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PARA OS ALUNOS DO 7º PERIODO MEDICINA UNIEVANGELICA DE ANAPOLIS-GOIAS "A um homem nada se pode ensinar. Tudo o que podemos fazer é ajudá-lo a encontrar as coisas dentro de si mesmos." (GALILEU GALILEI) ABDOME AGUDO 1 - Qual o conceito de abdome agudo? As dificuldades na abordagem do abdome agudo começam com a sua conceituação, que varia de autor para autor e de serviço para serviço. VEJAM COMO A MEDICINA E UMA CIENCIA INEXATA! Assim, o conceito de abdome agudo vai desde: A- “toda situação abdominal alarmante” (Annes Dias) B- “Os casos intraperitoneais, de natureza cirúrgica, de evolução para a morte, apenas evitada pelo êxito da intervenção” (Vieira Romero). C- ( ESTE E O CONCEITO MAIS ACEITO) ABDOME AGUDO: Alguns autores têm definido abdômen agudo como uma dor na região abdominal, não traumática, de aparecimento súbito e de intensidade variável associada ou não a outros sintomas. Geralmente com duração de no mínimo 6 horas indo até quatro dias, não ultrapassando sete dias. Em geral, necessita de intervenção médica imediata, cirúrgica ou não. _____________________________________________________________________ 2 - Quais são os mecanismos da dor abdominal? Em uma anamnese cuidadosa, o elemento mais importante é, sem dúvida, a caracterização da dor abdominal, que está quase sempre presente, a não ser em raros casos de pacientes muito idosos ou psicóticos. Em relação ao seu mecanismo, existem três tipos de dor abdominal: Dor visceral: Tem origem nas vísceras e é transmitida pelas fibras C (viscerais aferentes) que acompanham os troncos simpáticos. Tem distribuição difusa e imprecisa, é acompanhada, freqüentemente, de fenômenos autonômicos, como náuseas, vômitos, diarréia, constipação, sudorese e palidez. Leva o doente a uma atitude de inquietude, procurando uma posição que diminua a dor. Dor referida (víscero-cutânea): É a dor sentida em locais distantes da sede real do fenômeno doloroso, sendo transmitida pelas fibras A (cérebro-espinhais) e C (viscerais aferentes). É geralmente bem localizada e percebida sobre a pele ou estruturas parietais. Costuma acompanhar as dores visceral e parietal, mas pode aparecer isolada, como único sintoma. Dor parietal (somática profunda ou reflexo peritônio-cutâneo de Morley): Tem origem no peritônio parietal (de inervação abundante e lateralizada) e é transmitida pelas fibras A (cérebro-espinhais). Tem localização precisa e se acompanha, frequentemente, de contratura da musculatura abdominal, determinada por reflexos medulares do segmento correspondente. Leva o doente a permanecer quieto, evitando a movimentação ou a tosse que aumentam a dor. Nos quadros abdominais agudos em que há peritonite difusa ou localizada, entram em atividade os três mecanismos acima citados. _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 - Na anamnese, como é caracterizada a dor abdominal? Na avaliação clínica da dor abdominal, é fundamental a análise de suas características principais: modo de início, caráter, intensidade, localização, irradiação, fatores de melhora e de piora e sintomas concomitantes. É pela definição precisa dessas características e de um exame físico geral e abdominal minucioso (inspeção, palpação, percussão, ausculta, toque retal e vaginal) que poderemos enquadrar o diagnóstico em um dos tipos sindrômicos de abdome agudo, como veremos adiante. 4 - Quais são os exames complementares mais comumente utilizados no diagnóstico do abdome agudo? Dependendo de cada caso em particular e das disponibilidades locais, diversos exames complementares podem ser realizados. Os métodos clássicos empregados no estudo dos quadros dolorosos abdominais incluem uma rotina laboratorial mínima (hemograma, hemossedimentação, PCR, aminotransferases séricas, amilasemia e urina tipo I).E OUTROS SE NECESSARIO.