Prévia do material em texto
constâncias O conjunto específico de regras perceptivas que a criança deve adquirir para dar sentido ao mundo físico ao seu redor, são chamadas constâncias perceptivas. Quando você observa uma pessoa se afastar, a projeção da pessoa em sua retina diminui. Ela não diminuiu de tamanho, apenas sabemos que ela se afastou, isso é denominado constância do tamanho. Outras constâncias incluem a habilidade de reconhecer que as formas dos objetos são as mesmas, apesar dos diferentes ângulos sob os quais eles possam ser visto, denominada constância da forma e a habilidade de reconhecer que as cores são constantes, mesmo com a mudança de luz ou sombra sobre elas, denominada de constância da cor. Em conjunto, as constâncias integram-se no conceito mais amplo, o conceito de constância do objeto, que é o reconhecimento que os objetos permanecem os mesmos apesar de parecerem mudar em alguns aspectos. As constâncias se desenvolvem a partir das cinco primeiras semanas ficando completamente desenvolvida com aproximadamente 4 anos. Ilusões Apofenia é um fenômeno cognitivo de percepção de padrões aleatórios, presente em todos nós, muito utilizado em ilusões de óticas e também em superstições religiosas (Ocorre muito naqueles vídeos “Vulto de Jesus aparece em filmagem de criança brincando” quando na verdade era uma mancha na câmera por exemplo) onde a mente da pessoa acaba tirando conclusões precipitadas sobre uma informação inconclusiva vista, sentida, geralmente enganando a pessoa. A Pareidolia é um tipo de apofenia, uma característica psicológica, que envolve um estímulo vago em nossos cérebros (geralmente uma imagem, luz ou som) onde esses dados inconclusivos em nossas mentes nos remetem a algo. É por conta da pareidolia que identificamos animais nas nuvens, vemos rostos humanos em objetos, olhamos aqueles emoticons do whatsapp e conseguimos identificar as reações e expressões, a pareidolia também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo (cof cof xuxa cof cof). O cientista Carl Sagan, em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, descreve que nós, seres humanos, desde que nascermos temos essa habilidade para identificar um rosto humano, provavelmente sendo uma técnica de sobrevivência natural. Isso quer dizer que, com mínimos detalhes, conseguiremos reconhecer rostos mesmo com fraca visibilidade, podendo nos proteger. Isso também nos induz a erros, onde nosso cérebro enganado pela pareidolia, nos mostra certos padrões aleatórios (som, imagem) como rostos, e é ai que entra a parte legal da coisa: Pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia. Em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações para muitas ilusões criadas pelo cérebro, por exemplo, discos voadores, monstros, fantasmas, mensagens gravadas ao contrário em músicas entre outros.[1] O fenômeno psíquico, diante de uma figura com dados aleatórios, pode variar segundo o ângulo do observador. Para uma criança, por exemplo, uma figura notada talvez possua formas que tragam à lembrança animais de estimação, personagens de desenhos animados ou qualquer outra coisa condizente com a faixa etária de compreensão sobre coisas. Para uma pessoa com uma faixa etária superior, a mesma figura assume formas diferentes conforme a capacidade criativa de associação de formas. Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente. O astrônomo Carl Sagan aventou uma explicação no livro O Mundo Assombrado pelos Demônios:[2] “ Os humanos, como outros primatas, são um bando gregário. Gostamos da companhia uns dos outros. Somos mamíferos, e o cuidado dos pais com o filho é essencial para a continuação das linhas hereditárias. Os pais sorriem para a criança, a criança retribui o sorriso, e com isso se forja ou se fortalece um laço. Assim que o bebê consegue ver, ele reconhece faces, e sabemos agora que essa habilidade está instalada permanentemente em nossos cérebros. Os bebês que há 1 milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos sorrisos, eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Nos dias de hoje, quase todos os bebês identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso bobo. Como um efeito colateral inadvertido, o mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros é tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde elas não existem. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face. ” Muitos concordam com Sagan quanto a tendência de reconhecer faces, mas muitos discordam quanto às alegadas vantagens evolutivas para a sobrevivência da criança. A pareidolia não representa somente fenômenos visuais mas também auditivos onde pessoas executam músicas no sentido contrário e ouvem palavras ou até mesmo sentenças inteiras. Apesar de existir uma técnica sonora de mascarar mensagens sobre uma gravação (conhecida como Backmasking), é comum muitos entenderem frases ou palavras onde só há um ruído incoerente. Recentemente ocorreu um típico caso de pareidolia na Universidade Queen, em Ontário, Canadá, onde médicos viram rosto humano em ultrassom de tumor. A pareidolia é quando o cérebro procura padrões em todos os lugares. E isso baseado no que a pessoa quer ver (ainda que de forma inconsciente). Os próprios emoticons são uma representação da pareidolia, afinal, um símbolo de “dois pontos” e um “fecha parênteses” podem simbolizar uma carinha feliz 🙂 ; mas se for um “abre parênteses”, será uma carinha triste 🙁 . Apofenia é um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica.