ciclo de Nonaka e Takeuchi
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ciclo de Nonaka e Takeuchi


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GESTÃO DO CONHECIMENTO: 
O CICLO DE NONAKA E TAKEUCHI 
 
 
 
EM POUCAS PALAVRAS 
 
O conhecimento é atualmente o mais importante fator de produção de riqueza, e as organizações que 
não souberem adotar e desenvolver processos eficazes para se dotarem do conhecimento relevante e o 
fazerem chegar a todos os colaboradores e a todas as funções estarão a colocar-se numa situação de 
desvantagem irreversível. 
Nonaka e Takeuchi são dois académicos japoneses que, a partir de 1995, propuseram um modelo 
explicativo sobre a forma como o conhecimento é criado, disseminado, enriquecido e incorporado nos 
processos, nas rotinas e na própria cultura das organizações. 
 
O PROBLEMA E O SEU CONTEXTO 
 
 
 
Mais do que os fatores de produção da economia clássica \u2013 a terra, o capital e o 
trabalho \u2013 o conhecimento é hoje o recurso mais importante de que as empresas 
necessitam para criar valor, para inovar de forma contínua e para conquistar e manter 
vantagens competitivas suficientemente duradouras. 
A gestão do conhecimento é hoje um processo organizacional de importância 
fundamental, que consiste em identificar, localizar, disseminar, recombinar e aplicar o 
conhecimento a que a organização tem acesso \u2013 a partir quer do seu interior quer do 
exterior das suas fronteiras orgânicas \u2013 com o objetivo de otimizar aquele tripo 
objetivo de competitividade, inovação e criação de valor. 
 
 
 
 
 2 
 
 
O CONTRIBUTO DE NONAKA E TAKEUCHI 
Nas organizações, o conhecimento existe sob duas formas (Polanyi, 1983): 
\uf096 CONHECIMENTO 
EXPLÍCITO 
É o conhecimento registado e codificado em qualquer suporte 
exterior às pessoas, e expresso em palavras, números, fórmulas, 
grafismos, ou qualquer outro código. Exemplos: receitas, desenhos, 
mapas, gráficos, patentes, descrições de processos, regras e 
procedimentos, narrativas escritas, bases de dados, algoritmos, etc. 
\uf096 CONHECIMENTO 
TÁCITO 
É o conhecimento que detido pelos indivíduos e difícil de codificar em 
suportes exteriores a estes, porque é específico de determinados 
contextos e feito de experiências pessoais. Exemplos: o gesto treinado 
do artesão ou do desportista, o \u201ctoque\u201d ou o \u201cjeito\u201d do artista ou do 
cozinheiro, a forma como o vendedor adapta intuitivmente a sua 
abordagem ou o seu discurso às caraterísticas do cliente, etc. 
Estas duas formas de conhecimento relacionam-se de forma dinâmica, e estão 
constantemente a transformar-se uma na outra: os programas de formação, por 
exemplo, procuram tansmitir conhecimento explícito aos trabalhadores, que os 
assimilam como conhecimento tácito doravanete detido por eles; no sentido inverso, 
as bases de dados, aplicações de CRM e similares procuram capturar e registar 
conhecimento tácito para o poder disponibilizar a um maior número de pessoas. 
Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi propuseram um modelo explicativo deste processo 
de conversão permanente de conhecimento tácito em explícito e de explícito em tácito. 
Este modelo consiste num ciclo composto por quatro etapas que se repetem contínua 
e indefinidamente, e através do qual as organizações vão literalmente criando e 
aumentando o seu \u201ccapital de conhecimento\u201d: 
1. SOCIALIZAÇÃO 
2. EXTERNALIZAÇÃO 
3. COMBINAÇÃO 
4. INTERNALIZAÇÃO 
(O ciclo de Nonaka e Takeuchi é por isso também conhecido como \u201cModelo SECI\u201d, a 
partir das iniciais destas quatro etapas). 
O quadro da págima seguinte descreve em detalhes estas quatro etapas. 
 
