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Metodologia de Extensão Rural Supervisão de Metodologia e Capacitação Goiânia, Goiás EDITOR: Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária- EMATER. 2 . EQUIPE DE ELABORAÇÃO : Duanei Rodrigues de Oliveira Essy de Oliveira Fátima Musse eSilva Daiton Jairo Garcia Hilda Maria Coimbra Irenil Pereira Campos Atualização – 2009 Júlio César de Moraes Distribuição: Supervisão de Metodologia e Capacitação Rua 227 Nº 331, Setor Leste Universitário, CEP 74610-155, Goiânia – GO. Telefone: (62)- 3201-8748 Home Page: www.emater.go.gov.br ; 3 ÍNDICE A teoria de conhecimento de Jean Piaget ................................................................... 04 A influência de Piaget na concepção pedagógica construtivista ................................. 07 A teoria piagetiana aplicada à prática pedagógica do extensionista ........................... 08 Método pedagógico de Paulo Freire ........................................................................... 09 O método de educação de Paulo Freire aplicado à prática extensionista .................. 11 A didática de “aprender a aprender”- Pedro Demo .................................................... 12 A didática de “aprender a aprender” aplicada à ação extensionista........................... 13 O processo da comunicação – Princípios básicos ...................................................... 14 Metodologia em extensão rural ................................................................................... 18 Classificação dos métodos ......................................................................................... 18 Contato ........................................................................................................................ 22 Visita ........................................................................................................................... 23 Entrevista ..................................................................................................................... 26 Técnicas de dinamização de grupo/tempestade de ideias .......................................... 29 Mesa redonda ou grupo de trabalho ............................................................................ 30 Philips 66 ou fracionamento ......................................................................................... 31 Painel ........................................................................................................................... 32 Painel integrado ........................................................................................................... 33 Workshop ..................................................................................................................... 34 Rodada de negócios .................................................................................................... 36 Dramatização ou simulação ......................................................................................... 36 Grupo de verbalização/observação/avaliação ............................................................. 37 Simpósio ...................................................................................................................... 38 Seminário ..................................................................................................................... 40 Publicação educativa ................................................................................................... 42 Carta circular ................................................................................................................ 43 Jornal em extensão rural ............................................................................................. 44 Rádio em extensão rural .............................................................................................. 46 Vídeo em extensão rural .............................................................................................. 49 Reunião com informação – RI ..................................................................................... 51 Reunião com demonstração – RD ............................................................................... 54 Excursão ...................................................................................................................... 60 Dia de campo ............................................................................................................... 65 Curso ........................................................................................................................... 71 Torneio leiteiro ............................................................................................................. 76 Convenção do encontro ............................................................................................... 77 Unidade de demonstração ........................................................................................... 79 Unidade de observação ............................................................................................... 81 Demonstração de resultados ....................................................................................... 85 Semana ........................................................................................................................ 91 Exposição .................................................................................................................... 94 Campanha ................................................................................................................... 97 Anexo – Calendário de atividades ............................................................................... 102 Bibliografia ................................................................................................................... 105 4 A TEORIA DO CONHECIMENTO DE JEAN PIAGET Jean Piaget (1896-1980) nasceu em Neuchâtel, Suiça. É considerado como o principal autor da epistemologia genética. E o termo genética é atribuído à sua teoria pelo reconhecimento de que o saber tem uma gênese, uma origem. A principal preocupação de Jean Piaget era compreender como aumentarmos os conhecimentos, isto é, como ao longo da vida os ser humano amplia sua capacidade de pensar, sentir e agir sobre si, os outros, a natureza e a sociedade. O termo epistemologia significa, etmologicamente, estudo da verdade (“episteme”=verdade, “logus”=conhecimento e “ia”= arte de). E também a qualifica como genética fazendo referência a sua consideração de que esse saber tem uma gênese. Ao longo de mais de meio século de pesquisas, Piaget elaborou uma matriz explicando sua compreensão de que cada sujeito elabora seus saberes. Parte do princípio de que o indivíduo estabelece uma relação de troca com o meio (físico, pessoas, conhecimento) num sistema de relações vivenciadas e significativas. Esse intercâmbio resulta num processo constante de assimilação e acomodação de conhecimentos, ao que denominou mecanismos de equilibração. A forma da espiral tem sido para dar visibilidade e demonstrar a estrutura, dinâmica e conteúdo dessa matriz. Na figura abaixo podemos ver os principais conceitos utilizados por Piaget para explicar como construímos conhecimentos. 5 Nessa perspectiva não há começo absoluto e muito menos um fim para essa construção. Seremos sempre uma espiral se algo não afetar o movimento. Nossa mente sempre funcionará em termos de esquema prévio; desequilíbrio; assimilação; acomodação e esquema reelaborado, se o processo interativo que estabelecermos permitir essa construção.Aqui vale considerar uma questão importante na teoria piagetiana: somente seremos espirais se encontrarmos possibilidade de nos construirmos enquanto tal. Saber prévio Na perspectiva piagetiana não existe um novo conhecimento sem que o sujeito já tenha um conhecimento anterior para assimilá-lo e transformá-lo. Em nenhum momento de nossa existência seremos um terreno "liso" onde se edificará um muro ou um canteiro de sementes pronto para germinar. Teremos sempre um nível de conhecimento sobre um determinado assunto. O bebê nasce com um saber prévio que lhe permite agarrar, chorar, sugar, movimentar, dentre outras ações. Ao longo da vida esse saber vai-se modificar e ampliar e em poucos anos ele estará agarrando e se alimentando das mais diversas formas. Isto é, outras habilidades vão sendo construídas aos poucos a partir do saber que detinha ao nascer. Desequilíbrio Segundo Piaget, em determinado momento, o sujeito, impulsionado por fatores maturacionais, experiência ativa, interação social e busca por equilibração realizada pelo psiquismo, encontra-se em situação em que seu saber prévio torna-se insuficiente. Vamos deixar Piaget (2004:16) nos falar sobre o desiquilíbrio: "Ele existe quando qualquer coisa, fora de nós ou em nós, se modificou. A cada instante, pode-se dizer, a ação é desequilibrada pelas transformações que aparecem no mundo, exterior ou interior. Se algo ocorre e não estamos preparados para entender e agir, sentimo-nos desequilibrados em relação ao saber prévio. Nesse momento tomar algumas decisões. Se for possível, evitamos o que nos desequilibra. Mas só podemos fazer isso quando a situação nos permite a alternativa de escolher. O desequilíbrio, numa perspectiva piagetiana, aparece como o momento da construção da motivação para a aprendizagem. Talvez uma das tarefas mais difíceis, dado que a motivação terá relação muito estreita com a forma como aconteceu o desequilíbrio do saber prévio. Uma outra questão fundamental no desequilíbrio é a articulação entre saber- sentir-agir. É o momento onde podemos ver com mais nitidez as teias da afetividade, bem como a relação cotidiana de cada um com o objeto do conhecimento. Tomar decisões sobre a ampliação ou não dos nossos conhecimentos e ações no mundo o sobre ele envolve uma relação conosco e com os outros e com a realidade que nos cerca. A pergunta “para que aprender algo” se coloca como um imperativo quando estamos seguindo as trilhas piagetianas. O motor que dá energia a esse espiral é o desequilíbrio, isto é, a compreensão pelo sujeito de que aquilo que sabe, pensa e faz é insuficiente para resolver os seus 6 desafios. Daí a compreensão de que o sujeito nessa perspectiva é ativo, isto é, precisa compreender o quê, por quê, para quê e como se aprende. Se aceitar o desequilíbrio, o sujeito irá de uma forma ou de outra ampliar o saber. Para Piaget alguns desequilíbrios são inerentes ao ser humano, não há como evitá-los. Por exemplo: necessidade de respirar ao nascer, crescimento físico, produção hormonal na adolescência, os limites colocados pelo meio social, necessidades básicas relacionadas à fome, sede, frio, sono e afeto. Assimilação Assimilar é o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo saber nos esquemas preexistentes. Teoricamente, a assimilação não resulta em mudanças de saberes, mas garante o conteúdo necessário para que isso ocorra. Podemos comparar o esquema a um balão e a assimilação ao ato de encher o balão de ar. O balão fica maior (crescimento por assimilação), mas ele não muda sua forma. Assimilar e acomodar são processos inseparáveis. Quando buscamos algo que não está em nós o fazemos com nossas estruturas internas. Tendo assimilado, já estamos dialogando com essas estruturas, isto é, acomodando. Mas certamente o primeiro movimento é buscar fora de nós as informações necessárias. Acomodação Para Piaget, o processo de acomodação é simultâneo ao de assimilação, mas são distintos. Acomodar é dialogar sobre as informações obtidas com o que já sabíamos antes, é reelaborar o saber prévio. Esse é o movimento de decidir sobre o que é possível alterar, manter ou descartar. Muitas informações podem ser descartadas porque são incompatíveis com os saberes prévios. Nenhum comportamento é só assimilação ou só acomodação. Todo comportamento reflete ambos os processos, embora alguns expressem, relativamente, mais um processo do que o outro. Saber reelaborado Quando consegue reelaborar um saber o sujeito ingressa no que Piaget denomina de equilíbrio. Mas é sempre um desequilíbrio momentâneo, pois este saber reelaborado é sempre um saber prévio que a qualquer momento será desequilibrado. Nessa perspectiva, a mente está sempre em movimento. Equilíbrio é um processo de passagem do desequilíbrio para o equilíbrio. De qualquer forma é sempre bom ter em mente que, para compreender a reelaboração, teremos que voltar ao saber prévio. A aprendizagem seria avaliada em termos do que e como foi alterado. Na perspectiva piagetiana não existe um estado de conhecimento estável sobre o qual poderíamos dizer que sabemos isso ou aquilo. Mas sim que sabemos isso ou aquilo em função do que sabíamos antes. Aqui vale ressaltar que a participação daqueles que aprendem no processo de construção da espiral bem como da avaliação do que foi reelaborado torna-se condição imprescindível. O desequilíbrio é de quem aprende, por isso, ele é considerado como sujeito ativo na construção de sua experiência como aprendiz. 7 A epistemologia genética apresenta-se como uma possibilidade de compreender a aprendizagem como processo. A imagem da espiral cria possibilidades de compreender os sujeitos que estão em movimento, participando da construção de suas próprias histórias. Remete-nos também à questão de que essa construção não é um trabalho solitário e sim realizado na relação com o outro. A INFLUÊNCIA DE PIAGET NA CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA CONSTRUTIVISTA Jean Piaget é considerado o precursor da visão construtivista, a qual se difunde especialmente a partir da epistemologia genética por ele desenvolvida. Ou seja, a partir da explicação da gênese do pensamento – que para Piaget é o resultado de um processo de construção que tem sua origem na lógica das ações do sujeito sobre o meio. Para Piaget o conhecimento não está no sujeito, nem no objeto , ele é construído na interação do sujeito com o objeto. É a medida que o sujeito interage (e portanto age e sofre a ação do objeto) que vai produzindo também o próprio conhecimento. Esta é a razão de a teoria piagetiana ser chamada de construtivismo. É um construtivismo interacionista. O construtivismo tem como base o fato de que a aprendizagem é uma constante procura do significado das coisas. Portanto, aprender, bem como ensinar, significam construir um novo conhecimento, descobrir nova forma para significar algo, baseando-se em experiências e conhecimentos existentes. Ao reconstruir o conhecimento existente, o sujeito estabelece relações significativas entre o novo conhecimento e a realidade em que está inserido. Alguns princípios básicos considerados numa concepção pedagógica construtivista: ● As aprendizagens ativas e duradouras relativas ao mundo que nos cerca ocorrem somente através de um intercâmbio ativo entre o mundo e o sujeito do conhecimento; ●Todos nós construímos a nossa própria concepção do mundo em que vivemos a partir da reflexão sobre as nossas próprias experiências. Assim, a realidade é construída (inventada) pelo sujeito que conhece (cognocente), ela não é um dado pronto para ser descoberto; ● O conhecimento significativo – aquele que é utilizável – é fruto de uma elaboração (construção) pessoal, resultado de um processo interno de pensamento durante o qual o sujeito coordena diferentes noçõesentre si atribuindo-lhes um significado organizando-as com as outras anteriores; ● O conhecimento é uma produção social e se faz na interação com o outro pela linguagem, dando sentido às experiências humanas. 8 A TEORIA PIAGETIANA APLICADA À PRÁTICA PEDAGÓGICA DO EXTENSIONISTA. Buscaram-se nos princípios da teoria piagetiana as contribuições consideradas relevantes para a compreensão da ação educativa na extensão rural. Nesse sentido, tanto o papel extensionista como os demais atores sociais precisam ser refletidos e reorientados. A teoria piagetiana nos convida a pensar sobre muitos aspectos presentes na prática extensionista. Que saberes detém o técnico? Que saberes detém o agricultor? Que saberes estarão construindo? O técnico motiva o agricultor a aprender ou a reconhecer a necessidade de aprender? É possível desequilibrar o saber prévio sem desvalorizá-lo? Como avaliar levando-se em consideração o saber prévio? O extensionista, atuando numa visão piagetiana, tem um papel diferenciado e mais exigente do ponto de vista da sua postura como educador. É preciso reconhecer que o processo de produção do conhecimento (cognitivo), se dá no campo pessoal e particular do indivíduo e, ao mesmo tempo, no campo social, pois se estabelece nas relações do sujeito com o meio. Como mediador do processo de produção do conhecimento, o extensionista precisa adotar, em sua prática cotidiana, uma postura investigativa, estimulando a adoção dessa mesma postura também pelos atores sociais. Isso possibilitará a sua atuação como facilitador do processo educativo, uma vez que as observações realizadas servirão como base para a problematização da realidade e organização das ideias, com o grupo envolvido. A capacidade de observação vai sendo aprimorada à medida que as informações obtidas forem apropriadas pelos observadores num constante processo de reflexão e ação. Essas observações devem privilegiar a análise do cotidiano dos agricultores, das agricultoras e extensionistas e ao mesmo tempo o dinamismo das mudanças no contexto das relações sociais, econômicas e políticas. Isso requer dos atores sociais uma postura de respeito aos ritmos diferenciados de cada um, permitindo que o pensamento de quem aprende siga o curso imprescindível para converter os conhecimentos prévios em conhecimentos re-elaborados e, portanto ressignificados. A prática extensionista fundamentada no construtivismo terá então como um ponto de partida os conhecimentos prévios já construídos no processo histórico social e como ponto de chegada os conhecimentos ressignificados pelos atores no processo de aprendizagem (agricultores e extensionistas). Vale ressaltar que o ponto de chegada se constitui sempre num saber prévio para o próximo desafio. 9 MÉTODO PEDAGÓGICO DE PAULO FREIRE A Teoria do conhecimento desenvolvida por Paulo Freire reinterpreta a concepção de educação e de conhecimento e traz ao centro do debate a intencionalidade da educação. Ou seja, a certeza de que a educação não é neutra. Para ele, todo processo educativo é um ato político, uma ação que resulta numa relação de domínio ou de liberdade entre as pessoas. Paulo Freire rejeitava o tipo de ensino que denomina de “educação bancária” – a qual se caracterizava pela figura do professor que depositava os conhecimentos e do aluno, depositário desses ensinamentos. Contrário à passividade do educando e à superioridade do professor, Paulo Freire defende que uma prática nesses moldes não contribui para a formação de sujeitos ativos e críticos. Ao contrário, favorece a alienação e incapacidade de ler o mundo de forma crítica. Em sua teoria, Paulo Freire destaca que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. E que educar é uma relação entre pessoas, sobretudo, entre gerações. Como seres de relação que somos, só nos educamos em relação com os outros seres humanos. Por isso é preciso compreender a dimensão de continuidade que envolve as relações humanas e compromisso que cada geração tem com a formação das gerações futuras. A compreensão de que o destino do homem é criar e transformar o mundo, o coloca como sujeito da ação e favorece a formação da consciência da responsabilidade individual e coletiva. Resgatar na memória coletiva dos grupos sociais essa identidade histórica socialmente construída é essencial para que haja o reconhecimento da capacidade criativa e transformadora, tão necessária num projeto de educação libertadora. É preciso saber o que fomos e o que somos, para saber o que seremos. Para compreender o pensamento e a prática pedagógica, Paulo Freire faz-se necessário conhecer alguns princípios que os fundamentam: Respeitar ao outro Na sua trajetória de educador: revelou uma profunda crença na pessoa humana e na sua capacidade de educar-se como sujeito da História. E toda a sua obra está focada na valorização do homem. Exalta que todo ser humano é único. Tem saberes, tem história, cultura e valores que devem ser reconhecidos e respeitados. Assim, o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. As sensibilidades para com as adversidades culturais, humanas, sociais, de grupos étnicos, de idades, de vivências, de memória, dentre outros, é um traço marcante no pensamento e na postura pedagógica de Paulo Freire. 10 A natureza do homem A essência da educação está em reconhecer que o homem pode refletir sobre si mesmo e descobrir-se como ser inacabado que está em constante busca. O homem se sabe inacabado e por isso se educa. Em todo homem existe um ímpeto criador. O ímpeto de criar nasce da inconclusão do homem. Somos seres sociais, históricos, inacabados. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve esse ímpeto ontológico de criar, educar implica, portanto, considerar o homem sujeito de sua própria educação. Por isso, ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo. As pessoas se educam entre si, mediatizadas pelo mundo. Postura investigativa A prática investigativa deve sempre estimular a curiosidade crítica. Estar sempre à procura da ou das razões de ser dos fatos. Deve estimular o exercício constante da capacidade de pensar, de indagar, de duvidar, de experimentar hipóteses de ação, de programar e não de apenas seguir os programas propostos e impostos. Essa prática torna-se fundamental para desenvolver a capacidade do ser humano de avaliar, comprar, escolher, decidir e, finalmente, intervir no mundo. Dialogicidade A aproximação, fundamental numa prática educativa, se faz com o diálogo franco, adotando uma postura de reciprocidade no falar, ouvir e de receptividade em aprender. Somente quem escuta paciente e criticamente e o outro fala com ele, mesmo que, em certas condições, precise de falar a ele. O educador que escuta aprende a difícil lição de transformar o seu discurso, às vezes necessário, em uma fala com o outro. Aprendizagem Aprender não é acumular conhecimento. O que não é superável é a capacidade de aprender sempre. Só aprendemos quando aquilo que é objeto de conhecimento tem sentido na nossa vida. Temos que aprender com as experiências concretas. O importante é aprender a pensar. Educação A educação não é neutra. Tanto pode estar a serviço da decisão, da transformação do mundo, da inserção crítica nele, quanto a serviço da imobilização, da permanência possível das estruturas injustas, da acomodação dos seres humanos à realidade tida como intocável. 