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Gasto energético Profa. Priscila Nunes de Vasconcelos Nutricionista –UFAL Mestre de Nutrição em Saúde Pública - UFPE 12/03/2016 2 Introdução O ser humano se alimenta para satisfazer duas necessidades básicas: Obter substâncias que lhe são essenciais e adquirir energia para conservação dos processos fisiológicos; Para manutenção desses processos, o organismo consome energia continuamente por meio do metabolismo oxidativo, ou, melhor dizendo, do metabolismo energético. Metabolismo é uma atividade celular altamente dirigida e coordenada que abrange reações anabólicas (que consomem energia) e catabólicas (que liberam energia) 12/03/2016 3 Metabolismo energético Compreende todas as vias utilizadas pelo organismo para obter e usar a energia química oriunda do rompimento das ligações químicas presentes nos nutrientes que compõem os alimentos; 12/03/2016 4 Unidade de Energia Caloria: Unidade-padrão para medir calor. É definida como a quantidade de energia calorífica necessária para elevar de 14,5°C a 15°C a temperatura de 1g de água. A quilocaloria equivale a mil calorias, ou à quantidade de energia calorífica requerida para elevar 1°C a temperatura de 1 kg de água, que pode ser abreviada como kcaloria, kcal ou cal. 12/03/2016 5 Gasto energético Medida por cálculos baseados nas trocas gasosas e na excreção de nitrogênio A taxa metabólica basal (TMB) é mensurada desde o século XIX por meio da medida direta do calor produzido (calorimetria direta) ou indiretamente por um cálculo por meio do consumo de oxigênio e produção de gás carbônico (calorimetria indireta) 12/03/2016 6 Histórico 1890-1925: Fase de grande interesse na calorimetria humana; 1900: O conceito de calorimetria indireta foi criado em laboratórios alemães e se dissipou para toda Europa e Estados Unidos; 1919: Harris e Benedict foram os primeiros a desenvolver equações para predição do gasto energético; 1970: ressurgiu o interesse clínico pela calorimetria indireta (medicina esportiva, obesidade, suporte nutricional para pacientes hospitalizados): “Padrão ouro” 12/03/2016 7 Componentes do gasto energético O total de energia necessária para os seres vivos, ou gasto energético diário (GED), compreende: o gasto energético basal (GEB), ou taxa metabólica basal (TMB), necessária para a realização das funções vitais do organismo; os gasto energético de atividade física (GEAF), que engloba atividades físicas do cotidiano e o exercício físico; e o efeito térmico dos alimentos (ETA), relacionado com a digestão, absorção e metabolismo dos alimentos. 12/03/2016 8 GEAF Atividade Física: Qualquer movimento corporal; Resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso; Contextos principais: atividades ocupacionais, atividades domésticas, o transporte e atividades de lazer. Exercício Físico: Uma forma de atividade física planejada, estruturada, repetitiva, que objetiva o desenvolvimento de aptidão física, de habilidades motoras ou a reabilitação orgânico- funcional. Incluem atividades de níveis moderados ou intensos, tanto de natureza dinâmica quanto natureza estática (exercícios isométricos). 12/03/2016 9 Componentes do gasto energético Em indivíduos saudáveis: O GEB corresponde aproximadamente a 60%-70% do gasto diário; O GEAF: 15-30% (componente que mais varia entre indivíduos); O ETA entre 5-15%. 12/03/2016 10 TMB A taxa de metabolismo basal deve ser medida por 30 a 60 minutos, com o indivíduo acordado, logo após uma noite de sono, em jejum de 12 a 14 horas, em posição supina e num ambiente com temperatura agradável. Quando a taxa de metabolismo basal é extrapolada para 24 horas, tem-se o gasto energético basal; 12/03/2016 11 Taxa de metabolismo em repouso Muitas vezes é usada erradamente como sinônimo de TMB; É a energia gasta sob condições semelhantes a TMB; Principal diferença: a medida da TMR pode ser realizada após o indivíduo se deslocar até o local do exame e não requer um período de jejum de 12 a 24 horas. Recomenda-se que antes do exame haja um período de repouso de 30 minutos. Devido a essas diferenças, a TMR tende a ser de 10% a 20% maior do que a TMB. 12/03/2016 12 TMB A massa corpórea magra, idade e gênero podem ser responsáveis por cerca de 83% das variações da TMB; 12/03/2016 13 Termogênese facultativa Modificação no gasto de energia de corrente de mudanças na temperatura, ingestão de alimentos, estresse emocional e outros fatores; 12/03/2016 14 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Direta Calorimetria Indireta Equações preditivas Teste de potência aeróbia Água duplamente marcada Sensores de movimento 12/03/2016 15 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Direta Por volta de 1780 o