Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
2 
 
SUMÁRIO 
 
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO ...................................................................................... 3 
UNIDADE 2 – PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ........................................................... 6 
2.1 Definição e histórico de psicologia ........................................................................ 6 
2.2 Behaviorismo: contribuições essenciais ................................................................ 8 
2.3 Psicanálise: contribuições essenciais ................................................................. 11 
2.4 Psicologia da Educação ...................................................................................... 15 
UNIDADE 3 – O DESENVOLVIMENTO DO ESTUDANTE ...................................... 24 
3.1 Concepção inatista X Concepção ambientalista ................................................. 26 
3.2 Piaget e a aprendizagem..................................................................................... 30 
3.2.1 Conceitos principais ......................................................................................... 30 
3.2.2 Estágios de desenvolvimento cognitivo ............................................................ 32 
3.2.3 Piaget e a aprendizagem .................................................................................. 41 
3.3 Vygotsky e a aprendizagem ................................................................................ 41 
3.4 Fases do desenvolvimento psicossexual de Freud e implicações na 
aprendizagem ............................................................................................................ 45 
UNIDADE 4 – PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM ................................................ 53 
4.1 Aprendizagem e psicologia da aprendizagem ..................................................... 53 
4.2 Processos psicológicos do estudante e a aprendizagem .................................... 55 
4.3 Teorias da Aprendizagem: aprendizagem de crianças (Piaget e Vygotsky) X 
aprendizagem de adultos (Knowles): ........................................................................ 60 
4.4 Afetividade, autoestima, relações interpessoais e aprendizagem ....................... 62 
4.5 Dificuldades de aprendizagem ............................................................................ 70 
4.6 Habilidades metalinguísticas ............................................................................... 72 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 74 
 
3 
 
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO 
 
Talvez possa parecer estranho numa apostila de Psicologia da Educação, ao 
invés de citarem-se as obras originais, você se deparar com o estudo de obras 
clássicas (tais como Freud, Piaget e Vygotsky) citados a partir de outras obras 
(também conceituadas, como renomados livros de Desenvolvimento humano ou 
Teorias da Personalidade). Isso não ocorreu devido à dificuldade em localizar o 
original, visto que são obras disponíveis em livrarias, para venda, em bibliotecas 
públicas e algumas delas ainda disponíveis no domínio público, na internet. A 
escolha desse tipo de consulta (fonte indireta) das obras de deu pelo seguinte 
critério: tempo de execução de material e limite de páginas. Como será possível 
observar a seguir, muitos temas serão abordados, alguns bastante densos, portanto, 
a leitura dos originais tornaria a compilação e redação ainda mais extensa. A 
pesquisa a partir de uma fonte indireta não é a opção mais recomendada, mas 
devido a esse caso foi a opção mais viável e, por se tratar de obras renomadas, de 
conteúdo fidedigno e já mais sucinto, o conteúdo se tornou mais apropriado para a 
redação da apostila. 
Também já justificamos o uso de algumas citações de citações (apuds), o 
que não é recomendado do ponto de vista da metodologia da pesquisa, porém, se 
fez necessário em algumas situações devido à dificuldade em se localizar algumas 
obras originais. Sugerimos que, na introdução, anotem as questões que mais 
despertaram sua curiosidade ou dúvidas e após o estudo da apostila revejam se as 
mesmas ficaram realmente claras. 
Enquanto orientadores, sempre orientamos a pesquisa de materiais 
recentes, porém, ao se utilizar obras clássicas (como nesses casos) isso não se faz 
possível – ainda mais em caso de livros que já possuem edições mais recentes, 
porém lançamos mão de cópias mais antigas. Fora isso, é sempre importante 
mantermos o conhecimento científico atualizado! 
Quando vamos estudar – ou nos aperfeiçoar – em determinada área de 
saber e surge uma disciplina um pouco diferente daquela de nossa formação 
sempre surge aquela pergunta: “Por que preciso saber isso?” No caso de vocês, 
profissionais da educação, essa pergunta já foi respondida durante a graduação. 
Vocês já tiveram suas satisfações e críticas com a psicologia enquanto 
teoria e instrumento de aplicação prática em suas salas de aula. Nossa proposta 
4 
 
aqui é tentar criar mais pontos de satisfação e diminuir as críticas destrutivas com 
essa disciplina tão próxima da educação. Tão próxima que nasceu de uma base 
comum com a educação e a pedagogia, que também são da área de humanas: 
somos irmãos, filhos de uma mesma filosofia: 
 
Normalmente os historiadores da Psicologia identificam suas primeiras 
raízes em duas abordagens diferentes para a compreensão da mente 
humana: 
 A Filosofia busca entender a natureza geral de muitos aspectos do 
mundo, parte por meio da introspecção, ou seja, o exame das ideias e 
experiências internas (intro = para dentro; spectione = olhar, inspecionar). 
 A Fisiologia busca um estudo científico das funções vitais dos 
organismos vivos, basicamente por meio dos métodos empíricos (baseados 
na observação) (STEINBERG, 2010, p.3). 
 
Convidamos vocês a partirem para esse mundo da observação – que 
descende da nossa herança fisiológica – e conhecer mais nosso aluno e como ele 
aprende. 
A temática “Psicologia da Educação” é muito ampla, sendo necessária, para 
a confecção do material, uma seleção criteriosa de temas, teorias e materiais que 
servissem de subsídio teórico para que o profissional da educação possa fazer uma 
observação criteriosa de sua prática em busca de aprimorá-la, detectar pontos de 
melhoria, visar a melhoria das relações interpessoais, encaminhar o aluno para 
acompanhamento profissional, quando necessário. 
Inicialmente, pretende-se conceituar a psicologia e apresentar o 
Behaviorismo e a Psicanálise, sempre articulando as escolas psicológicas com a 
educação. Em seguida, nessa mesma seção, visa-se apresentar os conceitos de 
psicologia educacional e escolar, assim como diferenciar a práxis do psicólogo 
educacional como oferecer subsídios teóricos da psicologia para a equipe 
multiprofissional que atua na escola. 
Na outra seção, inicia-se falando sobre o processo de desenvolvimento do 
estudante, enfatizando-se as concepções inatistas e ambientalistas. As teorias de 
Freud e Piaget sobre o desenvolvimento serão exploradas. 
Na última parte do trabalho, falaremos das teorias da aprendizagem de 
Piaget, Vygotsky, Freud e Knowles, visando diferenciar os processos de 
aprendizagem da criança e do adulto. Aspectos cognitivos, afetivos e relacionais 
serão apresentados como facilitadores ou dificultadores do processo de 
aprendizagem. 
5 
 
Os principaismateriais pesquisados para a confecção dessa apostila foram 
Gazzaninga e Heatherton (2005), Papalia, Olds e Feldman (2006), Cole e Cole 
(2005), Coll, Marchesi e Palacios (2004), Cassins et al. (2007), Hall; Lindzey(1984), 
Schultz, Schultz (1992), dentre outros. 
 
Bons estudos! 
6 
 
UNIDADE 2 – PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 
 
2.1 Definição e histórico de psicologia 
Neste momento não iremos aprofundar no estudo do histórico da psicologia, 
visto que isto fugiria do escopo desta apostila, apenas citaremos alguns autores, 
escolas e linhas de pensamento que foram significativas no contexto histórico e que, 
ainda hoje, são relevantes no contexto da psicologia educacional. Os teóricos e 
teorias citados nessa seção serão devidamente aprofundados em momentos 
oportunos nesse mesmo material. 
 
Recuperar a história da psicologia se faz necessário, visto que somente 
dessa forma compreenderemos sua diversidade hoje e sua relação com 
áreas do conhecimento como antropologia, sociologia, educação, filosofia, 
dentre outras (MAIA, 2008, p.14). 
 
A palavra “Psicologia” remete ao grego psyché, que significa “alma”, e logos, 
que significa “razão”. Assim, inicialmente compreende-se psicologia como o estudo 
da alma (MAIA, 2008). 
Schultz e Schultz (1992) elucidam que para a sua efetivação enquanto 
ciência e profissão – tal como se estabeleceu nos dias de hoje – a psicologia sofreu 
influência da fisiologia e da filosofia. 
“Sabe-se que a psicologia se desenvolveu no fim do século XIX como fruto 
da filosofia e da fisiologia experimental” (HALL, LINDZEY, 1984, p.3). 
Descartes (1596-1650) inaugurou a psicologia moderna ao sugerir que a 
mente influencia o corpo, ao mesmo tempo em que o corpo pode exercer sobre a 
mente uma influência maior do que até então se supunha, o que é um grande 
avanço, pois, desde as ideias de filósofos clássicos, como Platão, acreditava-se que 
a mente (ou alma) e o corpo possuíam naturezas diferentes. Observa-se que aqui já 
não se fala mais em alma, como na definição clássica de psicologia, mas em mente 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 1992). 
 
A ideia mais radical de Descartes foi sugerir que, embora a mente 
conseguisse afetar o corpo, o corpo também conseguia afetar a mente. Por 
exemplo, ele acreditava que paixões, como amor, ódio, tristeza, surgiam do 
corpo e influenciavam os estados mentais, embora o corpo agisse sobre 
essas paixões por meio de seus mecanismos. Dessa maneira, Descartes 
aproximou mente e corpo ao focalizar suas interações (GAZZANIGA; 
HEATHERTON, 2005, p.48). 
 
7 
 
Maia (2008) ressalta que a psicologia começou a se fazer presente no final 
do século XIX, na Alemanha. Dentre os estudiosos alemães, podemos destacar 
Wundt, Weber e Fechner. 
Wundt (1832-1920) merece destaque, reconhecido como o fundador da 
psicologia experimental enquanto disciplina acadêmica. Antes dos seus estudos não 
acreditava-se que os fenômenos psicológicos podiam ser estudados 
experimentalmente, apenas que esses podiam ser descritos e discutidos 
(GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005). “A psicologia de Wundt recorreu aos métodos 
experimentais das ciências naturais, particularmente às técnicas usadas pelos 
fisiologistas [...]. O objeto de estudo de Wundt era, em uma palavra, a consciência” 
(SHULTZ; SCHULTZ, 1992, p.81). 
Os estudos sobre a psicologia não se restringiram à Alemanha, logo a 
corrente se espalhou pelos Estados Unidos, de onde podem se destacar os estudos 
de Titchner (1867-1927), que ampliou a corrente de Wundt e a denominou de 
Estruturalismo (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005; MAIA, 2008). 
James (1842-1910), também dessa corrente fora da Alemanha, criticou o 
Estruturalismo e criou a o Funcionalismo, outra corrente psicológica que também só 
será citada (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005; MAIA, 2008). 
A partir dessas correntes psicológicas surgiram várias outras linhas, muitas 
das quais de vital importância para a psicologia enquanto ciência e profissão até os 
dias de hoje. Entende-se que a psicologia pode ser aplicada diretamente pelo 
profissional da psicologia em diferentes contextos, como, por exemplo, clínico, 
educacional, hospitalar, jurídico, dentre outros, ao mesmo tempo que pode servir de 
subsídio para o entendimento do funcionamento psíquico do ser humano. Por isso, a 
psicologia é uma disciplina que serve como base para a formação de outros 
profissionais que também lidam com seres humanos – sejam das áreas da saúde, 
educação ou humanas, por exemplo – e carregam, desde os seus primórdios, as 
bases na filosofia e na fisiologia – assim como a psicologia – como pudemos 
observar nesse breve histórico. 
No decorrer do contexto histórico da psicologia, a partir desse momento 
histórico em que definimos até aqui, surgiram duas escolas psicológicas que são de 
interesse para o profissional da educação: o behaviorismo (ou comportamentalismo); 
e a psicanálise. Falaremos brevemente das mesmas agora ao enquadrar as 
8 
 
mesmas dentro de um contexto histórico e, logo a seguir, traremos a contribuições 
necessárias dessas escolas para a Educação. 
“Behaviorismo - Nasceu nos Estados Unidos, com Watson, elevando o 
status de ciência à psicologia. Seu principal representante é Skinner” (MAIA, 2008, 
p.16). Seu fundador foi Watson (1878-1958), mas teve também outro nome de 
grande importância, Skinner (1904-1990). O behaviorismo ou comportamentalismo 
enfatiza o papel do ambiente no comportamento (SCHULTZ; SCHULTZ, 1992; 
GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005). 
“Psicanálise – Nasceu com Freud, na Áustria, a partir da sua prática médica. 
Postula o inconsciente como objeto de estudo. Enfatiza que determinados impulsos 
instintivos seriam de origem sexual” (MAIA, 2008, p.16). Segundo Freud (1856-
1939), criador da psicanálise: “Todas as criações humanas, sem exceção – os 
esportes, as artes, a ciências, entre outras, estão ancoradas num desejo sexual 
indestrutível que constitui o núcleo do inconsciente” (JORGE; FERREIRA, 2002, p.7-
8). 
 
2.2 Behaviorismo: contribuições essenciais 
O behaviorismo ou comportamentalismo preconiza uma abordagem mais 
científica da psicologia e, em linhas gerais, enfatiza o papel das forças ambientais no 
comportamento humano. Os primeiros estudos dos behavioristas 
(comportamentalistas) aconteceram em laboratórios de psicologia, com animais. 
(GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005). 
Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), nessa abordagem, o indivíduo 
mostra-se passivo perante seu desenvolvimento, já que o ambiente desempenha um 
papel principal, ou seja, as pessoas são reativas e o ambiente controla o 
comportamento. 
Dentre os teóricos behavioristas, merece destaque Skinner, que 
desenvolveu muitos estudos com animais em laboratórios de psicologia para 
investigar o comportamento destes. Ele desenvolveu a caixa de Skinner, local onde 
desenvolveu técnicas de reforço e condicionamento em ratos, as quais podiam ser 
adequadas posteriormente para serem aplicadas em pessoas, como técnicas de 
aprendizagem (SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005; 
MAIA, 2008). 
9 
 
Segundo Maia (2008), Skinner carrega consigo a visão de que o indivíduo é 
uma tábula rasa e que precisará do meio para ser preenchido e moldado. Essa visão 
será aprofundada a seguir com a visão ambientalista. 
Assim, no que diz respeito à aprendizagem, para Skinner, a aprendizagem 
ocorre através da influência dos estímulos do meio, por isso o autor defende que os 
estímulos precisam ser condicionados (MAIA, 2008). 
Para o behaviorismo há dois tipos de comportamento que merecem 
destaque para nós: o respondente e o operante. Segundo Schultz e Schultz (1992), 
no comportamento respondente “a resposta comportamental é suscitada porum 
estímulo observável específico” (p.281), enquanto que no condicionamento operante 
“a resposta do organismo é aparentemente espontânea – no sentido de não estar 
relacionada com nenhum estímulo observável” (p.281). 
Segundo Maia (2008), relacionam-se ao comportamento respondente 
(reflexo) as interações estímulo-resposta entre ambiente-sujeito incondicionadas, ou 
seja, aqueles comportamentos provocados por estímulos antecedentes ao ambiente 
(exemplo: arreio de frio). Por outro lado, o comportamento operante é intencional, 
são aqueles relacionados diariamente de forma desejada (exemplo: ler um livro). 
Papalia, Olds e Feldman (2006) sintetizam a definição de comportamento operante 
ao afirmar que nesse tipo de aprendizagem a pessoa repete o comportamento que 
foi reforçado e cessa o comportamento que foi punido. 
“Outra diferença entre o comportamento respondente e o operante é que o 
comportamento operante opera no organismo, ao passo que o respondente não o 
faz” (SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, p.281). 
Entende-se como reforço qualquer estímulo que possibilite o aumento da 
probabilidade de resposta, podendo os reforços ser positivos ou negativos. (MAIA, 
2008). Os reforços são mais eficazes quando seguem um comportamento 
imediatamente. 
 
O reforço positivo consiste em dar uma recompensa, como comida, troféu, 
dinheiro, elogio – ou brincar com um bebê. O reforço negativo consiste em 
tirar alguma coisa que o indivíduo não gosta (conhecido como evento 
aversivo), como, por exemplo, um ruído intenso (PAPALIA; OLDS; 
FELDMAN, 2006, p.73). 
 
Importante não confundir os conceitos de reforço negativo e punição. 
Enquanto o reforço negativo consiste em retirar do indivíduo algo que ele não goste 
10 
 
(o que faça com que ele se sinta beneficiado com isso), a punição é definida como 
um estímulo experimentado após um comportamento (bater numa criança ou aplicar 
um choque elétrico num animal) ou retirar um evento positivo (não permitir assistir 
televisão ou ir ao recreio). 
 
Skinner e seus seguidores fizeram muitas pesquisas sobre problemas de 
aprendizagem, tais como o papel da punição na aquisição de respostas, o 
efeito de diferentes problemas de reforços, a extinção da resposta operante, 
o reforço secundário e a generalização. [...] No caso dos seres humanos, o 
comportamento operante envolve a resolução de problemas, reforçada pela 
aprovação verbal ou pelo conhecimento de ter dado a resposta correta 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, p.281). 
 
O comportamento verbal é, segundo Skinner, a única área em que há 
diferenças no condicionamento entre o homem e o rato. O comportamento verbal 
exige a interação de duas pessoas: um falante e um ouvinte. No caso da criança que 
está aprendendo as primeiras palavras, o adulto – o ouvinte – pode, através do seu 
comportamento, reforçar, não reforçar ou punir a criança pelo que disse ou não 
disse, assim controlando seu comportamento subsequente. “Para Skinner, a fala é 
comportamento, estando, pois, sujeita, como qualquer outro comportamento, sujeita 
a contingências de reforço, de previsão e de controle” (SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, 
p.284). 
Maia (2008) aponta práticas comportamentalistas muito presentes no dia a 
dia do educador como, por exemplo, reforços positivos que visam à manutenção de 
comportamentos, como estrelinhas no caderno, prêmios após o término das 
atividades, correção com “muito bem”, dentre outras mensagens motivadoras. 
 
Sendo assim, na perspectiva skinnerianna, o ensino na escola se 
processará através da relação estímulo-resposta, sendo o professor o 
responsável pelo estabelecimento de reforços positivos e negativos a fim de 
se estabelecerem comportamentos desejados (MAIA, 2008, p.33). 
 
Em síntese, a abordagem comportamental na educação é positiva pelos 
fatores elucidados na citação abaixo, porém recebe críticas por parecer 
excessivamente artificial, visto que em alguns momentos, o professor pode parecer 
um verdadeiro manipulador de comportamentos ao invés de educador. 
 
[...] trabalha com modificações de comportamento, utilizando-se de técnicas 
próprias. É especialmente utilizada quando é necessário clarificar e 
estabelecer limites, extinguir comportamentos inadequados ou para 
11 
 
desenvolver comportamentos novos. Geralmente suas técnicas, de forte 
impacto, são utilizadas juntamente com outras abordagens 
complementares. O Behaviorismo salienta a importância do planejamento 
da ação pedagógica de forma a fazer com que a aprendizagem do aluno 
gere consequências naturalmente reforçadoras (positivas) ao aprender. 
(CASSINS et al., 2007, p.28) 
 
2.3 Psicanálise: contribuições essenciais 
Como a psicanálise será um dos referenciais teóricos mais abordados nesta 
apostila, nesta seção, enfocaremos alguns dos conceitos principais da teoria 
psicanalítica que possuem aplicabilidade na educação. Em outras seções desse 
material, iremos abordar o desenvolvimento psicossexual proposto por Freud, além 
de considerações do mesmo acerca da inteligência e afetividade. 
 
a) Breve trajetória de Freud 
Freud (1856-1939) foi um grande pensador e uma personalidade que muito 
influenciou a psicologia do século XX – mesmo que sua psicanálise seja alvo de 
crítica de muitas linhas de abordagem da atualidade. 
Em linhas gerais, pelo método da psicanálise, ele buscava trazer os 
conteúdos do inconsciente para o consciente para assim trabalhar os conflitos de 
forma construtiva (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005; JORGE; FERREIRA, 2002; 
SCHULTZ; SCHULTZ, 1992; HALL, LINDZEY, 1984). 
Estudou medicina, porém também estudou biologia (zoologia e fisiologia) em 
Viena. Após formado e desinteressado da clínica médica foi começar sua carreira 
em neurologia clínica junto com pacientes que apresentavam sintomas de paralisia 
em várias partes do corpo e observou que o tratamento dispensado a essas 
pacientes no momento era a hipnose. Dando continuidade aos seus estudos em 
Paris, ouviu de Charcot – o médico que seria o seu tutor, a explicação de que a 
denominação para esses males neurológicos sem causa definida que acometia as 
mulheres era histeria e que a causa dos mesmos era sexual. A partir de então, 
Freud resolveu aprofundar nesses estudos. (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005; 
SCHULTZ; SCHULTZ, 1992). 
 
