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A escrita bíblica 
 POR PROF. FELIPE AQUINO19 DE OUTUBRO DE 2017HISTÓRIA DA IGREJA 
 
Os livros da Bíblia foram escritos em três línguas muito antigas: o hebraico (todos os livros 
protocanônicos do AT), aramaico (Ev. Mateus); grego (livros do NT). 
O hebraico era escrito sem vogais até o século VII dC. Somente nos séculos VII a X dC, os 
rabinos judeus fizeram a vocalização do texto hebraico introduzindo as vogais (texto 
massorético). O leitor colocava mentalmente as vogais entre as consoantes, o que podia gerar 
dúvidas. Por exemplo, a palavra “ah”, podia significar irmão, primo ou parente. O hebraico não 
tinha superlativo e não separava as palavras. 
O aramaico era parecido com o hebraico, falado pelos arameus, comerciantes na 
Mesopotâmia; adotado pelos judeus desde o século V aC; foi a língua falada por Jesus. O 
hebraico aos poucos ficou apenas sendo usado no culto divino. O grego era a língua de um 
povo culto; era falada em todo o império romano, e foi muito usada por escritores judeus, uma 
vez que este povo se espalhou por todo o império. 
Os escritores antigos não dividiam o texto sagrado em capítulos e versículos. Os cristãos é que 
o fizeram para fazer as citações e para a Liturgia. Eusébio de Cesaréia (†340) dividiu os 
Evangelhos em 1162 capítulos. Na idade média, o arcebispo Estêvão Langton, de Cantuária 
(†1228), distribuiu o texto latino do AT e do NT em capítulos; esta divisão foi introduzida no 
texto hebraico do AT e no texto grego dos LXX e do NT e está em uso até hoje. 
A divisão dos capítulos e versículos como temos hoje é do século XVI. Santes Pagnino de Lucca 
(†1554) dividiu o AT e o NT em versículos numerados. Roberto Estêvão, tipógrafo francês, 
refez a distribuição do NT em 1551. 
Os textos da Bíblia foram escritos em material frágil (pergaminho ou papiro); por isso, os 
originais se perderam ou não se conservaram; mas temos cópias dos originais. 
Com a descoberta dos manuscritos de Qumran, em 1947, em Israel, às margens do Mar Morto, 
que datam do século I aC e I dC, foi possível recuar mil anos na tradição manuscrita. Antes de 
1947 não possuíamos cópias dos textos hebraicos do AT anteriores aos séculos IX/X depois de 
Cristo; tínhamos apenas os manuscritos da idade média, e viu-se que há identidade com os 
documentos descobertos em Qumran, o que quer dizer que os textos se foram transmitindo 
fielmente através dos séculos. Isto se deu porque os judeus guardavam ciosamente a sua 
literatura religiosa e não permitiam que ela se deteriorasse. 
Os gêneros literários 
Como a Bíblia é a Palavra de Deus, escrita no linguajar humano, ela utiliza dos gêneros 
literários que são os artifícios das linguagens dos homens para se expressar. O gênero literário 
a ser usado depende do assunto a ser transmitido. Eis alguns tipos: leis, genealogias, oráculos 
proféticos, poemas, poesia, parábolas, epopéias, orações, hino litúrgico, sermões, conto de 
amor, salmo, relato histórico (santa Ceia, por exemplo), crônicas, midraxe, cartas, fábulas, 
apocalipse, etc; para cada caso temos um jeito de escrever. 
Cada gênero literário tem a sua forma de interpretação própria; ora, não se pode interpretar o 
texto de uma lei da mesma forma que uma parábola! É por isso que não se pode interpretar a 
Bíblia ao pé da letra; daí surgem muitos erros. É preciso lembrar também que a Bíblia foi 
escrita num intervalo de tempo de aproximadamente 14 séculos, 1400 anos, desde o séc XIII 
aC. até o século I depois de Cristo. 
Isto implica em conceitos diferentes dos nossos; portanto, não se pode ler a Bíblia com a 
mesma mentalidade e valores do nosso tempo. Algo que era normal naquele tempo pode hoje 
nos parecer um absurdo; mas Deus quis usar o homem para transmitir a sua Palavra. 
