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POLITICAS PUBLICAS - CONTEUDO ONLINE

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a primeira Carta Magna brasileira foi outorgada 
pelo Imperador D. Pedro I 
NA LETRA DA LEI: A educação é tratada em um dos últimos itens do artigo 179, parte integrante do título que dispunha 
acerca dos direitos dos cidadãos como se vê a seguir: 
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brasileiros, que tem por base a liberdade, a segurança 
individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela maneira seguinte. 
 XXXII. A Instrucção primaria, e gratuita a todos os Cidadãos. 
 XXXIII. Collegios, e Universidades, aonde serão ensinados os elementos das Sciencias, Bellas Letras, e Artes. 
COMENTÁRIOS: A partir da leitura do dispositivo legal, repara-se, portanto, a pouca importância reservada a instrução, 
que se mantem nessa época restrita a uma pequena parcela da população. A constituição estabelecia gratuidade do ensino 
primário, porém não indicava as condições para que essa situação se concretizasse, consequentemente a população 
mantinha-se afastada das salas de aula e por conseguinte, durante muito tempo as taxas do analfabetismo apresentavam-
se bem elevadas. 
 
1891 – A primeira Constituição Republicana 
A República proclamada em 1889 mudou o regime político no país, e como decorrência exigiu a elaboração de outro texto 
constitucional que correspondesse aos novos tempos. Vamos conhecer um pouco mais sobre a Carta Magna de 1891. 
 
 
A Constituição de 1934 
Longos debates entre educadores e um movimento social crescente começava a invadir a sociedade brasileira, exigindo 
reformas no país, sobretudo no campo educacional, a partir dos anos de 1920. A criação do Ministério da Educação é um 
exemplo das mudanças resultantes da pressão do movimento conhecido como Escola Nova. O capítulo II do texto legal 
abordou a questão educacional incorporando sugestões e ideias levantadas por intelectuais e professores da época, já 
apresentadas no Manifesto dos Pioneiros, publicado em 1932. 
 
 
1937 – A Constituição do Estado Novo 
Estado Novo foi o nome dado por Getúlio Vargas à ditadura que instalou no Brasil a partir de 1937, que correspondeu a um 
longo período de autoritarismo e repressão. Em todas as áreas sociais, particularmente na educação, houve um enorme 
retrocesso. As conquistas apresentadas na Carta Constitucional anterior (1934), que nem chegaram a ser colocadas em 
prática, foram totalmente abandonadas na nova lei. 
 
 
A Constituição de 1946 
Em 1945, a longa Era Vargas chega ao fim. Uma nova Carta Constitucional foi redigida para acompanhar os novos tempos. 
Tempos democráticos que se instalavam na vida brasileira, e que traziam alguns direitos sociais. Quanto à educação, o 
antigo debate dos Pioneiros de 1932 é recuperado em relação a alguns temas. 
 
 
 
Diretrizes e Bases 
A constituição de 1946 também determinou que fosse elaborada legislação especifica que aprofundasse o tem, através do 
seu artigo 5o, e estabelecesse as diretrizes e as bases da educação brasileira. Na próxima aula estudaremos de maneira 
mais profunda a primeira Lei que tratou sobre o tem. 
 
 
AULA 03 - O SENTIDO DA LEI Nº. 4024/61: A ELABORAÇÃO DA PRIMEIRA LEI DE DIRETRIZES E BASES 
 
Esta aula busca apresentar e discutir o longo processo de elaboração da primeira lei de diretrizes e bases, destacando 
os grupos envolvidos no debate e os interesses em questão, além de caracterizar os principais temas aprovados. 
Retomando nosso percurso... Você está lembrado da aula passada? Pois então, naquele momento você foi convidado a 
fazer um passeio histórico sobre a presença da educação nas Constituições. Nesta aula voltaremos a falar sobre o tema da 
Constituição de 1946 para que possamos aprofundar o nosso debate sobre o processo que desencadeou a elaboração da 
Lei 4024/61, que foi a primeira LDB que o Brasil produziu. Esse momento histórico foi marcado pelo fim do governo de 
Getúlio Vargas, entre os anos de 1930 e 1945 (caracterizado em seus últimos sete anos pela ditadura do Estado Novo). 
Instalou-se, em decorrência, um processo de democratização da sociedade, com novos partidos se organizando e a 
elaboração de uma constituição que representasse essa nova fase política. A título de curiosidade, no vídeo ao lado você 
vê cenas do “exílio voluntário” de Getúlio Vargas após sua saída do poder, bem como o tom “pomposo” pelo qual o 
narrador trata o então senador Getúlio. Mais tarde, ele voltaria ao poder. 
 
