Profunda Simplicidade (Schutz)
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DIMENSOES BASICAS
Odeio citações. Diga-me o que sabes.
- 
Ralph Waldo Emerson
O Princípio das Dimensões Básicas é, provavelmênte, mais exclu-
sivo do autor do que qualquer outro dos princípios abordados. Foi
primeiramente apresentado em 1958 e vem sendo aperfeiçoado atra-
vés de vários livros subseqüentes.s' O Princípio das Dimensões Bá-
sicas enseja uma compreensão mais detalhada da abordagem holística.
Pesquisas sobre a organização social permitiram a descoberta
de três dimensões fundamentais para a descrição de fenômenos im-
portantes. Aparecem as mesmas dimensões quando as pesquisas pro-
vêm de situações de comportamento grupal, de tipos de personali-
dade, de relações entre pais e filhos, de padrões de delinqüência, ou,
como descreverei a seguir, de sistemas de órgãos do corpo.
A fim de funcionar eficazmente, os organismos devem estabe-
lecer e manter determinados equilíbrios entre o que há dentro e o
que há fora de seus limites. Estes equillbrios se aplicam tanto ao mun-
do físico quanto ao social. Por exemplo, os seres humanos buscam
manter água suficiente dentro de suas peles para evitarem a sede, e
pouca fora, para evitarem se afogar. Da mesma forma, os organis-
mos desejam uma certa distância e uma certa proximidade em rela-
ção a outras pessoas. Os desequilíbrios nestas dimensões física e so-
cial são os elementos motivadores que desencadeiam ciclos de energia.
As dimensões básicas dos desequilíbrios humanos decorrem de
duas fontes: da interação do bebê com outros seres humanos até se
tornar âdulto, e das exigências necessárias à ação em grupo.
DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL
_Quando o bebê nasce, deve entraÍ em contato com outros seres
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humanos, para que possa sobreviver. Já foi comprovado que a falta
de contato humano para o bebê muito pequeno pÍovoca retardo men-
tal, moléstias e morte,52 O desejo de contato ou inclusão na família
humana é o paralelo interpessoal do estágio oral descrito pelos psi-
canalistas. Os analistas concentram sua atenção na zona erógena pri-
mátia, aboca, onde se conjugam a maior estimulação e a maior ne-
cessidade. A relação d,e inclusão é a forma predominante de vínculo
humano que ocorre nos primeiros estágios de vida.
Após o período de inclusão, o bebê dá início a uma fase de so-
cialização em que a relação humana primária centraliza-se em torno
da dístribuição de poder e responsabilidade. Segue-se então a reso-
lução do quanto a criança administra a própria vida e do quanto de-
ve obedecer às ordens de seus pais e outros adultos. O psicanalista
descreve tal período, dos dois aos quatro anos, como estágio anal,
e focaliza a luta de poder vigente em torno da educação à higiene
pessoal, Neste confronto, a criança vive sua primeira barganha real
pelo poder, quando retém as fezes. O aspecto interpessoal deste es-
tágio diz respeito à resolução d,o controle da vida da criança.
Conforme vai amadurecendo a criança, surge como evento in-
terpessoal dominante a complexidade do amor e das relações de afe-
to. Amor, sacrifício, ciúme da relação da mãe com o pai, rivalidade
entre irmãos, amizades com companheiros de jogos, são vivências
pelas quais as crianças de quatro a seis anos passam, Focalizando
novamente a zona erógena, os psicanalistas chamam este estágio de
fálico ou genital, em que ocorre o romance familiar, ou situação edi
pica. A clássica rivalidade entre filho e pai pelo amor da mãe ressal-
ta o principal interesse interpessoal da etapa, o aÍeto,
Inclusâo, controle e afeto são os aspectos interpessoais dos es-
tágios oral, anal e fálico, respectivamente.
FORMAÇÃO DE GRUPO
Para quc o grupo possa existir, deve definir-se como grupo. Os
limites devem ser estipulados, de modo a deixar claro quem está dentro
e quem está fora dele. Em tribos ântigas e em algumas contemporâ-
neas, os ritos de iniciação, de passagem e outros, estabelecem a en-
trada de indivíduos como membros das tribos. Nos agrupamentos
modernos, existem cerimônias semelhantes: votar, pagar débitos, pas-
sar em testes, pertencer a uma certa estirpe, ter determinados pais,
seguir determinados princípios. Seja qual for a técúca, o grupo é
formado por meio de um procedimento específico que define a lz-
clusdo grupal.
