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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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um vector que é o piolho. Deste 
modo os indivíduos em risco são aqueles que estão expostos a condições de higiene 
deficitárias. 
Febre Recorrente Endémica: Para além do Homem, os pequenos roedores e as 
carraças também são o reservatório natural destas bactérias. A transmissão dá-se 
normalmente dos roedores para os humanos pelo meio de carraças (actuam como 
vectores). 
 
 
 
49 
Clínica 
A apresentação clínica das duas formas da doença é semelhante: inicia-se com uma 
escara com prurido no local da picada; uma semana depois o paciente tem febre, arrepios, 
cefaleias e mialgias; hepatoesplenomegália também é comum. Estes sintomas 
correspondem à fase de bacteriémia, que dura de três a sete dias, aquando da regressão 
da doença (corresponde ao desaparecimento da bacteriémia). A bacteriémia e a febre 
voltam após de um período afebril de uma semana (embora com sintomas menos graves e 
duradouros). Uma única recaída é comum na forma epidémica, enquanto que na forma 
endémica há um maior número de surtos. 
A forma epidémica tem pior prognóstico (40% de mortalidade) que a forma 
endémica (5% de mortalidade). As mortes são causadas por falência cardíaca, necrose 
hepática ou hemorragia cerebral. 
 
Prevenção e Tratamento 
A eliminação dos vectores é muito útil na prevenção da febre recorrente. O 
tratamento passa pela administração de tetraciclina. 
 
Bactérias causadoras de Doença de Lyme 
 As manifestações clínicas da doença de Lyme podem dever-se à reactividade do sistema 
imunitário do hospedeiro contra os agentes infecciosos: B. burgdoferi, B. garinii e B. afzelii. 
 
Epidemiologia 
Os reservatórios naturais destas bactérias são os roedores, as carraças e os veados. 
A transmissão dá-se então pelas carraças (Ixodes ricinus na Europa) dos roedores para os 
humanos. A doença de Lyme têm uma distribuição a nível global e pode ter uma incidência 
sazonal (dependendo dos padrões de alimentação das carraças). 
 
Clínica 
Inicialmente existe uma infecção localizada e 
precoce. A lesão – Eritema Migrans (ver figura) – começa 
como uma pequena mácula ou pápula que começa a 
aumentar de diâmetro (de 5 a 50cm) nas semanas 
seguintes. Outros sintomas vão aparecendo: cefaleias, 
fadiga, febre, mialgias e linfadenopatia. Em média, os 
sintomas têm quatro semanas de duração. 
Em pacientes não tratados nos primeiros dias há 
uma disseminação hematogénea. Sinais sistémicos 
adicionais também aparecem: febres severas, artralgias, lesões eritematosas, falência 
cardíaca e sinais neurológicos (meningite/encefalite). 
Manifestações tardias da doença de Lyme aparecem meses ou anos após a infecção 
inicial: artrite, acrodermatite crónica e neuroborreliose. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico é feito com testes serológicos, a partir de imunofluorescência, de 
ELISA, de Western-Blot ou de PCR. 
 
 
 
 
 
50 
Prevenção e Tratamento 
Tal como na febre recorrente, a eliminação dos vectores é útil na prevenção desta 
doença. O tratamento passa pela administração de amoxiciclina, doxiciclina e ceftriaxone. 
 
 
Género Leptospira 
 As bactérias do género Leptospira, que consiste em 17 espécies, têm uma ou duas 
extremidades em gancho e dois flagelos, e as suas dimensões variam de 0,1 a 6,0 × 20μm. São 
aeróbios obrigatórios. 
A sua cultura é possível a 28-30 °C com suplementos (vitaminas B2 e B12, sais de amónio e 
ácidos gordos de cadeia longa). 
 
