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Direito Processo Civil

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ou não pode 
fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável. 
 
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21.3 Legitimidade 
 
- Legitimidade ativa – pode ajuizar a ação rescisória a parte ou seu sucessor a título 
singular ou universal, o terceiro interessado e o ministério público ( quando o MP não foi 
ouvido ou houve conluio da parte, a fim de fraudar a lei. 
 
- Legitimidade passiva – o beneficiário da sentença de mérito. O MP pode ser em casos 
específicos. 
 
21.4 Competência 
 
 Somente os tribunais têm competência para rescindir sentença ou acórdão. No 
caso seria o tribunal que apreciaria o recurso da ação. 
 
21.5 Algumas considerações acerca da ação rescisória 
 
a) prazo – dois anos, contados do trânsito em julgado da sentença ou acórdão 
rescindível. Este prazo é decadencial. 
b) a propositura da ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda; 
c) na ação rescisória a revelia não opera seus efeitos; 
d) admite-se rescisória de rescisória; 
e) MP funcional como fiscal da lei; 
f) quando o tribunal rescinde a sentença, se for o caso, proferirá novo julgamento; 
g) a citação do réu será de 15 a 30 dias para responder aos termos da ação; 
h) após a instrução, o relator abrirá o prazo de 10 dias para manifestação do autor e do 
réu; 
i) ação rescisória não é recurso; 
j) o autor tem que depositar 5% da ação rescisória; 
k) o juiz de primeiro grau não têm competência para rescindir a sentença; 
l) a competência para julgar a ação rescisória é especificada nos regimentos internos dos 
tribunais; 
 
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m) ação rescisória visa desconstituir coisa julgada material, na coisa julgada formal cabe 
recurso; 
n) a sentença rescindível, não é nula, apenas anulável; 
o) fundamento da ação rescisória é o vício formal ou substancial da sentença de mérito. 
 
22. Do Processo de Execução 
 
 O processo de execução, segundo Ovídio A. Baptista da Silva , tem por fim 
satisfazer o direito que a sentença condenatória tenha proclamado pertencer ao 
demandante vitorioso, sempre que o condenado não o tenha voluntariamente satisfeito. 
Nesse sentido, o processo de execução fará com que seja cumprido o que foi imposto pela 
sentença condenatória. 
 
 Na execução, diferentemente do que ocorre no processo de conhecimento, 
não há análise do mérito da questão. Este já foi decidido no processo de conhecimento. O 
juiz, na execução, irá, pura e simplesmente, dar provimento a um direito já garantido ao 
autor. Logo, são requisitos da ação de execução: o inadimplemento do devedor e o título 
executivo (judicial ou extrajudicial). 
 
22.1 Princípios 
 
 a) Autonomia da execução 
 
 O princípio da autonomia está previsto no artigo 614, caput do CPC, sendo que 
o mesmo está intimamente ligado ao princípio da iniciativa, onde enseja que o processo de 
execução não pode ser instaurado ex officio pelo juiz, mesmo que o título executivo seja 
fundado em sentença condenatória, ou seja, o processo de execução por título judicial é 
outro processo. Atento à sua autonomia e à “abstração das suas origens e da sentença 
condenatória” e até por isso, com e pela demanda executória cria-se nova relação 
 
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processual. Daí dizer, como diz Araken de Assis, que “a execução inaugura outra espécie de 
serviços, diferentes daqueles anteriormente prestados, a reclamarem contraprestação 
digna e suficiente” . 
 
 b) Princípio da patrimonialidade 
 
 Preceito esculpido no art. 591 do CPC, este princípio alude a responsabilidade 
patrimonial do devedor a fim de satisfazer toda a execução, seja com bens presentes ou 
futuros. 
 
 c) Princípio do resultado 
 
 Consoante lição de Araken de Assis, “toda execução há de ser específica. É tão 
bem sucedida quando entrega fielmente ao exeqüente o bem perseguido, objeto da 
prestação inadimplida, e seus consectários.” Portanto, a execução visa tão somente 
satisfazer o crédito já declarado quando em processo de conhecimento (título executivo 
judicial) ou oriundo de um título executivo extrajudicial. 
 
d) Princípio da disponibilidade 
 
 Este princípio está esculpido no art. 569 do CPC, e reza que o credor poderá 
desistir da execução, ou de apenas algumas medidas executivas. 
 