Assim que está formado, o grupo diferencia papéis e distribui
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o poder. Às tribos em geral escolhem o líder por meio de provas de
força ou pela idade. As famílias determinam as relações de seus mem-
bros entre si por meio de papéis sexuais ou de habilitações. Novas
organizações criam regulamentos e elegem representantes legais. Se-
ja como for que aconteça, o grupo atribú tarefas e estabelece rela-
ções de poder entre seus participantes. Estes procedimentos deter-
minam os padrões de controle,
Independente da eficiência do grupo, para que o mesmo possa
sobreviver devem ser criados vínculos pessoais entre seus membros.
Se não for dada nenhuma atenção aos sentimentos que as pessoas
têm umas pelas outras, cÍescem as rivalidades, os desejos pessoais
não são satisfeitos, as pessoas sabotam ou abandonam o grupo e a
vida grupal está encerrada. Os vínculos ofetivos da família, questões
sociais, compartilhamento, ou benefícios pessoais, devem ser leva-
dos em consideração pelo grupo, para que este possa sobreviver.
Na formação de grupos, emergem as mesmas dimensões que sur-
gem no desenvolvimento infântil, ou seja, inclusão, aontrole e afe-
to. Estas três dimensões caracterizam todos os níveis de organização
social. Entendêlas simplifica a compreensão da fonte dos desequili
brios e das motivações das pessoas, grupos, nações e mesmo de par-
tes do corpo.
INCLUSÃO
O comportâmento de inclusão se refere à associação entre as pes-
soas: exclusão, inclusão, pertinência, proximidade. O desejo de ser
incluído manifesta-se como desejo de atenção, de interação, de ser
distinto dos demais. Ser completamente identificável implica que al-
güém está tão interessado em mim que descobre minhas carâcterísti-
cas singulares.
A questão dos compromissos surge desde o início das relações
grupâis. Na testagem inicial de um relacionamento, geralmente me
apresento aos outros para descobrir quais de minhas facetas irão lhes
interessar. Se não estou certo de que os outros acharão importante
o que tenho a dizer, posso ficar em silêncio.
A inclusão não implica vínculos emocionais fortes com outras
pessoas, como acontece no afeto, Minha preocupação com inclusão
é mais na linha do predomínio que na do domínio, como é o caso
do controle. Uma vez que a inclusão envolve o processo da forma-
ção grupal, geralmente ocorre como a primeira questão interpessoal
na vida de um grupo. Primeiro decido se quero fazer parte de um
certo grupo, se quero ficar dentro ou fora.
{
I
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Subjacente às minhas condutas nas três áreas flui meu autocon-
ceito, ou seja, o modo como realmente me ,loto a 
-", p.Opiio ."._peito. Meu autoconceito geralmente é em parte 
"orr"i"nii iã p__te inconsciente.
. 
Na dimensão da inclusão, meu comportamento é determinadopelo modo como me sinto a respeito do qtte signífic, 
"àÀô pár.ou.Se minha auto-estima é baixa e julgo-me-sem importânciruiju_u,
meu comportamento de inclusão tende a ser extremado e maicadopela ansiedade. Ou eu me esforço ao miíximo para fárr, 
"àã qu"as pessoas prestem atenção em mim, sendo o ultra_socia.l, ou me afastodos outros, sendo o subsocial-
-Quando sou saásocidl, sou introvertido e retraído. euero man-ter distância dos outros e nâo quero me misturar com e]es, pois se
o fizesse perderia minha privacidade. Inconscientemert", àu.ià .._dúvida que os outros prestem atenção em mim. Meu maior medo
é que- as pessoas me ignorem e não se aproxime. ae Áirn.-úinrra
atitude inconsciente é: ,.Uma vez que ninguém está interessado em
mim, não vou me arriscar a ser ignoradolFicarei aislante àã p"._
soas e viverei sozinho,,. Uso a auto-suficiência como uma técnicapara existir