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SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO

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fonoaudiólogos, 
professores). Para Almeida, (2011, p.55): “[...] os princípios e diretrizes que devem orientar o 
trabalho do/da assistente social não podem deixar de considerar dois elementos: as suas 
atribuições e competências e a construção de processos de trabalho interdisciplinares.” 
 Na política de educação é necessário construir a possibilidade de trabalho enquanto 
equipe, pois apesar de a inserção do assistente social nesta não ser nova, ela “[...] é marcada 
por fortes vestígios de concepções assistencialistas e imediatistas no enfrentamento dos 
problemas escolares que distorcem a potencialidade de contribuição deste profissional nos 
processos que asseguram uma educação pública de qualidade.” (ALMEIDA, 2011, p.55). 
 
4.1.1 Condições éticas e técnicas para o exercício profissional do assistente social: limites e 
possibilidades da SMED 
 
Quando as assistentes sociais foram questionadas se a Secretaria Municipal da 
Educação de Toledo dispõe sobre as condições administrativas, éticas e técnicas para o 
exercício profissional do assistente social, (Resolução CFESS Nº 493/2006), as respostas 
obtidas foram às seguintes: 
 
AS 5 – Até o momento em que estive vinculada a Secretaria não havia sala 
privativa, telefone específico para o atendimento do Serviço Social, que foi 
solicitado muitas vezes hora havia sala e telefone hora não e precisava ir para as 
escolas para fazer atendimento com o sigilo necessário não sendo atendida a 
demanda na SMED, mas nas escolas onde havia condições éticas para tanto. 
 
Com base na respostas de AS 5 pode se afirmar que a Resolução 496/2006 não é 
atendida na SMED apenas nas escolas. Pois, o espaço físico da SMED muitas vezes dificulta 
ou até impede um atendimento com qualidade e com o sigilo previsto no Código de Ética 
Profissional dos assistentes sociais. Entretanto para AS 6: 
 
Este fator depende muito da atuação do profissional nos espaços escolares. Todas 
as escolas do nosso município possuem salas de atendimento que podem ser 
utilizados por mais diversos profissionais. Portando compete a este utilizá-las nos 
atendimentos e ter uma posição ética juntamente com a equipe escolar. Na 
Secretaria de Educação o profissional dispõe de sala individual de atendimento, 
porém este deve realizar o seu trabalho nas dependências das escolas e os nossos 
espaços físicos foram construídos em épocas onde não havia necessidade de 
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intervenções individualizadas com as famílias e nem existia equipe para este tipo de 
atendimento, mas com a compreensão das equipes escolares, estas sempre nos 
disponibilizaram espaços físicos para o atendimento das famílias. Quem sabe na 
construção de novas unidades escolares isto possa ser repensado. 
 
 As entrevistadas AS 7 e AS 5 compartilham da opinião de que não há condições 
adequadas disponíveis ao exercício profissional de assistentes sociais. Conforme pode se 
constatar na fala de AS 7, o sigilo profissional muitas vezes é ausente entre a equipe das 
escolas: 
 
AS 7 - Não. Na escola ao realizar atendimentos verifica-se que toda a equipe 
escolar muitas vezes já está sabendo dos casos devido às conversas nos corredores, 
o que gera um preconceito de alguns profissionais com relação a alguns alunos. 
 
Mas, para AS 3, a justificativa se difere da AS 7. Para a mesma, a gestão municipal 
não faz questão de conhecer a legislação que trata sobre o exercício profissional do assistente 
social. Com isso, diminui a importância deste profissional na política de educação no 
município de Toledo. Esta afirmação pode ser confirmada: 
 
AS 3 – A Secretaria desconhece a legislação e não faz questão de conhecê-la, de 
certa forma menosprezando o profissional. Um exemplo disso é o número excessivo 
de escolas e um total de alunos enorme para um único profissional. 
 
