Prévia do material em texto
Resumo: Supervisão educacional – o termo propõe que as atividades extrapolem as atividades da escola, alcançando os aspectos estruturais e sistêmicos da educação. Supervisão escolar – supõe-se supervisão tanto dos serviços administrativos como pedagógicos, confundindo as ações com as do Diretor (gestor). Coordenação – pode-se dizer que é uma das condutas supervisoras, significa trabalhar para que os elementos funcionem de modo articulado. Quando a nomenclatura se refere a turno, está abordando o caráter administrativo e pedagógico de um determinado turno. Quando se trata de uma área ou disciplina, está se referindo às articulações possíveis entre conteúdos e métodos de ensino no âmbito de uma determinada área ou disciplina. Sem discriminar as outras funções, elegemos a expressão Supervisão Pedagógica por considerar a abrangência e especificidade da ação do Supervisor Pedagógico, que entendemos ficar, assim, melhor contemplado. E o que significa o termo supervisão? Vamos analisar a epistemologia do nome supervisão: O prefixo “super” unindo-se à “visão” designa o ato de ver o geral ou seja, visão ampla, superior, não em termos de hierarquia, mas em perspectiva de ângulo de visão, para que o Supervisor possa “olhar” o conjunto dos elementos e seus elos articuladores nas ações específicas da escola. Para qualificar o entendimento das especificidades da atuação do Supervisor Pedagógico, precisamos fazer a junção dos significados de todos esses termos pois: - O uso do termo Supervisão pedagógica refere-se à abrangência da função, cujo “olhar sobre” o pedagógico oferece condições de coordenação e orientação. Segundo Hass (2000) apud Batista (2009) “(...) a ação do supervisor pedagógico pressupõe uma disponibilidade para transitar entre os diferentes cenários e espaços, encontrando projetos diversos (às vezes antagônicos), construindo caminhos de aproximação, negociação, diálogo e troca, entendendo os constituintes do grupo coordenado como pares legítimos e, institucionalmente, os partícipes de um dado projeto político pedagógico.” Nota importante: A ação da Supervisão e Orientação Pedagógica pode se configurar como uma prática social: - Caracterizada pela mediação técnico-pedagógica; - Traduzindo a consideração pelos sujeitos envolvidos e sua história; - Com o compromisso com um projeto educativo que esteja sintonizado com o diálogo com e entre os diferentes; - Que assume o trabalho coletivo como importante estratégia de trabalho; - Que investe em um processo de planejamento baseado na cooperação e na troca de saberes e experiências. A Supervisão e Orientação Pedagógica é o lugar, também, do sujeito que se forma ao participar da formação de outros sujeitos. Essa é a premissa básica do trabalho da supervisão pedagógica: Trabalhar na formação continuada dos professores e equipe, como atores do processo ensino e aprendizagem. O objeto da ação supervisora O objeto específico da supervisão escolar na escola é o processo de ensino-aprendizagem e, desta forma inclui: currículo; programas; planejamento; métodos de ensino; avaliação; recuperação. Nesses processos observamos os procedimentos da supervisão pedagógica buscando a integração e orientação, através de estudos, com troca de significados. Especificidades da ação do Supervisor Pedagógico: a) constitui-se liderança técnico-pedagógica; b) pauta-se pelo desenvolvimento de ações democráticas; c) produção e articulação da crítica entre contexto, teoria e prática educativa; d) construção de caminhos de aproximação, negociação, diálogo e troca entre os professores na escola; e) assunção da formação como processo contínuo; f) parceria político-pedagógica com professores e equipe. “Serviço que visa assegurar a ação técnico-pedagógica da escola, assim como a eficiência e eficácia do processo de ensino, oferecendo condições de ensino e facilitando o relacionamento entre professor e aluno.” (Paola Gentile) “Processo de acompanhamento e assistência a ação docente.” (Luck, 2002) “Parceria político pedagógica para integração e formação continuada com interação de saberes para melhoria do processo ensino e aprendizagem.” (Autor desconhecido) “Serviço que incumbe-se de garantir, orientar e auxiliar a formação, a fim de que os professores desenvolvam e aperfeiçoem suas habilidades, renovando conhecimentos, repensando a práxis educativa, buscando novas metodologias de trabalho, aliando teoria e prática.” (Miziara, 2004). Vamos buscar com Saviani (2008), vestígios da Supervisão pedagógica desde as comunidades primitivas. Lá a educação coincidia com a vida, os adultos educavam de forma indireta, por meio de uma vigilância discreta, protegendo e orientando as crianças pelos exemplo e, algumas vezes, com palavras, em resumo, supervisionando-as. A reforma Couto Ferraz estabeleceu como missão do Inspetor supervisionar todas as escolas. Também cabia ao Inspetor Geral presidir os exames dos professores e lhes conferir os diplomas, autorizar a abertura de escolas particulares e também fazer a correção dos livros. Nesse período coloca-se em pauta a questão da organização de um sistema nacional de educação e, nesse contexto, a ideia de supervisão vai ganhando contornos mais nítidos; passa a existir a necessidade de organização dos serviços educacionais, apontando para dois requisitos: A organização administrativo- -pedagógica