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Gestão da Qualidade Parte 2 Prof. Dr. Vicente Ferreira Conteúdo 3 Introdução Unidade 1. Conceitos de qualidade: 1.1. Conceitos básicos da qualidade. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade. Exercícios_1, conceitos introdutórios. 1.3. Gestão estratégica da qualidade. 1.4. Gestão pela qualidade total. 1.5. Custos da qualidade. Exercícios_2, Unidade 1. Prof. Dr. Vicente Ferreira Introdução 4 “O problema da gestão da qualidade não é o que as pessoas desconhecem sobre isso. É o de que as pessoas julgam já serem sabedoras” Philip Crosby (1926-2001) Prof. Dr. Vicente Ferreira 5 • Qualidade é uma das palavras mais difundidas junto à sociedade e nas empresas. • No entanto, existe certa confusão quanto ao uso do termo. • A confusão decorre do subjetivismo associado à qualidade e ao uso genérico com que se emprega o termo para representar coisas distintas. Introdução (ii) Prof. Dr. Vicente Ferreira 6 • Portanto, o termo qualidade pode ser enxergado por diversas dimensões, que podem se tornar um grande arma competitiva. • Todo empreendedor sensato sabe que a oferta de produtos e serviços de qualidade é fator indispensável à sobrevivência de qualquer empresa. • Um artigo escrito na década de 80 por David Garvin, da Universidade de Harvard, traz uma luz interessante para esta questão. Introdução (iii) Prof. Dr. Vicente Ferreira 7 O que tem mais qualidade? Um piano Steinway, em que cada unidade, fabricada com esmero extremo por artistas, tem sua própria sonoridade, sua alma, ou um piano Yamaha, célebre pela uniformidade e confiabilidade das unidades fabricadas? Um Jaguar, construído artesanalmente por técnicos altamente especializados ou um esportivo coreano produzido em larga escala? Um SUV macio e silencioso, ou um jipe robusto, que tem vida útil de 300.000 km ou mais, sem grandes problemas de manutenção? Cada uma destas perguntas pode ter respostas diferentes, dependendo da maneira como se enxerga ”Qualidade”. Introdução (iv) Prof. Dr. Vicente Ferreira 8 • Qualidade é, na realidade, um conceito multidimensional, e a compreensão clara dessas múltiplas dimensões possibilita seu uso como uma arma competitiva de grande importância. Introdução (v) Prof. Dr. Vicente Ferreira 9 O que é (significa) QUALIDADE??? Introdução (vi) Prof. Dr. Vicente Ferreira 10 • De acordo com o dicionário Aurélio, o termo qualidade é originário do latim qualite, que significa: 1.Propriedade, atributo ou condições das coisas ou das pessoas capaz de distingui-las das outras e de lhes determinar a natureza; 2. Numa escala de valores, qualidade que permite avaliar e, consequentemente, aprovar, aceitar ou recusar qualquer coisa; 3. Disposição moral ou intelectual das pessoas; 4. Dote, dom, virtude; 5. Condição, posição, função; 6. Espécie, casta, laia. Introdução (vii) Prof. Dr. Vicente Ferreira 11 • No nosso dia a dia qualidade significa: “excelente”; “extraordinário”; “muito bom”. • Portanto, para muitos a qualidade está associada a atributos intrínsecos de um bem, como durabilidade, desempenho técnico. • Sob essa perspectiva, um produto com melhor desempenho teria mais qualidade do que um produto equivalente com desempenho técnico inferior. Introdução (viii) Prof. Dr. Vicente Ferreira 12 • Já para outros, qualidade está associada à satisfação dos clientes quanto à adequação do produto ao uso. • Ou seja , qualidade é o grau com que o produto atende satisfatoriamente às necessidades do usuário. Introdução (ix) Prof. Dr. Vicente Ferreira 13 • Há um terceiro entendimento na literatura que enxerga a qualidade como atendimento às especificações do produto. • Nesse contexto, a qualidade seria avaliada pelo grau de conformidade do produto fabricado com as especificações do projeto. Introdução (x) Prof. Dr. Vicente Ferreira 14 • Há ainda aqueles que associam qualidade ao valor relativo do produto. • Portanto, um produto com qualidade é aquele que apresenta o desempenho esperado a um preço aceitável, e internamente à empresa apresenta um nível de conformidade adequado a um custo aceitável. Introdução (xi) Prof. Dr. Vicente Ferreira 15 1.1. Conceitos básicos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 16 • O entendimento predominante nas últimas décadas e que representa a tendência futura é a conceituação da qualidade como satisfação dos clientes. “Grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos” (ISO 9000). • Em linhas gerais, a qualidade é a garantia da execução de determinado serviço de forma eficiente, atendendo aos requisitos definidos. 