Freud deduziu que grande parte do comportamento humano é determinada 
por processos mentais que operam abaixo do nível do conhecimento 
consciente, no nível do inconsciente. Freud acreditava que as forças 
mentais inconscientes muitas vezes entravam em conflito, o que produzia 
desconforto psicológico e, em alguns casos inclusive, alguns transtornos 
mentais aparentes (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005, p.53). 
12 
 
 
No decorrer de sua prática, Freud foi ficando insatisfeito com a hipnose e, ao 
invés de sugestionar a paciente a um estado alterado de consciência, adotou como 
técnica a associação livre: “o analisando é convidado a falar tudo o que lhe passa na 
cabeça, sem exercer o crivo da censura” (JORGE; FERREIRA, 2002, p.21). 
Ele observava que com a hipnose, muitos sintomas podiam ser aliviados ou 
eliminados, porém não eram curados, além do que, nem todos os pacientes se 
mostravam em condições de ser hipnotizáveis. Na associação livre, o paciente era 
convidado a se deitar no divã e falar livremente, sem se preocupar em estabelecer 
um nexo em suas ideias. 
 
O objetivo da psicanálise freudiana é trazer à percepção consciente 
lembranças ou pensamentos reprimidos, que ele supunha ser a fonte do 
comportamento anormal do paciente. [...] Mediante a livre associação, 
Freud descobriu que as lembranças do paciente iam invariavelmente à 
infância, e que muitas das experiências reprimidas de que o paciente se 
recordava tinhamrelação com questões sexuais (SCHULTZ; SCHULTZ, 
1992, p.335). 
 
Inicialmente, Freud acreditava que todas as pacientes histéricas haviam sido 
realmente vítimas de algum tipo de situação traumática relacionada à sexualidade 
na infância, porém, com o avanço de seus estudos sobre a teoria psicanalítica, ele 
reviu este ponto e concluiu que em muitos casos o ponto chave para as neuroses 
eram fantasias de traumas sexuais infantis, e não traumas propriamente ditos 
(SCHULTZ, SHULTZ, 1992). 
A obra de Freud é muito extensa, aqui apenas iremos ressaltar o que pode 
ser de interesse para o estudo da psicologia escolar. Além dos estudos com as 
pacientes histéricas, que foram brevemente ilustrados aqui, Freud, no decorrer de 
sua carreira, estudou “Interpretação dos Sonhos”, o desenvolvimento psicossexual 
infantil (que será detalhado em outra seção), textos sobre a técnica psicanalítica, 
“Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” “Mal estar na cultura”, dentre outros 
temas que estão catalogados em sua “Coleção Standard das Obras Completas de 
Sigmund Freud”. Morreu em 23 de Setembro de 1939, em consequência de um 
câncer de boca (JORGE; FERREIRA, 2002). 
 
13 
 
b) Conceitos principais 
Desde o início, ressaltamos a importância que o inconsciente possui para a 
teoria psicanalítica, porém, Freud não fez menção a apenas essa estrutura. Na 
primeira tópica da personalidade, Freud propôs o modelo topográfico da mente, em 
que comparou a mente com um iceberg: 
 
Figura 1: Modelo topográfico da mente 
 
Fonte: EXPANDIR A MENTE (2009) . 
 
Em síntese, pode-se compreender sobre cada uma dessas instâncias que 
compõem a primeira tópica do aparelho psíquico (LAPLANCHE; PONTALIS, 1988; 
FADIMAN; FRAGER, 2002): 
 Consciente – contém pensamentos dos quais as pessoas estão cientes. 
Recebe informações do mundo exterior e interior (percepção, atenção, 
raciocínio – processos cognitivos); 
 pré-consciente – zona intermediária que abriga conteúdos que não estão 
corretamente no consciente, mas podem ser trazidos à consciência com um 
certo esforço; 
14 
 
 inconsciente – parte maior, mais importante e mais profunda do iceberg. O 
inconsciente contém desejos e motivos que estão associados a conflitos, 
ansiedade, sofrimento e o mecanismo de recalque (ou repressão) os deixam 
inacessíveis, protegendo a pessoa da angústia. Os conteúdos inconscientes 
são impossíveis de serem lembrados de forma voluntária. Formas de se 
acessar o inconsciente: sonhos, chistes, atos falhos (chistes e atos falhos são 
lapsos da linguagem), associação livre, sintoma (como foi visto na histeria). 
O mecanismo de recalque (ou repressão) é compreendido como um 
mecanismo de defesa do ego, opera inconscientemente, de modo que a pessoa não 
tem consciência do que está acontecendo. Ao reprimir (recalcar) um conteúdo, a 
pessoa está enviando para o inconsciente algum tipo de conteúdo que causa dor, 
sofrimento, vergonha, repulsa ou medo muito grandes a ela, de forma que o 
sofrimento de ligar com esses sentimentos iriam trazer prejuízos muito grandes ao 
seu ego. Hall e Lindzey (1984, p.39) ilustram sobre o processo de reclaque 
(repressão): 
 
As repressões, uma vez formadas, são difíceis de desfazer. A pessoa 
procura assegurar-se de que o perigo não existe mais, o que só consegue 
quando a repressão é suspensa e a realidade pode ser encarada de frente. 
É como um círculo vicioso. Essa é a razão por que o adulto conserva medos 
infantis. Nunca tem a possibilidade de descobrir que esses medos têm base 
na realidade. 
 
Para Freud, a personalidade é composta por três sistemas: id, ego e 
superego. Segundo Hall e Lindzey (1984): 
 o id é formado pelos aspectos psicológicos inatos, herdados, inclusive os 
instintos. Funciona de forma a descarregar a tensão interna do organismo e 
ocasionar prazer – o que ele denominou princípio do prazer; 
 o ego seleciona a quais aspectos do meio reagirá, além de decidir quais 
instintos devem ser satisfeitos e de que modo. “A diferença básica entre o id e 
o ego reside em que o primeiro conhece somente a realidade subjetiva da 
mente, enquanto que o segundo faz a distinção entre as coisas da mente e as 
do mundo exterior” (HALL; LINDZEY, 1984, p.27); 
 o superego é o representante interno dos valores da sociedade, os quais são 
transmitidos pelos pais e reforçados pelos castigos e recompensas que foram 
impostos à criança “De modo geral, podemos considerar o id como o 
15 
 
componente biológico da personalidade, o ego como o componente 
psicológico e o superego como o componente social” (HALL; LINDZEY, 1984, 
p.28). 
A partir desses conceitos da teoria psicanalítica Cassins et al. (2007) 
argumentam que esta é uma base teórica de aplicabilidade no meio educacional, 
pois: 
 
O sujeito, que é um ser singular, único e dotado de um psiquismo regido por 
uma lógica específica, é também um indivíduo que participa das relações 
interpessoais e ocupa um lugar, estabelecendo laços com o contexto social 
no qual está incluído. Sendo assim, a Psicanálise está muito atenta para a 
relação que se constrói entre professor e aluno, que é o que estabelece as 
condições para o aprender, com vistas à transmissão e apreensão do 
conhecimento. 
Cabe ao educador, na atividade educativa, a responsabilidade por construir 
e transmitir o mundo da convivência humana em que seu aluno está ou 
estará inserido. Esta é a tarefa daquele que quer educar, humanizar o 
mundo dos seres humanos e, de alguma maneira, implicar os sujeitos que o 
habitam (CASSINS et al., 2007, p.29) 
 
2.4 Psicologia da Educação 
a) Psicologia da Educação e Psicologia Escolar 
 
 
A existência da psicologia da educação como uma área conhecimento e de 
saberes teóricos e práticos claramente identificável, relacionado com outros 
ramos e outras especialidades da psicologia e das ciências da educação, 
mas, ao mesmo tempo, distintos delas, tem sua crença racional na 
convicção profunda de que a educação e o ensino podem melhorar 
sensivelmente com a utilização adequada dos conhecimentos psicológicos. 
Tal convicção, que tem suas raízes nos grandes sistemas de pensamento e 
nas teorias filosóficas anteriores ao surgimento da psicologia científica, foi 
objeto de múltiplas interpretações (COLL, 2004, p.21). 
 
O conceito de Psicologia Escolar/Educacional engloba os conceitos de 
psicologia na escola e da educação. Dentre as variações, sobre as reais atribuições 
relacionadas à Psicologia Escolar e à Psicologia Educacional, compreende-se que a 
psicologia escolar possui uma aplicação mais voltada à prática, enquanto que a 
psicologia educacional é mais voltada à área acadêmica, à pesquisa. Entretanto, 
vale a pena destacar que ambas se complementam, portanto essa dicotomia é uma 
mera distinção acadêmica, conceitual (CASSINS et al., 2007). 
Dando prosseguimento a essa discussão, Coll (2004) enfatiza que diversos 
autores propõem diferentes conceituações para a psicologia da educação, 
entretanto, todas essas definições levam em consideração a importância dos 
16 
 
componentes psicológicos para se explicar e compreender os fenômenos 
educacionais. Ao longo do percurso histórico da psicologia da educação observam-
se duas vertentes distintas: a psicologia da educação entendida como um âmbito de 
aplicação da psicologia e a psicologia da educação entendida como uma disciplina-
ponte entre a psicologia e a educação. Na atualidade, percebe-se que a psicologia 
da educação tende para essa segunda vertente, a qual será explorada nessa seção. 
Em linhas gerais, o objetivo da Psicologia Educacional/Escolar é auxiliar o 
desenvolvimento global do estudante através de um trabalho em equipe 
multiprofissional comdiretores, professores, orientadores, pais e supervisores. Seu 
trabalho visa à prevenção, avaliação, orientação psicológica e acompanhamento, 
aplicados preferencialmente no contexto institucional, em detrimento do atendimento 
individual, que só é realizado nos casos onde há realmente essa necessidade 
(CASSINS et al., 2007). 
 
A Psicologia Escolar tem como referência conhecimentos científicos sobre 
desenvolvimento emocional, cognitivo e social, utilizando-os para 
compreender os processos e estilos de aprendizagem e direcionar a equipe 
educativa na busca de um constante aperfeiçoamento do processo 
ensino/aprendizagem. Sua participação na equipe multidisciplinar é 
fundamental para respaldá-la com conhecimentos e experiências científicas 
atualizadas na tomada de decisões de base, como a distribuição apropriada 
de conteúdos programáticos (de acordo com as fases de desenvolvimento 
humano), seleção de estratégias de manejo de turma, apoio ao professor no 
trabalho com a heterogeneidade presente na sala de aula, desenvolvimento 
de técnicas inclusivas para alunos com dificuldades de aprendizagem e/ou 
comportamentais, programas de desenvolvimento de habilidades sociais e 
outras questões relevantes no dia-a-dia da sala de aula, nas quais os 
fatores psicológicos tenham papel preponderante. (CASSINS et al., 2007, 
p.17) 
 
Coll (2004) aprofunda um pouco mais nessa discussão ao elucidar os 
objetivos da psicologia da educação como disciplina-ponte entre a psicologia e a 
educação, tal como foi mostrado anteriormente. Os objetivos são estudar os 
processos de mudanças psicológicas que ocorrem nas pessoas em decorrência de 
sua participação em atividades educativas. Subentendem-se como processos de 
mudanças a aprendizagem, o desenvolvimento e a socialização (todos esses fatores 
serão abordados ao longo desta apostila), sendo importante destacar que a 
psicologia da educação se interessa pela natureza, as teorias e os aspectos 
implicados entre esses processos. 
17 
 
Compreende-se aqui a importância da abordagem multidisciplinar dos 
fenômenos educacionais, os quais precisam ser abordados como um todo. 
Dentre as finalidades da psicologia escolar podem-se destacar (CASSINS et 
al., 2007, p.23-24): 
 
 Incentivar os educadores (incluídos os próprios psicólogos) para tomada 
de posições políticas em relação aos problemas sociais que afligem a 
todos; 
 Estimular a escolha deliberada e conscientemente assumida de uma 
atuação profissional sustentada por teorias psicológicas, cuja visão 
contemple o homem em suas múltiplas determinações e relações 
histórico-sociais; 
 Assessorar a escola no desenvolvimento de uma concepção de educação, 
na compreensão e amplitude de seu papel, em seus limites e 
possibilidades, utilizando os conhecimentos da Psicologia; 
 Desenvolver uma concepção de Psicologia voltada a um compromisso 
social; 
 Propor uma concepção do fracasso escolar não como um processo 
individual; 
 Mediar os processos de reflexão sobre as ações educativas a partir da 
atuação com os diversos profissionais da educação; 
 Propor e apoiar a construção de novas alternativas sociais para auxiliar na 
administração de possíveis deficiências escolares; 
 Compreender e elucidar os processos de desenvolvimento biopsicossocial 
dos envolvidos com a escola; 
 Compreender e elucidar os processos diferenciados de desenvolvimento 
da aprendizagem (aprender a aprender) de cada aluno e de cada 
professor; 
 Compreender e clarificar a construção da subjetividade (construção do Eu) 
em cada ambiente educacional; 
 Assessorar a escola na busca da humanização do sujeito, através do 
encontro da cognição com a motricidade, os afetos e as emoções na 
educação; 
 Cultivar o enfoque preventivo: trabalhar as relações interpessoais na 
escola, visando à reflexão e conscientização de funções, papéis e 
responsabilidades dos envolvidos; 
 Buscar ser o mediador do processo reflexivo e não o solucionador de 
problemas; 
 Conscientizar o indivíduo da importância de sua participação e 
responsabilidade nos grupos em que está inserido, como a família, a 
escola, o trabalho e a sociedade. 
 
Antes de elucidarmos o papel específico do psicólogo escolar, convém 
esclarecer que a psicologia educacional é uma atividade que só pode ser 
desempenhada pelo psicólogo – profissional graduado em psicologia e devidamente 
inscrito no Conselho Regional de Psicologia da sua localidade. Porém, a psicologia 
escolar é uma área de interesse dos profissionais da área da educação – como o 
pedagogo, o profissional graduado em normal superior, os licenciados em diferentes 
áreas – pois serve de subsídio para o entendimento de processos cognitivos, 
18 
 
afetivos, psicossociais e relacionais envolvidos ao ensino-aprendizagem. Como será 
exposto na seção a seguir, algumas atividades são privativas do psicólogo, como, 
por exemplo, a aplicação de testes, inventários e avaliações psicológicas. Outras 
atividades são compartilhadas pelos profissionais que atuam na escola visando o 
bem-estar da comunidade escolar em geral. 
 
b) O psicólogo escolar 
A psicologia escolar busca um trabalho em parceria com a coordenação da 
escola, professores, familiares e demais profissionais da educação que 
acompanham o aluno dentro e fora do ambiente escolar. Para a realização deste 
trabalho, o psicólogo desenvolve atividades preventivas ou direcionadas a 
indivíduos/grupos que já possuem problemas instalados de alunos, professores e 
funcionários. Suas estratégias de atuação visam, de maneira geral, contribuir para o 
desenvolvimento cognitivo, humano e psicossocial de toda a comunidade escolar 
(CASSINS et al., 2007). 
 
O trabalho do psicólogo escolar/educacional tem como diretriz o 
desenvolvimento do viver em cidadania. Busca instrumentos para apoiar o 
progresso acadêmico adequado do aluno, respeitando diferenças 
individuais. É pautado na promoção da saúde da comunidade escolar a 
partir de trabalhos preventivos que visem um processo de transformação 
pessoal e social. Para tanto, baseia-se nos conhecimentos referentes aos 
estágios de desenvolvimento humano, estilos de aprendizagem, aptidões e 
interesses individuais e a conscientização de papéis sociais (CASSINS et 
al., 2007, p.23) 
 
Percebe-se, a partir da descrição de tarefas a serem desempenhadas pelo 
psicólogo escolar, que o trabalho desse profissional precisa ser realizado em equipe, 
juntamente com os demais profissionais da escola (professor, diretor, coordenador 
pedagógico, supervisor, dentre outros) e fora da escola, quando for o caso (médico, 
psicólogo, fonoaudiólogo, assistente social, dentre outros). 
Juntos, esses profissionais atuarão compondo uma equipe multidisciplinar, 
que pode ser compreendida como especialistas que podem interagir entre si no 
trabalho de reabilitação ou educação de pessoas com deficiências. Esses 
profissionais procuram uma interseção de conhecimentos de suas especialidades 
para uma ação terapêutica, clínica ou educativa unificada (ANDRADE, 1999). 
Convém ressaltar que o autor em questão aborda somente a questão da deficiência, 
19 
 
mas as equipes multidisciplinares não visam apenas a esse público-alvo, mas a 
todas as pessoas, independente de suas condições gerais. 
Além das escolas, os psicólogos escolares/educacionais encontram campo 
de atuação em ouras instituições, tais como clínicas especializadas, consultorias a 
órgãos governamentais, clínicas de acessória com projetos para escolas, serviços 
públicos de saúde e educação, ONGs, projetos de extensão universitária, onde se 
visa promover a educação no trabalho e pelo trabalho (CASSINS et al., 2007). 
Martinez (2009) acrescenta que, além desses espaços já mencionados, tambémpodem ser considerados locais para a prática do psicólogo educacional e escolar as 
casas abrigos, as penitenciárias, as universidades coorporativas, dentre outros 
espaços diversificados. 
Cassins et al. (2007, p.24) elucidam algumas atividades desempenhadas 
pelo psicólogo escolar, as quais são: 
 
 assessorar a escola na construção do Projeto Político-Pedagógico; 
 apoiar a escola em seu trabalho de resgate do valor e da autonomia do 
professor; 
 assessorar o professor na articulação entre a teoria de aprendizagem 
adotada e a prática pedagógica; 
 trabalhar com políticas públicas; 
 conscientizar pais e professores sobre necessidades básicas de crianças 
e adolescentes; 
 mobilizar a comunidade educacional em torno de propostas de intervenção 
com utilização de recursos da comunidade; 
 pesquisar, desenvolver, aplicar e divulgar os conhecimentos relacionados 
com Psicologia Escolar/Educacional. 
 
Frente a essas tarefas possíveis de ser executadas no contexto educacional, 
Martinez (2009) divide a atuação do psicólogo educacional/escolar em dois grandes 
grupos de atividades: as formas de atuação tradicionais e as formas de atuação 
emergentes. Essas duas formas de atuação serão descritas a seguir. 
Compreendem-se por formas de atuação tradicionais aquelas associadas à 
dimensão psicoeducativa, como, por exemplo, problemas de desenvolvimento e 
aprendizagem dos alunos, os quais encontram na atuação do profissional da 
psicologia uma possível resolução e resposta. Dentre as possíveis formas de 
atuação, podemos destacar (MARTINEZ, 2009): 
 
20 
 
Tabela 01: Formas de atuação tradicional do psicólogo escolar / educacional 
Forma de atuação tradicional Descrição da atividade 
Avaliação, diagnóstico e 
encaminhamento de alunos 
com dificuldades de 
aprendizagem 
 Mudança de uma situação onde um 
avaliador externo aplicava testes 
padronizados e rotuladores para uma 
nova realidade, onde o aluno é avaliado 
em seu próprio contexto de 
aprendizagem, visando compreender as 
reais causas das dificuldades de 
aprendizagem. 
 As condições de avaliações tornam-se 
mais naturais para a criança. 
 Impera o trabalho em equipe, onde o 
professor tem um importante papel. 
 O psicólogo escolar só encaminha o 
aluno com dificuldades de 
aprendizagem para acompanhamento 
com profissionais externos à escola 
como última alternativa de ajuda, visto 
que essa atitude pode ser segregatória 
e reforçar mais na criança e seus 
familiares o estigma de suas 
dificuldades, ou seja, dificultar mais do 
que ajudar. 
 
Orientação de pais e alunos  Propõe-se a orientação individual 
ou grupal no sentido de fornecer 
informações acerca das dificuldades 
escolares e outros assuntos referentes 
ao desenvolvimento do aluno. 
 
