilos) 
 Quimiotaxia e aderência diminuídas, levando a aumento da 
susceptibilidade à infecção. 
 Proteínas plasmáticas – Diminuição das proteínas plasmáticas, 
principalmente a albumina, levando a diminuição da pressão 
oncótica do plasma, aumento da filtração glomerular e, 
consequentemente, edema. 
o Hemostase 
 Hipercoagulabilidade (aumento dos factores de coagulação e 
diminuição da fibrinólise), o que facilita a prevenção de hemorragias 
pós-parto. 
 Maior produção dos factores de coagulação pelo fígado, como o 
factor I (fibrinogénio), VII, VIII, IX, X e II. 
 Aumento do plasminogénio (profibrinolisina) do plasma. 
33 
 
 Diminuição do tempo de activação parcial da tromboplastina (APTT) 
e do tempo de protrombina. 
 A fibrinólise (destruição de coágulo de fibrina) está diminuída, 
devido à produção de inibidores da fibrinólise pela placenta. 
 Fraqueza e desmaio 
o Orientações: 
 Explicar que sentar-se com a cabeça abaixada ou deitar-se em 
decúbito lateral, respirando profunda e pausadamente, melhora a 
sensação de fraqueza e desmaio 
 Recomendar dieta fraccionada, evitando jejum prolongado e 
grandes intervalos entre refeições 
 Orientar a gestante para que não faça mudanças bruscas de posição 
e evitar inactividade 
 Sistema Respiratório 
o O revestimento interno do aparelho respiratório recebe mais sangue e 
produz-se um certo grau de congestão. Por vezes, o nariz e a garganta 
obstruem-se e, por isso, a mulher em certos momentos sente o nariz 
tapado e as trompas de Eustáquio (que são os tubos que ligam o ouvido 
médio à parte posterior do nariz) bloqueadas. Dilatação vascular da 
mucosa nasal pode produzir epistáxis. 
o Relaxamento do músculo liso das vias aéreas por acção da progesterona; 
o Elevação do diafragma devido ao aumento do tamanho uterino. 
Respiração diafragmática – como o tónus dos músculos abdominais 
diminui durante a gravidez, a respiração tende a ser, sobretudo, 
diafragmática, ou seja, o diafragma é o principal responsável pela saída e 
entrada de ar dos pulmões, funcionando como uma bomba respiratória. 
o Diminuição do volume residual devido ao aumento do volume corrente 
(que deixa menos ar nos pulmões no final da expiração). 
o Aumento do volume corrente (aumento do volume de ar que entra e sai) 
devido ao aumento do movimento do diafragma durante a respiração da 
gestante. FR aumenta 2 movimentos respiratórios/minuto. Aumento do 
consumo de oxigénio devido a maior 
demanda metabólica do útero placenta e feto. Esse aumento do consumo 
de oxigénio faz com que a grávida desenvolva hipoxemia mais 
rapidamente em situações de apneia. A respiração profunda aumenta a 
eficiência da troca de gases. Aumento da ventilação alveolar e capacidade 
inspiratória. Hiperventilação da gravidez: hipocápnia fisiológica – Como 
resultado do aumento do volume corrente e da frequência respiratória, 
34 
 
produz-se a chamada “hiperventilação da gravidez”, que tem como 
consequência a diminuição da PCO2 no sangue materno. A 
hiperventilação materna é considerada um factor de protecção contra a 
exposição do feto a níveis excessivos de CO2. Esta hiperventilação é 
provocada pela acção da progesterona sobre a respiração: Baixa o limiar 
de sensibilidade do centro respiratório no SNC para o CO2 e estimula o 
centro respiratório, facilitando a eliminação de CO2; Eleva o teor de 
anidrase carbónica B nos glóbulos vermelhos, facilitando a transferência 
de CO2 e, com isso, reduzindo a PCO2; Devido à hipocápnia, gera-se uma 
alcalose respiratória, que é compensada por uma diminuição do HCO3. 
o Sensação de falta de ar/ dificuldade respiratória 
 Orientações: 
 Recomendar repouso em decúbito lateral esquerdo 
o Durante o parto – ansiedade, reacções emocionais levam frequentemente 
a dispneia, hiperventilação, alcalose respiratória. A saturação de O2 
diminui com cada contracção uterina. 
 Sistema Urinário 
o Aumento do tamanho do rim e devido ao aumento do fluxo sanguíneo 
que tem de ser filtrado pelo rim 
o Compressão de rins, ureteres, bexiga e uretra devido ao aumento do 
tamanho do útero 
o Relaxamento da musculatura lisa da árvore excretora, incluindo rins, 
bexiga, uretra e ureteres devido ao aumento da progesterona, levando a 
um fluxo de urina mais lento 
o Aumento da frequência das micções no início da gravidez por diminuição 
da capacidade vesical, devido ao relaxamento e dilatação da árvore 
excretora resultante da acção da progesterona e relaxina. No final da 
gravidez, é causado pela compressão da bexiga causada pelo crescimento 
do útero. 
o Activação do sistema renina angiotensina (que resulta num aumento da 
retenção de água e sódio) 
o Aumento do fluxo renal e filtração glomerular, levando a maior excreção 
de ureia, creatinina e ácido úrico. Aumento da filtração e reabsorção 
tubular de Sódio (Na) e água. Aumento da excreção de nutrientes como 
folato, glicose, lactose, aminoácidos, vitamina B12, vitamina C e albumina. 
o Ph da urina torna-se mais alcalino (básico)( valor de referência normal do 
PH é de 5,5 a 7,0) 
35 
 