1.1. Conceitos básicos da Qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 17 "Qualidade é ausência de deficiências, ou seja, quanto menos defeitos, melhor a qualidade” (JURAN, 1992). "Qualidade é tudo aquilo que melhora o produto do ponto de vista do cliente” (DEMING, 1993). 1.1. Conceitos básicos da Qualidade "Qualidade é a conformidade do produto às suas especificações” (CROSBY, 1986). Prof. Dr. Vicente Ferreira 18 "Qualidade é a correção dos problemas e de suas causas ao longo de toda a série de fatores relacionados com marketing, projetos, engenharia, produção e manutenção, que exercem influência sobre a satisfação do usuário" (FEIGENBAUM, 1994). 1.1. Conceitos básicos da Qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 19 "Qualidade é desenvolver, projetar, produzir e comercializar um produto de qualidade que é mais econômico, mais útil e sempre satisfatório para o consumidor” (ISHIKAWA, 1993). 1.1. Conceitos básicos da Qualidade “Um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende de forma aceitável, de forma acessível, de forma segura e no tempo certo às necessidades do cliente” (CAMPOS, 1996). Prof. Dr. Vicente Ferreira 20 1.1. Conceitos básicos da Qualidade • Por sua vez, Garvin (1992) faz uma coletânea de definições encontrando cinco abordagens: 1. Transcendental: sinônimo de “excelência nata”, associada a uma marca tradicional reconhecida como tendo qualidade superior e excelência. A qualidade não pode ser definida objetivamente, sendo uma coisa que apenas existe ou não existe, sendo intrínseca a um objeto ou serviço * GARVIN, D. A. Gerenciando a Qualidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992. Prof. Dr. Vicente Ferreira 21 1.1. Conceitos básicos da Qualidade 2. Baseada no Produto: a qualidade significa quantos atributos um produto ou serviço apresenta; quanto mais atributos, maior a qualidade. Diferenças de qualidade correspondem a diferenças de quantidade de algum ingrediente ou atributo desejado. Prof. Dr. Vicente Ferreira 22 1.1. Conceitos básicos da Qualidade 3. Baseada na Produção: qualidade significa o atendimento às especificações definidas. A qualidade pode ser vista como o atendimento às especificações do projeto do produto/serviço na sua fase de produção. Prof. Dr. Vicente Ferreira 23 1.1. Conceitos básicos da Qualidade 4. Baseada no Usuário: qualidade de um produto ou serviço depende de como este satisfaz as necessidades e expectativas do usuário. A qualidade de um produto depende de até que ponto ele se ajusta aos padrões das preferências dos consumidores. Ex: Qual o melhor meio de transporte da sua casa até a UNICARIOCA? Prof. Dr. Vicente Ferreira 24 1.1. Conceitos básicos da Qualidade 5. Baseada no Valor: nesta última abordagem, a qualidade é entendida como sendo a relação entre o uso e o preço, ou seja, o preço que o cliente está disposto a pagar pela qualidade de um produto/serviço. Qualidade quer dizer o melhor para certas condições do cliente. ou ??? Prof. Dr. Vicente Ferreira Significados do Termo Qualidade 25 • Um grau de excelência;• Conformidade com requerimentos; • A totalidade de características de uma entidade que garantem sua habilidade em satisfazer necessidades implícitas ou não; • Adequação ao uso e ao propósito; • Inexistência de defeitos, imperfeições, ou contaminação; • Consumidores satisfeitos. Prof. Dr. Vicente Ferreira 26 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 27 • Até o período que antecedeu a Revolução Industrial a qualidade era uma atividade de autocontrole, realizada pelos artesãos que fabricavam os seus produtos de acordo com o desejo pessoal dos clientes. • A produção realizada em pequenas quantidades, feita desta forma artesanal, permitia a aproximação e imperava a informalidade. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 28 • No início do século XX, a prática do controle de qualidade mudou substancialmente. O controle de qualidade passou a ser atividade externa à produção, realizada pelo inspetor de qualidade. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 29 • Na década de 30, o controle da qualidade evoluiu bastante, com o desenvolvimento do sistema de medidas, das ferramentas de controle estatístico do processo e do surgimento de normas específicas para esta área. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 30 • Na primeira metade do século XX, tanto o desenvolvimento conceitual como as práticas de controle de qualidade eram voltados para a inspeção e controle dos resultados dos processos de fabricação, para garantir a conformidade dos resultados com as especificações. Portanto, limitada ao processo de fabricação. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 31 • A partir da década de 50, entretanto, a prática da gestão da qualidade ganhou nova dimensão, expandindo-se para as etapas mais a montante e a jusante do ciclo de produção, envolvendo toda a organização. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 32 • Contribuíram para isso as teorias dos gurus da qualidade, tais como, Juran, Feigenbaum, Deming e Ishikawa apresentadas a seguir. 1.2. Evolução das práticas de gestão da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Juran 33 • Joseph M. Juran (1904-2008): Trabalhou na reconstrução do Japão, onde teve várias experiências e ressaltava o grande envolvimento da alta administração e dos funcionários em vários aspectos da Gestão da Qualidade. Foi o primeiro a propor uma abordagem dos custos da qualidade, classificando-os em três categorias: falhas (externas e internas), prevenção e avaliação. Prof. Dr. Vicente Ferreira 34 • Joseph M. Juran (1904-2008): Além disso, propôs uma metodologia para o desenvolvimento das ações da qualidade, denominada de Trilogia de Controle da Qualidade, como um processo cíclico composto de planejamento, controle e melhoria da qualidade. O planejamento da qualidade estabelece os objetivos de desempenho e o plano de ações para atingi-los. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Juran 35 O controle da qualidade consiste em avaliar o desempenho operacional, comparar com os objetivos e atuar no processo, quando os resultados se desviarem do desejado. Finalmente a melhoria da qualidade busca aperfeiçoar o patamar de desempenho atual para novos níveis, tornando a empresa mais competitiva. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Juran Contribuições de Feigenbaum 36 • Armand Feigenbaum (1922-2014): Tornou-se conhecido por ser o primeiro a tratar a qualidade de forma sistêmica nas organizações, formulando o sistema de Controle da Qualidade Total. É considerado o “pai” da qualidade e afirma que este é um trabalho de todos na organização, e que não é possível fabricar produtos de alta qualidade se o departamento de manufatura trabalha isolado. Prof. Dr. Vicente Ferreira 37 • Armand Feigenbaum (1922-2014): Segundo Feigenbaum, as atividades de controle de qualidade compõem: a) controle de projeto; b) controle de material recebido; c) controle de produto; d) estudo de processos especiais. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Feigenbaum Contribuições de Deming 38 • William Edwards Deming (1900-1993): Assim como Juran e Feigenbaum, Deming tornou-se um dos mais reconhecidos e influentes pioneiros da qualidade especialmente no Japão e, posteriormente, nos EUA. Deming foi enviado pelos EUA para ajudar na reconstrução do Japão no pós guerra. Apresentou em seu trabalho, 14 pontos para a evolução da qualidade. Prof. Dr. Vicente Ferreira 39 • William Edwards Deming (1900-1993): Anos mais tarde, depois do Japão demonstrar ao mundo sua superioridade em qualidade, é que Deming passou a ser solicitado por empresas estadunidenses a proferir palestras sobre gestão da qualidade. • 14 Pontos de Deming: 1. Crie constância de propósitos em torno da melhoria de produtos e serviços, buscando tornar-se competitivo, manter-se em atividade e gerar empregos. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Deming 40 2. Adote a nova filosofia. A administração deve acordar para o desafio, conscientizar-se de suas responsabilidades e assumir a liderança na transformação. 