Na Bíblia não há erros; esses são parte de quem a interpreta. Muitas vezes o que para nós hoje 
tem um sentido, para o autor sagrado quer dizer outra; às vezes ele está usando apenas um 
artifício de linguagem e nós interpretamos ao pé da letra. Daí a dificuldade de se interpretar 
certas partes da Escritura. Por isso Jesus deixou o Sagrado Magistério da Igreja (Papa e bispos) 
para que a sua interpretação não tenha erro. 
Prof. Felipe Aquino 
 
Como a Bíblia foi escrita? 
 POR PROF. FELIPE AQUINO7 DE SETEMBRO DE 2016VOCÊ SABIA? 
Os textos da Bíblia começaram a ser escritos desde os tempos anteriores a Moisés (1200 a.C.). 
Escrever era uma arte rara e cara, pois se escrevia em tábuas de madeira, papiro, pergaminho 
(couro de carneiro). Moisés foi o primeiro codificador das leis e tradições orais e escritas de 
Israel. Essas tradições foram crescendo aos poucos por outros escritores no decorrer dos 
séculos, sem que houvesse uma catalogação rigorosa das mesmas. Assim foi se formando a 
literatura sagrada de Israel. 
Até o século XVIII d.C., admitia-se que Moisés tinha escrito o Pentateuco (Gen, Ex, Lev, Nm, 
Dt); mas, nos últimos séculos, os estudos mais apurados mostraram que não deve ter sido 
Moisés o autor de toda esta obra. A teoria que a Igreja Católica aceita é a seguinte: 
O povo de Israel, desde que Deus chamou Abrão de Ur na Caldéia, foi formando a sua 
tradição histórica e jurídica. Moisés deve ter sido quem fez a primeira codificação das Leis de 
Israel, por ordem de Deus, no séc. XIII a.C. Após Moisés, o bloco de tradições foi enriquecido 
com novas leis devido às mudanças históricas e sociais de Israel. 
A partir de Salomão (972-932), passou a existir na corte dos reis, tanto de Judá quanto da 
Samaria (reino cismático desde 930 a.C.) um grupo de escritores que zelavam pelas tradições 
de Israel, eram os escribas e sacerdotes. Do seu trabalho surgiram quatro coleções de 
narrativas históricas que deram origem ao Pentateuco: 
1. Coleção ou código Javista (J), onde predomina o nome Javé. Tem estilo simbolista, 
dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com 
Salomão (972-932). 
2. O código Eloista (E), predomina o nome Elohim (=Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a.C. 
, no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo (representa Deus à 
semelhança do homem) do código Javista. 
Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código E foi levado 
para o reino de Judá, onde houve a fusão com o código J, dando origem a um código JE. 
3. O código (D) — Deuteronômio (= repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem 
nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,…) repetindo a lei que se 
obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter 
sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o 
reinado de Josias (640-609 a.C.), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a 
sua redação final é do século V a.C., quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No 
Deuteronômio se observa cinco “deuteronômios” (repetição da lei). A característica forte do 
Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo. 
4. O código Sacerdotal (P) — provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da 
Babilônia (587-537 a.C.) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. 
Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos 
Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma 
nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a 
Aliança. Tudo indica que no século V a.C., um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os 
códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a 
Torá, como a temos hoje. 
Os Livros que compõem a Bíblia católicaVamos apresentar a composição da Bíblia católica, usada desde os Apóstolos, pelos Santos 
Padres, pelos santos Doutores, e por toda a Igreja. Ela é composta de 73 livros, contando 
Lamentações e Jeremias separados. São 46 Livros do Antigo Testamento e 27 do Novo 
Testamento. 
A. Antigo Testamento 
Das Origens aos Reis — 7 Livros:— Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué 
e Juízes. 
Dos Reis de Israel e o Exílio — 7 Livros:— Rute, Samuel I, Samuel II, Reis I, Reis II, Crônicas I e 
Crônicas II. 
Fatos após o Exílio na Babilônia — 7 Livros: — Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, 
Macabeus I e Macabeus II. 
Livros Sapienciais — Ensino e Oração — 7 Livros:— Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, 
Cânticos, Eclesiástico (ou Sirac) e Sabedoria. 
Profetas Maiores — Pregações — 6 Livros: — Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel 
e Daniel. 
Profetas Menores — 12 Livros: — Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, 
Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. 
B. Novo Testamento 
Evangelhos e Atos dos Apóstolos — 5 Livros: — Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos dos 
Apóstolos. 
Cartas de São Paulo — 14 Livros: — Carta aos Romanos, Coríntios I e II, Gálatas, Efésios, 
Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses I e II, Timóteo I e II, Tito, Filemon, Hebreus. 