Orientação profissional  Também, observam-se mudanças 
do antigo paradigma da aplicação de testes 
padronizados para caracterizar habilidades 
e interesses dos alunos a partir dos 
resultados para um espaço promotor do 
autoconhecimento, reflexão e elaboração 
de projetos profissionais. 
 
Orientação sexual  “A orientação em relação ao sentido 
atribuído à sexualidade, à 
responsabilidade para com o outro, às 
dúvidas e inquietações sobre desejos e 
afetos, assim como, a contribuição 
para o desenvolvimento do 
autoconhecimento, a autorreflexão, a 
capacidade de antecipar 
consequências e a tomada de 
decisões éticas, se constituem em um 
21 
 
objeto significativo do trabalho do 
psicólogo escolar tanto na sua 
expressão individual quanto grupal” 
(MARTINEZ, 2009, p.171-172). 
 
Formação e orientação de 
professores 
 Uma das formas de auxiliar os 
professores, seja através de sua 
orientação ou formação, envolve os 
processos subjetivos de aprendizagem 
e desenvolvimento. 
 
Elaboração e coordenação de 
projetos educativos específicos 
 O psicólogo escolar participa junto com 
a equipe multidisciplinar da escola em 
projetos como resposta a problemas 
concretos que surgem na escola e na 
comunidade (por exemplo, violência, 
uso de drogas, gravidez precoce, 
preconceito, dentre outros). 
 Atualmente, entende-se que esses 
projetos devem ter mais um caráter 
preventivo que para intervir em 
problemas já instalados. 
Fonte: Martinez (2009). 
 
Como a tabela anterior já deixa sugerir há um processo de mudança na 
práxis do psicólogo escolar/educacional e, atualmente, já se observa uma atuação 
mais criativa, como se pode observar na tabela a seguir. 
 
Tabela 02: Formas de atuação emergentes do psicólogo escolar / educacional 
Formas de atuação 
emergentes 
Descrição da atividade 
Diagnóstico, análise e 
intervenção a nível institucional 
especialmente no que diz 
respeito à subjetividade social 
da escola visando delinear 
estratégias de trabalho 
favorecedoras das mudanças 
necessárias para a otimização 
do processo educativo 
 O psicólogo precisa reconhecer não 
apenas a dimensão psicoeducacional da 
escola, como também sua dimensão 
psicossocial. 
 A partir do diagnóstico e análise das 
necessidades institucionais o psicólogo 
pode sugerir e traçar estratégias de 
intervenção para potencializar o trabalho 
em equipe, propor mudanças positivas, 
aprimorar a comunicação, mediar 
conflitos, dentre outras ações que visam 
à melhoria do funcionamento 
organizacional. 
Participação na construção, 
acompanhamento e avaliação 
 Sabe-se que o projeto político- 
pedagógico de muitas instituições é um 
22 
 
da proposta pedagógica da 
escola 
documento que fica apenas no papel, ou 
que, ao contrário do que deveria, não é 
uma construção coletiva que se 
relaciona com a realidade escolar. 
 Quanto ao trabalho do psicólogo 
escolar: “Seu trabalho pode ser 
especialmente importante na integração 
e na coesão da equipe escolar; na 
coordenação do trabalho em grupo; na 
mudança de representações, de 
crenças e mitos, na definição coletiva de 
funções e, ainda no processo de 
negociação e resolução de conflitos, os 
quais são frequentes em qualquer tipo 
de trabalho coletivo que implique no 
encontro de pontos de vistas diferentes.” 
(MARTINEZ, 2009, p.173) 
Participação no processo de 
seleção dos membros da 
equipe pedagógica e no 
processo de avaliação dos 
resultados do trabalho 
 Atuação mais comum no ensino 
particular, onde o psicólogo atua junto 
aos demais gestores em processos 
seletivos (lembrando-se que esse é um 
dos campos de atuação do psicólogo 
nas empresas). 
 Importante trabalhar a questão da 
avaliação, importante instrumento já 
adotado em muitas empresas, por que 
não também nas escolas, para que não 
seja visto como algo negativo, mas 
como oportunidade de crescimento. 
Contribuição para a coesão da 
equipe de direção pedagógica e 
para a sua formação técnica 
 É essencial que a equipe da escola 
trabalhe em equipe, mas o psicólogo 
deve começar seu trabalho com a 
formação técnica da equipe de direção, 
atingindo todos os outros coletivos 
possíveis da escola. 
Coordenação de disciplinas e 
de oficinas direcionadas ao 
desenvolvimento integral do 
aluno 
 Com a inclusão de propostas 
pedagógicas “não tradicionais” de cunho 
psicológico, como autoconhecimento, 
desenvolvimento de habilidades 
interpessoais, criatividade, dentre 
outros, o psicólogo encontra espaço 
para o desenvolvimento de projetos. 
Contribuir para a caracterização 
da população infantil com o 
objetivo de subsidiar o ensino 
personalizado 
 O psicólogo, juntamente com o 
professor e o orientador educacional, 
devem buscar compreender os aspectos 
da subjetividade individual de cada 
aluno envolvidos nos processos de 
aprendizagem para assim promover o 
melhor processo de aprendizagem e 
desenvolvimento. 
23Realização de pesquisas 
diversas com o objetivo de 
aprimorar o processo educativo 
 Importante não se fazer separação entre 
pesquisa e trabalho na escola. 
 Relevância de pesquisa com equipe de 
trabalho, pais, alunos e membros da 
comunidade. 
Facilitar, de forma crítica, 
reflexiva e criativa, a 
implementação das políticas 
públicas 
 A efetivação de qualquer mudança ou 
inovação idealizada fora do contexto 
escolar passa, necessariamente, na 
forma pela qual os atores do processo 
assumem-na. 
 Nesse sentido o psicólogo tem papel de 
destaque por considerar não apenas a 
dimensão psicoeducativa da 
aprendizagem, mas também a 
dimensão psicossocial. 
Fonte: Martinez (2009). 
 
O caráter qualitativo, processual, comunicativo e construtivo do diagnóstico 
e da avaliação das dificuldades escolares vai superando, não sem 
dificuldades, o diagnóstico rotulador e estático que caracterizou o 
diagnóstico das dificuldades escolares durante muitos anos (MARTINEZ, 
2009, p.171). 
 
24 
 
UNIDADE 3 – O DESENVOLVIMENTO DO ESTUDANTE 
 
Compreender o desenvolvimento do estudante se faz essencial para 
avançar no estudo da Psicologia da Educação – tema desta apostila. O profissional 
da educação precisa entender que o aluno de dois anos apresenta padrões 
cognitivos e biopsicossociais diferentes dos alunos de três anos, diferentes dos de 
quatro anos e assim sucessivamente. 
Porém, antes de tentarmos compreender um pouco mais como se dá o 
processo de desenvolvimento do aluno e conhecer algumas das teorias que 
explicam esse processo é importante entender o conceito de desenvolvimento 
humano. 
 
O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas, 
cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. Desta forma faz 
interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, 
antropologia, sociologia, educação, medicina, entre outras. (MOTA, 2005, 
p.106) 
 
Em síntese, o desenvolvimento humano é o estudo científico das mudanças 
e das continuidades que ocorrem durante todo o ciclo vital do indivíduo (PAPALIA; 
OLDS; FELDMAN, 2006). 
Já Oliveira e Davis (1994) definem desenvolvimento como “o processo 
através do qual o indivíduo constrói ativamente, nas relações que estabelece com o 
ambiente físico e social, suas características” (p.19). A autora defende que as 
características humanas são historicamente herdadas. De geração em geração 
acumulamos conhecimentos, os quais são herdados e transmitidos, o que influencia, 
desde o nascimento, na percepção do indivíduo sobre o mundo à sua volta. Assim, 
compreende-se que para a apropriação dessas características humanas faz-se 
necessária a interação do indivíduo com o meio. Essas questões sobre a 
hereditariedade e o ambiente serão mais detalhadas a seguir. 
Inicialmente, acreditava-se que o desenvolvimento ocorria apenas na 
infância, visto que até o início do século XX, a adolescência não era compreendida 
como um período separado da infância. Atualmente, fala-se em desenvolvimento no 
ciclo vital, ou seja, o desenvolvimento acontece por toda a vida, do nascimento à 
morte (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
25 
 
Mota (2005), afirma que a Psicologia do Desenvolvimento aumenta sua área 
de abrangência e inclui outras áreas, como a psicologia social, cognitiva, 
personalidade e, finalmente, a educacional, que é a nossa área de interesse nesta 
apostila. 
Alguns teóricos, como Freud (desenvolvimento psicossexual) e Piaget 
(desenvolvimento cognitivo) postulam que o processo de desenvolvimento humano 
ocorre em etapas. De acordo com essa linha de raciocínio, em cada etapa, os 
indivíduos lidam com diferentes tipos de problemas e desenvolvem diferentes tipos 
de capacidades para a resolução dos mesmos. Cada etapa fundamenta-se nas 
anteriores e prepara o caminho para a seguinte. 
Já numa linha de raciocínio bem diferente, outros teóricos, como Baltes 
(teoria do curso de vida) apregoam que o desenvolvimento é um processo vitalício e 
contínuo. O desenvolvimento é governado sempre pelos mesmos processos, 
permitindo a predição de comportamentos posteriores a partir da observação dos 
comportamentos anteriores. 
Essa abordagem do ciclo vital é bastante importante e, em termos de 
educação, o educador consegue refletir que, como alguns teóricos como Knowles 
apregoam, a pedagogia é a forma de ensinar direcionada às crianças, porém 
precisamos apropriar a didática para pessoas de diferentes idades, pois elas têm 
condições de aprender – andragogia. 
 
A necessidade de se integrar ao estudo do desenvolvimento humano uma 
perspectiva interdisciplinar, que adote uma metodologia de pesquisa 
própria, faz com que alguns autores sugiram que o estudo do 
desenvolvimento humano constitua um campo de atuação independente da 
Psicologia, que tem sido chamado de ‘Ciência do Desenvolvimento 
Humano’ (ASPESI, DESSEN & CHAGAS, 2005; BRONFRENBRENNER & 
EVANS, 2000, apud MOTA, 1995, p.106). 
 
Tendo tudo isso em vista, Oliveira e Davis (1994) fazem uma relevante 
articulação entre a psicologia do desenvolvimento humano e a pedagogia. Segundo 
as autoras, o estudo da psicologia do desenvolvimento humano, dentre outros 
fatores já explícitos aqui, estuda a evolução da capacidade física, psíquica, 
cognitiva, sociabilidade e afetividade do ser humano. O estudo do desenvolvimento 
humano torna possível compreender que as manifestações complexas das 
atividades do adulto – sejam elas físicas, psíquicas, dentre outras – são resultado de 
um longo processo, que se inicia antes mesmo do nascimento. Isto é de extrema 
26 
 
importância para a Pedagogia, para subsidiar a organização das condições para a 
aprendizagem infantil, ativando, assim, processos internos de desenvolvimento na 
criança, os quais serão transformados em aquisições individuais. 
 
3.1 Concepção inatista X Concepção ambientalista 
a) Natureza X Ambiente 
Antes de estudarmos as duas concepções propriamente ditas, iremos dar 
continuidade ao estudo do desenvolvimento humano, visto que as concepções estão 
diretamente associadas com um importante princípio do desenvolvimento. 
O estudo do desenvolvimento humano abre margem para alguns 
questionamentos bastante importantes que levaram os estudiosos a compreender 
ou pelo menos tentar entender como se dá o processo de crescimento e 
desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial. Para tentarmos compreender 
melhor o nosso aluno e como ocorre o processo de aprendizagem, faz-se 
necessário conhecer o debate sobre as fontes de desenvolvimento: inato X ambiente 
– expressões que serão explicadas a seguir. 
Cole e Cole (2004) elucidam que há uma interação entre os fatores 
geneticamente determinados (inatos) e os fatores ambientais, resultando no 
desenvolvimento de cada indivíduo. Este debate é também denominado de nature 
(natureza) x nurture (educação), de onde fica subentendido que a natureza refere-se 
ao que é herdado e a educação faz menção às influências do ambiente social e 
cultural (família e comunidade). Ressalta-se que, na prática, torna-se difícil estudar a 
influência isolada de cada um desses aspectos no desenvolvimento das crianças, já 
que a interação constante entre o organismo e o ambiente constitui um único 
processo de vida. 
 
As crenças sobre as contribuições da natureza e da educação para o 
desenvolvimento podem ter efeitos de longo alcance sobre como a 
sociedade trata as crianças. Se, por exemplo, supõe-se que as meninas, 
por natureza, têm pouco interesse por matemática e ciências, não é 
provável que sejam encorajadas por seus pais, professores e outros 
membros da sociedade a se tornarem matemáticas ou cientistas. Se, por 
outro lado, supõe-se que os talentos matemáticoe científico são, em grande 
parte, resultado da educação, uma sociedade pode treinar meninos e 
meninas igualmente nessas atividades (COLE; COLE, 2004, p.35). 
 
27 
 
Papalia, Olds e Feldman (2006), outros importantes teóricos sobre o 
assunto, também afirmam que a hereditariedade e o ambiente são importantes 
influências sobre o desenvolvimento. Os autores acrescentam ainda que a 
maturação do corpo e do cérebro é responsável por muitas das mudanças típicas da 
primeira e da segunda infância. Sobre maturação compreende-se: 
 
[...] o desdobramento de uma sequencia natural geneticamente influenciada 
de mudanças físicas e padrões de comportamento incluindo a prontidão 
para adquirir novas habilidades, como caminhar e falar. À medida que as 
crianças transformam-se em adolescentes e depois em adultos, as 
diferenças nas características inatas e na experiência de vida 
desempenham um papel mais importante (p.54). 
 
Carvalho (1996) acrescenta que atribuir a aprendizagem e a maturação 
como fatores determinantes do desenvolvimento é fator polêmico. Esclarece que as 
funções filogenéticas – aquelas próprias da espécie, como engatinhar, ficar de pé e 
caminhar – são mais influenciadas pela maturação, enquanto que as funções 
ontogenéticas – aquelas próprias de cada indivíduo – são mais influenciadas pela 
aprendizagem. Verifica-se também que as funções filogenéticas têm cronologias 
mais definidas (por exemplo, sabemos o período aproximado que um bebê humano 
normalmente começa a engatinhar e a dar os primeiros passos), enquanto que as 
funções ontogenéticas apresentam variação individual em relação à época de 
aquisição. 
 
Diferentes estudos realizados onde tentaram privar grupos experimentais e 
controle de alguma dessas variáveis (sendo a aprendizagem muito mais 
simples de se isolar) mostram que ambas são imprescindíveis ao processo 
de desenvolvimento. A ausência de uma ou outra impede o 
desenvolvimento integral do organismo. ‘É necessário que a maturação 
tenha instalado suas bases para que o processo de aprendizagem seja 
mais eficaz. Por outro lado, não se pode prescindir da aprendizagem se se 
quiser obter um desenvolvimento integral’ (CARVALHO, 1996, p.31). 
 
No que diz respeito aos aspectos psicológicos, o debate sobre a influência 
da natureza ou do ambiente é muito antigo e vem desde a Grécia antiga. As 
características psicológicas são biologicamente inatas, mas também adquiridas pela 
educação, experiência ou cultura. Entende-se como cultura as crenças, regras, 
valores e costumes de determinado grupo de pessoas que compartilham uma 
mesma língua e ambiente, de onde é possível supor que aspectos culturais são 
28 
 
transmitidos entre gerações através da aprendizagem (GAZZANIGA; 
HEATHERTON, 2005). 
 
Ainda que inegável a presença de fatores de maturação e de aprendizagem 
no processo evolutivo, acreditamos que o indivíduo que cresce participa 
cada vez mais ativamente de sua própria evolução. Ao maior controle dos 
órgãos ligados à fonação, do diafragma e, consequentemente, da 
quantidade do ar inspirado e expirado, que levam a um maior domínio das 
cordas vocais e à emissão de diferentes sons, ao final do primeiro ano de 
vida – maturação –, somam-se as influências ambientais, reforçando 
diferencialmente os sons, que culminam na formação de palavras, 
inicialmente globais, mas que possibilitam o início da comunicação 
semântica – aprendizagem. Segue-se a isso uma fase de perguntas, 
variável de uma criança para outra, mais ou menos intensa, que por si 
mesma enriquece o vocabulário, amplia o conhecimento e a possibilidade 
de uma comunicação mais ampla. E desta forma fatores endógenos, 
exógenos e pessoais se entrelaçam e realimentam num complexo de 
interações (CARVAHO, 1996, p.29). 
 
Como foi possível observar em Carvalho (1996), Cole e Cole (2004) e 
Gazzaninga e Heatherton (2005), é indiscutível a importância dos fatores inatos e do 
ambiente do desenvolvimento do indivíduo, porém os últimos autores são enfáticos 
ao afirmarem que, atualmente, torna-se relevante para os cientistas conhecerem 
como natureza e ambiente interagem, além do que “é a relativa importância da 
natureza e do ambiente na determinação da mente e do comportamento que atrai o 
interesse dos cientistas psicológicos” (p.47). 
 
b) Concepção Inatista 
 
A concepção inatista parte do pressuposto de que os eventos que ocorrem 
após o nascimento não são essenciais e/ou importantes para o 
desenvolvimento. As qualidades e capacidades básicas de cada ser 
humano – sua personalidade, seus valores, hábitos e crenças, sua forma de 
pensar suas reações emocionais e mesmo sua conduta social – já se 
encontrariam basicamente prontas e em forma final por ocasião do 
nascimento, sofrendo pouca diferenciação qualitativa e quase nenhuma 
transformação ao longo da existência. O papel do ambiente (e, portanto, da 
educação e do ensino) é tentar interferir o mínimo possível no processo do 
desenvolvimento espontâneo da pessoa (OLIVEIRA; DAVIS, 1994, p.27). 
 
Suas origens foram embasadas em interpretações da Teologia, do 
Darwinismo e da Embriologia, em visões muitas das vezes equivocadas ou não 
aplicáveis para o estudo de humanos. Não há bases empíricas para a psicologia 
quem comprovem a visão inatista. Em síntese, o inatismo apregoa que o homem já 
29 
 
nasce pronto, portanto, o educador tem a visão, muitas das vezes pessimista, de 
que a criança ou adolescente será do jeito que chegou até ele, independente do que 
ele tentar fazer no sentido de promover uma educação melhor. Essa visão até os 
dias de hoje aparece em sala de aula, camuflada sobre ideias de aptidões, prontidão 
e coeficientes de inteligência e é bastante preconceituosa (OLIVEIRA; DAVIS, 
1994). 
 
c) Concepção Ambientalista 
Ao contrário da concepção inatista, que apregoa que o ser humano já nasce 
pronto, para a concepção ambientalista, o homem é compreendido como um ser 
dotado de grande plasticidade, ou seja, ele nasce dotado de condições de moldar-se 
segundo as características do meio onde ele se encontra inserido. 
Segundo Oliveira e Davis (1994), essa corrente sofreu influência do 
empirismo e do behaviorismo de Skinner, corrente psicológica que já foi abordada 
anteriormente. Recapitulando, segundo a teoria comportamentalista, os indivíduos 
buscam maximizar o prazer, ao mesmo tempo em que evitam a dor. Dessa forma, é 
possível manipular estímulos ambientais para assim controlar o comportamento. 
 
Na visão ambientalista, a ênfase está em proporcionar novas 
aprendizagens, por meio da manipulação dos estímulos que antecedem e 
sucedem o comportamento. Para tanto, é preciso uma análise rigorosa da 
forma como os indivíduos atuam em seu ambiente, identificando os 
estímulos que provocam o aparecimento do comportamento-alvo e as 
consequências que o mantém. A esta análise dá-se o nome de análise 
funcional do comportamento. Nela defende-se o planejamento das 
condições ambientais para a aprendizagem de determinados 
comportamentos (OLIVEIRA; DAVIS, 1994, p.33). 
 
A concepção ambientalista coloca o professor em papel de destaque, pois a 
ele cabe planejar bem as aulas e dar reforços positivos aos seus alunos (como 
elogios, notas) para que os mesmos possam ter um bom desempenho. Por outro 
lado, a concepção inatista deixava o professor com um papel mais passivo, já que 
como o estudante já chegava até à escola pronto, nada adiantava fazer para que 
seu desempenho se modificasse. Por outro lado, a concepção ambientalista enxerga 
os seres humanos como criaturas possíveis de serem manipuladas e controladas, 
deixando de ser a aprendizagem algo mais espontâneo (OLIVEIRA; DAVIS, 1994). 
30 
 
A partir do entendimento do debate naturezaX ambiente e, 
consequentemente, das concepções inatista e ambientalista da aprendizagem 
prosseguiremos os estudos de alguns teóricos que investigaram o desenvolvimento 
humano. A partir da compreensão do processo de desenvolvimento – seja ele físico, 
psicológico, social ou cognitivo – podemos articular esse conhecimento com o 
processo educacional. Teremos como principal teoria de aprendizagem a Teoria 
Construtivista. 
 