Os resultados: A retomada de práticas democráticas, sobretudo as parlamentares, permitiu um alongado debate sobre a 
legislação educacional do país. Nesse texto constitucional ficara determinado, entre outras questões, como já vimos 
anteriormente, que a educação era entendida como um direito de todos. Vamos ver o trecho da lei? 
Art. 5º - Compete à União: (...) XV - legislar sobre: (...) d) diretrizes e bases da educação nacional; 
 
O processo de elaboração: A elaboração da primeira LDB que o Brasil conheceu demorou muitos anos. Na verdade, esse 
processo pode ser dividido em dois períodos, que corresponderam a discussões e polêmicas bem distintas. Uma primeira 
fase caracterizou-se pelo conflito partidário entre dois políticos, cujas trajetórias sempre estiveram vinculadas à 
educação. De um lado encontrava-se o Ministro do governo ora no poder, o Sr. Clemente Mariani. Mariani era filiado à UDN 
(União Democrática Nacional), partido ligado a setores conservadores, articulado às classes média e alta do país e à 
burguesia internacional, e de oposição às forças de Vargas. E do outro lado o ex-Ministro da Educação do Estado Novo, 
Deputado Gustavo Capanema, filiado ao PSD (Partido Social Democrático), apoiado pelas forças getulistas. 
O Ministro Mariani representando os interesses do governo, apresentou um projeto que possuía características 
descentralizadoras, que se chocou com os argumentos do deputado Gustavo Capanema, que propunha um sistema de 
ensino centralizador. O deputado redigiu um parecer que acabou por levar o projeto ao arquivamento. 
Essa disputa político-partidária adiou por alguns anos a discussão, que foi retomada efetivamente em 1957, quando da 
apresentação em plenário do projeto de lei conhecido como “Substitutivo Lacerda”. 
 
Segundo período: Outra fase dessa longa trajetória de elaboração da LDB se iniciou. O debate, naquele momento, girou 
em torno da questão das verbas públicas. Vamos ver como foi? 
Carlos Lacerda: O Dep. Carlos Lacerda, que deu nome ao projeto, encampou a proposta dos representantes das escolas 
particulares, sobretudo os colégios confessionais, que sob o lema da liberdade do ensino, defendiam os interesses 
privatistas, reivindicando a aplicação de recursos públicos para a manutenção tanto de escolas públicas quanto de 
particulares. 
Anísio Teixeira: De outro lado, em torno da defesa de verbas publicas exclusivamente para escolas publicas, se colocaram 
educadores e intelectuais, como Anisio Teixeira, Fernando de Azevedo, Florestan Fernandes, entre outros. Eles chegaram 
a articular e publicar um outro Manifesto de Educadores, em 1959, intitulado “Mais uma vez convocados”. O famoso 
documento recuperou em parte as ideias presentes no movimeto de 1932, defendendo, destacadamente, a obrigatoredade 
e a gratuidade do ensino primario. 
 
A primeira lei de diretrizes e bases: O texto final, aprovado pelo Congresso Nacional em 1961, representou em parte a 
vitória dos setores privatistas, pois a lei (através de alguns mecanismos) permitia a transferência para as escolas 
particulares de recursos públicos, contrariando a proposta da “Campanha em defesa da escola Pública”. A lei instituía a 
educação como um direito de todos e estruturava o ensino em: a) pré-escola b) ensino primário c) ensino médio (este 
último se subdividia em ginásio e colegial). 
 
Artigo 2o A educação é direito de todos e sera dada no lar e na 
escola. 
Parágrafo Único. A família cabe escolher o gênero de educação