11 Educador É o profissional que orienta, que dá sentido, que constrói sentido, um organizador de aprendizagens. O educador tem a tarefa de orientar o processo educativo- mas como um ser que busca, como o aluno. Ele também é um aprendiz. Dialética A dialética é o modo de pensarmos as contradições da realidade. O modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação. A referência à dialética está presente em toda a obra de Paulo Freire. É sempre utilizada na perspectiva da construção do espírito crítico e autocrítico, reconstruindo os caminhos da curiosidade. O pensamento dialético estimula a revisão do passado à luz do que está acontecendo no presente; ele questiona o presente em nome do futuro; o que está sendo em nome do que "ainda não é". A dialética permite reconhecer o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferidora na objetividade com que dialeticamente nos relacionamos. Nosso papel no mundo não é só de quem constata o que ocorre, mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. A educação como especificidade humana é um ato de intervenção no mundo. Nesse sentido a produção do conhecimento no método pedagógico de Paulo Freire é compreendida enquanto processo em construção. O saber se faz através de uma superação constante. O saber superado já é uma ignorância. Todo saber humano tem em si o testemunho do novo saber que já anuncia. Todo saber traz consigo sua própria superação. Portanto, não há saber nem ignorância absoluta: há somente uma relativização do saber ou da ignorância. O MÉTODO DE EDUCAÇÃO DE PAULO FREIRE APLICADO NA PRÁTICA EXTENSIONISTA A aplicação dos princípios de educação defendidos por Paulo Freire, na prática pedagógica do extensionista, implica compreender as especificidades da ação educativa e dos atores sociais envolvidos nessa prática. É necessário, inicialmente, reconhecer que aprender significa construir um novo conhecimento, descobrir novos significados, sem desprezar o conhecimento existente. A experiência, o conhecimento prévio dos agricultores e agricultoras, deve ser sempre a ponto de partida para a reconstrução do conhecimento, gerando novos significados e, portanto, um novo conhecimento. Por isso é tão necessário o investimento do extensionista na compreensão dos conceitos que envolvem a prática educativa. E, a partir deles, mediar o processo pedagógico de reelaboração do conhecimento, numa perspectiva dialética, ou seja, de busca da superação do próprio conhecimento construído. 12 Nesse sentido, a grande relevância da ação extensionista é poder partilhar a construção do conhecimento como produção social. Extensionistas, agricultores e agricultoras, se vendo como seres sociais, que constroem e reconstroem a história num processo dinâmico, interativo e dialógico. Extensionistas, agricultores e agricultoras participam de um mesmo projeto enquanto atores sociais, uma vez que ambos estão construindo um novo olhar sobre a realidade. Nela não existem verdades absolutas. Ao mesmo tempo em que se faz necessário desenvolver um sentimento de perplexidade diante dos fatos - estimulando processo de busca infindável do conhecimento - é importante que se adote também uma postura de paciência com os ritmos e as respostas nem sempre rápidas dos sujeitos envolvidos no processo. Exige de cada um reaprender a juntar a teoria e a prática, a parte e o todo, o ser e o viver. Paulo Freire apresenta um novo sentido para a teorização, destacando a sua importância na reorientação da "práxis (prática - teoria - prática).Não se trata de uma busca explicativa da prática, mas de uma elaboração dupla onde a teoria contribui para explicar a prática e esta realimenta a teoria. Esse exercício requer, antes de tudo, a valorização das capacidades individuais, o reconhecimento da ação reflexiva e criativa do ser humano. Para isso é necessário que agricultores, agricultoras e extensionistas sejam estimulados a aprimorar sempre a prática da teorização, a investigar na perspectiva de desvelar o encoberto e a desafiar os limites impostos. Outra contribuição da técnica pedagógica de Paulo Freire, que podemos apropriar à extensão rural, é a grande importância atribuída ao homem como sujeito da sua própria educação, da sua história. Esse princípio constitui a base da construção de um processo participativo de desenvolvimento rural sustentável que, em suas múltiplas dimensões, coloca o ser humano como centro da ação e, portanto, protagonista do seu próprio desenvolvimento. A DIDÁTICA DO "APRENDER A APRENDER" - PEDRO DEMO As ideias de Pedro Demo agregadas a esta proposição metodológica dizem respeito à sua contribuição no debate sobre os desafios atuais da educação e à participação da sociedade civil no campo das políticas públicas. Pedro Demo se refere à participação como conquista, um processo infindável, em constante vir a ser, sempre se fazendo. Assim, participação é essencialmente autopromoção e existe enquanto conquista processual, que precisa ser cotidianamente reconquistada. Não existe participação suficiente, nem acabada. A participação, é, portanto um fenômeno político e se constitui num dos pilares das políticas públicas. Nesse sentido, a educação constitui um dos canais essenciais para o exercício da participação. Pedro Demo defende, para isso, que a educação precisa ir além do mero ensino e aprender, ou seja, superar o processo de “ensino/aprendizagem”, o que se restringe à absorção de conhecimentos, permanecendo o educando como objeto 13 receptivo e domesticado. Nesse contexto de educação não existe ambiente favorável para que a participação política possa emergir. Para tanto, um princípio fundamental da educação está na formação de cidadãos críticos, donos de um saber construído socialmente, o que os torna capazes de questionar e intervir na realidade de modo crítico e criativo. Uma proposta pedagógica adequada a estes propósitos é a didática do “aprender a aprender”, cujo enfoque está na sua metodologia emancipatória, traduzida em competência e habilidades. Na didática do “aprender a aprender”, a pessoa torna-se capaz de saber pensar, avaliar, criticar e criar, assumindo o papel de sujeito histórico do processo capaz de conceber e implementar um projeto próprio de desenvolvimento. Aprender a aprender, é, portanto, uma metodologia crítica ancorada na atitude de pesquisa. Permite uma constante produção e renovação do conhecimento, o qual se dá em contato com o mundo, com a sociedade, de forma interativa e produtiva. Na perspectiva do aprender a aprender, não se produz ciência, como a entendemos academicamente, mas produz-se saber, na perspectiva da formação da consciência crítica e da reconstrução do conhecimento, evidenciando nisso um processo de autonomia crescente. É, portanto, a ação investigativa, questionadora, que qualifica a intervenção na realidade. A intervenção na realidade se dá num processo participativo, em que os atores sociais, através do diálogo, analisam, interpretam, sistematizam e definem suas estratégias de ação. A DIDÁTICA DO “APRENDER A APRENDER” APLICADA À AÇÃO EXTENSIONISTA A prática pedagógica de extensão rural, na perspectiva didática do aprender a aprender, deve estar orientada pelos princípios da ação transformadora do homem sobre a realidade, ou seja, na sua capacidade de mudar e aprender com as mudanças. Constitui um esforço ético de contraposição às tendências excludentes historicamente vivenciadas no espaço rural. Assim, para uma intervenção crítica e criativa dos atores sociais na realidade em que estão inseridos, é necessária a implementação de processos participativos integrados às dinâmicas locais, buscando viabilizar as condições para o exercício da cidadania. Nesse sentido, a ação extensionista, tendo como de partida a realidade da agricultura familiar, deveprivilegiar a construção participativa de processos de desenvolvimento sustentável, na perspectiva do fortalecimento de suas formas organizativas e de sua participação efetiva na formulação e implementação de políticas públicas. Vale destacar que, no processo de organização dos grupos, deve ser assegurado o respeito à identidade, à participação da mulher, do jovem, do idoso, dos grupos étnicos, enfim, a legitimidade e representatividade dos atores sociais envolvidos. 14 PROCESSO DA COMUNICAÇÃO – PRINCÍPIOS BÁSICOS Extensão Rural é Comunicação. Comunicação-educação, transferência de tecnologia que pressupõe um planejamento cuidadoso, baseado em conhecimento das situações e das clientelas. Com o objetivo de levar aos produtores e suas famílias os meios (informações técnicas) que lhes permitam as melhores tomadas de decisão em prol de seu desenvolvimento. Se dos extensionistas, que lidam diretamente com as famílias e as comunidades rurais, é esperado um conhecimento técnico suficiente ao sucesso de sua tarefa, é também esperado um bom domínio da metodologia apropriada a essa transferência de conteúdo, um bom domínio das técnicas e meios de comunicação já provados nesse processo educativo. A comunicação humana segue o padrão “alguém diz alguma coisa a alguém”, ao qual se pode acrescentar “com algum objetivo” e “com uma conseqüência” (esta, sempre de acordo com o objetivo). Temos aqui os componentes básicos do processo de comunicação, desenvolvido com maior ou menor detalhamento por vários estudiosos, em modelos mais ou menos complicados. Um dos modelos mais conhecidos é desenvolvido por David Berlo, que de certa forma enfatiza os aspectos psicológicos envolvidos na comunicação humana, destacando a FONTE e o RECEPTOR. Tendo em mente que o processo da comunicação é um complexo de acontecimento operando em várias dimensões de tempo, espaço, dinâmico e não estático – podemos analisar brevemente os vários elementos ou componentes do modelo. O Processo de Comunicação – Princípios Básicos CODIFICA INTERPRETA FONTE MENSAGEM CANAL RECEPTOR Habilidade de comunicação Código Sentidos Habilidades de comunicação Conhecimento Conteúdo Meios Conhecimento Atitude Tratamento Técnicos Atitude Nível sócio-cultural Nível sócio-cultural Resposta ou Feedback 15 A FONTE Toda situação de comunicação envolve uma FONTE, que pode ser um indivíduo, um grupo, uma instituição. No caso específico de Extensão Rural, a fonte via de regra é o extensionista, o técnico em contato direto com sua clientela. De qualquer forma, o técnico é sempre o responsável pela informação que veicula ao longo do seu trabalho. A habilidade de comunicação da Fonte é fator determinante do sucesso da comunicação. A habilidade para escrever, falar, ilustrar, demonstrar, argumentar, dialogar varia, no entanto de indivíduo para indivíduo. O conhecimento que a Fonte possui sobre o assunto comunicado e sobre os fatores mais relevantes de sua clientela é imprescindível para o sucesso da comunicação. Uma fonte mal informada sobre seu assunto e sobre as características básicas do público terá certamente muito mais dificuldade de se sustentar no meio em que deve atuar. A atitude demonstrada pela Fonte com relação ao assunto, ao público, ao meio em que trabalha à instituição ou grupo que representa, às políticas e diretrizes e seu trabalho e do universo político-social em que as ações se desenvolvem, é decisiva para o processo de comunicação. As atitudes, pró ou contra, sempre se transmitem, e não deve haver conflito entre o sentido e o comunicado. O nível sócio-cultural em que se encontra a Fonte é geralmente a “moldura” onde são enquadrados os acontecimentos, a referência pela qual são avaliadas as situações. Consciente de seu próprio nível, a Fonte poderá com mais facilidade situar-se em relação aos receptores, no processo da comunicação. As experiências prévias, a bagagem cultural resultante de sua educação formal e informal, os hábitos sociais de comunicação (exposição a meios de massa, a livros, a situações de treinamento especializado), constituem esse nível sócio - cultural da Fonte. O RECEPTOR Toda situação de comunicação pressupõe a existência de um RECEPTOR, ao qual é dirigida a comunicação, porém que não a recebe passivamente, interagindo e reagindo aos estímulos originados na Fonte. A habilidade de comunicação pode afetar o processo na medida em que é o que permite à Fonte verificar até que ponto a mensagem foi efetiva (através da resposta ou “(feedback),” e é também o que determina a forma pela qual a mensagem é interpretada. É importante para a Fonte conhecer a habilidade para ler, ouvir, interpretar, associar, dialogar, do seu público. O conhecimento do Receptor sobre o assunto da comunicação é básico para a construção da mensagem. Quando um assunto é completamente novo temos uma situação de comunicação diferente de quando o assunto já é de alguma forma conhecido. As atitudes do Receptor podem condicionar a eficiência da comunicação a 16 fatores às vezes completamente independentes do assunto. Uma atitude negativa, de prevenção, dificulta muito o processo da comunicação educativa, obrigando a sua análise mais profunda das causas, ás vezes nem sempre declaradas, nem presentes (por “ouvir dizer”, por temor generalizado). O nível sócio-cultural do Receptor pode representar barreiras graves à comunicação, caso a Fonte ignore a herança cultural do seu público, seu comportamento social, suas experiências prévias, as regras dos grupos dominantes. A MENSAGEM Código – é o primeiro fator a ser considerado. Todas as mensagens envolvem algum código: o idioma usado (Português, Francês, Alemão), o jargão ou gíria empregando linguagem especial de um determinado ramo de atividade ou grupo – “o economês”, a linguagem médica são jargões, linguagem fora do alcance dos que não pertencem ao grupo a que são peculiares. Conteúdo e código – estão intimamente associados; enquanto o código expressa a forma básica, o conteúdo exprime a essência das idéias contidas na situação de comunicação. Assim como deve selecionar o código apropriado para sua comunicação, a Fonte deve também selecionar o conteúdo adequado à sua clientela. Tratamento – é o arranjo dos elementos da comunicação de forma a que se obtenha o efeito desejado. Este é o trabalho do redator, do diretor de cinema, do artista criativo. Tratamento envolve o arranjo de frases, de ilustrações, a aparência e o impacto do produto final. É no tratamento que se expressa o propósito da comunicação com fins educativos. No caso da Extensão Rural, esses propósitos são INFORMAR, MOTIVAR, ENSINAR, e a mensagem deve ser construída de forma a tender ao propósito específico para o momento. (informar, ou motivar, ou ensinar). INFORMAÇÃO: Aquisição de dados MOTIVAÇÃO – Avaliação das vantagens relativas ENSINO – APRENDIZAGEM -Desenvolvimento de habilidades para ação ILUSTRAÇÃO 17 CANAL Canal – é o veículo da mensagem. Podemos considerar os sentidos humanos (visão, audição, tato, olfato e paladar) como canais; podemos considerar canais ou meios físicos de que a fonte se utiliza para veicular a sua mensagem (orais, visuais, audiovisuais, sensoriais) ou as técnicas empregadas (recursos tais como livros, fotografias, rádio, jornal, televisão, cinema). Via de regras, quando a Fonte utiliza mais de um Canal de comunicação, geralmente é aumentada a chance de ter sucesso – os Receptores tendem a reter mais informação do que se fosse utilizado apenas um Canal; daí a grande eficiência dos métodos complexos(Campanha, Exposição, Unidade Demonstrativa), que utilizam-se de várias formas e recursos para veicular a mensagem principal. BARREIRAS DA COMUNICAÇÃO Barreiras ou “ruídos” podem se encontrar a qualquer momento ao longo do processo de comunicação humana, e podem ser de vários tipos. A maior parte das pessoas está bastante familiarizada com as dificuldades semânticas, mas poucas dão a devida atenção às barreiras psicológicas e às físicas, muito embora sejam esses três tipos encontrados com igual frequência no trabalho de comunicação dirigida com cunho educativo. Barreiras Semânticas Ocorrem, geralmente, na comunicação verbal e trans-cultural, no caso de estabelecer uma situação de comunicação entre indivíduos de níveis culturais diferentes (como é o caso na Extensão Rural, por exemplo). Não apenas os vocabulários são diferentes, como o sentido atribuído às palavras difere grandemente entre os indivíduos no processo. Geralmente, como agravante, existe uma falta de habilidade de “traduzir” os significados de um vocabulário a outro. Podem ser superadas pela conscientização da necessidade de uso de um código ou linguagem mais simples e clara, de exemplos concretos. Também símbolos não-verbais, como fotografias, ilustrações, demonstrações, modelos, podem dar suporte à comunicação, esclarecendo e nivelando os conceitos. Barreiras Psicológicas Tão real quanto ás barreiras semânticas, as barreiras psicológicas nem sempre se apresentam claramente, de forma que os indivíduos dificilmente as percebem como causas dos “ruídos” ou “vazamentos” da comunicação. As diferenças de status ou posição na escala social (reais ou imaginadas) podem interferir e causar problemas sérios à comunicação trans-cultural. Se, por 18 exemplo, o produtor acredita que o técnico é muito superior a ele, pode bloquear fluxo da comunicação. As diferenças de interesse também podem distorcer a comunicação, cada um enfocando a mensagem de um ponto de vista diferente. Por exemplo, um de tendência comercial, mercantilista, em comunicação com um de tendência filantrópica, discutindo preços de gêneros alimentícios. Barreiras Físicas Extremamente simples, comuns, mas nem por isso menos prejudiciais à comunicação, barreiras físicas são, talvez, as menos consideradas pelo comunicador desavisado. As condições em que ocorrem a comunicação, podem gerar esse tipo de bloqueio – sala mal iluminada, muito quente ou muito fria, barulhos externos, cadeiras desconfortáveis, horário impróprio, são algumas condições negativas que nem sempre se tem a preocupação de observar e corrigir. Uma barreira física muito importante é a apresentação confusa, desordenada, da mensagem pelo comunicador. METODOLOGIA EM EXTENSÃO RURAL 1. INTRODUÇÃO A Extensão Rural, para melhor se comunicar com o seu público, especialmente com a família rural, desenvolveu, adaptou e vem utilizando uma série de métodos e de meios de comunicação rural. É através da conjugação dos métodos e dos meios, utilizados corretamente que a extensão motiva, ensina, envolve a participação, conhece a realidade, atinge o publico desejado e, principalmente, procura atender as reais necessidades e interesses da família rural. Para eficiência na comunicação em extensão rural, os extensionistas necessitam conhecer, selecionar, planejar e utilizar corretamente os métodos e os meios e em função do publico, dos objetivos e do assunto e/ou mensagem é ser transmitida. 2. CONCEITO Metodologia é o estudo e a sistematização dos métodos adaptáveis ao trabalho de extensão rural. CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS A classificação dos métodos, objetiva possibilitar melhor seleção, combinação, balanceamento e uso. Nesta classificação, serão utilizados os seguintes critérios: 19 Quanto ao Alcance: Individual Grupal Massal Quanto ao efeito: Motivacional Ensinamento técnico (prático) Quanto ao uso: Simples Complexo 1. QUANTO AO ALCANCE Refere-se ao número de pessoas atingidas em uma mesma ação metodológica. 1.1 Métodos de alcance individual: contato, visita, entrevista e unidade de observação. Os métodos de alcance individual atingem, diretamente, indivíduos isolados em cada ação. Estes métodos são importantes para conhecer a realidade rural; eles possibilitam á delimitação de comunidades e grupos, a identificação de líderes, a obtenção da confiança e informações por parte da família rural, o treinamento e acompanhamento de líderes comunitários e condutores de unidades de demonstração ou observação. Devem ser utilizados com moderação e objetivos claramente definidos, por apresentarem custos bastante elevados, devido ao seu alcance limitado. Com exceção de contato, todos os métodos individuais exigem plane jamento. 1.2 Métodos de alcance grupal: Curso, excursão, Dia de Campo/dia especial, reuniões (RI e RD), unidade demonstrativa, demonstração de resultados, convenção / encontro, mutirão, concurso / torneio. Os métodos de alcance grupal atingem, diretamente, indivíduos em grupos. Estes métodos são importantes porque estimulam a participação e a organização grupal: possibilitam a troca de experiências e solução de problemas comuns, o desenvolvimento técnico em agropecuária, bem-estar social e outros. Devem ser utilizados com maior ênfase em relação aos métodos de alcance individual. Todos os métodos grupais exigem planejamento e condução grupal. 20 1.3 Métodos de alcance massal: campanha, semana, exposição. Os métodos de alcance massal, atinge indiretamente o público de um modo geral, sem distinção. Estes métodos são importantes para formar opinião pública, transmitir informações técnicas simples e motivar a mudança de comportamentos. Devem ser utilizados quando os problemas ou necessidades forem comuns, envolvendo grupos e comunidades. Todos os métodos massais exigem planejamento muito bem feito. 2 QUANTO AO EFEITO Refere-se ao efeito da ação metodológica nas pessoas atingidas. 2.1 Métodos com efeitos “motivacionais,”contato, visita com informação, excursão, Dia de Campo, reunião com informação, semana, campanha, exposição, convenção / encontro. Os métodos com predominância motivacional são importantes porque despertam, divulgam, motivam. Podem até, em alguns casos, levar alguns inovadores ou curiosos à ação. De modo geral, estes métodos não permitem maior aprofundamento e nem garantem a aprendizagem, seja pelas informações rápidas e/ou teóricas que transmitem, seja por serem usados para grupos grandes e heterogêneos. 2.2 Métodos para “ensinamento técnico prático” visita com demonstração, curso, reunião com demonstração, unidade demonstrativa, unidade de observação, demonstração de resultado. Os métodos com predominância de ensinamento técnico prático, são importantes, porque eles ensinam realmente, através de aulas práticas, a pessoa ou grupo de pessoas com interesses e objetivos comuns. 3 QUANTO AO USO Refere-se à forma como são utilizados os métodos. 3.1 Métodos simples: contato, visita, entrevista, reunião com informação, reunião com demonstração, excursão. São considerados métodos simples aqueles que na sua execução não exigem outros métodos. Isolados, denotam trabalhos não estruturados. Apesar da facilidade na utilização destes métodos, exceto contato, todos os métodos simples exigem planejamento. 3.2 Métodos Complexos: curso, dia de campo , unidade demonstrativa, unidade de observação, demonstração de resultados, campanha, semana, exposição. São considerados métodos complexos aqueles que na sua execução exigema integração de dois ou mais métodos simples. Denotam maior 21 organização. Todos os métodos complexos exigem planejamento. 