( NÃO ESQUEÇAM DO BHCG!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) -EXAMES RADIOLOGICOS INICIAIS: RX DE TORAX EM PA/PERFIL, RX DE ABD EM PE E DEITADO. OUTROS EXAMES DE ACORDO COM AS NECESSIDADDES E POSSIBILIDADES 5 - Existe abdome agudo de origem extra-abdominal? Sob o diagnóstico genérico de abdome agudo podem estar incluídas diversas entidades mórbidas, tanto abdominais como extra-abdominais, e que podem ter origem tanto em processos patológicos de competência clínica quanto cirúrgica. Os recursos diagnósticos mais importantes, portanto, continuam sendo uma anamnese pormenorizada e um exame físico bem feito. NUNCAM ESQUEÇAM DISTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Diante de um quadro de abdome agudo, devemos considerar o paciente como um todo, jamais nos fixando somente no exame abdominal, sob pena de cometermos graves erros diagnósticos e, até, de submetermos o doente a laparotomias desnecessárias, na vigência de outras lesões extra-abdominais capazes de ocasionar quadros dolorosos abdominais. É o caso, por exemplo, do infarto do miocárdio, das pneumonias, da embolia pulmonar, de algumas colagenoses, da insuficiência suprarrenal aguda, do diabetes descompensado, da porfiria, da uremia, das radiculites, da tabes, da intoxicação pelo chumbo, arsênico ou tálio, da anemia falciforme, da púrpura de Henoch-Schonlein, entre outros. VIU COMO SER CIRURGIÃO NO E SO APENAS OPERAR!!!!!!!!!!!!!!! 6 - Como podemos classificar o abdome agudo não traumatico? Considerando-se o tipo de dor, sua instalação, o quadro geral e abdominal do paciente, podemos classificar o abdome agudo em cinco tipos fundamentais: • Inflamatório • Obstrutivo • Perfurativo • Hemorrágico • Vascular 7 - Quais são os principais dados da anamnese do abdome agudo inflamatório? Neste tipo de abdome agudo, a dor é insidiosa, inicialmente difusa, mal caracterizada (dor tipo protopática) e torna-se localizada com a evolução do quadro (dor epicrítica). A dor é contínua e vai aumentando de intensidade com o decorrer das horas. A localização da dor, geralmente,sugere o diagnóstico etiológico. O paciente apresenta, ainda, náuseas, vômitos, mau estado geral e febre. A febre é um sinal muito importante e frequente neste tipo de abdome agudo. Inicialmente, ela é baixa e eleva-se com a evolução do quadro ou com a presença de complicações. Com o evoluir do quadro, ocorre parada de eliminação de gases e fezes, consequente ao íleo paralítico secundário à peritonite que sempre acompanha o abdome agudo inflamatório. LEMBREM-SE A FEBRE NO ABDOME AGUDO E SINAL DE COMPLICAÇÃO “Em meu túmulo, coloquem como epitáfio que ensinei a estudantes de Medicina nas enfermarias, pois este foi, sem dúvida, o trabalho mais útil e importante que desenvolvi” (WILLIAM OSLER). 8 - Quais são os principais dados do exame físico geral do abdome agudo inflamatório? São eles: • alteração do estado geral (regular ou mau estado geral), • febre, • taquisfigmia, • desidratação (mais intensa quanto maior o tempo de história e quanto maior for a extensão da peritonite), • palidez cutâneo-mucosa, • níveis pressóricos tendem a abaixar devido à desidratação e à sepse. .PONTOS DOLOROSOS= vai cair na prova 9 - Quais são os principais dados do exame físico abdominal do abdome agudo inflamatório? São eles: • dor à palpação superficial e profunda (localizada ou generalizada), • resistência abdominal à palpação voluntária e involuntária, • descompressão brusca dolorosa, • diminuição ou ausência dos ruídos hidroaéreos, • palpação de um “plastrão”, que representa o bloqueio inflamatório que geralmente acompanha o abdome agudo inflamatório, • a