Cartas dos outros Apóstolos — 8 Livros:— Carta de Tiago, Pedro I e II, João I , II e III, Judas, 
Apocalipse. 
 
A Igreja que nasceu antes da Bíblia 
 POR PROF. FELIPE AQUINO12 DE SETEMBRO DE 2017HISTÓRIA DA IGREJA 
Durante 1500 anos a Igreja Católica conservou as Sagradas Escrituras e a transmitiu a 
seu povo através das Missas 
“Recebereis uma força, a força do Espírito Santo que virá sobre vós; e sereis então minhas 
testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até as extremidades da terra” (At 
1,8). 
Diante desta passagem podemos nos perguntar: “– Jesus deixou algo escrito?” Ele disse: 
“sobre a Bíblia edificareis a minha Igreja”? Não! Cristo fundou a Igreja sobre a vida e o 
testemunho dos apóstolos. Por esse motivo, não podemos afirmar que somos uma “religião 
do livro” – apesar de alguns estudiosos das religiões nos considerarem assim. Somos uma 
“religião do testemunho”. 
Os livros contidos na Bíblia servem para nos relatar fatos e verdades de fé. “Diante daquilo 
que acabei de ler, como deve ser a minha atitude para com Deus e os meus irmãos?”. É para 
que façamos este tipo de confronto conosco mesmo que as Sagradas Escrituras existem. 
Servem para mudar a nossa vida (ação transformadora). Mas nem sempre estes textos 
sagrados existiram. Vejamos como se formou este conjunto de textos sagrados, para que 
compreendamos a essência da Palavra de Deus. 
Comecemos pelo período em que alguns livros foram escritos. É importante saber que o 
escrito mais antigo do Novo Testamento é 1Tessalonicenses – redigido por volta do ano 51 
d.C., quando Paulo se encontrava na Acaia (cf. At 18,12). É importante começarmos por este 
exemplo apenas para demonstrar que a Bíblia não segue uma ordem cronológica; o primeiro 
livro do Novo Testamento não foi o Evangelho de Mateus. Além disso, Paulo morreu e 
provavelmente não viu sequer um Evangelho escrito. Os fatos sobre a vida de Jesus que este 
incansável apóstolo tanto pregava foram-lhe relatados de maneira oral. 
A Igreja, portanto, não nasceu da Bíblia, mas o contrário. Ela não precisou esperar vinte anos 
após a morte de Jesus para que começasse a nascer (com a carta de São Paulo citada acima). 
Ela já estava aí. E, além disso, havia entre os cristãos um código de conduta, uma certa 
tradição, que consistia em dizer com fidelidade quem era Jesus Cristo. 
O último livro do Novo Testamento a ser escrito foi o Apocalipse, escrito por São João por 
volta do ano 100 d.C., quando este se encontrava exilado na ilha de Patmos. Nesta altura da 
História ainda não havia Bíblia, apesar de todos os seus livros já estarem escritos. Isto porque, 
quando São Paulo, São João, São Judas Tadeu escreveram suas cartas eles não sabiam que 
estavam escrevendo partes do Novo Testamento. Os cristãos ainda precisavam escolher 
quais seriam os escritos que iriam compor as Escrituras Sagradas. 
A decisão do Cânone Bíblico, isto é, dos livros que iriam compor as Sagradas Escrituras 
demorou cerca de 200 anos. Um tempo relativamente longo. Mas a Igreja não resolveu cruzar 
os braços e esperar esse tempo todo para então afirmar: “Pronto! Agora somos Igreja”. Ela já 
era antes das Escrituras existirem. 
Por volta dos anos 70 d.C. surgem os evangelhos sinóticos e, aos 100 d.C., o evangelho de 
São João. Não somos nem capazes, muitas vezes, de lembrarmos o que comemos ontem no 
almoço, como é então que 70, 100 anos depois as pessoas ainda lembravam de detalhes da 
fala e da vida de Jesus Cristo? Somente por obra do Espírito Santo. O que nos faz crer que a 
Bíblia foi inspirada por Deus. 