4. RECOMENDAÇÃO: FAZER BALANCEAMENTO DE MÉTODOS. 4.1 No planejamento e na execução do Plano Anual de Trabalho, é necessário o equilíbrio dos métodos “BALANCEAMENTO”, quanto ao alcance, ao efeito e ao uso. O balanceamento deve ser estabelecido em função do estágio da população rural a ser atingida, e ainda, da fase de estruturação do trabalho de extensão na área de ação, especialmente nas comunidades rurais selecionadas. 4.2 Para se conseguir o balanceamento, o extensionista precisa fazer: SELEÇÃO e COMBINAÇÃO de métodos. - Seleção de métodos; Exemplo: - Público – desinformado sobre a prática X; - Objetivo (da ação) – informar / motivar; - Métodos – VI, RI (dinamização e palestra), rádio; - Combinação de métodos. Exemplo: - Seqüência – VI, RI excursão, curso, outros; - Utilizar as bases físicas metodológicas: UD e DR, localizadas na área de ação local e regiona l. CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS MÉTODO ALCANCE EFEITO USO INDIV. GRUP. MASSAL MOTIV. ENSINAM. TEC. PRÁT. SIMP. COMPLEXO Contato X X X Visita com informação (VI) X X X Visita com demonstração (VD) X X X Curso X X X Excursão X X X Dia de campo X X X 22 Reunião com informação(RI) X X X Reunião com Demonstração (RD) X X X Unidade de Observação (UO) X X X Unidade de Demonstração (UD) X X X Demonstração resultado (DR) X X X Convenção/ /Encontro X X X Concurso/ Torneio X X X Campanha X X X Semana X X X Exposição X X X Workshop X X X Tele Conferência. X X X Unidade de Demonstração X X X Oficina Trabalho X X X CONTATO Conceito É um método não planejado de comunicação individual, que ocorre em situações imprevistas para o extensionista em diferentes locais, onde ele é procurado por algum cliente ou beneficiário direto ou indireto de sua ação. Objetivos Obter orientação técnica e/ou informação. Vantagens: - Por não exigir deslocamento do extensionista, não tem custos; - Permite a transmissão de informações e orientações técnicas simples; - Permite a divulgação dos trabalhos da Unidade Local ao interessado; 23 Limitações: - Não permite a seleção de local e hora apropriada; - Não permite orientações técnicas mais complexas; - Por não ser planejado, pode ser, às vezes, inoportuno para o extensionista; - Alcance restrito; Realização: - Dar atenção ao cliente; - Dar as orientações solicitadas ou encaminha-la a fonte certa; - Ser objetivo - Procurar envolver o cliente nos trabalhos desenvolvidos pela Unidade Local; Avaliação: - Fazer autocrítica sobre as orientações dadas; - Conferir se o cliente ficou satisfeito com as orientações recebidas; VISITA 1. Conceito A visita é um método de comunicação individual e ação planejada, utilizada em Extensão para conhecer a realidade rural, levar orientações técnicas e obter cooperação. A visita pode ser informativa – “visita com informação”, ou ser com demonstração de prática – “visita com demonstração”. 2. Pré-Requisitos Sendo a visita um método de custo bastante elevado, exige que o extensionista considere: - A conveniência na utilização da visita em relação a outros métodos, consultando os objetivos, as vantagens e as limitações; - As informações e/ou anotações que possui sobre o público a ser visitado, como: interesse, necessidade, oportunidade; - As distâncias a serem percorridas e a possibilidade de realizar outras ações na mesma comunidade ou rota, para aproveitar melhor o percurso. 24 3. Objetivos - Conhecer a realidade rural, o que é realizado, como e por que; - Introduzir, reforçar ou melhorar novas técnicas ou práticas; - Obter a cooperação do público ao alcance dos objetivos previstos. 4. Vantagens - Eficaz na introdução de novas técnicas ou práticas; - Permitir a assistência técnica especializada; - Facilita a obtenção da cooperação e participação. 5. Limitações - Custo elevado; - Alcance restrito; - Concentração de visitas nas mesmas pessoas. 6. Planejamento: - Ao planejar uma visita, o extensionista necessita: Determinar os objetivos a serem alcançados; Elaborar um roteiro das visitas e ou ações a serem desenvolvidas na mesma viagem; Planejar bem cada visita, organizando informações a serem prestadas, materiais e equipamentos necessários e aspectos a serem observados, considerando os contatos e as visitas anteriores; Prever a duração objetiva de cada visita; Avisar os interessados sobre a data e hora da visita, para evitar perda de tempo e/ou desencontros. 7. Realização Durante a realização da visita, o extensionista deve usar a sua influencia para estimular, orientar e não para dirigir o pensamento da pessoa visitada. Iniciar a visita interessando-se pelo que a pessoa estiver realizando no momento, levando-a gradativamente ao objetivo da visita. Procurar ouvir e observar a pessoa visitada, para conhecer seus reais problemas e procurar orientá-la. Ser cortês, simples, objetivo e eficiente. Gastar o tempo necessário, sem atropelos ou demoras excessivas. Encerrar a visita convidando-o a participar de trabalhos em grupos na comunidade, e, se possível, entregar material impresso ou recomendações técnicas sobre o assunto tratado. 8. Avaliação O extensionista deve avaliar as visitas realizadas, para aperfeiçoar a utilização do 25 método, considerando: - Tempo gasto; - Qualidade das informações e/ou demonstrações; - Alcance dos objetivos; - Impacto das tecnologias, das práticas e das informações na motivação, adoção e/ou envolvimento das pessoas visitadas. 9. Recomendações Diversas - Utilizar especialmente e oportunamente as visitas com: líderes, autoridades, multiplicadores e demonstradores; - Procura reduzir a quantidade de visitas e melhorar a qualidade das realizadas; - Não realizar visitas sem planejamento e sem objetivo; PLANO DE VISITA COM INFORMAÇÃO (EXEMPLO) 1. Público: 2. Assunto: Uso de adubo orgânico. 3. Local: 4. Data: 5. Horário de Início: 09 h da manhã. 6. Duração: 02 h 7. Objetivo: Motivar e conscientizar o produtor a utilizar os dejetos dos animais (bovinos, suínos e aves), como adubo orgânico nas culturas e pastagens de sua propriedade, aumentando consequentemente sua produção/renda. 8. Justificativa: - O esterco não está sendo aproveitado na propriedade; - O adubo orgânico produzido na propriedade é um adubo barato; - De fácil aplicação; - Não exige equipamentos sofisticados; - Contém matéria orgânica que é essencial na composição do solo; - Aproveitamento da mão-de-obra ociosa na propriedade; - Ajuda a manter higiene nas instalações; - Pode ser usado em qualquer tipo de cultura e pastagens. 9. Material: - Construção de Esterqueira; - Utilização da Adubação Orgânica. 26 10. Informação Técnica: - Coleta do esterco e armazenamento para curtir; - Uso e distribuição do adubo orgânico; - Comentar os informativos distribuídos. 11. Recomendações: - Adubar de acordo com as informações técnicas recebidas;- Divulgar em sua comunidade sobre a utilização da adubação orgânica; - Entrar em contato com a professora e com seus vizinhos para marcar a data da reunião sobre o preparo de canteiros na horta escolar. 12. Síntese: - Importância da adubação orgânica; - Como produzir adubo orgânico; - Onde e como usar o adubo. 13. Avaliação: - Durante o regresso, fazer a auto-avaliação quanto ao uso do método e a tecnologia informada aos produtores. 14. Responsável: ENTREVISTA Conceito É um método planejado, de comunicação individual – realizado no escritório, na sede ou no campo – para conhecer a realidade rural ou divulgar um determinado assunto. Pré – requisitos: Antes de qualquer iniciativa, o extensionista deverá definir: O que perguntar – levando em consideração os objetivos da entrevista; A quem perguntar – definido por amostragem representativa, conforme o assunto a ser pesquisado. O que concluir – determinado após análise em função dos objetivos. 27 Objetivos: - Identificar problemas; - Estudar situações; - Avaliar e divulgar trabalhos desenvolvidos. Vantagens: - Permitir conhecer a realidade rural, após a coleta de informações; - Ajuda na seleção do público e da comunidade a ser trabalhada; - Garante provas, através dos questionários e dos informantes selecionados; - Possibilita divulgar bons trabalhos realizados. Limitações: - Por ser um método individual, o seu custo é elevado; - Exige preparo adequado e confiabilidade do entrevistador; - Exige sinceridade nas respostas do entrevistado; - Exige boa aplicação e análise dos questionários; - O resultado é demorado. Planejamento: Ao planejar a entrevista, o técnico deverá seguir os itens abaixo: - Elaborar ou estudar os questionários; - Determinar o número de pessoas a serem entrevistadas; - Escolher a melhor época para realização da entrevista; - Fazer “amostragem representativa” quanto ao público e comunidade; - Envolver colaboradores. Realização: - Divulgue a realização e os objetivos da entrevista; - Aplique os questionários; - Comece a entrevista pelas perguntas mais simples; - Colha as informações, seguindo a lógica; - Domine bem as perguntas; 28 - Pergunte sem induzir a resposta; - Esgote cada assunto, antes de passar para outro; - Controle o tempo e fale só o necessário. Avaliação: A avaliação das entrevistas pelos extensionistas deve abranger os seguintes aspectos: - Objetividade dos dados obtidos; - Sua atuação como entrevistador; - Seleção adequada das pessoas entrevistadas; - Época da entrevista; - Tempo gasto; - Qualidade dos questionários. Recomendações Diversas: - Preparar a pessoa para a entrevista; - Ser simples e não abreviar palavras; - Tabular e analisar todos os questionários após o encerramento da entrevista; - Garantir o caráter confidencial e o anonimato. ENTREVISTA (Exemplo) I. IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTOR 1. Nome: ______________________________________________________ Como é conhecido: ______________________________________________ 2. Ocupação principal: _______________________ 3. Nível de escolaridade,__________________ 4. Nº de filhos,________ 5. Trabalha na propriedade, _______________cite o endereço completo para sua localização: ______________________________________________________________ 7. Tipo de posse e uso da terra: proprietário ( ) arrendatário ( ) parceiro ( ) meeiro ( ) posseiro ( ) comodatário ( ) 8. Quem administra a propriedade? Proprietário ( ) gerente ( ) 29 II. APOIO INSTITUCIONAL 1. Assistência Técnica 1.1 É assistido tecnicamente? Sim ( ) Não ( ) De quem? _____________________________________________________ 1.2 Você participa das reuniões e/ou demonstrações de práticas agrícolas? Sim ( ) Não ( ) 1.3 Fontes de informações agropecuárias? Rádio ( ) jornal ( ) TV ( ) revista ( ) 1.4 Recebe informativo Agropecuário? Sim ( ) Não ( ) Em caso positivo, qual? __________________________________________ 1.5 Faz anotações sobre receitas e despesas de sua propriedade? Sim ( ) Não ( ) Em caso negativo, por que não faz? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ TÉCNICAS DE DINAMIZAÇÃO DE GRUPO TEMPESTADE DE IDÉIAS 1. Conceito É uma técnica de dinamização grupal, utilizada em alguns métodos, para estimular a criatividade e a participação de um grupo de pessoas, gerando idéias e informações para solucionar os problemas individuais e comuns dos participantes. As ideias são expostas livremente pelos participantes, sem a preocupação se serão ou não aproveitáveis. São participantes da Tempestade de Idéias, o grupo e o técnico que conduz a reunião. 2. Realização A dinâmica consiste em solicitar-se ao grupo que, durante 3 a 5 minutos, emita o maior número de ideias possíveis, independente dos resultados que poderão surgir. Enquanto as ideias vão surgindo espontaneamente, o técnico vai relacionando-os, para posterior discussão. Quando o tempo estiver esgotado, procura-se discutir com os participantes cada ideia que foi exposta, procurando fazer seleção das melhores contribuições. Para se obter melhores resultados, deve-se criar um clima de informalidade, a fim de que os participantes expressem suas opiniões livremente. 30 3. Vantagens A dinâmica aplica-se a grandes grupos. É um bom exercício para aumentar o número de ideias, fazendo com que todos os participantes da reunião alcancem as melhores soluções para seus problemas. 4. Limitações Pode haver o domínio de alguma pessoa sobre as demais, impedindo que todos expressem suas opiniões. MESA REDONDA OU GRUPO DE TRABALHO 1. Conceito É uma técnica de dinamização grupal, utilizada em determinados métodos, onde um pequeno número de pessoas discute informalmente um assunto. Chama-se mesa redonda porque todos os participantes estão no mesmo nível de igualdade. A dinâmica é utilizada para provocar a participação de todos os presentes, na discussão, decisão e ou planejamento de um determinado assunto ou problema. 2. Realização Comumente, um grupo pequeno assenta-se em mesa e trata informalmente do assunto ou problema em questão. Havendo um número maior de pessoas, divide os participantes em pequenos grupos, em caráter bastante informal, de modo que todos possam participar da discussão. O grupo discute durante determinado tempo, e após, apresenta suas conclusões ao grande grupo. O assunto é discutido sem formalismo ou preparação anterior. 3. Vantagens O caráter sem formalismo da discussão cria um clima propicio à franca troca de ideias. 31 4. Limitações Muito tempo pode ser perdido com assuntos sem importância. PHILLIPS 66 OU FRACIONAMENTO 1. Conceito É uma técnica de dinâmica grupal, na qual um grupo grande se divide em subgrupos de 6 pessoas, os quais discutem o mesmo assunto, durante 6 minutos, chegando cada subgrupo a uma conclusão final. As conclusões dos subgrupos são debatidas no grupão e chega-se à conclusão final. 2. Objetivos da Técnica - Permitir e promover a participação ativa de todos os membros do “grupão”; - Obter as opiniões de todos os membros em um tempo muitocurto; - Superar as inibições para falar diante de outros; - Desenvolver a capacidade de síntese e concentração; - Agilizar raciocínio; - Criar uma atitude mental de receptividade, favorável à aprendizagem. 3. Ação do Moderador - Dar instruções gerais sobre a técnica; - Estimular o interesse pela atividade; - Anunciar e marcar o tempo disponível (6 minutos); - Movimenta-se entre os grupos para qualquer esclarecimento e para observar como trabalham; - Prorrogar o tempo, se necessário e se houver interesse, mas só alguns minutos; - Nas primeiras experiências com o grupo, pedir aos relatores que leiam suas conclusões e em seguida fazer as sínteses. Neste caso, chegar à conclusão final, com participação de grupos, sem interferir no julgamento das ideias apresentadas; - Atuar sempre com simplicidade e naturalidade. 1A 1B 1D 1C 1 2A 2B 2D 2C 2 3A 3B 3D 3C 3 4A 4B 4D 4C 4 5A 5B 5D 5C 5 32 4. Desenvolvimento 1a. Fase – O responsável pela reunião (moderador) apresenta ao grupo, com precisão, a pergunta ou o assunto objeto de discussão. 2a. Fase – O moderador divide o “grupão” em grupos de 6 e pede que cada grupo escolha o seu coordenador (A) e o relator (B), iniciando os debates. 3a. Fase – O relator de cada grupo apresenta as conclusões. Cada relator (B) escreverá no quadro as conclusões do seu grupo, sintetizadas. 4a. Fase – O moderador dirigirá os debates, para chegar a uma conclusão final, com ajuda do plenário. Observação: O tema de discussão é sempre o mesmo para todos os grupos. PAINEL 1. Conceito É uma técnica em que 4 a 6 pessoas, entendidas em um assunto, discutem entre si, em forma de diálogo ou conversação, bem informal, diante de um grupo. 2. Objetivos da Técnica - Dar conhecimento ao grupo de um assunto determinado, com maior profundidade; - Conseguir um consenso geral do grupo sobre um assunto, quando há 33 desacordo de opiniões; - Forçar o grupo a enfrentar-se com um assunto controvertido e interessar-se pela solução do problema; - Desenvolver o sentido de responsabilidade, levando os membros do painel (quando são alunos) a pensarem e a pesquisarem dados ou fatos. 3. Ação do Moderador - Planejar a reunião, providenciando tudo que seja necessário; - Abrir a reunião; - Apresentar o Painel ao grupo; - Formular perguntas ao Painel, que possam contribuir para o esclarecimento do assunto; - Encerrar a reunião. 4. Ação do Coordenador do Painel - Reunir os membros do painel, previamente, para coordenar o programa; - Controlar o tempo da discussão; - Dividir as áreas de discussão; - Verificar a melhor disposição dos membros, ou seja: o Os mais entusiastas devem sentar-se nas extremidades; o Os mais tranqüilos no centro. - Intervir para efetuar nova pergunta sobre o assunto; - Orientar os debates e superar situações de tensão; - Apresentar ao grupo uma síntese final, passando a palavra ao responsável pela reunião (moderador) para iniciar os debates. 5. Desenvolvimento 1a. Fase – O moderador constitui o painel, expõe o tema, apresenta os integrantes do painel ao plenário e explica a técnica. 2a. Fase – Plenário assiste a discussão do painel e formula as questões, para a fase do debate. 3a. Fase – Encerrada a discussão, faz-se primeira pergunta ao painel, para iniciar os debates. 4a. Fase – A partir da 1a. pergunta feita, o coordenador estimula os debates, a fim de chegar a conclusões objetivas, com a participação ativa do plenário. PAINEL INTEGRADO É uma técnica que permite dinâmica no trabalho de grupo, forçando a participação de 34 todos os componentes de um grupo grande, fracionando-o em grupos menores. Pela sua complexidade, o painel integrado exige certo nível de escolaridade dos participantes. Deve-se utilizar o painel integrado quando sé deseja ler um documento denso, de interesse do grupo, de maneira dinâmica e não cansativa, com o objetivo de aprendizagem. DESENVOLVIMENTO 1° MOMENTO 1. Orientar o grupo maior sobre a técnica e as regras a serem seguidas; 2. Fracionar o grupo maior em tantos grupos menores quantas forem as partes em que for dividido o documento a ser tido, numerando-os; 3. Cada membro dos grupos menores será identificado com uma das primeiras letras do alfabeto, sendo a última letra correspondente ao número total de grupos; 4. Caso algum grupo possua mais componentes que o número total dos grupos, deve-se repetir a última letra, sendo que esta identifica dois membros no grupo; 5. Entregar uma cópia do documento para cada participante; 6. Determinar os capítulos que deverão ser lidos, discutidos e resumidos por cada grupo; 7. Proceder a eleição de um coordenador e um cronometrista; 8. Cada membro do grupo terá que fazer o papel de relator, cujo resumo completará o trabalho no segundo momento; 9. Estabelecer o prazo para os grupos concluírem a tarefa. 2° MOMENTO 1. Os componentes dos grupos anteriores, identificados com a mesma letra, formarão novos grupos; 2. Serão formados tantos grupos quantas forem as letras; 3. Cada um levará o resumo dos diferentes capítulos do documento, que deverá ser apresentado e lido para o grupo, que o aprovará ou o complementará; 4. Proceder a eleição de um coordenador, um relator e um cronometrista; 5. O relator, com a ajuda de todos, deverá juntar os vários resumos em um único trabalho, que será apresentado por ele, no 3° momento, na forma de painel; 6. Estabelecer o prazo para os grupos concluírem a tarefa. 3° MOMENTO 1. O relator de cada grupo sentará á mesa, fazendo o papel de especialista do painel; 2. Como os trabalhos serão muito parecidos, quase iguais, recomenda-se que cada relator apresente uma parte, com os demais complementando, se for o caso; 3. Concluída a apresentação, todos terão lido e discutido o documento na sua íntegra, por mais de uma vez, de maneira dinâmica e agradável, o que facilitará o processo da aprendizagem. WORKSHOP 1. DEFINIÇÃO Termo inglês para definir uma oficina de trabalho. É um evento dividido em duas partes: 35 teórica e prática. Os participantes são de uma mesma área e de um mesmo segmento de trabalho, e se reúnem para debater, praticar e tentar encontrar soluções para o terna proposto. 2. OBJETiVO Familiarizar os participantes sobre um determinado assunto para um maior dinamismo, aliando a teoria com a prática. 3. DURAÇÃO De 8 a 30 horas, com no mínimo 3 horas e no máximo 8 horas diárias. 4. PÚBLICO ALVO Interno ou externo. 5. USO Pode ser implementado paralelo a outro evento, como sua parte prática; É necessário credenciamento, entrega de pasta contendo material técnico, bloco de anotações e caneta; Ao final cio evento, atendidas as exigências de participação, é entregue um certificado; Recomendam-se no máximo 30 participantes. 36 RODADA DE NEGÓCIOS 1. DEFINIÇÃO Evento em que se reúnem empresários de determinado segmento, devidamente inscritos para vender ou comprar produtos e serviços. 2. OBJETIVO Apresentar ao público-alvo as tecnologias, serviços e produtos disponíveis para comercialização. 3. DURAÇÃO Hoje é muito variável. 4. PÚBLICO ALVO Parceiros e clientes potenciais. 5. USO A organização do evento estabelece horário de encontro entrevendedores e compradores para que possam fechar seus negócios. Em geral, ocorre simultaneamente a grandes eventos (exposições, feiras, etc.) É recomendável a produção de materiais informativos atualizados, com enfoque comercial das tecnologias, serviços e produtos disponíveis. DRAMATIZAÇÃO OU SIMULAÇÃO A dramatização ou simulação é uma técnica de dinamização grupal. O desempenho de vários participantes é uma das formas mais antigas de comunicação humana, mas o emprego estruturado e planejado deste meio como técnica de grupo apresenta muitos elementos novos. A dramatização é um dos meios mais eficazes que se conhecem para comunicar, educar e motivar o grupo. Consiste, em geral, na representação de uma breve “cena” de relações humanas, por duas ou mais pessoas, numa situação hipotética em que os papeis são apresentados da maneira que devem acontecer na vida real. Revela a dramatização, imediatamente, um conjunto de dados altamente representativos que podem ser estudados pelos atores, os assistentes e todo o grupo. Os atores, em geral membros do grupo, podem tornar-se profundamente influenciados pelos seus papéis transferindo essa influencia para o grupo através da interpretação vigorosa. O método deve ser usado com cautela pelos grupos mais formais devido à dificuldade de conter ou limitar a intensidade psicológica e a da dramatização. 