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Apostila de penal I - 2 ESTAGIO

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PENAL I – 2º ESTÁGIO 
ABRANGÊNCIA ESPACIAL DA LEI PENAL
TERRITÓRIO BRASILEIRO, PARA EFEITOS PENAIS: 
No nosso encontro passado nós vimos o conceito de território para efeito penal; vimos que esse conceito é jurídico pois, além de abranger os marcos físicos que são o solo/subsolo, as águas interiores, o mar territorial, esse compreendendo a faixa de água de 12 milhas marítimas (medida na preamar), e o espaço aéreo (que vai até a coluna atmosférica, ou seja, até onde há gravidade) que está acima de todos esses marcos físicos, tem também, por extensão legal, inserido nesse conceito de território: as embarcações e aeronaves brasileiras, essas embarcações e aeronaves nós vimos que quando elas são publicas na origem ou, não sendo públicas na origem, mas estão afetadas no serviço público brasileiro, elas constituirão território brasileiro onde quer que se encontrem. Assim, todo crime que acontecer no interior dessa embarcação ou aeronave estará acontecendo no Brasil.
Nós vimos, por outro lado, que as embarcações ou aeronaves que não são públicas na origem e nem estão a serviço público, ou seja: são privadas (particulares ou comerciais), só serão consideradas território brasileiro, por extensão, para efeito penal quando estiverem sobrevoando ou navegando por nosso território, fora isso só serão consideradas território por extensão se estiverem em espaço aéreo internacional ou em águas internacionais.
Vimos que a definição de água internacional ou espaço aéreo internacional tem a ver com aquela faixa de água salgada posterior às 12 milhas, quer dizer: até as 12 milhas, nós temos território nacional, não só a faixa de água, mas o espaço aéreo acima dessas 12 milhas.
Assim, a partir das 12 milhas, nós estaremos em águas internacionais e se for uma aeronave, nós estaremos em espaço aéreo internacional. Vimos que na faixa que começa a partir das 12 milhas e vai até as 24 milhas corresponde à Zona Econômica e que, a partir das 24 milhas é considerada Zona Contígua. O Brasil tem interesse jurídico nessas áreas, mas são outros interesses que não os de natureza penal, então ele exerce o poder de policia, poder de ingressar numa embarcação para ver se ela esta trazendo no lastro, por exemplo algum espécime de fauna que seja prejudicial ao nosso ecossistema. O Brasil pode, por exemplo, exercer o direito de exploração econômica, pode impedir essa exploração por outras embarcações de origem estrangeira, mas qualquer fato criminoso que ocorra nesse espaço, não estará ocorrendo no Brasil, porque as águas internacionais e o espaço aéreo internacional, não constituem território de pais nenhum, são de uso comum de todos os países. Aí, o que prevalecerá é o critério do pavilhão ou da bandeira: se a embarcação estiver registrada no Brasil, então a bandeira desta será brasileira. Logo, o registro da embarcação ou aeronave é que vai definir sua bandeira ou nacionalidade, e, consequentemente, a competência para julgar o crime ocorrido a bordo desta. Então todo o crime ocorrido a bordo dessa embarcação ou aeronave que não esteja nesse espaço de 12 milhas, vai estar acontecendo no país em cujo o registro está a embarcação ou aeronave. 
PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE TEMPERADA - E a intra-territorialidade da lei penal estrangeira ou internacional para o crime ocorrido no Brasil.
Nós vimos também da leitura do artigo 5º, lido mais de uma vez, que o principio-regra que vai informar a aplicação da lei penal no espaço é o da territorialidade temperada. E o que isso significa? Significa que, a princípio, todo o crime que ocorra em nosso território, independentemente da nacionalidade do sujeito ativo ou passivo, será processado e julgado segundo as leis penais brasileiras e pelo Judiciário Brasileiro, então o principio- regra é o principio da territorialidade temperada, e porque estou dizendo que é o principio regra? Porque nós não adotamos o principio da territorialidade absoluta e sim territorialidade temperada. 
