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Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano – Lúcia Santaella - As novas tecnologias da informação e comunicação estão mudando toda a cultura em geral. - As formações socioculturais são compostas pelas eras culturais: cultura oral, cultura escrita, cultura impressa, cultura de massas, cultura das mídias e cultura digital. - McLuhan, com O meio é a mensagem (1964), insistia na impossibilidade de se separar a mensagem do meio, pois a mensagem é determinada pelo meio que a veicula. - Mídias são meios de comunicação, canais físicos que transmitem informação, não tem sentido sem as mensagens. Processos comunicativos e formas de cultura devem prever as linguagens que estão dentro dos veículos de acordo com seus limites, e as misturas entre linguagens que se realizam nos veículos híbridos (televisão, hipermídia). - Mesmo responsáveis pelo crescimento das linguagens, meios são meios. Achar que as mediações sociais vêm das mídias é equívoco. Cada meio traz um ciclo cultural próprio. - Uma era não some quando outra surge, a nova se integra na anterior com reajustes. - Para compreender a cibercultura é necessário o reconhecimento da cultura das mídias. - Da cultura de massa, passando pela cultura das mídias, chegamos a cibercultura. - Nos anos 80, início da cultura das mídias, houve o hibridismo midiático, a fusão das mídias, e apareceu a cultura disponível: videocassetes, walkman, TV a cabo. Facilitaram o acesso aos meios e a informação. A comunicação passou de massiva (receptores consumiam só uma mídia de só uma forma) para individual (consomem o que querem quando querem). - Sem distinções da cultura das mídias da cultura de massas, de um lado, é a cultura digital, de outro, a definição de Manuel Castells sobre a formação ou era cultural chamada cultura das mídias: A nova mídia tem audiência segmentada, não é mídia de massa, mensagens limitadas à audiência homogênea de massa. Com o aumento de mensagens e fontes a audiência fica seletiva, escolhe as mensagens, aumentando a relação individual entre emissor e receptor. - A cultura das mídias é a cultura do disponível e a cibercultura a do acesso. Uma diferença delas está na convergência das mídias, um aparelho com várias mídias (celular sendo GPS), que permitiu o alto nível de produção e circulação de informação, marco da cultura digital. - A informação vira moeda corrente e passa ser essencial. Por isso, a era digital ou cibercultura também é conhecida como cultura do acesso, nos põe no seio de uma revolução técnica que tende se ampliar, já que a tecnologia tende a ficar mais barata. - Reações a ciberealidade: fortes reações a favor e contra. Para Heim, o impacto do computador sobre a cultura e a economia divide os críticos em três: Realistas ingênuos: Apontam pontos negativos da realidade na era digital e pouco contribuem para a evolução do meio. Consideram o mundo das redes o melhor e apontam para ganhos evolutivos da espécie. “São otimistas e, nos maus dias, exibem uma felicidade preocupada.” Idealistas: apontam pontos positivos desta era, não deixando de afirmar que a época é considerada uma evolução da espécie. “Enquanto o idealista avança com otimismo sem reservas, o realista pisa para trás movido pelo desejo de nos assentar fora da tecnologia.” Céticos: insistem que o ciberespaço está atravessando um processo de nascimento muito confuso. Para eles, o certo é esperar para ver onde isso nos levará. - Desafios do pós humano: a previsão de interface entre o computador e as pessoas estará voltada para o corpo humano e os sentidos humanos. - A cultura e o ser humano se integram, elas nos moldam, especialmente as tecnologias digitais. - Máquinas estão cada vez mais inteligentes e vão ficar mais parecidas com o ser humano, e não o contrário. Se elas são crias nossas, inevitavelmente carregam dentro de si nossas contradições e paradoxos. - A rápida evolução do computador contrastada com a ausência de evolução humana, levou a previsão de interface entre o computador e as pessoas estará voltada para o corpo humano e os sentidos humanos. Aí a importância das metamorfoses do corpo humano e das mudanças na sensibilidade que são exploradas pelos artistas. - A expressão “pós-humano” é perturbadora. Acham que o humano já era, mas não. O termo é usado por artistas desde o início dos anos 90, para sinalizar as transformações que as novas tecnologias estão trazendo sobre a vida humana, no nível psíquico, social e antropológico. Deve-se culpar a mídia? – Gilles Lipovetsky - Argumentos e situações concretas no sentido de culpabilizar a mídia em tudo que acontece na sociedade. - A escola de Frankfurt na mídia como fábrica de estereótipos a serviço da consolidação do conformismo e da asfixia do espaço público de discussão. - A mídia influencia a sociedade, mas ela não pode tudo, não tem todos os poderes. - A mídia dirige-se a todos, porém não homogeneíza o corpo social, os gostos e as práticas continuam determinados pelas culturas de classe. - As técnicas de comunicação de massa favoreceram os novos modos de vida individualmente. Os lares estão mais equipados, trazendo individualização, dessincronização das práticas, poder de escolha do que ver e liberdade das limitações coletivas. Diminui a sociabilidade tradicional. Assistem e não vão tanto mais ao estádio. - Mídia, um fenômeno complexo: Noticiários geram debates que abrem os horizontes oferecendo vários esclarecimentos. Libera os espíritos da influência das tradições e das culturas de grupos ou de classes. O espírito crítico não some, tende a generalizar-se. Os indivíduos tem mais