A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
19 pág.
artigo história mecanização

Pré-visualização | Página 5 de 11

de projetos mais 
sofisticados, elevados custos de produção e de distribuição. 
Após o forte crescimento do mercado no pós-guerra, o crescimento do mercado nos Estados 
Unidos, Japão e Europa, neste período, foi lento, porém constante, concentrado na reposição de 
equipamentos obsoletos e com o tempo de vida útil ultrapassados. Nestas circunstâncias, o tempo de vida 
dos maquinários agrícolas se torna fator fundamental para venda de novos produtos nestes países. A 
durabilidade dos maquinários agrícolas de grande porte era avaliada entre 10 e 15 anos, tornando a 
renovação, dos mesmos, lenta e “infrequente”. Estes fatores fizeram que a expansão das vendas não fosse 
favorável. Com a forte padronização dos produtos causou uma inércia tecnológica neste setor, fazendo 
com que os “players” baseiem seus produtos em concepções básicas. 
Os mercados tornam interdependentes e as empresas são obrigadas a levar em conta as estratégias dos 
concorrentes, mesmo em continente diferentes. Ao final da década de sessenta, três dos maiores fabricantes de tratores 
de rodas, Massey Fergusson, International Harvester e Ford, participavam, expressivamente em cerca de sete países. 
A participação conjunta dessas empresas, na ocasião, chegava a 60% na França, 62% na Itália, 72% nos Estados 
Unidos, 75% na Austrália e 80% na Inglaterra. Em 1960, na Inglaterra, os quatro maiores fabricantes (Massey, Ford, 
Harvester e Leyland) dominavam mais de 85% do mercado de tratores. Na Itália, Fiat Same, Landini e Ford 
respondiam por 77% da produção. Os menores índices de concentração surgiam na França e Alemanha, ambos em 
torno de 40 a 50%. Na América do Norte, nos anos 70, as vendas da Massey, Ford, Harvester e Deere representavam, 
em conjunto, mais de 70% de um total de 250 mil unidade/ano. Na Austrália, das quatro firmas presentes no mercado, 
só três respondiam por 70% das vendas. (...) em 1983, o valor das dez maiores fabricantes mundiais atingia 16,2 
bilhões de dólares no início da década de 1980, representando cerca de 73% de todo o mercado, excluindo-se os 
países da Europa Oriental. A produção conjunta da Massey, Ford, International e Deere alcançava, então, mais de 
45% do mercado. Kubota, Fiat, Case, Allis-Chalmers, Deutz e Renault, junto com os quatro maiores, traziam a 
concentração para mais 70% do total. Levando-se em conta a recente aquisição da Harvester pela Case, estima-se que 
o nível de concentração calculado pelas quatro maiores já se aproxime de metade do faturamento mundial da indústria 
(FONSECA, 1990, P. 90). 
Na década de 1980 houveram grades mudanças entre as principais empresas. As vendas de 
equipamentos atingiram a marca de US$ 22 bilhões, deste valor US$ 8 bilhões nos Estados Unidos. As 
empresas líderes em termos de vendas são: John Deere, International Harvester, Massey Ferguson, Fiat, 
Ford, New Holand, Tenneco-Case, Kubotta-Tekko a Allis Chalmers e a empresa alemã Klocker Hunbold 
Deutz. Justas totalizavam cerca de 70% das vendas no mundo. Em 1985 estes players mudaram no 
mercado, com a Ford absorvendo a New Holand e a Case incorpora a International Harvester. A 
participação da Case no mercado americano e canadense era em torno de 8% em 1980, passando para 
26% naqueles países e assumindo 14% da participação no resto do mundo. A integração Ford – New 
Holland teve como estratégia diversificação de mercados dos conglomerados Ford e Sperry New Rand, já 
que com a aquisição a empresa conseguiu completar sua linha de equipamentos (FONSECA, 1990). 
 A Deere norte americana sustentava a liderança em termos de valor de venda, com 20% de todo o 
mercado mundial, concentrando suas vendas no mercado norte americano. A Massey poderia ser 
classificada líder mundial em termos de unidades vendidas. A New Holland tinha liderança na vendas de 
colheitadeiras, disputando com a Massey-Ferguson e com a Claas, empresa alemã (FONSECA, 1990). 
A Fiat e Deere tinham como forte estratégia suas forças nos mercados nacionais. A Ford, 
Harvester e Massey desenvolveram estratégia de expansão global. Sendo que a Massey tinha a maior 
internacionalização, pois tinha planta em mais de vinte países, explorado mercados em países como 
Brasil, Argentina, Índia, África do Sul, entre outros. Esta estratégia da Massey tinha como foco o 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 
fortalecimento de sua concorrência com as grandes empresas do período, Deere e Harvester, e, também, 
como resposta aos incentivos à instalação de indústrias promovida pelos governos daqueles países. Após 
aventurar-se nos mercados menos maduros daqueles países e enfrentar grande crise financeira no final da 
década de 1970, as expectativas de vendas da Massey não se concretizaram, fazendo com que a empresa 
mudasse sua estratégia, retirando-se de alguns países, preservando apenas seu acordo de fornecimento de 
tecnologias às antigas subsidiárias, garantindo sua participação no mercado mundial. 
 
