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Resumos Patologia Geral Veterinária - UESC

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de forma retrógada o sangue fica parado nos vasos da 
grande circulação (congestão sistêmica ou generalizada). 
_ No quadro de hiperemia passiva aguda o órgão estará vermelho escuro devido à falta de oxigênio no sangue, 
aumentado de volume e fluindo grande quantidade de sangue ao corte. Na hiperemia passiva crônica tem os 
efeitos gerados pela hipóxia (degeneração, necrose, fibrose, entre outros). 
 
Consequências: 
_ Hemorragias: quando o órgão tem hiperemia há um acúmulo de muito sangue nos vasos, esse sangue em 
excesso aumenta a pressão intravascular, o que pode favorecer a saída de hemácias (diapedese), ou pode romper 
o vaso. 
_ Degeneração, necrose, hipotrofia e fibrose, tudo isso em função de hipóxia e carência nutricional. 
_ Trombose e flebectasias (dilatação de veias causada pelo fluxo sanguíneo lento). 
_ Edema: excesso de liquido no interstício ou em cavidades. 
 
Fígado de noz moscada: 
_ Na insuficiência cardíaca direita há retenção de sangue no território das veias cavas. No fígado, isto se reflete 
em hiperemia passiva das veias centrolobulares, que levam sangue para veia cava inferior. 
_ Na fase inicial, a dilatação é limitada à veia centrolobular e aos sinusóides do centro do lóbulo hepático. 
_ À medida que o problema se agrava, vai progredindo para a periferia do lóbulo e sinusóides dilatados de lobos 
vizinhos confluem. Esta é a segunda fase da congestão passiva crônica do fígado ou de confluência das vias 
estase. A terceira fase é de fibrose difusa do parênquima ou de cirrose cardíaca. 
 
Hiperemia passiva pulmonar: 
_ Na hemorragia pulmonar as hemácias extravasam para dentro dos alvéolos, então os macrófagos alveolares 
fazem eletrofagocitose (fagocitose de hemácia). 
_ O macrófago começa a destruir as hemácias e junto com elas a hemoglobina que dá origem a hemossiderina 
(pigmento de cor acastanhada que contém ferro). 
_ Os macrófagos que fagocitaram as hemácias ou que já tem hemossiderina dentro são chamados de células da 
insuficiência cardíaca. Isso acontece quando tem congestão pulmonar que geralmente aparece quando 
tem insuficiência cardíaca do lado direito. 
 
 
EDEMA 
 
 _ Acúmulo anormal ou excessivo de líquido no interstício ou cavidades pré-formadas do corpo. 
 
Nomenclatura: prefixo hidro + cavidade afetada 
 edema de + órgão afetado 
 anasarca = edema generalizado 
 
Edema do tipo transudato: aspecto límpido, fluido, com baixo teor de proteína, baixa densidade e não contém 
fibrinogênio, ou seja, não coagula. 
 
Edema do tipo exsudato: aspecto turvo, alto teor de proteínas, alta densidade, contém fibrinogênio (coagula) e 
tem muitos leucócitos. 
 
Filtração ou reabsorção: 
_ Existem forças que comandam a saída de líquidos de dentro do vaso para fora, e outras forças que chamam o 
liquido de volta para dentro do vaso. 
_ Pressão hidrostática: pressão exercida pela água. PHs (pressão hidrostática do sangue) e PHt (pressão 
hidrostática intersticial). 
_ Pressão oncótica: pressão atribuída a proteínas plasmáticas, sendo a albumina a principal proteína que é 
produzida pelo fígado. POp (pressão oncótica do plasma) e POt (pressão oncótica do interstício). 
_ O que comanda se vai ter absorção ou reabsorção é a equação: (PHs – PHt) – (POp – POt). Se a pressão 
hidrostática for maior do que a oncótica, o liquido vai ser filtrado. E se a pressão oncótica for maior que a 
hidrostática, o liquido vai ser reabsorvido. 
_ Em condições normais: na extremidade arterial o líquido é filtrado, ele sai do vaso para o interstício. 85% da 
água filtrada são reabsorvidas na extremidade venosa, e os outros 15% são drenados para a circulação linfática. 
Isso acontece de forma contínua. 
_ Na extremidade arterial a pressão hidrostática é maior que a pressão oncótica, isso favorece a filtração pela 
extremidade arterial e a reabsorção pela extremidade venosa. 
_ Ocorre edema quando: 
* Tiver excesso de filtração, ocorre quando tem perda de integridade vascular; 
* Diminuição da reabsorção, que é quando tem desequilíbrio das forças de Starling (pressão hidrostática e 
pressão oncótica); 
* Problemas com a drenagem linfática. 
 