37 GRUPO DE VERBALIZAÇÃO/ OBSERVAÇÃO/ AVALIAÇÃO É uma técnica de dinamização grupal, que possibilita o fracionamento de um grupo maior em três grupos menores, obtendo a participação de todos os seus membros. PASSOS 1° MOMENTO 1. Dividir o grupo maior em três grupos menores, dando-lhes os nomes de grupo de verbalização — GV, grupo de observação — GO e grupo de avaliação — GA; 2. Distribuir cópia do tema a ser lido e resumido para cada membro dos grupos; 3. Esclarecer que a técnica visa obter a participação de todos, na tarefa; 4. Orientar os grupos a elegerem o coordenador, relator e cronometrista e dizer a função de cada um deles; 5. Estipular o tempo para a execução da tarefa; 6. Orientar o GO que, além da tarefa de ler, discutir e resumir o tema, ele terá que avaliar a qualidade do resumo, bem como o grau de participação dos membros do GV; 7. Orientar o GA que, além da tarefa de ler, discutir e resumir o tema, ele terá que avaliar a qualidade dos resumo-s do GV e do GO, bem como o grau de participação dos seus respectivos membros. 2° MOMENTO 1. Colocar o GV para formar um pequeno círculo, no centro da sala; colocar o GO em sua volta, fazendo um círculo maior; colocar o GA em volta do GO, fazendo um círculo ainda maior; 2. Estipular o tempo de apresentação da tarefa do GV, bem como para avaliação do GO e do GA; 3. O GV deverá fazer a apresentação de seu trabalho, iniciando pela dinâmica adotada no grupo e seu funcionamento, concluindo com o conteúdo do resumo do tema; 4. O GO deverá apresentar a dinâmica adotada no seu grupo e seu funcionamento; deverá relatar as observações da dinâmica adotada pelo GV, seus pontos fortes e fracos. Deverá fazer ainda um relato sobre o resumo feito pelo GV, se ficou bem feito ou se tem alguns pontos importantes que deixaram de ser abordados; 5. O GA fará o mesmo que o GO, em relação ao GV e fará ainda o mesmo em relação ao GO. OBSERVAÇÃO: Essa é uma excelente técnica de dinamização grupal. Para que ela funcione como tal, recomenda-se que os membros dos grupos GV e GO não retruquem as críticas porventuras recebidas, pois aqui não são avaliadas as pessoas e sim sua conduta dentro do grupo. 38 SIMPÓSIO Método mais complexo do que a palestra, o simpósio exige a presença de mais especialistas à frente do grupo. O Serviço de Extensão Rural do Paraná, em seu “Manual de Metodologia” dá uma boa definição sobre esse método: “forma de reunião, em que um grupo de especialistas ou pessoas conhecedoras do assunto, sob a direção de um coordenador, apresenta a uma assistência uma série de palestras, preleções, discussões, em forma seqüenciada, de partes de determinado assunto-problema’. A duração sugerida para o simpósio é de uma hora a uma hora e meia, sendo que cada especialista fala em média de 15 a 20 minutos. O método permite uma exposição das ideias de forma sistemática, relativamente completa e ininterrupta, porém o interesse e a participação da audiência dependem da afinidade do orador com o assunto ou do debate dos pontos de vista. Este fator limita o uso da técnica. Simpósio deve ser utilizado quando: desejarmos apresentar informações básicas sobre determinado assunto: houver certeza de que o nível de comunicação dos oradores será compreendido pelo grupo: houver o desejo de apresentar diferentes pontos de vista sobre o assunto escolhido; a interação entre participantes não for necessária; desejamos prestar informações de forma direta e informal; dispusermos de pessoas com preparação adequada e a prática necessária no emprego deste método. Os componentes de um simpósio são: coordenador, expositores (especialistas) e assistência ou plateia, público. O coordenador abre os trabalhos, apresentando o assunto e os oradores, bem como a participação de cada orador no assunto. Continuando, o coordenador faz um resumo do problema existente e dos objetivos da realização do simpósio, criando uma atmosfera de atenção no auditório. A seguir, passa a palavra aos especialistas, controlando o tempo de exposição de cada um. Quando o último expositor finalizar sua parte, o coordenador retoma a palavra, resumindo todas as informações dadas e as perguntas. A assistência possui um tempo determinado para as perguntas, ao final das quais o presidente encerra o simpósio, agradecendo a participação de todos. No livro citado anteriormente, Bodenave recomenda o seguinte arranjo físico para a realização de um simpósio. ORADORES PRESIDENTE TRIBUNA PUBLICO OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO o 39 1. Arranjo físico para a realização de um “Simpósio”. 1a) 1b) 40 SEMINÁRIO Conceito Seminário é um método de aprendizagem ativa, no qual um grupo de pessoas estuda, em sessões planejadas, um tema de interesse comum, em busca de soluções para problemas, ou, de alternativas de soluções para os mesmos. Tema Para possibilitar o aprofundamento das discussões em torno do problema e alcançar maior objetividade nas conclusões é conveniente que o tema de um seminário seja dividido em partes (subtemas). Um tema como Feijão, por exemplo, poderia ser dividido da seguinte maneira: Sementes Melhoradas, Tratos Culturais, Aspectos Sanitários, Comercialização, Conservação e Armazenamento. Todavia, esta divisão deverá ser feita em função do objetivo de trabalho da entidade promotora e dos problemas existentes que possam ser esclarecidos, equacionados ou pesquisados em decorrência dos trabalhos desenvolvidos durante a atividade. Participantes Normalmente, os seminários comportam três tipos de participantes: Convidados: que são especialistas ou pessoas com vivencia maior em aspectos parciais do tema; eles se encarregam de elaborar trabalhos escritos sob o aspecto do tema no qual tenham maior experiência e indicar fontes de informações sobre o mesmo. Efetivos: que são pessoas com interesse geral sobre o tema do Seminário, que participarão de grupos de discussão e elaboração das conclusões do conclave. Assistentes: que possuem, também, interesse geral, mas não tem amesma experiência dos anteriores, nem por condição funcional devem utilizar as conclusões finais no trabalho profissional. Funcionamento Os Seminários adotam dois tipos básicos de reuniões, para seu funcionamento. Sessão plenária: nas quais são apresentados pelos participantes convidados, os trabalhos sobre aspectos parciais do tema e são apresentados, discutidas, alteradas e aprovadas as conclusões dos grupos de discussão. Nas plenárias da apresentação dos trabalhos dos convidados, estes, durante uma hora mais ou menos, fazem uma exposição sobre o aspecto parcial do tema ao seu encargo, respondem perguntas para esclarecimentos de sua exposição. Devem ser evitadas discussões sobre problemas, diferenças de pontos de vista, tecnologias alternativas, etc. é fundamental que a sessão disponha de um diretor, ou moderador, que controle o tempo, selecione e encaminhe ao expositor as perguntas pertinentes e evite debates, etc. Nas plenárias para discussão dos trabalhos dos grupos as conclusões são apresentadas, discutidas, esclarecidas e, se necessário, modificadas pelo 41 plenário. São essenciais para o bom andamento desta reunião, um moderador e um relator, os quais serão encarregados posteriormente da elaboração das conclusões finais. Os participantes assistentes não têm o direito de intervir nos debates, limitando -se a assistir as discussões. Podem, também, formular perguntas escritas. Sessões de debates, nas quais os participantes efetivos discutem os trabalhos elaborados pelos convidados, e em função de suas experiências pessoais, de outras fontes de informação disponíveis, elaboram as conclusões sobre o sub- tema. Para estas sessões são organizados grupos de 5 a 10 pessoas com conhecimento, vivencia e interesse nos diversos subtemas. Cada grupo escolhe um coordenador e um relator para todos os trabalhos do grupo, que em geral tem uma duração de 5 horas ou mais, em função de maior ou menor complexidade do subtema. Serão discutidos nestas sessões os trabalhos apresentados pelos convidados, e discutidos outros trabalhos disponíveis sobre o mesmo assunto, e escritas as conclusões do grupo para apresentação em plenário. Estas conclusões do grupo para apresentação em plenário. Estas conclusões serão elaboradas em função dos seguintes elementos: - Análise dos problemas discutidos; - Soluções comprovadas para os problemas; - Adequação das tecnologias sugeridas às características do trabalho e do público de como utiliza-las; - Problemas sem solução viável; - Indicação, quando possível, de caminhos de pesquisa e experimentação para os problemas; - Não e conveniente que os participantes assistentes intervenham no trabalho dos grupos. Os convidados podem participar como assessores nos grupos. Organização: A organização administrativa de um Seminário pode assumir muitas formas. Em qualquer delas o essencial é que haja uma pessoa ou comissão com capacidade de decisão, autônoma, que as diversas tarefas a serem executadas sejam distribuídas claramente, e assumidas com efetividade. O planejamento a execução do Seminário compreende uma série de atividades, entre os quais se destacam: - Elaboração de uma agenda prévia e de um cronograma de execução; - Fixação de objetivos a serem alcançados; - Convites a participantes para elaboração de documentos básicos; - Discussão com estes últimos dos teores e conteúdos dos documentos básicos; - Divulgação das atividades do Seminário; - Obtenção de recursos humanos, materiais e físicos; - Organização de material técnico e bibliográfico do apoio aos grupos de trabalho; 42 - Impressão de documentos prévios e posteriores ao conclave; - Encaminhamento de conclusões a pessoas e entidades de direito; - Avaliação e prestação de contas; - Relatórios; Avaliação: Além dos aspectos de funcionamento de um método como este que serão verificados no processo de avaliação, não podem ser esquecidos os seguintes elementos: - O alcance dos objetivos fixados anteriormente; - A operacionalidade das conclusões obtidas, das sugestões e das tecnologias escolhidas; - A necessidade de complementação com outros métodos para divulgação dos produtos obtidos com o Seminário. PUBLICAÇÃO EDUCATIVA Publicações educativas são materiais impressos, ilustrados usados pelo serviço de Extensão Rural para disseminar informações aos produtores rurais e suas famílias. Além de servir para promover, motivar e informar, as publicações são veículos efetivos para dar instrução e distribuir alguns ensinamentos concretos e pormenorizados a grande número de pessoas. As publicações educativas utilizadas pela extensão rural podem ser de vários tipos, cada qual com características próprias que possibilitam o seu uso para as diferentes etapas do processo de adoção de uma nova ideia ou tecnologia. Apresentamos as principais publicações usadas na Extensão Rural, para efeito de identificação; a) Folheto – Publicação não periódica, com número limitado de folhas (mínimo de 5 e máximo de 48). Abrange diversos tópicos de um determinado assunto. Seu valor é didático ou informativo, apresentando uma série de instruções sobre um tema – por exemplo, a cultura da soja, que serão úteis para produtores com certo grau de instrução e que já tem seu marco de decisões amplamente desenvolvido. b) Folha solta – publicação de uma só folha, sem capa, que trata de um assunto específico. Impressa de um lado ou de ambos os lados, a folha solta é amplamente distribuída para propósitos de motivação e informação. c) Folder – é também uma folha impressa, mas dobrada uma ou mais vezes. O folder tem uma capa e, geralmente, apresenta informação mais detalhada acerca de um determinado tópico, desde que as dobras permitem a separação dos assuntos. O folder por ser também instrucionais, na elaboração, deve levar em conta o público, o conteúdo da mensagem e a ação desejada. d) Volante – É uma folha pequena, que serve para dar informações concisas ou 43 difundir slogans. Contém uma mensagem e uma ilustração, que procuram atrair a atenção do público para programas específicos de Extensão Rural. e) Informe Técnico – Publicação de periodicidade irregular, destinada a subsidiar os extensionistas com informações e recomendações de interesse técnico. Destina se ao pessoal técnico de execução, sendo uma publicação de circulação interna. Versa sobre assunto específico. f) Manual – Publicação de cunho técnico didático, voltado para ensinamentos de interesse do trabalho de Extensão Rural. Pode ser publicado em série. A eficácia das publicações depende não só de uma boa apresentação e de uma boa qualidade de conteúdo, mas também da rapidez e da oportunidade com que elas são distribuídas. CARTA CIRCULAR Conceito Carta circular é a que, com igual conteúdo para todos é produzida e enviada para muitas pessoas. Finalidades: A mensagem de uma carta circular deve restringir-se a motivar, convidar, informar ou, quando muito, recomendar técnicas bem simples, perfeitamente compreensíveis ao produtor e sua família. Exemplos: As vantagens da importância da Organização Rural, a importância e a necessidade de ter a obrigação de vacinar o gado contra a febre aftosa,... Vantagens - Grande alcance penetra na massa dispersa no campo; - Alcança o produtor em sua casa; - Economiza tempo do extensionista; - Barato e de fácil elaboração; - Torna-se motivo de orgulho para produtor que a recebe, interferindo positivamente no seu caráter pessoal, foi escolhido; Desvantagens: - Serve apenas para mensagens simples; - Atua sozinho não permitindo esclarecimentos; - Depende de um bom sistema dedistribuição. Limitações: A Carta-Circular é um veiculo eminentemente visual que deve atar por si só, sem a presença do Técnico. Como é dirigida a indivíduos isolados e de níveis diversos, sua mensagem deve restringir a motivar, informar de um modo geral ou, quando muito, ensinar técnicas, bastantes simples, fácil de ser compreendidas e 44 aprendidas pelo próprio produtor. Planejamento - Antes de redigir. - Definir o público – O público já define o que você irá escrever e com que objetivo; - Defina sua mensagem – Não fale de diversos assuntos em uma só mensagem. Se o tema é silagem, não fale sobre forragens. É o tema de outra carta; - Defina seu estilo – Use linguagem simples, frases curtas e objetivas. Quando possível, use o próprio linguajar rural. Desse modo, sua mensagem terá mais afinidade com o público fim. Seu leitor ficará muito a vontade para a leitura. Quanto á pontuação, use as vírgulas e, principalmente, os pontos. Utilize os seguintes recursos - Cabeçalho: título sugestivo em letras grandes; - Ilustrações; ajuda a fixar a mensagem; - Equilíbrio: distribuição harmônica do cabeçalho, texto e ilustrações. Preparação - Faça um layout, no mesmo papel a ser usado para a carta, fazendo as devidas correções. - Prepare a copia matriz, e faça a multiplicação via xérox ou outro meio. JORNAL EM EXTENSÃO RURAL INTRODUÇÃO O Jornal é um excelente meio de comunicação de massa. As matérias relacionadas com as comunidades rurais, desde que sejam oportunas, interessantes e relevantes, assumem grande importância e destaque através dos órgãos da imprensa. Por outro lado, embora os extensionistas desenvolvam programas e ‘ações que visem, em primeiro lugar o meio rural, é importante que tenham consciência de que “o poder de decisão” nas áreas do legislativo, executivo e judiciário, das diversas autoridades e entidades se concentra nas cidades. A boa ou má qualidade da “imagem” da Extensão Rural poderá também ser resultado da importância e alcance das matérias que enviamos aos jornais. 45 TIPOS DE DIVULGAÇÃO Através das informações que chegam regularmente do campo, serão preparados os materiais para veiculação nos meios de comunicação coletiva, tais como jornais, emissoras de rádio e de televisão, através de: NOTÍCIA Uma notícia deve ser oportuna, verdadeira, interessante e importante. Devemos lembrar que, uma notícia verdadeira (o fato verificou-se), oportuna (escrita ou falada na época certa), interessante e importante (para o público a quem se destina a notícia). É bom lembrar também que a notícia deve ser imparcial e impessoal. TIPOS DE NOTÍCIAS Previstas: são aquelas que conhecemos, em detalhes, antes do acontecimento, do evento, ou do fato. Temos condições de conhecer todos os elementos que vão compor a notícia. Imprevistas: são aquelas em que o elemento surpresa está presente. Ex.: sem que ninguém esperasse aquele produtor colheu uma safra bem acima da expectativa. CARACTERÍSTICA DAS NOTÍCIAS Brevidade: devemos resumir na notícia o que considerarmos como o mais importante. Porém, não vamos aos extremos de redigir notícias incompletas por excessiva brevidade. Objetividade: narrar fatos tais como aconteceram. Devemos deixar aos leitores o direito de analisar e interpretar. FÓRMULA DA NOTÍCIA É bom lembrar que a notícia deve conter cinco elementos fundamentais, isto é: o Que fez (o fato) o Quem fez (o autor) o Quando fez (a data) o Como fez (processo ou meio) o Onde fez (local, região, cidade) o Por que fez (razão principal) Diz-se que a notícia deve ser redigida segundo a imagem de uma pirâmide invertida, ou seja, o dado mais importante em primeiro lugar, no desenvolvimento os detalhes importantes e na conclusão os detalhes pouco importantes. 46 COMENTÁRIO Enquanto a notícia se limita a narração dos fatos, o comentário representa a oportunidade para uma análise dos acontecimentos, caracterizando causas e efeitos prováveis, acenando para possíveis ações deles decorrentes. Um velho refrão afirma “a notícia é sagrada e o comentário livre”. Isso significa que a informação; deve ser fiel aos fatos, um conjunto de opiniões de quem a interpreta e julga. Os comentários devem ser planejados: considerar o seu tema, seu objetivo. Não pode ser chamado de comentário um alinhavado de conselhos e orientações sobre este ou aquele assunto. E importante que o comentário não seja longo demais. Comentários longos cansam, aborrecem, tornam-se inúteis como informação. INFORME TÉCNICO Freqüentemente o extensionista deseja difundir uma determinada prática, e isto pode ser feito através do Informe Técnico. O informe técnico dependerá, basicamente; do cuidado que deve ser dispensado à informação. Antes de redigi-lo, compensa parar um pouco e fazer as seguintes perguntas: - o público alvo, tem necessidade de receber tal informação? - como apresentar a nova idéia? Uma comunicação bem feita exige que saibamos considerar não apenas a forma pela qual informamos, mas também a forma pela qual os outros recebem a informação. CONCLUSÃO Os donos dos jornais, normalmente reconhecem a importância da extensão rural nos municípios e abrem espaço para a equipe local. Esses espaços devem ser ocupados com os mais variados tipos de informações. Atentar para o- calendário agropecuário, nas diversas fases das culturas e criações, na divulgação de trabalhos realizados; enfatizar a parceria com as prefeituras, associações, tomando estas como abastecedoras de informações, de eventos, resultados alcançados, em todas as fases do agronegócio, divulgar outros eventos em âmbito regional, estadual ou federal, promovidos ou não pela extensão rural, desde que seja de interesse da família rural. A prática de escrever matérias para o jornal, além de trazer satisfação e promoção pessoal, enseja a oportunidade de aperfeiçoamento da redação, enriquece o vocabulário e, conseqüentemente, argumentação, virtudes desejáveis ao bom extensionista. O jornal é um ótimo meio de divulgação e marketing. Por que não usalo? 47 RÁDIO EM EXTENSÃO RURAL INTRODUÇÃO O rádio em extensão rural é um dos mais eficientes meios de divulgação de que dispões o extensionista, para levar informações às famílias rurais. Ainda mais se levarmos em consideração que, quase toda população rural, possui em sua casa um aparelho radiofônico. A característica específica do rádio é a rapidez e o imediatismo. O rádio pode educar, mas não pode ensinar, pelo menos no conceito normal de ensino em sala de aulas. O rádio pode criar atitudes, mas não filosofar e explorar. O rádio pode generalizar, mas não qualificar e especificar. Em resumo, o rádio pode motivar, estimular, vender idéias, criar e trocar atitudes básicas e o faz rapidamente. VANTAGENS Multiplica a mensagem, levando orientação a centenas de pessoas; Alcança famílias fora do raio normal de ação do extensionista; Atinge analfabetos, o que representa um ponto forte como meio de comunicação; Possibilita complementação de outros métodos; Contribui decisivamente para convencer o público; Cria um relacionamento de intimidade entre o locutor e os ouvintes. LIMITAÇÕES: O programa de rádio não permite interrupções; Duas radioemissoras não podem ser ouvidas simultaneamente; Se algum ouvinte, por qualquer motivo perder parte do programa, não poderá recupera-lo imediatamente; O ouvinte não pode fazer perguntas ao locutor, sobre pontos que não entendeu perfeitamente; O locutor dispõe apenas de seus recursos vocais para transmitir a mensagem; Não é possívelavaliar de imediato a reação dos ouvintes e saber se o assunto está ou não agradando e modificar a linguagem. CARACTERÍSTICAS DOS PROGRAMAS: 1. INFORMALIDADE O programa deve ser apresentado pelos extensionistas. O rádio cria intimidade entre o locutor e o ouvinte. Facilita a aceitação de novas idéias e informações, porque o público, em geral, acredita no que ouve pelo rádio. Não deve existir a preocupação em imitar os locutores profissionais. O extensionista deve falar com naturalidade, como se estivesse “batendo um papo”. É necessário falar com entusiasmo, ao fazer uma afirmação, para que o público acredite no que está ouvindo. Usar palavras de fácil compreensão. 48 2. DURAÇÃO DOS PROGRAMAS A experiência indica que a duração de um programa radiofônico para a família rural não deve ser inferior a cinco minutos, nem superior a trinta. Tratando-se de apenas dois segmentos, por exemplo, um informativo técnico e notícias, cinco minutos são suficientes, pois representa um tempo máximo, durante o qual o ouvinte escuta com atenção. Os programas de quinze minutos são os mais recomendados, principalmente se for apresentado pela equipe (uma voz masculina e uma feminina), pois não cansam demasiadamente o ouvinte e são fáceis de preparar, apresentando temas variados, principalmente se todos participarem da elaboração do programa. Eis algumas sugestões de segmentos interessantes que poderão ser usados no programa de rádio: informativo técnico, entrevistas, notícias, perguntas e respostas, atividades da semana, cotação de preços, condições de estradas e outros, dependendo da criatividade de cada um. Os programas de 30 minutos já se tornam cansativos, principalmente se não forem elaborados com cuidado. Devem ser divididos em segmentos, apresentar temas variados e incluir números musicais. É conveniente que os Extensionistas realizem enquetes em suas áreas de trabalho, para determinar a duração ideal dos programas. Essas enquetes poderão, inclusive, indicar o melhor horário, assim como o tipo de programa que mais agrada aos ouvintes. 