3.2 Piaget e a aprendizagem 
Assim como foi mencionado na teoria de Freud, Piaget também será um dos 
referenciais teóricos principais desse material. Nessa seção, serão abordados 
alguns conceitos de sua obra (convém ressaltar que devido às limitações de espaço 
não será possível aprofundar no estudo desses temas) e, em outros momentos, será 
abordado o desenvolvimento cognitivo pela perspectiva do autor, além de 
considerações do mesmo acerca da inteligência e afetividade. 
 
3.2.1 Conceitos principais 
Piaget defende uma linha muito importante para a psicologia e para a 
educação: o construtivismo. Segundo essa linha, tanto a natureza, quanto a 
educação são importantes para o desenvolvimento da criança e, além disso, 
defende-se que o papel do ambiente vai além de apenas desencadear o potencial 
inato da criança, ao contrário do que se poderia imaginar. As crianças constroem 
seu conhecimento, em níveis cada vez mais elevados, sendo essa construção uma 
relação ativa com o ambiente. “São seres biossociais, porque tanto as circunstâncias 
do amadurecimento quanto as circunstâncias ambientais estão reciprocamente 
envolvidas no processo de mudança” (COLE; COLE, 2005, p.58). 
A influência que o ambiente exerce sobre as crianças varia de acordo com o 
estágio de desenvolvimento no qual as mesmas se encontram, mas esses 
processos de mudança desenvolvimental – como será visto no próximo item – são 
universais na espécie humana. 
Piaget (1973 apud COLE; COLE, 2005) apregoa que a sociedade na qual o 
indivíduo encontra-se imerso desde o nascimento, em certo sentido, pode modificar 
31 
 
a própria estrutura do indivíduo. A influência das relações sociais na vida das 
pessoas é tão grande quanto a influência do ambiente físico. 
 
O que distingue especialmente as teorias construtivistas das teorias 
maturacionais e das de aprendizagem é a importância que os construtivistas 
dão ao papel ativo das crianças na moldagem do seu próprio 
desenvolvimento (COLE; COLE, 2005, p.58). 
 
Coll (2004b) elucida que a ideia original do construtivismo reside no fato de 
que conhecimento e aprendizagem são, em boa parte, resultado de uma dinâmica 
ativa do sujeito entre conhecer e aprender. Assim, conhecimento e aprendizagem 
nunca são o resultado de uma leitura direta da experiência, mas sim o resultado da 
atividade mental construtiva através da qual as pessoas leem e interpretam a 
experiência. Vale a pena destacar que essa é a ideia original defendida por Piaget e 
os colaboradores da epistemologia genética nos anos de 1940-1950, porém a partir 
desses estudos atualmente surgiram outros enfoques teóricos cuja base é o 
construtivismo, mas que apresentam outras características peculiares. 
Retomando às ideias base de Piaget, o desenvolvimento cognitivo – que 
será explicado detalhadamente na subseção a seguir – ocorre através de três 
princípios inter-relacionados, os quais são pontos-chave na teoria piagetiana: 
organização, adaptação e equilibração. 
 
a) Organização: 
Tendência para criar estruturas cognitivas (esquemas) cada vez mais 
complexas. Com o desenvolvimento, naturalmente a criança adquire mais 
informações e os esquemas vão se tornando mais complexos (PAPALIA: OLDS: 
FELDMAN, 2006). 
 
b) Adaptação: 
É o processo pelo qual a criança ajusta as novas informações sobre o 
ambiente que entram em conflito com aquelas que ela já sabe. Envolve duas etapas: 
assimilação e adaptação. 
Assimilação é a incorporação de novas informações a uma estrutura 
cognitiva já existente (PAPALIA: OLDS: FELDMAN, 2006). Maia (2008, p.59) 
32 
 
acrescenta que “por assimilação, compreende-se o mecanismo que o sujeito aplica 
ao procurar compreender o seu mundo”. 
Acomodação consiste nas mudanças nas estruturas cognitivas existentes 
para se incluir novas informações (PAPALIA: OLDS: FELDMAN, 2006). 
 
Por acomodação, podemos compreender o movimento de ajustamento dos 
esquemas ou estruturas cognitivas às resistências provocadas pelas novas 
situações, não passíveis de uma assimilação pura. Surge a partir das 
perturbações provocadas pelas situações que o sujeito enfrenta (MAIA, 
2008, p.59). 
 
Segundo Carvalho (1996), assimilação e acomodação são dois aspectos do 
processo de adaptação. Toda assimilação pressupõe uma acomodação anterior do 
organismo e toda acomodação uma modificação assimilativa do objeto ao qual o 
organismo deve se acomodar. 
A equilibração é a tendência para se buscar um equilíbrio entre elementos 
cognitivos do próprio organismo, assim como entre o organismo e o mundo exterior 
(PAPALIA: OLDS: FELDMAN, 2006). Segundo Carvalho (1996), a equilibração pode 
ser comparada a uma homeostase, porém se difere da biológica, visto que a 
equilibração visa a um nível cada vez superior de funcionamento mental. 
Em síntese, o desenvolvimento cognitivo acontece através de constantes 
desequilíbrios e equilibrações. O surgimento do novo – sejam novas possibilidades 
orgânicas no organismo ou mesmo características diferentes no ambiente – 
quebram o estado anterior de equilíbrio, gerando desequilíbrio. Em busca de atingir 
novo estado de equilíbrio os mecanismos de assimilação e acomodação são 
acionados (DAVIS; OLIVEIRA, 1994). 
 
3.2.2 Estágios de desenvolvimento cognitivo 
 
Piaget tinha uma visão organísmica das crianças, considerando-as seres 
ativos em crescimento, com seus próprios impulsos internos e padrões de 
desenvolvimento. Ele via o desenvolvimento cognitivo como produto dos 
esforços das crianças para compreender e atuar sobre o seu mundo 
(PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p.73). 
 
Piaget estudou o desenvolvimento cognitivo que, segundo ele, se inicia com 
a capacidade inata do ser humano de se adaptar ao ambiente. Sua metodologia de 
estudo visou investigar as mudanças ocorridas em cada estágio de 
33 
 
desenvolvimento, ou seja, as mudanças na qualidade do funcionamento cognitivo da 
criança e do adolescente. A teoria piagetiana visa investigar como a mente estrutura 
suas atividades e adapta-se ao ambiente. 
A teoria de Piaget foi desenvolvida a partir da observação de seus próprios 
filhos. O pesquisador inicialmente aplicou testes padronizados em crianças e ficou 
curioso ao observar os padrões de erros cometidos pelas mesmas, muitos dos quais 
associados aos padrões de pensamento esperados pela idade. A partir desses 
erros, iniciou essa observação mais intensiva em seus filhos e outras crianças desde 
os seus primeiros anos de vida, de onde pôde concluir que o padrão de pensamento 
das crianças é qualitativamente diferente do modo de pensar dos adultos. Segundo 
o pesquisador, essas sequências de pensamento são universais e, ao contrário do 
que outros teóricos acreditavam, os padrões de pensamento infantil não se 
caracterizam como erros, apenas como padrões característicos de determinada faixa 
etária (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo em quatro estágios: sensório-
motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais. O primeiro 
desses estágios, o sensório-motor, é dividido em seis subestágios. A tabela a seguir 
sintetiza brevemente os principais acontecimentos de cada um desses estágios e 
subestágios e, após a tabela, serão feitas mais algumas consideraçõesespecíficas a 
respeito de alguns desses estágios. 
 
34 
 
Tabela 03: Síntese dos estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget 
Estágio 
(Estádio) 
Faixa etária Principais Características 
Sensório-motor 0 – 2 anos  Aprendizagem através dos seus sentidos 
e da atividade motora. 
 Estimulação ambiental essencial. 
 Dividido nos 6 subestágios abaixo: 
 Subestágio 1 Nascimento 
ao 1° mês 
 Reflexos inatos. 
 Certo controle sobre estes reflexos. 
 
 Subestágio 2 1 – 4 meses  Reações circulares primárias: os bebês 
aprendem a repetir sensações 
agradáveis primeiramente obtidas por 
acaso. 
 Atentam-se para os sons. 
 Começam a coordenar diferentes tipos 
de informações sensoriais. 
 
 Subestágio 3 4 – 8 meses  Interesse em manipular objetos e 
aprender sobre suas propriedades. 
 Reações circulares secundárias: ações 
intencionais repetidas não apenas pelo 
seu próprio valor, mas para obter 
resultados além do próprio corpo. 
 
 Subestágio 4 8 – 12 
meses 
 Coordenação de esquemas secundários: 
os bebês já elaboraram os poucos 
esquemas com os quais nasceram. 
 Generalização a partir da experiência 
passada para resolver novos problemas. 
 Independência: engatinham ou afastam o 
que é indesejado. 
 Início do comportamento intencional. 
 
 Subestágio 5 12 – 18 
meses 
 Experimentam novos comportamentos 
para ver o que acontece. 
 Reações circulares terciárias: variam 
uma ação para obter um resultado 
parecido. 
 Originalidade na resolução de 
problemas. 
 
 Subestágio 6 12 a 24 
meses 
 Capacidade de representar mentalmente 
objetos e ações na memória. 
 Imitação diferida: imitam ações que não 
estão vendo no momento. 
 
Pré-operacional 2 – 7 anos  Pensamento simbólico mais sofisticado, 
35 
 
 (Educação 
infantil) 
porém não são capazes de utilizar a 
lógica. 
 Simbolização: as crianças são capazes 
de imaginar objetos, mesmo sem contato 
com ele. 
 Compreensão de identidades. 
 Compreensão de números. 
 
Operacional 
concreto 
7 – 11 anos 
(Educação 
básica) 
 Desenvolvimento do pensamento lógico, 
mas não do abstrato. 
 As operações fazem parte de um 
conjunto de atos inter-relacionados: 
operações lógicas de adição, subtração, 
multiplicação, classificação, operações 
envolvendo quantidade, tempo, 
mensuração, espaço. 
 
Operações 
formais 
11 – 19 
anos 
(Adolescênc
ia) 
 Etapa final do desenvolvimento cognitivo, 
caracterizada pela capacidade de pensar 
em termos abstratos. 
 Pensam em termos do “poderia ser” e 
não apenas no “é”. 
 Capacidade de pensar de maneira 
abstrata possui implicações emocionais. 
 Raciocínio hipotético-dedutivo: 
capacidade de desenvolver, considerar e 
testar hipóteses. 
 Interesse em ideias científicas e 
abstratas. 
 
Fonte: Adaptado de Papalia; Olds; Feldman (2006). 
 
A seguir, teceremos alguns esclarecimentos extra acerca do que foi exposto 
na tabela anterior. 
 
a) Estágio sensório-motor: 
Como foi ilustrado na tabela, esse estágio é dividido em seis subestágios. A 
passagem de um estágio para o outro ocorre à medida em que os esquemas do 
bebê vão se tornando mais complexos. Em termos de desenvolvimento cognitivo 
conceituam-se esquemas como “estruturas cognitivas básicas que consistem de 
padrões organizados de comportamento utilizados em diferentes tipos de situações” 
(PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p.197). 
36 
 
Outros termos que também foram apenas citados na tabela, porém sem 
maiores explicações foram as “reações circulares”, as quais acontecem durante 
esse estágio. Piaget definiu essas reações por situações agradáveis que o bebê 
aprende a produzir, inicialmente por acaso, fazendo com que ele deseje repeti-las. A 
partir daí, as repetições se retroalimentam, formando uma espécie de ciclo, ou seja, 
um comportamento inicialmente casual se consolida num novo esquema. “As ações 
desse tipo são chamadas primárias, porque os objetos aos quais elas são dirigidas 
são partes do próprio corpo do bebê; eles são chamados circulares porque 
conduzem apenas de volta a si mesmos” (COLE; COLE, 2004, p.184). Já as reações 
secundárias envolvem algo fora do corpo do bebê. As reações circulares terciárias 
são mais complexas, o bebê experimenta diferentes maneiras de produzir 
determinada resposta que foi descoberta por ele de maneira acidental. 
 A figura a seguir ilustra os exemplos das reações circulares primárias, 
secundárias e terciárias, as quais ocorrem nos subestágios 2, 3 e 5 
respectivamente, como foi demonstrado anteriormente na tabela. 
 
37 
 
Figura 02: Reações circulares primárias, secundárias e terciárias 
 
Fonte: Papalia, Olds, Feldman (2006, p.199). 
 
b) Estágio pré-operacional: 
A primeira infância é uma fase de transição entre a fase de bebê – marcada 
pelos esquemas sensórios motores – e os pensamentos mais complexos da 
segunda infância que serão explorados a seguir. O padrão de pensamento pré-
operatório é caracterizado por uma série de “erros” devido à incapacidade da criança 
dessa fase de descentrar seu pensamento, ou seja, a criança ainda não é capaz de 
direcionar sua atenção para mais de um aspecto de qualquer situação sobre a qual 
estejam querendo pensar. 
38 
 
Piaget percebeu a descentração numa experiência simples, a qual pode ser 
realizada em sala de aula. Inicialmente, a criança recebia dois recipientes idênticos 
com a mesma quantidade de água. Enquanto a criança observa, a água de um dos 
recipientes é derramada até um terceiro, mais estreito e mais alto, de forma que dê a 
impressão de que este terceiro tenha mais água que o original. Ao serem arguidas 
sobre o que aconteceu com a água é comum que as crianças de 3 a 4 anos 
respondam que a quantidade de água aumentou (COLE; COLE, 2004). 
A figura a seguir, retirada de um blog direcionado à área da Psicologia da 
Educação, ilustra recipientes que podem ser utilizados para se fazer essa 
experiência em sala de aula e suas instruções detalhadas (assim como instruções 
de como realizar outras provas piagetianas). 
 
Figura 03: Material para prova piagetiana de conservação de líquidos 
(irreversibilidade) 
 
Fonte: LAPSI (2014). 
 
Piaget considerava outras características marcantes no pensamento da 
primeira infância: o egocentrismo, a confusão entre a aparência e a realidade e o 
raciocínio não lógico. Assim como a descentração, essas características também 
explicam os erros que a criança pré-operacional comete normalmente, ou seja, as 
limitações comuns ao seu padrão de pensamento. 
O egocentrismo na visão de Piaget pode ser compreendido como a 
tendência da criança dessa faixa etária de considerar o mundo apenas a partir de 
seu próprio ponto de vista, ou seja, elas ainda são incapazes de descentrar (COLE; 
COLE; 2005). 
39 
 
Dentre as outras limitações do pensamento pré-operacional, podemos 
destacar o animismo (atribuir vida a objetos inanimados, como, por exemplo, 
desenhar o sol com rosto) e a incapacidade de distinguir o que é aparência de 
realidade (não saber diferenciar, por exemplo, se a estátua de um enorme 
dinossauro no cinema como propaganda de um filme é real ou apenas um “boneco”) 
(PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
 
c) Estágio das operações concretas: 
Na segunda infância, os avanços nas habilidades cognitivas da criança 
tornam as mesmas aptas a ingressarem no ambiente da educação básica, visto que 
suas operações mentais já são capazes de resolver problemas concretos. 
A criança demonstra capacidade de pensamento espacial, consegue 
compreender relações de causa e efeito, possui capacidade de realizar 
classificações e categorizações,sabe fazer inferências a partir de raciocínio indutivo 
e dedutivo, compreende princípios da conservação das matérias, além de já 
conseguir dominar números e conceitos matemáticos. Por outro lado, as crianças 
ainda apresentam limitações para pensar em situações reais no aqui e no agora 
(PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
A imagem a seguir ilustra a conservação: semelhante ao que foi feito com os 
líquidos com a criança pré-operacional, mostra-se à criança duas quantidades iguais 
de massinha, porém, molda-se uma delas com formato de salsicha. Ao indagar a 
criança qual das duas pesa mais a criança já compreende que o peso é o mesmo. 
40 
 
Figura 04: Prova piagetiana da conservação 
 
Fonte: Ler e Escrever Certo (2009). 
 
Além das habilidades cognitivas, Piaget elucida que o desenvolvimento 
moral está ligado ao desenvolvimento cognitivo. A criança começa a fazer 
julgamentos morais em torno dos 7 anos, ainda em estágio pré-operacional, porém, 
nessa fase, ela ainda pensa de maneira muito rígida sobre os conceitos morais, são 
muito egocêntricas e não conseguem ver uma situação moral sobre mais de um 
ponto de vista, acreditam que qualquer infração merece punições rígidas, exceto 
quanto ela comete a infração. Já acima dos 7 anos, a criança torna-se mais flexível 
para elaborar o seu próprio código moral a partir da sua interação com outras 
pessoas. O interesse das crianças pelos jogos com regras nessa fase relaciona-se 
com o desenvolvimento do julgamento moral (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
 
d) Estágio das operações formais 
 
Não mais limitados ao aqui e agora, são capazes de compreender o tempo 
histórico e o espaço extraterrestre. Podem utilizar símbolos para representar 
outros símbolos (por exemplo, utilizar a letra X para representar um número, 
como 15) e, assim, podem aprender álgebra e cálculo. Podem apreciar 
melhor a metáfora e a alegoria e, assim, descobrir significados mais ricos na 
literatura. São capazes de pensar em termos do que poderia ser, e não 
apenas do que é. São capazes de imaginar possibilidades e de gerar e 
testar hipóteses (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p.455). 
 
41 
 
Os estudos de Piaget para demonstrar o pensamento de operações formais 
foram nos campos da ciência e da lógica, porém esse padrão de pensamento ocorre 
em diferentes padrões de pensamento do adolescente e é esperado encontrar o 
mesmo em adolescentes e adultos de diferentes culturas (COLE; COLE, 2005). 
 
3.2.3 Piaget e a aprendizagem 
Dentre os conteúdos que foram apresentados sobre a teoria de Piaget, 
alguns pontos se fazem relevantes para a educação, os quais são: 
 compreender a natureza interacionista da aprendizagem; 
 conhecer os estágios do desenvolvimento cognitivo da criança; 
 entender que determinados “erros” são, na verdade, típicos do padrão de 
desenvolvimento do pensamento infantil; 
 compreender que, a partir dessa teoria, há embasamentos que justifiquem as 
idades adequadas para a aprendizagem de determinados conteúdos; 
 entender como se dá o processo de introjeção do código moral. 
 
A partir desses pontos de reflexão, é possível concluir que, para Piaget, o 
objetivo da educação seria potencializar a construção de estruturas cognitivas, 
contribuindo, assim, para o desenvolvimento dos estágios anteriormente 
apresentados. O professor pode colaborar com esse processo associando os 
conteúdos escolares à competência cognitiva dos alunos, de forma que a 
metodologia de ensino torne claro que o conhecimento é um processo de construção 
por parte do sujeito, ou seja, não é simplesmente transmitido pelo professor. É papel 
dos educadores e familiares proporem aos educandos atividades lúdicas, 
experiências físicas sobre os objetos (como aquelas descritas por Piaget e 
exemplificadas nesse material), pois, dessa forma, o estudante pode agir de maneira 
ativa sobre esses materiais, construindo conceitos, assimilando, acomodando e 
equilibrando (MAIA, 2008). 
 
3.3 Vygotsky e a aprendizagem 
Assim como Freud e Piaget, Vygotsky é o terceiro teórico da aprendizagem 
escolhido para ser um de nossos principais referenciais nesses materiais. Nesse 
momento iremos abordar brevemente algumas de suas ideias centrais sobre a 
42 
 
aprendizagem e, posteriormente, em outra seção, apresentaremos algumas de suas 
ideias sobre a afetividade. 
 
[...] Vygotsky tem como um de seus pressupostos básicos a ideia de que o 
ser humano constitui-se enquanto tal na sua relação com o outro social. A 
cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que, ao 
longo da espécie e do indivíduo, molda o funcionamento psicológico do 
homem (OLIVEIRA, 1992, p.24). 
 