[1] Inicialmente descrita como sintoma de psicose, a apofenia ocorre no entanto em indivíduos perfeitamente saudáveis mentalmente. Do ponto de vista da estatística é um Erro do tipo I, ou seja, tirar conclusões de dados inconclusivos. Em um exame pode levar a um resultado falso positivo. Psicologicamente é um exemplo de viés cognitivo. Ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia como a impressão de ver Jesus em uma torrada.[2] No teste projetivo de manchas Rorschach a apofenia é estimulada com o objetivo de identificar padrões significativos na vida do indivíduo que ele projeta sobre a mancha. Utilidade evolutiva Existem várias vantagens em perceber padrões na natureza para prever o futuro ou evitar perigos.[carece de fontes] Por exemplo, se você observa um vulto e identifica como um animal perigoso evitá-lo poderia salvar sua vida. Caso você não considerasse a impressão do vulto suficientemente conclusiva, ignorando a possível associação com perigo, e realmente fosse um animal perigoso você poderia morrer. Na lógica evolutiva é melhor prevenir que remediar e por isso é mais vantajoso ver um excesso de padrões mesmo onde eles não existem do que negligenciá-los e correr riscos desnecessários Principio da Constância O princípio da constância é um dos princípios – base do aparelhopsíquico. Este princípio tem como função manter o nível quantitativo de excitações que o aparelho psíquico recebe de dentro e de fora, baixo. É um princípio que possibilita a manutenção do aparelho psíquico num nível considerado calmo e harmonioso. A constância desse nível é aquela que se pretende enquanto nível satisfatório. Essa constância é obtida por um lado pela descarga da energia já presente e por outro lado a evasão que pode aumentar a quantidade de excitação e também a quantidade de defesa contra esse aumento. O princípio de constância está na base da teoria económica freudiana. O princípio da constância é o pressuposto que rege o funcionamento da mente. Procura manter constante em si a soma das excitações a partir da ação de mecanismos de evitamento das excitações externas e defesa e descarga dos níveis de tensão de origem interna. O princípio da constância está intimamente relacionado com o princípio de prazer na medida em que o desprazer pode ser considerado numa perspectiva económica como a percepção subjetiva de um aumento de tensão e o prazer como traduzindo a diminuição dessa tensão. Contudo, a sensação de prazer pode acompanhar um aumento de tensão e também um aumento de estimulação. Assim sendo, a relação entre o princípio da constância e o princípio do prazer não se resume a uma relação de proporcionalidade simples mas sim, a uma procura de constância, mesmo que essa implique uma diminuição do prazer. O princípio da constância é diferente do princípio de nirvana, que tende a colocar o aparelho psíquico na tensão de nível 0. O autor, Sigmund Freud (1856-1939) defendeu que o princípio da constância como um princípio fechado cuja soma das energias se mantêm constantes. O princípio da constância pode ser entendido como princípio de termodinâmica, num sistema nas quais as diferenças de níveis energéticos tendem para a igualização, de maneira que o estado final ideal é o de equilíbrio, em relação a tudo o que o rodeia. Não é defendido que os factos psicológicos estão reduzidos a esse princípio, mas que os factos psicológicos tendem, nas suas diversas transformações, para o princípio da constância, implique essa, o prazer ou o desprazer. O que o autor se propôs foi fundamentar a possibilidade de traduzir, também, as ações, pensamentos e representações mentais, numa linguagem energética com vínculos bem expressivos à neurofisiologia. Dos trabalhos de Sigmund Freud, que mais se destacam as diversas explicações sobre o princípio da constância, destacam-se: Para Alem do Princípio do Prazer, 1925 Projeto para uma Psicologia Cientifica, 1895 A Interpretação dos Sonhos, 1900 Palavras – Chave: Princípio da Constância, Principio do Prazer, Termodinâmica, aparelho psíquico Bibliografia: Laplanche, J. & Pontalis, J.