3. HORÁRIO É o ponto fundamental em um programa de rádio. O fato de estar a emissora no ar não significa, forçosamente, que os agricultores, estejam com os seus receptores sintonizados. O melhor horário é aquele que realmente atenda aos ouvintes, mesmo que não seja o mais cômodo para o extensionista. Se não for possível apresentar o programa ao vivo, nos horários considerados mais oportunos, será melhor grava-lo o que permitirá a irradiação no momento desejado. Não há conveniências em separar programas para agricultores e agricultoras. É mais interessante que os dois extensionistas trabalhem em equipe, dividindo responsabilidades e fazendo o programa a duas vozes, tornando-o mais agradável para os ouvintes. Programas para a família de modo geral, poderiam ser realizados ao anoitecer, tendo-se em conta que a família rural, via de regra, recolhe-se cedo; ou aos domingos, dia do descanso semanal. Apesar de não ser fácil, com esforço da equipe local, obtêm-se espaço nesses horários. 4. NORMAS PARA O PREPARO DE “SCRlPTS” Escrever com naturalidade, como se estivesse conversando; • Para tornar uma idéia bem clara, afirmá-la categoricamente na introdução, desenvolve-la em seguida e concluí-la com um dos pontos-chaves; • Apresentar apenas um assunto em cada fase do programa; 49 • Desenvolver o tema de maneira clara, para que o ouvinte possa compreende-lo com facilidade; • Lembrar que o público não vai ler o “script”, mas sim, ouvi-lo; • Ler o script em voz alta e pausadamente, pelo menos uma vez antes da irradiação, modificando as frases que se fizerem necessárias; • Evitar frases longas, que podem prejudicar a leitura, pela perca de fôlego do locutor; • Usar, sempre que possível , frases médias e curtas, alternadamente; • Pontuar ou usar travessão, para indicar onde o locutor deve respirar; • Sublinhar as palavras que devem ser lidas com ênfase; • Não cortar palavras no fim da linha para continuar na linha seguinte; • Não interromper frases, quando terminar a página. Recomenda-se terminar a página com parágrafo, dando assim oportunidade ao locutor para uma pausa natural, antes de iniciar a leitura da página seguinte; • Escrever em papel macio, para evitar o ruído no manuseio; • Numerar as folhas, mas não grampeá-las; • Usar espaço duplo, escrevendo somente de um lado do papel; • Deixar margens largas, nos dois lados das folhas. Linhas curtas são lidas com mais facilidade; • Cronometrar o “script”, ajustando-o ao tempo disponível para o programa. CONCLUSÃO Estas são apenas algumas sugestões para os Extensionistas. Caberá a cada um esquematizar o programa de rádio. Isto dependerá de: matéria disponível, do trabalho que desenvolve, da cidade onde mora, da emissora onde atua e de GOSTAR DO QUE FAZ. VÍDEO EM EXTENSÃO RURAL 1. CONCEITO O vídeo é um recurso audiovisual ou meio de comunicação moderno, amplamente utilizado nos ambientes, técnico e científico, com a finalidade de informar, motivar e ensinar 2. VANTAGENS Por ser um recurso audiovisual, potencializa a aprendizagem; Serve para informar, motivar e ensinar; Permite a repetição de parte ou de todo o conteúdo; Permite transportar para o local, informações ou tecnologias de locais 50 distantes; Fornece o máximo de informações em curto espaço de tempo. 3. LIMITAÇÕES • Requer equipamentos caros; • Requer pessoa treinada e capacitada no uso dos equipamentos; • Custo elevado. 4. UTILIZAÇÃO CORRETA Recomendamos os seguintes passos, na utilização do vídeo: 1º - Assista todo o filme sem interrupção. Assim você terá uma idéia clara dos objetivos dos temas abordados, do nível e estratégia instrucional, do posicionamento dos técnicos e dos produtores envolvidos. Estima-se que aqui você absorverá de 30 a 50% das informações. 2° - Agora, papel, lápis e controle remoto na mão. Assista novamente o primeiro tópico abordado. Anote as frases que considerar importante, transfira para o papel tabelas, gráfico, desenhos, dimensões e anote, também os dados citados textualmente. Use a tecla “pause” do controle para fazer isto. Analise cuidadosamente os dados anotados. REUNIÃO TIPOS DE REUNIÃO: 1º Tipo – reunião com informação - RI É utilizada para: 51 a. Transmitir informações técnicas, através de palestras (com discussão) ou; b. Estimular a organização e a dinamização de grupos, através da troca de experiência, decisões, planejamento e ação grupal. 2º Tipo – Reunião com demonstração - RD É utilizada para: a. Ensinar, através de “demonstração de prática” como realizar uma prática ou tecnologia. REUNIÃO COM INFORMAÇÃO – RI 1. Conceitos a). Reunião com palestra. É um método planejado, de comunicação grupal e ação planejada, na qual o extensionista exerce a sua influencia técnica, frente a um grupo de pessoas com interesses e objetivos comuns, visando transmitir informações agropecuárias, gerencial ou social, com ajuda de recursos audiovisuais. A reunião com palestra, inclui exposição e debates. Tem variações pode ser: conferência, painel e reuniões técnicas semelhantes. b). Reunião de dinamização. É um método planejado, de comunicação grupal, na qual o extensionista procura estimular a criatividade e a iniciativa de um grupo de pessoas, na busca de soluções racionais a seus problemas comunitários e grupais. A reunião de dinamização pode ser para identificar problemas e necessidades dos participantes de estudar alternativas para tomar decisões, planejar as ações a seremdesenvolvidas, organizar comissões e agir, organizadamente, na solução de problemas. A reunião de dinamização precisa da participação ativa dos componentes do grupo. Esta situação proporciona oportunidades para criatividade, iniciativa, desenvolvimento de liderança, enfim, decisões e ações pelos próprios participantes. PRÉ-REQUISITOS Antes de planejar uma RI, seja de informação técnica, seja de dinamização, o extensionista precisa considerar: - O estágio, as necessidades e os interesses do público a ser atingido; - Os objetivos a serem alcançados com a ação; - A conveniência em utilizar a RI, em relação a outros 52 métodos; - Época oportuna na realização de palestra ou na dinamização do grupo. Objetivos: - Introduzir práticas desconhecidas; - Melhorar o uso das práticas já utilizadas; - Proporcionar oportunidades à troca de experiências, decisões e ações grupais; - Planejar, racionalmente, as ações a serem desenvolvidas; - Desenvolver lideranças nos grupos; - Motivar para adoção ou melhoria de práticas ou tecnologias, recomendadas e adequadas ao nível do grupo. Vantagens: - Facilita informação técnica; - Permite racionalizar custo/benefício no atendimento; - Possibilita a organização e a dinamização de grupos nas comunidades rurais; - Favorece a introdução de outros métodos, simples e complexos, de comunicação grupal; - Dá oportunidade ao extensionista de conhecer os reais problemas e aspirações da população, e assessorar na busca de soluções dos problemas. Limitações - Pouca oportunidade de atender interesses individuais; - Pouco preparo do extensionista em condução grupal. Planejamento Na fase de planejamento, em FUNÇÃO DO PÚBLICO e do que se PRETENDE ALCANÇAR, cabe ao extensionista: - Selecionar os assuntos a serem tratados; - Estabelecer os objetivos a serem alcançados; - Selecionar a RI (palestra ou dinamização) que possibil ite o alcance dos objetivos. Se necessário, proceder adaptação conveniente; - Decidir data, local e horário da reunião, considerando: o Data e horário acessível; o Local de fácil acesso e aceitação; o Condições de acomodação aos participantes; o Adequação à execução do método e prática. 53 Organização A organização implica em providências à execução como: - Convidar os participantes; - Organizar o material e os equipamentos a serem utilizados; - Combinar com os líderes voluntários as providências a serem tomadas, para garantir o êxito da reunião; - Estudar e se preparar como técnicos, treinar e testar os equipamentos. Realização A reunião deve iniciar na hora marcada. O extensionista ou um dos líderes explica os objetivos da mesma. No caso da RI – com palestra, o extensionista faz a exposição sobre o assunto (sem discurso e ou demora), usando termos acessíveis e envolvendo a participação do grupo (perguntas e respostas). No final deve fazer um resumo e distribuir o material técnico. No caso da RI – de dinamização, o extensionista deve assentar-se junto com o grupo, e orientar a utilização de “técnicas de dinamização” para discutir, decidir, planejar, e também agir, conforme a necessidade do grupo. Avaliação A avaliação de uma reunião pode e deve ser realizada, no final da reunião, pelos participantes e posteriormente pelos extensionistas, quanto a: - O assunto foi oportuno? - Os participantes – interessados, pontuais, participaram ativamente, alguém faltou? - A programação – foi cumprida ou houve empecilhos? - Os objetivos – foram alcançados? - A reunião – foi satisfatória e agradável? - O instrutor e ou líderes – orientaram bem o grupo? - O que fazer para melhorar as próximas reuniões 54 REUNIÃO COM DEMONSTRAÇÃO-RD Conceito A demonstração é um método planejado para ensinamento prático individuais a grupos, onde os participantes aprendem vendo, ouvindo e fazendo, as tecnologias e/ou práticas agropecuárias e sociais adequadas à sua realidade. Objetivo: Com a demonstração de prática pretende-se que o grupo aprenda a executar, de modo correto, a prática ou a tecnologia recomendada, na forma com deverá ser utilizada na propriedade ou no lar. Utilização: A demonstração de prática é utilizada para: - Ensinar na prática a tarefa como a deve ser executada; - Introduzir ou aperfeiçoar o uso de práticas ou tecnologias adequadas. Vantagens: - Atinge o indivíduo; - Atinge grupos de produtores (homens, mulheres, jovens); - Desenvolve habilidade; - Fixa melhor a aprendizagem; - Facilita a adoção correta da prática ou tecnologia; - Dá maior segurança ao técnico. Condições Exigidas: - Preparação técnica e condução grupal; - Local e época adequados; 55 - Público homogêneo. Fases da demonstração: - A demonstração de prática compõe-se de quatro fases, sendo: - 1a. fase - planejamento; - 2ª. fase - ensaio; - 3ª. fase - realização - 4a. fase - repetição; - 5ª. fase – avaliação 1a. fase – Planejamento. Ao elaborar o plano de demonstração de prática, o extensionista deve levar em consideração os seguintes aspectos: Quanto ao publico: Verificar os interesses, as necessidades e as condições dos participantes em relação à prática, visando a adoção ou o seu aperfeiçoamento. Selecionar grupo homogêneo em torno de 10 participantes. Quanto ao método: Verificar se é conveniente utilizar ou não a demonstração, consultando os objetivos, a utilização, as vantagens e as limitações do método. Quanto à prática: Verificar se há vantagens econômicas e sociais no uso da prática, em relação ao que vem sendo realizado pelos produtores. Verificar se há motivação e condições dos produtores à adoção da prática. Verificar a recomendação da pesquisa. Verificar ainda as condições locais à garantia de sucesso da prática. Quanto ao Técnico-Demonstrador: Ter conhecimentos práticos, habilidades e segurança técnica em relação à prá tica e ao método. Seguir o plano de demonstração. Treinar bem, antes da demonstração. Usar materiais e equipamentos que estejam ao alcance dos participantes. Quanto ao local, data e horário: Selecionar local, data e horário adequado à da prática e a presença dos participantes. Obter colaboração das lideranças. 56 2a. fase – realização Na realização da demonstração de prática, o extensionista – demonstrador deve: - Chega antes dos participantes; - Seguir o plano de demonstração; - Iniciar o trabalho na seguinte ordem: o Apresentar-se (nome, profissão, empresa); o Falar sobre a prática a ser demonstrada; o Expor os objetivos e as justificativas; o Apresentar os materiais e os equipamentos; o Dar a demonstração seguindo os passos e os pontos chaves; o Fazer resumo dos pontos mais importantes. 3a. fase – repetição Após a demonstração pelo extensionista – demonstrador, alguns participantes devem repetir a demonstração passo a passo. Nesta fase, o extensionista observa se os participantes aprenderam corretamente, procurando corrigir as falhas cometidas e fazendo perguntas sobre os pontos mais importantes da demonstração. 4a. fase. Avaliação Após a realização da demonstração, o extensionista – demonstrador deverá avaliar o seu trabalho (individual ou em equipe), em relação a: - Desempenho do demonstrador; - Qualidade da demonstração - Alcance dos objetivos; - Adequação dos materiais e dos equipamentos; - Numero e seleção dos participantes;- Impacto da prática demonstrada. Plano de reunião com demonstração( exemplo 1): 01. Projeto: 02. Prática: Locação de curva de nível, com nível de borracha. 03. Local e data: Faz. Encruzilhada, 25/12/05. 04. Horário: 8:0 horas da manha. 05. Duração da prática: 2h 06. Público: 12 pequenos produtores de arroz. 07. Objetivo: Fazer com que os produtores conheçam e adotem essa prática de conservando o solo e água. 57 08. Justificativa: - Método fácil e barato; - Mau aproveitamento dos fertilizantes e corretivos; - Baixa produtividade da cultura; - Assoreamento das nascentes. 09. Material e equipamento. Material - Água; - Estacas; - Macete; - Fita isolante; - Papel. Equipamentos: - Mangueira transparente de 15 cm; - 2,0 ripas de 2,0 m; - 2,0 réguas de 30 cm; - 1,0 facão; - 1,0 pincel atômico; - 1,0 trena; - 1,0 balde; - 1,0 copo. 10. Material Técnico - Folders; - Tabela de declividade. 11. Passo e pontos chaves na execução da prática: Passos: - Mostrar todo material e equipamento; - Encher a mangueira com água limpa; - Achar a declividade média da área; - Iniciar a locação das curvas: o Fixar uma estaca numa extremidade da área como ponto inicial; o O locador da retaguarda coloca o suporte da mangueira. Pontos Chaves Devem estar em perfeito estado de funcionamento e uso. Retirar as bolhas. 58 Consultar tabela (distância das curvas). Ponto mais alto da área. O locador da frente deverá andar com o suporte até o cumprimento da mangueira. Cuidado para não derramar a água. O locador da frente deverá andar para cima ou para baixo, até achar um ponto que as colunas de água estejam na altura, fixando outra estaca. Não colocar o suporte em depressões ou elevações (buraco ou pedras). O locador da retaguarda, deve mudar o suporte para a 2a.estaca, e o da frente procurar outro ponto de nivelamento, e assim sucessivamente até terminar a curva. Bater bem a estaca Para iniciar outra curva deverá obedecer a distancia de uma curva na outra, determinado pela tabela. Utilizar a trena para medir a distancia. Solicitar voluntários para repetir a prática. Corrigir os erros. Distribuir material técnico. Levar material suficiente. 12. Demonstrador: 13. Avaliação: - Com os participantes sobre a aprendizagem; - Auto-avaliação / avaliação em equipe. Plano de reunião com demonstração( exemplo 2): 01. Projeto: Milho 02. Prática: Regulagem de plantadora/adubadora. 03. Local: . 04. Data: 05. Horário: 14h 06. Duração da prática: 90 minutos. 07. Público: 10 plantadores de milho, com médio conhecimento de tecnologia sobre a cultura. 08. Objetivo: fazer com que os produtores de milho apliquem uma tecnologia de plantio adequada, visando aumentar a produtividade da cultura. 09. Justificativas: Os produtores da comunidade não estão utilizando e conservando corretamente a plantadora/adubadora . Em conseqüência, está havendo: - Má distribuição de sementes; - Má distribuição de adubos; - Espaçamento incorreto, causando dificuldades nos tratos culturais e 59 perdas na colheita; - Desgaste antecipado das máquinas, pela sua má conservação. 10. Materiais - 40 kg semente de milho peneira 22; - 60 kg adubo granulado 04 – 30 – 16+ Zn; - 1,0 kg de graxa; - 10 saquinhos plásticos, capacidade 1,0 kg; - Trena de 20,o m. Equipamentos - Plantadora/adubadora ; - Trator 60 HP; - Discos espessos com 12 furos de 9/16 diâmetro: - Jogo de chaves fixas e fresadas; - Chave de encanador; - Bomba de engraxar; - Balança capacidade 10 kg. 11. Material Técnico: Tabela de distribuição de adubo em função da dosagem e espaçamento; tabela de número e diâmetro de furos dos discos em função do tamanho (peneira) da semente. 12. Passos e pontos chaves na execução da prática: Passos - Mostrar todos os materiais e equipamentos; - Montar a plantadora/adubadora na barra; - Regular espaçamento; - Engraxar; - Montar disco e platô; - Regular a quantidade de sementes; - Regular a quantidade de adubo; - Regular a profundidade do sulco de semente e a posição do adubo, em terra arada; - Marcador do alinhamento; - Solicitar voluntário para repetir a prática; - Distribuir material técnico. 60 Pontos Chaves - Devem estar limpos e sem ferrugem; - Em lugar plano; - A partir do centro da barra. Usar trena; - Nas correntes não pode colocar graxa; - Martelete não deve estar preso nem muito solto; - Tamanho diferente de sementes; - Girar a roda dianteira 11,5 voltas (15 m) e recolher as sementes em saquinho. Contar; - Girar a roda dianteira 11,5 voltas e recolher o adubo em saquinho. Pesar; - Sulco com 10 cm e semente com 4 cm; - Controla o espaçamento; - Corrigir os erros; - Levar material suficiente. 13. Demonstrador: 14. Avaliação: Com os participantes sobre a aprendizagem auto avaliação / avaliação em equipe. EXCURSÃO Conceito A Excursão é um método planejado, de comunicação grupal, utilizado em extensão rural, para levar um grupo de pessoas homogêneas em interesses e condições de adoção, a visitar locais com bons trabalhos, como unidade de 61 demonstração, experimentos, demonstração de resultados e outras atividades agropecuárias e sociais bem conduzidas, para que possam vê-los, aprender e adotar. Pré – requisitos Antes de programar uma excursão, os extensionistas precisam ponderar: Quanto ao método: verificar se é melhor alternativa metodológica consultando os objetivos, as vantagens e as limitações. Quanto ao publico: selecionar público homogêneo em interesses e condições de adoção, considerando ainda a disponibilidade de tempo e a participação mínima nas despesas da excussão (transporte, acomodações, refeições, etc). Quanto às condições locais: certificar-se sobre: - O possível impacto que causará a atividade a ser visitada; - A condução correta da prática a ser mostrada; - As condições mínimas de estrada, alojamento e refeições aos participantes; - A receptividade do colaborador (produtor ou outro); - A época oportuna à excursão; - A coerência entre a excursão, as atividades programadas pela Unidade Local e a continuidade da assistência técnica; - A segurança do extensionista na coordenação da excursão e/ou necessidade de assessoramento. Objetivos - Melhor aproveitamento das práticas, das tecnologias e das experiências bem sucedidas, dentro e fora da área de ação; - Conhecer alternativas viáveis nas soluções de problemas dos produtores; - Despertar o interesse em inovações rentáveis; - Estimular a participação grupal na discussão e soluções de problemas comuns. Vantagens - Ampliar os horizontes dos excursionistas; - Conhecer práticas e tecnologias recomendadas, em condições semelhantes às suas para aprendizagem e adoção. Limitações - Exige deslocamento; - Exigem recurso para transporte, alojamento e refeições; - Exige organização; - Exige local apropriado e colaboradores. 62 Planejamento A excursão requer um planejamento cuidadoso e com antecedência, devendo ser considerado os seguintes aspectos: a) Objetivos específicos: estabelecer claramente os objetivos, o que se quer ver e para que. b) Programação – envolver a participação dos extensionistas, dos colaboradores e dos excursionistas. c) Locais a serem visitados – dentrodo possível, as excursões devem ser realizadas em propriedades e outros locais semelhantes às condições dos excursionistas. Selecionar uma ou mais propriedade e locais que possibilitem tanto uma mesma rota, quanto uma seqüência das práticas e tecnologias a serem visitadas. d) Público – o público participante da excursão deve ser pequeno, homogêneo e participar das decisões da programação, como: aspectos a serem visitados; data e duração, local e horário de partida, alimentação, transporte e outros necessários. e) Material informativo – os excursionistas devem receber, junto com a programação, um material informativo contendo informações resumidas sobre os locais e os trabalhos as serem visitados. Realização A execução da excursão deve seguir o planejado, adaptando-se às circunstancias e imprevistos: contudo, é necessário: - Iniciar no horário previsto; - Procurar cumprir a programação; - Apresentar os colaboradores locais aos excursionistas; - Receber informações sobre a propriedade e o sistema de exploração utilizado (informações do proprietário ou encarregado); - Entender como foram obtidos resultado dos trabalhos visitados e obter dados sobre custos e lucros; - Agradecer a hospitalidade e a cooperação dos colaboradores locais (tarefa de um dos excursionistas); - Regressar no horário previsto. Avaliação A avaliação de uma excursão deve ser realizada pelos excursionistas, durante o trajeto de volta e, posteriormente, pelos extensionistas do Escritório Local, em relação a: - Os excursionistas: homogêneos, interessados, pontuais, aprenderam? - A programação: cumprida totalmente, sem atrasos? - Os locais visitados: correspondem as expectativas (colaboradores e propriedades)? - Os objetivos da excursão – foram alcançados? - Os coordenadores – cumpriram satisfatoriamente a sua missão? 63 PLANEJAMENTO DE EXCURSÃO ( exemplo 1 ) 1. Local: Piscicultura Triângulo – Goiânia – GO. 2. Proprietário: Durval Veiga Neto. 3. Data: 4. Objetivo: O objetivo da excursão é mostrar aos produtores as instalações e o manejo de criação intensiva de peixes. 5. Participantes: 10 produtores rurais. 6. Local de partida: 7. Horário de saída: 13h 8. Horário de retorno: 18h 9. Distância: Goiânia – Propriedade: 35 km. 10. Duração: 01 dia. 1a. Etapa: Manhã. Será feita na parte da manhã uma explanação geral sobre a criação racional de peixes (Unidade local em Goiânia). 2a. Etapa: Tarde Visita á propriedade para observar o manejo e os detalhes de construções e discussão com o proprietário sobre a criação. 11. Roteiro de Deslocamento: Goiânia – Goianira – Fazenda Triângulo – Goiânia 12. Informações sobre a propriedade: A propriedade fica junto a Goianira. Dedica-se a produção de leite e de ovinos deslanados. Instalações para suínos (desativada). Inicia-se a exploração de peixes das espécies carpa de Israel e nilóticas. 13. Coordenador da excursão PLANEJAMENTO DE EXCURSÃO( exemplo 2) 1. Assunto: Criação de Suínos, tipo carne. 2. Local: Suinocultura Machado – Faz. Cachoeira sete voltas 3. Data: 4. Participantes: 15 criadores de suínos. 64 5. Objetivo: o objetivo da Excursão é mostrar aos Produtores as instalações, manejo, alimentação e outros aspectos da criação de Suínos. 6. Justificativa: - Quase todos os produtores da região são criadores de suínos, tipo banha, e há uma tendência para melhoramento, com raças especializadas em carne; - As instalações existentes são rústicas e inadequadas à criação mais técnificada; - O manejo dos animais é deficiente. 