Assim como Piaget, Vygotsky (1896-1934) também enfatiza a importância da 
interação ativa da criança com o ambiente para o seu desenvolvimento cognitivo. O 
teórico postula que a aprendizagem das crianças se dá através das interações 
sociais, ou seja, as crianças adquirem habilidades cognitivas a partir das interações 
sociais, especialmente com adultos (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
 
Vygotsky defende a ideia de contínua interação entre as mutáveis 
condições sociais e a base biológica do comportamento humano. Partindo 
de estruturas orgânicas elementares, determinadas basicamente pela 
maturação, formam-se novas e mais complexas funções mentais, a 
depender da natureza das experiências sociais a que as crianças se acham 
expostas (OLIVEIRA; DAVIS, 1994, p.49). 
 
Para Vygotsky, os adultos devem dirigir e organizar a aprendizagem da 
criança até que ela tenha condições de aprender e internalizar seu próprio 
aprendizado. (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). O papel da linguagem é 
essencial para introduzir a criança no contexto social ao qual ela pertence, o que 
normalmente é feito pelos adultos e pelas crianças mais velhas. 
Esse processo de internalização é ativo e a criança apropria-se do social de 
uma forma muito particular (OLIVEIRA; DAVIS, 1994). Maia (2008, p.69) caracteriza 
internalização como: “reconstrução interna de uma operação externa”. 
O sujeito, ao mesmo tempo em que se integra no social, posiciona-se frente 
ao meio e é capaz de transformá-lo; à medida que as crianças crescem elas vão 
necessitando menos da ajuda externa para o processo de internalização, assim 
como para transformar o meio ao seu redor (OLIVEIRA; DAVIS, 1994). 
Através da fala, é possível aprender sobre o meio, além de modificar a 
qualidade de conhecimento e pensamento que se tem sobre o mundo no qual o 
sujeito está inserido. Segundo Vygotsky, ao internalizar instruções, as crianças 
acabam por modificar os seus processos psicológicos básicos – tais como 
43 
 
percepção, atenção e memória – essenciais ao processo de aprendizagem e que 
serão apresentados numa outra seção da apostila (OLIVEIRA; DAVIS, 1994). 
 
Os mecanismos de mudanças individuais têm suas raízes na cultura e na 
sociedade, sendo a linguagem um processo extremamente social que, 
através da interação social, transforma-se em um processo puramente 
pessoal, precedindo, dessa forma, o pensamento (MAIA, 2008, p.69). 
 
Por meio desse processo, torna-se possível compreender que os processos 
mentais superiores como a capacidade de resolver problemas e o complexo uso da 
memória, dentre outros, aparecem, a princípio, no plano do social, pois estão 
relacionados com a interação de outras pessoas, para só com o decorrer do 
desenvolvimento surgirem no plano psicológico, individual. Dessa forma, é possível 
afirmar que a apropriação que a criança faz da experiência social (construção da sua 
realidade) parte primeiramente do social e depois é internalizada por ela (OLIVEIRA; 
DAVIS, 1994). 
Vygotsky não postula que odesenvolvimento cognitivo aconteça em etapas, 
como fez Piaget. Segundo ele, os fatores biológicos são mais importantes que os 
sociais apenas na ocasião do nascimento e, ao longo do desenvolvimento, são as 
múltiplas e variadas situações sociais que irão influenciar o desenvolvimento do 
pensamento e do raciocínio infantil (OLIVEIRA; DAVIS, 1994). 
 
As postulações de Vygotsky sobre os fatores biológicos e sociais no 
desenvolvimento psicológico apontam para dois caminhos complementares 
e investigação: de um lado, o conhecimento do cérebro como substrato 
material da atividade psicológica e, de outro lado, a cultura como parte 
essencial da constituição do ser humano, num processo em que o biológico 
transforma-se no sócio-histórico (OLIVEIRA, 1992, p.33). 
 
Já foi atribuída a grande importância da linguagem em sua teoria, no que diz 
respeito ao desenvolvimento cognitivo. 
 
Central nas teorias de Vygotsky é a ideia de que o contexto social influencia 
o desenvolvimento da linguagem, que, por sua vez, influencia o 
desenvolvimento cognitivo. As crianças começam dirigindo sua fala para 
comunicações específicas com os outros, tal como pedir comida ou quando 
se dão instruções ou conversam consigo mesmo enquanto brincam. 
Finalmente, as crianças internalizam as palavras em uma fala interior, que 
compreende pensamentos verbais que dirigem o comportamento e a 
cognição. Nossos pensamentos baseiam-se na linguagem que adquirimos 
por meio da cultura, e essa fala interior constante reflete processos 
cognitivos de ordem superior (GAZANINGA; HEARTHETON, 2005, p.370). 
 
44 
 
Para ele, pensamento e linguagem são circuitos interligados – o que pode 
ser observado, por exemplo, quando se observa uma criança de menos de três anos 
narrar o seu comportamento, padrão que se modifica ao longo do desenvolvimento 
(OLIVEIRA; DAVIS, 1994). 
Com essa orientação, elas podem ultrapassar a ZDP – zona de 
desenvolvimento proximal, que é a distância entre o que a criança já é capaz de 
fazer sozinha e aquilo que ela ainda não está totalmente pronta para alcançar sem 
auxílio (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
 
A teoria de Vygotsky tem importantes implicações para a educação e para 
os testes cognitivos. Testes baseados na ZDP, que focalizam o potencial de 
uma criança, oferecem uma alternativa valiosa para os testes de inteligência 
padrão que avaliam o que uma criança já aprendeu; muitas crianças 
beneficiam-se com o tipo de orientação especializada prescrita por Vygotsky 
(PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p.83). 
 
Oliveira e Davis (1994) também elucidam a importância da teoria de 
Vygotsky para a educação. Segundo os autores, o educador precisa entender a 
importância da linguagem no processo de aprendizagem, já que através da relação 
verbal entre professor e alunos, as crianças tornam seu padrão de pensamento mais 
complexo e conseguem processar mais informações. Além disso, ao se 
compreender o conceito de ZDP, o educador pode entender o que a criança é capaz 
de conseguir com e sem ajuda externa, podendo, assim, planejar as situações de 
ensino e avaliar os progressos individuais de seus alunos. 
Além disso, Maia (2008) acrescenta que a interação social propiciada pela 
exploração linguística é indispensável à construção da ZDP do estudante, por isso 
ela sugere que o educador trabalhe filmes, músicas, histórias, desenhos, 
brincadeiras que envolvam a linguagem, a atenção, a memória, explorando sempre 
as diversas variações linguísticas presentes nesses diferentes canais. 
Finalizamos com a reflexão de Oliveira (1992, p.33): “[...] a aprendizagem é 
fundamental para o desenvolvimento desde o nascimento da criança. A 
aprendizagem desperta processos internos de desenvolvimento que só podem 
ocorrer quando o indivíduo interage com outras pessoas.” 
 
45 
 
3.4 Fases do desenvolvimento psicossexual de Freud e implicações na 
aprendizagem 
Após, no capítulo anterior, tomarmos conhecimento de conceitos centrais da 
teoria psicanalítica como inconsciente, id, ego e superego é o momento de 
apresentarmos outro ponto de central importância para o educador: as fases do 
desenvolvimento psicossexual propostas por Freud e suas consequentes 
implicações para o processo educacional. 
Assim como Piaget e Erikson, Freud também postulava que o 
desenvolvimento humano se dá através de estágios. Piaget estudou o 
desenvolvimento cognitivo, enquanto Freud defendeu a teoria do desenvolvimento 
psicossexual. 
Para ele, os primeiros anos de vida são de extrema importância na 
estruturação da personalidade da criança, já que, para a sua teoria, a criança passa 
por três estágios durante os seus cinco primeiros anos de vida, em seguida, ocorre o 
período de latência, o qual dura aproximadamente cinco anos de relativa 
estabilidade e, com o advento da adolescência, surge a última fase do 
desenvolvimento psicossexual (HALL; LINDZEY, 1984). 
A tabela a seguir sintetiza os principais acontecimentos ocorridos em cada 
uma das fases ou estágios descritos por Freud: 
 
46 
 
Tabela 04: Estágios psicossexuais de Freud e principais características 
Estágio 
Psicossexual 
Idade 
aproximada 
Principais Características 
Fase oral 0 – 1 ano e meio 
aproximadamente 
 Boca: comer é fonte de prazer pela 
estimulação dos lábios e boca. 
 Reflexo de sucção: sobrevivência, 
prazer. 
 Fixação nesta fase: “engole” tudo 
que dizem; prazer da aquisição de 
conhecimentos e de bens; sarcasmo 
ou tendência à discussão (morder), 
roer unhas, transtornos alimentares, 
compulsão pelo cigarro. 
 Base do desenvolvimento da 
personalidade, atitudes e traços de 
caráter. 
Fase anal 1 a 3 anos 
aproximadamente 
 Prazer: retenção e expulsão das 
fezes. 
 Treino higiênico: controle dos 
esfíncteres marca o controle externo 
de um impulso instintivo. 
 Método educativo e postura da mãe 
em relação às fezes pode produzir 
efeitos prolongados na formação de 
traços na criança. 
 Mãe rigorosa e repressiva: retenção 
das fezes; conduta de caráter 
retentivo: obstinação, avareza, 
defecação em horas impróprias, 
crueldade, destrutividade, obsessão 
pela limpeza, rigidez com horários e 
rotinas, desleixo excessivo. 
 Mãe que exige para que a criança 
defeque e elogia intensamente: 
noção de que a expulsão das fezes 
é extremamente importante: base 
da criatividade e produtividade. 
 Fezes: valor simbólico de presente. 
Fase fálica 3 – 6 anos 
aproximadamente 
 Zona de prazer: órgãos genitais. 
 Sensações sexuais e de 
agressividade associada aos órgãos 
genitais. 
 Presença de masturbação, 
fantasias, autoerotismo, descoberta 
do próprio corpo e do corpo do outro 
(as diferenças sexuais). 
 Eventos importantes: Complexo de 
Édipo e complexo de castração. 
 Vivências diferentes nos meninos e 
47 
 
nas meninas. 
 O Complexo de Édipo marca a 
estruturação da personalidade do 
indivíduo, mesmo após ser 
reprimido. 
 As relações com as pessoas do 
sexo oposto e com pessoas que 
simbolizem autoridade são 
condicionadas por este complexo. 
Latência 6 anos à 
puberdade 
aproximadamente 
 Repressão dos impulsos. 
 Diminuição das atividades 
sexuais. 
 Mecanismo de defesa: 
sublimação. 
 Realizações escolares, 
alfabetização, socialização. 
 Fase relativamente calma. 
Fase genital Puberdade à 
idade adulta 
 Órgãos genitais. 
 Mudanças físicas e hormonais da 
puberdade despertam a libido. 
 Nos estágios pré-genitais há o 
autoerotismo. 
 Na fase genital, o adolescente já 
realiza escolhas objetais. 
 Amam o outro por motivos altruístas 
e não apenas por razões narcisistas 
ou egoístas. 
 Atração sexual, socialização, 
atividades de grupo, interesseprofissional, preparação para o 
casamento e interesse em constituir 
família. 
 Mecanismos de sublimação, 
identificação. 
 Função biológica: reprodução. 
 Aspectos psicológicos: estabilidade 
e segurança. 
Fontes: compilações de Hall e Lindzey (1984); Papalia, Olds e Feldman (2006); 
Fadiman e Frager (2002). 
 
48 
 
Para uma melhor compreensão da tabela anterior, algumas observações 
serão realizadas a seguir: 
 
Importante destacar que dentre os autores que estudam personalidade, 
como Hall e Lindzey (1984); Fadiman e Frager (2002), quanto os que estudam o 
desenvolvimento humano como Papalia, Olds e Feldman (2006), Cole e Cole (2004), 
ao fazerem menção à teoria de Freud, os mesmos ressaltam que os estágios 
acontecem em idades aproximadas, visto que temos que considerar as diferenças 
individuais. Isso deve ser ressaltado ainda mais se considerarmos que a teoria de 
Freud foi descrita há bastante tempo. Por exemplo, o texto sobre o Complexo de 
Édipo data de 1897 e se considerarmos as diferenças ocorridas nas esferas sócio-
históricas e culturais nessa época há de se esperar que pequenas diferenças podem 
ocorrer (era mais fácil compreender a expressão “inveja do pênis” na sociedade da 
época extremamente machista, onde a mulher ainda era extremamente reprimida 
educacionalmente e sexualmente, não era garantido a ela o direito de voto do que 
na atualidade, quando a igualdade dos sexos prega uma realidade diferente). 
Observa-se que a libido (prazer sexual) modifica-se de uma zona corporal 
para a outra. Freud causou um grande impacto na sociedade científica e leiga ao 
afirmar que a sexualidade fazia parte da vida infantil, já que as crianças eram 
consideradas verdadeiros anjos, isentos de uma dimensão sexual. Houve uma 
verdadeira interpretação errônea, não se está afirmando que a dimensão sexual a 
qual o adulto está acostumado se faz presente na vida das crianças, apenas que a 
sexualidade, na forma de energia, de libido, é um impulso que se faz presente desde 
o nascimento e é responsável pela sobrevivência do ser humano. 
Inicialmente, a libido está concentrada na boca, região relacionada à 
sobrevivência, à nutrição. Se sugar não fosse também fonte de prazer talvez o bebê 
não tivesse, por si só, condições de mamar e garantir sua sobrevivência. Observa-se 
que o bebê acalma ao mamar, ao chupar os dedos, a chupeta, ou seja, alivia 
tensões associadas à zona oral. Quando essa libido não migra para outras zonas, 
ou seja, quando acontecem as denominadas fixações, as consequências persistem 
até anos posteriores, conforme mostra a tabela. 
Se o desenvolvimento segue seu curso normal, a libido passa para o ânus, 
ocasião em que, por esse motivo, é indicado retirar as fraldas da criança. Retirar as 
fraldas antes dessa idade não é recomendado, visto que a libido normalmente ainda 
49 
 
não foi deslocada para a região anal, por isso a atenção da criança não está 
direcionada para a retenção e eliminação das fezes e o ato de controlar as idas ao 
banheiro pode ser difícil. 
Quando a libido é deslocada para os órgãos genitais, na fase fálica, é muito 
comum observarmos as crianças, sejam elas meninos ou meninas, num processo 
constante de conhecimento do próprio corpo e curiosidade com o corpo do outro. A 
criança descobre que obtém prazer pela estimulação dela mesma em determinadas 
zonas de seu corpo, em especial as zonas genitais, o que costuma gerar 
constrangimentos por parte de professores e familiares. Freud denominava esse 
processo de autoerotismo. Nesse período, a criança passa por conflitos 
inconscientes entre seus impulsos biológicos inatos e as exigências sociais, já que 
as pessoas reprimem essa manipulação. Convém ressaltar que o processo de 
descoberta do corpo e do prazer que o mesmo proporciona nesta fase é normal e os 
adultos devem tentar intervir com naturalidade para minimizar os comportamentos 
exploratórios excessivos e públicos por parte da criança. Observa-se que nas fases 
anteriores só os impulsos biológicos estavam em jogo. 
Os mecanismos de defesa foram definidos por Freud como medidas 
extremas para se aliviar a tensão quando o ego se vê sob a pressão excessiva da 
angústia. Segundo Hall e Lindzey (1984, p.38): 
 
Todos os mecanismos de defesa possuem duas características em comum: 
1) negam, falsificam ou distorcem a realidade; 2) operam 
inconscientemente, de sorte que a pessoa não tem consciência do que está 
ocorrendo. 
 
Citamos que na latência, o mecanismo de defesa característico é a 
sublimação, que consiste, em linhas gerais, no fato da criança, neste momento, ter 
suas pulsões sexuais da fase anterior – fase fálica – canalizadas para outras 
atividades, como as acadêmicas e culturais (LAPLANCHE; PONTALIS, 1988). 
Assim, compreendemos porque do ponto de vista psicossexual, da libido, da 
energia, é por volta dos 6 anos – fase da latência – que a criança encontra-se em 
condições de ingressar-se na educação básica e de ser alfabetizada. Antes dessa 
fase, sua libido estaria toda direcionada à região genital, seu prazer seria atingido 
pela curiosidade e pelo autoerotismo, portanto, a aprendizagem não seria 
satisfatória. Por outro lado, na fase da latência, observa-se na tabela que a libido 
50 
 
não está localizada em nenhum órgão do corpo, ou seja, a libido se desloca para 
fora do corpo, permitindo à criança a satisfação por vias exteriores a ele, como as 
intelectuais. 
Outro mecanismo de defesa citado na tabela anterior que acontece na fase 
genital é a identificação que consiste, em linhas gerais, num processo inconsciente, 
em que o indivíduo assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se 
transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desta pessoa. Convém 
destacar que a personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de 
identificações (HALL; LINDZEY, 1984). 
As fases oral, anal, genital e de latência ocorrem de maneira semelhante em 
ambos os sexos. Na fase fálica acontecem dois eventos marcantes – o Complexo de 
Édipo e o Complexo de Castração – os quais apresentam história e destino 
diferentes nos meninos e nas meninas. É muito importante conhecer os dois 
complexos para tentar compreender que as diferenças entre meninos e meninas não 
são apenas anatômicas e começam a ficar mais evidentes em sua personalidade na 
ocasião da elaboração desses complexos. 
O termo Complexo de Édipo foi citado por Freud a partir da leitura da 
“Trilogia Tebana”, em que Édipo matou seu pai e se casou com a mãe (JORGE; 
FERREIRA, 2002). Entende-se que, a partir de seus escritos sobre o complexo de 
Édipo e o complexo de castração, devemos fazer uma leitura crítica e realizar 
interpretações cuidadosas, para não corrermos o cuidado de cair naquela visão 
crítica de que “Freud afirmou que as crianças desejavam conscientemente manter 
relações sexuais com suas mães”. Como já foi explicado anteriormente, o sentido 
não é esse, ele teorizou a respeito de libido, de energia, de desejos inconscientes, 
portanto, aqui não iremos fugir da ideia inicial. 
 
Inicialmente, há o interesse precoce da criança pelos órgãos genitais. Aqui, 
a diferença genital não conta, porque a criança fabrica a fantasia de que 
todos os seres humanos têm o mesmo genital: o órgão sexual masculino. 
Depois, vem o período em que ela se depara com a diferença entre os 
sexos: tanto ela quanto os adultos se dividem entre aqueles que têm pênis e 
aqueles que não têm. Dessa constatação advêm fantasias: ameaça de 
perder o pênis para os meninos e esperança de vir a tê-lo para as meninas. 
Freud afirma que essa fantasia tem a função de reparar a decepção de um 
deslocamento: existem seres humanos desprovidos de uma parte preciosa.O desmoronamento da prevalência do órgão sexual masculino inaugura o 
complexo de castração. Desta forma, o complexo de castração se 
apresenta indissociável do complexo de Édipo (JORGE; FERREIRA, 2002, 
p.47-48). 
51 
 
a) Complexo de Édipo e angústia de castração no menino: 
A síntese a seguir mostra o caminho que o menino percorre para a 
resolução de seu complexo de Édipo e para lidar com a angústia de castração. 
 O menino deseja possuir a mãe e afastar o pai. 
 Alternância entre amor e ódio pelos pais. 
 Mãe: primeiro objeto de amor. 
 Teme ser castigado pelo pai (por desejar a mãe): angústia de 
castração. 
 Reprime o desejo sexual em relação à mãe e sua hostilidade em 
relação ao pai. 
 Identificação com o pai. 
 Repressão do Complexo de Édipo: superego: garantia contra o incesto 
e a agressão. 
 
No menino, o drama edípico se articula com a entrada no complexo de 
castração: “Se alguns têm pênis e outros não, logo eu que tenho, posso 
perdê-lo”. Aqui, entra em cena a função do pai que é interditar a mãe. Essa 
proibição, núcleo do sentimento de culpa, conduz o menino à renúncia da 
mãe e à identificação com o pai. Logo, identificação viril – que se realiza 
pela internalização do pai como ideal do eu – e substituição da mãe pelas 
mulheres resultam na resolução do complexo de Édipo e na saída 
encontrada para o complexo de castração (JORGE; FERREIRA, 2002, p.48-
49). 
 
b) Complexo de Édipo e complexo de castração na menina 
A síntese a seguir mostra o caminho que a menina percorre para a 
resolução do drama edípico e para lidar com a constatação da sua castração. 
 Objeto de amor inicial: mãe. 
 Descobre que o menino tem o pênis e ela não tem. 
 Culpa a mãe por sua castração. 
 Deslocamento para o pai, pois ele possui o falo. 
 Amor pelo pai e pelos homens: mesclado pela inveja do pênis. 
 Complexo de castração: ela imagina que teve um pênis e o perdeu. 
 Compensação da falta do pênis com o nascimento de um filho homem. 
 O complexo de castração dá início ao Complexo de Édipo, que tende a 
persistir. 
52 
 
 Na menina o complexo não é tão fortemente reprimido como no menino, 
fundamentando as diferenças psicológicas entre os sexos. 
 