3. Acabe com a dependência da inspeção como forma de atingir a qualidade. Incorpore qualidade desde o começo. 4. Elimine a prática de aprovar negócios com base somente no preço. 5. Melhore constantemente cada processo. Melhore a qualidade e a produtividade, em consequência, os custos diminuirão. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Deming 41 6. Estabeleça o treinamento no local de trabalho. 7. Adote e institua a liderança. O papel da liderança deve ser de ajudar as pessoas e os recursos tecnológicos a trabalharem melhor. 8. Elimine o medo, assim todos podem trabalhar de modo eficaz para a organização. 9. Elimine as barreiras entre os departamentos de forma que as pessoas possam trabalhar em equipe. 10. Elimine metas numéricas, slogans e advertências para os trabalhadores que causem relações adversárias. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Deming 42 11. Elimine quotas numéricas e gerenciamento por objetivos. Substitua por liderança. 12. Remova as barreiras que impedem as pessoas a satisfação e orgulho pelo trabalho. 13. Adote um forte programa de educação, treinamento e auto melhoria. 14. Faça a transformação um trabalho de todos e ponha todos para trabalhar nisso. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Deming Contribuições de Ishikawa 43 • Kaoru Ishikawa (1915-1989): Suas contribuições teóricas tem influencia de Deming e Juran. É o desenvolvimento da visão ampla da qualidade, a ênfase no seu lado humano, o desenvolvimento e o uso de ferramentas da qualidade. Prof. Dr. Vicente Ferreira 44 • Kaoru Ishikawa (1915-1989): Para Ishikawa, qualidade total implica em participação de todos e no trabalho em grupos ao invés de individual. Isso o levou à criação dos círculos de controle de qualidade, que devem ser parte de um programa mais amplo de qualidade. Desenvolveu o diagrama de causa e efeito, conhecido como o diagrama de Ishikawa. Prof. Dr. Vicente Ferreira Contribuições de Ishikawa 45 Exercícios_1, conceitos introdutórios Prof. Dr. Vicente Ferreira 46 Julgue as afirmativas abaixo (Verdadeiro (V) ou Falso (F)): 1. Se de um lado a qualidade é uma das palavras-chave mais difundidas junto à sociedade e também nas empresas, por outro lado existe pouco entendimento sobre o que representa qualidade. ( ) 2. Considerando que qualidade é uma das expressõesmais difundidas junto as empresas, pode-se concluir que não existe confusão quanto ao uso do termo. ( ) 3. A não-confusão quanto ao uso do termo decorre do objetivismo associado à qualidade e também ao uso preciso com que se empresa a palavra. ( ) Prof. Dr. Vicente Ferreira Exercícios_1, conceitos introdutórios 47 4. De modo geral, os autores que tratam do tema gestão da qualidade reconhecem a dificuldade de se definir precisamente o que seja qualidade. Portanto, a qualidade de um produto pode assumir diferentes significados para diferentes pessoas e/ou situações, como pode assumir diferentes significados para cada área funcional de uma empresa. ( ) 5. A palavra qualidade possui diversos significados na literatura, entre os quais, aquela que expressa o grau com que o produto atende de forma satisfatória às necessidades do usuário. ( ) 6. Um produto com qualidade é aquele que apresenta o desempenho esperado a um preço aceitável. ( ) Prof. Dr. Vicente Ferreira Exercícios_1, conceitos introdutórios 48 7. O termo qualidade denota exclusivamente consumidores satisfeitos. ( ) 8. Um produto de qualidade é aquele que atende de forma aceitável e acessível às necessidades do cliente. ( ) 9. A prática do controle de qualidade mudou substancialmente apenas no início do século XX, passando a ser atividade externa à produção, realizada pelo inspetor de qualidade. ( ) 10. Somente após a segunda metade do século XX, a prática de controle de qualidade nas empresas passou a ser limitada ao processo de fabricação, de forma a garantir a conformidade dos resultados com as especificações. ( ) Prof. Dr. Vicente Ferreira Exercícios_1, conceitos introdutórios 49 11. A prática da gestão da qualidade ganhou uma nova dimensão antes mesmo da segunda metade do século XX, expandindo para todas as etapas do clico de produção, envolvendo toda a organização. ( ) 12. Juran foi o primeiro a tratar a qualidade de forma sistêmica nas