Epidemiologia 
Os reservatórios naturais destas bactérias são os roedores e os pequenos 
mamíferos. Os animais infectados podem contaminar a água pela sua urina podendo assim 
contaminar outros hospedeiros como os animais domésticos e o Homem. A infecção dá-se 
através da pele e mucosas. 
A distribuição desta bactéria é global. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Infecção subclínica, uma doença pouco severa de tipo síndrome gripal; 
 Doença de Weil, doença sistémica severa, caracterizada por uma 
disseminação hematogénea para os tecidos (incluindo o SNC) com lesão 
endotelial, provocando vasculite, miocardite, hemorragias, meningite e 
falência hepato-renal; 
o clínica: uma a duas semanas de incubação provocando uma 
síndrome gripal. A remissão dá-se após uma semana ou pode-se 
dar uma progressão para uma segunda fase: cefaleias, mialgias, 
arrepios, dor abdominal e congestão conjuntival; seguindo-se 
trombocitopenia, falência hepato-renal, hemorragias e 
meningite, com uma mortalidade de 10 a 15%. 
 
Diagnóstico 
A cultura é possível a partir de sangue e líquido cefalorraquidiano (7-10 dias após a 
infecção) e de urina depois da primeira semana. O diagnóstico é feito com testes 
serológicos (teste de aglutinação microscópica) e microscopia de fundo escuro ou 
imunofluorescência. 
 
Tratamento 
O tratamento passa pela administração de doxiciclina. 
 
 
 
 
51 
Bactérias Parasitas Intracelulares Obrigatórias 
 
Família Chlamydiaceae 
 Chlamydiaceae é uma família de bactérias dividida em dois géneros, Chlamydia e 
Chlamydophila. Estas bactérias têm uma parede celular semelhante à das gram-negativas mas não 
têm o peptidoglicano. São parasitas intracelulares obrigatórios, pois não conseguem sintetizar ATP 
(“parasitas de energia”). 
 As bactérias desta família têm um ciclo de vida dimorfo: 
 Corpo Elementar (EB), 
forma metabolicamente 
inactiva e infecciosa. 
 Corpo Reticular (RB), 
forma metabolicamente 
activa e não infecciona. A 
bactéria replica-se com 
esta forma, recupera a 
forma elementar e é 
libertada com a lise da 
célula hospedeira, po-
dendo assim infectar 
outras células. 
 
Diagnóstico 
Com este tipo de bactérias pode-se efectuar culturas, serologias e citologias e é 
possível detectar antigénios em amostras clínicas. 
 
Tratamento 
Administração de tetraciclinas e macrólitos. 
 
Chlamydia trachomatis 
Esta espécie, com distribuição global, está subdividida em três biovars51: tracoma (A, B, Ba, 
C), LGV52 (L1, L2, L2a, L3) e pneumonia no rato. A transmissão dá-se por contacto sexual ou por 
inoculação em tecidos lesados ou mucosas. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Tracoma: conjuntivite folicular com inflamação difusa; 
 Conjuntivite no adulto, associada a infecção genital; 
 Conjuntivite neonatal, por exposição no parto; 
 Pneumonia infantil; 
 Linfogranuloma Venéreo (LGV): com um período de incubação de 1 a 4 
semanas, causa lesões nos genitais; 
 
51
 Biovar – variante de uma estirpe procariota que se diferencia bioquimicamente e fisiologicamente de outras 
estirpes em uma espécie particular. 
52
 LGV - linfogranuloma venéreo. 
 
 
 
52 
 Infecções urogenitais, podendo causar esterilidade. 
 
Prevenção 
Uso de preservativo na relação sexual. 
 
Chlamydophila pneumoniae 
 A Chlamydophila pneumoniae é uma doença patogénica cujo reservatório é o Homem, 
com transmissão por contacto interpessoal através de secreções respiratórias. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Infecção assintomática ou ligeira; 
 Bronquite; 
 Pneumonia; 
 Sinusite: 
 Aterosclerose (embora não seja claro o papel desta bactéria nesta 
patologia). 
 
Chlamydophila psittaci 
 A Chlamydophila psittaci é uma doença respiratória em aves que pode ser transmitida ao 
ser humano pela inalação de fezes, urina e secreções respiratórias de aves. Tem um período de 
incubação de 5 a 14 dias. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Ortinose com pneumonia atípica, com tosse não produtiva, com o 
envolvimento do SNC e do tracto gastrointestinal (náuseas, vómitos e 
diarreias). 
 
Prevenção 
Controlo da infecção em aves domésticas. 
 
Rickettsia 
 As Rickettsias são grupo de bactérias divididas em dois géneros (Rickettsia e Orientia). São 
gram-negativas, aeróbias