do sistema; - A organização das escolas na forma de grupos escolares. O desafio que se coloca, hoje, para a Supervisão Pedagógica, vai além do contexto pedagógico, pois se espera que o trabalho educativo contribua para desenvolvimento da consciência necessária à transformação das relações sociais, cuja necessidade alcança a esfera planetária. Este é o desafio posto à educação e, mais precisamente, ao Supervisor Pedagógico que tem, inclusive, a função de acompanhar e orientar o processo de ensino-aprendizagem sempre considerando sua perspectiva política. É importante observarmos a movimentação das funções postas à Supervisão Pedagógica: - Nas sociedades primitivas – os adultos faziam supervisão indireta - Na Antiguidade – o pedagogo na Grécia - Na Idade Média – o mestre exercia uma supervisão com punição No Brasil: - Com os jesuítas – através do Prefeito de Estudos - No Império – o professor, que propunha o Método de Ensino Mútuo - Na República Velha – Inspetor de Estudos - Nas décadas de 1920 à 1950 - Técnicos de educação - Nas décadas de 1960 à 1980 - Supervisor educacional (uma das habilitações do curso de Pedagogia) - Na atualidade – Supervisor Pedagógico, Orientador Pedagógico, Coordenador Pedagógico, etc. Segundo Ferreira (2008), a Supervisão pedagógica, independente de formação específica, constitui-se em um trabalho escolar que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino, da educação, da formação humana. Seu compromisso é a garantia da qualidade da formação humana que se processa nas instituições escolares. Ao observarmos o modelo econômico que se estabeleceu aqui no Brasil, encontramos uma radicalização do processo capitalista associado a uma opção acelerada pela modernização, obrigando o reajustamento do próprio aparelho político e social. Essa reestruturação apoiou-se nos mecanismos de poder do Estado e, consequentemente, no acentuado controle financeiro e tecnológico exercido pelo capitalismo internacional. O objetivo fundamental do modelo implantado seria a acumulação de capital, a lucratividade através da eficiência técnica e da estabilidade política, assim, se fez necessário a formação de certo tipo de profissionais em quantidade que assegurasse a racionalidade do processo. O objetivo era qualificar profissionais técnicos para atender às necessidades do mercado e de aumento de produtividade. Nesse caso, a educação se reduziu ao aspecto exclusivamente técnico, desvirtuando-se da verdadeira ação educativa. Dessa forma, passou-se a educar para o fazer, para o obedecer, para a execução de determinados papéis ou para a “mão de obra” especializada.Então, podemos deduzir que a Supervisão pedagógica, nesse cenário sócio-político-econômico, tem exercido a função de controle. Se não fizermos uma reflexão profunda, para uma tomada de consciência, a função supervisora acaba se reduzindo a atualização do homem, de acordo com os valores sociais, assumindo o compromisso de reprodução e não de educação. É preciso atentar-se para o perigo do Supervisor pedagógico construir seu trabalho “adequado” ao circunstancial, ingenuamente inculcando a ideologia dominante e recalcando as aspirações individuais e sociais. O Supervisor pedagógico é um criador de cultura e de aprendizagens, não apenas intelectual ou técnica, mas também afetiva, ética, social e política, que se questiona e questiona o circunstancial, definindo e redefinindo prioridades em educação. Ele necessita ser capaz de desenvolver e criar métodos de análise para detectar a realidade e, então, gerar estratégias para a ação. De acordo com Rangel (2007, p. 17) a “visão sobre” o processo auxilia a percepção global do contexto e suas relações, “(...) o supervisor pode contribuir para integração de programas, métodos e procedimentos de ensino e aprendizagem, avaliação e recuperação, conteúdos, diálogo, aproximações tanto em um ano ou ciclo escolar, quanto na sua sequência, nos diversos anos ou ciclos.” O objeto da atenção supervisora é o conhecimento traduzido no currículo, nos programas e nos conceitos construídos e reconstruídos em cada área de estudo e suas metodologias. Essa constatação demonstra a importância que vem sendo conferida, nos meios políticos, econômicos, educacionais e legais à formação do supervisor, bem como sua atuação. Como prática educativa ou como função, a supervisão constitui-se um trabalho escolar que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino. Não se esgotando, portanto, no saber fazer bem e no saber o que ensinar, mas no trabalho articulador e orgânico entre a verdadeira qualidade do trabalho pedagógico e novas formas de gestão incorporadas a partir do que a “era da globalização” vem ocasionando. São compromissos com uma nova compreensão da qualidade da educação, que se consubstancia no compromisso com a formação de homens mais humanos, através de uma educação comprometida com essa humanização em tempos de globalização, onde a modernidade vem apresentando. Então, nos perguntamos: Como pode a Supervisão pedagógica assumir esse compromisso? como uma de suas características a individualização. Saviani (1991, p. 21) nos lembra: “(...) o objeto da educação diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana, para que eles se tornem humanos e, de outro lado e concomitante, à descoberta das formas mais adequadas para atingir esse objetivo.”