percussão abdominal determina a mesma reação dolorosa que a descompressão brusca. É preciso enfatizar que todos esses sinais têm o mesmo significado, qual seja, são sinais de irritação peritoneal, consequentes à peritonite. Existem inúmeros sinais que expressam peritonite: Sinal de Blumberg, Sinal de Murphy Sinal de Lapinsky, Sinalde Rowsing Sinal do obturador Sinal de dumphy Sinal de Aaron Sinal de tem Horn Sinal de Baldwin Sinal de Lopes Cross Sinal de cullen//grey turner -outros Todos esses sinais significam, direta ou indiretamente, o mesmo, ou seja, peritonite aguda (localizada ou generalizada). Nas peritonites pélvicas (apendicites, moléstias inflamatórias pélvicas, diverticulites etc) o toque retal é doloroso e pode-se notar abaulamento do fundo-de-saco. Nessas situações, a temperatura retal costuma ser mais elevada do que a temperatura axilar. Como Hipócrates (460-377 a.C.), sabe que a vida é curta mas a arte é longa; sabe que a ocasião é fugidia, a experiência, enganadora, o julgamento, difícil." 10 - Quais são as principais causas de abdome agudo inflamatório? Existem inúmeras entidades que determinam o abdome agudo inflamatório, tais como: Apendicite aguda, Colecistite aguda, Pancreatite aguda, diverticulite aguda, Moléstia inflamatória pélvica, entre outras. . Apendicite aguda • Paciente habitualmente jovem. • Dor abdominal epigástrica ou Peri umbilical, incaracterística, que se torna precisa e se localiza na fossa ilíaca direita. • Febre e sinais de irritação peritoneal na fossa ilíaca direita.tardio Colecistite aguda • História anterior de colelitíase/ter ingerido alimentos colecistoquineticos • Dor em cólica no hipocôndrio direito, que passa a ser contínua. Acima de 6 horas • Febre e sinais de irritação peritoneal no hipocôndrio direito. Pancreatite aguda • História anterior de colelitíase.//álcool. • Dor epigástrica contínua, irradiada para ambos os hipocôndrios, acompanhada de vômitos. Dor em faixa. Vômitos incoercíveis. • Febre e sinais de irritação peritoneal no epigástrio e hipocôndrios. 11 - Quais são os exames complementares mais utilizados no abdome agudo inflamatório? Hemograma completo Bioquímica Eas Rotina para abdome agudo -outros(us abd/tc abd/ etc) 12 - Como é feito o tratamento do abdome agudo inflamatório? Feito o diagnóstico do abdome agudo inflamatório, inicia-se a hidratação e a antibioticoterapia, além da correção hidroeletrolítica. O tratamento cirúrgico está indicado na maioria dos pacientes. 13 - Quais são os principais dados da anamnese do abdome agudo obstrutivo? Neste tipo de abdome agudo, a dor é em cólica e difusa em todo o abdome. Além da cólica, o paciente apresenta distensão abdominal, que é tão mais intensa quanto mais distal, no trato digestivo, for a obstrução. Encontram-se, ainda, parada de eliminação de gases e fezes, náuseas e vômitos consequentes à obstrução. ESTE TIPO DE ABDOME AGUDO E O MAIS FÁCIL DE DIAGNOSTICO JÁ QUE TUDO QUE ENTRA PELA BOCA TEM LUGAR CERTO PARA SAIR, SE ISTO NÃO ACONTECEU E PORQUE ESTA ENTUPIDO. TODOS SENHORES JÁ VIRAM UMA PIA ENTUPIDA!!!!!!!!! ____________________________________________________________________________ 14 - Como é classificado o abdome agudo obstrutivo? Pode-se classificar o abdome agudo obstrutivo em alto ou baixo e a caracterização desses tipos é feita pelos aspectos clínicos do paciente e não exatamente pelo local da obstrução. Abdome agudo obstrutivo alto: Náuseas e vômitos precedem a parada de eliminação de gases e fezes, pois o paciente continua a eliminar o conteúdo intestinal à jusante do obstáculo. VÔMITOS PRECOCES Abdome agudo obstrutivo baixo: A parada de eliminação de gases e fezes precede os vômitos, pois esses só acontecem quando todo o intestino delgado