-B. (1990) Vocabulário de Psicanalise. Lisboa: Editorial Presença (obra original publicada em 1967) A Polemica do Vestido ensina: Nós vemos o que pensamos! Nosso cérebro vem equipado com um mecanismo que se chama constância perceptual. Para que serve isso? Para trazer um pouco de estabilidade para nossas vidas já tão conturbadas. No caso específico da cor, a constância é um mecanismo que está o tempo todo descontando as mudanças na iluminação para que a cor dos objetos se mantenha estável. Sem a constância de cor perceberíamos os objetos mudando constantemente de cor porque a luz emitida pelos mesmos – de fato – muda de acordo com a mudança na iluminação, seja natural ou artificial. Em outras palavras, não vemos diferenças onde elas existem e, portanto, “não vemos o mundo como ele é, mas sim como pode nos ser útil” como afirma Beau Lotto. Alguns cérebros assumem que a iluminação é amarela e descontam essa iluminação percebendo o vestido azul-e-preto e outros assumem que a iluminação é azul e descontam essa iluminação percebendo o vestido dourado-e-branco. A simulação abaixo é a que melhor ilustra a diferença entre aquele que desconta a iluminação azul (esquerda) e aquele que desconta a iluminação amarela (direita). Se a tarefa fosse decidir entre uma iluminação azul ou verde o vestido não tinha virado sucesso. Azul e verde não são cores oponentes e as diferenças teriam passado desapercebidas. Descontar a iluminação azul gera uma percepção onde predomina amarelo e descontar o verde gera uma percepção onde predomina o vermelho. Amarelo e vermelho são duas cores diferentes mas entre uma e outra existe uma infinidade de amarelos-avermelhados, amarelos-alaranjados, laranjas-avermelhados, entre muitas outras descrições similares que já estamos acostumados e não causaria nenhuma polêmica. No caso do azul e do amarelo, que são cores oponentes, quando o cérebro assume um ou outro o resultado perceptivo difere completamente. Descontar a iluminação azul gera uma percepção onde predomina amarelo e logo as pessoas percebem dourado-e-branco enquanto descontar o amarelo gera uma percepção onde predomina o azul e as pessoas percebem azul-e-preto. Entre o azul e o amarelo não existe nenhum intermediário porque não existem azuis-amarelados ou amarelos-azulados e, portanto, nomeamos de amarelo ou dourado ou qualquer outro nome que não contenha azul ou, então, nomeamos de azul ou qualquer outro nome que não contenha nada de amarelo e é aí que reside a diferença gritante. O que faz uma pessoa ver dourado-e-branco e uma outra pessoa ver azul-e-preto? Na minha pesquisa, 50% percebem dourado-e-branco e 50% percebem azul-e-preto. Se esse resultado for confirmado, a escolha entre ver dourado-e-branco ou ver azul-e-preto pode ser mero resultado do acaso orquestrando nossos cérebros assim como tirar cara ou coroa é também uma obra do acaso. Se minha amostra não for confirmada, a resposta mora em algum outro lugar e Drummond estava certo porque “cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua myopia”. Nesse caso, uma pesquisa mais adiante poderia nos ajudar a entender o que difere os que veem dourado-e-branco dos que veem azul-e-preto, mas de uma forma ou de outra, está todo mundo com a razão porque nossas mentes foram projetadas para ver um pouco mas não muito e isso varia de cérebro para cérebro. A cor é muitas vezes pensada como uma qualidade do objeto ou da luz, mas isso não é verdade. A cor é um fenômeno mental determinado por processos neuronais e a luz é apenas o início desse processo que termina com a percepção de uma ou mais cores. A experiência do azul-e-preto ou do dourado-e-branco, assim como todas as outras cores, é uma construção mental. A versão longa desse artigo pode ser lida em A Polemica do Vestido ensina: Nós vemos o que pensamos! Claudia Feitosa-Santana é neuroscientista e especialista em percepção de cores com mestrado em psicologia experimental e doutorado em neurociências e comportamento pela Universidade de São Paulo, e pós-doutoramento em neurociências integradas pela Universidade de Chicago. Mora em Chicago e é atualmente professora da The School of The Art Institute of Chicago e da Roosevelt University. Esse conhecimento é antigo mas ainda pouco ensinado nas escolas em geral. Isaac Newton brilhantemente escreveu em seu livro Opticks publicado pela primeira vez em 1704: “E se em algum momento eu falo de luz e raios como coloridos ou dotados de cores, gostaria de ser entendido como não falando filosoficamente e corretamente, mas grosseiramente – tais concepções seriam apenas atribuídas por pessoas leigas ao observar esses experimentos. Para falar corretamente, os raios não são coloridos. Neles não há nada além de um certo poder e disposição para gerar a sensação desta ou daquela cor”. Mais de 200 anos depois, W. D. Wright foi inspirado pelas palavras de Newton e publicou um livro chamado “Os raios não são coloridos”, em 1967, afirmando que “a percepção de cores está dentro de nós e as cores não podem existir a menos que haja um observador para percebê-las. A cor não existe nem mesmo na cadeia de eventos entre os receptores da retina e o córtex visual, mas apenas quando a informação é finalmente interpretada na consciência do observador”.