 
 
 
Causas gerais de edema: 
_ Aumento da permeabilidade vascular causa edema do tipo exsudato, porque além da passagem de líquidos 
também passam macromoléculas (proteínas), e isso pode ser causado por lesões nos vasos (hipóxia, inflamações 
do tipo aguda, intoxicações, toxemias). 
_ Aumento da pressão hidrostática do lado venoso, segura o líquido no interstício e impede a reabsorção. 
* Esse aumento pode ser causado por congestão ou hiperemia passiva, que pode ser causado por trombose, 
embolia, compressões externas, cirrose hepática, insuficiência cardíaca direita ou esquerda. 
* Tendência de formação de transudato. 
_ Redução da pressão oncótica ou coloidosmótica, ocorre quando o animal tem hipoproteinemia por perda e/ou 
deficiência na síntese. 
* O fígado produz albumina, principal proteína responsável pela pressão oncótica. 
* Se o animal não ingere uma quantidade suficiente de proteínas, não tem uma quantidade adequada de 
albumina, então esse animal tem hipoproteinemia ou hipoalbuminemia. 
* Um animal com problema hepático ou déficit nutricional também tem hipoproteinemia. 
* Tendência de formação de transudato, por não filtrar mais e reabsorver menos o liquido. 
* Quando tem redução da pressão oncótica é esperado um edema generalizado. 
_ Obstrução de drenagem linfática (linfedema): 
* A reabsorção dos 15% do liquido pode ser comprometido quando houver obstruções de vasos linfáticos, 
linfangites (inflamação de vaso linfático), compressões de vasos linfáticos de fora para dentro, esvaziamento 
ganglionar. 
* Tendência de formação de transudato. 
_ Interstício com aumento da hidrofilia: não muito importante na Medicina Veterinária. 
* Quando tem aumento da pressão oncótica no interstício, a água é atraída para o interstício. 
* A pressão oncótica intersticial é aumentada, de forma rara, quando tem algumas situações que levam a 
mucopolissacaridose, que pode levar a mixedema (edema visto em pacientes com hipo ou hipertireoidismo). 
 
Edema localizado: resulta de causas locais que alteram as forças de Starling ou interferem com a drenagem 
linfática. Ex.: edema subcutâneo. 
 
Edema generalizado ou anasarca: 
_ Ex.: insuficiência cardíaca do lado direito, hipoproteinemias. 
_ Alguns edemas localizados podem sofrer generalização, isso acontece pela ativação do sistema renina-
angioteonsina-aldosterona (retroalimentação). 
 
 
* Quando tem edema o liquido fica preso no interstício, portanto tem menos liquido na circulação sanguínea. 
* O edema pode levar a queda do volume sanguíneo circulante, causando a diminuição da perfusão renal que 
leva a liberação de renina. 
* O rim libera renina, que converte angiotensina em angiotensina I, que por sua vez é convertida em 
angiotensina II. 
* Angiotensina II faz vasoconstrição na tentativa de aumentar a pressão arterial e garantir a perfusão tecidual, 
também vai à glândula adrenal e aumenta a liberação da aldosterona, pela cortical da glândula adrenal. 
* A aldosterona pede para o rim reter sódio, e com isso reter água junto, na tentativa de aumentar o volume 
sanguíneo circulante. 
* O aumento do volume sanguíneo circulante aumenta a pressão intravascular, que favorece mais edema. 
 
Macroscopia: 
_ Aumento de volume e peso. 
_ Consistência diminuída, dependendo do órgão fica pastosa. 
_ Aspecto liso e brilhante. 
_ Se tiver muito liquido isso torna o órgão pálido. 
_ Se for edema subcutâneo, há a presença de sinal de cacifo (se apertar fica a impressão do dedo, pois o liquido 
escapa