à montante da obstrução estiver distendido. A distensão abdominal é maior quanto mais baixo for o bloqueio. VÔMITOS TARDIO Quanto à distensão, ela pode ser simétrica ou assimétrica. Na obstrução do cólon esquerdo, se a válvula ileocecal for continente, teremos a distensão somente do cólon, determinando um abaulamento assimétrico do abdome. Se, no entanto, a válvula íleo-cecal for incontinente, a distensão será universal e, portanto, o abaulamento abdominal será simétrico. O abdome agudo obstrutivo pode ser, ainda, complicado ou não complicado, na dependência da obstrução ter determinado (ou não) isquemia ou perfuração de víscera intra peritonial 15 - Quais são os principais dados do exame físico geral do abdome agudo obstrutivo? São eles: • Alteração do estado geral. • Desidratação, fundamentalmente, devida aos vômitos e ao sequestro de líquidos nas alças intestinais. Os vômitos podem acarretar, além da perda líquida, perda hidroeletrolítica, determinando, às vezes, alcalose hipocalêmica. • Taquisfigmia, devida à desidratação. • Geralmente, o abdome agudo obstrutivo não é acompanhado de febre; ela aparece quando temos uma complicação do quadro (peritonite bacteriana). • Hipotensão arterial pode estar presente em quadros prolongados. 16 - Quais são os principais dados do exame físico abdominal do abdome agudo obstrutivo? São eles: • Distensão abdominal (simétrica ou assimétrica). • Discreto desconforto à palpação, não caracterizando sinais de irritação peritoneal, a não ser quando há complicação do quadro. • Ruídos hidroaéreos aumentados em número e com alteração do timbre (timbre metálico). Com o evoluir do processo e, portanto, com a isquemia da alça intestinal envolvida, os ruídos tendem a diminuir e até tornam-se ausentes. OU SEJA, OS RHA PODE ESTAR AUMENTADOS/DIMINUIDOS OU AUSENTES 17 - Quais são a s causas de abdome agudo obstrutivo? As causas mais frequentes de abdome agudo obstrutivo são: • aderências pós-operatórias (bridas), • hérnias encarceradas, • neoplasias de cólon, • volvo de sigmóide, • na infância: intussuscepção intestinal, bolo de ascaris. ISTO CAI SEMPRE EM PROVA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ____________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 18 - Quais são os principais exames subsidiários utilizados no diagnóstico do abdome agudo obstrutivo? HEMOGRAMA/BIOQUIMICA/RX/US ABD/CT DE ABD Quanto aos exames subsidiários, a radiografia simples de abdome mostra, geralmente, distensão de alças de delgado com níveis hidroaéreos. Nas obstruções de cólon esquerdo com válvula íleo-cecal continente, podemos ter distensão importante do ceco, que, quando maior ou igual a 12 cm de diâmetro, significa risco iminente de ruptura. O hemograma revela, habitualmente, hemoconcentração, devida à desidratação, e os demais exames costumam demonstrar alcalose com hipopotassemia ___________________________________________________________________________. 19 - Como é feito o tratamento do abdome agudo obstrutivo? Inicialmente, são tomadas algumas medidas, como a correção hidroeletrolítica e a aspiração gástrica e/ou intestinal, que visam o preparo do paciente e o alívio ou a correção da obstrução. Alguns casos, como as aderências pós-operatórias, o “bolo” de Ascaris, a invaginação intestinal, o fecaloma, o volvo de sigmóide, os corpos estranhos, a carcinomatose peritoneal, a pseudo-obstrução colônica (síndrome Ogilvie), o íleo adinâmico metabólico, entre outros, são situações em que as medidas clínicas acima referidas podem reverter o quadro obstrutivo e evitar uma cirurgia naquele momento. Uma vez decidido pelo tratamento cirúrgico, deve-se enfatizar a importância das seguintes medidas intra-operatórias: • via de acesso ampla e adequada, • controle da contaminação peritoneal, • aspiração gástrica e intestinal, • tratamento da causa da obstrução. 