TECNICA LEGISLATIVA
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TECNICA LEGISLATIVA


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UNIDADE VIII- TÉCNICA LEGISLATIVA 
1- CONCEITO 
 
Consiste na criação do Direito escrito, positivado e pressupõe 
conteúdo e forma. 
O conteúdo é o composto normativo, o objetivo da norma; a 
forma é a técnica, como a norma aparece no mundo. 
\u201cÉ a arte de dar às Normas Jurídicas expressão exata; de vestir 
com as palavras mais precisas os pensamentos que encerra a 
matéria de um direito positivo; a arte que todo legislador deve 
dominar, porque o Direito que surge tem de achar suas 
expressões em Normas Jurídicas. \u201d Rudolf Stammler \u2013 La 
Génesis delDerecho 
2- OBJETIVO 
 
A disciplina Técnica Legislativa objetiva estudar o Processo 
Legislativo e a apresentação formal e material das Normas 
Jurídicas. 
A) PROCESSO LEGISLATIVO: consiste na elaboração do ato 
legislativo, aqui entendido como o direito escrito. O processo 
legislativo vem previsto na Constituição Federal. 
B) APRESENTAÇÃO FORMAL E MATERIAL: consiste na análise dos 
assuntos e redação dos atos legislativos. 
 
A elaboração, redação, alteração e consolidação das leis 
são disciplinadas pela Lei Complementar n.º 95 de 26 de 
Fevereiro de 1998. 
Torna-se importante o estudo desta disciplina para os 
estudantes de Direito e para os que querem seguir a vida 
pública, sendo muito utilizado também na elaboração de 
estatutos e regimentos das pessoas jurídicas e contratos 
sociais. 
3- APRESENTAÇÃO FORMAL DOS ATOS LEGISLATIVOS 
CONCEITO: 
Relaciona-se à estrutura do ato, às partes que o 
compõem. 
DIVISÃO DO ATO LEGISLATIVO: Preâmbulo, Corpo ou texto, 
Disposições Complementares, Cláusulas de Vigência e 
Revogação, Fecho, Assinatura e Referenda. 
PREÂMBULO 
Subdivide-se em: Epígrafe, Rubrica ou Ementa (que compõem 
o Título), Autoria ou Fundamento Legal, Causas Justificativas, 
Ordem de Execução- mandado de cumprimento. 
 
 
 
EPÍGRAFE 
É a primeira parte do ato legislativo e traz a espécie, o tipo do 
ato (se lei, medida provisória, decreto); o número do ato e a 
data de assinatura. 
Serve também para situar o ato na hierarquia das fontes 
formais do Direito e para facilitar a pesquisa. 
Ex.: \u201cLei 10.246 de 10 de Janeiro de 2002\u201d 
Rubrica/Ementa: define o assunto disciplinado pelo ato; 
encontra-se em destaque no ato legislativo. 
Ex.: \u201cInstitui o Código Civil\u201d 
Importante neste tópico, para fins de identificar o assunto de 
que trata a norma jurídica, destacar o conceito de normas 
atópicas ou heterotópicas: que são aquelas que pertencem a 
ramo de direito diverso do tratado no ato legislativo. 
Ex.: - direito ao silêncio do réu no interrogatório (norma de 
direito material prevista no direito processual \u2013 CPP); 
- Direito de não depor pelo sigilo profissional (código de ética 
das profissões \u2013 direito material, previsto no CPC \u2013 parte não é 
obrigada a depor). 
AUTORIA: 
Segue a rubrica e indica de onde partiu o ato, ou seja, quem 
o elaborou. 
Ex.: Quando autoria do Executivo: \u201cO Presidente da República, 
no uso das atribuições que lhe confere o item IV, artigo 84, 
CF..\u201d \u2013 Lei 9494, 10.09.97 (disciplina a aplicação da Tutela 
antecipada contra a Fazenda Pública \u2013 após Medida 
Provisória) 
QUANDO AUTORIA DO LEGISLATIVO: \u201cO Presidente da República 
\u2013 Faço saber que o Congresso Nacional e eu sanciono\u201d \u2013 Lei 
10.406 de 10.01.02 
CAUSAS JUSTIFICATIVAS: 
Atualmente não é muito utilizado; mas serve para o Legislador 
declarar as razões que o levaram a editar o ato; 
Para Platão, como o Estado possui função pedagógica, o 
legislador deve expor a finalidade do ato para a população, 
sendo esta, portanto, a finalidade das causas justificativas do 
ato legislativo. As causas justificativas subdividem-se em 
Considerandos e Exposição de Motivos. 
\uf076 CONSIDERANDOS: quando o ato legislativo possui 
grande importância social e para a vida nacional ou 
quando vai reformular e provocar impacto na opinião 
pública; visa dar satisfação aos jurisdicionados e os 
preparar psicologicamente para que a norma se torne 
eficaz. Ex.: Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
\uf076 EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS: outra modalidade de 
justificação dos atos legislativos, mas que é única dos 
Códigos. É ampla, analítica e elaborada pelos autores 
dos anteprojetos dos códigos. Indica as inovações 
incorporadas ao texto e suas fontes, teorias 
consagradas, etc. Ex.: Exposição de Motivos do CPC \u2013 
1972. 
 