 Pois bem, a desistência da ação deverá ser homologada pelo juiz, nos termos 
do art. 158, parágrafo único do CPC, sendo que esta decisão será na forma de decisão 
interlocutória (art. 162, § 2º, também do Codex Processual Civil 
. 
 
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 Todavia, com relação ao princípio da disponibilidade no processo de execução, 
há alguns limites dispostos no CPC. 
 
 e) Princípio da adequação 
 
 Este princípio se refere aos meios executórios, onde os mesmos devem se 
adequar de forma a que a execução alcance seu fim precípuo: a obtenção da prestação 
com a conseqüente total efetivação da prestação jurisdicional. 
 
 f) Princípio da Iniciativa 
 
 Consoante lição de Teori Zawascki, “o processo de execução não pode ser 
instaurado de ofício pelo juiz, ainda que o título executivo seja uma sentença.” 
 
 Assim sendo, deve a parte impulsionar o processo executivo, pois somente daí 
que o órgão jurisdicional estará apto a se pronunciar mediantes os atos executórios, isto é, 
a desenvolver as atividades executivas. 
 
g) Princípio de que toda execução é real 
 
 Este princípio está relacionado diretamente com os bens do devedor, isto é, a 
atividade jurisdicional executiva incide sobre os bens do devedor, e não sobre a pessoa do 
mesmo, nos termos do art. 591, CPC, salvo as exceções do art. 5º, LXVII da Carta Magna. 
 
h) Princípio de que a execução tende apenas a satisfação do direito do credor 
 
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 Toda execução tem por finalidade apenas a satisfação do credor, sendo que a 
penhora sobre os bens do devedor deverá somente ser efetuada para satisfazer o 
montante devido, e nunca mais que isso, consoante leitura do art. 659 do CPC. 
 
i) Princípio da utilidade da execução 
 
 Este princípio deve ser útil ao credor tão somente para efetivar seu direito já 
reconhecido anteriormente em tutela cognitiva, e nunca usar o instrumento executório 
como castigo ou para gerar sacrifício ao devedor, consoante leitura do art. 659, § 2º do 
Diploma Processual Civil. 
 
j) Princípio da economia 
 
 A regra do art. 620 do CPC é clara no sentido de que toda a execução deverá 
ser ordenada pelo juiz, pelo modo menos gravoso ao devedor. 
 
k) Princípio da especificidade. 
 
 Nesta seara, a obrigação deve ser específica, pois na lição de Humberto 
Theodoro Jr., “permite-se, porém, a substituição da prestação pelo equivalente em 
dinheiro (perdas e danos) nos casos de impossibilidade de obter-se a entrega da coisa 
devida (art. 627), ou de recusa da prestação de fato (art. 633).” 
 
l) Princípio do ônus. 
 
 
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 A regra é de que todas as despesas dentro do processo executório, inclusive os 
honorários advocatícios do exeqüente, são despendidos pelo devedor, consoante regra do 
art. 651 e 659, ambos do CPC. 
 
m) Princípio do respeito à dignidade da pessoa humana 
 
 O princípio constitucional da dignidade humana está previsto no art. 1º, III, do 
Diploma Maior c/c o art. 649 do CPC que trata da impenhorabilidade de bens, visando, 
assim, o preceito de que a execução não deve “causar a ruína, a fome e o desabrigo do 
devedor e sua família” pois desta forma, estaria a execução a gerar situações 
incompatíveis relacionadas e indo de encontro ao princípio constitucional supra 
mencionado. Então foi neste sentido que o legislador editou a regra