20 - Quais são os principais dados da anamnese do abdome agudo perfurativo? Caracteriza-se por dor abdominal de forte intensidade que, rapidamente, atinge todo o abdome (dor em facada). O paciente assume posição antálgica e respiração superficial. Concomitantemente, surgem náuseas, vômitos e febre. Parada de eliminação de gases e fezes também estão presentes. Geralmente o paciente tem história anterior de moléstia ulcerosa, embora essa possa faltar, sendo a perfuração a primeira manifestação daquela doença.21 - Quais são os principais dados do exame físico geral do abdome agudo perfurativo? São eles: • comprometimento do estado geral, • facies toxêmica, • taquisfigmia, • desidratação, • febre e sudorese fria, • hipotensão arterial. "O bom médico sabe, como o alemão Rudolf Virchow (1821-1902), que a doença deve ser procurada não apenas no que é visível, mas também ali onde os olhos não enxergam". 22 - Quais são os principais dados do exame físico abdominal do abdome agudo perfurativo? São eles: • Dor à palpação superficial e profunda de todo o abdome. • Resistência abdominal involuntária em todo o abdome (abdome “em tábua”) • Ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes. • Percussão dolorosa em todo o abdome, com desaparecimento da macicez hepática (sinal de Jobert), devida à interposição de ar entre a parede abdominal e o fígado. • A pesquisa da dor à descompressão abdominal fica prejudicada pela intensa resistência que o paciente apresenta. A dor abdominal é intensa e a resistência é importante porque a peritonite causada pelos sucos gástrico, biliar e pancreático é intensa. Esses são irritantes fortes do peritônio, ao contrário do sangue e urina que são irritantes fracos. A reação é geral, porque essas secreções banham toda a cavidade abdominal. Ocorrem situações, no entanto, em que a lesão perfurada é rapidamente tamponada e há, apenas, um pequeno extravasamento para a goteira parietocólica direita, determinando um quadro localizado e obrigando o cirurgião a considerar diagnósticos diferenciais, tais como apendicite ou colecistite aguda. 23 - Quais são as principais causas do abdome agudo perfurativo? A causa mais frequente de abdome agudo perfurativo é a úlcera duodenal perfurada. Entre outras causas há a úlcera gástrica perfurada e a perfuração de alças de delgado por doenças específicas ou inespecíficas. Porém, qualquer perfuração, em qualquer parte do tubo digestivo, do esôfago abdominal ao reto intraperitoneal, pode acarretar um quadro perfurativo. NÃO SE ESQUEÇAM DOS TUMORES QUE PERFURAM 24 - Quais são os principais exames subsidiários utilizados no diagnóstico do abdome agudo perfurativo? - ROTINA PARA ABDOME AGUDO -HEMOGRAMA E BIOQUIMICA -US ABD -CT DE ABD 25 - Como é feito o tratamento do abdome agudo perfurativo? É QUASE SEMPRE CIRURGICO . ____________________________________________________________________________ "O bom médico talvez não seja tão famoso como Hipócrates ou Parré, quanto Sydenham ou Virchow, quanto Freud ou Oswaldo Cruz; mas para seu paciente, para a comunidade da qual cuida, ele é a própria medicina, ciência e arte." 26 - Quais são os principais dados da anamnese do abdome agudo hemorrágico? Neste tipo de abdome agudo, a dor não é intensa, pois o sangue é um irritante fraco do peritônio. Predominam as alterações hemodinâmicas, secundárias à perda sanguínea, levando o paciente às síndromes hipovolêmica e anêmica.