3.1 - Importância da Economia de Escala para o Setor 
Fonseca (1990) aponta a importância das Economias de Escala até os anos de 1990, porem ressalta 
que a mesma poderia ser responsável por alto grau de concentração industrial. Estas economias 
manifestam tanto nas plantas industriais, como nas firmas. No último caso, diz respeito a aspectos 
indiretos ao processo de produção. International Harvester, Deere, Ford, Massey Ferguson, Case e 
White, são grandes organizações que possuem multiplantas e multiprodutos que se beneficiam tanto de 
economias de escala quanto ao nível de planta da firma. Servindo de parâmetro para avaliar o 
desempenho industrial (FONSECA, 1990). 
Economias de Escala podem ser atribuídas a três fatores: “custo de ampliação dos equipamentos e 
instalações incluindo indivisibilidades técnicas, custos decrescentes de operação devido à utilização mais 
‘eficiente’ da mão-de-obra, matérias-primas, insumos e energia e, finalmente, economias de grande 
reserva ou estoques” (FONSECA, 1990, P. 95). Sendo que economias de escala ao nível da firma incluem 
atividade de compras, distribuição, financiamento, atividade de P&D, entre outros. 
Kudrle (1975) apud Fonseca (1990) ao analisar o nível de preços sobre os custos, nota-se que há 
um aumento na margem de lucro, à medida que o tamanho dos tratores aumenta – este tamanho é 
avaliado pela capacidade de tração do trator em HP. Essa margem de lucro tende a ser ainda maior 
quando a escala de produção ao nível da planta aumenta, demonstrando que o preço por HP subia nos 
Estados Unidos, caia na Inglaterra, já os custos por HP caiam nos dois países. A queda sempre aparecia 
mais acentuadamente nos níveis de escala maiores, acima de 20 mil unidade/ano. 
 Após a II Guerra Mundial, a maior dimensão dos tratores e mudanças nos projetos passam a andar juntos. 
Amplia-se consideravelmente o sistema de montagem integral trator-implemento, o mesmo ocorrendo com 
subsistema e componentes, ensejando um processo contínuo de modificações nos projetos e adaptações nos produtos. 
Vários melhoramentos e inovações incorporados aos tratores e colheitadeiras, neste período, revelam esta tendência 
de aumento do tamanho. A adoção da tração nas quatro rodas é uma das inovações que se tornam quase obrigatórias 
em modelos maiores. Além da tração 4x4, o uso de motores turbinados – em geral, maiores do que os convencionais e 
de componentes mais complexos passa a acompanhar o aumento de tamanho do trator. (...) a inter-relação entre 
padrões técnicos existentes na agricultura, revelados através de práticas de cultivo (best-practices) e as trajetórias do 
progresso técnico na fabricação dos equipamentos (e insumos industrializados). Esta inter-relação é mediada pelos 
padrões de concorrência existente na indústria de equipamentos e, eventualmente, sancionada pelas políticas agrícolas 
que dão suporte financeiro às atividades agrícolas

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.