[RESUMO] A Autonomia dos Professores - José Contreras
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[RESUMO] A Autonomia dos Professores - José Contreras


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09/01/2018 A Autonomia dos Professores - José Contreras - Resumo
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A AUTONOMIA DOS PROFESSORES
José Contreras
 
1- Introdução
 
A Autonomia dos professores, bem como a própria ideia de seu profissionalismo, são temas recorrentes nos últimos
tempos nos discursos pedagógicos. No entanto, sua profusão está se dando, sobretudo, na forma de slogans, que como
tal de desgastam e seus significados se esvaziam com o uso frequente. Pode-se dizer que, por serem slogans, são
utilizados em excesso para provocar uma atração emocional, sem esclarecer nunca o significado que se lhes quer atribuir.
Há casos em que este sentido de slogan, de palavra com aura, é muito mais evidente. Tomemos o exemplo da qualidade
da educação. Atualmente, todo programa, toda política, toda pesquisa, toda reivindicação educativa é feita em nome da
qualidade, porém citá-la sem mais nem menos é, às vezes, um recurso para não defini-la. Remeter à expressão
\u201cqualidade da educação\u201d, em vez de explicitar seus diversos conteúdos e significados para diferentes pessoas, e em
diferentes posições ideológicas, é uma forma de pressionar para um consenso sem permitir discussão. Evidentemente
esse é um recurso que pode ser utilizado por quem tem poder para dispor e difundir slogan como forma de legitimar seu
ponto de vista sem discuti-lo.
Em relação à autonomia dos professores, estamos diante de um caso parecido. Uma vez que a expressão passou a fazer
parte dos slogans pedagógicos, já não podemos evitá-la. Porém, usá-la como slogan é apoiar os que têm a capacidade de
exercer o controle discursivo, os que se valem da retórica para criar consenso evitando a discussão. 
 Deste modo, temos que aproveitar o processo de esclarecimento para recuperar e repensar aqueles significados que
supõem uma defesa expressa de certas opções; e que, mais do que nos limitarmos a repeti-las, possamos descobrir seu
valor educativo e social.
Esta é a pretensão deste livro. Esclarecer o significado da autonomia de professores, tentando diferenciar os diversos
sentidos que lhe podem ser atribuídos, bem como avançar na compreensão dos problemas educativos e políticos que
encerra. Deve-se compreender, no entanto, que apesar da pretensão de esclarecer os diferentes significados da
autonomia, isto não quer dizer que o propósito seja puramente conceitual. Contreras pretende captar a significação no
contexto de diferentes concepções educativas e sobre o papel daqueles que ensinam.
O esclarecimento da autonomia é por sua vez a compreensão das formas ou dos efeitos políticos dos diferentes modos de
conceber os docentes, bem como as atribuições da sociedade na qual esses profissionais atuam. Ao falar da autonomia
do professor, estamos falando também de sua relação com a sociedade e, por conseguinte, do papel da mesma com
respeito à educação.
O presente texto está estruturado em três partes:
 na Parte I, analisa-se o problema do profissionalismo no ensino, situando essa questão no debate sobre a
proletarização do professor, as diferentes formas de entender o que significa ser profissional e as ambiguidades e
contradições ocultas na aspiração à profissionalidade.
na Parte II, o autor discute as três tradições diferentes com respeito à profissionalidade de professores: a que entende
os professores como técnicos, a que defende o ensino como uma profissão de caráter reflexivo e a que adota para o
professor o papel do intelectual crítico.
 A Parte III é dedicada a estabelecer uma visão global do que se deve entender por autonomia de professores,
mostrando o equilíbrio necessário requerido entre diferentes necessidades e condições de realização da prática docente, e
propondo as condições pessoais, institucionais e sociopolíticas que uma autonomia profissional deveria ter que não
signifique nem individualismo, nem corporativismo, tampouco submissão burocrática ou intelectual.
Segundo o autor, este não é um livro no qual se façam propostas concretas, se entendermos por isso planos de ação.Ao
contrário, o livro possui, sim, um sentido muito prático, se aceitarmos que a forma com que pensamos tem muito a ver
com a forma com que encaramos a realidade e decidimos nela nos inserir. A Autonomia não é isolamento e não é possível
sem o apoio, a relação, o intercâmbio.
Nem sempre as sugestões provêm das leituras dos rascunhos. Provêm também, e neste caso especialmente, do clima
intelectual e profissional no qual se criam oportunidades para discussões interessantes ou para análise de nós mesmos
como docentes e de nossas circunstâncias profissionais.
 
CAPÍTULO 1: A AUTONOMIA PERDIDA: A PROLETARIZAÇÃO DOS PROFESSORES
 
Uma das ideias mais difundidas na atualidade com respeito aos professores e, ao mesmo tempo, uma das mais polêmicas
é a sua condição de profissional. Uma das razões que torna esse assunto problemático é que a palavra \u201cprofissional\u201d, e
suas derivações, embora em princípio pareçam apenas referir-se às características e qualidades da prática docentes, não
são sequer expressões neutras. O tema do profissionalismo \u2013 como todos os temas em educação \u2013 está longe de ser
ingênuo ou desprovido de interesse e agendas mais ou menos escusas.
O ensino, enquanto um ofício, não pode ser definido apenas de modo descritivo, ou seja, pelo que encontramos na
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prática real dos professores em sala de aula, já que a docência defini-se também por suas aspirações e não só por sua
materialidade. Por isso, se quisermos entender as características e qualidades do ofício de ensinar, temos de discutir tudo
o que se diz sobre ele ou o que dele se espera. E também o que é e o que não deveria ser; o que se propõe, mas que se
torna, ao menos, discutível.
Esta é a razão pela qual, se quisermos abordar o tema da autonomia profissional, precisamos discutir os aspectos
contraditórios e ambíguos que encerra. A aspiração do autor com essa discussão é, portanto, conseguir manter o
confronto ideológico, com o objetivo de resgatar uma posição comprometida com determinados valores para a prática
docente.
O tema da proletarização dos professores nos oferece uma perspectiva adequada para essa preocupação. A tese básica
da proletarização de professores é que o trabalho docente sofreu uma subtração progressiva de uma série de qualidades
que conduziram os professores à perda de controle e sentido sobre o próprio trabalho, ou seja, à perda da autonomia.
 
1. O debate sobre a proletarização dos professores
 
Embora não se possa falar em unanimidade entre os autores que defendem a teoria da proletarização de professores, a
tese básica dessa posição é a consideração de que os docentes, enquanto categoria, sofreram ou estão sofrendo uma
transformação, tanto nas características de suas condições de trabalho como nas tarefas que realizam as quais os
aproxima cada vez mais das condições e interesses da classe operária. Autores como Apple (1987; 1989b; Apple e
Jungck, 1990), Lawn e Ozga (1988; Ozga, 1988), ou Densmore (1987) são representantes de tal perspectiva.
Este tipo de análise, segundo Jimenez Jaén (1988), tem como base teórica a análise marxista das condições de trabalho
do modo de produção capitalista e o desenvolvimento e aplicação dessas propostas realizadas por Braverman (1974).
Com o objetivo de garantir o controle sobre o processo produtivo, este era subdividido em processos cada vez mais
simples, de maneira que os operários eram especializados em aspectos cada vez mais reduzidos da cadeia produtiva,
perdendo deste modo a perspectiva do conjunto, bem como as habilidades e destrezas que anteriormente necessitavam
para o seu trabalho. O produto dessa atomização significava, por conseguinte, a perda da qualificação do operário. Agora,
o trabalhador passa a