DIREITO COMERCIAL E FUNDAMENTOS INTRODUTÓRIOS
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DIREITO COMERCIAL E FUNDAMENTOS INTRODUTÓRIOS


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DIREITO COMERCIAL NO MUNDO 
 
Inicialmente a atividade de comércio caracterizava-se pela troca de bens que sobravam da produção 
de subsistência de cada seio familiar. Esta foi a era da troca ou escambo. Logo após houve uma 
evolução dessas operações em virtude das próprias necessidades sociais. Surgiram os elementos de 
valor representativo e de fácil transporte, ampliando e facilitando as atividades comerciais, como 
alguns animais, metais e pedras preciosas. Isso já foi a idéia embrionária de moeda. Hoje o conceito 
de comércio está um tanto evoluído e caracteriza-se pela circulação de riquezas, nelas incluídas 
mercadorias e serviços, que engloba desde pessoas físicas e sociedades de fato até as mais 
evoluídas organizações econômicas, com o intuito de lucro. 
 
O Direito Comercial contemporâneo abarca não só as atividades relativas à mercancia, mas também 
muitas outras instituições. O Direito Econômico é o ordenamento jurídico inerente à produção, a 
circulação e ao consumo de riquezas. Sendo que o comércio é um dos elos do panorama da atividade 
econômica. Poderíamos dizer que o Direito Econômico é o gênero e o Direito Comercial, assim como 
o Direito rural e Direito do Trabalho, é a espécie. 
 
Embora haja certa confusão entre conceitos e delimitações entre essas duas vertentes do Direito, 
ressaltamos que ambos são ramos autônomos do Direito, já que têm seus próprios princípios e 
exigências distintas na grade curricular dos cursos de graduação de forma independente, embora 
inter-relacionada. 
 
O Direito Comercial surgiu basicamente na Idade Média, que foi quando começaram a emergir as 
primeiras formas de comércio. Devido a essa nova fase social seria natural que houvesse a 
necessidade de normas que regulamentassem essas atividades. Inicialmente essas regras jurídicas 
faziam parte de códigos mais genéricos, como o Código de Manu e Hamurabi. Posteriormente 
surgiram as leis de regulamentação marítima com um teor mais específico, como as regras de 
regulamentação marítima que os romanos acolheram dos fenícios. No entanto ainda não era um corpo 
de legislação sistematizado que justificasse a autonomia de um direito comercial propriamente dito. 
 
Só com a fase de desenvolvimento alcançada pela Europa na Idade Média, com o surgimento das 
corporações de mercadores e crescimento das cidades medievais e autonomia de alguns centros 
comercias como Veneza, Florença, Gênova, dentre outros, é que começam a surgir os primeiros 
passos do direito comercial propriamente dito. A organização dos comerciantes em ligas e 
corporações trouxe-lhes poder econômico, político e militar capaz de tornar as cidades mercantis 
autônomas com seus estatutos comerciais próprios, ainda mais porque o direito comum já se tornara 
precário diante das necessidades comercias da época. 
 
Com o vislumbre de novos horizontes o conceito de direito comercial fica obsoleto e isolado, surgindo 
juntamente com o avanço do capitalismo e suas linhas de produção em massa as sociedades 
empresariais. Nessa nova ótica e enfatizando a importância dos capitais para a exploração das forças 
produtivas da natureza aliadas à figura do empresário. O conceito de empresa comercial evoluiu na 
cadeia de atos de comércio para organização dos fatores de produção, gerando e distribuindo bens e 
serviços em larga escala. Logo o Direito Comercial passou a ser tratado como o direito disciplinador 
das empresas comerciais. 
E foi nessa linha que o Brasil, influenciado pela Itália, elaborou seu código civil em 2002 abrangendo 
diversos temas que antes eram tratados no código comercial de 1850. 
 