07. Local de partida: 8. Transporte: Kombi cedida pela Prefeitura. 09. Distância: 10. Roteiro de deslocamento: Ipameri – Fazenda Cachoeira sete voltas – Ipameri. 11. Horário de Saída: 08h 12. Horário de Retorno: 12h 13. Duração: 4 horas. 14. Informações sobre a propriedade: a propriedade é do Sr. Emílio M. Sobrinho e fica às margens da estrada que liga Ipameri-Corumbaíba. Dedica-se à exploração de Gado de Leite e Suínos tipo carne, híbridos de Landrace X large-white. 15. Estações: 1ª - Explanação geral sobre as características da suinocultura visitada; - Raças de suínos, tipo carne - cruzamentos – alimentação – instalações; 2a - Coleta e distribuição de água nas pocilgas; 3a - Instalações e manejo (cria, recria e terminações); 4a - Pesagem e comercialização. 16. Material Técnico: informativo sobre criação de suínos. 17. Coordenação da Excursão: . 18. Avaliação: Com os participantes, sobre aprendizagem. Realizar auto-avaliação/avaliação em equipe 65 DIA DE CAMPO Conceito O dia de campo é um método planejado, de comunicação grupal e de grande efeito motivacional, utilizado na extensão rural para mostrar, em um dia, uma ou mais práticas agropecuárias tecnicamente recomendáveis. Estas práticas podem estar localizadas em propriedades rurais, estações experimentais ou em outros locais adequados. Pré – requisitos Antes de qualquer iniciativa, o extensionista deverá analisar ponderando sobre os seguintes aspectos: Quanto ao método: Verificar se o dia de campo é o melhor método para o que se pretende realizar, consultando os objetivos, as vantagens e as limitações. Quanto ao público: Selecionar o púbico específico a participar do evento. Exemplo: Dia de campo arroz – rizicultores, confinamento – pecuaristas; considerando o potencial à adoção e maior objetividade. Quanto às condições locais – Certificar-se sobre: - O impacto que causará a prática e/ou tecnologia a ser apresentada; - O interesse e condições do público na adoção da prática; - A certeza da condução correta da prática a ser mostrada; - A boa aparência da prática; - A não ocorrência de experiências negativas recentes em relação á 66 prática e ou produto; - A época oportuna à realização do evento; - O fácil acesso ao local do evento (propriedades, experimento, etc); - A receptividade do colaborador (produtor ou outro); - A coerência entre o dia de campo e as atividades programadas e desenvolvidas pelo escritório local; - O conhecimento técnico do extensionista sobre os assuntos do dia de campo, para continuidade na orientação da prática; - A sua segurança na organização do Dia de Campo e/ou buscar o assessoramento Regional e/ou Central. Objetivos 1. Mostrar a aplicação e os resultados de práticas agrícolas bem conduzidas, nas condições locais; 2. Possibilitar comparações entre diversas alternativas viáveis, em uma ou mais práticas; 3. Despertar interesse ao aproveitamento racional das condições existentes na propriedade; 4. Proporcionar entrosamento entre extensionista, produtores, líderes e autoridades; 5. Estimular a troca de experiência entre os produtores rurais; Divulgar os trabalhos realizados pela extensão rural e outros órgãos do setor agrícola. Vantagens 1. Atinge a um maior número de pessoas; 2. Motiva para adoção de práticas; 3. Envolve a participação de toda a comunidade; 4. Reforça o entrosamento dos extensionistas com a comunidade; 5. Divulga os trabalhos da extensão rural. Limitações 1. Exige eficiente organização; 2. Público heterogêneo e numeroso; 3. Custo elevado ; 4. Necessidade de local e de prática adequadas à mostra; 5. Exige colaborador positivo e bem aceito na comunidade. 67 Planejamento 1. Reunião da equipe local para decidir sobre a realização do dia de campo, (considerar os pré-requisitos);2. Seleção de outros métodos ou meios de comunicação em extensão rural para reforçar o dia de campo, tais como: reunião com informação, reunião com demonstração, unidade de demonstração, demonstração de resultado, carta circular ou convite-programa, folder, folheto, cartaz, álbum seriado e outros; 3. Visita às propriedades, às estações experimentais ou outros, para seleção do local mais adequado à realização do dia de campo (considerar os pré-requisitos); 4. Reunião da equipe com o produtor/colaborador, lideranças e representantes de órgãos afins para propor a realização do dia de campo e decidir a data da sua realização, buscando, junto aos mesmos, a colaboração necessária; 5. Previsão da categoria e do número de participantes (produtores, autoridades, lideranças), a fim de nortear as providências a serem tomadas, como: convite, programas, material técnico-informativo, estacionamento, alimentação, número de grupos a ser formado, duração do evento, recepcionistas, palestrantes, guias, crachás e outros; 6. Elaboração do convite-programa, com detalhamento das atividades a serem desenvolvidas durante o dia, bem como roteiro de acesso à propriedade. Organização A organização de um dia de campo deve contar com um coordenador geral, o qual é o responsável direto pela realização do evento. Para não haver centralização de decisões e ações, e obter o apoio necessário, o coordenador precisa organizar e assessorar comissões colaboradoras para os seguintes aspectos: 1. Organização do local. Organizar na propriedade ou estação experimental, locais adequados, tais como: barracas, galpões, instalações, áreas, para: - Estacionamento; - Inscrição; - Instalações sanitárias; - Espera dos grupos; - Refeições ou lanches; - Estações necessárias; - Projeções e encerramento; - Fixação de faixas, cartazes e setas indicativas. 2. Material técnico, equipamento, outros materiais. - Álbum seriado e suporte; - Material informativo (folder, volante, folheto); - Cartazes e setas indicativas; - Faixas alusivas; 68 - Fichas de inscrição e crachás; - Alto-falantes; - Reto-projetor; - Data-show; - Máquina fotográfica; - Mesas, cadeiras, canetas, pincéis atômicos,etc. 3. Divulgação do Dia de Campo: - Distribuição pessoal dos convites – programas; - Divulgação dos resultados do evento, através dos meios de comunicação local e regional. 4. Recursos Humanos: - Seleção e treinamento metodológico / comunicação dos palestrantes; - Seleção e treinamento dos guias; - Seleção e treinamento das recepcionistas – secretárias; - Colaborador para orientar estacionamento. Além disso, o Coordenador deve coordenar e assessorar todas as atividades de encerramento do dia de campo. Realização - A partir do momento que os participantes começam a chegar devem ser orientados a estacionar sues veículos, fazer inscrições, receber os crachás e aguardar, em grupos de 15 a 20 pessoas, na barraca de espera; - Os guias explicam, rapidamente, como serão realizadas as atividades do Dia de Campo, relacionando-o com os problemas e necessidades dos participantes. Em seguida, cada grupo com o seu guia, dirigem-se às estações, onde os palestradores são apresentados ao grupo; - O tempo aproximado da permanência em cada estação deverá ser de 20 minutos e o tempo total do percurso para cada grupo não deverá ultrapassar a 2 horas. Todos os palestrantes e demonstradores devem gastar tempo idêntico, para evitar atropelos e/ou deixar imagem de desorganização; - O material técnico-informativo deve ser entregue no término da última estação; - No final do percurso, os grupos deverão dirigir-se ao local apropriado para encerramento. Enquanto esperam, podem estar ouvindo música ou realizando outro entretenimento. Avaliação No primeiro dia útil após a realização do evento, os Técnicos Locais devem se reunir para proceder a avaliação do Dia de Campo, com o objetivo de aperfeiçoar 69 a utilização do método. Esta avaliação deve abranger: - Atuação das comissões; - Desempenho do coordenador; - Colaboração obtida e público participante; - Qualidade das palestras e demonstrações realizadas; - Alcance dos objetivos; - Cumprimento da programação; - Qualidade do material técnico, didático e de divulgação; - Impacto das tecnologias e práticas apresentadas na motivação dos participantes. Recomendações Diversas - Enviar cartas de agradecimentos aos colaboradores; - Colocar placas nas estações com o título dos assuntos; - Evitar que pessoas isoladas visitem as estações; - Evitar esperas prolongadas dos participantes; - Informar sempre que possível o custo e os lucros, da prática ou técnica apresentada; - A distancia entre as estações deve ser suficiente para um grupo não ouvir a palestra do outro. Sugere-se um espaço de 2 minutos de caminhada entre as estações; - Para evitar atrasos e tumultos, o percurso de volta dos grupos não deverá coincidir com o percurso de ida. PLANEJAMENTO DE DIA DE CAMPO( exemplo) 01. Assunto: Confinamento de Bovinos 02. Local: . 03. Data: 04. Público: 50 Pecuaristas de Corte. 05. Objetivo: - Despertar o interesse dos pecuaristas para a prática do confinamento; - Mostrar aos pecuaristas que a pratica do confinamento é viável, usando instalações rústicas e simples; - Aumentar a oferta de carne na entressafra; - Melhorar a renda dos produtores. 06. Justificativas: - É baixa a oferta de carne na entressafra; - Na entressafra o preço da carne é melhor; - A prática do confinamento não exige instalações 70 sofisticadas; - Há disponibilidade de animais próprios para o confinamento na região. 07. Distância: 15 km. 08. Roteiro de Deslocamento: 09. Início: 08h 10. Término: 12h 11. Duração: 04h 12. Organização de locais: - Estacionamento – responsável: ; - Recepção e iniciação – responsável: . - Espera: . 13. Estações: 1a. Estação - Assunto: Confinamento de Bovinos; palestra técnica; - Palestrante: . 2a. Estação - Assunto: Custos do confinamento: palestra técnica. - Palestrante: . 3a. Estação - Assunto: Instalações, alimentação utilizada e bois confinados. - Palestrante: . 14. Materiais e equipamentos: - Suporte para álbum seriado; álbum seriado, cartazes; faixas alusivas; placas indicativas do evento; crachás; mesa para inscrição mais cadeiras; som; canetas; papel rascunho. 15. Material técnico: Folders sobre confinamento de bovinos. 16. Equipe responsável: Coordenador – . Palestrantes: . Auxiliares: Inscrição – - Espera –. - Estacionamento – . - Guias – . 71 17. Encerramento: Sede da Propriedade Responsável –. - Palavra do proprietário; - Distribuição dos folders; - Sorteio de brindes. 18. Avaliação: Coordenador / Palestrantes. CURSO 1. Conceito É um método planejado de comunicação grupal, com o objetivo de melhorar o capital humano. 2. Pré-requisitos Observar os seguintes aspectos: Quanto ao método: analisar se o método curso é o ideal, para atingir os objetivos que se pretende. Quanto ao público: deve ser homogêneo, com potencial para usar os ensinamentos ministrados, com base nos problemas e necessidades reais. Quanto às condições locais: certificar-se sobre: - A melhor época à realização do curso; - O interesse que o assunto irá despertar; - O local adequado para o melhor aproveitamento dos participantes; - A coerência entre o conteúdo e as atividades planejadas; - O conhecimentotécnico dos instrutores sobre os assuntos que serão levados aos participantes. 72 3. Objetivos - Capacitar ou especializar grupos de pessoas; - Capacitar grupo homogêneo de pessoas sobre técnicas ou práticas. 4. Vantagens - Facilita a troca de experiências e informações entre técnicos e público assistido; - Proporciona maior visão e seqüência das práticas e tecnologias que se quer difundir; - Permite a integração entre órgãos afins, que atuam na comunidade; - Atinge muitas pessoas, proporcionando economia de tempo e recursos. Limitações - Exige local adequado; - Envolve recursos e deslocamento; - Exige instrutores qualificados e com experiências de condução grupal. Planejamento - Selecionar os assuntos do curso, determinando o conteúdo a ser ministrado, a duração e os instrutores; - Selecionar os participantes; - Escolher o loca, data e horários adequados à realização do curso; - Selecionar os métodos e os meios de comunicação de extensão rural, que melhor combinarão com a realização do curso; - Definir os recursos que serão necessários; - Elaborar a programação do curso. Organização Para essa fase deve ser escolhido um coordenador que será o responsável direto pela organização do evento. Assim sendo, deverá estar atento para os seguintes aspectos: Organização local: o local escolhido para a realização do curso deverá ser adequado, para uso de recursos audiovisuais, para demonstração de práticas e para o fácil deslocamento dos participantes. Convite aos instrutores. O coordenador deverá convidar os instrutores, informando-os sobre metodologia, duração e assunto. Convite aos participantes. Selecionar as pessoas que irão participar da capacitação , as quais serão convidadas e motivadas para a participação no curso. Recebendo as informações sobre os objetivos do curso, o local e a época de sua realização. 73 Convite às autoridades: Enviar às autoridades locais, ofício convidando-as para participarem da abertura e encerramento do curso, anexando ao mesmo o programa do evento. Materiais e equipamentos: - Quadro negro; - Apagadores e giz; - Fichas de inscrição; - Pastas contendo: caneta, papel, lápis, borracha e programa; - Projetor de transparência; data-show, notebook; - Álbum seriado; - Materiais e equipamentos para aulas práticas; - Material informativo; - Internet; - Câmera digital, etc. Alojamento e alimentação: - Caso seja necessário, e com base no número de elementos e instrutores, organizar alojamento, alimentação e transporte. Realização Os participantes, após serem recepcionados e inscritos serão informados detalhadamente sobre a programação a ser seguida no treinamento. Em seguida, receberão as pastas preparadas com o material necessário ao acompanhamento do curso. Os instrutores presentes deverão ser apresentados. Avaliação Após o encerramento do curso, o coordenador, juntamente com os técnicos locais, deve reunir-se para proceder à avaliação dos instrutores, do treinamento e dos participantes. - Na avaliação dos instrutores, observar: o Conhecimentos técnicos; o Didática empregada; o Uso do tempo; o Clareza nas explanações; o Aparência do instrutor; o Uso de metodologia; o Distribuição de material. - Na avaliação do treinamento, observar: o Causa do êxito ou fracasso do curso; 74 o Cumprimento de horários o Qualidade do material e equipamentos utilizados; o Metodologia empregada durante o treinamento; o Qualidade das aulas e demonstrações práticas; o Cumprimento do que foi programado; o Impacto causado aos participantes pelos ensinamentos e práticas apresentadas. Recomendações diversas: - Enviar correspondências de agradecimentos aos instrutores e colaboradores; - Procurar dar ênfase às demonstrações práticas; - Durante a realização do curso, não se esquecer de proporcionar lazer ao público; - O coordenador deverá estar atento à programação, fazendo os ajustes que forem necessários; - Testar, com antecedência, o material e equipamentos; - Fornecer material informativo aos participantes, sobre os assuntos tratados; - Diariamente, controlar a frequência dos participantes através de lista de presença. PLANEJAMENTO DE CURSO(exemplo) 1. Assunto: Reconhecimento e controle de pragas na cultura da soja. 2. Local: 3. Período: 4. Público: 15 produtores de soja com nível de conhecimento técnico regular, necessitando de introduzir tecnologias modernas em suas culturas. 5. Objetivos: Que os participantes sejam capazes de: - Reconhecer as principais pragas e doenças da cultura da soja; - Conhecer e utilizar técnicas de controle integrado de pragas da cultura; - Realizar tratos fitossanitários na cultura, em época oportuna e na quantidade adequada. 6. Justificativas: - Deficiência e má utilização de materiais e equipamentos; - Freqüente intoxicação de pessoas por inseticidas; - Combate às pragas em época inoportuna; - Qualidade e quantidade de agrotóxicos usados inadequadamente; - Dificuldade dos produtores na identificação das pragas na cultura da soja; 75 - Uso desnecessário de defensivos. 7. Entidade Promotora: 8. Coordenador: 9. Instrutores: 10. Materiais e Equipamentos: Materiais: - Álbum seriado; suporte para álbum seriado; apostila do curso; folhetos; papel rascunho; lápis; canetas; pedaços de ripa; defensivos; balde com água; convites, etc. Equipamentos: - Trator; pulverizador tracionado; pulverizador costal; chapéus; óculos; macacão; botas; luvas; máscaras. 11. Programação: Data Hora Assunto Local Método/ didática / teoria / prática Responsável / instrutores 25/03/09 08:00 as 09:00 Apresentação do curso Barracão T. Palestra Coordenador Pragas e doenças. Barracão da cultura T. Palestra T. Palestra Identificação de pragas e doenças Campo P. Demonstração Cont. Integrada. Barracão do de pragas Barracão T. Palestra Levantamento de pragas Campo P. Demonstração Defensivos na cultura da Soja Barracão T. Palestra Regulagem do pulverizados e uso correto dos equipamentos P. Demonstração Avaliação e encerramento T. Mesa Redonda Coordenador 76 12. Carga Horária: Aulas Teóricas: Aulas Práticas: 13. Avaliação: dos instrutores: - Auto-avaliação; - Pelo coordenador. Do Curso: - Pelos produtores; - Pelos instrutores / coordenador. Obs.: - Anotar a relação dos participantes diariamente; - Necessidade de um tratorista durante o curso; - Material técnico: informativo sobre as pragas na cultura da soja – distribuir aos participantes. TORNEIO LEITEIRO É um método complexo de extensão rural, aplicado particularmente à pecuária leiteira e que tem como objetivo a promoção de mudanças nas práticas adotadas pelos pecuaristas a divulgação da propriedade, do rebanho e do proprietário; introdução de novas tecnologias, difusão de tecnologias, integração entre os produtores e autoridades e promoção da pecuária leiteira do município que realiza o torneio leiteiro. Resultados que podem ser obtidos com torneios leiteiros: - Arrecadação e canalização de recursos para instituições beneficentes; - Intercâmbio técnico e social; - Promoção do entrosamento entre pecuaristas; - Melhoria da produção e produtividade; - Integração com técnicos de outras regiões; - Difusão de tecnologia;- Divulgação do trabalho da extensão rural; - Divulgação das propriedades, do rebanho, dos produtores e do município que realiza o torneio leiteiro; - Entrosamento entre órgãos, técnicos, autoridades e outros órgãos não vinculados ao setor rural. 77 Obs.: Para que isto venha a ocorrer o torneio devem ser realizados dentro da realidade do município e região. PASSOS PARA A REALIZAÇÃO DO TORNEIO A PROGRAMAÇÃO DA DATA TORNEIO a) Os prováveis participantes devem programar a cobertura das vacas objetivando que o parto ocorra próximo à data de inícios do torneio; b) Sessenta dias antes do início do torneio, visitar os produtores, a fim de motivá - los a participar do evento. Iniciando nesta fase as inscrições dos animais. c) O participante deve apresentar alguma receptividade para introdução de tecnologia, bem como a propriedade apresentar uma infra-estrutura mínima de rebanho e tecnologia. Este mínimo deve ser estabelecido de acordo com o nível médio de tecnologia usada na região. d) Trinta dias antes do início do torneio – promover reuniões gerais com produtores, firmas comerciais, autoridades, órgãos técnicos, órgãos de classe, cooperativas, etc. Para esta reunião enviar cartas circulares e convites, anunciar a reunião através de rádio, jornal. Providencias nesta reunião: - Constituição das Comissões: o Coordenação ou central; o Estatutária (regulamento); o Fiscalização; o Divulgação; o Prêmios; o Encerramento; o Técnica. - Fazer as inscrições dos participantes; - Estabelecer valor de taxa de inscrição; - Marcar data de encerramento das inscrições. Obs.: Logo após a reunião as comissões em atividade, atuando até o final do torneio. CONVENÇÃO OU ENCONTRO É um método em que um grupo de pessoas se reúne para discutir problemas de interesse comuns, utilizando combinações de outros métodos, como preleções, fórum e painel durante um ou mais dias. 78 Uso do método É utilizado para explorar um problema, decidir sobre uma linha de ação ou tentar soluções para um problema. Participantes São os oradores, coordenador, comitê de planejamento, dirigente de discussão e assistente. Organização A convenção é inicialmente preparada pela comissão de planejamento, que toma providencias quanto ao tema a ser discutido, planejamento e organização do programa, publicidade, local físico, hospedagem e refeição. Durante a convenção, a comissão de planejamento continua seu trabalho, orientando os participantes da convenção nos diversos aspectos inerentes a seu serviço. Realização A Convenção é aberta pelo coordenador que saúda os participantes, apresenta o tema, passando a seguir ao primeiro segmento do programa. Aos oradores cabe, durante tempo determinado, apresentar o assunto que lhes foi solicitado durante sua apresentação, os oradores podem usar anotações, mas não devem ler qualquer documento. Após a preleção os assistentes reúnem-se em grupos para debater o assunto apresentado. Nestes pequenos grupos deve haver um coordenador e um relator, além de um dirigente de discussão. O papel deste dirigente de discussão é procurar com que o grupo chegue à conclusão lógica sobre o tema apresentado, ajudando a todos seus membros a participarem e contribuíram para a solução do problema discutido. Após a discussão nos grupos, as conclusões são levadas a plenária pelos relatores, para que sejam apresentadas com o fim de se atingir o consenso. Poderão apresentar-se um ou mais oradores, de acordo com a complexidade do assunto. Após encerrarem-se todas as discussões e tentar-se chegar ao consenso geral sobre o tema da convenção, cabe ao coordenador encerrar os trabalhos. Muitas vezes o encerramento é feito solenemente. Vantagens Unifica a ação de todo grupo; permite que grupos minoritários expressem livremente suas opiniões; oferece um meio de apresentação de material unificado. Limitações As metas pré-estabelecidas nem sempre são alcançadas. Os participantes podem ser freqüentemente levados a uma conclusão do agrado de uns poucos. Os participantes podem ter muitos pontos de interesse dispersivo. 