o Aumento do risco de infecção urinária devido ao aumento de nutrientes 
na urina, Ph mais básico e devido ao relaxamento da musculatura lisa por 
acção da progesterona (aumento de nutrientes na urina favorece a 
proliferação de bactérias; ph mais básico favorece a proliferação de 
bactérias; relaxamento da musculatura lisa predispõe a estase urinária, 
aumentando o volume residual e, consequentemente, favorecendo o risco 
demultiplicação bacteriana). 
 Orientações: 
 Agendar consulta médica caso haja disúria ou hematúria, 
acompanhada ou não de febre ou resultado de urina alterado. 
 Beber 6 a 8 copos de água/dia 
 Evitar a cafeína, o álcool e o açúcar. 
 Tomar vitamina C. 
 Desenvolver o hábito de urinar no momento em que tem 
vontade e esvaziar completamente a sua bexiga. 
 Urinar antes e depois das relações sexuais. 
 Evitar as relações sexuais durante o tratamento de uma 
infecção urinária. 
 Depois de urinar, secar-se sem friccionar e manter a área 
genital limpa. Assegura-se de que se limpa sempre da frente 
para trás. 
 Evitar usar sabonetes fortes, cremes anti-sépticos e pós de 
higiene feminina. 
 Trocar diariamente a roupa interior e procurar que seja de 
algodão. 
 Evitar usar calças demasiado apertadas. 
 Sistema Digestivo 
o Náuseas e vómitos: sintomas característicos no 1º trimestre; 
o Aumento do apetite, sobretudo a partir do início do 2º semestre 
o Náuseas e vómitos devido ao aumento do tempo de esvaziamento 
gástrico resultante da diminuição do tónus e motilidade do tubo 
digestivo, diminuição da secreção gástrica de pepsina e ácido clorídrico. 
o Refluxo gastroesofágico, pirose e enfartamento devido ao relaxamento do 
músculo liso e do cárdia por acção da progesterona e relaxina, permitindo 
que o conteúdo gástrico reflua, devido à diminuição da secreção de ácido 
clorídrico e pepsina, e devido à pressão sobre o estômago e intestino 
provocada pelo aumento do tamanho do útero. 
 Orientações: 
36 
 
 Dieta fracionada (comer várias vezes ao dia, aprox 6 
refeições/dia e em pouca quantidade de cada vez) 
 Evitar fritos, gorduras 
 Evitar álcool, café e chá preto; 
 Evitar líquidos durante as refeições, dando preferência à sua 
ingestão nos intervalos 
 Evitar alimentos com odores fortes 
 Evitar os alimentos irritantes (ex: o café, o chá preto/verde, o 
chocolate e comida muito condimentada); 
 Ingerir alimentos sólidos antes de levantar pela manhã, como 
bolachas de água e sal 
 Evitar deitar-se após as refeições 
 Agendar consulta médica ou referir ao pré-natal de alto risco, 
em caso de vómitos frequentes. 
o Obstipação – devido ao relaxamento do músculo liso por acção da 
progesterona, que conduz a diminuição do tónus e motilidade do tubo 
digestivo, levando a diminuição do peristaltismo com consequente 
aumento da absorção de água no cólon. 
 Orientações: 
 Recomendar dieta rica em fibras e água: frutas cítricas, 
verduras, mamão, ameixa e cereais integrais. 
 Recomendar evitar alimentos de alta fermentação como 
lacticínios, feijão, couve e repolho. 
 Recomendar caminhadas, movimentação e regularização do 
hábito intestinal. 
o Hemorróides devido ao aumento da pressão sanguínea na zona infra-
uterina, obstipação. 
 Orientações: 
 Fazer dieta a fim de evitar obstipação intestinal; se necessário, 
aplicar supositórios de glicerina. 
 Não usar papel higiénico áspero. 
 Fazer higiene perianal com água e sabão neutro após 
defecação. 
 Agendar a consulta médica caso haja dor ou sangramento 
anal persistente. 
o Varizes devido ao aumento da pressão sanguínea na zona infra-uterina e 
dificultação do retorno venoso causada pelo útero gravídico. 
 Orientações: 
37 
 