Além de toda essa dificuldade ainda havia hereges que queriam reduzir o Novo Testamento 
a pouquíssimos livros, já outros queriam fazer um apanhado com mais de 40 livros – como 
era o caso dos gnósticos. Coube, então, aos bispos da Santa Igreja o papel de discernir quais 
escritos falavam de Cristo com autenticidade e quais eram apócrifos. Portanto, o Espírito 
deveria inspirar quem escrevia e quem lia. Cada novo escrito que chegava ao conhecimento 
dos bispos era como uma maçaneta nova, caso o prelado tivesse a chave, a autenticidade da 
porta seria provada. 
Passaram-se muitos anos e já havia Bíblia em muitos lugares. Era por volta do ano de 1500. 
Neste período nasceu a Reforma Protestante. Para Martinho Lutero, foi fácil afirmar que sola 
scriptura (somente a Escritura) é fundamento para a verdade de fé, quando vivia na época da 
imprensa e podia fazer tiragem de cópias e distribuir Bíblia a quem quisesse. 
Durante 1500 anos a Igreja Católica conservou as Sagradas Escrituras e a transmitiu a seu 
povo através das Missas, isto porque nem todos tinham condições de ter a Bíblia em casa. 
Esta era escrita em pergaminho (feito com pele de carneiro), com uma tinta especial e através 
de um monge que escrevia à mão a Bíblia inteirinha. Agora, imagine o preço de um produto 
como esse! Era caríssimo! Por isso, só era reservada a mosteiros, catedrais e bibliotecas ricas. 
Mas a Santa Igreja, em sua grande sabedoria, jamais deixou de transmitir Jesus Cristo, a 
Palavra de Deus, o Verbo Encarnado às pessoas. Mesmo quando a Bíblia ainda nem estava 
escrita. Sempre foi possível falar de Jesus. Daquele homem que tocou a vida de muitas 
pessoas ao longo de dois mil anos. 
A Palavra de Deus não é a Bíblia, é Jesus, vivo e ressuscitado. Não é um livro onde 
aprendemos uma doutrina. Nem mesmo um livrinho de histórias. Quando lemos sobre Jesus 
na Celebração Eucarística trazemos Cristo à assembleia e não apenas um saber milenar. Da 
mesma maneira que ele vem em forma de pão a nós, também vem em forma de palavra. 
Fr. Thiago Pereira, SCJ 
 
Por que há várias traduções da Bíblia? 
 POR PROF. FELIPE AQUINO22 DE SETEMBRO DE 2017CATEQUESE 
Os textos da Bíblia começaram a ser escritos desde os tempos anteriores a Moisés (1200 
a.C.). 
Moisés foi o primeiro codificador das leis e tradições orais e escritas de Israel. Essas tradições 
foram crescendo aos poucos por outros escritores no decorrer dos séculos. Assim foi se 
formando a literatura sagrada de Israel. A partir de Salomão (972-932), um grupo de 
escritores que zelavam pelas tradições de Israel, os escribas e sacerdotes, deram origem ao 
Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia. Depois foram surgindo os outros livros, os 
Profetas e os Escritos. 
A Bíblia grega dos Setenta (LXX), destinada aos judeus da Dispersão, foi traduzida do 
hebraico para o grego,em Alexandria, por volta do ano 200 anos antes de Cristo. 
Demorou alguns séculos para que a Igreja chegasse à forma final da Bíblia. Em vários 
Concílios, alguns regionais e outros universais, a Igreja estudou o cânon da Bíblia; isto é, o 
seu índice. O Concílio Vaticano II disse que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja 
discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8). 
Isto se deu no século V, no tempo de Santo Agostinho, que dizia: “Eu não acreditaria no 
Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (Catecismo § 119). 
A Bíblia foi escrita em hebraico e grego e, depois, traduzida para o latim e outras línguas. 
São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”, fez a revisão da versão latina da 
Bíblia (Vulgata), em Belém, a pedido do Papa São Dâmaso (366-384). Esta versão foi 
tomada como referência pelo Concilio de Trento (1545-1563). 
No século XVII, Antonio Pereira de Figueiredo produziu a clássica tradução católica, baseada 
na Vulgata. No século XX, com manuscritos hebraicos e gregos descobertos, sobretudo nas 
grutas de Qumran na Palestina, perto do Mar Morto, em 1947, a Vulgata recebeu uma revisão 
profunda; surgiu a “Nova Vulgata”, após o Concílio Vaticano II, em 1979, e revisada em 1986. 
As traduções mais antigas da Bíblia davam mais importância às palavras, hoje se valoriza 
muito o sentido da frase, dentro do contexto bíblico que se refere. 