79 UNIDADE DE DEMONSTRAÇÃO Conceito A unidade de demonstração é constituída de uma área de cultura ou lote de animais que é explorado pelo agricultor, nas condições peculiares de campo, de acordo com instruções e controle técnico. Nesta área de cultura ou lote de animais serão realizadas diversas práticas modernas, como seqüência de demonstrações aos agricultores. Tipos As unidades de demonstração podem ser simples ou complexas, dependendo da natureza do conjunto de técnicas que são selecionadas e conduzidas. Naturalmente que o grau de complexidade irá depender do estágio cultural dos agricultores a serem atingidos. Vantagens e limitações A unidade de demonstração apresenta a grande vantagem de ser um método conduzido nas condições reais do agricultor. Com isso é altamente convincente. Contudo corre se o risco de dadas as condições realísticas apontadas, de ocorrerem imprevistos, como doenças, pragas, chuvas de pedra, etc, que poderão prejudicar totalmente o andamento do método. Daí o cuidado de se montar mais de uma unidade de demonstração por localidade rural, para atender as eventualidades. Preparo A determinação das técnicas a serem demonstradas vai depender da estratégia regional de difusão de tecnologias. Naturalmente que a representatividade regional da cultura ou da criação condicionará a seleção dos temas gerais das unidades. Depois que definir qual a criação ou a cultura objeto da unidade de demonstração, procura se selecionar quais as técnicas a serem apresentadas e fixa se a data de plantio ou o início da “unidade.” Os métodos que serão utilizados para divulgar os resultados entre os agricultores também serão selecionados com antecedência. Em geral a unidade de demonstração é montada na propriedade de um agricultor que colabora com os extensionistas e está interessado em adquirir conhecimentos. 80 Há alguns critérios para a seleção desse agricultor: - Grau de convencimento da necessidade de unidade; - Concordância quanto á realização do método em sua propriedade; - Disposição de trabalhar de acordo com as instruções; - Seja um agricultor de espírito inovador; - Saiba ler e escrever; - Tenha autoridade social e técnica na localidade; - Esteja disposto a mostrar seus êxitos. Deve-se escolher um local para a unidade de fácil acesso. De preferência um local em que os agricultores passem freqüentemente por perto, e de fácil observação. Realização As instruções e o calendário de execução das atividades são preparados pelos extensionistas, em colaboração com outros técnicos. Estas instruções serão fornecidas ao agricultor por escrito. O extensionista cuidará dos aspectos organizacionais relacionados com a unidade de demonstração, como orçamento, equipamentos de trabalho e insumos agrícolas. Um bom trabalho de supervisão é imprescindível. Cada unidade de demonstração deve ter um caderno de registro contendo datas de atividades realizadas, quantidades de materiais usados, tratamento, apreciações, etc. As anotações deverão ser feitas pelo agricultor ou pelo extensionista, dependendo de sua natureza. Avaliação Graus de atendimento para cada item: bem realizado (B), realizado em parte (R) ou fraca realização (F). Técnicas planejadas relacionadas realmente com problemas e necessidades da comunidade. Numero de unidades de demonstração suficientes para atender a imprevistos e facilitar a difusão na comunidade.Supervisão efetiva à Unidade de Demonstração. Localização favorável da Unidade de Demonstração, permitindo fácil acesso de agricultores e difusão de resultados. Registros sistêmicos bem conduzidos. Frequência às demonstrações de tal forma a cumprir o objetivo de difundir as técnicas da Unidade de conformidade com o estágio sócio-econômico dos agricultores. A Unidade de Demonstração, para as técnicas introduzidas, espelha as condições da realidade local. Difusão apropriada dos acontecimentos e resultados da unidade. 81 Orientação para os extensionistas O agricultor em cuja propriedade for localizada a Unidade de Demonstração deve ter condições de informar tudo o que ocorre, com convicção do que estiver informando, e, para tanto, é necessário receber do extensionista uma supervisão efetiva. Convém que cada demonstração que for realizada de oportunidade a todos os elementos presentes a praticar a nova técnica. Por isso, convém deixar para o momento da demonstração todo o trabalho a ser feito na “parcela” da lavoura ou no lote de animais reservado para a unidade. A produção da “parcela” ou do “lote”, naturalmente, pertence ao agricultor ou pecuarista que conduziu a unidade. O extensionista não deve esquecer de fazer um agradecimento, por escrito, ao agricultor ou pecuarista, pela sua colaboração com o serviço de extensão e com o desenvolvimento agrícola de sua comunidade. UNIDADE DE OBSERVAÇÃO Conceito A Unidade de Observação (UO) é um instrumento ou recurso metodológico, planejado, montado e desenvolvido pelos extensionistas rurais e o produtor rural (colaborador), com o qual observará o comportamento de uma ou mais práticas agronômicas já comprovadas e adotadas em outras regiões, ainda mas que sejam desconhecidas, na prática, naquela região, e julgadas de interesse sócio- econômico. Caracterização Juntamente a DR, UD e PD a UO forma o instrumento técnico, no qual se assenta toda uma gama de métodos educacionais que a extensão rural adota. A unidade de observação deve ser conduzida com reservas, sem propagações, os técnicos (extensão e pesquisa) que fazem parte do processo de execução, acompanhamento e avaliação devem evitar, na medica do possível, a presença de produtores, por se tratar de prática (s) ou tecnologia (s) não comprovada (s) funcionalmente e economicamente do nível do produtor, mesmo fazendo parte do Plano Anual de Trabalho para aquele município. Pode convidar autoridades (prefeitos, gerentes de banco,..), para legitimação do seu esforço e do seu trabalho. Deve-se conscientizar o público de que aquelas tecnologias em observação ainda não são recomendadas para a região, e que um parecer técnico definitivo sobre o assunto será apresentado após obtenção dos resultados da UO. Por essa ocasião, é comum alguns produtores mostrarem desejo de desenvolver os mesmos “testes” nas suas propriedades, o que poderá ser aproveitado, com critério, bom senso e 82 as mesmas reservas, pois todo produtor é um observador por excelência, além de servir de repetição da observação, o que torna os resultados mais rea listas, correndo menos riscos de perdas por fatores não controláveis. O público -meio deverá estar ciente desse trabalho, para sua própria valorização e apoio. Os resultados devem ser-lhes mostrados em época oportuna, quando o bom senso dos técnicos o indicar, mesmo que esses resultados venham desaconselhar tais tecnologias. O que não se admite é o fracasso da UO, ocasionado por fatores controláveis pelo homem. Objetivos - Criar novas opções de tecnologia para os produtores; - Capacitar, tecnicamente, o agente de extensão rural, o pesquisador, como também o produtor e sua família; - Obter resultados práticos de comprovação, ou reprovação dos fatores observadores, em condições ambientais daquela comunidade, visando à sua difusão ou não; - Despertar o espírito criativo e observador dos técnicos e do produtor proprietário da área onde foi instalada a UO; - Suprir a ausência da pesquisa no que tange aos problemas técnicos que limitam os trabalhos da equipe extensionista local. Planejamento Como em outros instrumentos metodológicos, o planejamento da Unidade de Observação começa na elaboração do Plano Anual de Trabalho do Escritório e embasado no conhecimento da realidade rural que a equipe deve possuir. Só com esses conhecimentos de causa poderá o técnico detectar os fa tores de produção limitantes do seu trabalho, o grau de desejo social, sua viabilidade prático - econômica e a repercussão dessas soluções. E por isso necessita observá-los. Os problemas técnicos e sociais detectados são as justificativas para a sua montagem, tanto na natureza das práticas a observar, como no seu número, visando a obter resultados representativos e com menos risco de perdas. Deve-se elaborar um “Plano de Unidade de Observação”, no escritório, e detalhes posteriormente por UO. É quando serão contemplados todos os passos do trabalho: identificação da propriedade, do produtor, caracterização da área da UO, objetivos, justificativas, preparo, sistema de produção, registros e avaliação, e outros itens que cada caso requerer. Preparo São todas as providências que se deve tomar com relação a seleção e conscientização dos produtores, escolha da área em função do objetivo proposto, utilização de material, insumos e equipamentos; envolvimento de firmas e órgãos para fornecimento do que for possível. É importante que o produtor ou alguém da família do produtor saiba ler e escrever para fazer anotações e registros 83 necessários. Elaborar um cronograma de atividades para UO, definindo as responsabilidades dos técnicos (extensionistas e pesquisadores) e produtores. Execução É colocar em prática o sistema de produção elaboração para cada UO, nos seus mínimos detalhes. A presença constante dos técnicos e do produtor é imprescindível na orientação da mão-de-obra, na operacionalização do cronograma de trabalho e nos registros. Registros Devem ser registrados, sistematicamente, todos os dados técnicos, contábeis e ambientais (precipitação pluvial, etc), com dados e quantificações minuciosas. A fidelidade desses registros é a fonte para uma avaliação fidedigna. Avaliação Serão avaliados os resultados de produção, produtividade, incremento da produtividade em decorrência das tecnologias adotadas, custos de produção, custo/benefícios e outros pontos de relevância. Aqui estará todo o fruto do trabalho e que será o argumento fundamental, se os resultados forem positivos, para sua transferência aos produtores, através de métodos apropriados. Vantagens e limitações As vantagens estão embasadas nos seus objetivos, tendo com limitação o extremo cuidado com o público que tiver acesso a UO, na sua conscientização de que aquelas práticas ainda não são recomendadas e que dependem dos resultados que serão obtidos. Exemplo de “Plano de Unidade de Observação” de uma Unidade Local a) Introdução: Fazer breve histórico sobre a chegada da cultura na região e a necessidade de se obter informações técnicas. b) Objetivo da UO. - Acompanhar, tecnicamente, a introdução da cultura de soja na região; - Oferecer variedades mais produtivas e de melhor comportamento agronômico aos produtores; - Observar o material genético que a pesquisa tem lançado no sul do Estado, ao nível das condições ambientais de Tangará. - Subsidiar a segurança técnica da equipe local com relação à nova variedade a ser observada. c) Justificativa - A soja é cultura substitutiva em introdução na região; 84 - Crescimento vertiginoso da área de plantio na região, em curto espaçode tempo (três safras apenas); - A produtividade média da região é de __________ kg/há. d) Sistema de produção : - Práticas mecânicas conservacionistas: - Preparo do solo: - Plantio: UO PRODUTOR DATA PLANTIO ESPAÇAMENTO DENS.PLANTAS PROF. (cm) 1 2 3 4 5 - Tratos culturais: o Controle de ervas : o Controle de pragas : - Colheita Tanto a colheita quanto a secagem e a pesagem serão feitas por parcelas, rigorosamente separadas, evitando-se qualquer confusão na tabulação dos dados para posteriores avaliação e conclusão. A produção poderá ser utilizada para multiplicação de novas UO na próxima safra, se os resultados forem satisfatórios, os produtores podem aumentar suas áreas, num estágio inicial de difusão. - Avaliação Todos os dados mensurados nas 5 UO serão tabulados e analisados, de onde sairá a conclusão final da proposta técnica inicialmente formulada. De acordo com o resultado e com a necessidade ou não de repetição, serão tomadas providencias com a elaboração de um relatório final, que informará ao público envolvido os resultados alcançados. Outra providencia será com relação à produção obtida, se servirá apenas para novas UO ou para aumento de áreas e produtores, num estágio inicial de difusão. Todos esses aspectos dependerão da conclusão da equipe local, na época. 85 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Conceito É um método que visa, através do processo comparativo, provar a superioridade de uma ou grupo de técnicas em relação à outras já existentes, cujas vantagens tenham sido comprovadas nas condições locais ou semelhantes. Tal comprovação pode ter sido feita por meio de “Demonstração de Resultados” que não tem fins experimentais, mas é um grupo, a sua execução é individual; sendo executada pelo agricultor, jovem rural ou sua família, sob supervisão do extensionista; os resultados devem ser avaliados na presença do maior número de pessoas possíveis. Tipos Quanto à natureza e ao número de técnicas, as Demonstrações de Resultados podem ser: Simples, Complexas ou Combinadas. Simples, são aquelas que envolvem a comparação apenas de uma técnica: Complexa: inclui duas ou mais técnicas; e combinadas, contempla duas ou mais técnicas más, com uma disposição tal que permite compara-las separadamente. Como exemplo, pode-se mencionar algumas técnicas da cultura do milho que se deseja difundir: (a) densidade de sementes, (b) adubação, (c) uso de herbicida. Herbicida As Demonstrações de Resultados também podem ser classificadas quanto à duração. Neste caso elas podem ser de: curta duração ou de longa duração. De curta duração, quando os seus resultados aparecem imediatamente após a aplicação da técnica. Exemplo: combate à lagarta do milho. É uma DR simples. De longa duração, quando a verificação dos resultados da aplicação de uma ou grupo de técnicas exige um grande espaço de tempo. Exemplo: adubação da cultura de milho. Dependendo do ciclo da cultura e (ou) da natureza da técnica, pode ainda a Demonstração de Resultados se considerada de média duração. Exemplo: adubação nitrogenada em cobertura e na olericultura. Vantagens e limitações Como vantagens, entre outras, pode-se mencionar as seguintes: a) É um método educativo por excelência, que visa estimular o agricultor(a), jovem , a experimentar e/ou adotar uma nova ou grupo de técnicas. b) Trata-se de método que permite ao agricultor acompanhar a aplicação de um ou grupo de técnicas e comparar o seus resultados com outros obtidos com técnicas já existentes nos três aspectos: físicos, econômicos e sociais. É ao mesmo tempo, informativo, motivacional e instrucional. c) Permite ao extensionista, que é o coordenador e supervisor da execução do método, a aplicação de métodos de ensino no campo do aprendizado motor 86 (habilidades). d) Possibilita ao agricultor visualizar alternativas para a solução de seus problemas de produção e de renda a atender aquele desejo de “ver para crer”. e) Por ser um método de alcance de grupo possibilita a presença de grupos organizados, contribuindo assim para a sua maior coesão, através da participação ativa nos debates da tecnologia empregada. f) Constituí uma grande fonte de produtos para a realização de exposições locais (mostruários), numa base para a realização do método Excursão e Dia de Campo; e numa fonte de informações para a realização dos meios de comunicação de massa (rádio, jornal). g) É motivo de prestígio para o seu executor (agricultor) e aumenta a confiança deste e do grupo no extensionista principalmente quando ele é novo. h) Permite maior treinamento do executor e concorre para solidificar os conhecimentos do extensionista acerca dos resultados das técnicas. Quando às limitações, pode constatar as seguintes: a) Devido ao seu caráter imediatista, o agricultor não é muito sensível a execução desse método, principalmente os de médio e longo prazo. b) Dificuldade em encontrar um demonstrador eficiente. c) Surgimento de inveja em agricultores, jovens e donas de casa, por que o extensionista visita com maior frequência a propriedade onde se executa a Demonstração de Resultados. d) Pode diminuir a eficiência de outros métodos quando não for bem conduzido. e) Requer mais tempo para o planejamento, execução e obtenção dos resultados, em relação à maioria dos outros métodos. Preparo O preparo ou planejamento de uma Demonstração de Resultados demanda do extensionista, além de um tempo maior, um bom conhecimento a respeito do público com o qual vai ser realizado o método, do objetivo que se pretende atingir, das técnicas a serem demonstradas e do método em si. O conhecimento do público se faz através da identificação dos seus problemas e das suas características pessoais (psico-sociais). Uma vez evidenciado que, para as soluções dos problemas identificados se faz necessário realizar algumas mudanças; traça-se o seu objetivo e determina as técnicas a serem empregadas; e, através de que meios ou métodos. Analisou e conclui-se que esse método considerando as características do público e o objetivo, é a Demonstração de Resultados. Como preparar: Em primeiro lugar descreve o público com suas características e seus problemas. Em segundo anunciar o objetivo de forma concisa e clara, de maneira tal, que qualquer pessoa ao lê-lo saiba o que se quer atingir, e por, ser um método essencialmente educativo, torna-se imperativo que o objetivo expresse mudanças comportamentais e que permita avaliação. Como terceiro item, relacionar a técnica ou grupo de técnicas que deverá (ão) ser utilizada(s) na demonstração de resultados. Definir a planta dos tratamentos 87 “croquis”. Para maior receptividade dos grupos que deverão participar e acompanhar a realização do método, e para maior facilidade na definição do executor, a escolha da técnica ou grupo de técnicas, bem como a escolha do executor deve ser nas reuniões de grupo com essa finalidade. Aliás, os problemas identificados devem ser de consciência dos grupos e por eles levantados. Neste caso para que o grupo possa participar conscientemente da escolha do executor do método (demonstrador) é necessário que o extensionista apresente as seguintes características básicas ou essenciais: a. Ser um executor de técnicas “rotineiras” (comuns à maioria) dentro do projeto ou exploração que vai se realizar a demonstração; b. Que a sua propriedade e o local seja de fácil acesso, e que possa ser visto por pessoas que passam por perto; c. Que o tamanho da sua propriedade seja representativo; d. Que seja acessível a visitas e que apresente tendências a divulgar as atividades eos resultados. Antes que elabore o quadro de providências a serem tomadas antes, durante e depois da realização do método, deve fazer a seleção ou escolha do demonstrador. Isto deverá ser feito com a participação dos grupos, pois assim, se sentirão mais motivados e responsabilizados no acompanhamento e participação das atividades a serem executadas. Sugere-se elaborar um “Plano de Demonstração de Resultados”, dentro do seguinte esquema: Plano de Demonstração de Resultados: Aspectos Gerais Local: __________________________ Município:______________________ Demonstrador (nome): ___________________________________________ ______________________________________________________________ Público: _______________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ Objetivo: ______________________________________________________ ______________________________________________________________ Técnicas utilizadas e “croqui”: _____________________________________ ______________________________________________________________ 88 Plano de Execução O que fazer? Quando fazer? Quem fazer? Como fazer? Observações 1. Conhecer o local da DR. 12.09. Extensionista + líder + executor R Avisar o proprietário (executor) 2.Locar marcar a D.R 20.09. Extensionista + executor + líder Verificar problema de inundação 3.Avaliar resultados 22.01. grupo R Nos três aspectos físico, econômico e social. Data: _____/______/_______ - Técnico Coordenador___________________ - Executor: ____________________________ * Incluir neste plano também as visitas de supervisão Realização A Demonstração de Resultados (DR) deve ser utilizada todas as vezes que for necessário mostrar as vantagens comparativas de uma nova técnica ou novo grupo de técnicas em relação à tecnologia utilizada. Para um melhor aproveitamento da potencialidade do método, aconselha-se sua realização em locais onde haja maior concentração de produtores e/ou famílias e cujos problemas são da maioria, a existência de grupo ou potencialidades dos locais para a organização dos mesmos, são outros aspectos de relevância que devem ser considerados. Depois dessas considerações preliminares, discute os passos que o extensionista deve seguir para uma efetiva realização do método. Uma vez elaborado o plano e chegada a época de implantação do método, o extensionista deve ficar atento para os seguintes pontos: a) Ao fazer a visita ao futuro demonstrador para locar e marcar o método, o colocar ciente de sua responsabilidade para com a comunidade e das providencias a serem tomadas pelo mesmo, durante a realização. Entregar para o demonstrador um calendário de execução das atividades, incluindo as participações dos grupos e/ou pessoas da comunidade ou fora dela. b) Verificar todos os recursos disponíveis e a providenciar a fim de assegurar a realização da Demonstração de Resultados na época mais oportuna e com toda segurança. c) Marcar com o executor e os líderes de grupos a data certa da instalação da Demonstração de Resultados. Fazer o máximo de divulgação desse evento para que o máximo de pessoas possa comparecer ao local e assistir as explicações do que vai ser realizado. Pode até tornar um dia festivo. d) Durante a realização do método, todos os acontecimentos devem ser divulgados não só na comunidade, mas também fora dela, através de rádio, do jornal,... e) Utilizar a DR para treinar líderes e/ou ensinar a execução de técnicas que ali 89 vão sendo empregadas. f) Avaliar os resultados finais da DR dentro dos aspectos físicos, econômicos e sociais, divulgando-se ao máximo para o conhecimento da maioria das pessoas. g) Reunir as pessoas da comunidade e dar ciência dos resultados. Este dia pode também ser caráter festivo. Avaliação Distingue dois tipos de avaliação: (1) do método quanto a sua execução; (2 ) dos resultados ou efeitos do método como meio educativo. A avaliação do método em si implica em analisar o plano de DR verificando se o que quer fazer foi realizado na época oportuna (quadro fazer), se os meios empregados foram os mais eficientes e se os resultados forem os mais vantajosos. Destes resultados e da realização correta da DR vai depender a adoção das técnicas empregadas no método. Para complementar esta avaliação deve elaborar uma folha de contas, na qual o executor registrará os gastos e as receitas devidos ao método. Terminado a realização do método o extensionista analisa os dados e tira as conclusões. A seguir, um modelo para a “folha de contas”. Folha de Contas DR: Demonstrador: Local: área: ha: Natureza dos gastos e receitas Mão de obra Valor (R$) Insumos (valor R$) Total despesa (R$) Receita (R$) n. de hs (1) (2) (1) (2) (1) (2) (1) (2) (1) (2) Total Receita (1) – despesas (1) = lucro (1) Receita (2) – despesas (2) = lucro (2) Lucro (1) – lucro (2) = vantagem econômica Retorno da nova técnica = R$ ____________ = (vantagem econômica) 90 (1) = parcela com tratamento (2) = parcela testemunho Obs.: Este é um modelo para DR do tipo simples. Proprietário: ___________________________________________ Extensionista: __________________________________________ A avaliação dos efeitos do método será feita a partir do término de sua realização e tem como base o objetivo estabelecido. Até que ponto o objetivo foi atingido? Além desse efeito educativo determinado no objetivo na forma de aferição do aprendizado, têm que ressaltar a necessidade de se constar quais as pessoas adotaram a nova tecnologia. Para isto é necessário elaborar uma relação dos participantes na realização do método, com seus respectivos endereços e suas principais atividades. Pode se adotado o seguinte modelo. 