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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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para outras zonas do corpo. As bactérias não são excretadas. 
 
Legionella pneumophila 
É a principal espécie do género Legionella na doença humana. O principal factor de 
virulência é a inibição da sua fusão com o fagolisossoma; este facto permite à bactéria se 
multiplicar na célula fagocitária até à lise da mesma. Outros factores de virulência que se 
destacam é são as enzimas antioxidantes (catalases, peroxidases e superóxido dismutases), 
as enzimas proteolíticas, a fosfolipase C e a legiolisina (contribuem para a lise da célula 
hospedeira). 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Febre de Pontiac: doença autolimitante aguda caracterizada por 
mal-estar, fadiga, mialgias, febre e cefaleia e a recuperação 
ocorre em 2 a 5 dias sem qualquer tratamento; não se 
desenvolve em pneumonia, mas pode ocorrer legionelose 
extrapulmonar (coração); 
 Doença dos Legionários: pneumonia atípica com tosse não 
produtiva. O paciente fica com febre alta, tosse seca e tem 
sintomas gastrointestinais. 
 
 
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 Auxotrófico – organismo incapaz de sintetizar um ou mais determinados compostos necessários para o seu 
crescimento. 
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 Nota: nos slides das aulas teóricas é indicado que são parasitas intracelulares obrigatórios e que se multiplicam no 
interior de protozoários, ao contrário do que é referido no Murray, que foi escolhida por me fazer mais sentido. 
 
 
 
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Diagnóstico 
As bactérias podem ser identificadas laboratorialmente por isolamento em 
meio BCYE (com adição de conjuntos de antibióticos), por classificação serológica, 
por imunofluorescência e por técnicas de biologia molecular (PCR). 
 
 Prevenção 
A partir da hipercloração da água ou a sua elevação a altas temperaturas. 
 
Género Acinetobacter 
 As bactérias deste género são imóveis, oxidase negativas e observam-se em pares quando 
ampliadas. Têm uma ampla distribuição na natureza (principalmente solos) e em ambientes 
hospitalares. 
 A espécie mais frequentemente isolada é a Acinetobacter baumanii, um agente etiológico 
de infecções urinárias, infecções do tracto respiratório inferior, feridas infectadas e septicémias, 
que é altamente resistente a antibióticos. 
 
Género Haemophilus 
As bactérias deste género, pertentes à família das Pasteurellaceae, são pleomórficas, 
podendo apresentar uma forma bacilar ou de cocobacilo. São bactérias imóveis, anaeróbias 
facultativas e não ácido-resistentes. As Haemophilus estão presentes, no homem, na flora 
bacteriana normal do tracto respiratório superior, não produzem esporos e algumas estirpes 
formam cápsulas. 
Estas bactérias apresentam vários factores de virulência, nomeadamente a cápsula, 
adesinas, a protease da IgA, a endotoxina (lipooligossacarídeo) e proteínas de membrana (P1 e 
P2). 
As Haemphilus necessitam de factores de crescimento para se desenvolver, 
nomeadamente os factores X (hemina) e V (NAD). A H. influenza pode ser identificada por exigir 
ambos os factores para crescer, enquanto que a H. parainfluenza só precisa do factor V. Este 
género pode também ser identificado pelo fenómeno de satelismo, i.e., por formarem colónias 
‘satélite’ à volta de colónias de Staphylococcus, já que estes últimos formam os factores de 
crescimento indispensáveis. 
 
Patologias 
Estas bactérias podem originar: 
 H. influenzae: meningite, infecções do tracto respiratório (epiglotite, 
laringite, sinusite, pneumonia), otite, artrite e osteomielite; 
 H. parainfluenzae: endocardite, meningite; 
 H. aegypticus: conjuntivite; 
 H. ducreyi: cancróide. 
 
Diagnóstico 
A identificação começa com a recolha da amostra patológica (expectoração se for 
uma infecção respiratória, sangue se houver uma septicémia ou LCR45) e cultivação em 
meio de gelose sangue ou gelose chocolate (opcionalmente com suplemento de 
 
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 LCR – Líquido cefalorraquidiano. 
 
