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APS   ONG Banco de Alimentos COMPLETA 2º semestre

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de Alimentos se dispõe a conscientizar as pessoas a economizar e evitar o desperdício? 
Alguma dica para que, em nossas residências, haja menos desperdício de comida?  
Foto com Daniela Garcia – Gerente Geral do Banco de Alimentos
Foto por Kadyje Barakat. 
Imagem captada em frente ao quadro com o veículo da ONG realizando entrega de alimentos à instituição. Local: sede do Banco de Alimentos. Em ordem, Kadyje Barakat, Daniela Garcia e Giovanna Nucitelli.
Entrevista com a ONG Banco de Alimentos 
Meu nome é Daniela Garcia, sou gerente geral do banco de alimentos, nós somos uma ONG, associação civil.
Kadyje: Qual a principal inspiração para o surgimento da ONG?
Daniela: Nossa fundadora se chama Luciana Quintão, economista de formação, que sempre foi uma pessoa muito preocupada com questões de impactos sociais. Muito preocupada com fome, distribuição de alimentos e moradores de rua. Era uma questão absolutamente pessoal. Ela é daquelas que tira o casaco e dá para o mendigo, o guarda-chuvas para o menino que estava pedindo dinheiro na rua. Quintão, com 37 anos, raciocinou que precisava colocar aquilo tudo em prática, não adiantava ela ficar dando esmola ao necessitado, e fundou a ONG, que foi o primeiro banco de alimentos aqui no Estado de São Paulo. Por isso que temos o próprio nome da categoria, Banco de Alimentos, porque banco de alimentos é uma categoria, e ela criou o Banco para recolher alimentos excedentes de comercialização e produção, nos seus pontos de origem, onde seriam desperdiçados, jogados fora. Reempregar esses alimentos ainda próprios para consumo, dentro da validade em instituições existenciais é hoje o core business da ONG. Circulamos por São Paulo e paramos em doadores que nos entregam alimentos que seriam desperdiçados, que seriam jogados fora, por uma questão estética, pelo prazo de validade estar próximo e não dar para colocar no varejo, ou por uma questão de super safras. Temos também a categoria de doação com alimentos que tiveram a embalagem com problemas, que não podem ir para o varejo, mas também não irá ser desperdiçado, então, é reaproveitado doando para nós. Recolhemos tudo isso e entregamos em 42 instituições assistenciais já pré-cadastradas conosco. Por conseguinte, essas Instituições alimentam 22 mil pessoas na sua ponta. Atendemos, basicamente, entidades que auxiliam pessoas que foram abandonadas nas suas extremidades, crianças e idosos, e no meio, adultos economicamente não viáveis, que passam por dependentes de toda natureza e deficientes também de toda natureza. Então, a inspiração foi uma questão pessoal, um questionamento pessoal acerca da sociedade.
Giovanna: E os problemas enfrentados durante esse processo? 
Daniela: No início, enfrentamos a questão da responsabilidade civil da doação. A doação, não sei se é do conhecimento de vocês, no Brasil, é de responsabilidade do doador, então, a indústria que estivesse doando teria responsabilidade civil por aquele alimento. O que isso significa? Se uma empresa de Laticínios nos doar Iogurte e alguém na ponta passar mal por conta do Iogurte, a responsabilidade civil por aquela doação é do doador. Não tínhamos doadores. Luciana fez 400 cartas para 400 indústrias e recebeu de volta apenas sete, cinco delas dizendo “Muito obrigada, parabéns pela sua iniciativa.”, as outras duas nem consideraram. Desse modo, há 18 anos, ela criou uma forma de assumir a responsabilidade civil da doação. Hoje em dia temos um recibo que quando coletamos em qualquer indústria, qualquer supermercado, é feito o seguinte: “o supermercado nos doou X de comida”, por exemplo, 1 tonelada de melancia. Enquanto não entregarmos aquele alimento para a entidade, a responsabilidade é nossa. Quando a entrega é efetuada, pegamos o mesmo recibo, entregamos para a entidade e é assinada com os dizeres: “Eu recebi o alimento bem, ok, a data de validade ok, e agora eu vou utilizar a responsabilidade da entidade.” Desse modo, a