1. Informação sobre a DR: Local:_______________________ propriedade: ________________ Município: __________________ Início: ____/_____/_____ término: _____/_____/______ DR: ___________: ______________ Demonstrador: ___________________________________________ 2. Registro Nome do participante Endereço município comunidade Principais atividades Data de início e término Participação Outras datas. Técnicas adotadas observação Extensionista responsável................................................................................................... Orientação para extensionista Cabe ao extensionista coordenar e supervisionar a realização da Demonstração de Resultados. Quanto as tarefas de planejamento e avaliação, sugere que sejam feitas com a participação dos grupos, inclusive do executor, a fim de permitir melhor conscientização aumentando a confiabilidade nas atividades e nos resultados. O extensionista não deve em hipótese nenhuma, executar a DR sem um planejamento, pois, é através deste que se define o objetivo, o que, quando, quem e como fazer. O planejamento permite ao extensionista maior segurança na execução do método e ao mesmo tempo lhe permite ter maior certeza na obtenção dos resultados. 91 O executor, devidamente escolhido pelo grupo, através da assessoria do extensionista não está isento de influencias negativas e de atribuições, que, muitas vezes, o leva ao desânimo da aplicação da tecnologia. Ele deve ser prestigiado. Apesar de ser um método trabalhoso, o extensionista não deve deixar ser levado por esse aspecto. O que é importante analisar são asoportunidades que esse método cria para aplicação de tantos outros e do seu grande poder persuasivo. Não deve o extensionista executar esse método pelo simples fato de executar o seu objetivo é mais importante. SEMANA Conceito É um método planejado de comunicação massal, utilizado em extensão rural para no decorrer de uma semana, motivar e procurar alternativa à solução de problemas comuns direcionado a um público rural específico. Pré-requisitos Antes de qualquer iniciativa, o extensionista deverá ponderar sobre os seguintes aspectos. - Quanto ao método – verificar se escolheu o método certo, consultando as vantagens e as limitações; - Quanto ao público – definir para qual público direcionará a mensagem e ensinamentos; - Quanto as condições locais, certificar-se sobre: o Existência de problemas sentidos e de soluções viáveis; o Meios de divulgação disponível; o Receptividade e apoio de colaboradores; o Época oportuna à realização do evento; o Inter-relacionamento do assunto da semana com o planejamento local; o Locais adequados às atividades programas. Objetivos - Despertar a atenção e o interesse da população; - Buscar soluções eficazes e rápidas; - Integrar ações e recursos dos órgãos ligados à solução dos problemas; - Divulgar os trabalhos realizados pela EMATER. Vantagens - Atinge um grande número de pessoas; - Envolve toda a comunidade; - Motiva para que sejam resolvidos problemas comuns; 92 - Contribui para a maior integração entre os órgãos envolvidos; - Mobiliza o publico e as instituições existentes. Limitações: - Público numeroso e heterogêneo; - Custo elevado para a realização; - Exige eficiente organização; - Necessita de colaboradores atuantes; - Exige deslocamento de pessoas. Planejamento Reunião preliminar da equipe local, para decidir sobre a realização da semana, observando os seguintes aspectos: - Problemas e solucionar; - Barreiras existentes; - Meios de comunicação disponíveis; - Prováveis colaboradores; - Objetivos a serem alcançados. Esquematizar uma proposta de programação. Reunião da equipe local com autoridades, lideranças e representantes das entidades locais para discutir e decidir sobre a realização da semana, confirmando ou reajustando a programação proposta e definindo os elementos para compor a comissão. Reunião da comissão para elaborar a programação definitiva e o cronograma de atividade. Organização A organização é uma das fases mais importantes na realização da semana. Nesta fase a comissão toma as seguintes providencias: Organização de locais para: - Lançamento e encerramento da semana; - Fixação de faixas e cartazes; - Refeições ou lanches; - Salas de palestras e projeções. Materiais e equipamentos: - Cartazes, faixas e convites; - Folders, folhetos, etc; - Alto-falantes; - Projetor de slides e projetor de transparência 93 Divulgação da semana: - Utilizar os materiais acima mencionados. Realização A realização da semana compreende três etapas: lançamento, execução e encerramento. Inicialmente, o lançamento oficial da semana, com a presença de autoridades, técnicos, colaboradores e público em geral, com a finalidade de informar e divulgar os objetivos do evento. A execução consiste no cumprimento do cronograma de atividade pré- estabelecida. O encerramento da semana realiza-se em solenidade semelhante ao lançamento, para divulgar os trabalhos realizados. Nesta oportunidade a comissão apresenta um relatório sucinto, contendo os trabalhos realizados, os resultados alcançados, os entraves encontrados, os colaboradores, os patrocinadores e as propostas para futuras realizações. Avaliação A avaliação da semana é um balanço geral do que foi realizado e dos objetivos alcançados. Ela deve ser realizada logo após o encerramento com a finalidade de aperfeiçoar os executores, para a utilização futura do método. A avaliação abrange: - Alcance dos objetivos; - Qualidade da metodologia empregada; - Cumprimento da programação; - Qualidade do material técnico, didático e de divulgação; - Atuação dos extensionistas, líderes e colaboradores; - Alcance do público desejado. Recomendações Diversas - Evitar atrasos dos organizadores, palestradores e autoridades ; - Cronometrar o tempo das palestras; - Enviar às autoridades ofício acompanhando o convite – programa; - Não planejar assuntos em demasia para as reuniões com o público; - Programar e realizar também atividades sócio-recreativas; - Enviar correspondência de agradecimentos aos colaboradores. 94 SEMANA SOBRE MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA CRONOGRAMA DE ATIVIDADES (EXEMPLO) DIA HORÁRIO LOCAL ASSUNTO MÉTODO RESPONSÁVEIS PÚBLICO 20 08:00 as 9:00 Clube Recreativo Solenidade de lançamento / importância da mecanização agrícola Palestras Sec. Agricultura População em geral - 9:00 as 10:00 ------ Deslocamento ------ ------- ------ - 10:00 as 11:00 Fazenda Serrinha Regulagem de arado Reunião com demonstração (RD) Produtores - 11:00 as 12:00 Fazenda Serrinha Segurança com o trator Reunião com demonstração extensionista Produtores - 12:00 as 13:30 ------ ------- ------ ------ ----- - 13:00 as 17:00 Fazenda Serrinha Regulagem de plantadeira Reunião com demonstração Produtores - 17:00 as 18:00 ------ Retorno ------- ------ -------- Obs.: Nos demais dias, com a mesma programação ou outra adaptada às condições, da comunidade, percorre outras localidades. EXPOSIÇÃO Conceito É um meio de comunicação e um método de ensino que oferece possibilidades de utilização simultânea de vários outros meios de comunicação. A “Exposição” permite o aproveitamento integral de dois fatores importantes para a memorização do ensinamento, repetição de idéia e visualização da mensagem. Tipos – quanto à abrangência, as exposições podem ser assim classificadas. Internacionais – nacionais – regionais (ou interestaduais). Estaduais – Micro-regionais (ou Intermunicipais). Municipais – comunitárias – locais. Dentre os tipos citados, os quatro últimos são os que mais interessam como meio de motivação para se transferir tecnologia em extensão rural: Microrregionais (ou Intermunicipais) – municipais – comunitárias – locais. As exposições “locais” também podem ser chamadas de “mostruários”. São de natureza móvel, isto é, transportável para qualquer lugar indicado para estimular a motivação. 95 Vantagens e Limitações Quanto às vantagens pode-se mencionar as seguintes: - Facilita a introdução de novas práticas; - Desenvolve o espírito de cooperação; - Estimula a competição; - Desenvolve a capacidade de seleção e de críticas; - Proporcionar prestígio para o produtor. As limitações estão relacionadas à natureza e à sua finalidade. Entre outras, pode-se mencionar as seguintes: - Não se presta como método de ensino de habilidades; - Na maioria das vezes é um mono canal (o visual); - Por ser um método de alcance a massa não é de alta eficiência; - Comparado com a maioria dos métodos, é de custo elevado. Preparo – Como todo método, para sua maior eficiência, exige um preparo, ou seja, um planejamento. De um planejamento melhor ou pior pode-se esperar uma boa ou má exposição. Deve-se considerar para um bom preparo os seguintes aspectos: - O tipo de público e suas características; - Os objetivos do método e suas relações com o público; - Oportunidadeda sua execução; - O que expor de acordo com os objetivos propostos; - Os meios a serem empregados; - Avaliação. Sugere-se o seguinte modelo de planejamento: Plano de execução de exposição Município _____________________________data:___/_____/_____ Público: ___________________________________________________________ __________________________________________________________________ Objetivo: __________________________________________________________ __________________________________________________________________ Conteúdo: _________________________________________________________ O que fazer. Quando fazer. Quem fazer. Como fazer. Observações: Responsável: ___________________________________________ 96 Utilização Trata-se de um meio de comunicação utilizado para informar e motivar. Presta-se, principalmente, para mostrar resultados conseguidos através da modernização tecnológica. Na Extensão Rural, uma exposição contendo produtos originários de uma nova tecnologia pode ser exposta; entretanto, para uma melhor eficiência do “meio”, a tecnologia empregada deve chegar ao conhecimento do público. A exposição, também pode ser utilizada para mostrar a existência de determinados problemas e suas possíveis soluções. Em âmbito local (exposições loca is ou mostruários) o “meio” é bastante específico servindo, em muitos casos, como auxiliar na utilização de determinados métodos ou meios (ex.: exposição de fotografias como auxiliar de uma palestra). Neste caso deve ser montado de tal maneira que possa ser transportada com facilidade. Avaliação – Além da avaliação específica do “meio”, torna-se necessário o julgamento dos produtos quando a exposição envolver a participação de expositores. Neste caso ela estará atendendo a algumas de suas vantagens, quais sejam: estimular a competição e desenvolver a capacidade da seleção e de crítica. O julgamento dos produtos deverá ser feito por técnicos com elevado conhecimento do processo de produção, com experiência em julgamento; e que não estejam diretamente relacionados com os expositores. Quanto a avaliação especifica do “meio”, deve ser considerado como instrumento do plano de execução. Várias são as perguntas que poderiam ser feitos; e, para cada uma delas certa escala de alcance. São as seguintes. Perguntas Alcance Fraco Razoável Bom 1. O publico que compareceu à exposição correspondeu no descrito? 2. Todas as atividades descritas nas colunas “o que fazer” – foram executadas? Faltou descrever alguma? 3. Todas as datas contidas na coluna “quando fazer” foram seguidas! 4. As pessoas responsáveis pelo “o que fazer” (coluna “que fazer”) executaram eficientemente as suas tarefas? 5. Os meios empregados (coluna “como fazer”) foram os mais eficientes. Total nº de respostas em fraco, razoável e bom. Não basta somente avaliar a execução do meio. O mais importante é avaliar o grau de alcance em relação ao objetivo, não apenas quanto a abrangência, mas 97 também quanto ao grau de informação e motivação. Para medir a abrangência é necessário que se tenha um sistema de registro do publico que assistiu à exposição. Por ouro lado, para se avaliar o grau de informação e motivação pode- se utilizar de um formulário simples, porém objetivo, entre os participantes ou enviados aos mesmos, logo após a realização do evento. E a pergunta final seria: em que grau o objetivo foi alcançado? Orientação : O extensionista ao decidir executar uma exposição deve fazer a seguinte pergunta: é a exposição o melhor meio de comunicação para se informar e motivar um determinado tipo de publico? Se é o melhor, deve ter sido considerado diversos elementos de comparação, entre os quais: grau de abrangência e motivação, relação custo benefício, etc. Uma vez decidida a favor da execução do método deve ser analisado as condições ambientais, tais como: local da realização do método, colaboradores, etc. CAMPANHA Conceito A Campanha é um método planejado, utilizado em extensão rural, para solução de problemas comuns de um grande numero de pessoas. Ela consiste na concentração de uma seqüência de informações e de atividades, em um assunto específico, e período determinado, visando influenciar a população na adoção da prática ou atividade recomendada. A duração de uma campanha dependerá das ações e a serem desenvolvidas e do publico a ser atingido. Contudo, não deverá ser longa demais. Pré – requisitos: Para certificar-se de que a campanha é o método adequado à realidade existente, antes de qualquer iniciativa, o extensionista deve preceder uma análise, respondendo positivamente a estas questões: - O problema afeta grande número de pessoas? - O problema é de solução relativamente fácil? - A campanha poderá iniciar e concluir em um prazo determinado (curto, médio e longo)? - Os objetivos da campanha poderão ser estabelecidos com precisão? - Existem recursos suficientes à condução da campanha (humano, material, financeiro); - Os resultados da campanha poderão se medidos e avaliados? Objetivos - Solucionar problemas que afetam grande número de pessoas; - Integrar cooperação e esforços inter-institucional e comunitários, à 98 solução de problemas da população rural. Vantagens - Atinge grande número de pessoas; - Mobiliza recursos diversos; - Possibilita alcançar resultados significativos em determinado espaço de tempo; - Divulga e valoriza os trabalhos do escritório local, da EMATER e de outros órgãos. Exigências - Exige planejamento participativo; - Exige coordenação eficiente; - Exige recursos especiais; - Exige mensuração e avaliação. Fases de Campanha: A Campanha educativa é composta de cinco fases subseqüentes, sendo: Planejamento Materiais e Equipamentos Treinamento de colaboradores Realização Avaliação Planejamento Reunião preliminar da equipe local para decidir sobre a realização da campanha, ponderando sobre os seguintes aspectos: - Os pré-requisitos, os objetivos, as vantagens e as exigências; - As condições das comunidades rurais a serem alcançadas; estradas, agrupamentos, situação socioeconômica e tecnológica, meios de comunicação, liderança atuantes, problemas comuns e sentidos pela população; - Barreiras existentes à solução do problema selecionado para a campanha; - Com base nestes dados, a equipe elabora um esquema de programação da campanha, contendo: problema, soluções, objetivos, metas, público, situação das comunidades e público a ser alcançado, meios de comunicação, calendário de atividades, recursos necessários, comissão da campanha; - Reunião da equipe com autoridades, lideranças e representantes de órgãos afins, para propor a realização da campanha, confirmando e ou reajustando a programação – tentativa, buscando junto aos mesmos a colaboração necessária; - Reunião da comissão da campanha para elaborar definitivamente a programação e providenciar a impressão desse material. 99 Materiais e Equipamentos: A comissão da campanha deve providenciar os materiais e os equipamentos necessários, à condução da campanha. Esta providencia envolve seleção, produção e organização, de um modo geral. Materiais prováveis: folhetos, cartas circulares, papel, caneta, álbum seriado, slides e outros específicos ao assunto, exemplo vacinas. Equipamentos prováveis: suporte de álbum seriado, filmes, e outros específicos ao assunto, exemplo seringas e agulhas. Treinamento de Colaboradores e Líderes Para garantir o apoio efetivo, a comissão deve realizar treinamentos rápidos,em reuniões, ou visitas com informações a líderes comunitários, imprensa, rádio, televisão, comércio e outros colaboradores, fornecendo material escrito e definindo a forma de colaboração necessária. Realização A realização da campanha compreende três etapas, consecutivas, sendo: Lançamento, desenvolvimento, concentração. Lançamento O lançamento é feito através de solenidade, com a presença de autoridades, lideranças, representantes institucionais e colaboradores, com finalidade de legitimação, divulgação e promoção. A comissão toma providencias, como: convites, avisos em alto-falantes, faixas, organização do salão para reunião formal, transmissão e documentação da solenidade (rádio, jornal, fotografias, gravação). Além disso, coordena a composição da mesa, informa sobre os objetivos da reunião e a ação a ser desenvolvida, informa os colaboradores e a forma de colaboração, passa a palavra aos oradores oficiais e encerra a reunião. Desenvolvimento O desenvolvimento da campanha consiste na organização de esforços, recursos e ações à fase de concentração. A comissão toma providencias quanto a: programa de rádio que irão ao ar, correspondências, artigos técnicos, notícias e visitas para informar, alertar e motivar o público a participar da campanha. Concentração A concentração da campanha é a fase de execução real do que foi planejado. É ação concentrada e utilizar-se todos os meios de comunicação direta e indireta, para produzir impacto, tais como: reuniões, demonstração, rádio, jornal, cartazes, faixas, folhetos, projeções de slides e ou filmes,etc. 100 PLANO PARA CAMPANHA DE SANEAMENTO AMBIENTE RURAL(exemplo) Nesta fase, a comissão reúne-se, periodicamente, com os técnicos, líderes e colaboradores diretos, para certificar do andamento dos trabalhos, solucionar problemas e tomar providências necessárias ao alcance dos objetivos. Avaliação A campanha deve ser avaliada durante a sua realização e no final da mesma, para aperfeiçoar a utilização do método e medir os resultados alcançados. Os aspectos a serem avaliados, são: - Atuação da comissão, dos líderes e dos colaboradores; - Alcance do público desejado; - Qualidade das palestras e das demais orientações técnicas; - Cumprimento da programação; - Qualidade e suficiência do material (técnico didático e divulgação); - Resultados obtidos; - Alcance dos objetivos e metas. Avaliação pode ser realizada com entrevistas, com questionários (por amostragem), em reuniões e/ou contatos com lideranças e colaboradores. Encerramento da Campanha O encerramento da campanha é realizado em solenidade de forma semelhante ao lançamento, visando á prestação de contas e a divulgação do trabalho realizado. Além das providencias necessárias à solenidade de encerramento e de divulgação, a comissão deve elaborar um relatório, informando sobre as ações desenvolvidas, os colaboradores e os patrocinadores, e ainda, os resultados alcançados com a campanha. Materiais e equipamentos necessários - Filme sobre saneamento ambiental rural; projetor; pá; enxada; enxadão; picareta; cimento; areia; arame; folheto; cartazes; faixas; alto-falantes. Coordenação: Comissão da Campanha Participantes: - EMATER; - Secretaria da Saúde; - Prefeitura Municipal; - Sindicato Rural; - Comércio Local; 101 - Emissora de rádio. Calendário de Atividades (ver anexos). Membros da Comissão: Coordenação Geral: Secretaria da Saúde: Prefeitura Municipal Sindicato Rural: Jornal e rádio local: 102 ANEXO: CALENDÁRIO DE ATIVIDADES ORDEM ATIVIDADE ÉPOCA PÚBLICO MÉTODO LOCAL RESPONSÁVEL MATERIAIS E EQUIPAMENTOS OBSERVAÇÕES 1 Providenciar materiais e equipamentos Março Secretaria da Saúde. Prefeitura Municipal. Sindicato Rural Comercio e Imprensa Local. Visitas. Reuniões (RI) Sede Comissão Plano de campanha Organizar os materiais, os equipamentos e a divulgação necessária. 2 Envolvimento de colaboradores Março Secretaria da Saúde. Prefeitura Municipal. Sindicato Rural Comercio e Imprensa Local. Visitas. Reuniões (RI) Sede Comissão Plano de campanha Organizar os materiais, os equipamentos e a divulgação necessária. 3 Treinamento de líderes voluntários rurais (5 comunidades) Abril (1º quinzena) 30 líderes voluntários das 5 comunidades rurais selecionadas Reuniões (RI e RD) Excursão Comunidade Capoeirão (Central) Comissão secretaria da Saúde EMATER Pá,picareta, enxadão, cimento, areia e arame; folhetos, cartazes. Datashow, Notebook. Álbum seriado. Dar treinamento prático. Excursionar a um biodigestor e melhoramentos sanitários. Dividir tarefas de assessoria entre os membros da Comissão. 102 4 Lançamento da Campanha (Solenidade) Abril(2ª quinzena). Autoridades, líderes, técnicos, colaboradores, famílias rurais. Reunião (RI) Comunidade Capoeirão (Central) Comissão e Líderes Plano de campanha. Datashow, Notebook Divulgar a campanha. Motivar e envolver a participação. 5 Educação Sanitária sobre Medidas de Saneamento Ambiental (Projeção) Secretaria da Saúde EMATER Filme . Datashow, Notebook Motivar e envolver a participação 6 Encerramento / Avaliação (Solenidade). 2ª quinzena Autoridades, líderes, técnicos, colaboradores e família rurais. Reuniões (RI) Capoeirão Baliza Areião Paraíso Salobro Líderes e comissão Relatório da Campanha , Datashow, Notebook Dividir tarefas entre os membros da Comissão, para o assessoramento líderes no encerramento. Divulgar os resultados alcançados. Agradecer os colaboradores. 104 BIBLIOGRAFIA BECHARA, Miguel. Extensão Agrícola. São Paulo: 1954, 527 p. RAMSAY, Jorge e outros. Extensión agrícola. Dinâmica Del Desarrollo Rural .Lima (Peru), 1972. 576 pg. ABCAR, A extensão Rural no Brasil. Rio de Janeiro: 1970, 129 p. RIBEIRO, Osmar. (organizado por). Manual de Metodologia. Viçosa, 1973. 124 p. Ruas, Elma Dias et al. Metodologia participativa de extensão rural para o desenvolvimento sustentável-Mexpar.Belo Horizonte, março 2006. 134 p.