Em relação à menina, a resolução do drama edípico se efetua não pela 
saída encontrada pelo menino para o complexo de castração, mas com o 
fato de se deparar com sua própria condição anatômica, experimentada 
como castração: “Nunca tive pênis, logo nunca poderei vir a tê-lo”. Isto 
implica numa dupla renúncia: ao pênis e à fantasia erótica de ter um filho 
com o pai (JORGE; FERREIRA, 2002, p.49). 
 
Compreender essas diferenças entre menino e menina, assim como o que 
acontece com a libido no processo de latência e alguns mecanismos de defesa é 
muito pouco diante da extensa teoria psicanalítica, mas é um pouco necessário ao 
profissional da educação, que irá lidar com crianças em diferentes fases de 
desenvolvimento. Essas breves pinceladas sobre a psicanálise não deixarão o 
educador atônito ao se deparar com uma criança na fase fálica explorando seus 
órgãos genitais, ou, ao mesmo tempo, compreenderá, por via de uma outra teoria, 
não pedagógica, por que forçar a alfabetização antes da idade recomendada pode 
não ser benéfico para a criança, assim como pode não ser recomendável a retirada 
das fraldas por volta dos oito meses, como muitos pais o faziam. Associando-se a 
psicanálise à educação pode-se refletir que: 
 
O trabalho educativo orientado pela Psicanálise reconhece a individualidade 
de cada aluno e que não existe modelo único, nem um sistema fixo de 
representações. Utiliza-se uma ética baseada no respeito às diferenças 
individuais como único meio de se atingir a igualdade social. A ética do 
respeito e do reconhecimento (CASSINS, 2007, p.29). 
 
53 
 
UNIDADE 4 – PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM 
 
Até este momento, procurou-se definir a psicologia e seu campo de estudo; 
o Behaviorismo e a Psicanálise, que trazem importantes contribuições para a 
formação teórica e, consequente, aplicação prática do educador. Definiu-se também 
a psicologia da educação e escolar, procurando estabelecer uma diferenciação entre 
a práxis do psicólogo escolar e as contribuições que a psicologia da educação têm a 
oferecer para o educador e os profissionais que atuam na escola. Para isso, 
precisamos compreender um pouco mais o processo de desenvolvimento humano e 
algumas teorias psicológicas, como a psicanálise de Freud, e as que fazem ponte 
entre a psicologia e a educação, como as teorias de Piaget e Vygotsky. 
A partir de agora, pretende-se enfocar o aluno dentro do paradigma da 
psicologia da aprendizagem, compreendendo esta dentro de um viés cognitivo, 
social e afetivo. Serão enfocados conceitos, teorias, dificuldades de aprendizagem e 
possibilidades que podem ser oferecidas pela psicologia sempre em interface com a 
educação. 
A aprendizagem acontece desde o momento do nascimento, mas a escola é 
o local destinado à educação formal. A citação a seguir ilustra isso: 
 
A aquisição da linguagem escrita é um objetivo básico a ser alcançado na 
fase inicial de escolarização e dela depende o sucesso da aprendizagem 
escolar nas fases posteriores da escolarização. Desde o momento em que a 
criança inicia sua vida escolar, a aprendizagem da leitura e da escrita se 
torna o objetivo principal, inicialmente em função da alfabetização, que 
marca a entrada da criança em um novo mundo, onde ela pode ser mais 
autônoma, por ser capaz de ler informações importantes e entender melhor 
o que está à sua volta, como também, a partir desse conhecimento, buscar 
formas de desenvolver essa nova capacidade. Assim, após a aprendizagem 
dessas habilidades, no decorrer dos anos da vida acadêmica, a 
leitura/escrita continua sendo fundamental para o ensino e a aprendizagem 
de diversas disciplinas. (HAGEN; MIRANDA; MOTA, 2010, p.149). 
 
4.1 Aprendizagem e psicologia da aprendizagem 
Gazzaninga e Heatherton (2005) definem aprendizagem como uma 
mudança relativamente duradoura de comportamento que acontece quando os 
indivíduos se beneficiam da experiência para assim tornarem seus comportamentos 
futuros mais adaptados ao ambiente. Há mecanismos biológicos similares 
envolvidos na aprendizagem e na memória. 
54 
 
Como já foi apresentado anteriormente nesta apostila (quando se estudou o 
behaviorismo), a aprendizagem pode ocorrer através de reforços – que são 
estímulos posteriores a uma determinada resposta e que aumentam a probabilidade 
desta resposta ser repetida. Esse tipo de aprendizagem, ou condicionamento, pode 
acontecer tanto em humanos, quanto em animais. Recapitulando a aprendizagem 
por condicionamento: 
 
O condicionamento clássico envolve a associação aprendida entre 
estímulos neutros e reflexivos. O condicionamento operante é uma forma de 
aprendizagem em que os estímulos que se seguem a comportamentos 
determinam a probabilidade de os comportamentos serem repetidos. Os 
reforços positivos aumentam o comportamento ao proporcionar uma 
recompensa, ao passo que os reforços negativos aumentam o 
comportamento ao remover um estímulo aversivo. O reforço contínuo é 
melhor para a aquisição de um novo comportamento, enquanto o reforço 
parcial, especialmente o reforço de razão variável, é mais resistente à 
extinção. A punição só é efetiva quando é aplicada imediatamente após o 
comportamento indesejado. A punição muitas vezes é utilizada de modo 
inefetivo e tem uma série de consequências indesejáveis. A biologia impõe 
limites para que os animais podem aprender, e os animais têm dificuldades 
em adquirir comportamentos que são incompatíveis com respostas 
adaptativas evolutivas (GAZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.198).Ensinar através de condicionamentos é uma forma eficaz, porém, aprender 
através de condicionamento, reforços e punições não é a única estratégia existente. 
Bandura propôs a teoria da aprendizagem social, a qual postula que a 
aprendizagem, em especial das crianças, ocorre pela observação e imitação de 
modelos. Nessa teoria, o aprendiz aparece com um papel ativo sobre o ambiente. 
De acordo com a teoria de Bandura, as crianças escolhem quem irão 
observar, mesmo que o modelo não esteja presente no momento, sendo que a 
escolha do modelo a imitar é influenciada pelas características do modelo, pela 
escolha, pelo ambiente, ou, por exemplo, se o comportamento é valorizado pela 
cultura. 
 
Segundo a teoria da aprendizagem social, a imitação de modelos é o 
elemento mais importante na forma como as crianças aprendem uma 
língua, lidam com a agressividade, desenvolvem um senso moral e 
aprendem comportamentos apropriados ao gênero (PAPALIA; OLDS; 
FELDMAN, 2006, p.73-74). 
 
Essa linha teórica é importante para embasar teoricamente, por exemplo, os 
estágios de observação, onde, após estudar teoricamente, o próximo passo do 
55 
 
estagiário é observar os profissionais executarem as tarefas para que apenas 
futuramente ele possa desempenhá-las. 
Num momento anterior desse material, fornecemos definições sobre 
psicologia da educação e escolar e qual o papel do psicólogo educacional/escolar na 
equipe multiprofissional da escola. Porém, temos também a psicologia da 
aprendizagem, cuja definição está mais voltada para os processos psicológicos 
relacionados à aprendizagem em si, como mostra a citação a seguir. 
 
A Psicologia da Aprendizagem estuda o complexo processo pelo qual as 
formas de pensar e os conhecimentos existentes numa sociedade são 
apropriados pela criança. Para que se possa entender esse processo é 
necessário reconhecer a natureza social da aprendizagem (OLIVEIRA; 
DAVIS, 1994, p.21). 
 
4.2 Processos psicológicos do estudante e a aprendizagem 
Definimos brevemente o que é a aprendizagem – um campo de estudo da 
psicologia e também área de interesse do educador. Entender como ocorre a 
aprendizagem é essencial para compreendermos, por exemplo, o que causam as 
dificuldades de aprendizagem. Porém, antes de pensarmos nas dificuldades de 
aprendizagem, iremos aprofundar um pouco mais na questão de como as pessoas 
aprendem, ou melhor, como as pessoas pensam. 
A área da psicologia que estuda esse campo não é a psicologia escolar, mas 
a psicologia cognitiva, que é “o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, 
lembram-se e pensam sobre a informação” (STERNBERG, 2010, p.1). 
Em linhas gerais, pode-se afirmar que a Psicologia Cognitiva preocupa-se com os 
processos internos envolvidos em extrair sentido do ambiente e decidir que ação 
deve ser apropriada. São processos cognitivos a atenção, a percepção, a 
aprendizagem, a memória, a linguagem, a resolução de problemas, o raciocínio e o 
pensamento. 
Como os temas são bastante extensos e não haveria espaço disponível para 
abordarmos todos aqui nesta apostila, limitaremo-nos a discorrer acerca da atenção, 
memória e inteligência, processos cognitivos esses que estão muito próximos da 
prática do educador. Importante ressaltar que esses processos cognitivos atuam 
conjuntamente a nível cerebral, sendo, muitas vezes, difícil compreender o 
funcionamento de um processo cognitivo isolado do outro. 
 
56 
 
a) Atenção 
A atenção refere-se tipicamente à seletividade do processamento. É a 
direção da consciência, focalização. É a aplicação seletiva da sensibilidade a uma 
determinada porção dos fenômenos que nos afetam. Para estar atento, o indivíduo 
precisa abdicar a percepção de determinados estímulos para assim lidar de maneira 
eficaz com outros. 
“O estudo da atenção é o estudo de como o cérebro seleciona quais 
estímulos sensoriais descartar e quais transmitir para níveis superiores de 
processamento” (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005, p. 175). 
Para Sternberg (2008, p. 71), a atenção tem papel importante no 
funcionamento psicológico do ser humano, ou seja, é fundamental para 
sobrevivência e adaptação. “Os fenômenos psicológicos da atenção nos possibilitam 
usar nossos recursos mentais limitados de forma sensata” (p. 72). O autor 
acrescenta que assim podemos nos focar em estímulos do nosso interesse e 
responder de forma mais rápida e precisa a esses estímulos, ou seja, interesse faz 
menção a uma característica que depende da vontade, da afetividade, que iremos 
aprofundar num outro momento. 
A atenção está também estreitamente ligada à memória. “É mais provável 
que nos lembremos de informações às quais prestamos atenção do que das que 
ignoramos.” (STERNBERG, 2008, p. 72) 
A atenção pode ser de dois tipos: focalizada (seletiva) ou dividida. 
 Atenção focalizada (seletiva): dentre mais de um estímulo, a pessoa seleciona 
aquele ao qual irá direcionar sua atenção. Exemplo: quando abrimos mão de 
músicas e conversas no celular para nos dedicar a estudar uma apostila. 
 Atenção dividida: dentre mais de um estímulo, a pessoa direciona sua 
atenção a todos eles. Exemplo: atenção necessária para dirigir (necessidade 
de prestar atenção a todos os retrovisores, volante, pedais, marchas, sons, 
entre outros). 
Atualmente, ouve-se muito falar no TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção 
e Hiperatividade – em alunos. Os sintomas principais são desatenção, hiperatividade 
ou ambos, o que pode influenciar negativamente no desempenho escolar do aluno. 
Quando é do tipo hiperativo costuma causar desajustes em toda a classe. Há a 
necessidade de avaliação por equipe multidisciplinar, composta principalmente por 
médico e neuropsicólogo, pois, atualmente, há vários casos de crianças com 
57 
 
diagnóstico impreciso e que são medicadas de forma desnecessária, o que pode 
acarretar numa série de prejuízos. Importante destacar que o professor tem um 
importante papel no diagnóstico do TDAH, pois, na maioria das vezes, ele percebe 
os primeiros sintomas antes mesmo dos pais e deve relatar que há algo de errado 
com a criança. A grande questão é tentar não confundir TDAH, um transtorno real, 
biológico, que necessita de tratamento, com falta de limites, uma questão 
comportamental, que precisa ser corrigida, sem o uso de medicação (COUTINHO et 
al., 2009). 
 
b) Memória 
Assim como a atenção, a memória é imprescindível para o desempenho de 
tarefas escolares, de atividades cotidianas, assim como para a nossa sobrevivência 
em geral. Gazaninga e Heatherton (2005, p.216) definem memória como: 
 
[...] a capacidade do sistema nervoso de adquirir e reter habilidades e 
conhecimentos utilizáveis, permitindo que os organismos se beneficiem da 
experiência. [...] Todo nosso senso de self é aquilo que sabemos por nossa 
memória, nossas lembranças de experiências pessoais. 
 
Os autores levantam um ponto extremamente importante, o qual iremos 
reforçar: a memória é nossa identidade, pois somos aquilo que lembramos. A 
linguagem exerce um importante papel por ser um processo cognitivo relacionado 
com a memória e, além disso, por, junto dessa, atuar na formação da identidade de 
cada um. Izquierdo, na citação a seguir, reforça essa ideia: 
 
Memória é a aquisição, a formação, a conservação e a evocação de 
informações. 
O conjunto das memórias de cada um determina aquilo que se denomina 
personalidade ou forma de ser. Um humano ou um animal criado no medo 
será mais cuidadoso, introvertido, lutador ou ressentido, dependendo mais 
de suas lembranças específicas do que de suas propriedades congênitas. 
Nem sequer as lembranças específicas dos seres clonados (como os 
gêmeos univitelinos) são iguais; as experiênciasde vida de cada um são 
diferentes. [...] 
O acervo das memórias de cada um nos converte em indivíduos. 
Em seu sentido mais amplo, então, a palavra “memória” abrange desde os 
mecanismos que operam nas placas de meu computador, até a história de 
cada cidade, país, povo ou civilização, e as memórias individuais dos 
animais e das pessoas. [...] 
Os seres humanos utilizam, a partir dos 2 ou 3 anos de idade, a linguagem 
para adquirir, codificar, guardar ou evocar memórias, as demais espécies 
animais, não (IZQUIERDO, 2006, p.9-12). 
58 
 
Os estudiosos da memória dividem-na em diferentes sistemas, o que não 
será abordado aqui. Apenas iremos ressaltar dois tipos de armazenamento na 
memória que devem ser conhecidos pelo educador: a memória de curto prazo e a 
memória de longo prazo. 
A memória de curto prazo possui capacidade limitada e contém informações 
na consciência por um período de tempo muito breve. Caso essas informações não 
sejam direcionadas para a memória de longo prazo elas serão perdidas 
(GAZANINGA; HEARTHETON, 2005). 
Já a memória de longo prazo contém informações que foram transferidas da 
memória de curto prazo, as quais pareceram úteis para o indivíduo que as 
armazenou. Para que a informação seja armazenada e mantida, alguns aspectos 
devem ser considerados, como, por exemplo, a repetição – estratégia bastante 
conhecida pelos estudantes (GAZANINGA; HEARTHETON, 2005). 
A emoção e o interesse afetivo também estão diretamente relacionados a 
uma boa memória, da mesma forma que a ansiedade prejudica o bom 
funcionamento da mesma (STERNBERG, 2010). 
 
c) Inteligência 
 
[...] inteligência é a capacidade para aprender com a experiência, usando 
processos metacognitivos para incrementar a aprendizagem e a capacidade 
de adaptar-se ao meio ambiente que nos cerca. Pode exigir adaptações 
diferentes no âmbito de contextos sociais e culturais diferentes 
(STERNBERG, 2010, p.474). 
 
Essa é uma definição bastante genérica sobre inteligência, conceito que não 
é unificado. Há testes para medir a inteligência, mas hoje em dia acredita-se que 
nem tudo pode ser testado e quantificado. Gazzaninga e Heatheton (2005) elucidam 
que uma série de estudos aponta que a inteligência sofre influência dos fatores 
genético e ambiental. 
Pesquisadores acreditam que a inteligência é um construto unificado, ou 
seja, existem pessoas muito inteligentes de maneira geral ou pouco inteligentes de 
maneira geral; por outro lado, outros teóricos enfatizam a existência de inteligências 
múltiplas, o que torna a definição menos segregatória. Há também o conceito de 
inteligência emocional, o qual, em linhas gerais, articula emoção e pensamento, 
bastante utilizado na atualidade. Compreender a inteligência e como ela se 
59 
 
manifesta de diferentes formas, em diferentes níveis, nos estudantes é um grande 
desafio para o professor. 
Um desses modelos de inteligência, proposto por Gardner, denominado 
como teoria de inteligências múltiplas (STERNBERG, 2010), apregoa que a 
inteligência engloba vários constructos independentes, os quais juntos constituem a 
inteligência. As nove inteligências de Gardner estão expressas no quadro a seguir: 
 
Tabela 05: Inteligências múltiplas de Gardner e descrição 
 
Fonte: Henneman (2012). 
 
Em relação às inteligências múltiplas e o papel do educador Maia (2008, 
p.89) conclui que: 
 
Com sua teoria, Gardner busca salientar a pluralidade da mente e a 
ineficácia da medição, da classificação e da hereditariedade. Diferentes 
inteligências fazem partes da constituição do sujeito, o que significa que os 
sujeitos possuem inteligências diferenciadas a serem trabalhadas e 
valorizadas. Cabe à família, à sociedade e ao educador, principalmente, 
desenvolvê-las e respeitá-las. 
 
Seria positivo falar nesse material sobre os outros processos cognitivos, já 
que todos possuem relação com a aprendizagem, porém, devido às limitações de 
espaço isso se torna inviável. 
O professor precisa ter em mente que todos os processos cognitivos – 
percepção, atenção, memória, inteligência, linguagem – são processos complexos e 
inter-relacionados. Devido a essa relação íntima entre os processos cognitivos, 
60 
 
conseguimos compreender, por exemplo, que uma queixa de falta de memória pode 
ser, na verdade, um problema da ordem da atenção. 
Mesmo sendo processos cognitivos, sofrem influência dos estados 
emocionais do indivíduo, o que justifica, por exemplo, o “branco” que acontece na 
hora da prova mesmo após horas de estudo e conhecimento da matéria. 
 
4.3 Teorias da Aprendizagem: aprendizagem de crianças (Piaget e Vygotsky) X 
aprendizagem de adultos (Knowles): 
Quando verificamos as teorias construtivista (Piaget) e sócio-histórica 
(Vygotsky), é possível perceber que as mesmas enfocam a aprendizagem da 
criança e do adolescente. 
Piaget refere-se ao desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente, 
embasou sua teoria com a observação de crianças, enquanto que Vygotsky teorizou 
acerca de questões desenvolvimentais que ocorrem na infância (como a aquisição 
da linguagem). 
O construtivismo, como já foi citado em outras seções desse material, é um 
referencial muito difundido para o ensino e a aprendizagem e pode ser 
compreendido como: 
 
A interpretação construtivista em sentido estrito dá ênfase aos processos 
individuais e endógenos de construção do conhecimento e apresenta a 
atividade autoestruturante do aluno – atividade cuja origem, organização e 
planejamento correspondem ao aluno, para que este possa realizar uma 
verdadeira aprendizagem. Desde modo, a ação pedagógica terá como 
finalidade criar um ambiente rico e estimulante no qual ele possa se 
desenvolver sem limitações à sua atividade autoestruturante (COLL; 
MARTI, 2004, p.57). 
 