O Concílio Vaticano II, na “Dei Verbum”, insistiu na necessidade de traduções corretas e 
adequadas: “Como a palavra de Deus deve estar à disposição de todas as épocas, pede a 
Igreja com materna solicitude se façam versões corretas e adequadas para as diversas línguas, 
sobretudo a partir dos textos originais dos livros sagrados… e, com prévia anuência da 
autoridade eclesiástica, podem ser utilizadas por todos os cristãos” (n.22). 
Hoje temos várias traduções da Bíblia. Cada uma delas foi traduzida dentro de uma 
finalidade, e buscando melhorara a tradução, mantendo o mesmo conteúdo. A antiga edição 
publicada pela Editora “Ave Maria” (1959), foi elaborada pelo “Centro Bíblico Católico de São 
Paulo”; é uma tradução da Bíblia dos Monges de Maredsous, beneditinos da Bélgica, que é 
uma versão francesa dos originais hebraico, aramaico e grego, com base na Vulgata. Esta 
versão atendeu ao intenso movimento bíblico no Brasil na década de 1950. 
A Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas, 1985), é considerada em alguns países a melhor tradução, 
pelas opções críticas que orientaram a tradução, as ricas notas, as referências marginais e 
outras informações valiosas. Foi traduzida dos originais hebraicos, aramaicos e gregos. É uma 
versão bastante “técnica” e crítica, especial para quem gosta de exegese bíblica. 
A Bíblia TEB – Tradução Ecumênica – também foi traduzida com rigor científico, dos textos 
originais hebraico, aramaico e grego, com introduções, notas essenciais e glossário. A 
tradução foi feita por ampla equipe de estudiosos de diversas confissões cristãs e do 
judaísmo, e foi aprovada pela CNBB (Ed. Loyola, Paulinas, 1995). Esta versão tem uma 
“dimensão ecumênica” com o objetivo de promover a união entre católicos, protestantes e 
judeus, já que a Bíblia é uma só e deve unir a todos que a usam. A versão em português 
seguiu a edição francesa. 
A necessidade de novas traduções ao longo do tempo surge pelo fato da relação dos 
vocábulos com a realidade estar em contínua mudança. A CNBB providenciou uma tradução 
com introduções e notas (Edições CNBB e Canção Nova, 2008), que é o texto de referência 
para os documentos oficiais da CNBB, textos litúrgicos, etc. 
Traduzir é sempre correr o risco de perder algo da força e do texto original. Esse risco tem 
consequências especialmente sérias quando se quer traduzir a Bíblia fugindo 
intencionalmente da sua nomenclatura original e típica, a título de que é arcaica ou 
ininteligível ao homem de hoje. Há hoje uma tendência a fazer novas traduções da Bíblia em 
“estilo popular”, nem sempre adequadas. Duas traduções sofreram duras críticas de biblistas 
famosos. 
D. Estevão Bettencourt, osb; e D. João Evangelista Martins Terra, S. J., que foi Membro da 
Equipe Teológica do CELAM e da Pontifícia Comissão Bíblica, criticaram a chamada “Bíblia – 
Edição Pastoral”, em tradução e notas de Ivo Storniolo e Euclides Balancin. Eles consideraram, 
que é “inspirada por ideologia marxista, deturpa as concepções da história sagrada e da 
teologia; a leitura materialista aplicada ao texto sagrado torna a mensagem imanentista, 
fazendo-a perder o seu caráter transcendental…, deturpa o sentido do texto sagrado… e faz 
“incitamento à luta de classes e às divisões entre os homens”. (Revista Pergunte e 
Responderemos, Nº 342 – Ano 1990 – Pág. 514). 
Outra tradução questionada é a “Bíblia na Linguagem de Hoje”; D. Estevão diz que: “a obra é 
infeliz, pois, mais do que uma tradução, fizeram uma interpretação, por vezes nitidamente 
protestante. Além do quê, a adaptação do texto sagrado ao vocabulário popular faz que o 
novo texto deixa de apresentar termos bíblicos ricos de conotações e temas teológicos como 
“Tradição, depósito, mistério. (Revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 523, Ano 2006, pg.7). 
É útil que o cristão possa se utilizar de boas traduções como a de Jerusalém, Ave Maria, TEB 
e outras aprovadas pela autoridade eclesiástica, para conhecer mais profundamente o 
“mistério da fé”. 