Nesta análise, somente AS 4 afirma de forma positiva sobre as condições 
administrativas, éticas e técnicas para o exercício profissional do assistente social. Porém, a 
mesma não fundamenta a sua posição. Outra das entrevistadas sustenta que o espaço para 
atendimento é adequado nas escolas, já na SMED isto depende da gestão municipal em cada 
período específico. 
 
AS 1 - Na época conseguimos um espaço adequado na Secretaria de Educação e 
nas escolas sempre ofereceram um local para atender os casos. Na Secretaria de 
Educação tivemos espaço até no período da secretária Ermínia, depois bagunçou e 
eu apressei a minha saída com a aposentadoria. 
 
Na pesquisa de campo ainda foi perguntado: Quais os limites e possibilidades de 
enfrentamento das expressões da questão social no cotidiano escolar? As respostas da AS 5 e 
AS 7 quanto aos limites apresentam um aspecto comum que está relacionado à quantidade de 
profissionais de Serviço Social. Isso pode ser constatado a seguir: 
 
AS 5 - Limites se dão pelo número de profissionais uma para o atendimento de uma 
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demanda de 12000 alunos ou tinta e cinco escolas e vinte e dois CMEIS. 
AS 7 - Limites: Falta de profissional de Serviço Social, pois, uma profissional não 
dá conta de 12.000 alunos das escolas além dos CMEIS. 
Necessidade de uma profissional por escola, pois não é possível voltar para a 
escola para retomar os atendimentos [...] 
 
Considerando as respostas acima pode-se afirmar que os profissionais são 
insuficientes para um atendimento eficaz à demanda que se apresenta. O que de certa forma 
vêm dificultando o suporte que deve ser garantido pelo profissional no sentido de possibilitar 
ao usuário dos serviços prestados não só na SMED, mas pelas demais políticas sociais 
visando a garantia do acesso aos direitos, serviços e benefícios previstos em Lei. 
Porém, na fala de AS 7 ainda aparecem outras limitações no exercício profissional 
que valem ser destacadas: 
 
AS 7 - Transporte (perde-se muito tempo esperando); 
Falta de reconhecimento da importância do Serviço Social dentro da Secretaria; 
Críticas por possuir visões diferentes; 
Dificuldades de trabalhar com psicopedagogos 
A visão de que agora que existe CRAS E CREAS não precisa mais do Serviço Social 
dentro da Secretaria. 
 
Quanto ao transporte é importante ressaltar que no momento (setembro de 2011) 
tem-se disponível uma Van (com três motoristas, um no período da manhã e um a tarde) e um 
carro para uso de todos os profissionais que atuam na SMED, porém insuficientes. 
 Muitos dos profissionais ligados diretamente à política de educação como 
pedagogos, sustentam que o assistente social deve estar inserido na Política de Assistência 
Social (atendimento ao Centro de Referência de Assistência Social e Centro de Referência 
Especializada de Assistente Social) e não na área educacional, ou seja, muitos profissionais de 
outras áreas desconhecem a necessidade e importância do Serviço Social neste espaço. O que 
também pode ser observado na fala de AS 6 : 
 
 O cotidiano escolar ainda é formado basicamente por profissionais da educação. 
Estes apesar de avanços significativos de entendimento da atuação do Serviço 
Social ainda entendem que a atuação do mesmo somente se faz necessária em casos 
onde a equipe escolar não consegue sanar os problemas apresentados em relação 
ao comprometimento do aluno e principalmente complexidade das questões 
familiares do mesmo. 
 
Com relação às possibilidades, estas aparecem muito pouco nas respostas dos 
profissionais. Estes quando questionados sobre o assunto muitas vezes não sabiam precisar as 
possibilidades existentes, conforme a descrição abaixo: 
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AS 5 – As possibilidades se dão nos trabalhos realizados com os pais através da 
Escola de Pais e o atendimento aos professores. 
AS 7 –[...] As possibilidades ocorrem

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