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COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL E NEGOCIAÇÃO Professor Me. Victor Andrei da Silva GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; SILVA, Victor Andrei. Comunicação Empresarial e Negociação. Victor Andrei da Silva. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2018. 240 p. “Graduação - EaD”. 1. Comunicação. 2. Negociação. 3. Empresarial. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0589-9 CDD - 22 ed. 658.4 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Operações Chrystiano Minco� Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de Conteúdo Luciano Santana Pereira Designer Educacional Yasminn Talyta Tavares Zagonel Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Ellen Jeane da Silva Qualidade Textual Hellyery Agda Danielle Loddi Pedro Afonso Barth Ilustração Marta Kakitani Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R Professor Me. Victor Andrei da Silva Possui mestrado em Letras pela Universidade de Marília (UNIMAR) (2014), especialização em Educação a Distância pela Faculdade Eficaz (2013), especialização em Docência no Ensino Superior pela Unicesumar (2011). Graduado em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (2007) e Marketing - Unicesumar (2015). Atua como docente há mais de 7 anos, lecionando em cursos de graduação e pós-graduação. Atualmente é docente nos cursos de graduação em Administração, Design de Moda, Logística e Comércio Exterior na Unicesumar. Possui experiência em recebimento de comissão avaliadora do MEC para solicitação e avaliação de cursos. É autor de livros didáticos para cursos EAD nas áreas de Administração e Comunicação. Além da carreira docente, constituiu experiência em empresas do segmento privado nas áreas de marketing, gestão de preço, comunicação empresarial, inteligência de mercado e afins. SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) aluno(a), é com prazer que apresentamos o livro que será utilizado na disciplina de comunicação empresarial e negociação. Este material foi preparado com grande de- dicação e carinho, para que você possa extrair o máximo de conhecimento e aprendiza- do sobre a comunicação empresarial no mundo corporativo e suas formas de atuação e aplicação nas práticas de negociação. A comunicação em todas as suas formas de aplicação me fascina, principalmente na esfera empresarial. Por isso, desejo compartilhar meu conhecimento com você, caro(a) aluno(a). Nunca o ato de comunicar-se foi tão importante quanto em nossos dias. Para gestores, líderes e empresários, dominar a arte da comunicação é mais do que uma sim- ples obrigação, é essencial. Ao escrever este livro, tenho como objetivo não fazer uma abordagem sintética e super- ficial sobre os conceitos de comunicação, os quais dentro da ótica empresarial e práti- cas de negociação evoluíram, assim como o conhecimento das pessoas. Portanto, meu desejo é levá-lo(a) a uma reflexão sobre a evolução que a comunicação teve e ainda tem, sobretudo dentro do contexto business e seus reflexos dentro da negociação. A comunicação continua evoluindo, e a internet acelera tal processo a cada dia. Hoje, se negocia tudo com todos com apenas um clique. Não existem mais barreiras físicas que te impedem de vender ou comprar um produto em qualquer parte do mundo. Basta saber do quê seu target precisa e usar as palavras, imagens e estratégias certas e na hora certa para convencê-lo a comprar ou vender. A área da comunicação empresarial e da negociação é ampla e pode ser complementa- da com outras diversas fontes, não tendoapenas o nosso livro como base. Na unidade I, começaremos com a compreensão dos conceitos e contextos históricos da comunicação empresarial. Tal análise nos permitirá compreender a importância que a comunicação possui dentro do âmbito empresarial em nossos dias, além, é claro, de avaliar a eficiência e eficácia da comunicação para uma organização. Ao fazer essa ava- liação dentro da organização, será possível compreender quais são e como funcionam as etapas de um processo comunicativo empresarial, estudando assim os modelos de comunicação empresarial mais utilizados pelas organizações nos últimos anos. Usare- mos vários cases de sucesso para exemplificar os modelos de comunicação mais inte- ressantes. Depois de permear por aspectos conceituais vistos na unidade I, na unidade II estuda- remos quais são os efeitos e impactos que a comunicação tem na sociedade da infor- mação. Compreenderemos quais são as relações que a comunicação tem com uma or- ganização, e sua cultura de relacionamento com a própria comunicação. Nessa unidade buscaremos compreender quais são os efeitos dos elementos verbais na comunicação empresarial. Estudaremos também os efeitos dos elementos não verbais da comunica- ção como a linguagem, os gestos, os sinais, as imagens e o tom de voz. Trataremos tam- bém de como é o funcionamento do processo comunicativo empresarial dentro do cha- APRESENTAÇÃO COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL E NEGOCIAÇÃO mado contexto “ponto.com”, mídias sociais e web de maneira geral. Por fim, faremos uma abordagem sobre os mecanismos e ferramentas de transmissão de mensagens corporativas dentro das organizações. Muitos empresários ainda não sabem como se comunicar na chamada sociedade da informação. Por isso, a unidade II tratará de abordar assuntos que parecem simples, porém que ainda geram uma série de dúvidas na cabeça das pessoas. Ter uma página em um mídia social ou um website não é mais se comunicar, é interagir. Na unidade III, buscaremos compreender como é estruturada uma política de co- municação empresarial dentro de uma organização. Vamos apresentar como é o processo de gestão de uma organização e sua interação com a comunicação inter- na. Faremos uma abordagem sobre a comunicação integrada de marketing e sua aplicação no âmbito empresarial, além de apresentar como funciona o processo de administração da imagem de uma organização. Toda empresa precisa cuidar de sua imagem. Trataremos da importância que a comunicação digital tem dentro das or- ganizações e quais são os efeitos da utilização de mídia de maneira institucional. Para concluir os tópicos abordados nesta unidade, estudaremos os efeitos poten- ciais que a comunicação tem dentro das organizações. Após realizado o estudo aprofundado sobre a comunicação empresarial, na uni- dade IV daremos início aos estudos direcionados à negociação empresarial. Assim, estudaremos os conceitos de negociação e seus objetivos, bem como as etapas e processos que uma negociação no âmbito empresarial deve possuir. Vale lembrar que cada organização possui uma necessidade diferente, e isso deve ser levado em conta. Trataremos também de compreender as variáveis básicas que uma negocia- ção possui, e com isso estudaremos quais são as habilidades que devem ser de- senvolvidas por negociadores. Estudaremos quais são as etapas planejadas que um bom processo de negociação deve possuir. Na unidade V, que tem como foco as aplicações de técnicas e estratégias em ne- gociação, faremos uma análise da importância que a comunicação tem dentro do processo de negociação e qual a importância do fator humano dentro do processo de negociar. Estudaremos de forma bem prática quais são os tipos de negociação que existem e quais são as estratégias adotadas dentro de um processo de negocia- ção. Também buscaremos compreender os processos de gestão que uma negocia- ção deve possuir. Para isso, usaremos como base a chamada matriz de negociação. Abordaremos a importância que a negociação tem para os gestores no auxílio com a resolução de conflitos internos e externos. Abordaremos as questões éticas nas práticas de negociação, além de estudar os processos contemporâneos sobre a ne- gociação, suas mudanças e tendências no atual cenário business. Ótimos estudos! APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA 15 Introdução 16 Conceitos e Trajetória da Comunicação Empresarial 23 A Importância da Comunicação no Âmbito Empresarial 26 Eficiência e Eficácia da Comunicação Empresarial 33 O Processo da Comunicação Empresarial 36 Comunicação Interpessoal 37 Elementos do Processo de Comunicação 40 Modelos de Comunicação Empresarial 42 Considerações Finais 49 Referências 50 Gabarito UNIDADE II COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL 53 Introdução 54 Comunicação Empresarial na Sociedade da Informação 60 Cultura Organizacional e sua relação com a Comunicação 66 Elementos Verbais da Comunicação Empresarial: Texto e Discurso 69 Elementos Não Verbais da Comunicação: Linguagem, Gestos, Imagem, Tom de Voz SUMÁRIO 10 75 Comunicação Empresarial “Ponto Com”: Mídias Sociais e Sites 82 Mecanismos e Ferramentas de Transmissão de Mensagens Corporativas 87 Considerações Finais 94 Referências 96 Gabarito UNIDADE III GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 99 Introdução 100 Comunicação Empresarial Integrada 104 Construindo a Política de Comunicação Empresarial 107 Comunicação Interna e Processo de Gestão 113 Comunicação Integrada de Marketing 118 Administração da Imagem Organizacional 122 Comunicação Digital e Novas Mídias Institucionais 126 Potencializando a Comunicação nas Organizações 129 Considerações Finais 136 Referências 138 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE IV CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO 141 Introdução 142 Conhecendo a Negociação 146 Processo e Etapas da Negociação 154 Variáveis básicas de uma Negociação 163 Habilidades Essenciais dos Negociadores 168 O Planejamento da Negociação 175 Considerações Finais 182 Referências 184 Gabarito SUMÁRIO 12 UNIDADE V APLICAÇÕES E ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO 187 Introdução 188 Importância da Comunicação na Negociação 191 O Fator Humano nas Negociações 198 Estratégias e Tipos de Negociação 206 Gestão do Processo de Negociação 212 Negociação como Estratégia na Resolução de Conflitos 219 Ética nas Negociações 226 Tendências e Atualidades Sobre Negociação 229 Considerações Finais 236 Referências 238 Gabarito 240 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professor Me. Victor Andrei da Silva COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender os conceitos e contextos históricos da comunicação empresarial. ■ Estudar e compreender a importância que a comunicação possui dentro do contexto empresarial. ■ Estudar a eficiência e a eficácia da comunicação para uma organização. ■ Analisar a comunicação interpessoal e os elementos do processo de comunicação. ■ Compreender as etapas do processo de comunicação empresarial. ■ Estudar quais são os modelos de comunicação empresarial mais utilizados. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Conceitos e trajetória da comunicação empresarial ■ A importância da comunicação no âmbito empresarial ■ Eficiência e eficácia da comunicação empresarial ■ A comunicação interpessoal e os elementos do processo de comunicação ■ O processo da comunicação empresarial ■ Modelos de comunicação empresarial INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade você vai conhecer os conceitos históricos que envolvem a comunicação e sua trajetóriano âmbito empresarial. Desde a longín- qua chamada Idade da Pedra, quando os primeiros seres humanos precisavam viver em grupos para sobreviverem, a comunicação sempre foi uma forma de colaboração ou conflitos, dissensão, cooperação ou competição para se inte- grar ou separar pessoas. A comunicação foi uma das maneiras que fez a espécie humana se diferenciar dos demais seres vivos deste planeta. Assim, para compreendermos a comunicação de maneira ampla, é necessá- rio resgatarmos alguns contextos do passado. Por isso, faremos uma análise da evolução histórica da comunicação até os dias atuais. Vale lembrar que o nosso resgate histórico não ficará restrito apenas aos primórdios da comunicação em si, mas também apresentará o âmbito empresarial no Brasil e no mundo. Abordaremos de forma detalhada sobre a importância que a comunicação tem no âmbito empresarial e como ela pode ser uma arma gerencial proveitosa. Tratar a comunicação como algo essencial não é mais uma questão de prática de endomarketing, é uma necessidade vital para as organizações. Para tanto, precisa- mos compreender quais são os métodos mais eficientes e eficazes da comunicação empresarial utilizados por uma organização. Para exemplificar, utilizaremos alguns cases de sucesso e insucesso nas análises. Sabendo da importância que a comunicação tem dentro do âmbito empre- sarial, apresentaremos como é o funcionamento do processo de comunicação empresarial. As falhas de comunicação podem, por exemplo, causar perdas financeiras, arranhar a imagem da empresa e gerar um grande desconforto de relacionamento com seus colaboradores. Para finalizar, faremos um estudo sobre os modelos e técnicas de comunica- ção empresarial que existem e são comumente utilizadas. Conhecer os modelos e técnicas de comunicação empresarial auxiliará o gestor a conduzir certos pro- cessos internos de maneira mais assertiva e prática, evitando conflitos e desgastes desnecessários. Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 CONCEITOS E TRAJETÓRIA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Caro(a) aluno(a), a comunicação informa, emociona, distrai, vende, constrói mitos, dá importância, denigre, distorce fatos, destrói reputação, ignora verdades, cria mentiras, produz o silêncio, influencia, faz rir ou chorar, engana, convence, cria dúvida, encoraja, e por incrível que pareça também produz o que chama- mos de “incomunicação”. Mas antes de entrarmos na discussão conceitual da comunicação empresa- rial, é importante lembrarmos que o tratamento da comunicação humana é por natureza interdisciplinar. Devemos considerar as importantes pesquisas feitas pela sociologia, antropologia, história, psicologia social e experimental, linguís- tica e semiótica e, evidentemente, da filosofia. Para Perez e Bairon (2002, p. 13), “o termo comunicação está tão popularizado que usamos a expressão para deno- minar os problemas das relações entre as pessoas nos vários locais de trabalho”. Outro ponto importante que deve ser considerado é o desenvolvimento que o mundo dos negócios está alcançando. Os negócios entre pessoas e empresas romperam as barreiras geográficas e físicas e hoje são globais, são on-line. Esse Conceitos e Trajetória da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 desenvolvimento certamente impactou e está impactando a forma das pessoas se comunicarem. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) estão assombrosamente crescendo e se multiplicando a cada dia. Um smartphone, tablet ou qualquer outro aparelho tecnológico reúne tudo o que uma pessoa pre- cisa para se comunicar e interagir com o “mundo exterior”, seja com o banco ou com o amigo que está do outro lado do planeta. Tudo isso, é claro, em tempo real. Esse crescimento acelerado que o mundo dos negócios está tendo é, de fato, um dos motores do desenvolvimento da comunicação em si, como veremos nas próximas unidades. Voltando ao nosso plano inicial, que é conceituar a comunicação, de acordo com Matos (2009, p. 27) “a palavra comunicação é originária do latim communi- care, que significa ‘tornar comum’, ‘partilhar’, ‘repartir’, ‘associar’, ‘trocar opiniões’, ‘conferenciar’”. Perez e Bairon (2002, p. 14) possuem a mesma visão para definir comunicação. Para os autores, “a palavra comunicação também vem do latim cummunis, que traz a ideia de comunhão, significando basicamente comungar, compartilhar, transmitir”, e é neste sentido que entendemos o que é comunicação. É importante ressaltar a relação entre comunicação e evolução tecnológica. Com a invenção da escrita, há aproximadamente cinco mil anos, a relação que as pessoas tinham com o tempo e com o espaço foi alterada. De acordo com Pimenta (2002, p. 17): [...] utilizando a escrita, as informações puderam ser registradas e, as- sim, transportadas de um local para outro. O registro também tornou viável a manutenção de várias informações sobre culturas e povos com o passar do tempo. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Caro(a) aluno(a), entendido o conceito de comunicação, de forma simples, passamos para a abordagem dos conceitos e trajetória da comunicação empre- sarial, que será, ao longo deste livro, nosso objeto de estudo. Vamos em frente! Conceitos de Comunicação Empresarial De acordo com Tavares (2010, p. 12), “a comunicação sempre existiu e exis- tirá na história das organizações. Obviamente, o que irá diferenciá-la é a sua evolução”. Na década de 70, a comunicação existia nas organizações de forma agregada. Havia a comunicação, porém sem um conceito integrado. Eram pou- cas as empresas que tinham um departamento de comunicação constituído e que planejavam a comunicação de forma mais estratégica. Para se ter uma ideia, foi nessa mesma época que começaram a surgir os primeiros cursos de graduação em comunicação no Brasil. Não havia profissionais em número suficiente para atender às demandas das empresas. Além do mais, para a grande maioria das organizações, a comunicação ainda era vista como despesa, e não investimento. Assim, podemos entender que comunicação empresarial é a comunicação existente entre a organização e seus públicos de interesse. É representada pela comunicação interna, a comunicação institucional e a comunicação de marke- ting. Pimenta (2002, p. 99) conceitua a comunicação empresarial: Quer saber mais sobre os conceitos e os diferentes tipos de comunicação? No site apresentado, você poderá, de forma sintética, ter acesso a outros tipos de definições acerca do assunto. Para saber mais, acesse: <http://www.significados.com.br/comunicacao/>. Fonte: o autor. Conceitos e Trajetória da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 [...] como o somatório de todas as atividades de comunicação da em- presa. É uma atividade multidisciplinar que envolve métodos e técnicas de relações públicas, jornalismo, assessoria de imprensa, lobby, propa- ganda, promoções, pesquisa, endomarketing e marketing. Tavares (2010, p. 11) define comunicação empresarial como: [...] a comunicação existenteentre a organização (empresas privadas, empresas públicas, instituições etc.) e os seus públicos de interesse: cliente interno ou funcionário da organização, fornecedores, distribui- dores, clientes, prospects, mídia e sociedade em geral. Analisando melhor tal definição, podemos subentender que a comunicação é compreendida na forma oral, escrita, simbólica ou gestual e eletrônica. Fleury (1996, p. 24) diz que “a comunicação constitui um dos elementos essen- ciais no processo de criação, transmissão e cristalização do universo simbólico de uma organização”. Veja, aluno(a), que quando falamos em organização nos referimos a qualquer tipo de empresa, pois a comunicação pode ser considerada a base da existência de todas as organizações. É válido dizer também, conforme avalia Tavares (2010, p.11), que “a comunicação pode existir de duas formas: ordenada e desordenada”, conforme ilustra o quadro a seguir: Como tem sido a sua comunicação? Como você a classifica? COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 Quadro 1 - Formas de se trabalhar a comunicação Por ora, ficaremos com essa análise mais superficial sobre a comunicação, pois trataremos as outras abordagens - como, por exemplo, a comunicação institu- cional, a comunicação de marketing e a comunicação interna - nas próximas unidades deste livro. A Trajetória da Comunicação no Brasil De acordo com Torquato (2008, p. 1), “a história da comunicação no Brasil é a própria história do desenvolvimento econômico, social e político nas últi- mas décadas”. Em 1967, foi fundada, em São Paulo, a Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresas (ABERJE), que posteriormente se transformou em Associação de Comunicação Empresarial, por conta de um grupo de profissionais muito interessado em profissionalizar a atividade do jor- nalismo empresarial. Assim, com a fundação da ABERJE, a comunicação teve o seu marco de importância iniciado. Podemos destacar a evolução da comunicação no Brasil com a seguinte ordem cronológica: ■ 1950: o produto dá a ênfase na comunicação no mundo, deixando a ima- gem das organizações em segundo plano. ■ 1960: inicia-se a chamada “era da imagem”, idealizada pelo publicitário David Oglivy (um dos papas da publicidade moderna). ORDENADA DESORDENADA Organizações que valorizam a impor- tância da comunicação como um todo e fazem seu uso de forma planejada. Organizações que utilizam de forma intuitiva a comunicação, sem o planeja- mento, baseando-se no “achismo”. Fonte: adaptado de Tavares (2010). Conceitos e Trajetória da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 ■ 1960: início das primeiras atividades da comunicação no Brasil. Forte industrialização no sudeste. ■ 1967: ABERJE faz sua primeira convenção, sendo a comunicação interna o tema geral de todas as atividades. Iniciavam-se os primeiros desenhos das “atividades do profissional de relações públicas”. ■ 1970: o mercado do jornalismo (impresso e via rádio) está em fase de satu- ração. Com a inserção da TV no Brasil, a comunicação assume a escala de posicionamento estratégico nas organizações. ■ 1980: a comunicação se torna mais interativa por meio das campanhas publicitárias. ■ 1990: com a popularização dos computadores, a comunicação inicia seu processo de evolução. A globalização é algo irreversível no âmbito dos negócios. ■ Anos 2000: tidos como a era tecnológica, fazendo com que a comunicação não pare de se transformar. As tecnologias da comunicação e informação fazem parte do cotidiano de cada cidadão brasileiro. A popularidade da internet impulsiona tal crescimento. A década de 80 foi a era do impulso da comunicação empresarial. De acordo com Bueno, (2009, p. 07) neste período: A comunicação empresarial ganhou o status nas organizações e passou, efetivamente, a se constituir em um campo de trabalho profícuo, atrain- do profissionais de todas as áreas. O jornalismo empresarial (edição de house-organs e relacionamento com a imprensa) e as atividades afetas às relações públicas se profissionalizaram com a chegada dos egressos das faculdades-cursos de comunicação e, sobretudo, com a vigência do regime democrático, que exigiu nova postura das organizações. Podemos dizer, talvez, embora seja de certo ponto arriscado, que o conceito de comunicação empresarial como entendemos hoje já tenha, nesse momento, sido assumido na íntegra. É nesse período que as atividades de comunicação insti- tucional e comunicação mercadológica têm sua forma de atuação “separadas”. A tese de livre docência na ECA-USP, publicada depois em livro pelo profes- sor Francisco Gaudêncio Torquato do Rego, influenciou toda uma geração de comunicadores empresariais. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 Os profissionais da área já haviam percebido que o campo era maior do que ape- nas uma simples edição de house-organs, organização de eventos e a realização de algumas campanhas internas (BUENO, 2009). Outro fato importante ocor- rido nos anos 80 foi a criação da política de comunicação social no País, por meio da Rhodia e sob a responsabilidade de Walter Nori. Tal fato teve reflexos importantes na comunicação empresarial. De acordo com Bueno (2009, p. 08), “nos anos 90, o conceito de comunica- ção empresarial se refinou: ela passou a ser considerada estratégica nas e para as organizações, o que significa estritamente vinculada ao negócio”. Para o autor, nesse período a comunicação empresarial deixou de ser um mero conjunto de atividades, de maneira fragmentada, para se tornar um processo de relaciona- mento entre a empresa e seu público. Hoje, a comunicação empresarial está em ascensão e busca um novo patamar de colocação dentro das organizações. Ela é mais do que uma simples atividade empresarial, e se constitui como um importante elemento do processo de inteli- gência empresarial. A comunicação empresarial de nossos dias está respaldada a usufruir da pressa que novas tecnologias exigem, banco de dados inteligentes e que visam explorar ao máximo as novas mídias e, sobretudo, maximizar a interface entre as empresas e a socie- dade. Essa nova realidade faz a comunicação empre- sarial romper as fronteiras da tradição que a identifica- vam nas décadas passadas. No momento atual, ela está na linha de frente, situada em uma posição de destaque no organograma das empresas. A Importância da Comunicação no Âmbito Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Para Bueno (2010, p. 10): [...] a comunicação empresarial encerra, agora, um conjunto de novos atributos que tipificam como insumo estratégico. Hoje, ela caminha para assumir, na íntegra, a perspectiva da chamada comunicação in- tegrada, como uma articulação estreita entre vários departamentos e áreas e profissionais que exercem atividades de comunicação nas em- presas ou entidades. A Comunicação Empresarial de hoje tem o seu foco central voltado para o que é o negócio da empresa. Para Bueno (2009, p. 46), “os desafios que a ‘nova eco- nomia’ impõe às organizações - entidades, associações, etc. - resvalam, sempre em questões afetas ao bom desempenho da comunicação”. Para tanto, essa ideia moderna de comunicação não pode prescindir de profissionalismo, da ética e da transparência,valores constitutivos do seu novo perfil. A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NO ÂMBITO EMPRESARIAL A comunicação é, certamente, um dos bens mais valiosos que uma empresa ou organização possui. Fazer uso dela de forma estratégica é algo que poucas orga- nizações conseguem fazer. Este bem precisa ser muito bem cuidado, pois em muitos casos o sucesso ou insucesso de um determinado negócio pode ser de responsabilidade de uma boa ou má aplicação da comunicação. De acordo com Martiniano (2007, p. 156): Quer saber um pouco mais sobre a história da comunicação empresarial no Brasil e no mundo? Então, acesse o endereço eletrônico: < http://www.bocc. ubi.pt/pag/pessoa-sonia-comunicacao-empresarial-estrategica.html>. Nesse link há um texto bem prático que detalha um pouco da história da comunicação empresarial no País. Vale a pena conferir. Boa leitura! Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 A má comunicação traz desgastes nas relações, agressões verbais, per- da de tempo com retrabalho, mal entendidos, suscetibilidades afetadas, perda de motivação, estresse. Liderar é comunicar, para atingir os ob- jetivos da empresa. No mundo globalizado dos negócios, não basta que as empresas ofereçam bons produtos ou serviços com preços convidativos. Não basta que as empresas pos- suam estruturas atrativas. É necessário informar, mostrar, tornar público, ser conhecido. De acordo com Perez e Bairon (2002, p. 33): [...] é necessário cada vez mais comunicar-se não só com clientes, mas também com prospects (termo em inglês muito utilizado na área de comunicação e marketing que serve para definir “um cliente em po- tencial” ou “futuro cliente”), fornecedores, colaboradores, entidades de classe, investidores e o público em geral. Notoriamente, cada vez mais entende-se que a comunicação empresarial é muito importante para os negócios. A comunicação organizacional é fator de lucro e, em alguns casos, de diferencial competitivo. Seu objetivo é repassar informações, criar e desenvolver relacionamentos, informar clientes internos e clientes exter- nos e, de modo geral, integrar todos aos mais diversos processos que a empresa vive diariamente em seu ramo de atuação. A sua importância no âmbito empresarial se dá porque a comunicação tem o poder de integrar, aproximar, informar e conscientizar. De acordo com Kunsch (2009, p. 113), “a importância da comunicação dentro das empresas pode con- tribuir significativamente em todas as áreas, inclusive, para a área financeira”. Vejamos, por exemplo, o exemplo de uma empresa que resolve investir em comunicação interna para motivar seus colaboradores, usando apenas um jor- nalzinho (press release) destacando seus feitos. É sabido que colaboradores mais felizes rendem mais, certo? Com certeza! E, uma vez rendendo mais, certamente a empresa terá mais lucro. Essa, apesar de não ser novidade, além de ser uma estratégia de endomarketing interessante, é uma forma prática e simples em termos de instrumentos geren- ciais que as empresas têm em mãos para serem explorados a seu favor. Para o uso de relacionamento com o público interno, clientes, parceiros e fornecedores, A Importância da Comunicação no Âmbito Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 a importância da comunicação também se configura como uma arma gerencial bem inte- ressante. Por ser uma forma prática, o canal de relacio- namento que a comunicação proporciona é bem variável. Assim, além de se tornar inte- rativa, ela se torna constante e atualizada. Com isso, todos os stakeholders (descreve uma pessoa ou grupo que fez um investimento ou tem ações ou interesse em uma empresa, negócio ou indústria) ficam conectados sobre as ações que a empresa coloca em prática. Essas ações podem ser realizadas por mailing, website, callcenter, jornais, revistas, além é claro pelas mídias sociais. Uma relação mais profunda mediada por uma comu- nicação eficiente gera confiabilidade para ambos os lados envolvidos em uma negociação, e isso possibilita a realização de novos negócios, algo que é muito vantajoso para as empresas. A utilização da comunicação também pode ser feita por meio da assessoria de imprensa, e agora, de forma mais atual, por meio das mídias sociais. A inte- ração que as empresas têm por meio da comunicação via redes sociais com o público é algo que, até pouco tempo, era inimaginável. Empresas que fazem uso das redes sociais transmitem melhor sua imagem e demonstram preocupação com a opinião de seu público. O uso das redes sociais, por exemplo, é apenas uma das formas de interação que a comunicação proporciona. Por isso, mais do que nunca, sua ultização de forma eficiente e eficaz traz resultados interessantes para as organizações, con- forme veremos no próximo tópico. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Caro(a) aluno(a), saiba que transmitir ideias, mensagens, informações e dados de maneira correta e adequada é um dos fatores mais importantes que coope- ram para o sucesso de uma empresa ou organização. Isso só é alcançado quando a comunicação empresarial é bem realizada. Como todos sabem, a comunica- ção empresarial ocorre de diversas formas, seja por meio de um simples e-mail (escrita) ou atendimento telefônico (falada). Não importa o grau de importân- cia, a comunicação empresarial precisa ser assertiva, ou seja, eficiente e eficaz. De acordo com Pimenta (2002, p. 96), “com o acirramento da competição entre as empresas, aumentou a busca de eficiência e de eficácia em todas as suas áreas, especialmente na forma de se comunicar”. Vale lembrar que um sistema ou metodologia de comunicação adequados contribui para a eficiência e eficá- cia como um todo. Mas o que seria eficácia? Antes de entrarmos direta- mente no conceito de eficácia da comunicação, é conveniente entender o conceito genérico do termo eficácia (TORQUATO, 1996). Sabe-se que a literatura que aborda o termo eficácia organizacional é grande. Em gestão, o termo eficácia é mais amplo do que se parece. Sua aplicação também requer uma série de cuidados. Para saber mais sobre o termo eficácia na comunicação organizacional, acesse: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/rap/v40n6/10.pdf>. Fonte: o autor. Eficiência e Eficácia da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 A Eficácia na Comunicação Organizacional De acordo com Pimenta (2002, p. 97), o termo eficácia pode ser entendido como: [...] o resultado da maximização de todas as formas de rendimento para a organização. A eficácia ocorre quando se consegue o melhor resulta- do de acordo com os objetivos iniciais. Entretanto, o ótimo resultado deve ser conseguido com eficiência. Torquato (1996, p. 35) define eficácia organizacional como: [...] a extensão em que todas as formas de rendimento para organização são maximizadas. Isso é conseguido por uma combinação da eficiência da organização enquanto sistema e seu êxito em obter condições vanta- josas ou inputs de que necessita. De acordo com Matos (2009, p. 23), o Opinion Research Corp. International (ORCI), um dos principais institutos americanos de pesquisas, diz que as princi- pais causas que impedem um sistema ser eficaz nas informações nas organizaçõessão: ■ Critérios viciosos: os escalões gerenciais em geral já recebem a informa- ção por “filtros”, o que acaba por favorecer a distorção sobre a realidade dos fatos. ■ Símbolo de status: muitos chefes retêm informações na pretensão de que com isso tornem-se mais importantes, transmitindo-as, muitas vezes, apenas quando estas podem lhe garantir algum prestígio junto aos subordi- nados. Assim, acreditam que a confiabilidade que atribuem às informações reforçam seu poder. ■ Escamoteação de informações para obter vantagens pessoais: não reve- lam informações que possam ser úteis a possíveis concorrentes. ■ Criação de “abismos”: profissionais que mantêm “distância” com os subordinados, inibindo-os à manifestação e, com isso, limitando as comu- nicações ao fluxo descendente. ■ Rivalidades interdepartamentais: divergências, mal-entendidos ou espe- cializações geradas ocasionam, com frequência, rivalidades no trabalho e comunicações ineficientes. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 Caro(a) aluno(a), mas como saber se a comunicação realizada por uma organi- zação está sendo eficaz? A comunicação eficaz no mundo corporativo é definida como aquela que converge palavras em ações. Ou seja, quando a comunicação é eficiente, ela transforma e muda a atitude das pessoas, e ser eficaz na comuni- cação é, sem dúvida, o desejo de todos. Assim, podemos elencar alguns passos que podem servir de balizamento para se obter o máximo de qualidade e pro- dutividade da comunicação que se deseja (PEREZ; BAIRON, 2002): ■ Identificar o público ou audiência-alvo. ■ Determinar os objetivos da comunicação. ■ Desenvolver a mensagem. ■ Selecionar os canais. ■ Definir o composto comunicacional. ■ Mensurar resultados. ■ Administrar o processo de comunicação. De acordo com Torquato (1996, p. 38), “uma comunicação eficaz não é, como à primeira vista pode parecer, um ato em que o emissor e receptor se envolvam numa mensagem, com resultados claros e consensuais para os dois”. O emis- sor pode ter em mente, de forma clara, qual é o objetivo de sua mensagem, e o mesmo vale para o receptor. Porém, ambos podem divergir seus comporta- mentos, e isso pode causar diferenças. Vale lembrar que eficácia do desempenho Só se atinge a eficácia na comunicação organizacional com muito trabalho e dedicação. A ética, transparência e a verdade devem ser sempre os princí- pios balizadores dos gestores de comunicação que atuam nas organizações. (Clotilde Perez e Sérgio Bairon) Eficiência e Eficácia da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 comunicativo não é a mesma coisa que eficiência do encontro comunicativo. Duas pessoas podem ser extremamente eficientes ao se comunicarem, mas o resultado do encontro dessa comunicação pode ser desastroso. De acordo com Torquato (1996, p. 40), o sucesso na eficácia da comunica- ção vai depender de alguns fatores como, por exemplo: ■ O desempenho do emissor em emitir a comunicação (habilidades). ■ O bom funcionamento das partes integrantes do processo de comunicação. ■ Como o receptor recebe e interpreta a mensagem. ■ Quais são as habilidades de captação da mensagem pelo receptor. Ressaltamos que os fatores citados anteriormente são apenas alguns exemplos a serem aplicados para que uma comunicação seja eficaz. Mas qual é o caminho ideal para se iniciar um processo de avaliação eficaz da comunicação organizacio- nal? É necessário que se coloque em prática um plano, no qual serão trabalhados fatores tecnológicos de desempenho, relevância, adequação, entendimento e sincronia. Essas são algumas das características que podem ser analisadas no estudo da eficácia. Para Bahia (1995, p. 14): [...] concretamente, para que sejam eficazes, sistemas ou estruturas de comunicação organizacional precisam ter consistência profissional, adequada apresentação, compatibilidade de pensamento e ação e bi- direcionamento. Dessa forma, tal processo será autêntico e benéfico para a empresa, os emprega- dos e os consumidores (público externo). Certamente, a comunicação eficaz e eficiente pode levar uma empresa a ter uma vantagem competitiva que dificilmente pode ser copiada pela concorrente. Para que isso ocorra, a comunicação organizacional deve “passar” pelos valo- res e cultura organizacional que norteiam a empresa, ou seja, como estes fatores representativos influenciam a comunicação. Isso se chama credibilidade. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 Para Vieira (2004, p. 33): [...] a credibilidade que uma empresa tanto busca não se conquista ape- nas com uma comunicação eficaz, que tem como objetivo informar o seu público de interesse. Ela provém, principalmente, da manutenção de um diálogo verdadeiro, baseado na autêntica interação entre as par- tes. A Eficiência na Comunicação Organizacional Caro(a) aluno(a), não há como negar que todos nós, sem exceção, buscamos transmitir ou fazer uma comunicação de forma eficiente. E, não muito dife- rente, o mesmo ocorre com as organizações, que dia após dia tentam minimizar os impactos que uma comunicação mal efetuada pode trazer. É desejo universal que a comunicação faça o que foi idealizada a fazer, ou seja, transmita a infor- mação da maneira mais correta possível, dando o resultado ou retorno por ela desejado. Em um mundo dinâmico e globali- zado em que as empresas buscam melhorar sua performance continuamente em ter- mos de competitividade, é fundamental contar com uma comunicação eficiente dentro das organizações. Dessa forma, é de grande valia que conheçamos todos os processos que uma comunicação possui, assunto que será discutido no próximo tópico deste livro. Comunicar-se bem não é apenas transmitir com êxito a informação, mas sim saber se ela foi compreendida pelo receptor. (Dito popular) Eficiência e Eficácia da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 Partindo para o conceito puro da palavra eficiência, Maximiano (2000, p. 115) a conceitua como: [...] a medida pela razão entre o produto (resultado, output) e o inves- timento (custo, esforço, input). Quanto maior for essa razão, maior a eficiência. Para tanto, deve-se realizar a tarefa em questão com o mí- nimo de esforço, sem desperdício, da forma correta e inteligente que for possível. Complementando o raciocínio de Maximiano (2002), Pimenta (2002, p. 96) afirma que são vários os fatores determinantes da eficiência, dentre eles “a tec- nologia empregada, o tipo de trabalho, os recursos humanos envolvidos, o lucro, o gerenciamento e a comunicação”. Para a autora, a eficiência de comunicação organizacional pode ser avaliada considerando-se seus procedimentos internos relacionados à produção e também a relação com o ambiente externo. De acordo com Pimenta (2002, p. 97), “ a eficiência depende da capacidade de administrar os recursos disponíveis para a comunicação, a melhor forma [...]