 
EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL BRASILEIRO 
 
O direito comercial brasileiro tem origem em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil 
e a abertura dos portos às nações amigas. Da sua origem até o surgimento do Código Comercial 
brasileiro, disciplinavam as atividades comerciais no país as leis portuguesas e os Códigos Comerciais 
da Espanha e da França, já que entre as leis portuguesas existia uma lei (Lei da Boa Razão) prevendo 
que no caso de lacuna da lei portuguesa deveriam ser aplicadas para dirimir os conflitos de natureza 
comercial as leis das nações cristãs, iluminadas e polidas. Por essa razão, nessa primeira fase do 
direito comercial brasileiro a disciplina legal das atividades comerciais mostrava-se bastante confusa. 
Em 1834, uma comissão de comerciantes apresentou ao Congresso Nacional um projeto de Código 
Comercial, que após uma tramitação de mais de 15 anos originou o primeiro código brasileiro, o 
Código Comercial (Lei n° 556, de 25 de junho de 1850), que foi baseado nos Códigos de Comércio de 
Portugal, da França e da Espanha. O Código Comercial brasileiro adota a teoria francesa dos atos de 
comércio, podendo-se, entretanto, identificar traços do período subjetivo na lei de 1850, em razão do 
art. 4° prever que somente os comerciantes matriculados em alguns dos Tribunais de Comércio do 
Império poderão gozar dos privilégios previstos no Código Comercial. 
Cumpre ressaltar que embora o Código Comercial brasileiro seja baseado na teoria dos atos de 
comércio, em nenhum dos seus artigos ele apresenta a enumeração dos atos de comércio, como faz o 
Código Comercial francês de 1807 nos artigos 632 e 633. Essa ausência da enumeração dos atos de 
comércio no Código Comercial foi proposital, justificando-se pelos problemas que a enumeração 
causava na Europa, onde eram conhecidas grandes divergências doutrinárias e jurisprudenciais 
referentes à caracterização da natureza comercial ou civil de determinadas atividades econômicas em 
razão da enumeração legal dos atos de comércio. 
Temendo que essas divergências e disputas judiciais se repetissem no país, o legislador brasileiro 
preferiu, após grandes discussões na fase de elaboração do Código Comercial, não inserir a 
enumeração dos atos de comércio na Lei n° 556, de 1850. Entretanto, não foi possível ao legislador 
brasileiro escusar-se de apresentar uma enumeração legal dos atos de comércio no país, que foi 
realizada no Regulamento n° 737 de 1850, especificamente nos artigos 19 e 20. O Regulamento n° 
737 tratava do processo comercial e a enumeração dos atos de comércio baseou-se no Código de 
Comércio francês. 
Até 1875, a enumeração dos atos de comércio constante no Regulamento n° 737 era utilizada para 
delimitar o conteúdo da matéria comercial para o fim jurisdicional e para qualificar a pessoa como 
comerciante no país. Em 1875 os Tribunais de Comércio foram extintos e com a unificação do 
processo deixou de ser necessário para o fim jurisdicional diferenciar a atividade comercial da 
atividade civil. Assim, sob o aspecto processual, a teoria dos atos de comércio perdeu a sua 
importância no Brasil, mas continuou a ser necessária para diferenciar o comerciante do não 
comerciante, já que a lei prevê um tratamento diferenciado para aquele que desenvolve uma atividade 
econômica de natureza comercial, sendo o principal exemplo dessa diferenciação a Lei de Falência 
(Dec.-Lei n° 7.661, de 21 de junho de 1945), pela qual somente podem se beneficiar da concordata e 
submeter-se à falência quem exerce atividade econômica de natureza comercial. 
O Regulamento n° 737 de 1850 foi revogado em 1939 pelo Código de Processo Civil e desde então 
deixou de existir no país um diploma legal que apresente a enumeração dos atos de comércio, 
dificultando a definição da comercialidade das relações jurídicas no Brasil a ponto de não existir até o 
surgimento do novo Código Civil um critério seguro para se definir o conteúdo da matéria comercial. 
Essa dificuldade justifica-se por vários motivos. A teoria dos atos de comércio, por sua própria 
natureza, não permite a criação de um critério científico para se definir a natureza comercial de um 
ato, surgindo um grande problema quando determinado ato não se encontra enumerado