 
ORDEM DE EXECUÇÃO OU MANDADO DE CUMPRIMENTO 
é a parte que encerra o preâmbulo, que dá a ordem de 
cumprimento do ato apresentado. 
Ex.: Decreta, resolve (atos do Executivo);Faço saber, 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono (atos do 
Legislativo). 
CORPO/TEXTO 
É a parte substancial do ato; concentra efetivamente a Norma 
Jurídica. 
DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES 
Nos atos legislativos extensos (Constituição Federal, Códigos) 
o conteúdo normativo é dividido em capítulos. 
Estas disposições contêm orientações variadas, mas 
necessárias à aplicação do texto normativo. 
Podem ser preliminares, gerais e transitórias. 
\uf076 PRELIMINARES: antecedem as regras principais e 
fornecem os esclarecimentos prévios, como a 
localização da lei no tempo e espaço, os objetivos do 
ato, definições de termos, etc. Serve como instrumento 
para o ato entrar em execução. Ex. Lei de Introdução 
ao Código Civil Brasileiro 1916, hoje, Lei de Introdução 
às Normas do Direito Brasileiro- DECRETO-LEI Nº 4.657, DE 
4 DE SETEMBRO DE 1942. 
\uf076 GERAIS: as preliminares não se referem aos fatos 
regulados no ato; já as gerais e finais vinculam-se às 
questões materiais da lei. Nos Códigos mais extensos, se 
de interesse a apenas uma parte da lei, figuram logo 
após o capítulo ou seção; quando aplicáveis a todo o 
texto, vem no final do ato (finais). 
\uf076 TRANSITÓRIAS: contém normas que regulam situações 
passageiras, transitórias, que, após cumpridas, perdem 
sua finalidade, não podendo figurar no corpo da lei, 
mas no final do ato. 
CLÁUSULAS DE VIGÊNCIA E REVOGAÇÃO 
São as partes que encerram o ato legislativo. 
\uf076 VIGÊNCIA: consiste na data em que o ato se tornará 
obrigatório. Ex.: normalmente é na data de publicação 
ou 45 dias após sua publicação. Ex.: artigo 1º LINDB 
Vacacio legis: intervalo entre a publicação e o início da 
vigência. 
\uf076 REVOGAÇÃO: quando a lei se refere a tos que perderão 
sua vigência com a nova lei (art. 2º, § 1º LINDB- lei 
posterior revoga anterior quando expressamente o 
declare; quando for com ela incompatível ou quando 
regule inteiramente a matéria da lei anterior.) Ex.: 
\u201cFicam revogadas as disposições em contrário.\u201d 
 
 
 
FECHO 
É a parte do ato legislativo que indica o local e a data de 
assinatura, e os anos que são passados da Independência e 
Proclamação da República (que simbolizam uma 
homenagem do legislador brasileiro aos dois fatos mais 
significativos da História Brasileira). 
Ex.: Código Civil- Brasília, 10 de janeiro de 2002; 181º da 
Independência e 114º da República. 
ASSINATURA 
É o ato que garante a autenticidade do ato, como 
documento que é, necessita da aposição da assinatura da 
autoridade que o promulga. 
3.2.7- Referenda 
Consiste no fato de os Ministros de Estado acompanharem a 
assinatura presidencial na esfera Federal. 
Ato simbólico que demonstra uma corresponsabilidade pela 
edição do ato. 
Atualmente não é essencial à validade dos atos presidenciais, 
mas constitui praxe importante, mostrando a coesão existente 
entre as autoridades que administram o Brasil. 
 
 
 
 
4- APRESENTAÇÃO MATERIAL DOS ATOS LEGISLATIVOS 
Critério metodológico que serve para imprimir um sentido de 
ordem lógica aos atos legislativos