única forma de fazer o Banco de Alimentos funcionar é assumindo a responsabilidade civil de todas as 40 toneladas por mês. Por esse motivo, possuímos inúmeros advogados e com a graça de Deus nunca aconteceu nada, nenhum único caso, mas, ainda assim, é a única forma até hoje do Banco funcionar, assumindo a responsabilidade civil. Em todas as indústrias, incluindo as grandes, a responsabilidade é nossa, enquanto trafegar conosco, por isso é recolhido e entregue todo dia, não armazenamos, não é redistribuído nada, nós encaminhamos tudo para frente. Muito raramente, quando é uma coisa não perecível, chegada às 17hs, por exemplo, armazenamos aqui, mas ainda assim é muito pouco, pelo o espaço ser diminuto. Essa é a primeira e grande responsabilidade, a responsabilidade civil da doação. Outras responsabilidades, ou fatores, como doadores e espaços completamente diferentes, tamanhos e volumes de doações muito pequenos, em que não vale a pena parar uma van na frente de estabelecimentos, porque não adianta retirar apenas uma caixa, têm que ser várias. A questão logística é fundamental para ONG hoje, temos que organizar um roteiro de recolhimento e entrega, pensar na malha de logística que temos, de onde sai, para onde vai, em quanto tempo e fora todos os percalços da própria cidade de São Paulo, caminhão parado na Marginal, greve, manifestações, etc. Tudo, até para sair do rodízio, há a necessidade de documentos especiais. Por esse motivo há uma série de dificuldades, esses são os empecilhos do negócio. Fora isso, a manutenção de tudo, porque, tendo em vista ser uma ONG, associação civil, criado por uma pessoa física, mantido por pessoas físicas, o não fechamento das contas no final do mês faz com que alguém tenha que arcar com os prejuízos e colocar dinheiro aqui, e o Governo não contribui, não dá um centavo. Dificuldades, temos de todas as naturezas. Todas. Poderiam ser citadas, mas essas são as principais.
Kadyje: De que forma é feita a arrecadação e seleção dos alimentos?
Daniela: Os motoristas são treinados para isso. Eles param nos nossos doadores oficiais, recolhem aquilo que obrigatoriamente já está selecionado, o que é bom e está no prazo de validade, e, ainda assim, eles fazem uma triagem para poder entregar. Lembrando que não pegamos alimentos manipulados, comida pronta (arroz e feijão pronto) é proibido pela ANVISA, todos devem estar embalados, dentro da validade e ainda próprios para consumo.
Giovanna: Aproximadamente, quantos quilos de alimentos adequados para consumo são desperdiçados por dia na cidade de São Paulo?
Daniela: Por dia, essa conta eu não tenho, quem tem isso é a Prefeitura, ela oscila muito, depende, inclusive, da safra, de regiões específicas. O que eu posso afirmar é que a recolhemos de 30 a 40 toneladas por mês, em média. Esse mês a foram recolhidas 49 toneladas, são 49000 kg de comida, isso só a gente. Ainda tem o Mesa, tem o Prato, têm outras centrais que fazem isso. Conseguimos recolher 49, e a nossa meta é chegar a 60 toneladas.
Kadyje: Como funciona o transporte e acondicionamento?
Daniela: Na verdade quem armazena são os próprios doadores, por exemplo, se é pão, vem no saco para pão, os hortifrútis vêm naqueles sacos de hortifrúti, além disso, temos aquelas caixas com grades plásticas. Mas eles nunca vêm completamente soltos. Só subdividimos a mercadoria entre as entidades que serão assistidas naquele dia.
Giovanna: Todos os alimentos recebidos são reaproveitados ou há alguns que são descartados?
Daniela: Todos. Essas é uma regra que a temos com as entidades, e esperamos que elas possam reaproveitar o máximo possível, até porque a maioria é hortifrúti, por esse motivo não dá para jogar no lixo ou ser descartado. E o nosso segundo pilar na ONG é lutar pelo não desperdício. Para isso é feito um treinamento com as entidades na linha de frente das suas cozinhas, são treinadas as cozinheiras com chefes e nutricionistas em aproveitamento integral dos alimentos, para que elas possam aprender a não só manipular o alimento na íntegra, como também, fazer com que a tabela nutricional daquelas