D. Estevão Bettencourt, osb 
Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” 
Nº 475 – Ano: 2001 – p. 567 
 
Versões da Bíblia 
 POR PROF. FELIPE AQUINO8 DE SETEMBRO DE 2016CATEQUESE 
Existem diferentes versões básicas da Bíblia. As atuais edições da Bíblia nas diversas línguas 
são traduções de uma ou outra versão. Estas versões são: 
– Versão dos “Setenta”ou “Alexandrina”: (conhecida também como “Septuaginta”), é a 
principal versão grega por sua antiguidade e autoridade. Sua redação se iniciou no século 
III a. C. (250 a.C) e foi concluída no final do século II a.C. (105 a.C). 
O nome de “Setenta” se deve ao fato de que a tradição judaica atribui sua tradução a 70 
sábios e “Alexandrina” por ter sido feita em Alexandria e usada pelos judeus de língua 
grega ao invés do texto hebreu. Esta tradução foi feita para leitura nas Sinagogas da 
“diáspora”, comunidades judaicas fora da Palestina, e talvez também para dar a conhecer a 
Bíblia aos pagãos. 
– Versões Latinas: 
Ítala Antiga ou “Vetus Latina”: provém da Versão dos Setenta para a maioria dos livros 
do A.T. e dos originais gregos para os livros do N.T. e Sabedoria, II Macabeus e Eclesiástico. 
Esteve em uso no Ocidente desde o século II até o século V. 
 
Vulgata: ao final do século IV, o Papa Damaso ordenou que São Jerônimo fizesse uma 
nova versão latina tendo presente a Ítala antiga. Esta versão se impôs no século 
VII definitivamente. Foi denominada “Vulgata”porque a intenção da obra era “vulgarizá-la”, 
torná-la popular. 
São Jerônimo traduziu diretamente do hebraico e do grego originais ao latim, com exceção 
dos livros de Baruc, Sabedoria, Eclesiástico e I e II Macabeus, o quais, transcreveu sem 
nenhuma tradução da Ítala antiga. 
Neovulgata: A Neovulgata é a mesma versão Vulgata, à qual foram incorporados os 
avanços e descobertas mais recentes. 
O Papa João Paulo II aprovou e promulgou a edição típica em 1979. O Papa assim o fez 
para que esta nova versão sirva como base segura para fazer traduções da Bíblia às línguas 
modernas e para realizar estudos bíblicos. 
Fonte: http://www.acidigital.com/Biblia/versoes.htm 
 
A Igreja Católica e a Bíblia 
 POR PROF. FELIPE AQUINO20 DE SETEMBRO DE 2017CATEQUESE 
Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 72livros 
canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo. 
“Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na 
lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8). 
Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não 
acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica”(CIC,119). 
Por que a Bíblia católica é diferente da protestante? 
Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os 
livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de 
Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. 
No ano 100 o Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes): 
1. deveria ter sido escrito na Terra Santa; 
2. escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego; 
3. escrito antes de Esdras (455-428 a.C.); 
4. sem contradição com a Torá ou lei de Moisés. 
Versão dos Setenta: Alexandria – 200 anos antes de Cristo, incluiu os livros que os judeus 
de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia então no início do Cristianismo duas 
Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX). 
Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), 
considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia. 
Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos 
Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos. 
Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus 
nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 
13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 
a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15. 
Nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos 
protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. 
São Clemente de Roma, Papa, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, 
Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes. 
Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus; 
Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos 
rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 
Macabeus. 
Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II 
(397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença 
(1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870). 
Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) 
na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os 
sete livros nas edições da Bíblia. 
“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as 
próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se 
fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8). 
A Bíblia não define o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o índice 
dela. Assim, este só pode ter sido feito pela Tradição dos apóstolos, pela tradição oral que 
de geração em geração chegou até nós. 
A Vulgata – O Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S.Jerônimo que fizesse uma 
revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia. São Jerônimo revisou o texto grego 
do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto 
latino chamado de Vulgata, usado até hoje. 
Prof. Felipe Aquino 
 
É verdade que a Igreja proibiu a leitura 
da Bíblia? 
 POR PROF. FELIPE AQUINO4 DE SETEMBRO DE 2017HISTÓRIA DA IGREJA 
A Igreja sempre estimou a Sagrada Escritura, juntamente com a Tradição apostólica, 
como fonte de fé. A leitura pública da Bíblia sempre foi usada na celebração dos 
Sacramentos; e, de modo especial na Eucaristia. 