=CHOQUE.ESTE TAMBEM E MUITO FACIL OU SEJA, O QUE DEFINE ESTE ABD AGUDO E O CHOQUE HIPOVOLEMICO A etiologia mais freqüente deste tipo de abdome agudo é a prenhez ectópica rota. Aneurisma da aorta roto, sangramento proveniente de malformações vasculares, rupturas espontâneas de fígado ou baço, sangramento desencadeado por discrasias sanguíneas, também são causas de abdome agudo hemorrágico. O paciente apresenta dor abdominal contínua, pouco intensa, mal estar geral, escurecimento da visão, sudorese fria, palidez, pulso acelerado e apresenta perda da consciência. Habitualmente, dá entrada no pronto socorro sentado ou deitado, visto que a posição supina piora substancialmente o quadro. Pode, ainda, referir dor no ombro (sinal de Lafont), devido à irritação do peritônio que reveste a cúpula diafragmática. Além disso, podem existir dados que dão indícios da etiologia do quadro, tais como atraso menstrual e sangramento genital, história de massa abdominal pulsátil e arteriopatia crônica. DOR NO OMBRO ESQUERDO POR SANGUE =SINAL DE KHER=RUPTURA DE BAÇO 27 -Quais são os principais dados do exame físico geral do abdome agudo hemorrágico? São eles: • mau estado geral, • palidez cutâneo-mucosa intensa, • pulso fino e rápido, • hipotensão arterial severa, • sudorese fria, • rebaixamento do nível de consciência. ESTE E FACIL= SINAIS DE CHOQUE HIPOVOLEMICO 28 - Quais são os principais dados do exame físico abdominal do abdome agudo hemorrágico? São eles: • Dor difusa à palpação superficial e profunda do abdome, de fraca intensidade. • Descompressão brusca dolorosa difusa. • Palpação de massa abdominal pulsátil (no aneurisma de aorta abdominal). • Ruídos hidroaéreos diminuídos. • Toque vaginal pode revelar, na prenhez ectópica, abaulamento doloroso do fundo de saco posterior (fundo-de-saco de Douglas), dor à mobilização do colo do útero e massa palpável para uterina. SINAL DE KHER/SINAL DE PROUST/ GRITO DE DOUGLAS 29 - Quais são os principais exames subsidiários utilizados no diagnóstico do abdome agudo hemorrágico? Durante a investigação diagnóstica, pode-se utilizar a paracentese abdominal e o lavado peritonial diagnóstico, que serão positivos quando recuperarem sangue incoagulável da cavidade peritoneal. VOCE PODE FAZER PUNÇAO DO FUNDO DE SACO DE DOUGLAS. A ultra-sonografia abdominal revela líquido livre na cavidade abdominal, além de fornecer dados para o diagnóstico etiológico. A dosagem de hemoglobina revela anemia aguda acentuada. Na suspeita de prenhez ectópica, o teste para detecção da gravidez torna-se imperioso. olegario Highlight 30 - Como é feito o tratamento do abdome agudo hemorrágico? QUASE SEMPRE CIRURGICO 31 - Quais são os principais dados da anamnese do abdome agudo vascular? Pode-se considerar este abdome agudo como sendo o mais confuso do ponto de vista diagnóstico. DEIXA CIRURGIÃO MALUCO Diz-se, até, que ele pode simular qualquer outro tipo de abdome agudo. O quadro caracteriza-se por dor abdominal, geralmente em cólica, que passa a ser contínua, generalizada e de pouca intensidade. Poucas horas depois, surgem mal estar geral e sudorese fria. Frequentemente, o paciente é portador de diabetes e hipertensão arterial. Geralmente, existe história anterior de arteriopatia crônica, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral ou claudicação abdominal (dor abdominal crônica após refeições copiosas). O MACETE DESDE DX E: PACIENTE IDOSO COM PROBLEMAS CARDIACOS E VASACULARES 32 - Quais são as principais causas do abdome agudo vascular? As etiologias do abdome agudo vascular são a trombose arterial mesentérica (mais frequente), A embolia arterial mesentérica e a trombose venosa mesentérica. Na embolia arterial mesentérica, identificamos, quase sempre, uma fonte emboligênica, geralmente cardíaca. A trombose venosa mesentérica acomete com maior freqüência pacientes do sexo feminino, que estão fazendo uso de contraceptivos orais. 