. A atitude ante a comunicação também é fundamental para eficiência da comu- nicação organizacional.” Sob essa ótica, segundo a autora, uma empresa será reconhecida como eficiente se devolver à sociedade os bens e serviços com qua- lidade proporcional à energia que dela retirou. Se uma mensagem não foi compreendida, certamente a comunicaçãoe seu processo fracassou. A principal característica de uma comunicação eficiente é a sua clareza e objetividade. (Maria Alzira Pimenta) COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 Para Torquato (1996, p. 39): [...] a eficiência da comunicação organizacional deve ser vista como a potencialidade, de um lado do emissor, de afetar os outros, de modo a fazê-los seguir suas intenções e também o potencial para ser afetado pelos outros, de forma que sejam vantajosos para si e a organização. Um dos fatores de grande importância para a eficiência da comunicação relacio- nados às habilidades humanas, podemos perceber que o processo de codificação e decodificação de mensagens é vital para a maximização do processo de comu- nicação organizacional. Conforme Torquato (1996), as habilidades da comunicação com eficiência podem ser vistas da seguinte forma: ■ Codificação = a escrita e a palavra. ■ Decodificação = leitura e audição. ■ Pensamento = codificação e decodificação Dessa forma, checar tais fatores é uma medida inicial para se fazer uma análise mais profunda acerca da eficiência da comunicação. A comunicação organiza- cional eficiente passa pelo planejamento organizacional, acarretando assim uma série de vantagens como: ■ Maior interação entre todos os envolvidos no projeto. Você sabia que uma comunicação eficiente pode gerar resultados eficazes? Neste site, você poderá ter acesso a uma palestra completa sobre como ge- rar resultados eficazes e eficientes, por meio da comunicação. Para saber mais, acesse o link disponível em: <https://endeavor.org.br/co- municacao-eficiente-resultados-eficazes/>. Fonte: o autor. O Processo da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 ■ Menor ocorrência de imprevistos e mal-entendidos que possam preju- dicar o negócio. ■ Mais produtividade. ■ Mais comprometimento. ■ Mais lucros, menos perdas financeiras por informações erradas. Mas, para ser eficiente e eficaz, uma boa comunicação passa também pela escolha correta dos meios de comunicação que serão utilizados. Nas próximas unidades, veremos quais meios de comunicação são considerados os ideais. E não se esqueça: é possível ser eficiente sem ser necessariamente eficaz, mas isso não é o ideal. A comunicação de qualidade é uma peça-chave na condução dos negócios e fator determinante no sucesso de grandes e pequenas empresas. Portanto, pre- cisa ser eficiente e eficaz. Assim, todos ganham. O PROCESSO DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Como vimos anteriormente, para que a comunicação seja eficiente é necessário ter total conhecimento do seu processo. Perez e Bairon (2002, p. 15) demons- tram o primeiro modelo de comunicação, proposto por Aristóteles. Quem Diz o quê A quem Figura 1 - Primeiro processo de comunicação proposto por Aristóteles Fonte: adaptada de Perez e Bairon (2002). De maneira simples, nesse modelo proposto por Aristóteles podemos identificar o Emissor, a Mensagem e o Receptor. De fato, tal modelo, hoje, seria insufi- ciente para representarmos um processo ou mecanismo de comunicação. Porém, para sua época, foi considerado uma base para estudos muito importante. A COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 comunicação de maneira geral, como pode- mos ver, é bem didática e ainda envolve quem fala e quem escuta. Caro(a) aluno(a), estudar a comunica- ção é algo complexo, pois ela não pode ser vista como estática. A comunicação é dinâ- mica e está em constante evolução, por isso é vista como um processo, exatamente por ser semelhante, mas nunca igual a outra. Ideias, fatos e opiniões transformam-se em palavras compartilhadas por meio da fala. Por isso, como afirmam Perez e Bairon (2002, p. 15), “quando falamos em comunicação, estamos lidando com algo vivo, que se envolve, que é dinâmico. Comunicação é um processo de construção compartilhada”. Conforme Perez e Bairon (2002, p.16): [...] por volta do ano de 1948 que Harold Lasswell propôs um modelo de comunicação, que apresentava progressos com relação a Aristóteles. Lasswell incorporou novos elementos que passaram a se chamar “zo- nas” de processo comunicativo. Segundo os autores, essas “zonas” permitem a análise da interação dinâmica entre todos os elementos do processo, conforme ilustração a seguir: Quem → Diz o quê → Em que canal → A quem → Com que efeitos A grande evolução desse modelo de comunicação está na preocupação com os efeitos/resultados gerados pela mensagem. Assim, o ponto central nas ciências da comunicação é focado na finalidade e no processo. De forma sintética, podemos dizer que é basicamente preocupar-se com a intencionalidade da comunicação. O Processo da Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 Um outro formato muito conhecido sobre o processo de comunicação, e que para muitos é um clássico, foi criado na década de 40 pelos engenheiros de telecomunicações Claude E. Shannon e Warren Weaver. De acordo com Perez e Bairon (2002, p. 16): Na proposta de Shannon e Weaver, o processo comunicacional é estru- turado da seguinte forma: Fonte de informação, emissor, mensagem, código, canal, receptor e destino, tendo como grande fator de impor- tância, o ruído. Mensagem Original M Mensagem Original MCo di �c ad or D ec od i� ca do r Aparelho emissor Aparelho emissorcanal ruído ruído ruído ruído ruído ruído ruído ruído Fonte Destino Fonte Emissor Receptor Figura 3 - O modelo de comunicação, segundo Shannon e Weaver, que enfatiza o ruído Fonte: adaptada de Rabaça e Barbosa (1996, p. 153). Nesse caso, o ruído é a interferência que ocorre durante a transmissão de uma mensagem e que dificulta o seu recebimento, o que resulta em perdas na hora de recuperar a informação. A preocupação de Shannon e Weaver sobre o aspecto comunicacional da informação deu base para a teoria matemática da comunicação, também conhe- cida como teoria da comunicação, que tinha como foco principal o aspecto quantitativo de uma informação. Isso porque, com a ação do ruído durante a transmissão, uma mensagem, ao ser “recuperada” pelo “destinatário”, pode sofrer com perdas na sua qualidade com relação à mensagem original, que também pode ser considerada no âmbito social. Em negociação, é muito importante com- preender a mensagem. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL O processo de socialização passa, necessariamente, pela comunicação, como via de transmissão do pensar e da participação social, a partir do que se estabelece a dinâmica social. Para Perez e Bairon (2002, p. 19), “ a dinâmica da comunicação interpessoal proposta por Schramm esboça um aprofundamento da constante demonstração de preocupação com a interpretação da mensagem.” Para exem- plificar, usaremos o dia a dia de um profissional de marketing de uma grande multinacional, que, ao solicitar orçamentos de serviços com internet com peque- nos, médios e grandes fornecedores, pergunta: qual é o Lifetime Value ou LTV do serviço a ser realizado? Certamente, caro(a) aluno(a), o profissional de marketing iria ser questio- nadopelo atendente da empresa de pequeno e médio porte. Afinal, a utilização dessa terminologia pode ocorrer em negócios entre grandes empresas, mas para pequenas e médias não é tão comum, gerando, assim, uma certa confusão. Isso O conceito de comunicação é discutido sob várias óticas. Cada uma delas tem uma maneira bem particular de entender o que é comunicação, mas todas convergem para o mesmo sentido. Fonte: o autor. A boa comunicação se reflete em um ótimo relacionamento, no qual a ver- dade sempre prevalece. Assim, é possível abrir excelentes portas e criar óti- mas oportunidades futuras. Elementos do Processo de Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 sugere uma demonstração de desprezo por parte do emissor em relação ao reper- tório do seu receptor. Portanto, na comunicação interpessoal é importante que se observem, além dos cuidados com a linguagem, os aspectos posturais que complementam o universo da comunicação. Compreender o grau de instrução, cultura e conhe- cimento é uma forma de mensurar o universo da comunicação de uma pessoa, por exemplo. Para o profissional de marketing, teria sido mais importante usar uma lin- guagem simples e direta, como por exemplo, “valor total estimado do contrato”, do que ter utilizado o termo Lifetime Value. Vimos, no exemplo citado anterior- mente, um erro do profissional de marketing, que, desnecessariamente, utilizou uma terminologia em inglês que é muito difundida entre os profissionais de marketing de grandes empresas de qualquer segmento, mas não conhecida no relacionamento com empresas de pequeno e médio porte. Erros assim aconte- cem nas mais diversas áreas de gestão. Os profissionais acreditam que, por conta da globalização, as pessoas que já estão inseridas no mercado dominam o voca- bulário de uma determinada área, o que na realidade não acontece. Nesse caso, é preciso respeitar a cultura de cada empresa. Para Perez e Bairon (2002, p. 19): [...] apesar das evoluções e transformações ocorridas nos vários mode- los de processo de comunicação apresentados, podemos observar, con- tudo, a presença de alguns elementos. Sinteticamente o emissor envia uma mensagem a um receptor por meio de um canal, que pode ou não ser afetado por um ruído. ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO Muito conhecidos entre os profissionais de publicidade e propaganda, jornalismo, marketing e palestrantes em geral, os elementos de comunicação necessitam de compreensão em seu funcionamento a fim de que a comunicação ocorra COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 satisfatoriamente. Casado (2002, p. 11) cita que “esses elementos são o Emissor, Receptor, Canal, Mensagem, Código e o Ruído”, que podem ser exemplificados na ilustração a seguir. COMUNICAÇÃO Mensagem Canal de comunicação Código Emissor Receptor Quando existe um processo de comunicação há: envia para usa usa Figura 4 - Elementos da Comunicação Fonte: adaptada de Casado (2002). O Emissor: ou a fonte da mensagem, é onde se inicia o processo de comuni- cação. Este emissor pode ser uma pessoa, um departamento de uma empresa, como por exemplo relações públicas. O objetivo é comunicar algo a alguém. O Receptor: é aquele para quem a mensagem é direcionada. Ao recebê-la, o receptor precisa decodificá-la (entender) de quem a enviou (no caso, o emis- sor) e transformá-la em informações. O Canal: também conhecido como veículo, é o meio pelo qual se escolhe enviar a mensagem para o receptor. Este meio de comunicação pode ser repre- sentado de diversas formas (oral, escrito, visual). Basicamente, diz respeito ao caminho pelo qual as mensagens podem trafegar. A Mensagem: é a razão de ser da comunicação. Traduz a ideia em seu con- teúdo e pode ser passada de diversas formas. A mensagem é estruturada por um conjunto organizado de sinais (ou signos). Uma mensagem pode conter elemen- tos não-verbais dentro de si. Elementos do Processo de Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 O Código (codificação): a codificação dá forma às ideias e aos objetivos, elabora uma mensagem por meio de códigos e regras e a transmite pelo canal até o receptor. A principal forma de codificação é a linguagem. O Ruído: é tudo que distorce, atrapalha ou modifica o fluir da mensagem em qualquer fase do processo de comunicação. De maneira bem prática, podemos dizer que o processo de comunicação funciona da seguinte forma: emissor escolhe ou cria uma mensagem, faz codificação de acordo com o código selecionado e a envia ou a transmite por meio de um canal. O receptor recebe a mensagem, faz a decodificação e interpretação de acordo com o que foi entendido. O que foi entendido também é chamado de feedback. Segundo Rabaça e Barbosa (1996, p. 14), o retorno da mensagem ou feedback: [...] é originário da teoria de sistemas e significa, na tradução literal, retroalimentação, isto é, processar informações e transmiti-las ao siste- ma para a continuidade do seu funcionamento. Em outras palavras, é o retorno da informação. Para Matos (2009, p. 17), o retorno da mensagem, ou feedback, “é o que garan- tirá a realimentação da comunicação e o prosseguimento do fluxo de mensagens. É fundamental também para os acertos das falhas e dos possíveis erros no pro- cesso da comunicação”. O feedback é muito importante, em todos os sentidos. Nunca se deve des- prezar informações do feedback. (Maria Alzira Pimenta) COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E40 MODELOS DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Caro(a) aluno(a), saiba que não há um modelo de comunicação empresarial que possa ser considerado o ideal ou exclusivo quando o assunto é de que maneira se comunicar. O que existe na verdade é um hibridismo que as empresas adotam ou mesclam para formatarem aquilo que chamam de modelo de comunicação empresarial. É verdade que muito se confunde sobre modelos e tipos de comu- nicação. Os tipos, como veremos na próxima unidade, têm uma função mais específica dentro da comunicação. Os modelos de comunicação são, na ver- dade, um entendimento mais prático sobre a comunicação (PIMENTA, 2002). Os modelos de comunicação mais utilizados pelas empresas podem ser o modelo de base linear, o modelo de base cibernética, o modelo de comunica- ção de massas e os modelos mais culturais (FREIXO, 2006). Não faremos aqui um aprofundamento do assunto, já que tais modelos serão tratados nas próxi- mas unidades deste livro. Conforme relatado anteriormente, não existem modelos ideais. O que existe é uma aplicação ideal de cada modelo de comunicação para um tipo de momento. Por isso, conhecer os modelos leva-nos a conhecer as várias formas de se comu- nicar. De acordo com Freixo (2006, p. 337), um modelo procura “[…] mostrar os principais elementos de qualquer estrutura ou processo e as relações entre esses elementos, possibilitando assim o seu estudo”. Para o autor, cada modelo tem um objetivo e forma de ser entendido. De maneira prática, podemos representar os modelos de comunicação da seguinte forma: ■ Modelo de base linear: de maneira dissociada, a comunicação ocorre em sentido único, do emissor para o receptor. A comunicação surge por meio da emissão da mensagem (quem emite para quem recebe). ■ Modelo de base cibernética: é o modelo que insere o feedback,ou volta da comunicação, como um fator de grande importância. Basicamente, o resultado tem tanta relevância quanto toda a operação da comunica- ção. Citemos, por exemplo, o modelo de comunicação interpessoal. A maior diferença do modelo de comunicação cibernético para o modelo Modelos de Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 linear de comunicação está no fato de considerar o feedback (retorno) dado pelo receptor. Este modelo é muito usado por empresas que dese- jam criar interação com seus clientes. Para elas, o que os clientes pensam tem importância. ■ Modelo de comunicação de massa: embora este modelo também possa ser considerado como um modelo de comunicação interpessoal, o meio de comunicação de massa se faz valer do uso das mídias como a televi- são (um programa televisivo). Sua semelhança com o modelo interpessoal está exatamente no feedback. Para se manter no ar, qualquer programa precisa do retorno de seu público. É isso que valida o que está sendo feito. ■ Modelos culturais: são basicamente modelos que se preocupam com a forma com que a comunicação de massa afeta a sociedade do ponto de vista cultural. Nesse caso, podemos dizer que se trata de cultura de massa. De maneira bem simples, demonstramos os diversos modelos que as organi- zações podem adotar para se comunicarem com seu público interno, externo, parceiros e fornecedores. Isso é importante porque, embora uma organização adote um modelo em específico, é melhor do que não ter a cultura organizacio- nal de comunicação empresarial implantada. Os modelos de comunicação auxiliam as organizações a como conduzir o relacionamento com todos os envolvidos no negócio. Além de cuidar da imagem da empresa, vários fatores podem benéficos, como por exemplo a credibilidade e a seriedade que a organização pode passar para a sociedade em geral A comunicação de massa, pode ser subdivida em Modelo Geral de Comuni- cação de Gerbner, Modelo de Comunicação de Massas de Schramm, Mode- lo de Comunicação de Massas de Maletzke, além de outros modelos. Para saber mais, acesse: <http://teoriasemodelosdecomunicao.blogspot.com. br/2010/02/modelos-de-comunicacao.html>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, CONCEITOS E TRAJETÓRIA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E42 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), chegamos ao fim da nossa primeira unidade! Ao longo dos estudos, pudemos compreender os conceitos e um pouco mais sobre a trajetó- ria da comunicação empresarial no Brasil. Paralelo a isso, observamos o quanto é importante a comunicação para as empresas. É por meio da comunicação que elas criam relacionamentos mais profundos com seus consumidores internos, externos, parceiros e fornecedores. A comunicação tem o poder de aproximar e criar uma relação com mais credibilidade e confiabilidade, fazendo com que todos os envolvidos ganhem. Para se chegar a um nível de credibilidade e confiabilidade em um rela- cionamento mediado pela negociação, é preciso compreender que a gestão da comunicação deve ser eficiente e eficaz. Eficiente para se atingir os objetivos pla- nejados e eficaz para gerar o menor ruído possível. Gerenciar a comunicação sobre a ótica da eficiência e eficácia traz para organização, por exemplo, mais economia financeira. Sim, é isto mesmo que você leu: economia financeira! Mas, para compreender os benefícios que o gerenciamento da comunicação pode trazer, é muito importante entender seu processo ou modelo de funciona- mento, que é basicamente dividido na função do emissor, do meio, da mensagem e do receptor. Compreendendo tal funcionamento, fica muito mais fácil para os profissionais que fazem o uso da comunicação executarem seus trabalhos, vis- lumbrando atingir as metas pré-estabelecidas. Por fim, vimos a importância de se compreender os modelos de comunica- ção que existem e as maneiras que podem ser aplicados. Não existe um modelo de comunicação que possa ser considerado ideal. Cada um tem sua caracterís- tica, e é preciso compreender cada uma delas. Porém, conhecer os modelos de comunicação permite às organizações se relacionarem melhor com todos os stakeholders envolvidos nos negócios da empresa. 43 1. Na comunicação interpessoal é importante que se observem, além dos cuidados com a linguagem, os aspectos posturais que complementam o universo da co- municação. Portanto, é correto dizer que: a. Deve-se deixar de reagir às comunicações recebidas. b. Não se deve estar atento aos gestos e às posturas corporais. c. Quando alguém estiver lhe dirigindo a palavra, prestar muita atenção, não desviar o olhar ou realizar outra atividade ao mesmo tempo. d. Deve-se prestar atenção apenas no conteúdo emitido. e. Embasar decisões apenas na opinião que se tem do emissor. 2. A comunicação sempre existiu e existirá na história das organizações. Obvia- mente, o que irá diferenciá-la é a sua evolução. Hoje, a comunicação empresarial é uma ferramenta estratégica de planejamento usada com o objetivo de melho- rar, por exemplo, a imagem da empresa. De acordo com o material de estudo, sobre a comunicação empresarial, podemos destacar que ela é uma atividade multidisciplinar que envolve métodos e técnicas das áreas de: I. Propaganda II. Marketing III. Área da Produção IV. Relações Públicas V. Engenharia Assinale a alternativa correta: a. Apenas I e II estão corretas. b. Apenas II e III estão corretas. c. Apenas I está correta. d. Apenas I, II e IV estão corretas. e. Nenhuma das alternativas está correta. 3. Buscar a eficiência e eficácia na comunicação é, sem dúvida, o grande objetivo das corporações. Para que isso ocorra, não existem fórmulas mágicas que pos- sam ser utilizadas. É necessário colocar em prática alguns passos pré-estabele- cidos que poderão ser seguidos e levar a comunicação a se tornar mais eficaz. 44 Com base nesta afirmação, preencha com (V) Verdadeiro ou (F) Falso a sequência de asserções a seguir e depois assinale a alternativa correta que melhor cor- responda à sequência. ( )Identificar o público ou audiência-alvo. ( )Determinar os objetivos da comunicação. ( )Fazer grandes investimentos financeiros em software na área de comunica- ção. ( )Selecionar somente um canal específico. ( )Definir o composto comunicacional. a. F, V, V, F, F. b. V, V, F, F, V. c. V, F, V, F, V. d. F, F, F, V, V. e. F, V, F, V, F. 4. A comunicação é inerente ao ser humano, desde o seu primeiro dia de vida. Uma mamãe não precisa esperar seu bebê recém-nascido pedir o seu leite para sa- ber que ele está com fome. Basta escutá-lo chorar. Dessa forma, a comunicação é processada o todo tempo, independentemente da forma em que ocorre. De uma criança que chora pelo seu leite até um executivo que precisa convencer seu cliente a comprar seu produto, o sucesso de toda a atividade “profissional” passa por uma comunicação eficaz. Para se fazer uma comunicação de excelên- cia, é necessário compreender seus elementos. Com base nesta afirmação, res- ponda: quais são os elementos da comunicação? Cite-os. 5. Muito conhecidos entre os profissionais de publicidade e propaganda, jornalis- mo e marketing, os elementos de comunicação necessitam de compreensão em seu funcionamento para que ocorram de maneira satisfatória (CASADO, 2002). Com base nesta afirmação, responda: quais são suas funções dentro do pro- cesso de comunicação? 45 COMUNICAÇÃO EFICAZ: SUA IMPORTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES Um bom profissional precisa saber selecionar as ideias, esquematizar e planejar o que deseja transmitir. Precisasaber convencer, dominar o assunto que pretende defender em seu texto. Ou seja, a boa comunicação escrita depende de um bom planejamento do texto. A boa comunicação é fundamental para o sucesso de qualquer organização. Afinal, ela está presente em todos os momentos do nosso dia a dia, com um foco: a transmissão da mensagem a um receptor. Transmitir mensagens de maneira adequada é uma das ferramentas essenciais para o sucesso de uma organização, de um indivíduo, de uma nação. Afinal, as pessoas preci- sam ser compreendidas. Por essa razão, as organizações estão tentando, cada vez mais, flexibilizar as comunicações e facilitar o fluxo das informações entre seus colaboradores. Esta é uma forma de obterem sucesso, pois a linguagem e a boa comunicação são sím- bolos de poder e autoridade. As corporações já compreendem a linguagem como propiciadora de tais símbolos. Pro- va disso é que, hoje em dia, os processos seletivos contam com provas de português. Então, as pessoas que pretendem atingir um alto nível de profissionalismo buscam a excelência na comunicação. Precisam saber se comunicar bem em sua própria língua, primeiramente. Portanto, português – e não mais inglês – é pré-requisito ao mercado de trabalho. O mercado de trabalho compreende que uma comunicação eficaz e eficiente pode le- var uma organização a obter conhecimentos e informações que poderão levá-la a atin- gir uma vantagem competitiva impossível de ser replicada por seus concorrentes, pois uma boa comunicação está embutida na cultura organizacional, a qual envolve valores e crenças da própria organização. Comunicar-se bem não é apenas transmitir com êxito a informação, e sim saber se ela foi compreendida pelo receptor. Afinal, como já diriam os linguistas, comunicação é a troca de entendimento. Por isso, só pode ser considerada eficaz quando a compreensão do receptor coincide com o significado pretendido pelo emissor. E quando a mensagem não foi transmitida da forma como este pretendia, a culpa é inteiramente dele. Ele é que não soube transmiti-la de forma adequada. E, como bem sabemos, a boa comunicação no mundo empresarial não é apenas realiza- da de forma oral, em telefonemas e reuniões. As decisões clamam por documentos que as formalizem. Exatamente por isso é que a escrita é um processo fundamental para a boa comunicação. Portanto, é um recurso que precisa ser aprendido. Um bom profissional precisa saber selecionar as ideias, esquematizar e planejar o que deseja transmitir. Precisa saber convencer, dominar o assunto que pretende defender em seu texto. Ou seja, a boa comunicação escrita depende de um bom planejamento do texto. 46 Mas depende também, obviamente, de um domínio do idioma em que a mensagem será transmitida. Precisa de bom senso ao escolher o grau de formalidade da linguagem utilizada. Precisa de observação, de reflexão, de conhecer o outro. Escrever bem resulta de uma técnica elaborada, que tem que ser cuidadosamente adquirida. Seja para escre- ver um simples bilhete, um e-mail ou um documento oficial. Por tudo isso, posso afirmar que a comunicação é uma necessidade humana e que fazê- -la de forma adequada é uma arte. Fonte: Vanetti (SCRITTA, 2008, on-line)1. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Comunicação Organizacional - Vol. 1 - Histórico, Fundamentos e Processos Margarida Maria Krohling Kunsch Editora: Saraiva Sinopse: o livro apresenta os fundamentos teóricos e aplicados da comunicação organizacional e os impactos exercidos sobre ela pelas novas tecnologias da informação. Trata-se de um panorama da evolução da comunicação organizacional no País. Obrigado por fumar (Thank you for smoking) Ano: 2005 Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Desafi ado pelos vigilantes da saúde e também por um senador oportunista, Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. Além disso, Nick conta com a ajuda de Jeff Megall (Rob Lowe), um poderoso agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido nos fi lmes. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e também de Heather Holloway (Katie Holmes), a repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. Nick repetidamente diz que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez maior que seu fi lho Joey (Cameron Bright) dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo. Comentário: embora seu título possa causar certa rejeição, “Obrigado por fumar” é um fi lme que vai mudar a sua concepção sobre comunicação efi ciente. MATERIAL COMPLEMENTAR 48 Nos dias atuais, comunicar-se bem não é mais algo que somente os professores, palestrantes ou bons negociadores devem dominar. A boa comunicação, hoje, é uma obrigatoriedade para todos. <http://www.infoescola.com/administracao_/comunicacao-empresarial/>. Quer ver um exemplo de como o mal gerenciamento da comunicação pode afetar muitas pessoas que estão envolvidas na organização? <https://www.youtube.com/watch?v=ZNXGdOFblXA>. Para saber mais sobre os processos da comunicação, acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=-SeDJyo8nJQ>. REFERÊNCIAS 49 BAHIA, J. Introdução à comunicação empresarial. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 1995. BUENO, W. da C. Comunicação empresarial: políticas e estratégias. São Paulo: Sa- raiva, 2009. CASADO, T. As pessoas na organização. São Paulo: Editora Gente, 2002. FLEURY, M. T. L. Cultura e poder nas organizações. São Paulo: Atlas, 1996. FREIXO, M. J. V. Teorias e modelos de comunicação. Lisboa: Instituto Piaget, 2006. KUNSCH, M. M. K. (org.). Comunicação organizacional: história, fundamentos e processos. v.1 e v. 2. São Paulo: Saraiva, 2009. MARTINIANO, R. Comunicação empresarial: teoria e pesquisa. São Paulo: Manole, 2007. MATOS, G. G. Comunicação empresarial sem complicação: como facilitar a comu- nicação na empresa, pela via da cultura e do diálogo. 2. ed. Barueri/SP: Manole, 2009. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 5. ed. São Paulo, 2000. PEREZ, C.; BAIRON, S. Comunicação e marketing. São Paulo: Futura, 2002. PIMENTA, M. A. Comunicação empresarial. Campinas/SP: Alínea, 2002. RABAÇA, C. A.; BARBOSA, G. Dicionário da Comunicação. Rio de Janeiro: Codecri, 1996. TAVARES, M. Comunicação empresarial e planos de comunicação: integrando te- oria e prática. São Paulo: Atlas, 2010. TORQUATO, G. Tratado de comunicação organizacional. São Paulo: Cengage Le- arning, 2008. ______. Cultura, poder, comunicação e imagem: fundamentos da nova empresa. São Paulo: Pioneira, 1996. VIEIRA, R. F. Comunicação organizacional: gestão de relações públicas. Rio de Ja- neiro: Mauad, 2004. Referência On-Line 1Em: <http://www.scrittaonline.com.br/comunicacao-eficaz-sua-importancia-nas- -organizacoes/>. Acesso em: 14 abr. 2016. GABARITO 1. C. 2. D. Como o somatório de todas as atividades de comunicação da empresa. É uma atividade multidisciplinar que envolve métodos e técnicas de relações públicas, jornalismo, assessoria de imprensa, lobby, propaganda, promoções, pesquisa, endomarketing e marketing. 3. B. 4. Os elementos da comunicação são: o emissor, a mensagem, o canal, o receptor e a codificação. 5. O emissor emite a mensagem; pode ser um indivíduo ou um grupo (firma, or- ganismo de difusão etc.). O receptor ou destinatário recebe a mensagem; pode ser um indivíduo, um grupo, ou mesmo um animal ou uma máquina (compu- tador). Em todos esses casos, a comunicação só se realiza efetivamente se a re- cepção da mensagem tiver uma incidência observável sobre o comportamento do destinatário (oque não significa necessariamente que a mensagem tenha sido compreendida). É preciso distinguir cuidadosamente recepção de compre- ensão. A mensagem é o objeto da comunicação; ela é constituída pelo conteú- do das informações transmitidas. O canal de comunicação é a via de circulação das mensagens. Ele pode ser definido, de maneira geral, pelos meios técnicos aos quais o destinador tem acesso. O código é um conjunto de signos e regras de combinação destes signos; o destinador lança mão dele para elaborar sua mensagem (esta é a operação de codificação). O destinatário identificará esse sistema de signos (operação de decodificação) se seu repertório for comum ao do emissor. Tal processo pode se realizar de várias maneiras. U N ID A D E II Professor Me. Victor Andrei da Silva COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Estudar os efeitos da comunicação na sociedade da informação. ■ Compreender a relação que a comunicação possui com a organização, bem como observar sua cultura de relacionamento com a comunicação. ■ Entender e compreender os efeitos dos elementos verbais na comunicação empresarial. ■ Estudar e compreender os efeitos dos elementos não verbais da comunicação (linguagem, gestos, sinais, imagem, tom de voz). ■ Compreender o processo da comunicação empresarial dentro do contexto ponto com, mídias sociais e web. ■ Estudar os mecanismos e ferramentas de transmissão de mensagens corporativas dentro das organizações . Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Comunicação empresarial na sociedade da informação ■ Cultura organizacional e sua relação com a comunicação ■ Elementos verbais da comunicação empresarial (texto e discurso) ■ Elementos não verbais da comunicação (linguagem, gestos, imagem, tom de voz) ■ Comunicação empresarial “ponto com” (mídias sociais e sites) ■ Mecanismos e ferramentas de transmissão de mensagens corporativas (ferramentas e canais adequados) Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Em dias de grande competitividade no âmbito empresarial, muitas empresas se utilizam de várias ferramentas para atingirem os objetivos pré-estabelecidos em termos de resultados pelos gestores da alta direção. Dentre essas ferramentas, está a utilização da comunicação sob a ótica de inteligência de aplicação. Por isso, ao longo da unidade, vários tópicos importantes serão abor- dados, dentre eles a consequência e efeitos que a comunicação pode trazer na chamada era da informação e da comunicação. Muitos são os efeitos que a comunicação tem na sociedade da informa- ção. Entender essas causas e consequências é entender como a comunicação se comporta enquanto ferramenta para uso estratégico. Portanto, nesta unidade, estudaremos quais são os efeitos que a comunicação tem sobre a chamada “socie- dade da informação e da comunicação”, além de compreender qual é a relação que a comunicação e a organização possuem e como funciona a cultura de rela- cionamento entre ambas no aspecto gerencial para a obtenção de resultados. Assim, será possível compreender os efeitos que os elementos verbais e não verbais têm dentro da comunicação empresarial. Quando falamos em elemen- tos verbais e não verbais, estamos falando dos sinais, dos gestos, da imagem, tom de voz etc. Buscaremos estudar e demonstrar como é o funcionamento da comunica- ção empresarial sob a ótica do contexto ponto com, das mídias sociais e a web de modo geral. Finalizaremos a unidade estudando os mecanismos e ferramen- tas de transmissão de mensagens corporativas mais utilizadas pelas organizações empresariais. Com este estudo mais aprofundado acerca dos tópicos discutidos, certamente teremos mais entendimento sobre o tema da comunicação e sua utilização de forma estratégica e inteligente, dentro do ambiente empresarial. Bons estudos! COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO Caro(a) aluno(a), atualmente vivemos na chamada era da revolução tecnoló- gica. O mundo está se transformando e isso não tem mais volta, pois é constante, acelerado e irreversível. A era digital chegou e com ela vieram os aparelhos ele- troeletrônicos que permitem o compartilhamento de informações de maneira instantânea. Com o advento da massificação da tecnologia e das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s), esse processo está em formação e expansão e não sabemos onde poderá chegar. Estamos vivendo na era da “aldeia global”, na sociedade do conhecimento (termo sociedade do conhecimento é utili- zado para dar ênfase ao fato de haver debates sobre as informações adquiridas). Basicamente, a informação precisa ser discutida. Portanto, ela tem como ponto central o “saber”, ou sociedade da informação. A sociedade do conhecimento, também chamada de “Nova Economia”, teve seu surgimento do fim do século XX, ou seja, a pouco tempo atrás. De fato, a nomenclatura é apenas uma forma de classificar este movimento que ocorre de maneira tão dinâmica e constante. De maneira sintética, qualquer rótulo que adotarmos para classificar ou referenciar este período de grande intensidade social de pulverização da comunicação e da informação será apenas uma ten- tativa que nos permitirá entender a forma como tal fenômeno está ocorrendo. É bem verdade que a internet e sua popularização no Brasil e no mundo é a grande causadora deste fenômeno, e, atingindo os usuários finais, obrigatoriamente também atingiu as empresas. No Brasil, os usuários finais, ou seja, os cida- dãos comuns, tiveram as primeiras experiências com a internet a par- tir de 1994. Comunicação Empresarial na Sociedade da Informação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 O compartilhamento de informações, textos, dados etc. é crescente no mundo todo, e o impacto que isso tem na sociedade da informação ainda é imensurável. O que sabemos é que os impactos existem. É válido lembrar que o nosso obje- tivo aqui não é se aprofundar no tema sociedade da informação, pois o mesmo requer uma análise de estudo bem complexa, cujo objetivo foge do nosso objeto de estudo da unidade, que é entender como a comunicação empresarial funciona na chamada sociedade da informação. Embora não pareça, a história da internet no Brasil é recente e deu seus pri- meiros passos nos anos 80, início dos anos 90, com a chegada da internet popular. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/informatica/internet-no-brasil.htm>. Fonte: o autor. A compreensão da sociedade da informação parte do princípio básico de que o desenvolvimento econômico influencia na formação de uma nova sociedade, que, em partes, é mais informada e preparada graças ao uso das tecnologias. Acesse o link disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a09v29n2. pdf>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 A Sociedade da Informação Entendemos o conceito de sociedade da informação como uma era em que a dimensão digital está incluindo todas as pessoas ao acesso à informação de maneira livre, total e globalizada. Isso só épossível por meio dos meios de comu- nicação, os modernos eletrônicos de última geração e a internet. De acordo com Castells (2003a, p. 10): [...] a internet é uma tecnologia particularmente maleável, suscetível de ser profundamente alterada por sua prática social, e conducente a toda uma série de resultados sociais potenciais – a serem descobertos por experiência, não proclamados de antemão. A internet interferiu no comportamento social das pessoas, comportamento social que notoriamente foi levado para dentro das organizações, obrigando as empresas a se adaptarem. O desafio maior é gerir pessoas que veem no acesso à informação um fator considerado chave para o sucesso dos processos. As orga- nizações são feitas por pessoas, e pessoas moldam o seu ambiente. Mas a internet sozinha não conseguiria tal feito. Contou com os modernos aparelhos de tecnologia e informação (smartphones, tablets, notebooks etc.), que vêm se multiplicando a cada dia. São eles que consideramos as ferramentas necessárias, que tornam tão característica a sociedade da informação e o exces- sivo compartilhamento de informações. Esses equipamentos estão ligados pela rede e a função dessas ferramentas é meramente de compartilhamento, já que as informações podem ocorrer de maneira automática e inerte. Assim, a sociedade da informação pode estar parametrizada sob a ótica do ciclo informacional, que inclui (BARRETO, 1998, p. 123): ■ Informação. ■ Conhecimento. ■ Desenvolvimento. A tecnologia, por meio dos diversos e modernos aparelhos eletroeletrônicos, tem um papel fundamental na sociedade da informação. Eles são a ponte entre o usuário da internet e o mundo para o compartilhamento de informações. A Comunicação Empresarial na Sociedade da Informação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 revolução tecnológica trouxe isso para as pessoas e empresas, possibilitando a agilidade de compartilhamento de informações, melhorando e influenciando na competitividade das organizações, por exemplo. Castells (2003b, p. 69) complementa que: [...] o que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimentos e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de reali- mentação cumulativo entre a inovação e seu uso. Para Castells (2003b, p. 442), mesmo com o avanço no acesso às informações democratizadas pelo uso da internet, vale ressaltar que “a comunicação mediada pela internet é um fenômeno social recente demais para que a pesquisa acadêmica tenha tido a oportunidade de chegar a conclusões sólidas sobre seu significado social”. A internet possibilita o acesso à informação, faz a ligação com o mundo exterior. De acordo com Takahashi (2000, p. 5), “a sociedade da informação não é um modismo. Representa uma profunda mudança na organização da sociedade e da economia, havendo quem a considere um novo paradigma técnico-econômico”. Portanto, a sociedade da informação ainda está se formando e expandindo. Tudo o que vimos ainda é apenas o começo. Em cada país, a sociedade da informação está sendo construída em meio a diferentes condições e projetos de desenvolvimento social, segundo estratégias moldadas de acordo com cada contexto (TAKAHASHI, 2000). O conhecimento e informação são elementos cruciais em todos os modos de desenvolvimento, visto que o processo produtivo sempre se baseia em algum grau de conhecimento e no processamento da informação. (Manuel Castells) COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 As experiências de acesso e compartilhamento das informações, provocadas pelo uso da internet, não atingiram somente os cidadãos, mas também as empre- sas. Os cidadãos levaram para dentro das organizações suas experiências com o mundo tecnológico compartilhado. É bem verdade que o caminho de pulve- rização de acesso à internet foi o contrário. No Brasil, mais especificamente, a internet de forma comercial teve suas primeiras experiências a partir de 1994. Quando falamos no contexto comercial de acesso à internet, estamos nos referindo ao período aproximado em que a internet começou a ser vendida para usuários finais ou usuários domésticos. Mas, no atual contexto tecnológico, todas as barreiras sobre ótica e evolução tecnológica já foram superadas. Assim como a inserção da internet e dos modernos aparelhos eletroele- trônicos, a comunicação empresarial também evoluiu. Como já estudamos, a comunicação empresarial era vista como atividade isolada, por exemplo a organi- zação de eventos ou a assessoria de imprensa que, em muitos casos, era realizada por profissionais e departamentos que não possuíam vínculo com a organização. No Brasil, o que vemos hoje, depois de muito tempo, é um cenário bem mais organizado em termos de comunicação empresarial. É bem verdade que ainda não alcançamos o ápice e temos muito trabalho pela frente a ser desenvolvido. A sociedade da informação influenciou as formas de se comunicar. Isso afe- tou o relacionamento das pessoas, o lazer, a convivência diária e principalmente as atividades profissionais de trabalho. O efeito dessas influências foi a oxigena- ção que a comunicação empresarial, mais especificamente no Brasil, alcançou. Com pessoas com extremas necessidades de se comunicarem e estarem conecta- das, as organizações foram obrigadas a se adequarem a esse novo perfil de público interno (BUENO, 2009). Comunicação Empresarial na Sociedade da Informação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 Com a adequação das organizações ao novo comportamento de público interno sob o âmbito da comunicação, as organizações empresariais incorpora- ram esta nova filosofia de comunicação à cultura da empresa, tornando assim o processo de comunicação mais profissional e estruturado. Caro(a) aluno(a), sabemos que o processo comunicacional de uma empresa é o reflexo de sua cultura, e que, via de regra, reflete os valores que a empresa possui. A sociedade da informação, além de compor o público interno da orga- nização, também faz parte dos negócios da empresa, que podem ser chamados de stakeholders, que são as pessoas físicas ou jurídicas que podem ser afetadas ou interessadas, direta ou indiretamente, pelos empreendimentos econômicos. Por isso, a exigência de se fazer uma comunicação como uma mera atividade fragmentada deixou de existir. Hoje, a comunicação é parte de um processo inte- grado (BUENO, 2009). De fato, para atingir o processo integrado, é necessário se fazer de profissio- nais altamente qualificados, recursos tecnológicos, planejamento das atividades, plano de ações e mudança de comportamento. A comunicação de qualidade é, sem sombra de dúvidas, a base para o suces- so das organizações. Em muitos casos, ela se torna um modelo ou espelho que reflete a cultura de uma empresa perante os colaboradores e a socieda- de em geral. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/ artigos/cultura_empresarial/artigo1.php>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 Como já vimos, com o suporte da sociedade da informação que hoje integra as organizações, a comunicação empresarial ascende parao objetivo da inteligência empresarial. Pronta para se fazer valer das mais modernas tecnologias apresen- tadas atualmente (banco de dados e mídias sociais), a comunicação empresarial deve procurar se fazer da maximização de utilização de recursos, partilhando de modernos processos de gestão empresarial que hoje norteiam as empresas. CULTURA ORGANIZACIONAL E SUA RELAÇÃO COM A COMUNICAÇÃO Caro(a) aluno(a), veja que, a partir dos anos 80, tem crescido muito o interesse em torno do tema “cultura organizacional”, passando a ser um discurso forte nas pesquisas e publicações acadêmicas. Esse interesse tem sido justificado por pes- quisadores de várias maneiras (PIMENTA, 2010). O populismo do sucesso das empresas japonesas, com seu forte apelo cultural, em detrimento das america- nas, tem sido considerado relevante. A associação em questão é entre cultura organizacional estruturada e sucesso empresarial. De acordo Pimenta (2010, p. 107): [...] no âmbito da teoria das organizações, o interesse pela cultura orga- nizacional seria justificado pela demanda de uma abordagem mais hu- mana e holística em um ambiente extremamente racionalizado, como costuma ser o da empresa. A cultura dentro das organizações atende à necessidade de se enfatizar valores e construir uma dimensão simbólica em razão da insegurança gerada pela socie- dade com as constantes mudanças culturais da atualidade. Há vários fatores favoráveis à importância da cultura organizacional, pois definir elementos que a constituem, missão, visão, valores pressupostos etc. serve para a construção da identidade de qualquer instituição (PIMENTA, 2010). As Cultura Organizacional e sua relação com a Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 empresas, que já definiram esses elementos, costumam apresentá-los para os funcionários e público externo: clientes, fornecedores e sociedade, ou seja, os stakeholders, e isso só é possível por meio de uma comunicação eficiente e eficaz. A cultura organizacional pode ser conceituada como a maneira que uma orga- nização ou empresa que se comporta dentro do ambiente de negócios, ou seja, que valores e crenças norteiam sua conduta. Esse conceito vem de encontro com o conceito de cultura, que, para Zanelli (2004, p. 416), “é considerada não como uma rede de comportamentos concretos e complexos, mas como um conjunto de mecanismos que incluem controles, planos, receitas, regras e instruções que governam o comportamento”. Para Torquato (2008, p. 3), cultura pode ser definida como “a somatória dos inputs técnicos, administrativos, políticos, estratégicos, táticos, misturados às cargas psicossociais, que justapõem fatores humanos individuais, relaciona- mentos grupais, interpessoais e informais”. Para o autor, quatro fatores podem ser considerados como reforços da cul- tura: o histórico da empresa, o modelo de gestão da empresa, sua natureza técnica (sua produção) e sua chamada “osmose geográfica”, absorção do relacionamento entre a proximidade de empresas. Na visão de Marchiori (2008, p. 251), cultura é “um processo de construção de significados por meio da interação social, e a comunicação nesse contexto é primordial e natural.” Para uma organização, mais do que simplesmente adotar um discurso sobre aspectos politicamente corretos, perante a sociedade, a conduta ética é a balizadora de seu negócio. É através da conduta de uma empresa que se pode mensurar suas prioridades. (Maria Alzira Pimenta) COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 Sobre cultura organizacional, vale destacar a clássica definição de Schein (1984 apud PIMENTA, 2010, p. 109): [...] cultura organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com problemas de adaptação externa e integração interna e que fun- cionam bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas. Robbins (2004, p. 240) de maneira bem simplista, define cultura organizacional como “um sistema de valores compartilhado pelos membros que difere de uma organização para outra.” O autor identifica as seguintes funções da cultura: defi- nição de fronteiras, cada organização possui uma cultura diferente, dissemina o senso de identidade entre os membros pertencentes à organização, facilita o comprometimento de todos em prol de objetivo geral, sobrepondo-se os inte- resses individuais, torna a organização mais coesa e cria regras para gerenciar o comportamentos e atitudes dos trabalhadores. De acordo com Schein (1992, p. 73), “toda cultura existe em três diferentes níveis de apresentação: artefatos, valores compartilhados e pressuposições bási- cas”, conforme ilustra a figura a seguir. Artefatos Valores Compartilhados Suposições Comuns Estruturas e processos organi- zacionais visíveis (mais fáceis de visualizar, porém difíceis de decifrar). Filoso�as, estratégias e objeti- vos. (Justi�cativas compartilha- das). Crenças inconscientes, percepções, pensamentos e sentimentos (fontes mais profundas de motivos para as ações). Figura 1 - Cultura e seus diferente níveis de apresentação Fonte: adaptada de Schein (1992). Cultura Organizacional e sua relação com a Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 Para Schein (1992), os artefatos, valores compartilhados entre os membros e pressuposições básicas constituem os principais elementos para se conhecer e compreender a cultura de uma organização De acordo com Torquato (1999, p. 122), “a cultura da organização é formada pelas redes de comunicação formal e informal, sendo que esta é aferida pelas expressões dos funcionários e laços informais, a outra ponta do sistema cultu- ral”. Nesse contexto, a relação da cultura organizacional com comunicação se dá, basicamente, pelo fato de se explorar elementos culturais que gerem a informa- ção que pode ser gerenciada e transformada em mecanismo estratégico. Em tal aspecto, a comunicação apropria-se dos elementos constitutivos desse universo simbólico da cultura (histórias, mitos, herois, rituais) na construção e veiculação das mensagens pelos canais formais (jornais, boletins, circulares, reu- niões), numa permanente relação de troca com o ambiente (CURVELLO, 2012). Confirmando essa ideia, Curvello (2012, p. 13) afirma que: [...] a comunicação empresarial exerce papel estratégico na construção de um universo simbólico, que, aliado às políticas de administração de recursos humanos, visa aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa. A cultura organizacional de uma empresa vai além de simples condutas éticas norteadas por valores e crenças. Para dar certo, ela engloba o fator humano dentro da organização. Para saber mais, acesse o link disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=OWrCh2D8nzE>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 Para o autor, a comunicação no interior das organizações se opera por meio de fluxos, geralmente quatro, aqui identificados como: fluxo ascendente, fluxo des- cendente, fluxo horizontal e, com o advento de tecnologias como o e-mail e as intranets, o fluxo transversal, conforme explicação do quadro a seguir.Quadro 1 - Fluxo da comunicação nas organizações Fluxo Descendente Informações se originando nos altos escalões e sendo transmitidas ao quadro de funcionários, por meio de inúmeros canais, entre eles os clássi- cos boletins ou jornais de empresa. Fluxo Ascendente Informações, geralmente sugestões, críticas e apelos, oriundas dos funcionários e dirigidas à direção. As seções de cartas, as colaborações, existentes em quase todos os jornais de empresa e particularmente naqueles por nós analisados, caracterizam esse fluxo. Fluxo Horizontal Move a organização no seu dia a dia, por meio da comunicação entre pares, entre setores, situan- do-se quase sempre no campo informal, e por isso sendo chamado de horizontal ou lateral. Fluxo Transversal Tem o poder de subverter as hierarquias ao per- mitir a transmissão de mensagens entre funcio- nários de diferentes setores e/ou departamentos e mesmo entre níveis hierárquicos diferentes, sobretudo no contexto de projetos e programas interdepartamentais. Fonte: adaptado de Curvello (2012). Quando um processo de comunicação organizacional ocorre de forma eficiente e eficaz, ele abastece com informações todos os públicos da empresa (stakehol- ders). Para tanto, se faz necessário conhecer a história da organização, sua cultura, ramo de atividade, interesses, relações com seus públicos etc. No entanto, esse processo não é tão linear quanto parece. É, de certo modo, complexo e também possui ruídos. Cultura Organizacional e sua relação com a Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 Kunsch (2003, p. 73) afirma que: [...] a complexidade existente no processo de comunicação deve-se ao fato de que indivíduos numa organização possuem cultura e aspectos cognitivos distintos, exercem diferentes papéis, sofrem pressões ine- rentes ao seu ambiente interno e externo. Além do mais, segundo a autora, “estes indivíduos enfrentam barreiras presen- tes no processo comunicativo. Soma-se a isso o alto volume e os tipos variados de comunicação existentes e esse fenômeno torna-se ainda mais complexo” (KUNSCH, 2003, p. 73). Kunsch (2003) identifica como elementos importantes na gestão do processo comunicacional das empresas as barreiras, as redes, níveis de análise, os fluxos, os meios e modalidades de comunicação. Assim, conhecer a cultura é importante do ponto de vista da organização para aumentar a efetividade dos negócios. E, sob a ótica da comunicação interna, é imprescindível, pois ajuda a detectar quais são os melhores caminhos para atin- gir eficientemente o público interno (CURVELLO, 2012). 3M: O Mundo da Inovação A 3M é, certamente, uma das empresas mais inovadoras do mundo. Esse feito só é possível graças à cultura organizacional que a empresa adota e que motiva seus funcionários. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://webcache.googleu- sercontent.com/search?q=cache:opjCTfTcNWAJ:admfal.xpg.uol.com.br/ TGA_3m.doc+&cd=9&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 ELEMENTOS VERBAIS DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL: TEXTO E DISCURSO Na comunicação humana, o código é considerado a linguagem. A linguagem, por sua vez, é uma forma encontrada por nós, seres humanos, de se relacionar entre si e com tudo o que nos rodeia. A comunicação verbal pode ser compreen- dida em qualquer forma de expressão por meio do som ou da escrita. No âmbito empresarial, saber usá-la pode fazer toda a diferença para se fechar um negócio, por exemplo. Mas, antes de abordarmos os elementos verbais da comunicação, é válido dizer que a comunicação verbal e a comunicação escrita são modalida- des comunicativas. A comunicação nas organizações pode ocorrer em diferentes formatos, podendo ser classificada como verbal e não verbal, utilizando-se dos mais diver- sos meios para tal. De acordo com Froldi e O’Neal (2002, p. 39): “a comunicação verbal é fundamental para que o processo de transmissão de uma ideia se efetive com precisão, ou seja, que a mensagem possa ser transmitida coerente e organi- zada”, o que normalmente é feito por meio da escrita. Mais do que transmitir uma informação, no mundo globalizado de hoje a comunicação precisa ser assertiva, inteligente, eficiente e eficaz. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.comunicacao- empresarial.com.br/comunicacaoempresarial/artigos/comunicacao_corpo- rativa/artigo12.php>. Fonte: o autor. Elementos Verbais da Comunicação Empresarial: Texto e Discurso Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 De acordo com Pimenta (2010, p. 188), “a comunicação escrita é algo de suma importância para todos os profissionais da empresa” e tem como objetivos: ■ obter e fornecer informações. ■ promover uma ação específica. ■ promover, manter e encerrar relacionamentos comerciais. Para Pimenta (2010, p. 188), “na comunicação escrita, alguns elementos do modelo clássico de comunicação adquirem uma nomenclatura própria, expli- citamente: o emissor passa a ser o remetente, e o receptor, destinatário”. Assim, no ato comunicativo, as ideias do remetente poderão ser conhecidas pelo des- tinatário quando: 1. O remetente transformar suas ideias em mensagem, associando-as a estí- mulos físicos (letras) ou significantes, formando signos. 2. O remetente enviar mensagem constituída de signos ao destinatário. 3. O destinatário receber os signos, captando os significantes e entendendo os significados ou ideias a eles associados. Conforme Marcuschi (2001, p. 19), “a escrita como forma de comunicação é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade”. Estes contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a família, a vida burocrática e a atividade intelectual. Para tal, se faz necessária a formatação do texto. Expressar-se por meio da palavra escrita, redigir um texto, é uma prática comum e necessária entre profissionais que trabalham em empresas. Em geral, os objetivos são (PIMENTA, 2010): ■ Obter e fornecer informação. ■ Empreender uma ação específica. ■ Promover, manter ou encerrar um relacionamento comercial. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 Caro(a) aluno(a), neste contexto, estruturar a escrita em forma textual é uma maneira de utilizá-la de forma ainda mais eficiente. Para se escrever bem, é neces- sário que se tenha o hábito da leitura. A leitura permitirá ao emissor uma melhor apuração técnica de sobrepor as ideias por meio das palavras, seja para escrever um simples bilhete, um e-mail ou um documento oficial. Cada qual deve ter a linguagem corresponde à sua formalidade ou informalidade, ou seja, a forma mais adequada à situação. Segundo Oliveira e Motta (2000, p. 12): “o bom texto reúne vários atribu- tos: passa a imagem certa, reúne os elementos essenciais à comunicação, leva o leitor à ação, é fruto do domínio do assunto, da linguagem e da quantidade de informações adequadas ao objetivo.” A estruturação textual também precisa do suporte da oralidade na comuni- cação. É por meio da escrita que a comunicação também ocorre, porém ela não pode ser feita de qualquer maneira. Precisa ser construída, a fim de que atenda ao seu objetivo oral, ou seja, que descreva exatamente aquilo que precisa sertrans- mitido, só que por meio de palavras e textos. É nesse contexto que a estrutura do texto, ao ser criada, precisa dar ênfase, ou seja, suporte àquilo que está sendo escrito. A convivência entre ambos, apesar de complexa, é extremamente neces- sária. Citemos, por exemplo, os gestos (mãos, olhos, ombros) que o jornalista faz Como diferencial no ambiente de negócios, a comunicação é uma ferra- menta de uso estratégico, cada vez mais importante para as organizações. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://dspace.unesc.net/bitstream/1/301/1/Elaine%20Bez%20Birolo%20 Casagrande.pdf>. Fonte: o autor. Elementos Não Verbais da Comunicação: Linguagem, Gestos, Imagem, Tom de Voz Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 ao transmitir uma notícia em um telejornal pela TV. Os gestos feitos dão ênfase ao texto (falado) que está sendo noticiado. Uma notícia ruim requer gestos dife- rentes de uma notícia alegre. Os gestos e o texto precisam estar em harmonia. A comunicação oral é uma das principais formas de transmitir mensagens. Uma aula proferida por um professor, a conversa para se fechar um negócio com um cliente que está lá na Europa ou um bate-bapo entre amigos são consideradas formas de comunicação oral. Conforme Robbins (2004), a comunicação oral é a principal forma para a transmissão de mensagens. É a forma mais rápida para receber o feedback da mensagem. Para o autor, a velocidade com que o ocorre o feedback é considerada uma vantagem, pois dá chance ao emissor, em caso de erro, de corrigir a mensagem. Porém, uma vez proferida a mensagem a um grande grupo de pessoas, maio- res são as chances de haver distorções na recepção da informação (ROBBINS, 2004). Por isso, a mensagem escrita acaba sendo mais utilizada, por ser mais lógica, bem elaborada e clara. ELEMENTOS NÃO VERBAIS DA COMUNICAÇÃO: LINGUAGEM, GESTOS, IMAGEM, TOM DE VOZ Caro(a) aluno(a), a linguagem, acima de tudo, é o que diferencia o homem dos outros animais. Sabemos que para nós, seres humanos, já socialmente estabe- lecidos, seu funcionamento é constituído e baseado pela atuação do emissor, receptor, a mensagem, o código, o canal de comunicação, ruído de comunica- ção e o feedback. Sem esses elementos, seria impossível se fazer comunicação. Uma imagem vale mais do que mil palavras? (Dito popular) COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E70 Sem ela (linguagem), a cultura, a história e a maioria das coisas que se faz dela o que ela é, seria impossível. Mas em uma conversa frente a frente, a linguagem também se desenvolve dentro de um contexto não verbal. Alguns cientistas afirmam que sem os elementos não verbais, a troca de mensagens verbais seria impossível (DAVIS, 1978, p. 178). A linguagem não verbal pode ser definida como a comunicação sem o uso das palavras. Uma placa de sinalização no trânsito, anúncios publicitários ou uma pai- sagem são apenas algumas da formas de comunicação não verbal utilizadas para que exista interação entre pessoas e suas atividades em uma organização. Neste material faremos uma abordagem voltada para os gestos, imagem e o tom de voz. Logicamente que podemos trocar informações com pessoas que estão do outro lado do mundo. O fato de as pessoas não se verem durante um processo negociativo não significa que não se esteja transmitindo a mensagem que precisa ser transmitida. Falamos, negociamos e conversamos com clientes e fornecedo- res o tempo todo apenas pelo telefone, mas isso não implica que negócios não podem ser fechados. Porém, é importante entender que a importância do com- portamento não verbal numa conversa já esclarece esse aspecto, auxiliando o leitor a ver como alguns dos diferentes elementos de comunicação se complementam. Mas qual a importância de compreender como a comunicação não verbal fun- ciona dentro do ambiente corporativo? Estudos realizados por Allan e Barbara Pease (2005) revelam que, por trás de singelos sorri- sos, expressões ou gestos faciais, é possível identificar a verdadeira intenção de quem está se comuni- cando, ficando perceptíveis certas contradições entre o que é dito e os gestos feitos. De acordo com Dubrin (2003), a comunicação não verbal serve como suplemento à comunicação escrita e falada. De modo geral, Elementos Não Verbais da Comunicação: Linguagem, Gestos, Imagem, Tom de Voz Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 ela denota de forma implícita a mensagem e incorpora comportamentos, que podem ser divididos em: ■ Ambiente físico (espaço onde ocorre a mensagem - uma sala de aula). ■ Posicionamento do corpo (proximidade entre pessoas). ■ Postura (manter-se ereto denota confiança). ■ Gestos de mãos (exibir o polegar denota que está tudo certo). ■ Expressão facial. ■ Tom de voz (volume e velocidade podem ser confiança ou nervosismo). ■ Roupas - aparência (vestir-se com a roupa certa para cada ocasião). ■ Espelhamento (copiar outra pessoa). Elementos de Comunicação não verbal - gestos De acordo com Davis (1978, p. 84), “a investigação sobre os estilos gestuais come- çou a ser estudada nos anos 40, que teve como precursor David Efron em seu livro Gesture and Environment no ano de 1941”. Segundo o autor, uma comuni- cação verdadeira também pode ser realizada pela expressão dos gestos, ou seja, de forma corporal. Nesse caso, basta observar em detalhes os gestos, a postura, movimentos das mãos, forma de olhar e até o tom de voz. Você sabia que a linguagem corporal é uma forma indireta de se comunicar e que você pode ter domínio sobre ela? Acesse o link a seguir e conheça 10 truques de linguagem corporal que podem fazer a diferença. < http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/10-truques-de-linguagem- -corporal-para-transmitir-poder>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 Conforme afirmam Pease e Pease (2005, p. 19), “a linguagem do corpo é o reflexo do estado emocional da pessoa. Cada gesto ou movimento pode ser uma valiosa fonte de informação sobre a emoção que ela está sentindo num dado momento”. Fica claro perceber que uma pessoa está brava quando você olha para o seu rosto e percebe que ela está com a “cara fechada”. A “cara fechada” denota, imediatamente, que algo está errado. Assim, o verbal e o visível, o que o homem diz e como ele mexe seu corpo são apenas duas formas mais óbvias de comunicação. Os gestos podem ser mani- festados das mais diversas formas, sendo caracterizados por: ■ Olhar para os lados. ■ Falar devagar ou rápido demais. ■ A cor do rosto ficar “avermelhada”. ■ Sorrisos. ■ Cruzamentos de braços e pernas em excesso. ■ Bater o pé ou roer as unhas. ■ Coçar a cabeça. ■ Mexer no cabelo. Os gestos podem servir como formas de expressão para dar suporte à comunica- ção “falada” durante uma negociação, por exemplo, tanto para quem fala quanto para quem ouve (PIMENTA, 2010). Os gestos darão enfoque em fatores como segurança, afirmação, negação, dúvidas, alegria, desânimo ou repulsa. É válido salientar que, muitas vezes, os gesto são inconscientes. Um bom negociador precisa ter o controle de tudo o que lhe rodeia. Demonstrar segurança, posicionamento e certeza em negociação pode fazer a diferença entre os profissionais que trabalham e atuam nas mais diversas áreas, sejam elas vendas,gestões, lideranças de setores, gerências, coordenações ou supervisões, por exemplo. Elementos Não Verbais da Comunicação: Linguagem, Gestos, Imagem, Tom de Voz Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Elementos de Comunicação não verbal - imagem A comunicação visual ou comunicação feita com o uso da imagem pode ser defi- nida como um meio de comunicação que se expressa por elementos não textuais, ou seja, elementos visuais para se transmitir o que se deseja. Somos bombarde- ados por informações visuais a todo momento. O uso das imagens como fator de comunicação pode ser bem mais eficiente do que a comunicação escrita. A imagem, geralmente, é constituída por cores e formas de design, por exemplo, e isso tem resultado instantâneo. Citemos uma empresa de roupas, que, ao fazer uma campanha publicitária, não necessita de muito texto para transmitir o que deseja. Basta explorar uma imagem bem ela- borada onde sua imagem esteja veiculada por meio de uma marca. Fazer um anúncio exige menos tempo para veicular a ideia do que criar um texto, para se disseminar o assunto, por exemplo. Mas acreditar que a comunicação visual é de fácil compreensão, em muitos casos, pode ser tornar um engano. Para que possamos entender a comunicação visual, é necessário compreender sua dinâmica de interação. De certo modo, consideramos como um ponto positivo da comunica- ção visual o fato dela ser compreendida mundialmente por pessoas de diferentes países e culturas. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 Elementos de Comunicação não verbal - tom de voz Além das palavras, do texto, das imagens e dos gestos, umas das maneiras mais comuns de se comunicar é por meio da fala. Mas, se não bastasse falar, é válido considerar o tom de voz. Muitas pessoas não sabem ou muitas vezes não per- cebem, mas o tom de voz tem um efeito surpreende na hora de se comunicar. Caro(a) aluno(a), certamente você já ouviu esta frase: “não é o que você diz, mas sim como diz”. O tom de voz é uma das manifestações que a comunica- ção falada tem como característica. O emissor da mensagem, conhecendo bem Embora não pareça, a imagem é de grande valor quando se trata de comu- nicação. A linguagem visual tem características específicas que a diferencia da linguagem escrita, que a torna essencial em alguns aspectos comunicati- vos, como por exemplo uma placa de “proibido fumar”. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://maquinna.com.br/blog/outros/132/a-importancia-da-imagem-pa- ra-o-sucesso-da-comunicacao/>. Fonte: o autor. 10% dos conflitos são causados por diferenças de opinião. 90% é devido ao tom de voz errado. (Randerson Figueiredo) Comunicação Empresarial “Ponto Com”: Mídias Sociais e Sites Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 o seu público, pode, por meio da fala, ironizar, mostrar entusiasmo, interesse, debochar, fazer sarcasmo, causar dúvida, ser rude ou delicado, enfatizar a cer- teza etc. Essas ações têm como objetivo causar dúvidas na cabeça do receptor. O tom de voz pode ser considerado uma espécie de ferramenta que desperta aspectos emocionais nas pessoas. Na voz humana, é possível constatar a diferença de timbres, tons, intensidades e volumes. No processo de comunicação em que a voz é utilizada, o tom de voz representa a seguinte situação: ■ Conteúdo (palavras) 7%. ■ Tom de voz (modo como falamos) 38%. ■ Expressão corporal (linguagem do corpo) 55%. Nesse contexto, o tom de voz tem como objetivo obter sucesso na comunicação, e pode ser acompanhado pelos gestos. Além de elemento físico da comunicação, a voz é a marca da identidade pessoal. É relati- vamente fácil enganar com mímica, mas muito complicado fazê-lo com a voz. COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL “PONTO COM”: MÍDIAS SOCIAIS E SITES Com o advento da popularização da internet, surgimento das mídias e sua mas- siva utilização, podemos dizer que sua consolidação é fator superado. Não há mais como retroceder esse processo, que a cada dia, num espaço de tempo e velo- cidade cada vez menor, vai inserindo-se na vida social das pessoas. Podemos COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 dizer que hoje vivemos em dois mundos: o mundo real e o mundo digital, tam- bém conhecido como ciberespaço e definido por Lévy (1999) da seguinte forma: O termo ciberespaço especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informação que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimen- tam esse universo (LÉVY, 2009, p. 17). Para Lévy (2009), “o ciberespaço é, então, um ambiente que permite inúmeras possibilidades do mundo real”. De acordo com Lemos (2002, p. 137), o termo ciberespaço pode ser compreendido como “o lugar onde estamos quando entra- mos num ambiente simulado (realidade virtual) e como conjunto de redes de computadores, interligados ou não em todo o planeta, a internet”. Uma empresa pode estar consolidada há anos em um determinado mercado, possuir uma marca forte e bons produtos, mas marcar seu território na web é o maior desafio e não importa a mídia, o importante é estar lá. Mas como fazer comunicação nas mídias sociais e websites? O Ciberespaço tem como idealizador o escritor canadense Marshall Mcluhan, que é considerado um dos precursores da teoria da comunicação. Mcluhan formulou há mais de 30 anos o que hoje conhecemos como conceito de aldeia global. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/geografia/0007.html>. Fonte: o autor. Comunicação Empresarial “Ponto Com”: Mídias Sociais e Sites Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 Mídias Sociais O que antes poderia ser visto como uma alternativa na forma de se comuni- car, hoje se tornou obrigatório. Para as empresas, se fazer presente nas mídias sociais é mais do que um diferencial competitivo ou estratégico, é uma necessi- dade latente. De fato, alguns diretores de empresas enxergam que essas questões de site e mídia social, além de consumirem um certo investimento, são consi- deradas perdas de tempo que não geram resultados, só despesas. Esse cenário cultural ainda é muito visto em grande parte das organizações brasileiras. Hoje, sabemos o poder que a comunicação virtual tem, haja vista que este modelo de comunicação pode aumentar drasticamente a circulação de informação de maneira dinâmica, rápida e estratégica, sem contar o seu potencial econômico de gerador de negócios, relacionamento e aproximação entre clientes e empresas. Para a nossa compreensão, as mídias sociais são ferramentas ou instrumen- tos da internet usados para o desenvolvimento e compartilhamento de conteúdo e informações, nas quais os usuários consomem e produzem seus conteúdos. Por meio de grupos ou comunidades virtuais, há uma interação e troca de informa- ções constante, criando-se a ideia de conectividade e era ponto com. Assim, as mídias sociais são responsáveis pela transformação de distribui- ção de informação, como afirma Recuero (2009): A mudança está na horizontalização do processo de constituição das mídias que, ao contrárioda chamada mídia de massa, distribuiu o po- der de distribuição da mensagem. Essa revolução, que ensaia os passos mais significativos com o surgimento de blogs (e a consequente popu- larização da produção e publicação de conteúdo na web, instituindo o que O’Relly vai chamar de Web 2.0), vai atingir mais gente de forma mais rápida com sites de rede social (que vão publicicar as redes sociais e manter conexões que funcionam como canais de informação entre os atores) e com apropriações destes sites (RECUERO, 2009, p. 15). A comunicação empresarial ponto com, também conhecida como comunicação digital, é recente. Além da internet, como já dissemos anteriormente, a demo- cratização de novas tecnologias e inserção de aparelhos eletroeletrônicos (TIC’s) no mercado foram responsáveis por acelerar esse comportamento comunicacio- nal nas empresas e sociedade em geral. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 Com pessoas conectadas buscando informações e consumindo conteúdo, as organizações se viram na necessidade de interagir com seu público. Antes, isso era feito somente por meio de um website, por exemplo, e hoje temos smartpho- nes, carros com tecnologia multimídia, tablets, notebooks, TVs e uma infinidade de dispositivos tecnológicos que são capazes de serem utilizados para a intera- ção de maneira instantânea. Nesse embalo de desenvolvimento contínuo, as mídias sociais têm se des- tacado de forma positiva e auxiliado muitas empresas quando o assunto é comunicação ponto com. É por meio do relacionamento que se criam redes. Assim, a compreensão de mídia social se funde com o conceito de rede social, como afirma Recuero (2009): As redes sociais tornaram-se a nova mídia, em cima da qual a infor- mação circula, é filtrada e repassada; conectada a conversação, onde é debatida, discutida e, assim, gera a possibilidade de novas formas de organização social baseadas em interesses das coletividades (RECUE- RO, 2009, p. 15). Embora os termos rede social e mídia social sejam usados, em muitos casos, de uma única maneira, precisamos fazer uma distinção de compreensão entre ambas. Uma rede social é formada por um grupo de pessoas que possuem rela- ção, baseada em um interesse comum. As mídias sociais são ferramentas on-line que permitem esse relacionamento e ajudam a divulgar conteúdo desejado por essas pessoas. Hoje, ferramentas como Facebook, Skype, WhattsApp, Pinterest, Instagram, Linkedin, Twitter, YouTube, Flickr, Vimeo, SlideShare, Fóruns, e-Groups, Instant Messengers entre outras, devem ser vistas pelas organizações como oportunidades diferentes de interagir e se comunicar com o público desejado. Algumas organizações, atentas às mudanças de mer- cado, já possuem departamentos estruturados Comunicação Empresarial “Ponto Com”: Mídias Sociais e Sites Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 e que utilizam de forma estratégica essas ferramentas de comunicação, criando um canal direto de ligação com o cliente. Nosso objetivo aqui não é fazer um estudo aprofundado sobre quais são as características de cada uma dessas redes ou como utilizá-las de forma específica. O que as empresas precisam compreender, e certamente já compreenderam, é que essas ferramentas podem até mudar de nome, se tornar obsoletas com o passar do tempo ou coisas nesse sentido, mas certamente outras virão com mais intensidade, e o ciclo da comunicação na web 2.0 ganhará ainda mais força. Websites Um dos meios mais conhecidos de divulgação por meio da internet, o website é hoje um grande mecanismo de divulgação de produtos e serviços. Além de ser ferramenta de marketing, é também uma ferramenta de comunicação muito poderosa. Um website pode ter um design moderno e uma estrutura formada por uma série de páginas informativas, que podem ou não possuir imagens e sons. Por permanecer 24 horas diárias, 7 dias por semana no ar, o site é a porta de entrada de muitas empresas para o mundo. De acordo com Dias (2003, p. 76), “o website é um ambiente web da internet que é ocupado com informações como textos, fotos, animações gráficas, sons e vídeos de uma empresa ou pessoa”, e cada website possui um endereço eletrô- nico chamado URL, termo que significa Uniform Resource Location, ou Local Uniforme de Recurso. URL é o endereço onde se pode encontrar a página na internet. O website pode ser considerado como a janela da empresa para o mundo. É por meio do website que uma organização pode ser vista e conhecida em qualquer parte do planeta. É por meio do site que uma empresa pode oferecer seus pro- dutos e serviços. Para Esteves (2009, on-line)1, os sites podem ser divididos em: ■ Site Institucional: sites de empresas ou organizações para fins comerciais ou não (tradicional). ■ Site Midiático: sites de jornais, revistas e blogs (dinâmico). COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E80 ■ Site Banco de Dados: site de catálogos de registros (google). ■ Site Comunitário: compartilhado por muitos usuários (fórum). ■ Portal: junção ou hibridização de todos os sites. Diante de várias opções, o website torna-se um instrumento de grande utilidade a favor da comunicação empresarial. Além de ser uma ferramenta relativamente barata, de fácil manutenção e de grande alcance, o site pode ser considerado uma ferramenta que torna uma empresa mais competitiva e acessível para seu público. É um canal direto de acessibilidade que o público tem com a empresa para se relacionar. Assim, o website precisa ser autoexplicativo, interativo, didá- tico, intuitivo, dinâmico e informativo, além de apresentar: ■ Elementos funcionais de fácil navegação (clareza visual). ■ Interface moderna (clean). ■ Uniformidade de cores e fontes. ■ Sistemática consistente. ■ Segurança. ■ Disposição textual correta. Por isso, caro(a) aluno(a), a escolha do modelo certo de website a ser utilizado não é algo fácil, e requer estudos de comportamento do cliente, experiência do cliente com vivência na área tecnológica etc. Embora muitos meios de comunicação divulguem na internet que criar site é fácil, criar um website exige conhecimento técnico bem profundo. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.comofazerumsi- te.com/>. Fonte: o autor. Comunicação Empresarial “Ponto Com”: Mídias Sociais e Sites Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Sem o website e seus modelos, a comunicação empresarial fica bem mais restrita e precisaria de outros canais para atingir seu objetivo, que é informar o público-alvo. Porém, é necessário ter um certo cuidado com a manutenção do conteúdo que está no site. A comunicação pela web é diferente, e, embora não pareça, requer muitos cui- dados e pode criar algumas armadilhas indesejadas para as empresas. O que é benefício pode, em um instante, virar uma arma. Não basta investir grandes cifras em plataformas e designer diferenciados. O quê, como, com que linguagem, de que maneira, com qual tempo, devem ser critérios que precisam ser muito bem ajustados e organizados por uma empresa que possui uma página na internet. Possuir uma página na internet simplesmente por possuir não é algo que uma organização deva fazer. Com usuários exigentes, esse “não cuidado” pode ser considerado como falta de respeito. É sinal de desleixo. Um website precisaCOMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E82 ser atualizado e alimentado com novas informações, podendo ser gerenciado por um responsável ou por alguma área da empresa com responsabilidade com- partilhada entre pessoas. MECANISMOS E FERRAMENTAS DE TRANSMISSÃO DE MENSAGENS CORPORATIVAS Caro(a) aluno(a), para se atingir o objetivo de comunicar algo a alguém, existe uma grande variedade de ferramentas utilizadas pela comunicação em uma organização. Essas ferramentas também podem ser chamadas de ferramentas de comunicação organizacional e seu objetivo é atender às necessidades comunica- cionais do público interno e externo, visando transmitir uma ideia ou mensagem que possa ser compreendida e interpretada. Segundo Kunsch (1997, p. 116), “a comunicação organizacional é composta pela comunicação institucional (relações públicas), comunicação interna (comunicação administrativa) e comunicação mercadológica”, que podem ser gerenciadas com o mesmo propósito. De acordo com Rego (1986, p. 105): [...] a comunicação organizacional deve ser conduzida por um centro de coordenação responsável pelas pesquisas, as estratégias, as táticas, as políticas, as normas, os métodos, os processos, os canais, os fluxos, os níveis, os programas, os planos, os projetos, tudo isso apoiado por técnicas que denotem uma cultura e uma identidade organizacional. Mecanismos e Ferramentas de Transmissão de Mensagens Corporativas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Comunicação integrada Composto da comunicação Comunicação Organizacional Comunicação interna Comunicação administrativa Comunicação institucional Comunicação mercadológica • Relações públicas • Marketing cultural • Jornalismo • Assessoria de imprensa • Identidade Corporativa • Propaganda institucional Marketing Propaganda Promoção de vendas Feiras e exposições Marketing direto Merchandising Venda pessoal Figura 2 - Cronograma de comunicação organizacional integrada Fonte: adaptada de Kunsch (1997). Esse escopo apresentado por Kunsch (1997) representa, de maneira estruturada, a forma de atuação da comunicação organizacional e suas ferramentas de apoio para o seu pleno funcionamento. A comunicação estratégica é o auge de toda área de comunicação. É definida como o conhecimento detalhado do perfil dos stakeholders, visando a realização sistemática de pesquisas e disponibilização permanente de recursos (financeiros, tecnológicos, humanos etc), para se atin- gir os objetivos estabelecidos pela organização (BUENO, 2003). A comunicação institucional, que é um desdobramento da comunicação organizacional, cuida basicamente da imagem pública da organização e sua rela- ção com a sociedade na qual está inserida. Basicamente, ela transmite sua ideia de negócio por meio da missão, visão e valores da empresa, e utiliza as seguintes ferramentas comunicacionais: marketing social e/ou cultural, relações públicas e assessoria de imprensa, conforme explica o quadro a seguir: COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E84 Quadro 2 - Ferramentas da comunicação institucional Marketing Social/Cultural Marketing Social e/ou Cultural está ligado com as questões sociais e culturais do ambiente social no qual a empresa está inserida. Através de cam- panhas, apoio a causas (alcoolismo, câncer de próstata e mama etc.). Na cultura, sua atividade está envolvida com ações como interesse pela leitura, cultura regional e incentivo ao esporte, por exemplo. Relações Públicas Pode ser representada por uma área ou por um profissional específico. Tem como objetivo pre- servar/construir a imagem da empresa diante do seu público. Suas ações auxiliam no planejamen- to estratégico da empresa. Assessoria de Imprensa Auxilia na construção da imagem da empresa. Através de press-releases, entrevistas e eventos, faz a divulgação das ações desenvolvidas pela empresa. Fonte: adaptado de Kunsch (2003). A comunicação mercadológica ocorre graças ao uso da propaganda, que tem como objetivo persuadir e informar, da promoção de vendas, da venda pessoal, do marketing de relacionamento, do marketing direto, de ações de merchandi- sing e eventos. Segundo Kunsch (2009, p. 162), “é a responsável por toda a produção comu- nicativa em torno dos objetivos mercadológicos, tendo em vista a divulgação publicitária dos produtos ou serviços de uma empresa. Está vinculada ao marke- ting de negócios”. Esse tipo de comunicação visa atingir de forma massiva o público alvo. Diariamente, nos grandes centros, somos alvo de 1.600 mensagens co- merciais, sendo que destas, apenas 80 são percebidas de maneira cons- ciente e 12 podem provocar algum tipo de reação, que nem sempre se revelará em compras efetivas (PEREZ e BAIRON, 2002, p. 33-34). Mecanismos e Ferramentas de Transmissão de Mensagens Corporativas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 A comunicação interna tem como objetivo atender o público mais próximo à organização, ou seja, seus colaboradores. Para isso, de acordo com Silva (1983, p. 102-119), há vários canais por meio dos quais a comunicação também pode ocorrer, que são: ■ canais descendentes. ■ canais descendentes – orais e visuais. ■ newsletter. ■ reuniões. ■ rádio interna. ■ jornal da empresa. ■ cartas diretas ao pessoal. ■ manual de recepção. ■ circulares. ■ panfletos. ■ intranet. ■ murais. A comunicação corporativa tem na comunicação mercadológica uma forma inteligente de vender seus produtos. É por meio desta que a empresa se apresenta para o seu cliente. Para saber mais sobre a comunicação mercadológica, acesse o link dispo- nível em: <http://comunicacaointerpessoalempresarial.blogspot.com.br/2011/12/ comunicacao-mercadologica.html>. Fonte: o autor. COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E86 Até por questões financeiras, essas soluções são, em alguns casos, a única forma encontrada pelas empresas para utilizarem a comunicação de forma eficiente. Mais do que manter a intensidade na comunicação, o mais importante é ter em andamento alguma atividade a respeito. Atualmente, mais de 50% das empresas brasileiras apostam nesse tipo de comunicação para se relacionarem com seu público interno, sendo o e-mail e a intranet a grande responsável por esse número. Sem dúvidas, a comunicação interna é uma grande ferramenta para o uso corporativo, e sua utilização depende da cultura da organização com relação ao seu uso. Hoje, mais do que nunca, a internet se tornou a ferramenta de comunicação mais utilizada pelas organizações para se relacionarem com todos os stakehol- ders que estão ligados diretamente e indiretamente com o seu negócio. A internet dá um dinamismo de interação que nenhuma outra ferramenta é capaz de con- seguir. Ela é representada pela utilização das mídias sociais, que globalizam a informação de maneira mais rápida do que um raio. Um cliente não satisfeito com o atendimento pode, por exemplo, botar a “boca no trombone” e fazer um estrago na imagem da empresa que pode ser irreversível, mesmo que sem razão. Ferramentas como o WhatsApp, Blogs, Wikkis, Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin,Youtube e Pinterest, por exemplo, são mais do que mídias sociais. São canais de interação direta, dinâmica, instantânea e barata, de relação com o público interno e externo de uma empresa. Além de custo praticamente zero, essas e outras mídias sociais fizeram as empresas reverem seus conceitos de comunicação com seus interlocutores. Elas revolucionaram e continuam revolucionando a forma de se comunicar. Tudo isso se deve ao fato de a internet ser compartilhada por praticamente todo o globo terrestre. Por estar e permane- cer conectada, não podemos nos esquecer de mencionar o papel que a atual geração, deno- minada de geração Y, teve ao longo desses últimos tempos. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 Caro(a) aluno(a), para concluir nossa unidade podemos destacar que não existe um canal ou ferramenta de comunicação organizacional que possa ser considerada ideal. O que existem são modelos híbridos, podendo ser utilizados de maneira conjunta, o que vai depender da característica de cada organização. Cada empresa possui uma característica de negócio diferente, e isso precisa ser levado em conta. Há também a questão da qualificação dos profissionais, que fará a grande diferença nesse contexto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), ao longo desta unidade pudemos compreender o quão importante é a comunicação na sociedade da informação. Vivemos em uma socie- dade que está conectada o tempo todo, onde comunicar-se não é mais a questão, mas sim como fazê-lo. É essa forma de se viver, adquirida pela sociedade, que as pessoas levaram para dentro das organizações, fazendo com que as empresas precisassem se adaptar a essa nova realidade de conectividade. No contexto de profissionais conectados, a cultura das organizações vem sofrendo com a questão da comunicação. Com isso, a relação cultural de mui- tas empresas com a comunicação precisa ser revista. Pudemos também compreender as formas dos elementos verbais e não ver- bais da comunicação, bem como suas consequências e características. Conhecer as formas de comunicação permite, de forma estratégica, agir de forma mais inteligente para se comunicar. Cada forma comunicacional tem sua importân- cia na cadeia comunicativa. É sobre esse entendimento de compreensão das formas de comunicação existentes que é possível explorar o novo modelo de comunicação empresarial “ponto com”, que se faz valer das mídias sociais, blogs e sites como instrumen- tos e ferramentas para uso estratégico das organizações para alavancar negócios COMUNICAÇÃO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E88 e criar relacionamentos. Hoje, a comunicação e todo seu processo comunica- tivo estão inseridos em um novo cenário empresarial, que cada vez mais busca - com assertividade, eficiência, eficácia e custos cada vez mais baixos - estar pró- ximo de seus stakeholders. Dos últimos 20 anos até hoje, a comunicação deixou de ser uma ferramenta de uso diferenciado e passou a ser um instrumento de uso essencial, e por que não vital, para as organizações. A organização que, de maneira inteligente, souber utilizá-la corretamente, com o melhor canal, largará na frente de seus concorren- tes em todos os sentidos, além, é claro, de obter resultados lucrativos satisfatórios. 89 1. Os stakeholders de uma organização necessitam de atuações diferentes da co- municação. Porém, a comunicação empresarial deve ser vista sob um ponto em comum para a organização, ao qual se dá o nome de comunicação: Com base nessa afirmação, assinale a alternativa correta a. interna. b. externa. c. integrada. d. institucional. e. de marketing. 2. A boa comunicação é ferramenta fundamental para o sucesso de qualquer or- ganização. Dentro de uma organização, transmitir mensagens de maneira ade- quada, sobretudo por escrito, é primordial para uma boa relação com todos os membros da empresa, sendo, antes de tudo, uma forma de comunicação inter- pessoal. Sobre um bom texto (comunicação escrita), considere as afirmativas a seguir: I. Deve passar a imagem certa. II. Precisa reunir os elementos essenciais à comunicação. III. Deve conter um conteúdo (texto) culto. IV. Após a leitura, deve levar o leitor à ação. V. Não tem a obrigatoriedade de ter a quantidade de informações adequadas ao objetivo. Assinale a alternativa correta. a. Somente as afirmativas I e II são corretas. b. Somente as afirmativas I e IV são corretas. c. Somente as afirmativas III e IV são corretas. d. Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 3. Sobre o perfil dos principais tipos de mídia, é correto afirmar que: Assinale (V) verdadeiro ou (F) falso. 90 ( )Mala Direta tem como desvantagens: custo relativamente alto, imagem de “correspondência inútil”. ( )Newsletter tem como desvantagens: ser uma ferramenta obsoleta, alto grau de seletividade. ( )Outdoor tem como desvantagens: seletividade de público limitada, limitações criativas. ( )Jornais têm como desvantagens vida curta, baixo nível de qualidade de repro- dução, pequeno público circulante. ( )Televisão tem como desvantagens: custo absoluto alto, saturação de comu- nicação elevada, exposição transitória, menor grau de seletividade do público. Assinale a alternativa correta. a. V, F, F, V, V. b. F, V, F, F, V. c. V, F, V, F, F. d. F, F, V, V, F. e. V, F, V, F, V. 4. De acordo com Curvello (2012), “a comunicação empresarial exerce papel es- tratégico na construção de um universo simbólico, que, aliado às políticas de administração de recursos humanos, visa aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa”. Para o autor, a comunicação no inte- rior das organizações opera por meio de fluxos, geralmente quatro, identificados como: fluxo ascendente, fluxo descendente, fluxo horizontal e, com o advento de tecnologias como o e-mail e as intranets, o fluxo transversal. Com base nessa afirmação, responda: a. Como é o funcionamento do fluxo de informação descendente? b. Como é o funcionamento do fluxo de informação horizontal? 5. É sabido que a comunicação interna tem como objetivo atender o público mais próximo à organização, ou seja, seus colaboradores. Para isso, existem vários ca- nais pelos quais essa comunicação pode ocorrer. Com base em nosso material de estudo, que canais podem ser utilizados pela comunicação interna de uma empresa? Cite três exemplos. 91 COMUNICAÇÃO MERCADOLÓGICA A comunicação mercadológica corresponde a uma parcela importante do composto da comunicação corporativa e diz respeito a toda comunicação que as organizações reali- zam com a finalidade de vender produtos e serviços associados à imagem favorável das empresas e instituições. Segundo Kunsch (2003, p. 162), “é a responsável por toda a produção comunicativa em torno dos objetivos mercadológicos, tendo em vista a divulgação publicitária dos pro- dutos ou serviços de uma empresa. Está vinculada ao marketing de negócios”. No mundo atual, as pessoas estão sendo bombardeadas de informações publicitárias em seu dia a dia, o que faz as empresas refletirem sobre a necessidade de aprenderem a se comunicar com seus diversos públicos. “Diariamente, nos grandes centros, somos alvo de 1.600 mensagens comerciais, sendo que destas apenas 80 são percebidas de maneira consciente e 12 podem provocar algum tipo de reação, que nem sempre se re- velará em compras efetivas” (KOTLER, 1998, p. 528 apud PEREZ; BAIRON, 2002, p. 33-34). Nesse sentido, verifica-seque as empresas, para conseguirem se destacar neste ambiente de hiper-competitividade, precisam aprender a desenvolver comunicações eficazes que permitam dar conta dos objetivos organizacionais, que sejam atraentes, socialmente res- ponsáveis e comprometidas com a verdade e possam reforçar uma imagem favorável. Ser eficaz na comunicação tem a ver com obter o máximo de sua produtividade e qua- lidade. Para isso, devem-se seguir alguns passos, são eles: a) identificar o público-alvo ou audiência-alvo; b) determinar os objetivos da comunicação; c) desenvolver a mensa- gem; c) selecionar canais; d) definir orçamento; e) decidir sobre o composto comunica- cional; f ) mensurar resultados; e g) administrar o processo de comunicação. São inúmeras as ferramentas do mix de comunicação de marketing, entre elas: propa- ganda, merchandising, promoção de vendas, venda pessoal, marketing direto, entre ou- tras. Essas ferramentas permitem a adequada exposição de uma marca, empresa, produ- to, etc., de diferentes formas e nas mais diversas mídias. Entende-se por propaganda toda e qualquer forma de divulgação de um produto, ser- viço, marca, empresa ou ideia com o “intuito de informar e persuadir um determinado target, levando-o à ação de adoção, normalmente por meio da compra” (PEREZ; BAIRON, 2002, p. 43). Os tipos básicos de propaganda são: a) persuasiva: é a propaganda que objetiva trazer convicção a respeito de um produto; e b) informativa: é aquela que traz informações sobre o produto. Esse último é, geralmente, recomendado quando o pro- duto é novo no mercado e, portanto, necessita de explicações quanto à sua indicação de uso, atributos funcionais, vantagens, preço, onde encontrar, etc. O termo merchandising, no Brasil, adquiriu aspectos de propaganda e de promoção. Neste sentido, tanto as ações no ponto de venda (cartazes, tags de preço, balões, lu- minosos), que se caracterizariam como promoção, quanto as inserções de produtos ou serviços durante a exibição de um determinado programa de televisão, o que seria cha- mado de propaganda, são consideradas ações de merchandising no Brasil. 92 O merchandising, ou melhor, as inserções durante a exibição de um filme, cinema ou ou- tro programa televisivo, se distingue por poder capturar o telespectador no momento de sua maior atenção, ou seja, no meio da trama da novela, por exemplo. Além de contar com a total atenção do telespectador, o merchandising é fortalecido pela presença do ator. A identificação do público com os atores que realizam o merchandising pode levar à transferência para o uso do produto. A promoção tem seus objetivos no curto prazo. Objetiva vender, girar os estoques e, mui- tas vezes, gerar caixa de maneira rápida. São passíveis de ações promocionais o cliente final, os funcionários e revendedores entre, outros participantes diretos e indiretos do processo de compra e venda. Ações promocionais no ponto de venda – degustação, entrega de brindes, entre outras – são cada vez mais frequentes, recebendo inclusive, investimentos que antes eram quase exclusivamente da propaganda. A promoção com os funcionários objetiva, inicialmente, criar consciência e envolvimen- to, concentrando os esforços de todos os participantes na venda. Entre as inúmeras ações que compõem a promoção para os funcionários, tem-se: os materiais de apoio à venda (catálogos, manuais, calculadoras, relatório anual da empresa), reuniões de ven- da, seminários, convenções, treinamento e programas de incentivo como entrega de prêmios, viagens e dinheiro que se mostram bastante eficientes. Ações de promoção têm crescido no Brasil em função do aumento da importância do varejo, que percebeu ser ele o ponto de contato mais imediato com o consumidor. No cenário de hiper competitividade das empresas brasileiras, observa-se o aumento da seletividade dos consumidores que podem escolher o produto, preço, forma de paga- mento, qualidade e conveniência. As empresas aprendem a se interessar em conhecer os clientes (carências, interesses, expectativas, etc.) e com isso surgem as primeiras sina- lizações da personalização de produtos e serviços. Segundo Pancrazio (2000, p. 181 apud PEREZ; BAIRON, 2002, p. 51), o marketing direto é “uma especialização do marketing que utiliza técnicas de comunicação que possibilitam atingir o público-alvo de forma dirigida e personalizada e obter respostas diretas e men- suráveis”. Ou seja, o marketing direto procura atingir o indivíduo que faz parte do públi- co alvo da empresa. Neste sentido, são desenvolvidas algumas ações como: venda porta a porta, telemarketing ativo e receptivo, internet, venda por catálogos, entre outras. De um modo geral, entende-se que a comunicação mercadológica se encarrega de to- das as “manifestações simbólicas de um mix integrado de instrumentos de comunicação persuasiva para conquistar o consumidor e os públicos-alvo estabelecidos pela área de marketing” (KUNSCH, 2003, p. 164). Vale salientar que as ações comunicativas de marketing devem ser baseadas em infor- mações colhidas com pesquisas de mercado e do produto que, normalmente, estão sob a responsabilidade do setor de marketing das organizações. Fonte: Azevedo (COMUNICAÇÃO…, 2011, on-line)2. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Comunicação Institucional Keyla Christina Almeida Portela, Alexandre José Schumacher e Karin Claudia Nin Brauer Editora: LT Ano: 2014 Sinopse: a boa comunicação institucional é uma estratégia de diferencial de mercado, sendo muito importante o aprimoramento da comunicação oral e escrita em qualquer atividade profi ssional, pois é a partir dela que ocorre a transmissão de informações. O livro é composto por 10 capítulos, nos quais são apresentadas ferramentas para uma boa comunicação dentro de uma instituição. A Rede Social Ano: 2010 Sinopse: em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profi ssional. Comentário: hoje, o Facebook é uma ferramenta essencial de relacionamento e aproximação entre empresas e seus clientes. O que antes apenas era considerado uma mídia de relacionamento, hoje se tornou uma mídia de “aprofundamento”. E você, enquanto gestor? Como enxerga o uso do Facebook e/ou outras ferramentas como forma de relacionamento com seus clientes? Minha sugestão é para mostrar o quanto as ferramentas de comunicação são importantes para as organizações. <https://www.youtube.com/watch?v=q20TjNeqyyw>. <https://www.youtube.com/watch?v=o2SU2dveSWE>. REFERÊNCIAS BARRETO, L. P. Educação para o Empreendedorismo. Salvador: Escola de Adminis- tração de Empresa da Universidade Católica de Salvador, 1998. BUENO, W. da C. Comunicação empresarial: políticas e estratégias. São Paulo: Sa- raiva, 2009. ______. Comunicação empresarial: teoria e pesquisa. São Paulo: Manole, 2003. CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a so- ciedade. Trad. 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Segundo Oliveira e Motta (2000, p. 12), “o bom texto reúne vários atributos: pas- sa a imagem certa, reúne os elementos essenciais à comunicação, leva o leitor à ação, é fruto do domínio do assunto, da linguagem e da quantidade de informa- ções adequadas ao objetivo”. 3. A) V, F, F, V, V. 4. A) O fluxo de informações descendentes se origina nos altos escalões da empre- sa e é transmitido ao quadro de funcionários por meio de inúmeros canais, entre eles os clássicos boletins ou jornais de empresa. B) O fluxo de informação horizontal move a organização no seu dia a dia, por meio da comunicação entre pares, entre setores, situando-se quase sempre no campo informal, e por isso sendo chamado de horizontal ou lateral. 5. O aluno pode citar os seguintes canais: Newsletter, reuniões, rádio interna, jornal da empresa, cartas diretas ao pessoal, manual de recepção, circulares, panfletos, intranet e murais. U N ID A D E III Professor Me. Victor Andrei da Silva GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Estudar os conceitos históricos e cases de comunicação empresarial. ■ Entender a estruturação de uma política de comunicação empresarial. ■ Observar o processo de gestão de uma organização e sua interação com a comunicação interna. ■ Estudar a comunicação integrada de marketing e sua aplicação no âmbito empresarial. ■ Entender como funciona o processo de administração da imagem de uma organização. ■ Entender a comunicação digital e os efeitos de utilização de mídia de maneira institucional. ■ Estudar os efeitos potenciais que a comunicação tem nas organizações. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Comunicação empresarial integrada ■ Construindo a política de comunicação empresarial ■ Comunicação interna e processo de gestão ■ Comunicação integrada de marketing ■ Administração da imagem organizacional ■ Comunicação digital e novas mídias institucionais ■ Potencializando a comunicação nas organizações INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), ao longo das unidades anteriores fizemos um estudo bem dinâ- mico sobre a comunicação e suas vertentes no âmbito empresarial. Pudemos conhecer um pouco mais sobre a comunicação, como ela ocorre, sua influência no ambiente organizacional e como tem sido seu comportamento na chamada era da sociedade da informação, sociedade digital, mídias sociais e websites. Dando prosseguimento aos nossos estudos, nesta unidade, a unidade III do nosso material de estudo, para nos servirem de base e exemplos, abordare- mos alguns cases de sucesso dentro da comunicação empresarial. Esses cases servirão para nos orientar sobre propostas de comunicação que deram certo e servem de exemplo para outras organizações. Estudaremos também a ocorrên- cia de uma estruturação para a política de comunicação empresarial, além de observar o processo de gestão de uma organização e sua interação com a comu- nicação interna da empresa. Faremos também uma breve análise sobre a importância da comunica- ção integrada de marketing, sua aplicação e metodologia de funcionamento no âmbito organizacional. A comunicação de marketing é de extrema importân- cia para uma organização se relacionar de maneira mais eficiente e eficaz junto ao mercado e stakeholders. Nesse contexto, mostraremos como a comunicação integrada de marketing influencia no funcionamento do processo de adminis- tração da imagem de uma empresa por meio da comunicação. Por fim, para finalizar esta unidade, abordaremos a comunicação digital por meio da utilização de mídias e seus efeitos na cultura comunicacional da orga- nização, além, é claro, de estudar os efeitos potenciais que a comunicação tem em uma organização. Como você pode ver, teremos assuntos importantes e interessantes para abordar ao longo dessa unidade. É necessária a sua participação e interação no desenvolvimento das atividades propostas, além, é claro, na discussão dos temas abordados aqui e que ocorrerão durante as aulas. Desejamos a você um excelente estudo nesta unidade, e que possamos jun- tos crescer em conhecimento, para compartilhar experiências. Vamos em frente! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E100 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL INTEGRADA Iniciando nosso assunto, destacamos que foi entre os anos 70 e 80 que a comu-nicação assumiu seu lugar de ferramenta estratégica dentro das empresas. Nesse mesmo período, as várias áreas que possuíam ligação com a comunicação pas- saram a ser reconhecidas e a ganhar reconhecimento no mercado. Hoje, sabemos que a visão de comunicação e a forma de se comunicar evo- luiram. Juntamente com essa evolução, a maneira como as empresas enxergam a comunicação também teve mudanças e progressos, que influenciaram, conse- quentemente, na visão dos profissionais que estão inseridos nessa área, a maneira de se pensar como se comunicar. Mas isso nem sempre foi assim. De acordo com Neves (2015), durante muito tempo, a comunicação empre- sarial clássica se segmentou em três conjuntos de esforços: I. Comunicação de Marketing, para cuidar da marca, dos produtos e servi- ços e basicamente voltada para clientes e consumidores. II. Comunicação Institucional, que tratava da empresa e se dirigia principal- mente para formadores de opinião e à opinião pública em geral. III. Comunicação Interna, voltada para o público interno (funcionários e familiares). Como ferramenta estratégica, a comunicação empresarial pode ser usada para melhorar a imagem da empresa perante a sociedade e também para os próprios colaboradores, e assim alcançar os resultados estabelecidos. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.significados.com.br/comunicacao-empresarial/>. Fonte: o autor. Comunicação Empresarial Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 D EM O N STRAÇÃO B RI N D ES M AR KE TI NG E LE TR Ô NI CO EV EN TO S P RO M OC IO NA IS T EL EM AR KE TIN G F RA NQ UIA S EM BAL AG ENS LIC ENÇA S MARKE TING DIRE TO PUB. INTERNAS CORREIO ELETRÔNICO MURAIS MEMORANDOS REUNIÕES M ESAS REONDAS ENTREVISTAS CAM PANHAS EVEN TO S IM PREN SA CO M . I N FO RM AL CO M . S IM BÓ LI CA CO M . IN TE RP ES SO AL CO M. IN FO RM AL CO M. SIM BÓ LIC A PRO G. C ORP ORA TIVO S LOBBY RELAÇÕES PÚBLICAS MARKETING CULTURAL IDENT. CORPORATIVA ASSESSORIA DE IMPRENSA PROPAGANDA PROMOÇÃO DE VENDAS M ERCHANDISING FEIRAS E CO NGRESSO S COMUNICAÇÃO INTEGRADA COMUNICAÇÃO MERCADOLOGICA COMUNICAÇÃO INTERNA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL Figura 1 - Comunicação Integrada Fonte: adaptada de Neves (2015). Hoje, caro(a) aluno(a), para se promover um produto, serviço ou ideia, é neces- sário ter o domínio da comunicação de maneira integrada. Não basta mais ter um bom produto, fazer uma boa campanha publicitária ou ações de marketing diferenciadas para se atingir um público alvo sem que haja a integração de todas as áreas de uma organização com relação à comunicação. De acordo com Lupetti (2007, p. 69), a comunicação integrada empresa- rial, também conhecida como “CIM”, pode ser entendida como “o processo de desenvolvimento e de implementação de várias formas de programas de comu- nicação persuasivos com clientes existentes e potenciais no decorrer do tempo”. Neves (2015, p. 87) define a comunicação integrada como um: [...] processo que integra todas as funções que se relacionam com pú- blicos ou que fazem algum tipo de comunicação. Noutras palavras, marketing, vendas, recursos humanos, relações públicas, ombudsman, serviço de atendimento ao cliente, telemarketing, agências de publici- dade e relações com imprensa, devem estar debaixo do mesmo proces- so de comunicação de maneira coordenada. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E102 Tal conceito vem com a ideia de Kunsch de compartilhar a visão de integração de comunicação, haja vista que a comunicação de hoje é considerada fator estra- tégico. Para Kunsch (2009, p. 149): [...] a comunicação integrada passa a ser uma arma estratégica para a sobrevivência e o desempenho de uma organização em uma realidade complexa e que se altera de forma muito rápida. Hoje em dia, não é possível mais pensar, por exemplo, em realizar uma brilhante assesso- ria de imprensa, criar campanhas retumbantes ou produzir peças pu- blicitárias impactantes de forma isolada, sem o envolvimento de todas as subáreas da comunicação organizacional. Compartilhar e integrar pessoas, processos, informação e tecnologia é um dever da comunicação. Para Kunsch (2009, p. 107), para que exista a comunicação integrada: [...] é necessário que haja uma comunicação que integre, desenvolven- do-se de forma conjugada atividades de comunicação institucional (jornalismo, editoração, relações públicas, publicidade) e comunicação mercadológica (propaganda, promoção de vendas, exposições, treina- mento de vendas, etc.) formando o composto da comunicação. Segundo a autora, a comunicação integrada é conceituada como: [...] uma junção da comunicação institucional, da comunicação mer- cadológica e da comunicação interna, que formam o composto da co- municação organizacional. Este deve formar um conjunto harmonioso, apesar das diferenças e das especificidade de cada setor e dos respecti- vos subsetores. A soma de todas as atividades redundará na eficácia da comunicação nas organizações (KUNSCH, 2009, p. 115). Para os especialistas, a comunicação integrada visa estabelecer uma política glo- bal de unicidade comunicativa, como aponta Kunsch: A importância da comunicação organizacional integrada reside prin- cipalmente no fato de ela permitir que se estabeleça uma política glo- bal, em função de uma coerência maior entre os diversos programas comunicacionais, de uma linguagem comum de todos os setores e de um comportamento organizacional homogêneo, além de se evitarem sobreposições de tarefas. Com um sistema integrado, os vários setores comunicacionais de uma organização trabalham de forma conjunta, Comunicação Empresarial Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 tendo ante os olhos os objetivos gerais e ao mesmo tempo respeitando os objetivos específicos de cada setor. Trata-se de uma gestão coorde- nada e sinérgica dos esforços humanos e organizacionais com vistas na eficácia (KUNSCH, 2009, p. 180). Assim, a comunicação integrada tem sido utilizada para descrever a combina- ção das atividades que envolvem a propaganda, ações de marketing e a atividade dos relações públicas das organizações. Para muitos autores e estudiosos sobre o assunto, a propaganda é considerada umas das grandes responsáveis pela evolu- ção da comunicação para a comunicação integrada. Nesse contexto, entende-se que o objetivo da CIM é influenciar ou afetar diretamente o comportamento do público-alvo das comunicações (LUPETTI, 2007). Para Shimp (2002, p. 40): “a CIM considera todas as fontes de marca ou con- tatos da empresa que um cliente ou prospecto tem com o produto ou serviço como um canal potencial para divulgação de mensagens futuras”. Para o autor, a CIM faz uso de todas as formas de comunicação que serão relevantes para os clientes atuais e potenciais, e às quais eles devem ser receptivos. Em resumo, o processo da comunicação empresarial integrada se une a todo o processo comunicativo da empresa, como por exemplo a comunicação admi- nistrativa, comunicação interna e a comunicação mercadológica. O objetivo desse alinhamento resulta em determinare definir as formas e métodos por meio dos quais programas de comunicação persuasivos podem ser desenvolvidos, cujo o foco é atingir o cliente (SHIMP, 2002, p. 40). Quer saber mais um pouco mais sobre o conceito de comunicação empre- sarial integrada? Acesse o link a seguir e veja como a Professora Kunsch ex- plana sobre o assunto. Vale a pena conferir! < https://www.youtube.com/watch?v=XysYeQQ0xAg>. Fonte: o autor. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E104 CONSTRUINDO A POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL De acordo com Bueno (2009, p. 307): [...] a realidade tem demonstrado que, pelo menos no Brasil, as orga- nizações não têm se preocupado em definir de maneira sistemática e competente, diretrizes gerais e específicas de comunicação, interna- mente pactuadas e explicitamente indicadas, de modo a construir uma autêntica política de comunicação. Na verdade, em grande parte das organizações, as ações, estratégias e planos de comunicação estão respaldados em alguns pressupostos, nem sempre amplos ou adequados, que dependem mais do insigth ou do feeling de seus executivos do que de um esforço real para sistematizar conceitos e processos, consolidar pos- turas e projetar caminhos para o futuro (BUENO, 2009). Assim, cada dia torna-se cada vez mais difícil encontrar exemplos de políticas de comunicação empresarial escritas, documentadas e que sirvam de referên- cias e estejam efetivamente funcionando e que não estão apenas nas cabeças dos executivos, por exemplo. Política e plano de comunicação Para Bueno (2009, p. 310): [...] pode-se, simplificadamente, definir Política de Comunicação como um processo articulado de definição de valores, objetivos, diretrizes, normas e estruturas, que tem como finalidade orientar o desenvolvi- mento de ações, estratégias e produtos de comunicação para uma orga- nização, tendo em vista o seu relacionamento com os diversos públicos de interesse. De acordo com o mesmo autor, “a política de comunicação expressa mais do que uma simples intenção, ela tem a ver com o compromisso que a organização assume no sentido de promover o melhor relacionamento possível com os seus stakeholders” (BUENO, 2009, p. 310). Construindo a Política de Comunicação Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 A política de comunicação distingue-se do plano de comunicação porque este assume sempre uma característica prática, operacional, explicitando obje- tivos e metas a serem cumpridos num determinado período (BUENO, 2009). Em suma, o plano de comunicação é norteado pela política de comunicação, que preocupa-se com ações que visem o cumprimento de determinados objetivos, como por exemplo aumentar a visibilidade da empresa na mídia. Conforme Bueno (2009, p. 311), “a política de comunicação é, em princípio, datada, ou seja, ela está umbilicalmente vinculada ao seu tempo e, portanto, precisa ser continuamente atualizada”. Para o autor, algumas organizações acre- ditam que é possível manter, sem ajustes necessários, a política de comunicação por um longo tempo, ignorando as alterações drásticas ocorridas no mercado e no próprio universo da comunicação nos últimos anos. O autor ainda afirma que (2009, p. 311): [...] uma política de comunicação funda-se, especialmente, em alguns pressupostos básicos, como o vínculo obrigatório entre comunicação e processo de gestão, entre comunicação e cultura organizacional, a exis- tência de uma estrutura profissionalizada de comunicação e de recursos (humanos, financeiros, tecnológicos etc.) para sua implementação e a vontade política para colocá-la em prática e exigir o seu cumprimento. Construir uma política de comunicação empresarial é uma tarefa que exi- ge investimento, foco e dedicação por parte dos gestores das organizações. Não podemos nos esquecer, também, que é necessário disciplina gerencial e organizacional. Para saber mais, acesse o link disponível em: <https://prezi.com/ahrnqvtbt2ci/construindo-uma-politica-de-comunica- cao-empresarial/>. Fonte: o autor. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E106 Em suma, uma moderna política de comunicação, voltada para um foco de gestão que entregue resultados, deve incorporar propostas de diversidade cultural, de responsabilidade social em sua plenitude. Deve-se descartar as ten- tativas cosméticas de limpeza de imagem, como fazem algumas empresas do setor agroquímico, biotecnologia, saúde, tabagista e de armas, que assumem de forma definitiva a comunicação como estratégica. Para Bueno (2009, p. 312,) “não se pode pretender, também, dar curso a uma política de comunicação sem que a estrutura de comunicação que lhe dá suporte esteja profissionalizada, tenha um caráter multi e interdisciplinar”, ou seja, que contemple a comunicação em suas várias competências e as articule de forma adequada. [...] a política de comunicação não é apenas um indicativo de boa von- tade da organização para com os públicos de interesse, mas um com- promisso de mudança, um norte a ser seguido em termos de relaciona- mento com os stakeholders (BUENO, 2009, p. 313). De acordo com o mesmo autor: [...] a construção de uma política de comunicação deve apoiar-se, obri- gatoriamente, em uma série de etapas, necessariamente articuladas. Ela se inicia pela fixação de conceitos, objetivos, valores e princípios, que devem estar absolutamente claros e expressar fielmente a cultura da organização (BUENO, 2009, p. 314). O que comunicar, de que maneira, como, quando, que mensagem transmitir, são questionamentos que, sem dúvida, passam pela política de comunicação de uma empresa, e isso está atrelado à cultura política que rege o negócio desta empresa. Toda empresa tem uma imagem a zelar, e, nesse contexto, toda política de comu- nicação institucional possui um roteiro básico a ser seguido, que foi construído em cima de uma metodologia política de comunicação. Comunicação Interna e Processo de Gestão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 COMUNICAÇÃO INTERNA E PROCESSO DE GESTÃO Um estudo realizado pelas organizações de consultoria Watson Wyatt verificou que as empresas com programas mais eficazes de comunicação têm empregado aos acionistas um retorno de 91% nos anos de 2002 a 2006, em comparação a um retorno de 62% para empresas que se comunicaram de uma forma menos eficiente. Além disso, uma melhora significativa na eficácia da comunicação está associada a um aumento de 15,7% no valor de mercado. O mesmo estudo con- cluiu que “a questão central é que a comunicação com os funcionários não é mais uma função ‘não essencial’, mas uma função comercial que impulsiona o desem- penho e o sucesso financeiro de uma empresa” (ARGENTI, 2011, p. 39). De acordo com Leite (2006, on-line)1, a comunicação interna existe para aproximar e criar relacionamentos dentro de uma organi- zação, funcionando como um elo de ligação e interação entre departamentos e/ou funcioná- rios para que uma notícia ou informação circule pela empresa, sendo realizada de maneira verti- cal ou horizontal. Não existe um único modelo ou um modelo pronto que sirva de exemplo a ser seguido quando o assunto é política de comunicação empresarial. O que existem são planos que deram certo. Quer saber mais sobre como se cria um roteiro básico de uma políticade comunicação empresarial? Para isso, acesse o link disponível em: <http://politicadecomunicacao.ifes.edu.br/> Fonte: o autor. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E108 Em alguns casos, a comunicação interna é vista como uma prática de endo- marketing utilizada para aproximar donos e funcionários e integrá-los sob uma mesma ótica de estratégia na qual a empresa está inserida. Em uma empresa, as notícias e informações (mensagens) seguem diferentes caminhos e são transmitidas por diferentes canais, variado do tamanho da orga- nização, cultura de comunicação e também de acordo com o público. Em uma organização, existem colaboradores de diferentes níveis de escolaridade e que atuam nos mais variados setores que uma empresa pode possuir. Assim, o veí- culo ou canal de comunicação interna deve ser criteriosamente escolhido para que atinja o seu maior objetivo, que é levar a informação. O Processo de Gestão da Comunicação Interna De acordo com Kunsch (2003, p. 267), “a comunicação interna é um setor plane- jado com seus objetivos bem definidos para viabilizar toda a interação possível entre a organização e seus empregados”. Corroborando a ideia da autora, a comu- nicação interna só funciona efetivamente se sua circulação ocorrer em todos as departamentos da organização. Tavares (2007, p. 121) afirma que “a definição de comunicação interna abrange a comunicação da empresa para seus colaboradores”, por isso, ela pode ser sub- dividida em: ■ A comunicação entre departamentos, órgãos, unidades. ■ A comunicação entre pessoas dos mesmos departamentos, órgãos, unidades. ■ A comunicação entre chefias. ■ A comunicação entre funcionários e chefia direta, como supervisores e gerentes, e chefia indireta, como diretores e presidentes. Comunicação Interna e Processo de Gestão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 Conforme Tavares (2007, p. 25): [...] o gerenciamento de comunicação ajuda no gerenciamento de atitu- des: à medida que os funcionários passam a ter mais informações sobre o negócio da empresa, estarão mais motivados a tomar iniciativas nos processos de produção. Uma comunicação departamental mais eficiente pode trazer inúmeros benefí- cios para uma organização, porém ela precisa ser sólida. Nesse sentido, Argenti (2011, p. 172) afirma que “uma sólida comunicação interna - impulsionando a lealdade e a produtividade da força de trabalho - continuará a desempenhar um papel central na manutenção de funcionários e no sucesso geral da empresa”. Canais da Comunicação Interna Os canais da comunicação social da organização estão a serviço dos subsistemas técnicos e funcionais da organização, promovendo ação de grande utilidade para o reforço e a eficácia dos programas de segurança e higiene industrial, integração interna, relações trabalhistas, desenvolvimento organizacional, aperfeiçoamento dos recursos humanos, relações públicas externas, campanhas de produtividade, controle de qualidade, entre outros (TORQUATO, 2004). De acordo com Torquato (2004, p. 57), “os canais efetivos da comunicação social são os jornais, revistas, boletins periódicos, programas de rádio e TV de circuito interno”. Certamente que esses canais não são os únicos a serem utili- zados pelas organizações. Recentemente, mídias sociais como o Linkedin, Instagram, Facebook e apli- cativos de celulares como o Whatsapp, são ferramentas tecnológicas que também têm sido muito utilizadas pelas empresas. São instrumentos dinâmicos, instan- tâneos e com custo relativamente baixo. Isso os torna mecanismos bem atrativos para organizações, e seu uso é cada vez mais frequente. Porém, é válido dizer, mais uma vez, que a cultura da organização, em termos de comunicação, tem influência na escolha do canal correto. Para tanto, é necessário observar a carac- terística de cada um desses canais, conforme ilustra a figura 2, a seguir. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E110 Cada organização possui uma cultura quando o assunto é comunicação. Para tanto, a escolha do melhor canal vai resultar diretamente no desempe- nho da comunicação para atingir seu público. Acompanhe, no link a seguir, algumas dicas de canais de comunicação internos mais utilizados pelas or- ganizações. <http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Dicas/5720/seis-canais-de- -comunicacao-interna-rapidos-baratos-e-eficientes.html>. Fonte: o autor. Instrumentos de comunicação interna Periódicos • Jornal (newsletter) • Revista • Boletim • Folhetos • TV interna • Rádio empresarial • Integração de funcionários • Festas • Esportes • Cultura e educação (teatro, coral etc.) • Concursos internos • Premiações e brindes • Caixa de sugestões • Campanhas motivacionais • Intranet • Telefone • Quadro de avisos • Correio eletrônico • Manuais • Relatórios • Vídeos • Videoconferência • Conferências e seminários internos EventosComunicaçãooperacional Programa de incentivo Figura 2 - Instrumentos de comunicação interna Fonte: adaptada de Torquato (2004, p. 58). Comunicação Interna e Processo de Gestão Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 A escolha dos canais está associada ao porte da organização, à dimensão espacial de suas unidades centrais e periféricas, aos tipos de público que se quer atingir e à periodicidade das mensagens. Para Torquato (2004, p. 58): [...] o planejamento estratégico da comunicação levará em conta a na- tureza dos canais e sua integração aos canais das comunicações geren- ciais e administrativas. Isso significa que deve-se levar em conta a reali- dade de todas as formas de comunicação da organização. Sobre o conteúdo das mensagens internas transmitidas, elas devem abranger dife- rentes conteúdos e tipos de materiais, envolvendo todas as áreas possíveis (matérias institucionais, de motivação, de orientação profissional, educativas, associativas, entretenimento, questões do dia a dia, gerenciamento de crises, problemas ope- racionais e assuntos gerais) desde que sejam de interesse da organização. Importância da Comunicação Interna De acordo com Kunsch (2003), a comunicação interna é uma ferramenta estra- tégica para compatibilização dos interesses dos empregados e da empresa, por meio do estímulo ao diálogo, da troca de informações e de experiências e par- ticipação de todos os níveis. A qualidade da comunicação interna passa pela disposição da direção em abrir as informações; pela autenticidade, usando a verdade como princípio; pela rapidez e competência; pelo respeito às diferenças indi- viduais; pela implantação de uma gestão participativa, capaz de propi- ciar oportunidade para mudanças culturais necessárias, pela utilização das novas tecnologias; pelo gerenciamento de pessoal técnico especia- lizado, que realize efetivamente a comunicação de ir-e-vir, numa sime- tria entre chefias e subordinados (KUNSCH, 2003, p. 160). Para Torquato (2004, p. 54), a missão básica da comunicação é: [...] contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de um clima positivo, propício ao cumprimento das metas estratégicas da organi- zação e ao crescimento continuado de suas atividades e serviços e à expansão de suas linhas de produtos. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal eLei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E112 Ainda para o autor, essa missão só será atingida pela consecução integrada de metas temporais - definição de intenções a serem implementadas em espaços de tempos - e pela realização de diversos objetivos, dentre os quais se inserem os seguintes: ■ Motivar e integrar o corpo funcional na cadeia de mudanças organizacionais. ■ Criar climas favoráveis à mudança de realidade. ■ Contribuir para a alavancagem dos potenciais humanos. ■ Cristalizar os ideais de inovação e mudanças. ■ Oferecer maior transparência aos objetivos e às metas da organização. ■ Apoiar novos conceitos que impregnam o modelo de gestão que desta- cam a ideia de unidade. Em nossos dias, embora existam várias maneiras de se comunicar, obter conhe- cimentos e adquirir informações importantes, não estamos, necessariamente, exercendo a comunicação de forma precisa. Comunicação gera impactos no meio social que nem sempre são positivos. Uma informação “comunicada” de maneira errada pode criar desconfiança, constrangimentos, dúvidas, receio e confusão, além de criar uma imagem negativa do fato. Hoje, mais do que simples departamento, a comunicação tem um papel fundamental dentro das organizações. Ela desempenha uma atividade es- sencial que leva informação às pessoas. Quer saber mais sobre a importân- cia da comunicação interna nas organizações? Acesse: <http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2006/05/05/442402/ mportncia-da-comunicao-interna-nas-organizaes.html>. Fonte: o autor. Comunicação Integrada de Marketing Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 Por isso, comunicar de forma eficaz não deve ser somente uma preocupa- ção, e sim uma obrigação com a verdade baseada nos preceitos da moral e da ética com os envolvidos nesse processo, ou seja, a empresa e os funcionários. Ser demitido pela “rádio-peão” pode, por exemplo, criar um impacto negativo irre- versível na carreira de um trabalhador. Pense nisso! COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Caro(a) aluno(a), a comunicação está presente em todo o processo de marke- ting. Não há marketing sem comunicação e também não há comunicação sem o marketing. Ressaltamos aqui que o marketing não é uma função isolada den- tro da empresa, mas sim um princípio norteador de trabalho e a cultura de uma consciência que deve impregnar todos e cada um de seus sustentadores (stake- holders) e colaboradores, do presidente ao mais humilde funcionário (YANAZE et al., 2011). Como é de conhecimento de todos, o conceito central de marketing, de forma bem prática e resumida, pode ser entendido como atendimento de necessida- des do consumidor, aliados os objetivos da empresa em termos mercadológicos (retorno financeiro), de forma satisfatória para todos os envolvidos no processo. Essa e outras definições servem apenas para nos posicionarmos sobre um conceito que já é muito difundido por profissionais e alunos de cursos de mercadologia. Para você, caro(a) aluno(a), existe diferença entre comunicação e informa- ção? Se sim, que diferenças são essas? GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 O conceito central do marketing “comum” serve-nos aqui de trampolim para compreendermos o conceito integrado de comunicação de marketing. Um con- ceito muito conhecido de comunicação integrada de marketing é difundido por Schultz, Tannenbaum e Lauterborn, que definem o CIM como: [...] a necessidade de uma troca continuada de informações e de expe- riências entre o anunciante e o cliente. O anunciante procura e arma- zena informações sobre cada cliente individual num banco de dados. O cliente, através de transações, pesquisas e outros métodos, é estimu- lado a se comunicar de volta com o anunciante. Consequentemente os campos de experiência dos dois tornam-se maiores e mais proveitosos para ambas as partes. Esta abordagem do relacionamento é o centro da nossa filosofia das comunicações integradas de marketing (SCHULTZ; TANNENBAUM; LAUTERBORN, 1994, p. 31). Sob essa ótica de integração do gerenciamento de comunicação com objetivos de marketing, constitui-se então o conceito de comunicação de marketing inte- grada. A comunicação de marketing integrada (CIM) é parte do marketing e faz uso de algumas de suas ferramentas, conforme afirma Las Casas (2009, p. 386): [...] a comunicação integrada do marketing (CIM) é um sistema de ge- renciamento e integração dos elementos de comunicação de marke- ting- publicidade, assessoria de imprensa, promoção de vendas, marke- ting de patrocínio e comunicação no ponto de venda. A orientação é que todos os elementos comuniquem a mesma mensagem. É a peculiaridade de cada ferramenta que faz o processo de transmissão de cada mensagem ser eficiente e eficaz. Para tal, é necessário compreender quais estraté- gias devem ser adotadas, mediante orientação da organização, conforme afirma Correa (2004, p. 82-83): [...] a integração das ferramentas de comunicação escolhidas são fundamentais para criar o efeito sinérgico. Isto é, se o público recebe sempre a mesma mensagem (conteúdo) sob formas e meios diferentes (propaganda na TV, promoção no jornal, por exemplo), estaremos au- mentando as chances de ele absorver e memorizar a mensagem devido à sua consistência. Comunicação Integrada de Marketing Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 Para Kotler (2000, p. 533): [...] as ferramentas de comunicação de marketing são fundamentais para a criação da CIM. Compreender a funcionabilidade de cada um desses elementos abre um leque de grande oportunidades que podem trazer resultados bem interessantes. Assim, para o autor, as ferramentas que compõem a comunicação integrada de marketing são (KOTLER, 2000, p. 533): ■ Propaganda - forma paga de divulgação que tenha como objetivo apre- sentar e promover ideias, produtos ou serviços, de caráter não pessoal, subsidiada por um patrocinador. ■ Tipos de propaganda - há propaganda de produto, serviço, marca, insti- tucional, comparativa, corretiva, subliminar e documentário. ■ Promoção de vendas - são estratégias de marketing, efetivadas dentro e fora da mídia, em um período limitado, oferecendo suporte e incentivo a ações de venda pessoal (utiliza ferramentas de merchandising). ■ Tipos de promoção - amostragem, cupons de venda, brindes, descontos, bonificações, reembolsos, concursos, sorteios, garantias, promoção cru- zada e material no ponto-de-venda. ■ Relações públicas - variedade de esforços para criar e manter uma ima- gem positiva da organização com seus diversos públicos (trabalha também com a geração de publicidade). ■ Publicidade - comunicação gratuita de informações sobre a organização, produto ou serviço (muito utilizada nas pequenas empresas que geram notícia e inovação). ■ Venda pessoal - é a venda em si; busca a interação e o relacionamento pessoal com o cliente, visando apresentar soluções com base em benefí- cios percebidos e valores agregados. ■ Marketing direto - sistema interativo de comunicação que usa um ou mais meios de propaganda para obter uma resposta ou transação mensurável sem o uso de intermediários. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E116 ■ Categorias - propaganda ou promoção de resposta direta, telemarketing, venda diretae internet. De acordo com Shimp (2002, p. 40-43), “a comunicação integrada de marketing possui cinco características que podem ser classificadas como: o comportamento, o cliente ou prospecto, contato (público-alvo), sinergia e o relacionamento”, con- forme explica o quadro a seguir: Quadro 1 - Características do CIM Fonte: adaptado de Shimp (2002). Para Yanaze (2011, p. 418): [...] a comunicação integrada surge como uma moderna filosofia co- municacional, que procura aproximar as modalidades da comunicação organizacional, ou seja, a comunicação administrativa, interna, merca- dológica e institucional, visando melhorar a eficácia comunicacional, minimizando e concentrando os esforços investidos neste setor. De acordo com o autor, “a comunicação de marketing encontra-se presente em todas as fases de um processo organizacional, representado pelo fluxograma inputs, throughputs, outputs” (2011, pg. 417), mais conhecidos como os 3 puts, conforme ilustrado pela figura a seguir: Comportamento A aplicação bem-sucedida da CIM exige que os esforços pro- voquem uma resposta comportamental, ou seja, que leve as pessoas à ação. Cliente ou prospecto A comunicação se inicia com o cliente para determinar os méto- dos de comunicação que melhor atendem às necessidades de informação do cliente e o motivem a comprar a marca. Contato Reflete a disposição de usar qualquer meio de comunicação para alcançar o público-alvo, em lugar de assumir um pré-com- prometimento com um único veículo. Sinergia Todos os elementos de comunicação devem falar uma lingua- gem única para se atingir uma imagem de marca forte e para levar os consumidores à ação. Relacionamentos É mais lucrativo construir e manter relacionamentos do que buscar novos clientes. Comunicação Integrada de Marketing Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 Empresa Informações Tecnologia / Know-how Cultura Organizacional Clima empresarial Logística Recursos Financeiros • Investimento • Capital de giro Recursos Humanos • Administrativos • Operacionais Recursos Materiais • Infraestrutura • Equipamentos • Matéria-prima • Insumos • Embalagens • Veículos • Outos Processos • De produção • De compras Sistemas • Administrativos • Financeiros • Contábeis Políticas de • Gestão • Vendas • Lucro • Relacionamento com a comunidade • Produto/Serviços • Preço/Remuneração • Distribuição/Vendas • Comunicação ThroughputsInputs Outputs Figura 3 - Fluxograma sistêmico de uma empresa Fonte: adaptada de Yanaze (2011). Conforme o mesmo autor, os outputs que uma empresa disponibiliza para o mer- cado são resultados de uma eficiente e eficaz interação de inputs e throughputs. Por essa ótica, a comunicação de marketing é um fator crucial para se atingir um objetivo pré-estabelecido em termos de marketing, e um dos fatores deter- minantes para que se alcance êxito. A Comunicação de Marketing é um processo complexo e contínuo. Comple- xo pelo fato de existirem várias ferramentas que podem ser utilizadas para alcançar os objetivos de marketing estabelecidos, como por exemplo as re- des sociais. Contínuo, pois a comunicação de marketing é algo que precisa ser constante, massivo e inteligente se quiser alcançar êxito na interferência de mudança de opinião dos consumidores. Fonte: o autor. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E118 ADMINISTRAÇÃO DA IMAGEM ORGANIZACIONAL Um dos maiores patrimônios de uma instituição é constituído pelo seu nome, pela marca de seus produtos e pela imagem que projeta. Uma empresa ou pro- duto, pertença à categoria de bens de consumo ou à de bens duráveis, possui uma identidade e uma imagem. Para Torquato (2004, p. 97), “ao se comunicar com seus consumidores, uma empresa está levando a mensagem de seu nome. E quando adquire um produto, na verdade, o consumidor está adquirindo um conceito globalizante de identidade e imagem”. De acordo com Torquato (2004, p. 163): [...] por imagem, deve-se entender aquilo que a empresa deseja pro- jetar. Diferencia-se, portanto, da identidade. Identidade é o caráter, o conceito básico, a personalidade da organização. A imagem é a exten- são (a sombra) dessa identidade. Para Cahen (1990, p. 57), “imagem é o conceito que as pessoas têm ou for- mam sobre determinadas coisas, podendo ser pessoas, produtos ou empresas”. Churchill e Peter (2000) afirmam que a imagem pode ser definida como tudo o que os consumidores pensam sobre uma determinada empresa ou organização. Kotler (2000, p. 413) usa um conceito bem comum para definir a imagem como: [...] o conjunto de crenças, ideias e impressões que uma pessoa man- tém em relação a um objeto. E as atitudes e as ações de uma pessoa em relação a um objeto são altamente condicionadas pela imagem desse objeto. Complementando esses conceitos, De Toni e Schuler (2007, p. 134) trazem uma complementação, dizendo que: [...] a imagem congrega sensações, emoções, percepções, conceitos, sentimentos, informações, ideias, ideais, impressões, suposições e ex- pectativas, sendo que a constituição de uma imagem depende da forma específica pela qual um indivíduo ou grupo trata as informações obje- tivas colhidas do contato com o objeto da imagem. Administração da Imagem Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 Por isso, gerir uma imagem é algo muito importante. É pela imagem (impressão) que muitos negócios são fechados. Imagem transmite segurança. De Toni e Schuler (2005) apresentam três fatores que atuam no processo de formação e construção da imagem: ■ Imagem enquanto representações mentais. ■ Imagem enquanto representações sociais. ■ Imagem como uma perspectiva do marketing. De acordo com De Toni e Schuler (2007, p. 134), “o método de construção de imagens por representações mentais depende do ponto de vista do público alvo”, ou seja, cada indivíduo tem uma maneira de construir e processar as informações baseado em modelos mentais próprios da representação interna. Basicamente é a forma como o indivíduo enxerga e vê o mundo que o cerca. O processo de formação de imagem baseada na influência social basicamente se dá pela atividade social que cada indivíduo tem. Em síntese, é dizer como o indivíduo, enquanto ser social, se relaciona com os outros seres pertencentes a uma determinada sociedade, cuja principal função é: [...] servir como um mecanismo de defesa pessoal para aquilo que lhe é desconhecido, uma vez que, fazendo uso de tais recursos, o indiví- duo tem a sensação de que a realidade não se encontra totalmente fora do seu controle, que as inferências, as recuperações que faz sobre as experiências individuais ou sociais acumuladas na sua memória lhe dão poder e controle, lhe reconforta diante do novo, do desconhecido (SOUZA, 2006, p. 48). Na construção da imagem baseada por aspectos de marketing ou ações mercado- lógicas, funde-se, de maneira muito comum, os conceitos de imagem da empresa e imagem de marca. É válido dizer que, embora pareçam a mesma coisa, exis- tem diferenças básicas entre esses conceitos. Imagem da marca é simbologia, é algo que mexe com a emoção. É algo mais cognitivo com ligação mais direta com o produto. A imagem da empresa é construída por meio da representação de suas atitudes ecomportamento perante seu público, que podem ser avalia- das por meio de seu desempenho. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E120 Como podemos ver, os conceitos de imagem se convergem em um único sentido, em que a imagem de uma organização é o resultado de uma série de conjuntos formados na mente do público, que é construída por meio de ações de comunicação, para divulgar um produto, um serviço ou a política de uma empresa e seu relacionamento com o mercado. Nesse contexto, concluímos que a imagem pode ser tratada como o resul- tado de uma avaliação feita por consumidores, sobre as ações da organização, por meio da comunicação. Ressaltamos que a imagem que uma empresa possui ou tenta vender para seu público pode ser, em alguns casos, compreendida de forma diferente, ou seja, pode haver uma imagem totalmente diferente na mente do consumidor. A imagem é construída na mente do consumidor de várias for- mas comunicacionais que nem sempre entregam os resultados que prometem. Por isso, cuidar, gerenciar e administrar uma imagem é algo que precisa ser levado com seriedade por parte das organizações. Como já vimos, a comunicação nem sempre é o que se fala, mas sim o que o outro compreende. Essa afirmação também se aplica à imagem da empresa. Ao gerenciar, administrar ou monitorar a sua imagem organizacional, a empresa não está só se mostrando preocupada em como o consumidor a vê, mas é uma forma estratégica de coibir possíveis falhas de percepção e fazer os ajustes que sejam necessários e pertinentes. Quando uma organização sabe como é vista por seu público, fica muito mais fácil propor soluções estratégicas de reposi- cionamento da marca ou uma ação específica, por exemplo. Gerenciar a imagem de uma orga- nização passou a ser considerada uma ferramenta estratégica, e não mais como mero instrumento de comu- nicação. A imagem é um elemento de competitividade atrelado à gestão de marketing e comunicação. Nesse sen- tido, deve-se explorar cada elemento para se buscar um relacionamento Administração da Imagem Organizacional Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 cada vez mais aprofundado com o cliente. De acordo com Kotler (2003, p. 381), a “empresa moderna e seus agentes estão em comunicação contínua com clien- tes, fornecedores, banqueiros, governo e o público em geral”. Nesse sentido, a comunicação, como instrumento no gerenciamento e cons- trução de uma imagem organizacional, deve abranger os níveis internos e externos. Na comunicação externa, a comunicação denota-se de forma persuasiva e envolve publicidade, promoção e o marketing direto. De acordo Kotler (2003, p. 381), “a comunicação persuasiva acontece quando um emitente conscientemente desenvolve sua mensagem no sentido de conseguir um efeito calculado sobre a atitude e/ ou no comportamento do público visado”. Ocorrendo por meio da comunicação externa, para Kotler (2003, p. 30) “promoção é a parte da comunicação que se compõe das mensagens destina- das a estimular as pessoas a tomar consciência dos vários produtos e serviços da empresa, interessando-se por eles e comprando-os”. Para o gerenciamento da imagem, no âmbito da comunicação interna, as orga- nizações perceberam que para o bom desempenho de sua imagem junto a seu público, de maneira geral, desenvolver projetos sociais, programas de relaciona- mento com colaboradores e público interno, criar planos de relacionamento de crise, são soluções que podem apresentar um grande diferencial frente a concor- rência. Ou seja, ações como essas demonstram a preocupação que a organização possui com o meio social no qual está inserida. Imagem: é o que passa na cabeça das pessoas, em sua mente, seu imaginá- rio. Identidade: é o que a organização é, faz e diz. (Margarida Maria Krohling Kunsch) GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E122 Em síntese, seja internamente ou externamente, gerenciar e/ou adminis- trar uma imagem não é algo tão simples quanto parece. Tal atividade requer das organizações esforço e comprometimento para se atingir os objetivos que são estabelecidos. Mais do que transparecer uma imagem na mente do consumidor, essa imagem deve responder a todas as expectativas que os stakeholders buscam. Mais do que uma imagem, as empresas e organizações têm uma reputação a zelar. A imagem que uma organização tem perante seu público pode determinar seu fracasso ou sucesso. Portanto, cuidar da imagem é mais do que uma neces- sidade. É uma obrigação! COMUNICAÇÃO DIGITAL E NOVAS MÍDIAS INSTITUCIONAIS A implantação de plataformas digitais nas organizações, dentro dos novos para- digmas oferecidos pela estruturação de redes e das novas tecnologias, trouxe grandes transformações na gestão da comunicação (YANAZE, 2011). Dentro dos contextos das organizações, é possível notar primeiro o cres- cimento exponencial de produtos e serviços digitais que são oferecidos a um público também exponencialmente crescente de conectados. Diante desse cená- rio, é importante observar que o impacto das tecnologias digitais no contexto Passar uma imagem positiva para a sociedade em geral é, sem sombras de dúvidas, uma das maneiras mais eficientes para se atrair colaboradores com alto nível de qualificação técnica. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/2297/1/MO- NOGRAFIA%20Stephanie%20Fortes.pdf>. Fonte: o autor. Comunicação Digital e Novas Mídias Institucionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 das organizações está na comunicação que, em rede, deixa de ser essencialmente informativa e se fortalece como estratégia de relacionamento. Para Yanaze (2011, p. 477): [...] a interatividade se torna o pressuposto essencial para estabelecer uma comunicação relacional com os conectados, que por sua vez, não são mais reconhecidos como massa ou público, mas como comunida- des e coletividades conectadas e protagonistas da própria comunicação. O ambiente digital, também chamado de ambiente 2.0, basicamente precisa estar integrado com as várias áreas da empresa. Só assim será possível utilizar a comunicação de forma estratégica e fazer com que ela traga resultados, con- forme enfatiza Saad (2009, p. 332): A atividade de comunicação digital nos ambientes corporativos exige a integração e ações coordenadas de áreas como tecnologia da informa- ção, desenvolvimento e treinamento de pessoas, os diferentes negócios em seus níveis operacionais, além da própria comunicação corporativa. Um grupo integrado que deverá constantemente dialogar com desig- ners, sistemas de agregação e indexação de conteúdos, fornecedores de fluxos informativos, entre outros. Nesse sentido de conectividade, a comuni- cação, que outrora era feita por canais mais comuns, hoje também passa a ser digital e tem nas novas mídias digitais uma forma institucional de se transformar. Hoje, regis- tra-se o emprego de tecnologias interativas para otimização da comunicação digital, seja ela de forma interna ou externa. As platafor- mas digitais também ganham cada vez mais espaço de utilização dentro das organizações. Yanaze (2011, p. 480) ressalta que: “considerar as plataformas digitais de comunicação como ferra- mentas que podem garantir o sucesso da comunicação paraa or- ganização [...] é um grande risco, pois a atuação digital também pode ser limitada e até equivocada”. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E124 De maneira simples, podemos definir que a comunicação digital é a comuni- cação realizada por meio de ferramentas tecnológicas, ou seja, é uma comunicação feita por meio da internet, fazendo-se valer das ferramentas como as mídias sociais, blogs, sites e afins. Corroborando essa ideia, Yanaze (2011, p. 480) afirma que: [...] a comunicação digital remodela a essência da comunicação ao que- brar os clássicos paradigmas dos modelos tradicionais utilizados pela comunicação, redefinindo, então, a relação existente entre quaisquer agentes sociais, inclusive a relação entre a organização e seu ambiente de negócios. De acordo com Corrêa (2009, p. 321): [...] o processo de comunicação digital nas organizações necessita ser compreendido de uma maneira mais aprofundada e não somente à simples existência de um sítio na internet ou a uma comunicação inter- na feita por meio do correio eletrônico. Mas quais são as novas mídias institucionais que auxiliam as organizações na propagação da informação, por meio da comunicação digital? Mídias institu- cionais tratam dos meios de comunicação diversificadamente estruturados para a comunicação institucional interna ou externa de uma empresa. No meio digi- tal, podem ser consideradas mídias institucionais internas: ■ Portais de intranet (contêm informações corporativas e conteúdos de interesse geral). ■ Call center (atendimento geral). ■ Banners. ■ Links patrocinados. ■ Correio eletrônico. ■ Jornais. ■ Newsletter. Comunicação Digital e Novas Mídias Institucionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 As mídias externas são usadas de forma mais ampla e visam atingir um público com maior eficiência, ou seja, os stakeholders da organização. No ciberespaço, como aponta Lévy (1999), há a possibilidade de se construir relacionamento e interagir institucionalmente por meio de: ■ Portais. ■ Sites. ■ Blogs. ■ Redes Sociais. ■ Aplicativos. ■ Jogos. Esses e outros canais não mencionados são apenas alguns dos modelos a serem usados e exemplificados como mídias para uso com fins comerciais e institucio- nais de informação e interação de empresas com seu público. Porém, caberá a cada gestor, compreendendo o segmento de negócio, o perfil de cliente e a forma estratégica, fazer a escolha certa da mídia, para que ela possa atingir os objeti- vos pré-estabelecidos pela organização. As redes sociais, a exemplo de Facebook, Snapchat, Periscope, Instagram, Twitter e Youtube, são exemplos de plataformas digitais aptas à constituição de interação entre usuários com interesses comuns ou convergentes nos mais varia- dos campos (MARTINUZZO, 2013). É importante observar que esses meios de comunicação guardam peculiaridades cruciais para a comunicação organiza- cional. São participativos, implicando em uma forma comunicacional dialógica, como por exemplo o eco de postagens em redes sociais nas mídias impressas e televisivas. As mídias digitais estão no centro de uma revolução nos processos comunicacionais contemporâneos. Tantos as novas mídias digitais internas quanto externas têm como objetivo levar a informação. Podemos dizer que o objetivo maior é criar uma base, ainda que seja mínima, para relacionar-se com os stakeholders. As mídias representam GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E126 uma ferramenta aliada para as organizações. Seu uso eficaz e eficiente pode tra- zer grandes benefícios para uma empresa, além, é claro, de visibilidade para a organização em termos de mercado, frente aos concorrentes, e também um dife- rencial estratégico. POTENCIALIZANDO A COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES Caro(a) aluno(a), buscar uma comunicação eficiente e eficaz é, sem sombra de dúvidas, o desejo de todas as organizações no mundo corporativo. Os resulta- dos que uma comunicação bem administrada pode trazer são inúmeros. Por isso, as empresas estão cada vez mais atentas sobre que caminho seguir quando o assunto é comunicação empresarial moderna. De acordo com Martiniano (2007, p. 156): [...] a má comunicação traz desgastes nas relações, agressões verbais, perda de tempo com retrabalho, mal entendidos, suscetibilidades afe- tadas, perda de motivação e estresse. Liderar é comunicar, para atingir os objetivos da empresa. Dessa forma, preocupar-se com uma comunicação mais efetiva e potencialmente inteligente é o desafio de gestores de áreas de comunicação no Brasil e no mundo. Entender a comunicação como fer- ramenta estratégica e potencializar sua atuação pode trazer muitos benefícios para a organização, além de torná-la referência. Potencializando a Comunicação nas Organizações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 Um grande exemplo de potencialidade de comunicação no Brasil está na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que se tornou uma referência de gerenciamento na comunicação institucional interna e externa. Para Bueno (2009, p. 321): [...] a EMBRAPA possui uma cultura de comunicação moderna, des- centralizada, e de uma estrutura profissionalizada que congrega hoje quase uma centena e meia de comunicadores, entre jornalistas, relações públicas, publicitários, designers e outros. Para se ter uma ideia de como a EMBRAPA potencializa sua comunicação, basta lembrar o quanto a instituição leva a sério essa área tão importante, conforme afirma Bueno (2009): [...] a EMBRAPA possui dezenas de profissionais com mestrado, dou- torado e especialização na área, superando inclusive, em muitos casos, em função da capacitação profissional, algumas universidades brasi- leiras que ofertam cursos de Comunicação. Poucas são as instituições de ensino superior no Brasil que podem contar com tantos mestres e doutores em comunicação como a EMBRAPA, fato que só reforça sua condição de excelência na área (BUENO, 2009, p. 321). Potencializar a comunicação nas organizações não é simplesmente fazer o uso de instrumentos e ferramentas como o Instagram, Facebook, Twitter, Pinterest, Youtube, Whatsapp, WebSite, sistemas de gerenciamento para relacionamento (Sistemas ERP), e-mail, intranet, newsletter, murais e etc. de maneira não pla- nejada. Potencializar, neste quesito, é aumentar a capacidade que as ferramentas de comunicação possuem, ou seja, extrair delas o máximo de resultados que podem entregar. Ter uma página no Facebook simplesmente para se fazer presente no mundo virtual pode, por exemplo, se tornar uma dor de cabeça para a empresa, caso ela não tenha pessoas preparadas para dar prosseguimento às solicitações e deman- das que essa ferramenta levantará junto a seu público. É preciso uma sincronia de planejamento comunicacional em prol de objetivos comuns estabelecidos pela organização. O Facebook é uma ferramenta que irá potencializar os pon- tos fortes, por exemplo, ou o mal atendimento prestado pela empresa, já que o mesmo tem o poder de evidenciar os problemas, causando grande prejuízo para a organização. GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E128 Dessa forma,para potencializar e melhorar a efetividade da comunicação, é necessário torná-la mais consistente, clara, frequente, instantânea e completa. Com essa metodologia de entendimento sobre potencializar comunicação fica muito mais mensurável e segura a forma de avaliar resultados desejados pela organização. De acordo com Martiniano (2007, p. 167) uma outra forma de poten- cializar a comunicação é: ■ Focar no público alvo (quem é o destinatário). ■ Compreender a importância da mensagem (qual é o seu objetivo). ■ Mensagem deve ser simples, curta e direta. ■ Evitar conteúdos prolixos. ■ Escolher o canal correto em que a mensagem será transmitida. ■ Ter/possuir domínio das ferramentas/instrumentos escolhidas(os). ■ Transmitir valores e segurança. Caro(a) aluno(a), é válido lembrar que a comunicação é uma ferramenta que nunca pode ficar parada e engessada. Ela deve acompanhar a evolução que a sociedade está vivendo, seja por meio de uma mídia social ou simples jornalzi- nho interno. E lembre-se: se não estiver preparado(a), não faça! A comunicação interna, além de outros objetivos, tem como foco potencia- lizar e melhorar a qualidade das informações. Essa melhora de qualidade na comunicação resulta em um melhor desempenho dos colaboradores frente às suas atividades. Para saber mais, a cesse o link disponível em: <http://www.infonet.com.br/educacao/ler.asp?id=115204&titulo=espe- cial>. Fonte: o autor. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Usar uma ferramenta como uma rede social, por exemplo, simplesmente para dizer que a empresa tem um canal de relacionamento com o cliente diferenciado, sem que a organização esteja totalmente pronta - isso inclui da produção até o cafezinho que é servido - pode potencializar a propaganda contra a empresa. Por isso, é muito importante que a cultura de comunicação seja difundida entre todos os setores, profissionais e áreas da empresa. É necessário que todos os envolvidos no processo saibam para onde a empresa está caminhando. Quando todos sabem que direção tomar, fica muito mais fácil desempenhar as tarefas. Sempre que possível, reavalie, altere, modifique e submeta os planejamentos de comunicação e sua potencialização a análises que mostrem os resultados obtidos até então. Resultados são as métricas que norteiam o bom funcionamento de toda organização. Como diriam os mais antigos, é pelo fruto que se conhece a árvore. CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade. A unidade III nos permitiu compreender de maneira mais consistente um pouco mais sobre a comu- nicação integrada e a importância de se construir uma política de comunicação empresarial estruturada. Hoje, podemos destacar que as políticas de comunica- ção, em grande parte das empresas, ainda estão em processo embrionário. Mas mesmo de forma lenta, elas vêm avançando e já são uma preocupação para os gestores. Toda empresa possui uma imagem que deve ser preservada, e nada mais interessante do que possuir uma política de comunicação com diretrizes e estrutura para ajudar os gestores a guiarem a comunicação. Vimos também como a comunicação interna deve ser estruturada, bem como as ferramentas utilizadas para o seu funcionamento, além, é claro, de com- preender a sua relação com a comunicação integrada de marketing. Em nosso material, buscamos também mostrar a você, caro(a) aluno(a), a importância de se administrar e gerenciar a imagem de uma organização. Uma empresa pode GESTÃO ESTRATÉGICA DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E130 levar anos para construir uma imagem de solidez, transparência e segurança, e segundos para ver essa imagem ir para o ralo, em muitas vezes, por exemplo, por atendimento mal prestado por algum colaborador. Para tanto, hoje as empresas veem nas mídias digitais uma maneira rápida e interativa de se relacionar com seus clientes e stakeholders de maneira mais intensa, minimizando assim eventuais riscos sobre reclamações ou discussões mais profundas sobre determinado tema, ou até, quem sabe, criando mais opor- tunidades de negócios. Nesse sentido, potencializar o uso da comunicação para as organizações é algo que merece destaque e investimento. O uso estratégico da comunicação para as organizações tem se mostrado uma ferramenta que contribui, e muito, para o aumento no faturamento das empresas. 131 1. Durante muito tempo, a comunicação empresarial foi vista por muitos empre- sários e organizações sob uma ótica unilateral e simplista. Muitos gestores não acreditavam na força e no poder que a comunicação tinha (e tem) dentro das empresas. Os anos passaram, a cultura com relação à comunicação mudou e evoluiu desta ótica de processo simples para algo mais complexo. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que corresponda à forma de seg- mentação e de atuação da comunicação em seus primórdios: a. Comunicação de marketing e comunicação institucional. b. Comunicação Interna e comunicação externa. c. Comunicação institucional. d. Comunicação jornalística. e. Comunicação de marketing, comunicação institucional e comunicação interna. 2. De acordo com Kunsch (2009), a integração da comunicação é algo crucial para se obter êxito em todas as ações da empresa. Hoje, a comunicação é algo que pode ser visto como uma ferramenta de uso estratégico e que entrega resulta- dos bem interessantes para a organização. Sobre a comunicação ser usada como ferramenta de uso estratégico, é necessário que exista a integração de ações en- tre: ( ) A área de Relações Públicas. ( ) A área de Propaganda. ( ) A área de compras. ( ) A área de promoção de Vendas. ( ) A área financeira. Assinale a alternativa que corresponda à ordem correta das alternativas ci- tadas: a. F, V, F, V, F. b. F, F, F, V, V. c. V, V, F, V, F. d. V, V, V, F, F. e. V, F, V, F, V. 132 3. Em nosso material de estudo, vimos o quanto é importante administrar a ima- gem de uma empresa. Compreendemos que imagem é o conceito que as pes- soas têm ou formam sobre determinadas coisas, podendo ser pessoas, produtos ou empresas. Churchill e Peter (2000) afirmam que a imagem pode ser definida como tudo o que os consumidores pensam sobre uma determinada empresa ou organização. Contudo, existem três maneiras para se construir uma imagem: a imagem enquanto representações mentais, a imagem enquanto representações sociais e a imagem como uma perspectiva do marketing. Sobre a construção da imagem por representação social, ela tem como: I. Principal função servir como um mecanismo de defesa pessoal para aquilo que lhe é desconhecido, uma vez que, fazendo uso de tais recursos, o indi- víduo tem a sensação de que a realidade não se encontra totalmente fora do seu controle. II. Que as inferências, as recuperações que faz sobre as experiências individuais ou sociais acumuladas na sua memória lhe dão poder e controle, lhe reconfor- tam diante do novo, do desconhecido. Assinale a alternativa correta: a. As asserções I e II são proposições falsas. b. A asserção I está correta e a proposição II é falsa. c. A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. d. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. e. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II não é justificativa da I. 4. A comunicação como instrumento para auxílio na construção de uma imagem organizacional deve abranger os níveis internos e externos. Na comunicação externa, a comunicação denota-se de formapersuasiva e envolve publicidade, promoção e o marketing direto. Com base nessa afirmação, responda: A) Como pode ser entendida a comunicação persuasiva? B) Como a comunicação persuasiva envolve a promoção? 5. A comunicação digital remodela a essência da comunicação ao quebrar os clás- sicos paradigmas dos modelos tradicionais utilizados pela comunicação, rede- finindo, então, a relação existente entre quaisquer agentes sociais, inclusive a relação entre a organização e seu ambiente de negócios. Com base nessa afir- mação, como pode ser definida a comunicação digital em nossos dias? 133 NOVAS MÍDIAS CRIAM OUTROS NICHOS NA COMUNICAÇÃO Marcos Strecker é o responsável pelo gerenciamento de 23 canais no Twitter, algumas páginas no Facebook, e, como ele mesmo diz, “permanece conectado a maior parte do tempo”. O jornalista, editor de Redes Sociais do jornal Folha de S. Paulo, representa em termos práticos a importância que sites como Orkut, Facebook e Twitter têm para o dia a dia de um veículo de comunicação. Apesar de ser um cargo novo no Brasil, diversas empresas internacionais já tratam as re- des como uma editoria própria. É o caso do The New York Times e CNN (Estados Unidos) e da BBC (Inglaterra). “Essa é uma importância crescente. Os jornais não podem mais ignorar as mídias sociais, e os jornalistas não podem mais ficar fora das redes”, afirma Strecker, também autor do recém-lançado “Na Estrada”, livro sobre o cineasta Walter Salles que mistura análise e biografia. E pensar em um sentido funcional para as redes sociais não deixa de ser interessante. Se elas a princípio foram criadas com o intuito de entreter - e de comunicar -, Strecker hoje vê peculiaridades de diversas áreas que rondam os perfis virtuais. “Acho que as redes têm a ver com extroversão, curiosidade, flexibilidade e humor. Talvez os brasileiros tenham muito a ensinar sobre isso. Mas os norte-americanos podem agora dar uma grande contribuição para as mídias sociais, além da excelência técnica que de monstram tão bem, ao acrescentar sentido prático e visão econômica. Talvez isso explique porque o Facebook está crescendo tão rapidamente e porque o Twitter está se tornando um instrumento de comunicação essencial”, conta o jornalista. O uso contínuo e mais intenso dessas mídias poderia, inclusive, propiciar uma nova for- ma de relacionamento entre as pessoas. E aí, possíveis problemas. “Mídias sociais são fundamentais nessa nova modalidade de comunicação. Isso traz perspectivas fascinan- tes, mas riscos também. A perda da privacidade é apenas um deles”, diz Strecker, citando os teóricos Pierre Lévy (que vê a possibilidade de uma inteligência coletiva proporcio- nada pelas redes) e Andrew Keen (para quem a banalização da informação tem caráter autoritário). Fonte: Castilho (2010, on-line)2. MATERIAL COMPLEMENTAR 134 O Estrategista em Mídias Sociais Christopher Barger Ano: 2013 Editora: DVS Editora Sinopse: profi ssionais designados a trabalhar com mídias sociais em grandes empresas precisam lidar com desafi os específi cos a esse tipo de companhia. Além da análise de dados coletados nas redes, da produção de conteúdo de qualidade e da interação com o público, é necessário que o responsável pela área possua atributos que lhe permitam aproveitar os recursos da organização e driblar a burocracia para obter resultados rápidos, já que velocidade faz parte da dinâmica desse meio. Em “O Estrategista em Mídias Sociais”, o autor Christopher Barger consolida no livro sua bem- sucedida experiência como diretor de mídias sociais em duas gigantes: General Motors e IBM. Em ambos os casos, o trabalho de Barger recebeu grande reconhecimento das mídias especializadas em Relações Públicas, marketing e administração, que passaram a considerar as empresas dentro do grupo das que melhor utilizam as mídias sociais. Desse modo, a obra se confi gura como uma fonte de informação originada dentro do ambiente corporativo, para o qual também é voltada. Ou seja, Barger não fala apenas como um analista que enxerga caminhos sobre como o investimento em mídias sociais pode trazer retorno fi nanceiro e em termos de fortalecimento da marca, mas também como alguém que implementou ideias que deram certo. A leitura do livro oferece a profi ssionais e líderes da área de comunicações ou de marketing dentro de uma grande organização um ponto de partida para o trabalho em mídias sociais. Começar do zero pode signifi car cometer erros facilmente evitáveis. Quanto Tempo o Tempo Tem Ano: 2016 Sinopse: o tempo é um bem precioso, principalmente nos dias de hoje num mundo acelerado em que a globalização e a tecnologia geram a crescente produção de estímulos e informações. As redes sociais permitem que as pessoas estejam em todos os lugares ao mesmo tempo. Mas a sensação de que o tempo parece cada vez mais curto só aumenta. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Mensurar resultados é o que toda empresa busca. Criar estratégias por meio de um plano de comunicação pode tornar sua empresa muito mais competitiva do que você imagina. Para saber mais, acesse o link disponpivel em: <https://www.santandernegocioseempresas.com.br/detalhe-noticia/use-a-comunicacao-como- um-diferencial-competitivo.html>. A gestão da comunicação e as mídias sociais. Como planejar o uso de ferramentas tão importante em nosso dias. Para saber mais, acesse o link disponpivel em: <https://www.youtube.com/watch?v=DkDDU7VPCSw>. REFERÊNCIAS ARGENTI, A. P. Comunicação empresarial: a construção da identidade, imagem e reputação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. BUENO, W da C. Comunicação empresarial: políticas e estratégias. São Paulo: Sa- raiva, 2009. CAHEN, R. Comunicação empresarial. São Paulo: Best Seller, 1990. CHURCHILL, G. A; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2000. CORRÊA, R. Contato imediato com planejamento de propaganda. 