 
 
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bacitracina46 ou isovitalex47). A incubação tem de ser em atmosfera apropriada: 35-37 °C, 
5-10% CO2, 18-24 horas; a H. aegypticus demora 2 a 4 dias a incubar e a H. ducreyi 9 dias a 
33 °C. Segue-se o isolamento e a observação microscópica. Pode-se ainda efectuar um sub-
cultivo em meio sólido. A identificação da espécie efectua-se por provas bioquímicas (APIs), 
estudos de sensibilidade a antibióticos e de serotipos. 
 
Prevenção 
As Haemophilus têm dois antigénios importantes: o Ag somático (LOS) e a cápsula. 
Para estes antigénios existe a vacina Hib que protege contra a H. influenza b. 
 
Haemophilus influenzae 
Nas estirpes capsuladas podem distinguir-se 6 serotipos (a-f), enquanto que as estirpes não 
capsuladas não são tipificáveis. 
As estirpes não capsuladas da H. influenzae estão presentes na flora comensal de 75 % das 
crianças e numa percentagem pequena dos adultos. Das estirpes capsuladas pode distinguir-se o 
serotipo b (Hib), o qual é o maior patogénico, particularmente em crianças. Os seus principais 
focos de infecção são a nasofaringe, a invasão local de tecidos e o sangue. A maior prevalência 
desta bactéria em crianças deve-se ao facto de estas só começarem a desenvolver mecanismos de 
defesa específicos a partir dos 3 anos de idade. 
 
 
Género Bordetella 
Estas bactérias pertencem à família das Alcaligenaceae e apresentam-se sob a forma de 
cocobacilos extremamente curtos, podendo surgir isoladamente ou aos pares. São bactérias 
aeróbias estritas que crescem a uma temperatura óptima de 35 °C. Algumas espécies são móveis. 
 
Diagnóstico 
Utilizam-se as secreções da nasofaringe posterior ou aspirados das secreções brônquicas 
como amostras biológicas. A recolha do material pode também ser feita com ajuda de placas de 
tosse. A Bordetella cresce no meio de Bordet-Gengou e no de gelose sangue (6 a 7 dias, 35 °C). 
Após o isolamento da bactéria pode proceder-se à sua identificação através do perfil bioquímico, 
reacções de aglutinação, fluorescência directa ou técnicas de hibridação do DNA. 
 
Bordetella pertussis 
O Homem é o único reservatório desta bactéria, a qual nele provoca (por transmissão 
directa) a tosse convulsa48. As bactérias entram no tracto respiratório do hospedeiro e aderem às 
células epiteliais ciliadas onde se multiplicam. Daí podem seguir dois destinos. Por um lado, devido 
à presença de várias toxinas (toxina pertussis, citotoxina traqueal, toxina dermonecrótica), podem 
levar a uma intoxicação sistémica que se traduz numa destruição local da mucosa respiratória e 
 
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 Antibiótico 
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 Suplemento de vitaminas e sais minerais e para acelerar o crescimento bacteriano 
48 A tosse convulsa tem um período de incubação de 7 a 10 dias e subdivide-se em três fases. A primeira, a fase 
catarral, é a fase com maior perigo de contágio. Apresenta uma sintomatologia vaga, assemelhando-se a uma 
constipação normal, e dura cerca de duas semanas. A seguir, na fase paroxística verificam-se a maior intensidade da 
tosse, vómitos e dificuldades respiratórias. Esta fase pode durar entre duas a quatro semanas. Por último, na fase de 
convalescença, verifica-se uma regressão da intensidade da tosse, a qual continua a ser persistente durante cerca de 
três semanas. 
 
 
 
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numa tosse paroxística49. Por outro lado, as B. pertussis podem interagir com o sistema imunitário 
do hospedeiro e sobreviver no interior dos macrófagos. Isto possibilita uma posterior transmissão 
a outros indivíduos. 
 
Prevenção 
Existe a vacina tripla DPT (disferia, pertussis, tétano) contra a bactéria. A variante 
antiga da vacina já não está em uso dado que as células patogénicas podiam provocar 
efeitos secundários severos. Hoje em dia usa-se uma vacina de igual eficácia que contém 
somente uma quantidade reduzida de antigénios específicos.