Aconteceu, porém, que algumas circunstâncias da história levaram algumas vezes as 
autoridades eclesiásticas a vigiar sobre o uso da Bíblia, especialmente na Idade Média. 
A heresia dos Cátaros ou Albigenses, que, abusavam da Bíblia, obrigou os Padres dos 
concílios regionais de Tolosa (1229) e Tarragona (1234) a proibir provisoriamente aos cristãos 
leigos a leitura da Bíblia, para não serem enganados. 
Por causa dos erros de J. Wicleff, o sínodo regional de Oxford (1408) proibiu as edições da S. 
Escritura que não tivessem aprovação eclesiástica porque os hereges deturpavam o texto 
sagrado. 
Fica claro que a Igreja não proibiu a leitura da Bíblia, mas a leitura de edições deturpadas da 
Bíblia, como faz ainda hoje. 
Estas medidas não visavam impedir a propagação da Bíblia. Por exemplo, na Alemanha, o 
primeiro livro impresso por Gutenberg foi a Bíblia em dois volumes (1453-1456). Até 1477 
saíram cinco edições da Escritura em alemão; de 1477 a 1522, houve nove edições novas 
(sete em Augsburgo, uma em Nürenberg e uma em Estrasburgo); de 1470 a 1520 apareceram 
cem edições de “Plenários”, isto é, livros que continham as epístolas e os evangelhos de cada 
domingo. Isto bem mostra como a Igreja estava longe de querer, em circunstâncias normais 
da vida cristã, restringir o estudo da Bíblia. 
No séc. XVI, quando Lutero e os seus discípulos, fizeram da Escritura a “única fonte de fé”, 
donde tiravam suas inovações doutrinárias, os pastores da Igreja foram obrigados a tomar 
medidas necessárias para que o povo católico não fosse enganado pelas novas edições da 
bíblia protestante. Por exemplo, Lutero quando traduziu a Bíblia para o alemão, acrescentou 
várias palavras que não se encontravam no original grego, como, p.ex., em Rm 3,28, onde ele 
diz que o “homem é justificado somente pela fé”: a palavra somente não se encontra no 
original grego. Esta palavra foi acrescentada para fundamentar a sua causa… mas altera a 
Palavra de Deus. 
Isto obrigou a Igreja católica a restringir o uso das versões bíblicas não autorizadas. Por isso, 
o Papa Pio IV, em 24 de março de 1564, na bula “Dominici gregis” (regra 4ª), determinou que 
o uso de traduções vernáculas da Sagrada Escritura ficava reservado aos fiéis que, a juízo do 
respectivo bispo ou de algum oficial com proveito, para a sua fé e piedade. Em Portugal, os 
reis católicos, fieis a Igreja, já haviam antecipadamente tomado essas medidas. 
As restrições eram apenas para as traduções vernáculas, ficando o texto latino da Vulgata de 
uso livre para todos os fiéis. Não há dúvida, no séc. XVI, período de confusão religiosa e de 
inovações protestantes, mais ou menos subjetivas, a leitura da Bíblia podia constituir perigo 
para os fiéis não preparados. 
Após esta fase os Papas voltaram a estimular a leitura da Bíblia. Pio VI (1775-1799) 
escreveu ao arcebispo A. Martini, editor de uma tradução italiana do texto bíblico, 
numa época em que os católicos ainda hesitavam sobre a oportunidade de tal obra: 
“Vossa Excelência procede muito bem recomendado vivamente aos fiéis à leitura dos Livros 
Sagrados, pois são fontes particularmente ricas, às quais cada um deve ter acesso”. 
S. Pio X (1903-1914) em carta ao cardeal Cassetta declarava: 
“Nós, que tudo queremos instaurar em Cristo, desejamos com o máximo ardor que nossos 
filhos tomem o costume de ler os Evangelhos, não dizemos frequentemente, mas todos os 
dias, pois é principalmente por este livro que se aprende como tudo pode e deve ser 
instaurado no Cristo… O desejo universalmente esparso de ler o Evangelho, provocado por 
vosso zelo, deve ser secundado por Vós, na medida em que se aumentar o número dos 
respectivos exemplares. E Oxalá jamais sejam propalados sem sucesso! Tudoisso será útil 
para dissipar a opinião de que a Igreja se opõe à leitura da Escritura Sagrada em língua 
vernácula ou lhe suscita alguma dificuldade” (Revista PR, Nº 11, Ano 1958, Página 452). 