 Recomendar para que não permaneça muito tempo em pé ou 
sentada. 
 Repousar (cerca de 20 minutos) várias vezes ao dia com os 
membros inferiores elevados. 
 Não utilizar roupas justas e nem ligas nas pernas, e, se 
possível, utilizar meia calça elástica. 
o Pode ocorrer prurido devido ao aumento de retenção de sais biliares. 
 Saúde oral 
o Epúlides – Há maior aderência das fibras de colagénio por acção do 
estrogénio. Epúlides ocorrem na gengiva, perto do dente. Aparecem 
como massas nodulares macias, cobertas de epitélio. 
o Gengivorragias – sangramento das gengivas. 
 Orientações 
 Recomendar a escovagem após as refeições 
 Recomendar o uso de escova macia 
 Recomendar a massagem da gengiva. 
 Agendar consulta no dentisa. 
o Sialorreia/Ptialismo – hipersecreção de saliva. 
 Orientar a grávida a deglutir a saliva e tomar líquidos em 
abundância (especialmente em épocas de calor) 
o Aftas - O aparecimento de aftas durante a gravidez pode dever-se aos 
baixos níveis de ferro e ácido fólico. 
 Consumo de Nutrientes 
o Aumento da insulina – hiperplasia das células B dos ilhéus de Langerhans. 
Estado gravídico é insulinogénico. 
o Aumento da resistência à insulina – esta resistência à insulina é mediada 
pela hormona lactogénica placentar (ou somatotropina coriónica 
humana), pela prolactina e pelo cortisol. Este mecanismo tem como 
função assegurar um fornecimento contínuo de glicose ao feto. Estado 
gravídico é diabetogénico (glicemia diminui em jejum mas a glicemia pós 
prandial atinge valores mais elevados). 
o A gravidez tem influência no metabolismo dos hidratos de carbono. A 
principal fonte energética do cérebro e a unidade fetoplacentar é a 
glicose. Durante a gravidez, diminuem as concentrações plasmáticas de 
glicose em jejum; 
o O metabolismo dos lípidos faz com que se acumulem reservas de gordura 
durante os períodos de crescimento fetal e lactação. 
38 
 
o O feto consome proteínas para crescer. Possivelmente, não se acumulam 
proteínas durante a gravidez. Se a gestante não ingerir em quantidade 
suficiente, a massa muscular pode constituir a reserva de proteínas. 
 Sistema Muscoloesquelético 
o As articulações relaxam por acção da relaxina, aumentando a mobilidade 
e flexibilidade das articulações sacroilíaca, sacrococcígea e púbica. 
Ligamentos tornam-se mais laxos devido à actividade da relaxina, 
particularmente os relacionados com a bacia. 
o O peso do útero aumenta com o aumento do seu tamanho, podendo 
causar dor no ligamento redondo. 
o Ocorrem mudanças posturais – Há alteração no centro de gravidade, de 
modo que, à medida que o volume uterino aumenta, aumenta a inclinação 
para trás para compensar o peso do útero e o seu conteúdo, podendo 
provocar distensão dorsal e acentuar a lordose, originando lombalgias. 
Para manter o equilíbrio, a grávida tende a inclinar para a frente o 
pescoço, o tórax e a cintura escapular, o que, associado à menor rigidez 
dos ligamentos, pode provocar dor e ligeiras parestesias das 
extremidades superiores. 
 Orientações: 
 Recomendar correcção da postura ao andar e sentar, evitando 
aumento da lordose 
 Uso de sapatos com salto baixo e confortáveis 
 Aplicação de calor e massagem local, no caso de contractura 
muscular 
o Cãibras – poderão ocorrer cãibras devido à compressão dos nervos 
provocada pelo útero e também devido a falta de minerais como cálcio, 
potássio e magnésio no organismo. 
 Orientações: 
 Alongar o músculo contraído e dolorido, massajar e aplicar 
calor local. 
 Evitar excesso de exercícios. 
 Aumentar consumo de alimentos ricos em cálcio (leite e 
derivados), potássio (banana, tomate, feijão branco, cenoura) 
e magnésio (folhas verdes como rúcula, espinafre, couve), etc. 
 Sistema Tegumentar 
o Aumento da pigmentação da pele devido ao aumento da hormona 
estimulante de melanócitos da hipófise por acção dos estrogénios. Podem 
39 
 
ocorrer cloasma facial, linha negra, genitais mais escuros e aréola mais 
escura. Costuma diminuir ou desaparecer em tempo variável após o parto. 
 Orientações: 
 Usar boné. 
 Aplicar protetor solar. 
 Não expor o rosto diretamente ao sol. 
o Aparecimento de angiomas do tipo das aranhas vasculares devido à 
vasodilatação periférica; 
o Eritema palmar devido à vasodilatação periférica, que desaparece após o 
parto. 
o Estrias cutâneas de cor avermelhada, que se localizam sobretudo nas 
mamas, abdómen, coxas e nádegas. Após a gravidez, tornam-se mais 
claras mas não desaparecem.

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