organizações, formulando o sistema de Controle da Qualidade Total. ( ) 13. As ideias de Deming norteavam o conhecimento a respeito da qualidade. Os 14 pontos para gestão descrevem o caminho para a qualidade total, o qual deve ser continuamente aperfeiçoado. ( ) 14. Ishikawa desenvolveu o diagrama de afinidades que representa uma ferramenta de qualidade que agrupa ideias semelhantes relacionadas a um tema. ( ) Prof. Dr. Vicente Ferreira Exercícios_1, conceitos introdutórios 50 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 1.3. Gestão estratégica da qualidade 51 • A partir das ideias desenvolvidas por Juran, Deming e Feigenbaum, a evolução do controle da qualidade no ocidente, aconteceu devido a perda (a partir da década de 70) de mercado e competitividade de empresas americanas para as companhias japonesas, com produtos de qualidade e confiabilidade superiores. Prof. Dr. Vicente Ferreira 52 • O desempenho da indústria japonesa e o desenvolvimento do TQC* tornaram-se exemplos de como a satisfação dos clientes quanto à qualidade do produto poderia ser empregado como instrumento de vantagem competitiva. * TQC – Trilogia do Controle de Qualidade 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 53 • Portanto, era preciso vincular qualidade com satisfação dos clientes e não com o atendimento às especificações. Qualidade Satisfação dos clientes Atendimento às especificações 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 54 • Ou seja, o predomínio da perspectiva externa do mercado, em relação à visão interna da produção. • Juran divulgou essa visão de qualidade no que batizou de duas visões de qualidade, conforme é ilustrado na tabela a seguir. 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 55 Visão Interna Visão Externa Compare o produto com as especificações Compare o produto com a concorrência e com os melhores Consiga que o produto seja aceito na inspeção Garanta satisfação ao longo da vida útil do produto Previna contra os defeitos na fabricação e no campo Atenda as necessidades dos clientes Qualidade centrada na fabricação Cobre todas as funções Uso de referências internas para medir a qualidade Uso de referências baseadas no cliente para medir qualidade Qualidade vista como uma questão técnica Qualidade vista como uma questão gerencial Esforços coordenados pelos gerente da qualidade Esforços coordenados pela alta gerência. Quadro 1. Duas visões da qualidade Fonte: Carpinetti (2012). 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 56 • Essa visão impulsionou uma nova cultura organizacional e uma nova forma de gerenciamento no mundo ocidental, que se tornou bastante associada à Gestão pela Qualidade Total (GQT). 1.3. Gestão estratégica da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 57 1.4. Gestão pela qualidade total Prof. Dr. Vicente Ferreira 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) 58 • Segundo Juran, a GQT (ou TQM*) funciona como: “sistema de atividades dirigidas para se atingir clientes satisfeitos, empregados com responsabilidade e autoridade, maior faturamento e menor custo”. * TQM – Total Quality Management Prof. Dr. Vicente Ferreira 59 • Ainda há uma outra conceituação para a GQT: “TQM é uma estratégia de fazer negócios que objetiva maximizar a competitividade de uma empresa através da melhoria contínua da qualidade dos seus produtos, serviços, pessoas, processos e ambiente.” 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 60 • Portanto, a gestão pela qualidade total é uma estratégia de fazer negócios que objetiva maximizar a competitividade de uma empresa por meio de um conjunto de conceitos fundamentais de técnicas de gestão da qualidade. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 61 • Diversos artigos durante a década de 90 identificam os conceitos fundamentais da GQT. • As contribuições dos diferentes autores são coincidentes em apontar como fator de sucesso para a GQT uma cultura organizacional que valorize melhoria contínua, abordagem científica, foco no cliente, educação, treinamento, envolvimento e comprometimento de todos, começando pela alta gerência. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 62 • Ao longo da década de 90, várias empresas brasileiras adotaram programas de qualidade total, possivelmente relacionadas a programas governamentais, como o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e o Prêmio Nacional da Qualidade. • A exigência de certificados da qualidade ISO 9001 por várias cadeias produtivas também contribuiu para reforçar essa tendência. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 63 • A partir de 2000, a expressão gestão da qualidade total foi se tornando menos usada e substituída pela gestão da qualidade. • Programas de qualidade total, implementados durante os anos 90, foram substituídos por outros programas de gestão da qualidade e melhoria. • Prêmio de qualidade foram reformatados para prêmios de excelência em gestão. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 64 • Apesar da mudança de abordagem, a gestão da qualidade continuou com importância crescente. • Listamos algumas evidências da crescente importância da gestão da qualidade no cenário atual: ✓ Cada vez mais, os consumidores e o mercado exigem qualidade a um preço mais baixo; 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 65 ✓Conceitos como foco no cliente, melhoria contínua, envolvimento e comprometimento são valorizados nas empresas que são referência em termos de gestão de desempenho; ✓O sistemade gestão da qualidade ISO 9001, cujo certificado é cada vez mais exigido como evidência de que se gerencia minimamente a qualidade, também é um bom exemplo da atualidade dos conceitos de gestão oriundos dos programas de qualidade total; 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 66 ✓Várias técnicas desenvolvidas a partir de iniciativas da qualidade total ganharam ampla importância, como 5S, ferramentas estatísticas e gerenciais, e continuam largamente empregadas. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 67 • Todas essas evidências demostram claramente que a Gestão pela Qualidade Total, ainda que a “onda” da qualidade total tenha passado, deixou raízes profundas nas empresas. 1.4. Gestão pela qualidade total (GQT) Prof. Dr. Vicente Ferreira 68 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 1.5. Custos da qualidade 69 • Como a gestão da qualidade implica em investimentos, a análise do custo versus benefício de um investimento também deve ser um fator a ser ponderado nas decisões relacionadas à melhoria de resultados e redução dos custos da não qualidade. Prof. Dr. Vicente Ferreira 70 • A análise dos custos da qualidade englobam os custos decorrentes da falta de qualidade, assim como os custos para se obter a qualidade. • Os custos da qualidade podem ser classificados em: a) Custos devidos a falhas internas; b) Custos devidos a falhas externas; c) Custos de avaliação da qualidade; d) Custos de prevenção. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 71 a) Custos devidos a falhas internas: são custos associados com defeitos, que são detectados antes do despacho do produto. Exemplos: • Refugo: material, horas de trabalho; • Retrabalho: horas de retrabalho; • Reinspeção, reteste: horas de trabalho de reinspeção de produtos; • Inspeção total: horas de trabalho de inspeção total; • Redução do preço de venda face à baixa qualidade. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 72 b) Custos devidos a falhas externas: são custos associados com defeitos no produto depois de comercializado. Exemplos: • Custo de assistência técnica no período de garantia; • Custo de rompimento do contrato por não atender as especificações de qualidade; • Custos por ações na justiça. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 73 c) Custos de avaliação de qualidade: são custos de verificação do grau de conformidade com os requisitos de qualidade. Exemplos: • Inspeção e teste de recebimento; • Inspeção em processo, final e teste; • Auditorias de qualidade. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 74 d) Custos de prevenção: são custos decorrentes de atividades necessárias para reduzir ao mínimo os custos devido a falhas e os custos de avaliação. Exemplos: • Planejamento da qualidade; • Revisão de novos produtos em desenvolvimento; • Controle de qualidade do processo; • Auditorias da qualidade; • Qualificação e desenvolvimento de fornecedores; • Treinamento em programas de qualidade. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 75 • O modelo econômico empregado para ilustrar a variação do custo total da qualidade, em função do nível de qualidade de conformidade, é mostrado a seguir. • A curva do custo total da qualidade é dividido em três zonas. • Na zona à esquerda do ponto ótimo, os custos das falhas são muito maiores do que os custos de avaliação e prevenção das falhas. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 76 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 77 • Quando os custos de avaliação e prevenção são maiores do que os custos das falhas, o nível de qualidade não é sustentável economicamente. • Supõe-se, portanto, que existe uma porcentagem de defeituosos que deve ser esperada na produção, considerada viável economicamente. • A partir de certa porcentagem decrescente de defeituosos, a sua redução seria mais cara do que as economias resultantes dela: Nível Aceitável de Qualidade. 1.5. Custos da qualidade Prof. Dr. Vicente Ferreira 78 Exercícios_2, Unidade 1 Prof. Dr. Vicente Ferreira 79 1. Julgue as afirmativas a seguir: i. A gestão da qualidade deixou de ser diferencial competitivo, tornando-se essencial à permanência da organização no mercado. ii. O conceito de qualidade é notório há bastante tempo. No entanto, somente a partir das últimas décadas, é abordada com uma visão global, como uma função imprescindível para o sucesso estratégico de uma organização. iii. As ações de qualidade desenvolvidas com o intuito de assegurar a satisfação dos clientes, deixou de ser o entendimento predominante nas últimas décadas. É correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e II, apenas. e) Todas afirmativas são falsas. Exercícios_2, Unidade 1 Prof. Dr. Vicente Ferreira 80 2. Julgue as afirmativas a seguir: i. O gerente de um posto de combustíveis iniciou uma ação de treinamento dos empregados com o objetivo de aumentar a qualidade dos serviços prestados. Sua preocupação era desenvolver a habilidade dos funcionários para desempenharem o serviço da forma como era anunciado na TV. O fator determinante da qualidade dos serviços foi o forte programa de treinamento e a auto melhoria. ii. As duas visões da qualidade, segundo Juran, defende o predomínio da perspectiva interna da produção , em relação à visão externa do mercado. iii. A qualidade classificada como uma questão técnica representa a visão externa de uma organização. a) As asserções I, II e III são falsas. b) As asserções I e II são falsas, e a asserção III é verdadeira. c) A asserção I é verdadeira, e as asserções II e III são falsas. d) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção III é falsa. e) As asserções I, II e III são verdadeiras iro. Exercícios_2, Unidade 1 Prof. Dr. Vicente Ferreira 81 3. Analise as seguintes afirmativas: i. A gestão estratégica da qualidade vincula qualidade com o atendimento às especificações. ii. A Gestão pela Qualidade Total pode ser definida como uma estratégia de negócios que tem por objetivo maximizar a competitividade da empresa através da melhoria contínua da qualidade dos produtos e serviços. iii. A expressão “Gestão da Qualidade Total” tornou-se menos empregada, sendo substituída pela “Gestão da Qualidade”. Esta mudança de abordagem fez com que o termo reduzisse sua importância no cenário atual. Podemos afirmar que são falsas as asserções: a) I, II e III. b) II e III, apenas. c) I, apenas. d) I e III, apenas. e) Todas afirmativas são verdadeiras. Exercícios_2, Unidade 1 Prof. Dr. Vicente Ferreira 82 4. Quanto aos custos de qualidade, assinale a afirmativa incorreta: a) Em essência, os custos da qualidade englobam os custos derivados da falta de qualidade, bem como os custos para se alcançar a qualidade. b) Os custos derivados de falhas internas são custos associados com defeitos, que são detectados antes do despacho do produto. c) Os custos de avaliação de qualidade são custos de verificação do grau de conformidade com os requisitos de qualidade. d) Os custos devidos a falhas externas são exemplos de custos para se obter a qualidade. e) Dentre as alternativas acima, existe pelo menos uma afirmativa incorreta. Exercícios_2, Unidade 1 Prof. Dr. Vicente Ferreira Até a próxima aula... Obrigado ! 83