Os Pontífices subsequentes, principalmente Bento XV e Pio XII, muito incentivaram o estudo 
científico da Bíblia como o uso da mesma na vida de piedade. 
Prof. Felipe Aquino 
 
Interpretar a Bíblia ao pé da letra? 
 POR PROF. FELIPE AQUINO13 DE SETEMBRO DE 2017CATEQUESE 
Algumas pessoas que não entendem bem da Bíblia, ou foram doutrinadas em algumas 
seitas, pensam ainda que devemos interpretar a Bíblia ao “pé da letra”, ou seja, de 
maneira fundamentalista. 
Ora, nada mais errado e perigoso. Por isso, o Magistério da Igreja interpreta a Sagrada 
Escritura, discernindo o que não pode ser mudado e o que é costume da época e o que não 
é válido mais em nossos dias. Veja, por exemplo, os problemas que teríamos hoje se fôssemos 
viver a Bíblia dessa forma: 
Êxodo 21,2 – “quando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo sairá 
livre, sem pagar nada”. Quer dizer que então podemos comprar escravos? 
Levítico 25,44 – estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, 
desde que sejam adquiridos de países vizinhos. “Vossos escravos, homens ou mulheres, 
tomá-los-eis dentre as nações que vos cercam; delas comprareis os vossos escravos, homens 
ou mulheres”. 
Êxodo 21,7 – “Se um homem tiver vendido sua filha para ser escrava, ela não sairá em 
liberdade nas mesmas condições que o escravo” .Então, podemos vender a filha como serva? 
Êxodo 21,15 – “Aquele que ferir seu pai ou sua mãe, será morto”. Então vamos decretar a 
pena de morte para muita gente. 
Êxodo 35,2 – claramente estabelece que quem trabalha nos sábados deve receber a pena 
de morte. “Trabalharás durante seis dias, mas o sétimo (sábado) será um dia de descanso 
completo consagrado ao Senhor. Todo o que trabalhar nesse dia será morto.” Deveríamos, 
então, matar todo mundo que trabalha no sábado? 
Levítico 21,18-21 – está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de 
Deus se tiver algum defeito. “Desse modo, serão excluídos todos aqueles que tiverem uma 
deformidade: cegos, coxos, mutilados, pessoas de membros desproporcionados, ou tendo 
uma fratura no pé ou na mão, corcundas ou anões, os que tiverem uma mancha no olho, ou 
a sarna, um dartro, ou os testículos quebrados… Sendo vítima de uma deformidade, não 
poderá apresentar-se para oferecer o pão de seu Deus.” 
Levítico 19,27 – proíbe cortar cabelo: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem raspareis a 
barba pelos lados.” 
Levítico 11,6-8 – quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. “E enfim, como o porco, 
que tem a unha fendida e o pé dividido, mas não rumina; tê-lo-eis por impuro.” 
Levítico 19,19 – “Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo 
grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios”. Ora, então 
não se poderia ter vacas, cabritos e galinhas na mesma terra. Não se poderia usar roupa de 
algodão misturado com poliéster como se usa hoje. 
Levítico 20,9-16 – “Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o 
seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa. Se um homem cometer adultério com uma mulher 
casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte. 
Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma 
coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa. Se um homem tiver 
comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.” 
Veja quanta gente teria que ser morta hoje se fossemos seguir a Bíblia “ao pé da letra” de 
maneira fundamentalista; mas é lógico que isso não pode ser feito. Então a Bíblia errou? Não! 
O escritor sagrado narrou o que se vivia de costume no seu tempo; hoje não se pode viver 
isso a luz da verdade e do bom senso. A moral evoluiu até que Jesus Cristo a levou à 
perfeição. 
É por isso que a Dei Verbum do Concilio Vaticano II ensina que: “O ofício de interpretar 
autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida, foi confiado unicamente ao 
Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo” (n. 10). 
E São Pedro nos lembra algo muito importante: “Nelas [Sagradas Escrituras] há algumas 
passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos 
deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 
3,16). 
Prof. Felipe Aquino 
 
	A escrita bíblica
	Como a Bíblia foi escrita?
	A Igreja que nasceu antes da Bíblia
	Por que há várias traduções da Bíblia?
	Versões da Bíblia
	A Igreja Católica e a Bíblia
	É verdade que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia?
	Interpretar a Bíblia ao pé da letra?

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