Autores como Osterman e Cavalcanti (2010) afirmam que as ideias de 
Piaget são utilizadas para o ensino de Física e Ciências em geral, pois ele mostrou 
que as crianças aprendem espontaneamente sobre o mundo físico em determinadas 
fases de seu desenvolvimento cognitivo (o que foi ilustrado na seção sobre os 
estágios de Piaget). Porém, mesmo com esse exemplo sobre o ensino de física, 
outros autores mostram como o construtivismo de Piaget continua sendo uma 
preferência para os anos iniciais de escolarização: 
 
A interpretação construtivista em sentido estrito da aprendizagem escolar 
inspirou programas pedagógicos dirigidos fundamentalmente à educação 
61 
 
pré-escolar e aos primeiros anos do ensino fundamental. [...] A maioria dos 
conteúdos que se trabalham na escola, sobretudo a partir de um certo nível 
de escolaridade, possuem um nível de complexidade tal que é muito difícil 
sua assimilação sem um tipo de ajuda muito mais direta e focalizada que 
aquela que parece sugerir a formulação exposta (COLL; MARTI, 2004, 
p.57). 
 
Ao recapitular a perspectiva sócio-histórica de Vygotsky, observa-se que o 
teórico enfatizou a importância da mediação, dos signos, da formação de conceitos, 
da linguagem, da zona de desenvolvimento proximal, da afetividade. 
 
É destacada, portanto, a importância da figura professor como 
identificação/modelo e como elemento-chave nas interações sociais do 
estudante. Os sistemas de signos, a linguagem, os diagramas que o 
professor utiliza têm um papel relevante na psicologia vygotskyana, pois a 
aprendizagem depende da riqueza do sistema de signos transmitido e como 
são utilizados os instrumentos. O objetivo geral da educação, na 
perspectiva vygotskyana, seria o desenvolvimento da consciência 
construída culturalmente (OSTERMANN; CAVALCANTI, 2010, p.28). 
 
Até aqui discutimos várias teorias a respeito de como se ensinar crianças, 
mas será que apenasos pequenos desejam aprender? Os adultos também não 
apresentam os mesmos processos cognitivos e os mesmos interesses? Será que os 
métodos para ensinar as crianças são os mesmos para ensinar os adultos? 
Carvalho et al. (2010) fazem uma relevante diferenciação entre a pedagogia 
e a andragogia. Enquanto a pedagogia, em linhas gerais, pode ser compreendida 
como educação para crianças – indivíduos que, devido às características de seu 
desenvolvimento, são mais dependentes de cuidados por partes de terceiros, como, 
por exemplo, a atenção dispensada por seus professores, por outro lado, a 
andragogia consiste na arte de ensinar o adulto a aprender (apud KNOWLES, 1970). 
A tabela a seguir expõe algumas diferenciações básicas entre a pedagogia e a 
andragogia: 
 
62 
 
Tabela 06: Modelo Andragógico X Modelo Pedagógico 
 
Fonte: Noffs, Rodrigues (2011, p.287). 
 
Mesmo com essa conceituação defendida por teóricos como Knowles, ainda 
há um debate equivocado de teóricos que falam sobre a pedagogia do adulto, 
criando um grande equívoco contextual, como apontam Carvalho e colaboradores 
(2010), os quais afirmam a importância dos profissionais da educação investigarem 
o tema para terem subsídios teóricos suficientes e não cometerem enganos como 
esse. 
O adulto, diferentemente da criança, é mais independente, carrega consigo 
uma bagagem maior de experiências de vida – a qual não pode ser descartada no 
processo de aprendizagem. Assim, a metodologia de ensino direcionada ao adulto 
deve ser mais centrada no aluno, que pode ser autogestor de sua aprendizagem. O 
aluno, a partir de suas vivências, tem condições de escolher o que deseja aprender, 
de modo mais prático e aplicado à sua realidade. Cabe ao professor buscar aplicar 
os conteúdos à realidade de seus alunos (CARVALHO et al., 2010; NOFFS; 
RODRIGUES, 2011). 
 
Quando se olha a aprendizagem de adultos através da andragogia, vê-se 
que o papel do professor como é tradicionalmente conhecido, deve ser 
revisto. Os alunos adultos são conscientes de suas habilidades e 
experiências, e exigem seu maior envolvimento no processo de 
aprendizagem. O professor deve transformar-se em facilitador, em agente 
de transformação (CARVALHO et al., 2010, p.88). 
 
4.4 Afetividade, autoestima, relações interpessoais e aprendizagem 
Além da importância dos processos cognitivos – tais como a atenção, a 
percepção, a memória, a linguagem, a inteligência, a criatividade, a resolução de 
63 
 
problemas – para a aprendizagem, a psicologia também enfatiza a relevância de 
outros aspectos, tais como a afetividade, a autoestima e os relacionamentos 
interpessoais (com o professor, com os familiares e os colegas) para uma boa 
aprendizagem. 
Assim como os aspectos cognitivos, esses assuntos, por si só, poderiam ser 
temas de uma única apostila e não são os únicos fatores que não possuem relação 
direta com a cognição e influenciam na aprendizagem, porém, devido às limitações 
de espaço, os mesmo serão explorados de maneira sucinta nessa seção do 
material. 
 
a) Afetividade 
Importante partir do pressuposto de que a afetividade e a cognição 
possuem, cada uma delas, sua parcela de importância no que diz respeito à 
aprendizagem. Investigando diferentes referenciais teóricos, é comum observar que, 
a exemplo do que acontecia com a antiga discussão entre corpo e alma, razão e 
emoção, as duas entidades acabam por parecer antagônicas, ou uma extremamente 
dependente da outra. A citação a seguir explica melhor esse debate: 
 
Podemos notar, então, que, para algumas abordagens, a razão parece estar 
submetida à afetividade (conforme algumas interpretações do modelo 
freudiano, por exemplo), ou vice-versa (conforme algumas críticas feitas à 
abordagem piagetiana do assunto). Assim, consideramos muito importante 
rever os estatutos e os papéis atribuídos aos aspectos afetivos e cognitivos, 
nas diferentes teorias para empreender uma compreensão para além da 
visão dicotômica da natureza humana (SOUZA, 2011, p.50). 
 
Souza (2011) disserta sobre a questão das relações entre a afetividade e a 
inteligência no desenvolvimento psicológico nas teorias de Piaget, Vygotsky, Freud e 
Wallon. Como nesta apostila optamos por não abordar a teoria de Wallon, iremos 
compilar algumas das importantes considerações da pesquisadora a respeito das 
teorias dos outros três teóricos. 
Vygotsky realizou uma crítica a esta separação entre os aspectos 
intelectuais e afetivos, propondo uma união entre os dois processos. Segundo ele, o 
pensamento origina-se na motivação, que inclui necessidades, interesses, afeto e 
emoção. Desta forma, ele explica que uma das bases do pensamento é afetiva 
(OLIVEIRA, 1992b). 
 
64 
 
O ponto onde se encontram afetividade e inteligência, para Vygotsky, é na 
palavra, quanto aos seus dois componentes essenciais: o significado e o 
sentido. Sabemos que o estudo das funções cognitivas superiores tomando 
como referência a intervenção da mediação cultural, especialmente aquela 
propiciada pela linguagem e tendo como objeto de estudo a consciência 
humana, foi o foco de Vygotsky. [...] A palavra possui, então, dois 
elementos: o significado e o sentido. O primeiro refere-se a um sistema de 
relações objetivas que formam uma espécie de núcleo estável, o qual pode 
ser compartilhado com outros indivíduos do mesmo grupo cultural. O 
significado está, assim, para Vygotsky, mais relacionado ao 
desenvolvimento dos processos cognitivos superiores. O sentido, por sua 
vez, se refere ao significado para cada indivíduo, que está, portanto, 
diretamente relacionado às suas vivências particulares, sendo assim o polo 
mais afetivo da palavra. A palavra reúne, então, de acordo com a teoria 
vygotskyana, subjetividade e intersubjetividade, razão e emoção, afetividade 
e cognição [...] (SOUZA, 2011, p.251-252) 
 
Segundo Souza (2011), Piaget define que o afeto é essencial, porém não 
suficiente no funcionamento da inteligência. Segundo ele, a inteligência depende dos 
afetos, pois, sem eles, não haveria motivação e interesses e, consequentemente, a 
formulação de problemas, necessária à inteligência. La Taille (1992b) acrescenta 
que a articulação entre inteligência e afeto realizada por Piaget envolve a questão do 
juízo moral. 
Já em relação à teoria freudiana, como elucidamos anteriormente, Freud 
discorreu muito sobre as pulsões, e não enfatizou a questão da inteligência. Nesse 
sentido, Souza (2011, p.252) conclui que: 
 
Se tivermos que estabelecer para o modelo freudiano uma tendência quanto 
às relações entre afetividade e inteligência, diríamos que se trata de uma 
relação de preponderância dos impulsos inconscientes sobre o 
funcionamento cognitivo e afetivo consciente. 
 
Foi possível concluir que Vygotsky postula uma relação de 
complementaridade entre afetividade e Inteligência, enquanto Piaget defende a ideia 
de correspondência entre ambas, ao passo que Freud apregoa que aspectos da 
ordem das pulsões (instintos) influenciam no funcionamento afetivo e cognitivo 
(SOUZA, 2011). 
O profissional da educação deve compreender a importância da afetividade 
frente à aprendizagem. A afetividade não se reduz à positiva administração das 
relações interpessoais (assunto também importante e que será tratado a seguir), 
porém relaciona-se ao interesse, à motivação. Torna-se mais fácil compreender que 
o aluno tem maior facilidade em aprender o conteúdo que ele gosta mais, ou aquela 
matéria do professor que ele se identifica mais, ou presta mais atenção quando o 
65 
 
professor fala um assunto que lhe desperta o interesse. Desta forma, torna-se mais 
fácil compreender que afetividade e cognição caminham juntas e podem facilitar ou 
dificultara aprendizagem. Cabe ao professor saber usar a afetividade e a motivação 
como instrumentos de aproximação do aluno, não de repulsa do mesmo. 
 
b) Autoestima 
 
[...] a autoestima é o aspecto avaliativo do autoconceito, referindo-se a se a 
pessoa se percebe como tendo valor ou não, sendo boa ou má. São as 
respostas emocionais das pessoas ao contemplar e avaliar diferentes 
características suas (GAZZANINGA; HEARTHETON, 2005, p.416). 
 
A autoestima está relacionada ao autoconceito – o conhecimento que a 
pessoa possui sobre si mesma – e à consideração social percebida – ou seja, por 
exemplo, quando pessoas que ocupam lugar de importância na vida de 
determinadas pessoas as rejeitam ou humilham isso poderá resultar em baixa 
autoestima. O oposto também é verdadeiro (GAZZANINGA; HEARTHETON, 2005). 
Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), autoestima significa gostar de si 
mesmo de modo genuíno e altruísta; não se trata de excesso de valorização de si 
mesmo ou de arrogância e egocentrismo. Gostamos do que realmente somos, 
aceitando nossas próprias habilidades e limitações. O papel do outro é importante 
no desenvolvimento da autoestima, sejam eles familiares, amigos, ou mesmo 
desconhecidos. Afirmar que um sujeito possui uma autoestima elevada é o mesmo 
que dizer que ele tem um julgamento positivo de si mesmo. Miras (2004) acrescenta 
que alguns componentes do autoconceito, como a autoimagem e a aceitação social 
parecem ser determinantes no nível de autoestima e na citação abaixo, é possível 
observar como a autoestima relaciona-se diretamente com a aprendizagem. 
 
A inegável influência dos êxitos e dos fracassos acadêmicos no 
autoconceito e na autoestima do aluno tende a ser concebida muitas vezes 
de maneira excessivamente lógica e racional, esquecendo que as 
representações que se tem sobre si mesmo, e em particular as crenças 
sobre suas capacidades, estão estreitamente ligadas às necessidades 
básicas de controle e à habilidade de sentir-se bem consigo mesmo. Desse 
modo, a necessidade de manter um autoconceito e uma autoestima 
aceitáveis leva a pessoa a procurar modelar o ambiente para que se adapte 
às próprias expectativas e necessidades, evitando, na medida do possível, 
os fatos e as situações que podem fazer com que se sinta mal consigo 
mesma. Esse viés autoprotetor explicaria em parte por que os alunos com 
um autoconceito acadêmico pobre e um nível de autoestima baixo são os 
mais reticentes em pedir ajuda ao professor, ou também por que as normas 
66 
 
do grupo de iguais, em particular o grau em que valorizam ou se mostram 
hostis diante do êxito acadêmico, determinam a interação e a busca de 
ajuda no contexto da sala de aula (KENNEDY, 1997 apud MIRAS, 2004, 
p.219-220). 
 
Cabe ao educador refletir sobre como o autoconceito de seu aluno e sua 
autoestima influenciam em sua aprendizagem ou em suas dificuldades de 
aprendizagem. Mais que isso, ele deve entender que a autoestima não depende 
apenas do autoconceito, mas de todo o contexto socioeconômico e cultural no qual o 
aluno está inserido, o que pode acabar por reforçar sentimentos positivos ou 
negativos acerca de si mesmo. Uma análise acerca da relação entre autoestima e a 
aprendizagem / fracasso escolar aponta que diferentes linhas de raciocínio foram 
traçadas até o presente momento, de onde é possível concluir que: 
 
Nesse momento, parece ser importante retomar os caminhos e 
descaminhos trilhados pela autoestima e aprendizagem até o presente 
momento. Destacamos, assim, algumas análises: a) as estritamente 
psicológicas; b) as que pautam a discussão, quase que exclusivamente, no 
plano sociológico; c) as atuais, que discutem o fato da produção do fracasso 
produzir, também, baixa autoestima que, por sua vez, mantém o fracasso 
escolar. Pensamos, portanto, que se a autoestima influencia a 
aprendizagem escolar, esta também incide sobre a autoestima e ambas são 
construídas na relação com o outro. (FRANCO, 2009, p.328) 
 
Quando se fala da não aprendizagem escolar, deve-se compreender que as 
crianças e jovens que vivem esses problemas necessitam de condições de vida – 
biopsicossociais – que lhe proporcionem a formação de uma linha de raciocínio mais 
organizada, ou seja, pensar apenas na autoestima sem considerar toda a rede de 
relações na qual o estudante está inserido é simplista demais. É importante construir 
uma imagem positiva de si enquanto aluno, porém, mais que isso, a educação deve 
também “formar indivíduos capazes de perceber o real e de superar a realidade” 
(FRANCO, 2009, p.332). 
A autoestima é um assunto que já faz parte do senso comum, porém o 
educador deve tentar aprofundar os estudos sobre o tema em sua prática diária, 
ciente de que irá lidar com alunos de autoestima elevada, média e fraca. Como o 
professor é uma pessoa marcante para o aluno, certas atitudes e falas do mesmo 
poderão influenciar a autoestima do mesmo de maneira positiva ou negativa, o que 
pode ser perigoso, especialmente se estiver em jogo um aluno já com uma 
autoestima muito baixa. Uma visão mais detalhada do fracasso escolar será feita 
67 
 
numa outra seção, porém fica a reflexão de que a baixa autoestima pode ser tanto 
causa como consequência desse fenômeno devastador para o aluno, o professor, a 
sociedade e a educação em geral. 
 
c) Relacionamentos interpessoais 
Os reacionamentos interpessoais – ou relações humanas – dependendo da 
denominação do autor são, como afirma Weil (2002), especialidades do psiquiatra, 
psicólogo, sociólogo, assistente social e educador especializado, porém esses 
relacionamentos se encontram presentes onde se encontram pessoas reunidas, 
sejam nas famílias, no trabalho, na educação, nas organizações em geral, enfim, em 
todos os locais. 
 
O estudo das relações humanas constitui, hoje, verdadeira ciência 
complementada por uma arte – a de obter e conservar a cooperação e a 
confiança dos membros do grupo […] Problemas de relações humanas se 
encontram nas relações do indivíduo com o grupo, dos indivíduos entre si, 
do grupo com outros grupos, do líder com o grupo, do indivíduo com o líder. 
Onde se encontram dois indivíduos há problema de relações humanas. Nas 
escolas, se o professor não for um líder dos seus alunos, quer dizer, se os 
alunos não gostarem dele e não o seguirem como Mestre, terá ele perdido a 
metade do seu trabalho. A Pedagoia Moderna utiliza-se dos trabalhos em 
grupos para conseguir maior interesse dos alunos e, por conseguinte, maior 
rendimento na aprendizagem (WEIL, 2002, p. 15). 
 
O autor ilustra de maneira explícita que o trabalho do professor não seria 
completo se este não souber administrar as relações humanas que se estabelecem 
no ambiente da sala de aula, ou seja, mais uma vez, a partir de um referencial 
teórico completamente diferente, que dessa vez não enfoca as teorias de 
aprendizagem abordadas anteriormente, compreendemos que a aprendizagem não 
se dá apenas pelos fatores cognitivos, mas também pela via da afetividade. 
A citação a seguir serve para iniciar a discussão sobre o relacionamento 
interpessoal e a aprendizagem. O aluno é o maior interessado, o foco desse 
contexto, porém, uma série de relações é estabelecida para que uma via de 
comunicação eficaz seja executada: professores, familiares, diretores, supervisores, 
assistentes educacionais, comunidade, o aluno, dentre outros profissionais irão se 
relacionar em busca de atingir seus objetivos. E qual é esse objetivo? A 
aprendizagem, a educação, um bom relacionamento interpessoal. 
 
68 
 
Quando a família e a escola mantêm boas relações, as condições para um 
melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas. 
Assim, pais e professores devem ser estimulados a discutireme buscarem 
estratégias conjuntas e específicas ao seu papel, que resultem em novas 
opções e condições de ajuda mútua (LEITE & TASSONI, 2002). 
 
A escola deve reconhecer a importância da colaboração dos pais na história 
e no projeto escolar dos alunos e auxiliar as famílias a exercerem o seu 
papel na educação, na evolução e no sucesso profissional dos filhos e, 
concomitantemente, na transformação da sociedade (POLONIA; DESSEN, 
2005, p.304). 
 
A frase bastante conhecida do senso comum “O homem é um ser social” 
traz relevantes implicações para o estudo sobre as relações humanas. Iremos fazer 
uma reflexão sobre ela. Desde quando nos tornamos seres sociais? 
Bowlby desenvolveu importantes estudos sobre o vínculo estabelecido entre 
os bebês e seus cuidadores. Segundo ele, os bebês necessitam de cuidados de 
adultos para sobreviver, porém seu choro desencadeia no cuidador reações 
psicológicas, fisiológicas e comportamentais que os obriga a fornecer cuidados e 
consolo a esse recém-nascido. Como resposta a esse cuidado, com o 
desenvolvimento, o bebê começa e demonstrar reações de sorriso frente ao 
cuidador, criando assim a primeira interação social. Esse vínculo é denominado 
apego e se define como uma conexão emocional forte, íntima e persistente, que leva 
ao sentimento de segurança do bebê (GAZZANINGA; HEARTHETON, 2005). 
O educador deve compreender que o apego é a primeira interação social 
que a criança estabelece com alguém, normalmente com a mãe ou a cuidadora 
principal. Mesmo que essa criança não vá para a creche logo nos primeiros anos de 
vida é importante ter em mente que as implicações do apego em sua vida – a 
segurança, a confiança – provavelmente permanecerão como traços marcados nas 
relações interpessoais que ele irá estabelecer ao longo de sua vida (GAZZANINGA; 
HEARTHETON, 2005). 
Essas primeiras relações da criança com os pais, posteriormente irão se 
aprimorar em relações sociais cada vez mais complexas, constituindo-se no 
processo de socialização primária, que é realizado pela família. Já no decorrer do 
desenvolvimento infantil, os contatos da criança se expandem além dos domínios 
domésticos e ocorre o processo de socialização secundária na escola, onde 
acontecem relações interpessoais com professores, colegas, ou seja, com pessoas 
fora do convívio familiar. 
69 
 
Nesse sentido, Polonia e Dessen (2005) afirmam que tanto a família quanto 
a escola são instituições que atuam como impulsoras ou inibidoras do crescimento 
físico, intelectual e social das crianças. Cabe à família, a socialização da criança, ou 
seja, inserir a mesma no mundo adulto a partir do ensino da língua materna, dos 
símbolos e das regras de convivência em grupo. Já à escola cabe transmitir o saber 
formal, diferente do saber informal, repassado pelas famílias. 
A partir dos primeiros anos de vida a criança passa a se interessar pela 
companhia de crianças da mesma idade. A rejeição por parte dos colegas pode ser 
causa de violência escolar, por isso os programas de treinamento de habilidades 
sociais podem se mostrar positivos. Iremos aprofundar um pouco a respeito das 
habilidades sociais. 
Atualmente, já é de conhecimento das áreas afins da psicologia e da 
educação que o estudo e a promoção das habilidades sociais pode ser benéfica 
para todas as crianças, relacionando-se com a aprendizagem, o bom desempenho 
escolar, o desenvolvimento sócio-emocional e o ajustamento na escola (ROSIN-
PINOLA et al., 2007). 
 