 
 IKUJIRO NONAKA HIROTAKA TAKEUCHI 
 
 
 3 
 
 
ETAPA PROCESSO PRODUTOS 
SOCIALIZAÇÃO O conhecimento tácito é transmitido de 
pessoa a pessoa; esta transmissão é 
experiencial, ativa, e envolve a uma interação 
direta entre as pessoas envolvidas, que 
implica a partilha de experiências e modelos 
mentais. Este processo é exemplificado pela 
relação entre mestre e aprendiz. 
Experiência partilhada. 
Competências e know-
how dos indivíduos. 
Confiança mútua, 
empatia. 
Preocupação com a 
perfeição. 
EXTERNALIZAÇÃO O conhecimento tácito é transformado em 
conhecimento explícito, através da sua 
captura e codificação numa forma facilmente 
inteligível por aqueles que não estão 
familiarizados com ele (eg. descrição escrita). 
Este processo envolve habitualmente um 
diálogo com os detentores do conhecimento 
implícito, pois estes conseguem articular as 
suas ideias com maior clareza quando são 
confrontados com questões e feedback por 
parte do interlocutor. A externalização 
desenvolve-se do indivíduo para o grupo. 
Conhecimento explícito 
articulado em imagens, 
símbolos e linguagem. 
Procedimentos escritos. 
Desenhos. 
Planos. 
Instruções. 
Receitas. 
COMBINAÇÃO Vários elementos de conhecimento explícito 
são associados e combinados num todo 
coerente. Este processo implica a consulta de 
elementos de conhecimento explícito e a 
edição das suas descrições num único 
documento. Esta dinâmica desenvolve-se de 
um grupo para outros grupos. 
Processos. 
Protótipos. 
Sistemas. 
Manuais. 
Políticas. 
Estratégias. 
INTERNALIZAÇÃO O conhecimento explícito é absorvido, 
interpretado e integrado com o restante 
conhecimento do indivíduo, transformando-
se em conhecimento tácito detido por este. 
Esta dinâmica é experiencial, através da 
aplicação dos conceitos e dos métodos 
prescritos (na realidade ou por meio de 
simulações) e da perceção dos respeitivos 
limites e condições de aplicabilidade. 
Experiência individual. 
Condições de aplicação 
(sucesso / insucesso). 
Hábitos e rotinas. 
Cultura. 
 
 
 
 
O CICLO DE NONAKA E TAKEUCHI 
 
SOCIALIZAÇÃO
Empatizar
Demonstar\uf022 Praticar
Partilhar
INTERNALIZAÇÃO
Aplicar
Praticar
Assimilar
EXTERNALIZAÇÃO
Clarificar
Esclarecer
Detalhar
COMBINAÇÃO
Compilar
Relacionar
Integrar
Tá
ci
to
Tácito Tácito
Tá
ci
to
Explícito
Explícito
Tácito Explícito
 
 
 4 
 
 
 
APLICAÇÕES PRÁTICAS MODELOS E INSTRUMENTOS RELACIONADOS 
O Ciclo de Nonaka e Takeuchi fornece um quadro de referência útil para selecionar as 
atividades que melhor estimulam e potenciam cada uma das quatro etapas do modelo, 
e dessa forma fomentar a aprendizagem organizacional. O diagrama seguinte lista 
algumas dessas atividades para cada etapa. 
 
OUTRAS CONSIDERAÇÕES 
\uf096 Este modelo \u2013 com ênfase especial nas duas primeiras etapas \u2013 pode ser usado 
com enorme proveito para assegurar a transmissão da vastíssima quantidade de 
conhecimento tácito detida pelos trabalhadores mais velhos, antes que se perca 
com a saída destes (e mesmo depois dessa saída). 
\uf096 O conhecimento tácito não é detido unicamente pelos colaboradores da empresa: 
há conhecimento valiosíssimo nos clientes, nos fornecedores, e nos stakeholders 
em geral. 
\uf096 As redes sociais oferecem um formidável potencial de captura do conhecimento 
tácito existente no exterior da organização. 
\uf096 Nem todo o tempo passado nas copas e cafetarias é útil para a socialização! 
 \uf0a7 O Ciclo de Kolb e Aprendizagem Experiencial 
\uf0a7 A Organização Aprendente (Learning Organization) 
\uf0a7 As ligações fortes e as ligações fracas (Granovetter) 
(Estes modelos e instrumentos serão publicados, ou já se encontram disponíveis, na 
coleção \u201cCranberry Toolbox\u201d). 
BIBLIOGRAFIA 
NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka (1995). The Knowledge-Creating Company: How 
Japanese Companies Create the Dynamics of Innovation. New York, NY: Oxford 
University Press. 
 
 
A Cranberry ABC tem experiência no emprego do modelo de Nonaka e Takeuchi e de 
outros instrumentos e metodologias para apoiar nas organização na criação ou na 
melhoria de sistemas e processos de inovação