metabolismo passou a ser mais bem entendido após os experimentos de Lavoisier que denominou de oxigênio um gás que se combinava com substancias, produzindo assim calor; Em 1892-1899 nos Estados Unidos, Atwater e Rosa desenvolveram o primeiro calorímetro direto para humanos, medindo o calor produzido em repouso, no trabalho e em atividade física; Em 1905, Atwater e Rosa aperfeiçoaram a técnica para que fosse feita a medida simultânea do consumo de oxigênio; 12/03/2016 16 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Direta Requer uma câmara altamente sofisticada, que permite a medida do calor sensível liberado pelo organismo, além do vapor de água liberado pela respiração e pela pele. Para a avaliação do GED o avaliado deve permanecer na câmara por um período igual ou superior a 24 h. Grande precisão e um ambiente ótimo para estudos controlados Desvantagens: custo elevado, maior tempo gasto por pesquisadores e sujeitos participantes do estudo, além de ser feita em um ambiente artificial que não representa a atividade diária habitual. 12/03/2016 17 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Direta 12/03/2016 18 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Indireta Avalia o gasto energético (GE) por meio da análise do oxigênio consumido (VO₂), do gás carbônico produzido (VCO₂) e ainda do coeficiente respiratório (QR= VCO₂ /VO₂), apontando assim a quantidade de energia necessária para realização dos processos metabólicos e o tipo de substrato utilizado para a produção de energia. Custo razoável, não invasiva e com grande reprodutibilidade. Circuito fechado: o indivíduo é conectado a uma máscara através da qual ele respira o ar com composição conhecida proveniente de um cilindro, e volta a respirar somente o ar do espirômetro. 12/03/2016 19 Calorimetria Indireta Não é capaz de reproduzir a complexidade de atividades que um ser humano realiza em suas atividades de livre movimentação; Custo ainda é fator limitante, principalmente em estudos populacionais; Outros métodos foram desenvolvidos com menor custo e maior capacidade de reproduzir situações do dia-a-dia. 12/03/2016 20 Métodos e estimativas do gasto energético 12/03/2016 21 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Indireta Essa técnica de circuito fechado não permite muita mobilidade e por isso é utilizada prioritariamente para situações de repouso. 12/03/2016 22 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Indireta Câmara respiratória ou calorímetro de sala: Indivíduo reside por um período de aproximadamente 24 h, similarmente à calorimetria direta, similarmente à calorimetria direta, podendo realizar quase todas as atividades diárias. São medidas as trocas gasosas, sem ser medida a produção de calor. Alto custo do equipamento:dificuldade 12/03/2016 23 Métodos e estimativas do gasto energético Calorimetria Indireta Circuito aberto: O avaliado respira por uma válvula de duas vias, por uma das quais é inspirado o ar ambiente, e por outra o ar expirado é coletado e analisado. Essa análise pode ser feita em tempo real (por meio de instrumentação computadorizada) ou pode ser armazenada para análise posterior (espirometria portátil ou técnica de bolsa) É feita em intervalos de tempo determinados e posteriormente os valores são extrapolados para 24 h do dia, a partir de relações e fórmulas específicas. 12/03/2016 24 Métodos e estimativas do gasto energético Equações preditivas do GE: Métodos rápidos e fáceis para estimar o GE; Requer a estimativa do gasto energético com atividades físicas diárias; As equações foram elaboradas para com um grupo de pessoas em uma faixa etária estreita e com indivíduos de uma única etnia, o que geralmente não representa todos os segmentos da população; 12/03/2016 25 Métodos e estimativas do gasto energético Equações preditivas do GE 12/03/2016 26 Métodos e estimativas do gasto energético Equações preditivas do GE: Em 1919, Harris e Benedict publicaram um estudo intitulado: “A biometric study of human basal metabolismo” Desenvolvido com 136 homens e 103 mulheres no Carnegie Laboratory em Boston. Muitos estudos mostram que estas fórmulas superestimam a TMB em 10% a 15%, porém pela praticidade se tornaram muito populares; Sexo Fórmula Feminino 655 + 9,6 x (Peso corporal em Kg) + 1,9 x (Estatura em cm) – 4,7 x(Idade) Masculino 66 + 13,8 x (Peso corporal em Kg) + 5,0 x (Estatura em cm) – 6,8 x (Idade) 12/03/2016 27 GET = (TMB X NAF) + 10% (ETA) 12/03/2016 28 Métodos e estimativas do gasto energético Idade (anos) Feminino Masculino 0 -3 61,0 x (Peso corporal) + 51 60,9 x (Peso corporal) + 51 3 – 9 22,5 x (Peso corporal) + 499 22,7 x (Peso corporal) + 495 10 – 17 12,2 x (Peso corporal) + 746 17,5 x (Peso corporal) + 651 18 – 29 14,7 x (Peso corporal) + 496 15,3 x (Peso corporal) +679 30 – 60 8,7 x (Peso corporal) + 829 11,6 x (Peso corporal) + 879 > 60 10,5 x (Peso corporal) + 596 13,5 x (Peso corporal) + 487 Fórmula para estimativa da TMB proposta pela FAO/OMS 12/03/2016 29 12/03/2016 30 Métodos e estimativas do gasto energético Idade (anos) Feminino Masculino 10 – 18 7,4 x Peso corporal + 482 x Estatura + 217 16,6 x Peso corporal + 77 x Estatura + 572 18 – 30 13,3 x Peso corporal + 334 x Estatura + 35 15,4 x Peso corporal + 27 x Estatura +717 30 – 60 8,7 x Peso corporal – 25 x Estatura + 865 11,3 x Peso corporal + 16 x Estatura + 901 > 60 9,2 x Peso corporal + 637 x Estatura - 302 8,8 x Peso corporal +1.128 x Estatura – 1.071 Fórmula para estimativa da TMB com estatura proposta pela FAO/OMS 12/03/2016 31 Métodos e estimativas do gasto energético De acordo com a OMS para a estimativa do gasto energético diário há necessidade de incluir o gasto relativo as atividades realizadas. Pode-se considerar um fator atividade único, referente à média das atividades realizadas durante o dia; Ou detalhar a cada período do dia um fator atividade especifico. 12/03/2016 32 Métodos e estimativas do gasto energético 12/03/2016 33 Exemplo: um homem de 40 anos, com peso corporal de 80 kg, a estimativa da TMB será feita da seguinte forma: 12/03/2016 34 Nível de atividade Gasto energético (kcal/kg de peso corporal/dia) Homens Mulheres Muito leve 31 30 Leve 38 35 Moderado 41 37 Pesado 50 44 Muito pesado 58 51 Gasto energético, em kcal/kg de peso corporal Fonte: WHO 12/03/2016 35 Exemplo: mulher de 50 kg de peso corporal que tem um nível de atividade classificado como moderado terá seu gasto energético diário calculado como: GED = 37 X 50 = 1850 kcal 12/03/2016 36 Nível de atividade Gasto energético (kcal/kg de peso corporal/dia) Homens Mulheres Muito leve 31 30 Leve 38 35 Moderado 41 37 Pesado 50 44 Muito pesado 58 51 Gasto energético, em kcal/kg de peso corporal Fonte: WHO 12/03/2016 37 Métodos e estimativas do gasto energético Categoria de Atividades Valor representativo para o fator atividade a ser multiplicado pelo tempo gasto na atividade Repouso X 1,0 Muito leve X 1,5 Leve X 2,5 Moderado X 5,0 Pesado X 7,0 1. Gasto calórico aproximado para várias atividades em relação às necessidades basais para homens e mulheres Para a utilização desses fatores é necessário que se faça uma divisão das atividades realizadas durante o dia e se classifique cada uma próxima ao fator atividade. 12/03/2016 38 Atividade Tempo despendido(h) Fator atividade (quadro 1) GEB/h (GEB/24) Total Dormindo 8 1,0 75,3 602,4 Trabalho sentado em ritmo estressante de trabalho 8 2,5 75,3 1.506,0 Tempo de locomoção a pé, entre a casa e o local de trabalho 1 2,5 75,3 188,2 Treinamento esportivo (corrida) em ritmo intenso 2 7,0 75,3 1.054,2 Tempo com lazer, assistindo televisão ou simplesmente sentado 5 1,5 75,3 564,7 Total 24 ---- ---- 3.915,5 Cálculo: GEB: 1.807 kcal / 24 horas: 75,3 75,3 x 8 x 1,0 = 602,4 75,3 x 8 x 2,5 = 1.506,0 75,3 x 1 x 2,5 = 188,2 12/03/2016 39 12/03/2016 40 12/03/2016 41 12/03/2016 42 12/03/2016 43 Fórmula de Bolso - Espen, 2006 Gasto Energético Total (GET) Paciente Grave (Catabolismo): 20-25 kcal/Kg de peso / dia (10 semana) Paciente Estável (Anabolismo): 25-30 kcal/Kg de peso / dia Paciente apresentando Desnutrição Severa: 25-30 kcal/Kg de peso / dia 12/03/2016 44 Para o paciente hospitalizado (Long, 1979) GET= GEB x fator atividade x fator injúria Fator atividade: paciente confinado ao leito = 1,2 / paciente fora do leito = 1,3 Fator de injúria: cirurgia menor = 1,2/ trauma esquelético = 1,35 /septicemia = 1,6 /queimadura térmica extensa = 2,1 12/03/2016 45 1.Calcule o gasto energético basal ou de repouso dos seguintes indivíduos utilizando as equações de Harris-Benedict (1919), FAO/OMS (1989), Miflin (1990), Schofield (1985), DRIs (2002): 1)Idade = 4 anos; sexo = feminino; peso = 15,2kg; 2)Idade = 26 anos; sexo = feminino; peso = 66kg; altura = 1,68m; 3)Idade = 79 anos; sexo = masculino; peso = 80,5kg; altura = 1,70m 12/03/2016 46 Água duplamente marcada Considerado padrão ouro; Permite medir o GE de indivíduos fora do confinamento, sem necessidade de nenhuma modificação do cotidiano e sem necessidade de fixação de dispositivos ao corpo. Acurácia do método é de 97% a 99%. É um método realizado a partir da ingestão de água contendo isótopos estáveis de hidrogênio e oxigênio, que são misturados com a água corporal. As taxas de perda de hidrogênio e oxigênio são medidas pelo declínio de suas concentrações em algum fluido do corpo, geralmente a urina. A diferença entre a taxa de perda de ambos isótopos é utilizada para estimar a produção de dióxido de carbono e o gasto energético.