33 - Quais são os principais dados do exame físico geral do abdome agudo vascular? São eles: • Mau estado geral. • Hipotensão arterial intensa, chegando ao choque, que, de início, é hipovolêmico, devido ao sequestro de líquido intra-abdominal, mas que depois passa a ser séptico, em decorrência da invasão bacteriana da corrente sanguínea, facilitada pela quebra da barreira mucosa intestinal necrosada. • Pulso fino e rápido, muitas vezes arrítmico. • Alteração do ritmo respiratório, devido à acidose metabólica que se instala. • Cianose de extremidades. • Febre pode estar presente, porém as extremidades estão frias. 34 - Quais são os principais dados do exame físico abdominal do abdome agudo vascular? São eles: • dor à palpação superficial e profunda, • descompressão brusca dolorosa nem sempre presente, • distensão abdominal, • ruídos hidroaéreos ausentes ou muito diminuídos, • toque retal com saída de líquido necrótico, • temperatura retal mais baixa do que a axilar. 35 - Quais são os principais dados para o diagnóstico doabdome agudo vascular? O paciente pode apresentar vômitos de líquido escuro e de odor necrótico, evacuar esse mesmo líquido . . Essa situação é, praticamente, patognomônica de abdome agudo vascular. Deve-se procurar fazer o diagnóstico na fase inicial, quando há apenas isquemia intestinal sem necrose. Fazer o diagnóstico após a necrose ter sido estabelecida, limita o cirurgião a apenas realizar ressecções intestinais, que, na maioria das vezes, são muito extensas e pioram o prognóstico do paciente. É também por isso que o índice de mortalidade desta entidade é extremamente elevado. ____________________________________________________________________________ 36 - Quais são os principais exames subsidiários utilizados no diagnóstico do abdome agudo vascular? NUMCA ESQUECER DA ROTINA PARA TODO ABD AGUDO.POREM O MELHOR EXAME PARA ESTYE TIPO DE ABD AGUDO E A TOMOGRAFIA DO ABDOME 37 - Como é feito o tratamento do abdome agudo vascular? - VAI DEPENDER DE VARIOS FATORES. -PODE SER CIRURGICO COMO TAMBEM CLINICO 38 - Quais são os cuidados para a abordagem a um paciente com um quadro de abdome agudo? É importante que se entenda que os quadros abdominais, muitas vezes, não se apresentam de forma característica, o que faz com que o diagnóstico seja mais difícil de ser feito e, portanto, frequentemente, o tratamento ser retardado. Sempre vale relembrar alguns aforismos clássicos, que permanecem válidos e atuais: • Atende melhor um abdome agudo aquele que mais vezes atendeu. • Não devemos medicar nenhum paciente com dor abdominal que ainda não esteja esclarecida, sob pena de podermos estar contribuindo para o atraso diagnóstico e, com isso, aumentar os riscos de morbidade e mortalidade. • No atendimento à dor abdominal a esclarecer, devemos fazer uso de duas armas fundamentais, mais importantes do que qualquer exame subsidiário, que são: -observação clínica, -bom senso. ____________________________________________________________________________ 40 - Leitura recomendada Cajma Jr A. Abdome agudo. Rev Bras Clin Terap 1985;14:163-166. Carrilho FJ, Zeitune JMR. Laparoscopia em urgências. GED1983;2:9-14. Guslandi M. A dor abdominal. Rev Bras Clin Terap 1988;17:104-110. Juan Y, Martín M. La apendicitis aguda em los viejos. 1963, 1. ed. Barcelona: Científicomédica, 300 p. Macedo ALV, Sorbello AA. Abdômen agudo. In: Felippe Jr J. Pronto Socorro. Fisiopatologia, diagnóstico, tratamento. 1990, 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, pp. 625-32. "Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer." (ALBERT EINSTEIN) ESPERO QUE AGORA VOCES POSSAM SE DELICIAR COM O ABDOME AGUDO E VER O QUANTO E IMPORTANTE O CONHECIMENTO, POIS E ISTO QUE DEFINE OS BONS MEDICOS. DR.OLEGARIO I. S. ROCHA VIDAL