Se tivéssemos adotado o principio da territorialidade absoluta, todo o crime que ocorresse no nosso território, seria exclusivamente julgado por nós, pela nossa lei penal e pelo nosso Judiciário, independentemente da nacionalidade da vitima ou infrator, seria sempre de competência do Brasil. Porém, nós adotamos o principio da territorialidade temperada; nós e toda a comunidade internacional. 
E o que isso significa? Significa que se tivermos celebrado acordo internacional, seja ele bilateral ou multilateral, permitindo a aplicação de uma lei penal estrangeira ou uma lei penal internacional a um crime ocorrido em nosso território, então é essa lei estrangeira ou internacional que vai regular o fato. Esses acordos internacionais a que o Brasil se obriga, acarreta na relativização da nossa soberania para permitir a intraterritorialidade de uma lei penal estrangeira ou uma lei penal internacional que vai entrar no nosso território para o processo de julgamento desse caso, então por isso se chama esse fenômeno de intrarerritorialidade ou seja uma lei de fora seja de um pais estrangeiro ou internacional vai ingressar no nosso território pra apanhar esse crime que ocorreu no nosso território e com isso afastando a aplicação da lei penal Brasileira e o julgamento pelo Poder Judiciário Brasileiro. 
Que situações seriam essas de intraterritorialidade de lei penal estrangeira? São os crimes praticados por pessoas abrangidas pelas IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS, tratadas nas Convenções de Viena: se o individuo está abrangido pela imunidade diplomática e comete um crime aqui no Brasil, em função dessa convenção, ele não vai se submeter à jurisdição penal brasileira, em nenhuma de suas etapas, quer dizer que a lei penal Brasileira e o judiciário Brasileiro não vão poder ser movimentados de forma alguma para a investigação do crime, a prisão cautelar do criminoso, a instauração de processo criminal contra ele etc. Contudo, como afirmei para vocês, imunidade não significa impunidade, mas apenas que essas pessoas não se sujeitam à jurisdição penal do país onde estão servindo (país acreditado, em linguagem de direito internacional), mas, sim, à jurisdição penal do seu pais de origem (ou pais acreditante).
Assim, se comete, por exemplo, um homicídio aqui no Brasil, não vai se sujeitar ao exercício do poder punitivo brasileiro, mas vai se sujeitar ao do seu país de origem, seja este mais gravoso ou mais benéfico, então é a jurisdição do seu pais que vai prevalecer. Então o Brasil tem o dever de comunicar o fato a esse pais representado por essa pessoa, e é esse pais que vai instaurar sua justiça criminal para processo e julgamento desse fato. Uma informação que eu não dei e é extremamente importante é a de que essa imunidade ela não é renunciável pela pessoa que representa seu pais, seja ela um diplomata, seja chefe de estado ou de governo ou Dirigente de um órgão internacional, não é renunciável por estes porque essa imunidade é conferida ao país ou órgão internacional que tem essa pessoa numa linha de frente em um pais estrangeiro e que precisa exercer suas funções com um mínimo de segurança; então essa pessoa - vamos imaginar que no pais dela a pena cominada ao homicídio seja a de morte e aqui no Brasil a pena é de privação de liberdade, ai ela diz assim: eu renuncio à minha imunidade, para ter ao seu favor a aplicação da lei penal Brasileira que é mais benéfica. Essa renúncia terá algum efeito jurídico ou alguma relevância jurídica? Nenhuma.
Realmente, não se pode renunciar a uma prerrogativa que não lhe pertence, mas sim ao Estado ou Organismo Internacional (ONU, OEA etc). Agora, se esses renunciarem, aí, sim, essa renúncia terá relevância jurídica e o Brasil poderá processar essa pessoa por suas leis. 
A imunidade diplomática é uma imunidade total, é material, processual, prisional e até testemunhal. Mas, vejam: o cônsul, em regra, não tem imunidade porque não representa o pais, politicamente, mas apenas nas questões comerciais; então, em regra, os cônsules não têm imunidade diplomática, mas apenas quando há um