chance de questionar e julgar livremente. - Diminui os leitores, jovens preferem gastar com outras coisas. Nem o livro e nem a cultura estão morrendo. O indivíduo contemporâneo quer soluções eficazes e técnicas para os problemas da vida. - A responsabilidade da mídia existe nesse campo, mas é limitada. O livre arbítrio deve prevalecer acima de tudo. - A mídia favorece o desenvolvimento da autonomia dos indivíduos. Porém, são prisioneiros de novas dependências. - Vive-se um “regime de fobia”: uma situação de insegurança ampliando os medos cotidianos. - A mídia, às vezes, apresenta-se como instrumento da “irracionalidade”, fabricando emoções com o excesso de novos perigos. - A mídia também cria uma situação capaz de levar os indivíduos a questionar a existência. Possibilita mobilizações e protestos de consumidores e cidadãos. - A mídia acelerou a dissolução de formas de sociabilidade tradicionais, mas não eliminou os “laços sociais”. Dominique Wolton afirma: A TV reconstituiu uma forma de ‘laço social’. Conversa-se sobre o que se vê. - A web não destrói o “laço social”. As relações virtuais não ameaçam as relações pessoais, as completam, as ampliam. - A mídia funciona como incentivadora de reuniões entusiasmadas de afetos comuns. Inexiste emoção coletiva sem hipermidiatização dos acontecimentos. O ciberespaço como um passo evolutivo – Pierre Lévy - O homem como um superorganismo constrói sua unidade através do ciberespaço, que cresce como se fosse o sistema nervoso da biosfera. - Ideia do texto em 3 posições: 1. Existe uma evolução cultural. 2. A evolução cultural é uma continuação da evolução biológica. 3. O desenvolvimento do ciberespaço é o passo mais recente da evolução biológica/cultural e é a base das futuras evoluções. - O conceito de inteligência coletiva: a vida é um processo evolutivo, um processo de criação, reprodução e seleção de formas. A direção do processo evolutivo é um progresso à digitalização, à virtualização e à inteligência coletiva. Usamos a tecnologia para inserir aprendizado e contribuir para a sociedade. - A hierarquia dos “códigos” digitais e de mundos análogos de formas. Digital é aquele de duas propriedades: combinação de símbolos ou elementos discretos; não tem relação análoga entre código e o que é suposto descrever. 1. DNA: Auto-reprodução, como a primeira fotocopiadora que sustenta a memória e a continuidade da vida. A máquinacomete erros, a base da biodiversificação. 2. Os sistemas nervosos e formas de experiência: Comunicação entre inteligência coletiva dos neurônios. Como um mundo virtual, de um lado cheiros, sons, cores, do outro a máquina digital que o computa. As formas se reproduzem na experiência e na mente. 3. Linguagem e cultura: A emergência da raça humana é marcada pelo nascimento da linguagem e pelo início da evolução cultural. A linguagem é suporte para uma inteligência coletiva desconhecida antes do homem. Nessa fase o aprendizado está na escala da humanidade e esse aprendizado se funde com a evolução cultural. 4. Aperfeiçoamento dos mecanismos reprodutivos das formas culturais: a escrita, o alfabeto e o ciberespaço. - Mutações antropológicas e a história da linguagem. 1. Escrita: aperfeiçoamento da linguagem e da inteligência coletiva. Maior conquista da evolução. 2. Alfabeto: desenvolvimento da escrita. Primeiro sistema universal de comunicação. 3. Imprensa: o principal efeito é o alargamento dos horizontes em vários níveis. Pode ser a reprodução do alfabeto e das imagens. Coincide com as revoluções: científica, industrial, política. 4. Ciberespaço: integra todas as mídias anteriores. É um metameio. É o espaço de comunicação aberta pela interconexão global de computadores. É a comunicação “muitos para muitos”. - Promovendo a evolução global: os avanços nos deixam destruir ou criar, para o melhor ou o pior. A cultura humana é o principal fator da evolução da biosfera e da própria evolução. A evolução está cada vez mais sob nossa responsabilidade. Quanto mais evolutivos, mais sabemos o quanto somos livres. Estamos unindo nossas mentes para criar uma maior, capaz de conduzir a evolução. - Missão da raça humana: fazer crescer o cérebro do mundo que é o ciberespaço, local onde está/estará toda a inteligência coletiva. Do texto impresso à hipermídia – Lúcia Santaella - Texto: Cadeia longa ou breve dos signos linguísticos com suas regras combinatórias. - Hipermídia: Integração do texto, das imagens e dos sons em uma nova linguagem híbrida, mestiça e complexa. - Era das Letras: Da soberania do livro do séc. XV ao XIX. - Ideias de McLuhan a partir do texto “A Galáxia de Gutenberg” (PAI): Democratização dos meios de produção e disseminação de ideias. Crescimento de conhecimentos científicos, culturais, literários e artísticos. Distribuição desses conhecimentos graças à reprodutibilidade do registro escrito. - Jornal: híbrido entre verbo e imagem. Mecanização da impressão possibilita a produção em massa de livros. - Um novo meio de comunicação não substitui o anterior, provoca uma refuncionalização dos meios precedentes. - Do mecanismo ao eletrônico: rádio e TV. - Era da Imagem: Remonta a invenção da fotografia. É intensificada no séc. XX com o cinema, a TV e imagens computacionais. - Cultura de massas (1960): Massa x Individualização. - Cultura das mídias: Cultura dos híbridos. Resultado de misturas entre linguagens e meios. - Na virada de 70/80 germinam as tecnologias do computador. - Computador: É a produção, armazenamento e distribuição de hipermídias. É uma metamídia. - Texto curto: nas telas; Texto longo: cópia impressa. - Possibilidade de hibridizar ciência e arte. Hipermídia.