O termo habilidades sociais, geralmente utilizado no plural, aplica-se às 
diferentes classes de comportamentos sociais do repertório de um 
indivíduo, que contribuem para a competência social, favorecendo um 
relacionamento saudável e produtivo com as demais pessoas (DEL 
PRETTE; DEL PRETTE, 2005; p. 31). 
 
Ao mesmo tempo em que pais, professores e demais profissionais da área 
da educação sentem-se confusos diante dos comportamentos de crianças e 
adolescentes, estes também vivem numa sociedade marcada por uma série de 
cobranças, pressões e permissividade. Assim, para lidar com estas características 
da sociedade atual, a criança precisa desenvolver um vasto repertório de 
habilidades sociais (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2005). 
Os programas de Treinamento de Habilidades Sociais na infância visam 
prevenir problemas nas crianças e atuam em duas vertentes: como alternativa de 
prevenção através da integração entre escola e família e sua associação com 
intervenções clínicas que visem à superação das dificuldades interpessoais e dos 
problemas relacionados (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2005). Se o indivíduo 
consegue tornar-se mais competente, seu bem-estar psicológico aumenta e, 
70 
 
consequentemente, ele terá maior capacidade para lidar com os fatores passíveis de 
provocar algum tipo de mal-ajustamento, assim como também poderá resistir a estes 
fatores de risco (DURLAK; WELLS, 1997). 
As interações que se desenvolvem no contexto educacional não são 
emocionalmente neutras, professores e alunos experimentam emoções positivas e 
negativas, ainda que os alunos acabem aprendendo a esconder suas emoções 
negativas para se adaptarem ao ambiente escolar (BOEKAERTS, 1996 apud 
MIRAS, 2004). Quando esses estados emocionais das relações interpessoais 
atingem certa intensidade em sala de aula, é provável que as partes envolvidas 
concentrem-se mais nos estados emocionais que nos aspectos cognitivos da tarefa 
desempenhada. 
 
Como assinalam Ratner e Settner (1991), a interação entre professores e 
alunos requer uma mutualidade e uma coordenação tanto de caráter 
cognitivo como afetivo e, nesse sentido, do mesmo modo que as emoções 
que experimentamos cumprem uma importante função autorreguladora, as 
emoções que percebemos nos outros proporcionam uma informação de 
vital importância para interpretar e regular nossas relações (MIRAS, 2004, 
p.221). 
 
A família pode ser responsável tanto pela aprendizagem quanto pelo 
fracasso do aluno, portanto, faz-se necessário que as escolas busquem cada vez 
mais a interação com as famílias, mesmo sabendo que isso não será fácil, que 
haverá resistências, porém o resultado final pode ser positivo para o 
desenvolvimento social, emocional e cognitivo do aluno. A parceria pais-educadores 
deve ser buscada, mesmo com todas as diferenças encontradas, visando sempre 
adaptar-se uns aos outros e concentrar seus investimentos na criança (POLONIA; 
DESSEN, 2005). 
 
4.5 Dificuldades de aprendizagem 
Definir dificuldades de aprendizagem não é tarefa simples. É um problema 
que atinge um número significativo de crianças e apresenta-se em diferentes tipos. A 
dificuldade pode ser específica, em apenas uma área (como, por exemplo, apenas 
na leitura ou apenas na matemática), ou pode ser geral, como no caso em que a 
criança apresenta um aprendizado mais lento em várias tarefas. Importante destacar 
que o diagnóstico das dificuldades de aprendizagem se dá através de avaliações e, 
caso alguma dificuldade seja realmente detectada, faz-se necessária a adoção de 
71 
 
um programa de intervenção com o objetivo de sanar ou apenas minimizar a 
dificuldade (DOCKRELL; MCSHANE, 2000). 
As dificuldades podem ser transitórias ou permanentes, podem ser devido a 
condições orgânicas ou sensoriais (por exemplo, uma baixa visão que leva a uma 
consequente dificuldade na leitura). Deve-se compreender que os fatores do meio 
podem ser agravantes dessa dificuldade, estratégias educacionais ineficientes, 
dentre outros fatores (DOCKRELL; MCSHANE, 2000). 
Falar em dificuldades de aprendizagem implica em abordar a temática do 
fracasso escolar (já mencionada anteriormente, que se associa a múltiplos fatores, 
dentre eles à autoestima do estudante)e, consequentemente, da evasão dos 
estudos. 
De acordo com Carraher, Carraher e Schliemann (1988), a evasão e o 
fracasso escolar são grandes desafios do sistema educacional. Vários 
pesquisadores estudam a produção do fracasso escolar, sendo que há diferentes 
pontos de vista acerca dos responsáveis pelo problema, como o próprio indivíduo, a 
classe social, o sistema sociopolítico econômico e, finalmente, o fracasso é 
produzido pela própria escola. 
As crianças inseridas num contexto de privação cultural podem apresentar 
desajustes de natureza cognitiva, afetiva ou social. Nestas crianças é comum 
observar deficiências nas funções psiconeurológicas, embasamento para o 
desempenho de atividades de leitura, linguagem, matemática, autoconceito 
negativo, sentimentos de culpa e vergonha, problemas familiares e 
desconhecimento de sua própria cultura. Segundo esta concepção, os processos 
psicológicos desenvolvem-se em função da experiência do sujeito, em especial nos 
seus primeiros anos de vida. Outros fatores como os biológicos também devem ser 
avaliados nesta visão mais ampla do fracasso escolar. Pode-se perceber que estes 
estão inter-relacionados, pois os efeitos da privação cultural, da má-alimentação e 
de uma saúde deficiente caminham paralelamente, mas não se podem generalizar 
os malefícios destes fatores em todas as crianças pertencentes a classes sociais 
menos abastadas. 
Carneiro, Martinelli e Sisto (2003) também fazem uma reflexão sobre os 
múltiplos fatores que resultam no fracasso escolar: 
 
72 
 
Dentre as situações externas mais arroladas, podemos citar as causas de 
ordem socioeconômica das famílias dos estudantes, acarretando a 
necessidade do trabalho infantil, e as causas de ordem sócio-institucional, 
que vão desde as condições da estrutura física da escola quanto às 
questões administrativas, salariais, pedagógicas passando também pela 
formação do professor . Dentre os fatores de ordem interna 
ao indivíduo, destacam-se os relacionados ao desenvolvimento cognitivo e 
os de ordem afetivo-emocionais, motivacionais e de relacionamento (p.428). 
 
Quanto não resultam em fracasso ou abandono da escola, as dificuldades 
de aprendizagem nos primeiros anos de escolarização giram em torno da 
matemática ou da linguística – grandes aquisições relacionadas a essa fase inicial. 
Em relação à escrita, Carneiro, Martinelli e Sisto (2003) listaram estudos de 
autores que investigaram que as dificuldades podem ocorrer no campo da 
codificação e da composição da escrita, outros apontam as dificuldades 
relacionadas às habilidades metalinguísticas (tema que será abordado na seção a 
seguir). 
 
Sabemos não existir uma causa única ou um fator exclusivo que possa 
determinar as dificuldades de aprendizagem, porém, atualmente, tem-se 
reconhecido que as alterações do tipo afetivo-emocionais, motivacionais e 
de relacionamento interpessoal têm contribuído para o surgimento dos 
problemas de aprendizagem (BORUCHOVITCH, 2001; MARTINELLI, 2001; 
apud CARNEIRO; MARTINELLI; SISTO 2003, p.428). 
 
4.6 Habilidades metalinguísticas 
A aprendizagem da leitura e da escrita é uma tarefa bastante complexa, 
visto que as duas habilidades são distintas e cada uma delas pode ser avaliada em 
vários níveis. 
O termo “habilidade metalinguística” pode ser brevemente definido como a 
habilidade de refletir sobre a língua como objeto do pensamento (PRATT; GRIEVE, 
1984 apud MOTA, 2009). 
Marec-Breton e Gombert (2004) afirmam que a escrita é composta de dois 
princípios: o princípio fonográfico, relacionado à correspondência entre as letras e os 
sons que compõem as palavras e o princípio semiográfico, que envolve a questão 
da constituição das palavras a partir dos seus morfemas. O princípio fonográfico 
relaciona-se aos fonemas a habilidade metalinguística relacionada é a consciência 
fonológica. Já o princípio semiográfico relaciona-se aos morfemas e a habilidade 
metalinguística relacionada é a consciência morfológica. 
73 
 
A consciência fonológica é a capacidade de refletir intencionalmente sobre 
os sons que compõem a fala e manipular estes segmentos (ANTHONY; FRANCIS, 
2005, CAPOVILLA; CAPOVILLA, 1998, 2000), sendo uma habilidade extremamente 
importante para a aprendizagem da leitura e da escrita de línguas alfabéticas 
(ANTHONY; FRANCIS, 2005). Por outro lado, a consciência morfológica é a 
habilidade de refletir sobre os morfemas que compõem as palavras e manipulá-los 
(CARLISLE, 1995), sendo uma habilidade metalinguística que contribui para a 
aprendizagem da escrita (CARLISLE, 1995; NUNES; BRYANT, 2006) como também 
na leitura de palavras individuais, na compreensão de textos (DEACON; KIRBY, 
2004). 
Miranda e Mota (2011) realizaram um estudo e perceberam que muitos dos 
erros cometidos pelas crianças em tarefas de ditado eram devido às estratégias 
fonológicas, ou seja, as crianças escrevem como falam. Se as mesmas 
aprendessem a escrever a partir dos morfemas esses erros poderiam ser 
minimizados. 
O estudo das habilidades metalinguísticas, em especial a consciência 
morfológica, no Brasil ainda não é muito numeroso. As estratégias de alfabetização 
enfatizam, em sua maioria, estratégias fonológicas e parece ser um recurso válido, 
como acontece em várias línguas, como a inglesa, ensinar as crianças a respeito 
dos morfemas. Esta linha de pesquisa é uma área de interesse da educação, da 
psicologia e da linguística. 
74 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANDRADE, Jorge Márcio Pereira de. Glossário. Banco de dados para e sobre 
pessoas com deficiência. Rio de Janeiro, 1999. Disponível em: 
http://www.defnet.org.br/ Acesso em 18 set. 2009. 
 
ANTHONY, J. L.; FRANCIS, D. J. Development of phonological awareness. Current 
Directions in Psychological Science, v.14, n.5, p.255-259, 2005. 
 
CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Treino de consciência fonológica de pré 1 
a segunda série: Efeitos sobre habilidades fonológicas, leitura e escrita. Temas 
sobre Desenvolvimento, v.7, n.40, p5-15, 1998. 
 
CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Efeitos do treino de consciência fonológica 
em crianças com baixo nível sócio-econômico. Psicologia: Reflexão e Crítica, v.13, 
n.1, p.7-24, 2000. 
 
CARLISLE, J.F. Morphological awareness and early reading achievement. In L.B. 
FELDMAN (Ed.), Morphological aspects of language processing (p. 189–209). 
Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 1995. 
 
CARNEIRO, Gabriela Reader da Silva; MARTINELLI, Selma de Cássia; SISTO, 
Firmino Fernandes. Autoconceito e dificuldades de aprendizagem na escrita. 
Psicologia: Reflexão e Crítica, v.16, n.3, p. 427-434, 2003 
 
CARRAHER, T. N.; CARRAHER, D.; SCHLIEMANN, A. Na vida dez, na escola zero: 
os contextos culturais da aprendizagem da matemática. In: CARRAHER, T. N.; 
CARRAHER, D.; SCHLIEMANN, A. Na vida dez, na escola zero. São Paulo, SP: 
Cortez, 1986. 
 
CARVALHO, Jair Antonio de; CARVALHO, Marlene Pedrote de; BARRETO, Maria 
Auxiliadora Motta; ALVES, Fabio Aguiar. Andragogia: considerações sobre a 
aprendizagem do adulto. REMPEC - Ensino, Saúde e Ambiente, v.3 n 1 p. 78-90 
Abril 2010. 
 
CARVALHO, Vania Brina Corrêa Lima de Carvalho. Desenvolvimento Humano e 
Psicologia: generalidades, conceitos, teorias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996. 
 
CASSINS, Ana Maria et al. Manual de psicologia escolar – educacional. Curitiba: 
Gráfica e Editora Unificado, 2007. 
 
COLE, M.; COLE, S. O desenvolvimento da criança e do adolescente. Porto Alegre: 
Artmed, 2005. 
 
COLL, Cesar. Concepções e tendências atuais em psicologia da educação. COLL, 
Cesar; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, Jesús. Desenvolvimento psicológico e 
educação: 2 Psicologia da educação escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004a. 
 
75 
 
_____. Construtivismo e educação:a concepção construtivista do ensino e da 
aprendizagem. COLL, Cesar; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, Jesús. 
Desenvolvimento psicológico e educação: 2 Psicologia da educação escolar. Porto 
Alegre: Artmed, 2004b. 
 
COLL, Cesar; MARTI, Eduardo. Aprendizagem e desenvolvimento: a concepção 
genético-cogntiva da aprendizagem. COLL, Cesar; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, 
Jesús. Desenvolvimento psicológico e educação: 2 Psicologia da educação escolar. 
Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
COUTINHO, Gabriel; MATTOS, Paulo; SHIMITDZ, Marcelo; FORTES, Didia; BORGES, 
Manuela. Concordância entre relatos de pais e professores para sintomas de TDAH: 
resultados de uma amostra clínica brasileira. Rev Psiq Clín. 2009; v.36, n.3, p.97-100 
 
DAVIS, Claudia; OLIVEIRA, Zilma de. Psicologia na educação. 2ª Ed. São Paulo: 
Cortez, 1994. 
 
DEACON, S. R.; KIRBY. Morphological awareness: Just "more phonological"? The 
roles of morphological and phonological awareness in reading development. Applied 
Psycholinguistics. V.25, n.2, p.223-238, 2004. 
 
 
DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Psicologia das habilidades sociais na 
infância: Teoria e prática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005 
 
DOCKRELL, Julie; MCSHANE, John. Crianças com dificuldades de aprendizagem: 
Uma abordagem cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
 
DURLAK, J. A.; WELLS, A. M. Prymary prevention mental health programs for 
children and adolescents: a meta analytic rewiew. American Journal of Community 
Psycology, V. 25, N. 2, 1997. 
 
EXPANDIR A MENTE. Freud e o inconsciente (2009). Disponível em: 
http://expandiramente.blogspot.com.br/2009/10/freud-e-o-inconsciente.html Acesso 
em 12 fevereiro 2015 
 
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 
2002. 
 
FRANCO, Adriana de Fátima. O mito da autoestima na aprendizagem escolar. 
Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional 
(ABRAPEE) V. 13, N. 2, Julho/Dezembro de 2009 p.325-332 
 
GAZZANINGA, Michael S.; HEATHERTON, Todd F. Ciência Psicológica: mente, 
cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005. 
 
HAGEN, Vivian; MIRANDA, Luciene Corrêa; MOTA, Marcia da. Consciência 
morfológica: um panorama da alfabetização em línguas alfabéticas. Psicologia: 
Teoria e Prática, v. 12, n.3, p135-148, 2010 
76 
 
 
HALL, Calvin S.; LINDZEY, Gardner. Teorias da personalidade: volume 1. São 
Paulo: EPU, 1984. 
 
HENNEMAN, Ana Lucia. A aprendizagem e as inteligências múltiplas. Neurociências 
em benefício da educação. 18/07/12 Disponível em: 
http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/07/a-aprendizagem-
e-as-inteligencias.html Acesso em 12 fevereiro 2015 
 
IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2006. 
 
JORGE, Marco Antonio Coutinho; FERREIRA, Nadiá P. Freud: criador da 
psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. 
 
LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. Vocabulário da psicanálise. 11. ed. São Paulo: 
Martins Fontes, 1988. 
 
LAPSI: um olhar sobre a educação. Laboratório de Psicologia da Educação. 
Disponível em: https://umolharsobreaeducacao.wordpress.com/category/psicologia-
da-educacao-ii/ 2014 Acesso em 12 fevereiro 2015 
 
LER E ESCREVER CERTO. As noções de conservação. 2009. Disponível em: 
http://lereescrevercerto.blogspot.com.br/2009/01/as-nocoes-de-conservacao.html 
Acesso em 12 fevereiro 2015 
 
MAIA, Christiane Martinatti. Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. 
Universidade Luterana do Brasil. Curitiba: IBPEX, 2008. 
 
MAREC-BRETON, N.; GOMBERT, J. E. A dimensão morfológica nos principais 
modelos de aprendizagem da leitura. In: M. R. MALUF (org). Psicologia Educacional: 
questões contemporâneas (p.105-121). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004. 
 
MARTINEZ, Albertina Mitjáns. Psicologia escolar e educacional: compromissos com 
a educação brasileira. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia 
Escolar e Educacional (ABRAPEE) v.13, n.1, Janeiro/Junho de 2009, p. 169-177. 
 
MIRANDA, Luciene Corrêa; MOTA, Marcia da. Estratégias cognitivas de escrita no 
português do Brasil. Psico-USF, v. 16, n. 2, p. 227-232, mai./ago. 2011 
 
MIRAS, Mariana. Afetos, emoções, atribuições e expectativas: o sentido da 
aprendizagem escolar. COLL, Cesar; MARCHESI, Álvaro; PALÁCIOS, Jesús. 
Desenvolvimento psicológico e educação: 2 Psicologia da educação escolar. Porto 
Alegre: Artmed, 2004. 
 
MOTA, Marcia Elia da. Psicologia do Desenvolvimento: uma perspectiva histórica. 
Temas em Psicologia, V. 13, n. 2, p.105 – 111, 2005 
 
_____. A consciência morfológica é um conceito unitário? In: MOTA, M. da (org). 
Desenvolvimento metalinguístico: questões contemporâneas (p. 41-54). São Paulo: 
Casa do Psicólogo, 2009. 
77 
 
NOFFS, Neide de Aquino e RODRIGUES, Carla Maria Rezende. Andragogia na 
Psicopedagogia: a atuação com adultos. Rev. Psicopedagoia,, v.28, n.87, p. 283-
292, 2011. 
NUNES, T.; BRYANT, P. (org). Improving literacy by teaching morphemes. New 
York, USA: Routledge, 2006. 
 
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky e a formação de conceitos. La TAILLE, Yves de; 
OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloisa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias 
psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992. 
 
_____. O problema da afetividade em Vygotsky. La TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, 
Marta Kohl de; DANTAS, Heloisa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas 
em discussão. São Paulo: Summus, 1992b. 
 
OSTERMANN, Fernanda; CAVALCANTI, Cláudio José de Holanda. Teorias de 
Aprendizagem: Texto Introdutório. Disponível em: 
http://www.ufrgs.br/uab/informacoes/publicacoes/materiais-de-fisica-para-
educacaobasica/teorias_ de_aprendizagem_fisica.pdf Acesso em: 20 abr. 2014. 
 
POLONIA, Ana da Costa; DESSEN, Maria Auxiliadora. Em busca de uma 
compreensão das relações entre família e escola. Psicologia Escolar e Educacional, 
V. 9, N. 2, p. 303-312, 2005 
 
ROSIN-PINOLA, A. R.; DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Habilidades sociais 
e problemas de comportamento de alunos com deficiência mental, alto e baixo 
desempenho acadêmico. Revista Brasileira de Educação Especial, Ago, v.13, n.2, 
p.239-256, 2007. 
 
SALLES, Carla Marise. A Aprendizagem Significativa e as Novas Tecnologias na 
Educação a Distância. (Projeto de Dissertação de Mestrado). Fumec. Belo 
Horizonte/MG. 2012. 
 
SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da Psicologia moderna. São 
Paulo: Cultrix, 1992. 
 
SOUZA, Maria Thereza Costa Coelho de. As relações entre afetividade e inteligência 
no desenvolvimento psicológico. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, V. 27 n. 2, p. 249-254, 
2011 
 
STERNBERG, Robert. Psicologia Cognitiva. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. 
 
_____. Psicologia Cognitiva. 5. ed. São Paulo: Cenage Learning, 2010. 
 
WEIL, Pierre. Relações humanas na família e no trabalho. Petrópolis: Vozes, 2002.

Mais conteúdos dessa disciplina