9. ed. São Pau- lo: Global, 2004. CORRÊA, E. S. Comunicação digital e novas mídias institucionais. In: KUNSCH, M. M. K. (Org). Comunicação organizacional: história, fundamentos e processos. v. 1. São Paulo: Saraiva, 2009. DE TONI, D; SCHULER, M. Gestão da imagem: desenvolvendo um instrumento para a configuração da imagem do produto. 2005. 268 f. Tese (Doutorado em Administra- ção) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRS, Porto Alegre, 2005. ______. Gestão da imagem: desenvolvendo um instrumento para a configuração da imagem de produto. Revista de Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 11, n. 4, p. 131-151, out./dez. 2007. KOTLER, P. Marketing de A a Z: conceitos que todo profissional precisa saber. Rio de Janeiro: Campus, 2003. ______. Administração de marketing. 10. ed. Trad. Bazán Tecnologia e Linguística. São Paulo: Prentice Hall, 2000. KUNSCH, M. M. K. (org.). Comunicação organizacional: história, fundamentos e processos. v. 1 e 2. São Paulo: Saraiva, 2009. ______. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Pau- lo: Summus, 2003. LAS CASAS, A. L. Administração de marketing: conceitos, planejamento e aplica- ções à realidade brasileira. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LÉVY, P. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. LUPETTI, M. 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Acesso em: 25 maio 2016. GABARITO 1. E. De acordo com Neves (2015), “durante muito tempo, a comunicação empresarial clássica se segmentou em três conjuntos de esforços”: I. Comunicação de Marketing, para cuidar da marca, dos produtos e serviços e basicamente voltada para clientes e consumidores. II. Comunicação Institucional, que tratava da empresa e se dirigia principal- mente para formadores de opinião e à opinião pública em geral. III. Comunicação Interna, voltada para o público interno (funcionários e familiares). 2. C. Compartilhar e integrar pessoas, processos, informação e tecnologia, é um dever que a comunicação precisa ter. Para Kunsch (2009, p. 107), para que exista a co- municação integrada “é necessário que haja uma comunicação que integre, desen- volvendo de forma conjugada atividades de comunicação institucional (jornalismo, editoração, relações públicas, publicidade) e comunicação mercadológica (propa- ganda, promoção de vendas, exposições, treinamento de vendas etc.) formando o composto da comunicação”. Dessa forma, a disposição das marcações de verdadeiro ou falso fica assim: c) V, V, F, V, F. 3. D. O processo de formação de imagem baseada pela influência social basicamente se dá pela atividade social que cada indivíduo possui. Em síntese, é dizer como o in- divíduo, enquanto ser social, se relaciona com os outros seres pertencentes a uma determinada sociedade, cuja principal função é: [...] servir como um mecanismo de defesa pessoal para aquilo que lhe é desconhecido, uma vez que, fazendo uso de tais recursos, o indivíduo tem a sensação de que a realida- de não se encontra totalmente fora do seu controle, que as inferências, as recuperações que faz sobre as experiências individuais ou sociais acumuladas na sua memória lhe dão poder e controle, lhe reconforta diante do novo, do desconhecido (SOUZA, 2006, p. 48). 4. A) De acordo Kotler (2003, p. 381), “a comunicação persuasiva acontece quando um emitente conscientemente desenvolve sua mensagem no sentido de conseguir um efeito calculado sobre a atitude e/ ou no comportamento do público visado”. B) Ocorrendo por meio da comunicação externa, para Kotler (2003, p. 30) “promoção é a parte da comunicação que se compõe das mensagens destinadas a estimular as pessoas a tomar consciência dos vários produtos e serviços da empresa, interessan- do-se por eles e comprando-os”. 5. De acordo com Yanaze (2011), a comunicação digital é a comunicação realizada por meio de ferramentas tecnológicas, ou seja, é uma comunicação feita por meio da internet, fazendo-se valer das ferramentas como as mídias sociais, blogs, sites e afins. U N ID A D E IV Professor Me. Victor Andrei da Silva CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender e estudar os conceitos de negociação e seus objetivos. ■ Estudar as etapas e processos da negociação no âmbito empresarial. ■ Entender as variáveis básicas de uma negociação. ■ Estudar as habilidades desenvolvidas por negociadores. ■ Compreender e entender as etapas do planejamento de um processo de negociação. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Conhecendo a negociação ■ Introdução ao processo e etapas da negociação ■ Variáveis básicas de uma negociação ■ Habilidades essenciais dos negociadores ■ O planejamento da negociação INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), depois de estudarmos de maneira bem ampla os conceitos de comunicação, sua forma de atuação e influências dentro de uma organização, chegou a hora de discutirmos a relação que a comunicação tem com a negocia- ção. Ainda que de maneira incondicional, nós todos, sem exceção, negociamos o tempo todo. Negociamos com as nossas esposas ou namoradas para assistir- mos a uma partida de futebol com os amigos; negociamos com nossos patrões sobre aquele aumento de salário; negociamos com clientes qual é o melhor prazo de pagamento… enfim, negociamos. Na vida do cotidiana pessoal, social e empresarial do século XXI, a arte de negociar precisa ser dominada. É nesse sentido que a comunicação funciona como um suporte, tornando a arte de negociar algo tão instigante e desafiador, pois é por meio do poder da argumentação que uma pessoa ou organização pode convencer um determinado cliente a adquirir um produto ou serviço. Mas, embora pareça, negociar não é algo tão simples assim, ainda mais no mundo onde a internet e a conexão das informações com o público alvo são instantâ- neas. Nesse sentido, dominar as técnicas da negociação é de grande importância para o negociador. Nesse sentido, ao longo desta unidade, iremos discutir, compreender e conhe- cer o que é negociação e seus conceitos. Além de compreender a importância que os conceitos de negociação possuem, vamos estudar quais são as etapas que uma negociação, além de analisar as variáveis básicas de negociação possui, como o tempo, a informação e o poder. Abordaremos também a importância das habi- lidades de negociação que os negociadores devem possuir, e como executar um planejamento de negociação eficiente pode fazer a diferença para a organização. Esperamos que você faça proveito de cada tópico elencado desta unidade, pois certamente, ao final de nossos estudos, você estará muito mais capacitado. Bons estudos e mãos à obra, pois negociar é preciso! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E142 CONHECENDO A NEGOCIAÇÃO Caro(a) aluno(a), certamente você deve ter algum parente, amigo ou conhecido que se destaca por ter uma “certa lábia”. Essa pessoa, em seu convívio social, se diferencia das demais por seu poder comunicativo e forma de se expressar. Possivelmente, essa pessoa consegue vender gelo no polo no norte. É muito comum conhecermos pessoas assim, dotadas de tamanha facilidade de interlo- cução, domínio da fala, estruturação de raciocínio e poder de convencimento. São negociadores natos! Atualmente, saber negociar tornou-se fator determinante para uma vida pro- fissional, e até mesmo pessoal, bem sucedida. Na maior parte do tempo,estamos envolvidos em algum tipo de negociação. Seja no trabalho, nas relações afeti- vas, nas amizades, a necessidade de se chegar a um entendimento é constante. A constante mudança no mundo globalizado dos negócios torna quase que obri- gatório dominar a arte de negociar. De acordo com Mills (1993, p. 125): [...] todos nós negociamos, pois a negociação é simplesmente um modo muito eficiente de conseguir aquilo que queremos. Negociamos para resolver nossas diferenças e negociamos por interesse próprio, para sa- tisfazer nossas necessidades. Conhecendo a Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 Dominar a arte de negociar, ou seja, criar um processo argumentativo estrutu- rado que tenha como objetivo o convencimento por meio da comunicação, é sem dúvida algo muito valorizado no mundo moderno, tendo em vista a crescente pressão que as empresas e pessoas sofrem para manter e elevar sua performance de relacionamento com os clientes (MARTINELLI; GHISI, 2006). Podemos destacar que o conceito de negociação possui várias formas de enten- dimento e compreensão. Umas mais clássicas e outras mais modernas, porém todas levam ao mesmo sentido de aplicação e compreensão. Todas as formas de se compreender os conceitos de negociação levarão à resolução de impasses, e cada uma delas usando uma forma ou estratégia diferente para resolucionar, como apontaremos ao longo desta e da próxima unidade. De acordo com Saner (2004, p. 27), negociação “[...] é um processo no qual duas ou mais partes buscam um acordo para determinar o que cada uma delas deverá dar ou ganhar, ou fazer e receber, numa transação entre elas.” Negociação é o processo de buscar aceitação de ideias, propósitos ou interesses visando ao melhor resultado possível, de tal modo que as partes envolvidas terminem a negociação consciente de que foram ou- vidas, tiveram oportunidade de apresentar toda a sua argumentação e que o produto final seja maior que a soma das contribuições individu- ais (JUNQUEIRA, 1988, p. 5). Para muitas pessoas, a arte de negociar é um dom. Para outros, negociar requer capacidade técnica que só é possível por meio do aprendizado e da vivência. O fato é que todos podem dominar a arte da boa negociação. Bas- ta ter aplicação e comprometimento. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.guiarh.com.br/ p4.htm>. Fonte: o autor. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E144 Para Martinelli e Ghisi (2006, p. 16) após uma “revisão de literatura sobre con- ceitos de negociação, pode-se dizer que existem diversas definições para o termo. Nesse sentido, buscou-se relatar algumas dessas definições, com base na visão de diferentes autores selecionados e listados”: Quadro 1 - Definição do termo negociação na visão de autores importantes da área Cohen (1980) Negociação é o uso da informação e do poder com o fim de influenciar o comportamento den- tro de uma “rede de tensão”. Nierenberg (1981) Negociação é um processo que pode afetar pro- fundamente qualquer tipo de relacionamento humano e produzir benefícios duradouros para todos os participantes. Fisher e Ury (1985) Negociação é um processo de comunicação bila- teral, com o objetivo de se chegar a uma decisão conjunta. Sparks (1992) Negociação implica caracteristicamente uma troca de dar e receber entre o negociador e o oponente, que tentam chegar a uma conclusão agradável ou aceitável no ajuste de um problema ou disputa. Acuff (1993) Negociação é o processo de comunicação com o propósito de atingir um acordo sustentável sobre diferentes ideias e necessidades. Kozicki (1998) Negociação é a arte de se alcançar um acordo, resolvendo as diferenças por meio do uso da criatividade. Envolve dois lados tentando chegar a um acordo, uma solução que, idealmente, deixará ambas as partes felizes - clássica solução ganha-ganha. Steele, Murphy e Russill (1995) Negociação é um processo no qual as partes se direcionam de suas posições divergentes para um ponto em que se possa alncaçar acordo. Hodgson (1996) Negociação é uma atividade que envolve um elemento de negócio ou barganha, que permite que ambas as partes alcancem um resultado satisfatório. Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p. 16). Conhecendo a Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 15), “a negociação é um conceito em contínua formação, o qual está amplamente relacionado à satisfação de ambos os lados”. Nesse sentido, a comunicação é de extrema importância para que a negociação atinja seu objetivo, pois é por meio dela, seja ela falada, escrita ou visual, que a negociação ocorre. Mais do que compreender um conceito de negociação, é importante que entendamos para quais caminhos a negociação nos leva, ou seja, seus objetivos. A negociação, em suma, objetiva um acordo. De fato, na maioria das negocia- ções, as partes têm dois objetivos: seu próprio objetivo e o objetivo de chegar a um acordo. Sem o segundo, não se chega ao primeiro. A própria palavra “acordo” implica resultado que satisfaça condições mínimas de ambas as partes, sem as quais, evidentemente, em certos casos, não pode ser estabelecido (BURBRIDGE et al., 2007). É possível negociar, ser eficiente, obter sucesso na negociação, deixar o cliente feliz, sem abrir mão do que não se deve. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E146 PROCESSO E ETAPAS DA NEGOCIAÇÃO Seja em uma loja de eletrodomésticos, uma concessionária de carros ou em uma boutique de roupas de grife, muitos negociadores, até por não terem experiên- cia, cometem graves equívocos durante um processo de negociação. Cada pessoa se comporta diferente em uma negociação, e é exatamente por isso que os erros ocorrem. Isso é mais corriqueiro do que se pensa. Quem nunca cometeu tal erro? Podemos destacar alguns, como por exemplo a negociação que tem como objetivo não oferecer nenhum tipo de vantagem para a outra parte, visando o fechamento do negócio, e assim, só um lado ganha. Isso acontece em empresas que possuem produtos sólidos, estas são praticamente procuradas pelo cliente que quer ter seu produto. Há também o grave erro da liberalidade, ou seja, com a pressa de se fechar o negócio, o negociante expõe na hora errada e de uma só vez todas as concessões e vantagens que possui para si e que poderiam ser usadas gradativamente, ficando à mercê do cliente para o fechamento ou não do negócio. Cometer erros durante um processo de negociação é mais comum do que se parece. Muitos confiam em suas habilidades como negociadores e se esquecem que negociar envolve proces- sos que, embora pareçam simples, se não utilizados de maneira correta, podem jogar por terra todo um processo de negociação, como veremos logo adiante. Processo e Etapas da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 O Processo de Negociação De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 39) “o processo de negociação pode ser compreendido como um sistema de transformação que é baseado na entrada (estímulos) que resultam em saídas (respostas)”. Para os autores, a palavra sis- temafoi “emprestada” das ciências exatas, podendo ser definida, em termos precisos, como uma equação matemática que descreve alguns relacionamentos entre as suas variáveis. Seguindo esse raciocínio geral, outros autores definiram sistemas, variando seus conceitos conforme os interesses, formação e especiali- zação de cada um (MARTINELLI; GHISI, 2006). O processo de negociação como sistema de transformação de entradas (estí- mulos) em saídas (respostas) pode ser definido a partir da análise dos objetivos que compõem o “sistema de negociação”. Para Martinelli e Ghisi (2006, p. 40), “os objetivos do sistema de negociação são baseados em elementos que desem- penham uma função dentro do sistema de negociação”. Para os autores, estas partes são: entradas, que são a força inicial, fornecendo ao sistema as necessida- des operacionais; processos, que transformam as entradas em saídas; e saídas, que são os resultados das operações do processo, ou, alternativamente, a razão da existência do sistema (MARTINELLI; GHISI, 2006). De maneira bem simples, podemos compreender que as entradas (estímu- los) são basicamente os impulsos em uma negociação. A comunicação, nesse sentido, funcionaria como ferramenta para manusear a informação e o poder. O processo seria a transformação desse impulso em resultado, podendo ser caracterizado na negociação em si. Um exemplo de impulso é a utilização da propaganda, que leva o consumidor a buscar por um produto ou serviço. As saí- das seriam o produto final da negociação, isto é, o acordo, a solução do conflito e as relações duradouras, conforme ilustra a figura a seguir: CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E148 NEGOCIAÇÃO FEEDBACK FEEDBACK Entradas (in�uências) Saídas (Consequências/ Resultados) Diferenças individuais Valores pessoais dos envolvidos Interesses comuns Relacionamento humano Conquista de pessoas Concessões Persuasão Satisfação das necessidades Decisão conjunta Participação no processo Uso da informação e do poder Comunicação bilateral Barganha Flexibilidade Acordo Solução do con�ito Benefícios do con�ito Benefícios duradouros Visão estratégica Figura 1 - Componentes do processo de negociação Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p. 42). Uma negociação abrange vários processos para que seja concluída. O pro- cesso de negociação é muito mais amplo do que você imagina, e para a efetivação de uma venda só ocorre graças ao processo de negociação e suas etapas. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://casadaconsultoria.com.br/processo-de-negociacao/>. Fonte: o autor. Processo e Etapas da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 As entradas (influências) são formadas pelas diferenças individuais que cada pessoa possui, bem como seus valores particulares que estão envolvidos no processo de negociação. Cada ser possui valores e crenças que norteiam seu convívio social e que influenciam toda uma sociedade. Nessas influências estão os interesses comuns de uma negociação, tanto de quem quanto de para quem compra um determinado produto ou serviço, formando ou fortalecendo, assim, o relacionamento humano entre consumidor e empresa, pois todos participam do processo de negociação. A comunicação ou informação no processo de nego- ciação funciona como o elo que liga todo o processo aos negociadores, e seu domínio é fundamental. As saídas ou resultados de um processo de negociação são as consequências de como foram geridas as entradas, ou seja, as influências que iniciaram todo o processo de negociação. O resultado de todo esse processo pode ser refletido com a conquista dos clientes, total conhecimento das concessões realizadas, sen- timento de contentamento e satisfação positiva das necessidades que ambas as partes possuem, acordo final estabelecido, resolução dos conflitos levantados durante o processo de negociação e benefícios duradouros que foram acordados. Para ser considerado exitoso, todo o processo de negociação precisa funcionar de maneira bem eficiente, eficaz e, principalmente, de forma ética, evitando-se o máximo de problemas possíveis. Vale lembrar que negociação envolve empre- sas, pessoas, processos, produtos e, principalmente, os sentimentos de pessoas e valores das empresas. Pessoas precisam e sempre precisarão de produtos. Empresas precisam e sempre vão precisar de clientes. Então para quê estabele- cer uma queda de braços? No mundo globalizado onde a internet funciona com uma espécie de juiz, ter seu nome envolvido em discussões banais não leva o cliente ou a empresa a lugar algum. Todos perdem, mesmo pensando que está se obtendo alguma vantagem. O respeito ainda é um grande sinal de inteligência. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E150 Etapas da Negociação Muitos equívocos são cometidos ao longo de uma negociação. Do negociador mais experiente a aquele que está iniciando, os erros são frequentes e, por que não dizer, amadores. Erros em negociações geram desconfiança, perda de tempo, má impressão, insegurança, confusão e uma série de outros sentimentos. De acordo com Lewicki e Hiam (2003), para que intempéries assim não ocor- ram, é necessário seguir, desde o princípio de uma negociação, quatro estágios ou etapas importantes, que são muito difundidos pela literatura de forma geral: o estágio de preparação; o estágio de início; o estágio da barganha e o estágio do fechamento, que podem ser explicados no quadro a seguir: Quadro 2 - Estágios da negociação ESTÁGIOS DA NEGOCIAÇÃO ESTÁGIO DE PREPARAÇÃO a) Coletar informações (para definir objetivos, ter conhecimentos específicos sobre a negociação e a outra parte envolvida). b) Planejar e definir objetivos (o que se espera conseguir, quais são seus limites atingíveis, decidir qual proposta inicial, criar alternativas, perceber através das informações coletadas com o outro lado irá abordar a negociação. ESTÁGIO INICIAL a) Saber ouvir; expor os argumentos de forma clara, objetiva e eficaz e através de questionamentos descobrir o que a outra parte deseja. ESTÁGIO DE BARGANHA a) Fazer o clássico jogo da negociação: dar e receber de forma competitiva e colaborativa. ESTÁGIO DE FECHAMENTO a) Rever o acordado, preparar o contrato, esclarecer dúvidas e formalizar tudo que foi negociado. Fonte: baseado em Lewicki e Hiam (2003). Processo e Etapas da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 Após compreender quais são os estágios de uma negociação e como eles são importantes, todo negociador precisa ter em mente que uma negociação é divi- dida em etapas, com início, meio e fim. Essas etapas precisam ser analisadas, estudadas e planejadas, para que haja o desfecho positivo que uma negociação precisa. Conhecer as etapas de um processo de negociação dá ao negociador a possibilidade de estruturar melhor suas estratégias e aprimorar suas táticas, além de refinar suas habilidades negociativas. De acordo com Wanderley (1998, p. 160), “as estratégias e táticas fazem parte da negociação e é necessário compreender quais dados são importantes e definir as táticas mais apropriadas para serem usadas”. Segundo o autor, o negociador precisa estar preparado, pois tudo pode acontecer durante uma negociação. É válido salientar que toda negociação tem algum objetivo, e dependedo que se almeja atingir, como por exemplo, nas negociações em que o negocia- dor busca apenas ganhar credibilidade, cuja Melhor Alternativa Sem Acordo (MASA) será considerada eficiente se houver expectativas para outros negócios em um futuro próximo (WANDERLEY, 1998). Para Junqueira (1988, p. 43): [...] é muito importante compreender as etapas de um processo de ne- gociação e como precisa-se direcioná-las. Suas etapas seguem uma se- quência lógica, embora suas etapas não necessitem ser encaradas como algo engessado ou estático. O feeling do negociador pode permitir que uma das etapas seja “pulada”. O mais importante é compreender todas as etapas e saber tirar proveito de todas elas dentro de um processo de negociação. Dessa forma, Mello (2003, p. 64) destaca que “as etapas de negociação podem ser divididas em seis”, sendo caracterizadas em preparação, abertura, teste, con- vicção, fechamento e implementação do acordo, conforme ilustração da figura a seguir: CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E152 PREPARAÇÃO ABERTURA TESTE CONVICÇÃO FECHAMENTO IMPLEMENTA- ÇÃO DO ACORDO Fases que ocorrem na mesa de negociação Figura 2 - Etapas de negociação Fonte: Mello (2003, p. 66). Normalmente as pessoas não gostam de se preparar antes de agir. A preparação consiste, basicamente, em estabelecer os objetivos a serem alcançados, em coleta de informações, na negociação interna e em sua própria preparação. É na pre- paração que se estabelece qual estratégia será usada. A abertura é onde se inicia uma negociação. De acordo com Mello (2003, p. 66), a fase de abertura é sem- pre importante e devemos considerá-la sob dois aspectos: ■ Se for o primeiro encontro entre os negociadores, devemos trabalhar com atenção redobrada (pode-se interferir em todas as negociações posterio- res, positivamente ou negativamente). ■ Se não for o primeiro encontro, o cuidado deve se direcionar para a comu- nicação e o nervosismo. Processo e Etapas da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 Na abertura, algumas táticas, como fortalecimento de confiança, troca de informa- ções, declarações iniciais sinceras e confiáveis e não se assustar com agressividade ou grosseria inicial, podem ser utilizadas, pois, normalmente funcionam muito bem. Nessa etapa, utilizar a regra da afinidade pode fazer toda a diferença. Passada a fase de abertura de uma negociação, de acordo com Mello (2003, p. 67), “é muito importante não ir direto para a fase das concessões”. É necessá- rio, primeiramente, passar antes pelo teste, que deve ser uma fase intermediária entre a abertura e a fase seguinte, que é mais tensa e corresponde à fase central da negociação. Para o autor, nessa fase algumas táticas podem ser utilizadas, como fazer muitas perguntas, dar algumas informações e mostrar benefícios da proposta, produto ou serviço. A convicção é a etapa central, na qual a tensão é máxima e o controle emo- cional é fundamental para o bom desfecho da negociação. Nessa fase, são feitas e obtidas as concessões (MELLO, 2003). Nessa etapa, o objetivo a ser alcançado é obter o máximo de movimentação da outra parte com o mínimo de movimen- tação de sua parte. Dentre as várias táticas que podem ser usadas nessa etapa, destacamos a tática de defesa em que o negociador explica sua posição, mos- trando ao outro negociador que ele não pode permanecer em sua posição inicial. A quinta etapa, o fechamento, é quando as partes garantem o comprometi- mento mútuo, e não simplesmente realizam um acordo. De acordo com Mello (2003, p. 68): [...] a conclusão da negociação (razão de ser de todo o processo) não é um ato extraordinário e isolado. Significa mais uma etapa do processo. Se as etapas iniciais tiverem sido conduzidas com eficiência, o fecha- mento será uma consequência normal. Nessa etapa, é importante estar atento(a) aos sinais de fechamento que o outro negociador emite. Algumas estratégias importantes a serem utilizadas são: ■ Contabilizar os ganhos (faça um retrospecto do processo). ■ Não se intimidar com as ofertas finais (evitar a saideira). ■ Oferecer vantagem adicional condicionada ao fechamento. ■ Estar atento aos sinais (inclusive de que o outro não quer ceder mais). CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E154 Um acordo é fechado quando ambos os negociadores percebem que as condi- ções são aceitáveis para todas as partes (MELLO, 2003). Por fim, a última etapa é a implementação do acordo. Nessa etapa muitos negociadores acreditam que a negociação já está fechada, o que não é bem assim. Concluído o acordo, o ser- viço contratado está para ser executado, ou o material adquirido ainda deve ser fabricado e entregue, exigindo, em alguns casos, outras negociações posteriores ao fechamento de contrato (MELLO, 2003). VARIÁVEIS BÁSICAS DE UMA NEGOCIAÇÃO Uma predisposição inicial num processo de negociação em que negociadores estão envolvidos pode ser facilmente entendida. Essa predisposição é fruto de influências internas e externas que impactam no comportamento desses nego- ciadores e que precisam ser ajustadas ao longo de uma negociação. De acordo com Acuff (1997, p. 65) “os preços, termos de pagamentos, entregas, qualidade, suporte, treinamento e recursos (pessoais, dinheiro, materiais) normalmente entram em pauta e serão discutidos em uma negociação”, sendo considerados formas de predisposição inicial. Assim, de acordo com Martinelli e Almeida (1997 p. 97), “qualquer que seja o objetivo da negociação, sua importância e oportunidade, haverá três variáveis básicas que condicionam este processo: poder, tempo e informação”. Quando se fala em negociação competitiva, logo se vem à mente a vaga ideia de que para um lado ganhar sempre é necessário que a outra parte perca algo, seja devido a um poder de intimidação ou argumentação. Para saber mais, acesse o link disponpivel em: <https://estrategiaenegociacao.wordpress.com/2013/08/12/negociacao- -competitiva-concessoes/>. Fonte: o autor. Variáveis básicas de uma Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 Outros aspectos que estão envolvidos em uma negociação e que influenciam todas as partes envolvidas são as necessidades e os desejos dos negociadores, que podem determinar o desfecho de uma negociação. Se um negociador descobrir quais são as necessidades da outra parte, é possível passar de uma negociação distributiva para uma troca mais favorável (MARTINELLI; GHISI, 2006) O Poder e a Negociação A variável poder está sempre presente em qualquer situação que envolva nego- ciação. Pode ser uma negociação individual, coletiva ou política, fato é que, nessas circunstâncias, mesmo os negociadores mais habilidosos devem consi- derar a força e os efeitos do poder condicionantes do processo de negociação (MARTINELLI e GHISI, 2006). Definir poder, embora pareça, não é uma tarefa fácil, haja vista a enorme complexidade que envolve essa variável. Entretanto, procuram-se algumas res- postas para questões como: o que é poder? Quais são suas características? Por que é importante? Como pode ser aplicado? De acordo com Cohen (1980, p. 51), “poder é uma maneira de ir de um lugar para outro”. O autor ainda caracteriza poder como conceito com conota- ções negativas, pois implica um relacionamento senhor-escravo,isto é, um lado dominando o outro. Lewicki, Saunders e Minton (2002, p. 91) trazem um definição mais ampla sobre poder. Para os autores, “as pessoas têm poder quando possuem capaci- dade de provocar os resultados que desejam” ou quando dispõem de “capacidade de conseguir que as coisas sejam feitas do modo que querem que sejam feitas”. A definição de poder, para Stark (1999 p. 17), é a “habilidade de influenciar pessoas ou situações”. Essas definições sobre poder nos levam ao mesmo sentido, ou seja, o domí- nio de algo. Para Sparks (1992), existem seis tarefas que devem ser dominadas pelo negociador na busca pela administração dos fatores de poder, que são: CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E156 ■ Reconhecer a discrepância de poder. ■ Modificar os desequilíbrios do poder. ■ Reconhecer o risco pelo uso do poder. ■ Evitar o uso de argumentos baseados no poder. ■ Evitar a manipulação. ■ Usar ferramentas lógicas. Uma vez compreendidas, essas tarefas podem ser realizadas de maneira benéfica para o processo de negociação (MARTINELLI; GHISI, 2006). Cohen (1980, p. 91) apresenta uma lista com 14 tipos de poder, conforme ilustra o quadro a seguir: Quadro 3 - Tipos de poder CIÊNCIAS COMPREENSÃO DO TERMO Concorrência Quando existe uma disputa por algo que alguém possui. Legitimidade Quando existe um condicionamento à formalidade, ou seja, palavras, documentos e sinais, impressões têm autoridade e, na maioria da vezes, as pessoas tendem a não os questionar. Riscos Envolve uma combinação de coragem e bom senso. Ao envolver-se em uma negociação, deve-se estar dispos- to a correr riscos. Compromisso Quando há compromisso de outras pessoas. Especialização Quando se tem mais conhecimento técnico, capacida-de ou experiência. Conhecer “necessidades” Em toda negociação, existem duas coisas sendo nego- ciadas: 1 - As questões e as exigências específicas, que são de- claradas abertamente. 2 - As verdadeiras necessidades de outro lado, que raramente são verbalizadas. Investimento É importante investir tempo, dinheiro ou energia em uma situação, fator-chave para um ultimato. Variáveis básicas de uma Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 Recompensa e punição Se o outro achar que pode ser ajudado [...] física, finan- ceiramente ou psicologicamente [...] isso reforça a po- sição da outra parte; a realidade “verdadeira, concreta” da situação não importa. Identificação Não é somente por causa de qualidade, conveniência ou preço que as pessoas negociam com A ou B e não com suas concorrentes: o que faz a balança pender para um lado ou para outro é o seu grau de identifica- ção com as pessoas com as quais entra em contato. Moralidade A maioria das pessoas criadas no mundo ocidental está imbuída de padrões éticos e morais semelhantes, os quais são adquiridos nas escolas e igrejas frequenta- das, em situações familiares, bem como por meio dos conhecidos no mundo dos negócios e na rua. Precedente Não se prender a maneiras superadas de fazer as coi- sas. Frases como “sempre fizemos assim” decorrem da pressão para fazer as coisas da maneira como elas são feitas no presente. Persistência A persistência está no poder como o carbono está para o aço. A persistência compensa. Capacidade Persuasiva Para persuadir uma pessoa a acreditar em algo, fazer ou comprar alguma coisa, deve-se contar com três fa- tores: 1) saber se expressar de maneira clara e objetiva; 2) ter argumentos tais que a outra pessoa não consiga contestá-los; 3) saber que a aceitação do ponto de vista pela outra pessoa deve satisfazer suas necessidades e desejos. Atitude A pior pessoa em nome de quem você pode negociar é você. É importante desenvolver a atitude de preocu- par-se, mas não em excesso. Fonte: Cohen (1980, p. 91). Conforme Martinelli e Ghisi (2006, p. 99), “para uma melhor compreensão, os poderes podem ser subdivididos de acordo com sua origem”. Os autores classifi- cam os poderes em dois grupos, quais sejam, poderes pessoais e circunstanciais. Os poderes pessoais são poderes inatos, presentes em qualquer situação, inde- pendentemente do papel desempenhado, dos conhecimentos e das habilidades para lidar com as pessoas. São subdivididos em: CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E158 ■ Poder da moralidade. ■ Poder da atitude. ■ Poder da persistência. ■ Pode da capacidade persuasiva. O poder da moralidade normalmente é transmitidos desde criança pela famí- lia, pela escola e sociedade na qual a pessoa está inserida. Normalmente, está relacionado a algum tipo de cultura local. O poder da atitude é relacionado às ações, decisões ou atitudes que determinam um certo tipo de comportamento. É como uma pessoa reage a determinadas situações. Já no poder da persistên- cia, o negociador é motivado pela perseverança de se alcançar um objetivo ou meta estabelecida. Nesse modelo de poder, o que norteia o negociador é o desa- fio de conquista. Por fim, o poder da capacidade persuasiva está ligado ao fato de se explorar as habilidades de um negociador. Com a habilidade, é possível demonstrar importância sobre como fechar uma negociação e canalizá-la para um acordo que satisfaça todas as partes envolvidas. Para Martinelli e Ghisi (2006, p. 99), “os poderes circunstanciais enfocam a situação, o momento, o tipo de negociação e a influência de meio nessa situa- ção”. De acordo com as circunstâncias, analisa-se um fato de maneiras diferentes, enxergando-o por ângulos diversos, subdivididos em: ■ Poder do especialista (conhecer o que se negocia e com quem se nego- cia algo). ■ Poder do investimento (quanto um determinado cliente pode investir em um determinado produto e assim direcionar a negociação para cami- nhos mais lucrativos). ■ Poder da posição (usar certa posição, função ou cargo para se fazer valer do poder em uma negociação). ■ Poder da legitimidade (saber usar os termos legais para se conduzir uma negociação). ■ Poder da concorrência (saber como se porta e como age um concorrente, e usar esses fatores a favor de sua negociação). Variáveis básicas de uma Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 ■ Poder do precedente (ter noções das consequências que uma negocia- ção pode causar). ■ Poder dos riscos (compreender o grau de complexidade dos riscos e usá- -los a seu favor). ■ Poder da informação (ter o domínio da informação. Quem sabe mais, teo- ricamente tem mais vantagens perante aqueles que nada sabem). ■ Poder de barganha (forma de conduzir trocas sem abrir mão do que é importante). Observamos, caro(a) aluno(a), que essa classificação nos leva a uma reflexão sobre a complexidade que é definir o termo poder. De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 100): [...] deve-se considerar que a humanidade geralmente esteve submissa a ideias e sonhos de grandes negociadores. A ânsia pelo poder, a relação entre predador e presa, opressor e oprimido, fazem parte do mundo de contrastes em que se vive atualmente. Por mais que se queira, não será possível ficar ausente das intermináveis nego- ciações de todos os dias. Usar de táticas e estratégias certas faz parte de uma negociação. Cabe a cada negociador saber quando e como se fazer valer dessas ferramentas. Parasaber mais, acesse o link disponível em: < http://www.sdr.com.br/professores/hamilton_bueno/Tip.htm> Fonte: o autor. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E160 O Tempo e a Negociação Se buscarmos uma definição de tempo no dicionário Aurélio (FERREIRA, 2000, p. 1950), encontraremos o seguinte significado: [...] sucessão dos anos, dos dias, das horas etc. que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro: O curso do tempo. O tempo é um meio contínuo e indefinido no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis. É a ocasião apropriada para que uma coisa se realize, entre outras definições (MARTINELLI; GHISI, 2006). Santos (1999, p. 127) considera o tempo “sucessão, o chamado tempo his- tórico, que durante um longo período foi considerado uma base de estudo geográfico”. Para o autor, todavia, pode-se perguntar se é assim mesmo ou se, ao contrário, o estudo geográfico não é muito mais essa outra forma de ver o tempo como simultaneidade. Martinelli e Almeida (1997, p. 79) ressaltam que, na negociação, “o tempo deve ser cuidadosamente analisado, verificando-se o modo como ele afeta o processo”. De acordo com os autores, “o tempo deve ser o ponto de apoio para projetar o negócio e a consequente satisfação dos envolvidos , além de permitir que se conclua que é ilimitado, podendo, entretanto, ser controlado”. O tempo pode favorecer tanto um lado quanto outro, dependendo das cir- cunstâncias. Não obstante, algumas observações devem ser feitas (COHEN, 1980, p. 99). ■ Como a maior parte das concessões e acordos ocorrerá no fim do prazo, ou depois dele, é interessante ser paciente. ■ Em uma negociação litigiosa, a melhor estratégia é não revelar o limite de tempo da outra parte. ■ O “outro lado”, ainda que pareça calmo, sempre tem um prazo limite. Na maioria das vezes, a tranquilidade que exibe oculta muita tensão e pressão. Variáveis básicas de uma Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 ■ Ações precipitadas devem ser tomadas somente quando for garantida a vantagem. De modo geral, não se alcança o melhor resultado rapida- mente, somente com tempo e perseverança. De acordo com Martinelli e Almeida (1997, p. 79), “o limite de tempo é definido por quem negocia, tornando-se mais flexível do que se imagina. Como produto de uma negociação, os prazos também podem ser negociáveis”. Para os autores, vale ressaltar ainda que, quando se aproxima o prazo limite, pode ocorrer uma mudança de poder entre as partes, bem como uma solução criativa para o acordo, ou então o outro lado muda 180º o rumo da negociação. Concluímos, então, que as pes- soas podem não mudar, mas com o passar do tempo as circunstâncias mudam. O tempo pode favorecer tanto um lado como o outro lado, dependendo das circunstâncias. Portanto, é preciso ser paciente, ponderado, tranquilo e sensato, mas de olho no relógio, pois tempo é dinheiro. A Informação e a Negociação Ter toda informação possível é muito importante durante um processo de nego- ciação. Quando se tem um domínio de informação de nível considerado, a vantagem de uma parte (de quem vende) sobre a outra (de quem compra) se torna ainda mais vantajosa para o vendedor. A informação pode ditar o ritmo de uma negociação e influenciar na rota para o desfecho ou não de um negócio. Saber quem é, identificar seus interesses, quais são seus objetivos, o mercado de atuação, a cultura e histórias do cliente pode, por exemplo, dar uma larga van- tagem ao vendedor. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E162 De acordo com o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2000), informação é o ato ou efeito de informar-se, dados acerca de alguém ou de algo, conhecimento, participação, instrução, direção, conhecimento amplo e bem fundamentado, resultante da análise e combinação de vários informes. Para Martinelli e Almeida (1997, p. 81), “a definição de informação dada pelo dicionário Aurélio, de forma agrupada, permite que a informação seja utilizada na negociação, à medida que é importante obter detalhes de quem será envolvido no processo”. Sun Tzu em seu livro “A Arte da Guerra” reforça a ideia do quão importante a informação é em uma negociação ou para uso de decisão de cunho estraté- gico. “Antes de ordenar o acampamento, informa-te da posição de teus inimigos. Analisa o terreno e escolhe o mais vantajoso” (Sun Tzu, 2006, p. 61). Nos dias de hoje, a informação, para muitas empresas, é tratada como algo essencial. Tanto é verdade que muitas delas possuem profissionais para atuarem como inteligência de mercado, ou seja, profissionais qualificados e treinados para captar informações de mercado, concorrentes e etc. que serão cuidadosamente filtradas pela organização e servirão para apoio e base em decisões estratégicas de negócios. Por isso, a informação deve ser o mais detalhada possível, assertiva e de fon- tes fidedignas. Para realizar essa tarefa, as empresas podem utilizar softwares e fontes de pesquisas, por exemplo. O objetivo do levantamento de informações é que elas sirvam e atendam aos interesses da organização em um processo de negociação (MARTINELLI; GHISI, 2006). Vejamos o exemplo da gigante japonesa Kodak. Se a Kodak, uma sumi- dade do segmento fotográfico, que foi fundada em 1988, criadora da máquina de fotografar para não profissionais, tivesse levado a sério a informação de que, nos anos 90, o filme para máquinas analógicas estaria com os dias contados e o futuro seria as câmeras digitais, certamente hoje não estaria falida. A informação está intimamente relacionada com o poder de conhecer as necessidades, ou seja, ela pode encaminhar ao sucesso, afetar a avaliação da realidade e as decisões que serão tomadas (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997). A informação pode mudar o rumo da negociação, e o tempo que esta busca envolver pode favorecer ou não a qualidade das informações conseguidas. Para Martinelli e Almeida (1997, p. 83): Habilidades Essenciais dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 [...] é nesse sentido que a comunicação, outra vez, tem seu papel de des- taque dentro da negociação, pois um bom negociador deve dominar os fatores não verbais em qualquer comunicação e interligar as deixas para descobrir os dados a respeito de que a direção está ao alcance de sua meta. Informação também é, por exemplo, as mensagens não verbais, e um bom negociador deve saber captar os fatores não verbais em qualquer comunicação (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997). Para Martinelli e Almeida (1997, p. 84), “outro aspecto da informação é o de possuir a habilidade, o conhecimento de determinado fato, assunto, negocia- ção, podendo até gerar um poder de especialização”. HABILIDADES ESSENCIAIS DOS NEGOCIADORES O que difere grandes negociadores de pessoas comuns? Seria a calma? A segu- rança? A perspicácia? A resposta para essas perguntas pode ser talento. Isso mesmo, talento! Mas não um talento natural, proveniente de alguma combina- ção genética superior, mas sim talento desenvolvido ao longo do tempo, fruto de muito esforço e dedicação (MARTINELLI; GHISI, 2006). Certamente, as pessoas possuem características distintas, que as diferenciam por seus pontos fortes. Assim como um bom contador pode ter facilidade nos cálculos matemáticos ou comoum marketeiro que se faz valer da sua criativi- dade para elaborar campanhas. Para Martinelli e Ghisi (2006, p. 110): “de uma forma ou de outra, todos os indivíduos precisam desenvolver uma série de fer- ramentas pessoais que lhe permitam agir de maneira correta nas decisões do dia a dia, ferramentas essas que denominamos de ‘habilidades’”. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E164 Caro(a) aluno(a), se formos buscar o sentido da palavra “talento”, encontrare- mos sua relação com aptidão, capacidade, competência e inteligência. Pessoas mais habilidosas certamente são bem mais preparadas para desenvolver tare- fas específicas. Imagine o Michael Jordan jogando futebol! Certamente, ele não repetiria, com a bola nos pés, o desempenho que fazia com as mãos. Na nego- ciação é a mesma coisa. Em cada situação, é necessário que uma habilidade seja testada e colocada em prática para se alcançar o objetivo. Mas é possível separar as habilidades das qualidades das pessoas? A resposta é não. Uma coisa depende da outra. De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 111), “embora a negociação esteja presente no cotidiano das pessoas, tanto pro- fissionalmente como na vida pessoal, em termos empresariais, essa não é uma função simples”. Para os autores, negociadores profissionais devem ser pessoas altamente qualificadas, pois suas decisões envolvem grandes valores monetários e podem definir o futuro de uma organização. Ainda para Martinelli e Ghisi (2006, p. 111), “esses profissionais não podem se dar ao luxo de cometer desli- zes, erros banais ou de tomar decisões baseadas apenas no feeling, como a grande maioria das pessoas faz no dia a dia”. Para tudo se negocia, seja um prazo de pagamento ou uma condição me- lhor de desconto. Não importante o que negociamos, mas o fato é que, para tal, desenvolver as habilidades é crucial para o sucesso ou insucesso de uma negociação. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://www.portaleducacao. com.br/recursos-humanos/artigos/28847/habilidades-de-negociacao>. Fonte: o autor. Habilidades Essenciais dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 165 Habilidades e Características Conhecer as habilidades torna-se essencial para o sucesso de uma negociação, ainda mais neste mundo de mercado competitivo em que as empresas estão inseridas, onde atingir a lucratividade máxima é o desejo de toda organização e negociador. Mills (1993) nos apresenta alguns fatores críticos de sucesso em uma nego- ciação, que são: ■ Prepare-se cuidadosamente. ■ Focalize seus interesses, não as posições. ■ Conheça suas prioridades. ■ Faça o tempo trabalhar para você. ■ Faça muitas perguntas. ■ Ouça atentamente. ■ Confirme suas necessidades. ■ Faça um teste com propostas condicionais. ■ Explore muitas opções. ■ Comece alto, conceda lentamente. ■ Verifique o que ficou combinado. ■ Revise seu desempenho. ■ Construa relacionamentos de trabalho de longo prazo. ■ Maximize seu poder. ■ Adapte sua estratégia para atender a situação. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E166 De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 112): [...] os fatores críticos são apresentados de forma objetiva, em uma sequência de dicas de atuação. Todavia, esses fatores podem ser tra- duzidos em habilidades essencialmente genéricas, resumidas em capa- cidades de preparação, objetivação, planejamento, comunicação, racio- cínio, percepção, verificação e adaptação. De maneira geral, podemos elencar também quatro características bem conhe- cidas encontradas na maioria dos grandes negociadores, que são: criatividade, versatilidades, motivação e habilidade para “manter-se afastado”. Steele, Murphy e Russil (1995, p. 135) elaboram uma lista contendo suges- tões de atitudes que devem ser tomadas durante as negociações, que são: ■ Seja claro em seu ponto de vista. ■ Utilize o poder da cautela. ■ Realize uma pausa quando se sentir pressionado. ■ Escute antes de falar. Para alcançar negociações efetivas, Martinelli e Ghisi (2006, p. 113) diferenciam habilidades necessárias dos negociadores convencionais e não convencionais. Segundo os autores, as características necessárias para esses dois grupos são dis- tintas e estão resumidas no quadro a seguir: Quadro 4 - Algumas habilidades utilizadas por negociadores convencionais e não convencionais no processo de negociação HABILIDADES Negociadores Convencionais Negociadores Não Convencionais Para obter informações, utilização de questões que terminam aber- tamente, evitando respostas com “sim” ou “não”. Utilização de equívocos: compreender mal a outra parte, propositalmente, para forçar o outro lado a esclarecer sua posi- ção e a acrescentar informações. Habilidades Essenciais dos Negociadores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 167 Uso de paráfrases ou refor- mulação daquilo que o outro negociador disse, com o intuito de demonstrar interesse, verificar sua compreensão, ganhar tempo e proporcionar à outra parte a oportunidade de acrescentar algo à discussão. Exagero: ampliar tudo aquilo que o outro negociador diz para questionar uma po- sição extrema, a qual se sabe que a outra parte está pronta a tomar. Uso do silêncio para forçar a outra parte a compartilhar informações. Mudança inesperada: dizer ou fazer algo, repentinamente, para criar um efeito de surpresa. Sumarização para medir o pro- gresso da negociação e construir acordos prévios. Sarcasmo: utilizar-se de zombarias para provocar reações emocionais. Confirmação dos sentimentos e emoções para aliviar a tensão e reforçar a confiança. Sufocação: sufocar a outra parte com excesso de questões e informações para tentar enfraquecê-la. Fonte: adaptado de Martinelli e Almeida (1997). O quadro nos mostra a necessidade de as abordagens de negociação terem uma maior preocupação relativa às habilidades essenciais em enfoque sistêmico (MARTINELLI, 2002, N.P). Segundo ao autor: [...] nota-se que pelo menos o aspecto da objetividade no processo da discussão das proposições apresentadas, da capacidade de colocar-se no lugar da outra parte e de se separar os relacionamentos dos interes- ses, necessitam de uma ênfase maior nas abordagens. Da mesma maneira que existem diversas formas das quais os autores descrevem atitudes salutares em busca de negociações eficazes, também existe, na literatura sobre negociações, várias propostas de ações que devem ser evitadas por serem consideradas prejudiciais (MARTINELLI; GHISI, 2006). A melhor negociação é aquela que dá certo para todo mundo. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E168 O PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO De acordo com Maximiano (2000, p. 175), “planejamento é uma técnica ou pro- cesso que as pessoas e as organizações utilizam para administrar suas relações com o futuro - o qual, normalmente é incerto”. Para o autor, o processo de pla- nejamento, que busca influenciar esse futuro, reduzindo seu grau de incerteza, tem diversos objetivos: Definir objetivos ou resultados a serem alcançados. Definir meios para possibilitar a realização de resultados. Interferir na realidade para passar de umasituação conhecida a outra dese- jada, dentro de um intervalo de tempo. Tomar, no presente, decisões que afetem o futuro, a fim de diminuir sua incerteza. Segundo o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2000, p. 1.585), planejamento é: 1. Ato ou efeito de planejar. 2. Trabalho de preparação para qualquer empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados: planifi- cação. 3. Elaboração, por etapas, com base sólida para o processo de negociação e ao gerar a confiança necessária para se obter um bom resultado. O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 169 Por sua natureza, o processo de negociação é marcado por incertezas. Não existe, antecipadamente, segurança sobre as questões, os objetivos e os limites da nego- ciação, nem sobre o comportamento dos negociadores que estão do outro lado (MARTINELLI; GHISI, 2006). De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 147), o planejamento da nego- ciação consiste, então, na: [...] busca das informações necessárias ao processo, na formulação de um roteiro ou plano de ação e na preparação para o desenvolvimento na negociação, objetivando prever eventuais problemas e obstáculos que poderão surgir no decorrer do processo. O planejamento de negociação também pode ser chamado de “pré-negocia- ção”, sendo composto basicamente por três etapas, que consistem em definir o problema, estabelecer um compromisso para um acordo negociado e acertar a negociação (COLAIÁCOVO, 1997), conforme descrição do quadro a seguir: Quadro 5 - Fases do planejamento (pré-negociação) Primeira etapa Determina-se como cada lado define o problema que é objetivo da negociação e como essas definições estão relacionadas entre si. Segunda etapa Analisa-se se há possibilidade de uma solução negociada e se é possível estabelecer um acordo justo, a partir do balanço das forças presentes na negociação. Terceira etapa Definem-se os objetivos e os princípios que guiam a reda- ção e os procedimentos formais da negociação, tais como o local, a agenda, os participantes e as regras a serem seguidas durante o processo. Fonte: adaptado de Colaiácovo (1997). Fisher e Ury apud Martinelli e Almeida (1997, p. 103) destacam quatro aspec- tos importantes para o planejamento e a execução de uma negociação baseados nos seguintes princípios: ■ Separar as pessoas do problema: não deixar que questões pessoais inter- firam na negociação, pois as emoções prejudicam a avaliação do mérito do problema. ■ Concentrar-se nos interesses de ambos os lados, não nas posições sociais. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E170 ■ Buscar alternativas de ganhos mútuos: buscar o maior número de alter- nativas possíveis para a questão. ■ Encontrar critérios objetivos: estabelecer, nos casos de conflito, um padrão razoável, que seja consenso entre as partes (por exemplo, o valor de mercado). Para Lewicki, Saunders e Minton (2002, p. 60): [...] embora as estratégias e táticas utilizadas tornem a negociação in- teressante - e até divertida -, o sucesso não está diretamente vinculado à forma como se joga o jogo ou à dramatização dos participantes, mas, em grande parte, o processo de preparação e planejamento que ocorre antes de iniciado o diálogo. Para os autores, o planejamento eficiente de negociação depende da atenção dis- pensada aos seguintes itens, conforme descrição do quadro a seguir: Quadro 6 - Planejamento eficiente de negociação Definir as questões Etapa que engloba a análise cuidadosa do con-flito. Juntar as questões e definir a composição de barganha Elaborar uma lista abrangente com todas as questões definidas. Confrontar as listas elabora- das pelos negociadores para estabelecer ordem de prioridades na composição de barganha. Definir interesses Elaboração de perguntas referentes ao porquê se necessita de algo. Essas perguntas devem revelar valores, necessidades e princípios críticos que se almeja alcançar na negociação. Consultar os outros Consultar todos os envolvidos no processo de negociação, seja o negociador negociando em seu próprio nome ou em nome de outras pesso- as para definição de procedimentos. Identificar limites Estabelecer parâmetros que irão determinar até onde se pode ir em uma negociação. Implica especificar a importância real dos itens a serem negociados. Estabelecer alvo O negociador deve definir quais são suas prioridades em uma negociação ou estabelecer alternativas em caso de insucesso. O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 Desenvolver argumentos de apoio Etapa na qual o negociador deve testar os pro- cedimentos definidos, levantar hipóteses sobre os argumentos da outra parte e buscar formas criativas de fortalecer sua posição. Analisar a outra parte. Buscar o máximo de informações possíveis sobre a outro lado, focando, principalmente, seus recursos, interesses, necessidades atuais e objetivos. Fonte: adaptado de Lewicki, Saunders e Minton (2002). De maneira geral, para o sucessso da negociação, é necessario que haja plane- jamento. Planejar é preparar-se para o sucesso. Assim, o planejamento envolve, entre vários aspectos, como vimos até aqui, a criação de metas, o estabelecimento de limites éticos e morais e como respeitá-los, e, principalmente, a forma de exe- cução do projeto, que é a negociação. Preparar-se para o sucesso consiste, na realidade, em levantar o maior número possível de informações a respeito do objetivo da negociação e da outra parte. Além de ressaltar a importância de obter informações diretamente da fonte (em primeira mão), os autores MARTINELLI e GHISI, (2006) enfatizam a necessi- dade de coletar o máximo possível de informações sobre a pessoa com a qual se está negociando. Vender um produto para um mercado em específico requer de uma empresa o uso de estratégias eficientes em termos de comunicação. Essas estratégias podem, além de representar um diferencial para os negócios, demonstrar a capacidade de uma empresa de se manter no mercado. A comunicação, certamente, é uma dessas estratégias. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://atitudeenegocios.com/planejamento-estrategico-de-vendas/>. Fonte: o autor. CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E172 Como Planejar uma Negociação De acordo com Martinelli e Ghisi, (2006, p. 156), “pode-se verificar a existên- cia de vários pontos comuns para o processo de planejamento da negociação”, analisando as propostas dos diversos autores citados nesta unidades . Para os autores, a partir desses pontos, é possível elaborar um esquema capaz de sinte- tizar as recomendações mais importantes dos mesmos. Assim, podemos dizer que os procedimentos, ou passos a serem seguidos durante um processo de pla- nejamento da negociação, podem ser agrupados em quatro etapas básicas, assim definidas (MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 156): 1. Mapeamento da situação ■ Levantar e listar as informações. ■ Identificar e priorizar as questões. 2. Estabelecimento de parâmetros para a negociação ■ Definir metas e objetivos. ■ Listar o leque de acordos alternativos. ■ Fixar os limites para a negociação. 3. Montagem do cenário para a negociação. ■ Definir a agenda. ■ Determinar e preparar o local da negociação.■ Identificar os participantes. 4. Preparação final para a negociação ■ Analisar a outra parte. ■ Simular o processo de negociação. ■ Definir estratégias e táticas. Tendo como base essas propostas, Martinelli e Ghisi (2006) elaboram o seguinte quadro sobre essas quatro etapas básicas, já discutidas: O Planejamento da Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 Quadro 7 - Procedimentos de planejamento de negociação PROCEDIMENTOS/ AUTORES 1.MAPEAMENTO 2.PARÂMETROS 3.CENÁRIO 4. PREPARAÇÃO Colaiácovo (1997) Definir o proble-ma. Acertar a nego- ciação. Fisher e Ury (1980) Separar as pessoas do problema; con- centrar-se nos interesses. Buscar alterna- tivas. Encontrar crité- rios objetivos. Lewicki, Saunders e Minton (2002) Buscar infor- mações; definir questões; definir interesses. Identificar limi- tes; estabelecer alvos. Desenvolver a argumentação; consultar os outros; analisar a outra parte. Donaldson e Do- naldson (1999) Levantar e listar as informações; identificar “agen- das ocultas”. Definir limites; definir metas ou objetivos. Definir agen- da, local, participan- tes. Sparks (1992) Reunir e orga- nizar dados; identificar apoio às questões; exa- minar dados. Definir limi- tes; identificar alternativas e penalidades. Definir atitu- de, ambiente e horário. Simular a nego- ciação; fortalecer pontos fracos; listar dados que deverão ser passados para o outro lado. Acuff (1998) Identificar ques- tões; priorizar questões. Estabelecer limites; definir acordos alterna- tivos. Desenvolver estratégias e táticas. Fonte: adaptado de Martinelli e Ghisi (2006). CONCEITOS E PROCESSOS DE NEGOCIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E174 Martinelli e Ghisi (2006, p. 159) afirmam que “é necessário que os parâmetros da situação e o início do processo de planejamento da negociação tenham como objetivo fornecer aos negociadores informações que irão auxiliar no decorrer das negociações”. Para os autores, essa divisão é feita em duas etapas importan- tes: o levantamento e listagem de informações e a identificação e priorização de questões. O estabelecimento de parâmetros para uma negociação é a etapa do plane- jamento de negociação, é direcionar a ação do negociador de modo que ele saiba exatamente o que é necessário alcançar para encontrar o sucesso final do pro- cesso de negociação (MARTINELLI; GHISI, 2006). A montagem do cenário para a negociação é a etapa de formalização do pro- cesso de negociação, ou seja, é necessário que estes aspectos sejam previamente antecipados, para facilitar sua resolução dentro do processo. A preparação final para negociação engloba a realização de uma análise bem detalhada das informações disponíveis de maneira que se possa melhor adequar no contexto da negociação, ou seja, reunir a maior quantidade de informações possíveis sobre a outra parte. Assim, será possível elaborar estratégias e táticas mais efetivas para se atingir o objetivo que toda negociação requer: sucesso. Em suma, é criar um check list. A melhor maneira de predizer o futuro é criá-lo. (Peter Drucker) Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), nesta unidade conhecemos um pouco mais sobre os conceitos de negociação e como eles se diferenciam entre si, mas também se complemen- tam. A negociação possui vários conceitos que, em dados momentos, podem diferenciar-se em sua forma de entendimento, mas que convergem em sua apli- cação e forma de entendimento geral. Vimos também como o ocorre o processo de uma negociação e quais etapas possui. É por meio do conhecimento dessas etapas e processos que podemos conhe- cer de maneira mais profunda as variáveis básicas que uma negociação possui, que são o tempo, a informação e o poder, além, é claro, de se dominar as outras variáveis de poderes existentes. Podemos compreender como cada um desses elementos exerce influência dentro de um processo negociativo. Vimos a impor- tância de se administrar o tempo, dominar a informação e como utilizar o poder em uma negociação. Apresentamos também um pouco sobre as habilidades essenciais e necessá- rias que um bom negociador deve possuir. Cada negociador pode desenvolver uma habilidade específica, de acordo com o seu cliente. São essas habilidades que farão a diferença em um processo negociativo mais complexo, por exemplo. Por fim, no término desta unidade, estudamos sobre o planejamento da negociação, que mostra o quanto seu processo precisa ser amplamente planejado, estudado e arquitetado, de modo que as habilidades dos negociadores possam ser testa- das e exploradas ao longo de uma negociação. Acreditamos que esta unidade tenha nos dado conhecimentos suficientes para avançarmos aos estudos da próxima, onde trataremos da importância da comunicação, ética e fator humano nas negociações, assuntos tão interessantes quanto os que foram até aqui discutidos. Vamos em frente e bons estudos! 176 1. De acordo com Martinelli e Ghisi (2006), os objetivos do sistema de negociação são baseados em elementos que desempenham uma função dentro do sistema de negociação. Esses elementos são as entradas (estímulos), os processos que transformam as entradas em saídas, que são os resultados das operações do pro- cesso, ou, alternativamente, a razão da existência do sistema. Sobre o elemento “entrada” nesse processo, é correto afirmar que: a. Valores pessoais envolvidos. b. Benefícios duradouros. c. Concessões. d. Benefícios de conflito. e. Acordo. 2. Sabemos que os estágios na negociação são divididos em Estágio de Prepara- ção, Estágio Inicial, Estágio de Barganha e Estágio de Fechamento. Sobre o Estágio de Preparação, é correto afirmar que: I. Fazer clássico jogo da negociação. II. Fazer o acordado. III. Planejar e definir objetivos. IV. Saber ouvir. V. Coletar informações. Assinale a alternativa correta: a. Apenas a alternativa I está correta. b. Apenas as alternativas II e IV estão corretas. c. Apenas a alternativa III está correta. d. Apenas as alternativas III e V estão corretas. e. Apenas alternativa V está correta. 3. Em negociações, vimos que o fator “poder” é de grande importância, sendo os poderes pessoais considerados como poderes inatos, presentes em qualquer situação, independentemente do papel desempenhado, dos conhecimentos e das habilidades para lidar com as pessoas. Sobre os poderes inatos, eles são sub- dividos em: 177 Assinale (V) para Verdadeiro e (F) para Falso para a alternativa que correspon- da corretamente à subdivisão dos poderes: ( ) Poder da moralidade. ( ) Poder do especialista. ( ) Poder da atitude. ( ) Poder de legitimidade. ( ) Poder da persistência. a. V, V, F, F, F. b. F, F, V, V, F. c. V ,F ,V, F, V. d. F, V, F, V, V. e. V, V, F, F, V. 4. Embora as estratégias e táticas utilizadas tornem uma negociação interessante, o sucesso não está diretamente vinculado à forma como se joga o jogo ou à dra- matização dos participantes, mas, em grande parte, ao processo de preparação e planejamento que ocorre antes de iniciado o diálogo. O planejamento eficiente de negociação depende da atenção dispensada a alguns itens. Com base nessa afirmação, responda: Como seria a etapa do planejamento que envolve o “desenvolverde argumentos de apoio”? 5. Vimos ao longo de toda a unidade uma série de definições e explicações sobre poder e como elas nos levam ao mesmo sentido, ou seja, o domínio de algo. Para Sparks (1992), existem seis tarefas que devem ser dominadas pelo negociador na busca pela administração dos fatores de poder. Que tarefas são essas? Cite-as. 178 10 DICAS PARA VOCÊ NEGOCIAR MELHOR A habilidade de negociar bem é essencial para sua sobrevivência no disputado mundo de negócios de hoje. Com a globalização, downsizing, reengenharia e outras tendências, todos os recursos são muito disputados e vence quem negociar melhor. O processo de negociação pode ser angustiante para quem não conhece as técnicas, mas é extremamente envolvente e apaixonante para os negociadores bem preparados. Para você, executivo atarefado, aqui vão 10 dicas práticas de negociação: 1. Tente negociar tudo Negociadores de sucesso conhecem bem uma coisa - tudo pode ser negociado! Isso quer dizer que você não deve aceitar nada que seja imposto, deve questionar. A um nível prático, isso significa tentar negociar o valor de uma multa, a diária de um hotel, o preço de uma passagem aérea. Você não pode negociar se não estiver disposto a ques- tionar a veracidade e a firmeza dos pontos de vista de seus oponentes. Ser assertivo significa pedir o que você deseja e não aceitar o “não” como uma primeira resposta. Comece a praticar uma postura, onde você vai expressar seus sentimentos sem ansiedade ou raiva. Mostre para as pessoas o que você deseja duma maneira amigável, sem ameaças. Veja que existe uma grande diferença entre ser assertivo e agressivo. Você é assertivo quando cuida de seus próprios interesses e diz o que pensa, com educação. 2. Torne-se um bom ouvinte Negociadores são como detetives. Eles fazem perguntas e depois calam a boca. Na maio- ria das vezes seu oponente vai lhe falar tudo o que você precisa saber - contanto que você fique calado. Aliás, muitos conflitos poderiam ser resolvidos se os negociadores ouvissem melhor. O grande problema é que nunca fomos treinados a ouvir, e sim a falar. Temos uma grande ansiedade em expor nossos pontos de vista, e não conseguimos nos concentrar no que nosso oponente está falando. Duvida? Faça você mesmo um teste. Em sua próxima negociação, veja quanto tempo consegue ficar calado, sem pensar em suas respostas e sem interromper o outro lado. Você ficará surpreso! Quem fala mais dá mais informação. Como uma regra básica, lembre-se da célebre teoria de Pareto: Fale 20% do tempo e ouça os outros 80%. Faça bastante perguntas abertas, aquelas que não podem ser respondidas com um simples “sim” ou “não”. 3. Planeje Nunca vá para uma negociação sem fazer sua lição de casa. Existem várias informações que você precisa descobrir antes do início da negociação. Por exemplo: Quais as opções que ele tem? Quais as pressões que está sofrendo? Ele tem uma data limite para resolver o problema? Qual o seu orçamento? Quando você planeja, a tensão e o estresse dimi- nuem. O cenário se torna mais familiar, e várias novas opções vão surgindo à sua frente. 179 Você fica mais tranquilo e confiante para qualquer negociação. 4. Peça alto ou ofereça baixo Aristóteles Onassis já dizia: “Quem pede mais”, leva mais. Lembre-se que o encarregado de defender os seus interesses é você. Ou seja, se você não pedir alto, o outro lado não vai ficar com dó e aumentar a oferta. Na prática, o resultado vai ser deste valor pedido… para baixo. O mesmo raciocínio se aplica se você estiver comprando. Em todas as nego- ciações existe uma gordura de pelo menos 10%. Ela vai ficar com quem for mais ousado e pedir alto ou oferecer baixo. Um lembrete - use esta técnica com cautela se o seu rela- cionamento com o outro lado for importante e de longo prazo. 5. Justifique sua oferta Oferecer baixo ou pedir alto não funciona se você não souber como justificar sua posi- ção. Descubra maneiras de mostrar o valor da solução que você está propondo, diferen- cie sua solução. Saber diferenciar significa conseguir valores mais altos. Veja o exemplo da água mineral francesa Perrier. Ao criar uma grife, a Perrier consegue ser a água mais vendida no mundo inteiro e uma das que consegue o maior preço. Se alguém consegue diferenciar água mineral, certamente você tem elementos para conseguir diferenciar sua posição, não é mesmo? 6. Seja paciente Os brasileiros gostam de resolver tudo muito rapidamente. Com a tensão do dia-à-dia, nossa paciência anda muito curta. Computadores parecem lerdos, um comercial na TV é interminável, um semáforo fica fechado para sempre - tudo demora muito. No processo de negociação porém, quem consegue esperar normalmente consegue melhores resul- tados. Se o outro lado tem pressa e você pode gastar o tempo que for necessário, sua vantagem é bastante grande. Com um bom planejamento, você não vai ter que lutar contra o relógio em sua próxima negociação. Você precisa de paciência e tempo para negociar bem. 7. Não aceite a primeira oferta Se você aceitar uma primeira oferta de seu oponente, ele sempre vai ficar com a sensa- ção de que fez um mau negócio, que poderia ter conseguido algo melhor. Imagine este cena: você vai comprar um carro usado. Depois de examiná-lo cuidadosamente, resolve fazer uma proposta indecorosa, 30% abaixo do valor real do mercado - só para começar a negociar. Neste momento o dono do carro lhe estende a mão e diz sorridente - aceito! Negócio fechado! Qual será a sua reação? Será que realmente fiz um bom negócio? Este carro deve ter problemas... 180 8. Nunca dê nada de graça Tudo que é dado de graça não tem valor. Faça o outro lado valorizar cada concessão sua. Não dê nada, troque tudo. Por exemplo, se ele pedir um desconto adicional no preço, solicite uma condição de pagamento mais favorável. Se ele pedir mais prazo, peça algo em troca. A palavra mais importante no vocabulário do negociador é a palavra “se”. Tudo o que começa com “se” está no condicional e implica numa troca. Se você fizer isso, eu posso fazer aquilo... 9. Guarde uma concessão para o final É importante que o outro lado saia com a sensação de vitória, de ter feito um ótimo negócio. Para que isso aconteça é preciso guardar algumas pequenas concessões para o final da negociação. Ele sai com o ego satisfeito e você sai com o bolso satisfeito. Fa- lando em ego, é sempre bom lembrar que o ego é um dos fatores que mais atrapalha as negociações. Deixe sempre uma saída honrosa para que seu oponente possa mudar de ideia sem ter que se humilhar. 10. Tenha sempre uma alternativa Nunca negocie sem ter outras alternativas. Quando não temos opção, ficamos inteira- mente nas mãos do oponente. Se ele conseguir descobrir isso, certamente vai conseguir desequilibrar a negociação. Veja o exemplo: numa cidade pequena, existe um comer- ciante que compra e vende móveis usados. Uma pessoa vai até a loja e tenta vender um fogão ao proprietário. Examine o balanço de poder dessa situação. Se o comerciante não comprar, certamente não vai fechar as portas por isso, já que ele tem várias opções de venda - outros móveis no estoque. Já a pessoa que tenta desesperadamente vender o fogão, se não concretizar a transação talvez não consiga comprar um remédio, ou se alimentar, ou... Negociar bem é uma mistura de arte e ciência. Saber negociar é fundamental para o seu sucesso, tanto profissional quanto pessoal. Fonte: Miranda (WORKSHOP, [2016]on-line)1. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Todos nós precisamos negociar, independente da posição profi ssional, classe social ou cultura. Nos sites indicados a seguir, estão algumas dicas importantes para ajudá-lo(a) a conduzir uma negociação de forma efi ciente. <http://www.negociarbem.com.br>. <http://exame.abril.com.br/topicos/negociacoes>. <https://www.youtube.com/watch?v=Kiklfr4CFfc>.<https://www.youtube.com/watch?v=9aQBsqS1pNE>. Você pode negociar tudo Herb Cohen Ano: 2005 Editora: Campus Sinopse: todos os dias, de muitas maneiras, nos comunicamos com outras pessoas na tentativa de exercer algum tipo de infl uência. Esse livro despertará a atenção do leitor para o fato de que negociar não é um estratagema de vida ou morte, mas, antes, um jogo refi nado que deve ser praticado de maneira muito inteligente. Os negociadores se fazem a partir de suas próprias experiências de negociação em diversas áreas. A capacidade de infl uenciar pessoas pode ser aprimorada, inicialmente, com a prática consciente de técnicas de negociação. Muitas vezes, pais tentando convencer seu fi lho e um vendedor tentando fechar uma negociação encontram difi culdades semelhantes por não conhecerem as ferramentas certas de persuasão. Coach Carter - Treino para a Vida Ano: 2005 Sinopse: Richmond, Califórnia, 1999. O dono de uma loja de artigos esportivos, Ken Carter (Samuel L. Jackson), aceita ser o técnico de basquete de sua antiga escola, onde conseguiu recordes e que fi ca em uma área pobre da cidade. Para surpresa de muitos, ele impõe um rígido regime, em que os alunos que queriam participar do time tinham de assinar um contrato que incluía um comportamento respeitoso, modo adequado de se vestir e ter boas notas em todas as matérias. A resistência inicial dos jovens acaba e o time sob o comando de Carter vai se tornando imbatível. Quando o comportamento do time fi ca muito abaixo do desejável, Carter descobre que muitos dos seus jogadores estão tendo um desempenho muito fraco nas salas de aula. Assim, Carter toma uma atitude que espanta o time, o colégio e a comunidade. REFERÊNCIAS ACUFF, F. L. Como negociar qualquer coisa com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. São Paulo: SENAC, 1997. BURBRIDGE, M. R.; et al. Gestão da negociação: como conseguir o que se quer sem ceder o que não se deve. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. COHEN, H. Você pode negociar qualquer coisa. Rio de Janeiro: Record, 1980. COLAIÁCOVO, J. L. Negociação moderna: teoria e prática. Blumenau-SC: FURB, 1997. FERREIRA, A. B. de H. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa. Rio de Ja- neiro: Nova Fronteira, 2000. JUNQUEIRA, L. A. C. Negociação: tecnologia e comportamento. Rio de Janeiro: COP Editora Ltda, 1988. LEWICKI, R. J; HIAM, A. MBA compactado: estratégias de negociação e fechamento. Rio de Janeiro: Campus, 2003. LEWICKI, R. J; SAUNDERS, D. M. MINTON, J. W. Fundamentos da negociação. 2. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. MARTINELLI, D. P. Negociação empresarial: enfoque sistêmico e visão estratégica. São Paulo: Manole, 2002. MARTINELLI, D. P; ALMEIDA, A. P. Negociação: como transformar confronto em coo- peração. São Paulo: Atlas, 1997. MARTINELLI, D.P; GHISI, F. A. Negociação: aplicações práticas de uma abordagem sistêmica. São Paulo: Saraiva, 2006. MAXIMIAMO, A. C. A. Introdução à administração. 5. ed. São Paulo, 2000. MELLO, J. C. M. Negociação baseada em estratégia. São Paulo. Atlas, 2003. MILLS, H. Negociação: a arte de vencer. São Paulo: Gower e Makron Books, 1993. SANER, R. O negociador experiente: estratégias, táticas, motivação, comportamen- to, liderança. 2. ed. São Paulo: SENAC/SP, 2004. SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: USP, 1999. SPARKS, D. B. A dinâmica da negociação efetiva: como ser bem sucedido através de uma abordagem ganha-ganha. São Paulo: Nobel, 1992. STARK, P. B. Aprenda a negociar: o manual de táticas ganha/ganha São Paulo: Lit- tera Mundi, 1999. 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São subdivididos em: Poder da moralidade; Poder da atitude; Poder da persistência. Os demais poderes são considerados poderes circunstanciais. 4. Etapa na qual o negociador deve testar os procedimentos definidos, levantar hi- póteses sobre os argumentos da outra parte e buscar formas criativas de fortalecer sua posição. 5. Reconhecer a discrepância de poder. Modificar os desequilíbrios do poder. Reconhecer o risco pelo uso do poder. Evitar o uso de argumentos baseados no poder. Evitar a manipulação. Usar ferramentas lógicas. U N ID A D E V Professor Me. Victor Andrei da Silva APLICAÇÕES E ESTRATÉGIAS EM NEGOCIAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Estudar a importância que a comunicação tem dentro do processo de negociação. ■ Compreender a importância do fator humano dentro do processo de negociação. ■ Estudar os tipos de negociação e as estratégias adotadas em processo de negociação. ■ Compreender os processos de gestão de uma negociação por meio da matriz de negociação. ■ Entender como a negociação pode auxiliar gestores na resolução de conflitos internos e externos. ■ Compreender a importância da aplicação ética nas negociações. ■ Estudar os processos contemporâneos da negociação e suas mudanças e tendências no atual cenário business. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ A importância da comunicação na negociação ■ O fator humano nas negociações ■ Estratégias e tipos de negociação ■ Gestão do processo de negociação ■ Negociação como estratégia na resolução de conflitos ■ Ética nas negociações ■ Tendências e atualidades sobre negociação INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Na unidade V vamos ampliar ainda mais nossos conhe- cimentos e estudar a importância que a comunicação tem dentro do processo de uma negociação, além de compreender o fator humano, ou seja, o negocia- dor dentro desse processo. Estudaremos também quais são os tipos e modelos de negociações que existem e quais são as estratégias que um negociador pode adotar durante um processo de negociação. Todo negociador possui um perfil, uns mais conserva- dores, outros mais dinâmicos. A escolha de uma estratégia para negociar, embora pareça simples, precisa ser escolhida de maneira minuciosa. Ao longo dessa unidade buscaremos também esclarecer e compreender sobre os processos de gestão de uma negociação, que podem ser feitos e estruturados sobre a matriz de negociação, que é um modelo muito conhecido e amplamente difundido no mundo dos negócios. Estudaremos também como a negociação pode auxiliar gestores na resolu- ção de conflitos internos e externos. Hoje, em muitas organizações, a negociação, sob a ótica da comunicação, tem sido uma arma de grande auxílio para gestores e gerentes que almejam solucionar problemas, como por exemplo de relacio- namento interno. Faremos uma abordagem sobre os processos mais recentes e contemporâneos que englobam a negociação dentro do atual cenário business em que as empresas estão. Por fim, faremos uma breve reflexão sobre a impor- tância do aspecto ético nas negociações. Como você pode observar, temos ainda muita coisa para estudar e ampliar em nossos conhecimentos.Esperamos que, ao término desta unidade, você possa estar preparado(a) para testar suas habilidades, enquanto negociador(a). Lembre-se: negociamos o tempo todo! E você, está preparado(a)? Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E188 IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO Caro(a) aluno(a), embora pareça clichê e de certo modo até repetitivo dizer, todos nós sabemos que a boa comunicação é, sem sombra de dúvidas, um fator consi- derado imprescindível, para não dizer essencial, em um processo de negociação, pois envolve a capacidade de ouvir e entender as necessidades da outra parte. Ouvir é o segredo para uma boa comunicação. Observe que eu disse “ouvir”, e não “escutar”. Embora pareçam ter o mesmo sentido, essas palavras possuem sig- nificados bem diferentes. Poucos negociadores têm a habilidade de “saber ouvir” aguçada. Não saber ouvir pode significar a perda de uma oportunidade de se concretizar um negócio de forma melhor. É válido ressaltar que ouvir não signi- fica apenas utilizar os ouvidos. O ouvir também pode ser expressado por sinais, pelo olhar, atenção e a expressão corporal. Do outro lado, existe uma pessoa que sabe perfeitamente se você está ou não prestando atenção em suas palavras. De fato, a comunicação nem sempre vai ocorrer como planejamos, ainda mais neste mundo da informação globalizada, dinâmica, intensiva e interativa. Muitas vezes, as informações são transmitidas de maneira confusa, prejudicando assim a qualidade da mensagem. © sh ut te rs to ck Importância da Comunicação na Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 66), “entre o emissor e receptor existem ruídos”. Para os autores: [...] qualquer interferência no processo, a começar pela própria distor- ção seletiva (os receptores irão ouvir, de fato, aquilo que se ajusta a seu sistema de crenças. Consequentemente, é comum que sejam acrescen- tadas às mensagens coisas que não foram expressas e que não sejam percebidas outras coisas que estão presentes), do receptor, bem como o barulho, ou mesmo sinais contraditórios do emissor, fazem COM que o processo de comunicação não seja bem realizado. (MARTINELLI; GHISI, 2006, p. 66) Ou seja, o que deseja se comunicar não é de fato compreendido pelo receptor. Assim, a comunicação também pode ser classificada conforme a função que pretende desempenhar. O quadro a seguir pode mostrar que papéis podem ser desempenhados por um processo de comunicação. Quadro 1 - As funções da comunicação CLASSIFICAÇÃO DA COMUNICAÇÃO CONFORME SUA FUNÇÃO DEFINIÇÃO Criadora de identidade Dá forma à personalidade do indivíduo. Expressiva Identifica e expressa ideias. Informativa Permite o conhecimento do mundo objetivo. Instrumental Satisfaz necessidades materiais e espiri-tuais. Regulatória Controla o comportamento. Interacional Promove relacionamentos. Imaginativa Proporciona liberdade de pensamentos. Fonte: adaptado de Martinelli e Ghisi (2006). APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E190 Para Martinelli e Ghisi (2006, p. 67), “saber utilizar a comunicação de forma adequada, aproveitando suas diversas possibilidades, é um desafio para qual- quer pessoa envolvida em uma negociação”. Comunicação Eficaz Martinelli e Ghisi (2006, p. 68) destacam que “a comunicação, especialmente o ‘saber ouvir’, é um instrumento essencial para identificar as necessidades das outras partes presentes na negociação”. Comunicar-se de forma eficaz envolve: a. A escolha do canal adequado. b. A elaboração do conteúdo da mensagem. c. A identificação e redução dos ruídos e interferências. d. O feedback (ou realimentação) por meio do qual pode-se confirmar se a decodificação da mensagem, pelo receptor, deu-se da maneira esperada pelo emissor. A comunicação, seja ela escrita, falada ou por meio de símbolos, é uma fer- ramenta importantíssima na hora de se negociar. É impossível estabelecer qualquer relacionamento, se não houver uma comunicação, ainda que limi- tada. Para saber mais, acesse o link disponpivel em: <http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI148439-17141,- 00-A+IMPORTANCIA+DA+COMUNICACAO+NA+NEGOCIACAO.html>. Fonte: o autor. O Fator Humano nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 Para os autores, os personagens envolvidos em um processo de negociação, pre- cisam e devem ser capazes de comunicar de forma clara, transparente e nítida, sobre quais são suas ideias e objetivos dentro da negociação e também constatar se o outro lado compreendeu perfeitamente as informações e mensagens que lhe foram repassadas. Assim, cabe às organizações, por exemplo, aferirem o grau de qualidade de uma informação repassada de um vendedor para um cliente. É importante constatar também que a informação cumpra todas as etapas de fluxo comunicativo, ou seja, do emissor ao receptor, ela precisa sofrer o mínimo de divergência ou eco possível. Um cliente nunca deve ir para casa com dúvidas. É dever do vendedor dei- xar claro toda e qualquer informação para o cliente, ainda que este opte por não efetuar a compra, por exemplo. Práticas obscuras, em que se omitem informa- ções, certamente “explodirão” no SAC da empresa, ou levarão a organização a ser conhecida no PROCON, por exemplo, sem contar que a internet, por meio das redes de relacionamentos, pode potencializar ainda mais as questões nega- tivas de um negócio. O FATOR HUMANO NAS NEGOCIAÇÕES Caro(a) aluno(a), se não houver pessoas, não existe negociação. Vimos ao longo das várias unidades de estudo deste material que o fator humano nas negocia- ções é fundamental para que uma transação de troca ocorra. Pessoas representam empresas, que por sua vez têm interesses e que dependem da outra parte envol- vida para que a negociação tenha um desfecho positivo. Por isso, a qualificação profissional dos negociadores é um fator chave para o sucesso em uma negociação. A excelente qualidade do fator humano dentro das organizações eleva a capa- cidade de competição que uma empresa tem com relação aos seus concorrentes. Com capacidade técnica, bons negociadores podem conduzir uma negociação APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E192 com segurança, controle, domínio e qualidade. O resultado de uma negocia- ção assim só pode ser positivo e sem traumas. Investir em pessoas qualificadas é mais do que uma prática de recursos humanos. É fazer um investimento com retorno de curto prazo, com sucesso garantido. Liderança em Negociação Embora pareça clichê, o fator humano é muito importante para uma organiza- ção. Essa importância se dá pelo fato de que nós, em algum momento, podemos estar presentes em qualquer dos dois lados de uma negociação. Por mais que estejamos vivendo em uma era tecnológica, os robôs ainda não substituíram o homem para negociar. Durante um processo negociativo, várias técnicas podem ser utilizadas. Nossa postura pode dizer muita coisa, assim como os sinais que nosso corpo emite ou até a nossa comunicação verbal, coisasque robôs, ainda, não podem fazer. Há não muito tempo, os indivíduos de uma organização eram vistos ape- nas como peças que faziam parte de uma engrenagem que funcionava à base do poder e do autoritarismo. De acordo de com Chiavenato (2002, p. 137), “neste modelo de administração, o que implica é o controle, respaldado no poder da autoridade”. Esse modelo de administração citado pelo autor, com o passar do tempo, foi ficando obsoleto e cada vez mais ineficiente. Empresas e gestores viram que os resultados não eram satisfatórios, pois não existia um comprometimento real dos envolvidos. A sociedade evoluiu, bem como a economia. Essa evolução, por exemplo, fez com que as pessoas dentro de uma empresa deixassem de ter apenas um papel de mero espectador e se tornassem mais participativas no pro- cesso do negócio da organização. O Fator Humano nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 Surgiu, então, a importância do líder dentro das organizações. No caso das negociações, o líder assume um papel ainda mais importante. Mas que papel se espera que um líder desempenhe em negociações? Em uma negociação, o líder, que eventualmente pode ser um gerente de vendas, um supervisor ou até mesmo um vendedor mais experiente, tem um papel fundamental, porque será por meio dele que as estratégias e os objetivos estabelecidos pela organização deverão ser cumpridos. O líder deverá compreender como, quando e quais meios utilizar para atingir sua meta. Chiavenato (2002, p. 139) sugere que um líder pode dar as seguintes contri- buições em uma negociação: ■ Influenciar os demais envolvidos. ■ Incentivar as pessoas a explorarem seu potencial. ■ Direcionar as pessoas para tomarem ações corretas. Chiavenato (2002) defende que o líder deve possuir as seguintes características: ■ Ser maduro emocionalmente. ■ Ser autoconfiante. ■ Ser naturalmente motivado. ■ Ser íntegro. Com essas e outras características, o líder torna-se referência para os demais. Naturalmente, suas atitudes refletem no comportamento dos colegas de trabalho, e isso impactará nos números da empresa. Tratando-se de vendas, por exemplo, o comportamento do líder poder fazer a diferença para toda a equipe e para a empresa. E lembre-se: os negociadores são pessoas! APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E194 Relacionamento e Negociação Quer saber quando sua negociação deu certo? A resposta é simples: se você tem relacionamento sadio com quem já negociou, certamente você fez a coisa certa e está no caminho correto. Se você, por algum motivo, perdeu o cliente, teve algum problema posterior à negociação, é preciso que reveja seus conceitos. Um dos objetivos da negociação é, justamente, criar relacionamento, e de preferência duradouro, com a outra parte. De acordo com Shell (2001, p. 76), “os relacionamentos pessoais criam um nível de integridade e confiança entre as pessoas que diminui a ansiedade e facilita a comunicação”. Em uma negociação, o bom relacionamento permite ao negociador, por exemplo, ter mais liberdade de se comunicar e expor ideias, pois, do outro lado, existe uma experiência anterior que permite esse comportamento do negociador. Lembre-se: relacionamento é construído e requer tempo, investimento, paci- ência e dedicação. A negociação baseada no relacionamento sempre deve ser a ganha-ganha. Por isso, o uso da empatia, para o negociador, é fundamental no processo de negociação. Nunca, mas nunca, a outra parte da negociação envol- vida deve sair da “mesa” com dúvidas na cabeça. De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 221): [...] para o negociador que prioriza o relacionamento em uma negocia- ção, é importante a criação de valor. A criação de valor é a junção de forças entre cliente e negociador, buscando otimizar os ganhos econô- micos, resultando em satisfação para ambos. Negociação e Feedback Dar e receber feedback significa comunicar a alguém como os atos dessa pessoa afe- tam os sentimento dos outros. O feedback é um processo que favorece as mudanças de comportamento que buscam alcançar o objetivo desejado. Em uma negociação: “a atitude de dar e receber feedback promove um ambiente bastante positivo, onde O Fator Humano nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 as partes podem se comunicar verdadeiramente e trabalhar juntas em direção a um propósito comum, mutuamente acordado” (LOPES ; STOECKICHT, 2009, p. 109). Todavia, dar e receber feedback não é uma tarefa fácil. Requer preparação e vontade, caso contrário poderá prejudicar uma comunicação interpessoal. Lopes e Stoeckicht (2009, p 111) sugerem que um feedback eficaz precisa ser: ■ Descritivo ao invés de avaliador: narrar o que aconteceu e não julgar o ocorrido, pois, agindo assim, inibe-se o comportamento defensivo e esti- mula-se a abertura para uma escutada. ■ Específico e não geral: mencionar o que aconteceu e não falar sobre o comportamento e as atitudes em geral. ■ Dirigidos a comportamentos que podem ser mudados: reconhecer atitu- des que não podem ser mudadas é frustrante. ■ Solicitado ao invés de imposto: quanto maior o interesse em escutar o fee- dback, mais construtivo ele será. ■ Oportuno: quanto mais próximo o feedback for do momento em que aconteceu a atitude ou com- portamento em questão, maior será o seu efeito. ■ Esclarecedor: é importante ava- liar se o feedback foi recebido com a mesma intenção com que foi dado. Para Lopes e Stoeckicht (2009, p. 112): [...] em negociações, o feedback é um recurso muito útil e desafiador. É um excelente meio para estabelecer e construir relacionamentos duradouros e confiáveis, coletar informações da outra parte e aprender como o processo da ne- gociação está se desenvolvendo. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E196 A importância do feedback em negociações se dá pelo seus princípios. O fee- dback é algo específico, não genérico. Saber que uma pessoa está “dominando” provavelmente não será tão útil quanto saber que “exatamente quando estáva- mos discutindo o problema você não prestou atenção ao que os outros disseram e eu me senti obrigado a aceitar seus argumentos ou enfrentar um ataque de sua parte” (ASHERMAN, 2012, p. 75). De acordo com Asherman (2012, p. 339), “o feedback sempre precisa ser visto sobre as duas óticas em uma negociação, seja de quem emite ou recebe o fee- dback”. O feedback deve ser fornecido quando você acha que há uma boa chance dele ser aceito e considerado útil, e também não colocar na defensiva quem o recebe. O feedback não é certo nem errado. Ele reflete a reação do fornecedor. Use sua energia para entender, não para se defender e contestar. Negociação e Rapport Se buscarmos uma tradução para o termo rapport, certamente não encontrare- mos nada definido de maneira clara. Rapport é uma palavra de origem francesa que em português significa “sintonia”. Existem poucos trabalhos acerca do tema, por isso a dificuldade de embasamentos científicos mais profundos. Alguns textos O feedback, para muitos gestores, até por falta de cultura, é visto como um grande problema. Na teoria, muitas pessoas têm essa impressão sobre o feedback, o que, na prática, é bem diferente. Poucos sabem, por exemplo, que o feedback é muito importante na melhoria do desempenho. Para saber mais, acesse o linkdisponível em: <https://www.infoq.com/br/news/2010/04/feedback-importancia-desem- penho>. Fonte: o autor. O Fator Humano nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 publicados em sites coaching, por exemplo, dão para o rapport um significado de entendimento, cooperação, empatia e harmonia. Compreendendo a essência do rapport e seu conceito, ele pode ser entendido como o estabelecimento de uma aliança, e tem como objetivo ter uma comuni- cação mais aberta, solta e que seja bem sucedida. O rapport no contexto empresarial é muito utilizado de forma estratégica. Citemos como exemplo, quando uma pessoa tem interesse pelo que o outro realmente pensa e qual é sua opinião sobre determinado assunto. Essa atitude pode ser chamada de rapport, pois funciona como uma espécie de facilitadora na negociação. Em uma negociação, o rapport tem como função: ■ Gerar um ambiente de confiança entre os envolvidos na negociação. ■ Gerar um ambiente de respeito entre os dois lados. ■ Mostrar empatia para a outra parte. Vale salientar, caro(a) aluno(a), que muitas pessoas usam da técnica do rapport Bem pouco difundido no Brasil, cada vez mais a aplicação da técnica chama- da de rapport tem ganhado novos seguidores a cada dia no país. Quer saber mais sobre rapport e qual é a sua importância nas negociações? Para isso, acesse o link disponível em: <http://site.suamente.com.br/a-importancia-do-rapport-nas-relacoes/>. Fonte: o autor. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E198 de maneira incondicional. Das técnicas mais conhecidas de rapport, podemos destacar as seguintes: ■ Espelhamento: a pessoa imita alguns elementos da linguagem corporal da outra pessoa. ■ Reciprocidade: fazer favores sem pedir nada em troca. ■ Interesses comuns: buscar pontos comuns na relação para estabelecer um sentimento de confiança. O rapport é um tema muito discutido na Programação Neurolinguística, tam- bém conhecida como PNL. A Programação Neurolinguística é uma ciência que estuda a mente humana, e seu objetivo é compreender as condutas que nos são indesejadas. ESTRATÉGIAS E TIPOS DE NEGOCIAÇÃO No atual momento do mundo corporativo de business, em que a competitivi- dade está cada dia mais acirrada entre as empresas e não basta mais ter apenas produtos de qualidade e com preços atraentes, o cliente é tratado como uma peça rara e única. Para agravar ainda mais essa competitividade, a popularização dos meios de comunicação contribuiu signi- ficativamente para deixar o cliente mais seletivo quando o assunto é “escolher um produto”. A internet, por meio dos meios de comunicação, sem sombras de dúvidas ,deixou os clientes muito mais informados do que em outras épocas. Com esse nível de conhecimento adquirido pelos clientes, novas táticas e Estratégias e Tipos de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 técnicas para se negociar precisaram entrar em ação. Hoje, tudo precisa ser revisto, afinal o público mudou e evoluiu. As velhas falas, conversas e manias, muito utilizadas por negociadores experientes, já não valem mais. Agora, é pre- ciso rever e se atualizar para buscar novas estratégias de negociação, assunto esse que discutiremos logo a seguir. Estratégias de Negociação Embora pareçam iguais, muitas pessoas ainda confundem os termos “estratégias” e “táticas” de negociação. Basicamente, a estratégia tem a ver com o comporta- mento de negócios estratégicos que a empresa adota, que normalmente é alinhado com a missão geral do negócio, ou seja, sua razão de existir. As táticas são basi- camente os objetivos específicos pré-determinados de uma organização, ou seja, particularidades. De acordo com Saner (2004, p. 127): A estratégia é uma diretriz geral, que indica o caminho que precisamos percorrer de nossos desejos e necessidades até nossos objetivos. [...] A tática, por outro lado, sempre vem depois da estratégia, dando-lhe substância na forma de uma linha de ação concreta. Se a estratégia é o pensamento, a tática é sua formulação. Ao estudar um ambiente ou uma situação, as estratégias de negociação são ado- tadas quando se define um objetivo para uma negociação, não sendo estático a utilização de um único modelo estratégico apenas durante uma negociação. De acordo com Mello (2007), em uma negociação, quatro estratégias podem ser adotadas, sendo elas a estratégia de competição, a estratégia de cooperação, a estratégia de relacionamentos e a estratégia da indiferença, conforme ilustra o quadro a seguir. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E200 Quadro 2 - A matriz da estratégia em negociação IMPORTÂNCIA DO RELACIONAMENTO FUTURO Alta Relacionamentos • Equipes de trabalho. • Negócios com amigos. • Namoro. • Investimento. Cooperação (Preocupações balanceadas) • Parcerias. • Sociedades. • Casamento. Baixa Indiferença • Banco estatal. • Fila de embarque. Competição (Transações) • Compra e venda. • Divórcio. • Lojas. BAIXO ALTO Grau de conflito que se deseja assumir Fonte: Mello (2007, p. 18). Mas o modelo descrito por Mello (2007) não é o único a ser utilizado em ter- mos estratégicos. As estratégias de negociação descritas anteriormente podem ser explicadas com uma outra leitura, conforme Lewicki e Hiam (1985) ilus- tram na figura abaixo. Figura 1 - Estratégias de negociação Fonte: Lewicki e Hiam (2003, p. 140). Grande GrandePequena Importância de Relacionamento Importância de Relacionamento Conciliar Perder para ganhar Colaborativa Ganha-Ganha Concessão Dividir a diferença Competitivo Ganhar a qualquer preço/Ganhar perder Evitar Perde-Perde Estratégias e Tipos de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 Tipos de Negociação De acordo com Lopes e Stoeckicht (2009, p. 46), “existem dois tipos de abor- dagens que podem ser utilizados em um processo de negociação: a abordagem distributiva e a abordagem integrativa”. Para os autores, o modelo de negociação distributivo, que também é conhecido como negociação soma-zero, tem como principal característica a fixação do valor, ou seja, o foco principal da negocia- ção é elevar ao máximo o valor negociado. Normalmente, com esta abordagem em uma negociação, utiliza-se a estratégia de competitividade, o que menos importa é o relacionamento. As partes competem entre si e basicamente sem- pre um lado sairá mais satisfeito com o resultado final da negociação do que a outra parte. Exemplificamos este modelo com hipótese da venda de um carro. Não existe relacionamento entre quem vende e quem quer comprá-lo. O foco principal está no valor do bem, ou seja, no seu preço final. Cada parte “puxa” o acordo para si. O vendedor quer puxar para cima e o comprador quer o máximo de descontos possível. Será que isso já não aconteceu com você? Diferente da negociação distributiva, no modelo de negociação integrativo (que também pode ser chamado de negociação ganha-ganha) busca-se criar valo- res. Nesse modelo, os negociadores buscam uma abordagem de colaboração ou cooperação, e usam a informação para facilitar esse processo. Aqui, o foco prin- cipal é o interesse mútuo de todosos envolvidos no processo de negociação, que visa a maximização do resultado final, ou seja, satisfação geral. Normalmente, nessa abordagem, o resultado final acaba por fortalecer o relacionamento entre os negociadores, promovendo um laço mais duradouro, que poderá gerar outros negócios no futuro (LOPES; STOECKICHT, 2009). Kersten (2001, p. 504) identifica quatro características chave, presentes nas negociações integrativas, que permitem distingui-las das negociações distributivas: ■ Criação de valor. ■ Abertura e intercâmbio da informação relevante. ■ Foco em interesses e não em posições. ■ Aprendizado e reestruturação do problema. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E202 Conforme Fisher e Ury (1995, p. 22), “os negociadores devem focar em interesse e não posições. Quando os negociadores discutem posições, tendem a fechar- -se nela”. De acordo com Albrecht e Albrecht (1995, p. 89), “os tipos ou modalidades de negociação mais comuns e amplamente conhecidos no mundo corporativo são negociação ganha-perde, negociação ganha-perde disfarçada e a negocia- ção ganha-ganha”. A mesma ideia é compartilhada por Lewicki e Hiam (2003). Para os autores, dentre os tipos mais conhecidos de negociação destaca-se o tipo perde-perde (evitar), perder para ganhar (conciliar), ganhar-perder (competitivo), ganhar- -ganhar (colaborativo) e dividir a diferença (concessão). Negociação ganha-perde Esse modelo é o mais comum e utilizado por negociadores das mais diversas áreas. Nesse formato, as negociações tendem a ser “tensas”, pois há um clima de medição de forças entre as partes, no qual quem cede mais pode ser considerado o mais fraco. Na negociação ganha-perde, só é possível chegar a uma acordo final quando alguma concessão é feita. Normalmente esse processo é tido como redu- tivo, pois uma parte está “armada” para não abrir a guarda para o outro lado. Ambos os lados ficam contestando a oferta do outro. No desfecho desse tipo de negociação, sempre uma parte estará mais “feliz” do que a outra (MELLO, 2007). Nesse formato de negociação, é comum se encontrar os seguintes elementos: ■ Guerra psicológica. ■ Clima do negócio ser tenso. ■ Competitividade exagerada. ■ Utilização exagerada de metáforas para desestabilizar a outra parte. ■ Sentimento de insatisfação (infelicidade) por uma das partes ao final da negociação. Estratégias e Tipos de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 Negociação ganha-perde disfarçada Você certamente já deve ter ouvido algum relato de um parente ou amigo mais próximo de que somente algum tempo depois de uma negociação ele desco- briu que foi “passado pra trás”. Esse tipo de negociação baseia-se na ideia de “vou tirar vantagem de você, e somente daqui a algum tempo você saberá disso”. (MELLO, 2007). Basicamente, na negociação ganha-perde disfarçada, a ideia de sucesso é apenas aparente. Os elementos mais comuns de uma negociação ganha-perde disfarçada são: ■ Posicionamento do negociador é de difícil identificação. ■ A negociação é conduzida com muitos segredos e falta de informações. ■ Parece que há concessões. ■ Os sentimentos posteriores à negociação deixam uma das partes com a sensação de ter sido enganada ou passada pra trás. ■ Após o fechamento do negócio, o sentimento de culpa pode aparecer. Negociação ganha-ganha Por si só, no modelo de negociação ganha-ganha, o acordo final é basicamente cooperativo, no qual ambos os negociadores sairão satisfeitos com os resulta- dos. Normalmente, nesse processo estão envolvidos atitudes positivas, valores, autoestima e confiança, e em muitos casos os negociadores não possuem tais características. De acordo com Fisher e Ury (1995, p. 78): [...] na negociação ganha-ganha utiliza-se o modelo com valor agre- gado. O método de Agregar Valor na Negociação (AVN) é trabalho que foi desenvolvido pelo Havard Negotiation Project: A resposta para a pergunta sobre qual tipo de barganha posicional utilizar, se a do tipo suave ou da tipo dura, é ‘nenhuma das duas’. Mude a forma de negociar. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E204 Assim, alguns elementos são bem comuns nesse tipo de negociação, tais como: ■ Não obter concessão sem ter algo (melhor ou igual) em troca. ■ Não faça sua melhor oferta inicialmente. ■ Descubra quais são as fraquezas da outra parte. ■ Mantenha o domínio e o direcionamento da negociação. A forma como cada negociador conduz uma negociação pode ser influenciada pelo local, pelo ambiente, por pessoas ou pelo produto que está sendo nego- ciado. Cada negociante precisa, diante desse cenário e outras informações, levar a negociação a um desfecho de sucesso e satisfação para todos os envolvidos no processo negociativo. Negociação perde-perde Para Mello (2007, p. 159), “neste modelo de negociação, ao término de uma negociação, fica constatado tanto para a empresa como para o cliente, que ambos saíram perdendo como resultado final”. Os motivos são variados, como por exem- plo por uma abertura financeira exagerada da empresa em dar um desconto na venda de um produto para um cliente que, em contrapartida, recebeu um pro- duto que não atendeu às suas expectativas em termos de qualidade. O que houve, na verdade, foi uma negociação mascarada, em que a empresa, ao tirar preço para agradar o cliente e não perder a venda, lhe entregou um outro produto com qualidade inferior. Resultado: o cliente não volta mais, pois teve frustrada a sua expectativa com a experiência do produto e, consequentemente, a empresa não venderá mais, pelo menos para aquele cliente. Os Quatro Movimentos da Negociação Quando os negociantes têm pontos de vista ou objetivos diferentes em uma nego- ciação, a negociação passa a ter um componente vital: o movimento (STEELE; Estratégias e Tipos de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 MURPHY; RUSSIL, 1991). Sem o movimento, uma negociação pode ser malsu- cedida. Nesse contexto, para os autores, a negociação precisa ter um dos quatro movimentos: o acordo, a coerção, a emoção e o raciocínio lógico. Acordo O acordo é uma etapa da negociação em que as concessões são mútuas e os nego- ciadores buscam equilibrá-las até que a negociação possa ser finalizada. Mesmo que um dos lados tenha uma postura mais radical, normalmente essa postura é tida como mais confiável. No acordo, pode-se utilizar a barganha para se permu- tar algo entre si (STEELE; MURPHY; RUSSIL, 1991). A barganha pode ser vista como uma via de mão de dupla, em que os negociantes recebem e abrem con- cessões. É preciso salientar que existe uma diferença entre barganha e acordo. Na barganha, normalmente pode-se gerar conflitos desnecessários, e no acordo busca-se uma saída simples para todos os lados. Coerção A coerção pode ser entendida como uma indução de concessão de apenas uma das partes. É na coerção que o negociador, que possui uma posição de maior influência, induzirá o outro lado a partir logo para o acordo. Na coerção é muito comum a utilização de blefes, porém não é uma regra. Emoção Geralmente, bons negociadores são cheios de emoções. Não que a emoção seja algo obrigatório em uma negociação, mas a utilização de aspectos emocionais em uma negociação pode fazer parte da estratégia de muitos negociadores. Porém, as emoções são estratégias,e não forma de comportamento, como por exemplo entusiasmo em excesso ou indiferença total. A linguagem corporal também pode APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E206 ser entendida como um fator emocional. Por esse aspecto, a questão cultural pre- cisa ser avaliada. Vejamos, por exemplo, os países orientais, onde normalmente o sorriso pode ser interpretado de maneira desrespeitosa. Quando a emoção, se bem utilizada, for aplicada, ela poderá ajudar na indução e consequente busca por um acordo (STEELE; MURPHY; RUSSIL, 1991). Raciocínio Lógico Muito usado para sustentar uma posição ou decisão, o raciocínio lógico visa dei- xar o outro lado sem argumentos, ou seja, mais enfraquecido. A lógica é usada para embasar probabilidades, clarificar problemas e deixar ambos os lados o mais próximo possível sobre a realidade do negócio. Normalmente, quem usa o raciocínio lógico de maneira eficiente em uma negociação terá maior chance de adquirir o domínio da negociação. GESTÃO DO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO Caro(a) aluno(a), gerir um processo de negociação requer dos negociadores, entre outros aspectos, planejamento, organização, foco e disciplina. Uma negociação pode começar com um simples boa tarde, ou até mesmo com um breve “oi” e ter- minar com um “volte sempre” ou “nunca mais piso meus pés neste lugar”. Para que uma negociação tenha um desfecho feliz ou infeliz, por exemplo, muitas eta- pas serão percorridas. Dias, semanas, meses e quem sabe até anos, dependendo do preço, características e complexidade do produto, podem fazer parte dessa cronologia de tempo. A velocidade e forma como isso irá acontecer são de res- ponsabilidade de quem conduz e gerencia uma negociação. Gestão do Processo de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 207 Assim, conhecer os processos que uma negociação possui dá ao negocia- dor grandes chances para se fechar o negócio com final feliz. O processo em si não é novo para nenhum negociador. O que está em jogo, nesse caso, é a forma de gestão ou metodologia aplicada pelo negociador no processo de negociação, como veremos logo a seguir. Cada negociador possui uma forma de conduzir e gerenciar uma negociação. Qual é a sua? As diferentes formas de Negociar Imaginemos três situações distintas de negociação: na primeira, você está nego- ciando a venda de seu carro usado para seu melhor amigo; na segunda, você está comprando um carro usado de um revendedor que parece confiável; e na ter- ceira, você está comprando um carro de seu querido irmão mais novo, que está precisando vendê-lo imediatamente para aplicar o dinheiro (MELLO, 2007). Agora, seja sincero e responda a seguinte pergunta: você negociaria da mesma maneira nas três diferentes situações apresentadas? De acordo com Mello (2007, p. 16): [...] a resposta é bastante simples: Se você negociar da mesma forma nas três maneiras aqui apresentadas, estará, na melhor das hipóteses, per- dendo só dinheiro ou perdendo só amigos, e na pior, perdendo muito dinheiro e muitos amigos. Ao observar a resposta do autor, chegamos à conclusão de que existem formas dife- rentes de negociar que devem ser utilizadas em função do objetivo da negociação. Voltemos aos exemplos citados anteriormente. Ao negociar o carro com seu amigo, você quer, além de preservar sua amizade, um bom preço pelo carro. Em síntese, você está interessado no aspecto financeiro e também na importância do relacionamento (MELLO, 2007). No segundo caso, a coisa muda de figura. Você não conhece o vendedor, a loja e, como provavelmente não está interessado em preservar, manter ou cons- truir relacionamentos, pode usar blefes e pechinchar, pois seu objetivo maior é o resultado financeiro do negócio que está fechando. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E208 Por fim, no terceiro caso - a negociação com o irmão, como você está folgado e quer agradar seu parente, afinal ele está precisando, você paga o preço que ele pediu, mesmo sabendo que é o preço mais alto que esse carro pode valer e que você dificilmente obterá o mesmo valor se desejar vendê-lo. Pensando assim, você valoriza mais o relacionamento do que o ganho financeiro (MELLO, 2007). Mas o que tem de errado com cada uma dessas formas de negociar? A resposta é: nada! Cada uma delas possui suas vantagens e desvantagens. Para Mello (2007, p. 17): [...] se aplicarmos esse mesmo conceito nas negociações corporativas, no primeiro caso, você está interessado em fazer uma parceria com a outra empresa, no segundo você quer o menor preço possível, sem se importar com o relacionamento, e no terceiro você está disposto a per- der dinheiro se construir um relacionamento que pode ser lucrativo no futuro. Mesmo que você não perceba, toda vez que negociamos usamos essas premis- sas, ainda que de forma desordenada ou sem compreender por que agimos de uma maneira ou outra, dependendo da situação (MELLO, 2007). Matriz da Estratégia De acordo com Mello (2007, p. 18), “são quatro estratégias que compõem a matriz de negociação. Elas são divididas em estratégias de relacionamentos, coopera- ção, indiferença e competição”. A seguir, a figura para exemplificar: Gestão do Processo de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 209 Importância do relacionamento futuro RELACIONAMENTOS: • Equipes de trabalho • Negócios com amigos • Namoro COOPERAÇÃO: • Parcerias • Sociedades • Casamento COMPETIÇÃO: • Compra e venda • Compra em lojas • Divórcio INDIFERENÇA: • Banco estatal Grau de conito que se deseja assumir ALTA ALTO BAIXA BAIXO Figura 2 - A matriz da estratégia da negociação Fonte: Mello (2007, p. 18). Estratégia de competição Para Mello (2007, p. 18): [...] quando a necessidade de obter vantagens financeiras é alta (e, nesse caso, você está disposto a assumir um grau de conflito maior) e a neces- sidade de manter um relacionamento futuro é baixa, você normalmen- te negocia utilizando essa estratégia. A estratégia de competição é o caso mais comum no mundo das negociações comerciais e corresponde à compra do carro do exemplo dado. Ao entrar em revenda de automóveis, além de querer o carro, seu foco principal é o ganho finan- ceiro. Se o vendedor, a loja ou seja lá o que for, não atender às suas expectativas, certamente você vai comprar no concorrente. Aqui, nesse caso, relacionamento é o que menos tem valor ou importância. Esse modelo de negociação tem como principal característica a utilização de táticas e estratégias, sem a preocupação com o futuro. A seguir, relacionamos algumas outras características desse modelo de negociação, baseado na visão de Lewicki e Hiam (2003). APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E210 Quadro 3 - Estratégias de negociação competitiva ES TR AT ÉG IA S D E N EG O CI AÇ ÃO CO M PE TI TI VA Fazer com que a outra parte ceda em relação aos seus objetivos (eu ganho, você perde). Definir limites de negociação (ponto de partida, objetivos e ponto de desistência). Conhecer e buscar informações referentes à outra parte, a fim de planjear para reduzir os pontos do oponente. Dar importância aos benefícios tangíveis. Ter uma boa alternativa. Saber quais os custos envolvidos nanegociação. Manter os limites de negociação conforme planejado. Revelar o objetivo na hora certa. Nunca revelar o ponto de desistência. Induzir a outra parte a fazer grandes concessões. Fazer poucas concessões (de números e expressões baixas). Usar o poder do tempo. Calar-se quando for necessário. Usar o poder da coerção. Preparar-se para enfrentar táticas duras (saber ignorar e retalhar no momento correto, enfrentar as questões, afastar as táticas antes de acontecer). Fonte: baseado em Lewicki e Hiam (2003). Estratégia de cooperação Para Mello (2007, p. 19): [...] neste caso, a necessidade de obter vantagens financeiras continua alta, mas existe a necessidade de preservar o relacionamento. Pensando em corporações, pode ser uma parceria entre empresas. Todos querem ganhar, mas é importante manter o relacionamento em um nível acei- tável para que a parceria seja bem-sucedida. Na negociação de cooperação, alguns pontos importantes precisam ser conside- rados pelo negociador, que são (MELLO, 2007): Gestão do Processo de Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 211 ■ Separar as pessoas do problema. ■ Colocar-se do lugar da outra parte. ■ Compreender os interesses do outro. ■ Estabelecer normas de trabalho. ■ Táticas competitivas usadas de forma cooperativa (orçamento limitado, hipótese, agenda prévia, intimidade). Estratégias de relacionamentos Toda vez que a necessidade de manter ou construir um relacionamento for mais importante do que obter vantagens financeiras, utiliza-se a estratégia de relacio- namentos. Lembra do caso da compra do carro do irmão mais novo? Pois bem. Nessa estratégia, a satisfação do outro, em um primeiro momento, tem mais valor do que o dinheiro em si. De acordo com Mello (2007, p. 19): [...] normalmente essa estratégia é usada em negociações internas den- tro de uma organização, onde a manutenção de um bom relaciona- mento dentro de uma equipe de trabalho talvez seja mais importante do que a busca da melhor solução para um problema em prejuízo do relacionamento. É uma estratégia válida quando, por exemplo, oferece-se alguma vantagem tem- porária a um cliente importante, apenas para fechar o negócio. Estratégia de indiferença De acordo com Mello (2007, p. 19), essa estratégia “não faz distinção entre o rela- cionamento e as vantagens financeiras durante uma negociação”. Para o autor, o negociador utiliza essa estratégia para demonstrar desinteresse quando lhe for conveniente ou apenas para simplesmente não fechar negócio. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E212 NEGOCIAÇÃO COMO ESTRATÉGIA NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS Caro(a) aluno(a), a negociação como conhecemos, além de ser utilizada para se vender ou comprar as coisas, também é muito usada na resolução de confli- tos. Como vimos até agora em nosso material, negociamos tudo com todos, e dentro das empresas não é diferente. Um conflito pode ser iniciado de diver- sas maneiras, basta haver pessoas envolvidas que possuam formas ou maneiras diferentes de pensar. A maneira diferente de se pensar substancialmente gera divergências entre as pessoas e, em muitos casos, resulta em sérios problemas de relacionamento, por exemplo, que afetam os resultados de um negócio, interferindo nas metas, no ambiente de trabalho e até na relação de empregado e patrão. As consequên- cias podem ser imensuráveis, e é nessa hora que o uso da negociação entra em cena para, se não solucionar, ao menos amenizar os conflitos que ocorrem em uma organização. Negociação como Estratégia na Resolução de Conflitos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 213 Negociar é Gerenciar Conflitos O ato de negociar em si consiste no ato de gerenciar conflitos. Mas por que con- flitos? A resposta é simples. Você quer algo que outra pessoa possui, mas não está disposto a pagar o tanto que ela quer. Eis que, então, está estabelecido o con- flito. Como aprendemos anteriormente ao longo das unidades até aqui estudadas, negociar envolve uma série de aspectos, e dentre eles os aspectos emocionais. O confronto de ideias e sentimentos faz parte do processo de negociação. São eles que fazem com que as pessoas busquem o enfrentamento ou não em uma negociação. Em uma negociação, cada lado busca atingir seus objetivos, impe- dindo que a outra parte alcance os seus. Os conflitos existem nas organizações e são constantes. Imagine uma empresa onde existam cerca de 500 colaboradores. É natural que, em um universo de várias pessoas que pensam e agem diferente, haja discordâncias. As empresas são cheias de pessoas que buscam seus espaços, e, na menor oportunidade que tiverem, elas demonstração o que pensam. Imagine viver em um mundo onde a unanimidade seja uma regra? O termo ‘conflito’ deriva do latim conflictu, no sentido de luta, e deriva do verbo latim confligere. O dicionário Aurélio (FERREIRA, 2000, p. 501) define conflito como: 1. embate dos que lutam; 2. discussão acompanhada de injúrias e ame- aças, desavença; 3. guerra; 4. luta, combate; 5. colisão, choque: as opi- niões dos dois entram sempre em conflito; 6. Psiq. Penoso estado de consciência devido a choque entre tendências opostas e encontrado, em grau variável, em qualquer indivíduo; 7. Teatro. O elemento básico da ação dramática, a qual se desenvolve em função da oposição e luta entre diferentes forças, conflito dramático. Para Aninger ([2016], p. 1, on-line)1, os conflitos se originam “da diversidade de pontos de vista entre pessoas, da pluralidade de interesses, necessidades e expec- tativas, das diferentes formas de agir e de pensar de cada um dos envolvidos.” Robbins et al. (2010, p. 190) definem conflito como um “processo que tem início quando uma das partes percebe que a outra parte afeta, ou pode afetar, de modo negativo, alguma coisa que ela considera importante”. De maneira obje- tiva, os autores também se referem a conflito como: APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E214 [...] um processo no qual o esforço é propositadamente feito por “A” para destruir o esforço de “B”, com recurso a qualquer forma de blo- queio que resulte na frustração de “B” no que concerne à prossecução das suas metas e ao seu desenvolvimento dos seus interesses (ROB- BINS et al., 2010, p. 190). De acordo com Chiavenato (1998, p. 469): [...] conflito significa existência de ideias, sentimentos, atitudes ou in- teresses antagônicos que podem chocar-se. [...] como desacordo, de- saprovação, dissensão, desentendimento, incongruência, discordância, inconsistência, oposição. Para Stoner e Freeman (1995, p. 400), os conflitos envolvem: [...] desacordos sobre a alocação de recursos escassos ou choques de objetivos, status, valores, percepções ou personalidades. Grande par- te dos conflitos que experimentamos decorre de comunicarmos aos outros nossos desejos, valores e nossas necessidades. Algumas vezes comunicamos com clareza, mas os outros têm necessidades diferentes. Algumas vezes nos comunicamos mal e o conflito surge porque os ou- tros nos entendem de modo errado. Mas não existe apenas um tipo ou modelo de conflito. De acordo com Chiavenato (2002, p. 416), dentre os vários tipos de conflitos pode-se mencionar três níveis principais: o conflito percebido, o conflito experienciado e o conflito manifestado. Para Chiavenato (2002, p. 416), no conflito percebido:[...] os elementos envolvidos percebem e compreendem que o conflito existe porque sentem que seus objetivos são diferentes dos objetivos dos outros e que existem oportunidades para interferência ou bloqueio. É o chamado conflito latente, que as partes percebem que existe poten- cialmente. Já o conflito experienciado é quando o conflito provoca sentimentos de hostilidade, raiva, medo, descrédito entre uma parte e outra. É o chamado conflito velado, quando é dissimulado, oculto e não manifestado externamente com clareza. De acordo com Chiavenato (2002, p. 416), o conflito manifestado “é quando o conflito é expressado através de um comportamento de interferência ativa ou passiva por pelo menos uma das partes. É o chamado conflito aberto, que se manifesta sem dissimulação”. Negociação como Estratégia na Resolução de Conflitos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 215 Os conflitos estão para a raça humana assim como o instinto de caçar está para os felinos. São inerentes à nossa espécie. Na sua casa, no trabalho, na roda entre amigos, a cada minuto, um novo conflito é desencadeado, seja por uma simples solicitação ou por uma briga de pura demonstração de poder. É nesse quesito que o domínio da negociação para a resolução de conflitos é importante. Mas como a negociação pode ser usada de forma estratégica na resolução dos conflitos? Segundo Marx e Morita (2000, p. 72), “a maneira mais comum de resolver um conflito é através da negociação, durante a qual as pro- postas são feitas e depois negociadas”. O Gerenciamento dos Conflitos É possível gerenciar um conflito ou até mesmo evitá-lo? Não! É preciso usar a estratégia certa. Vale lembrar que se silenciar pode ser entendido, em muitos casos, como uma forma de insulto ou provocação. Segundo Girard e Koch (1997, p. 83), “a resolução de conflitos é vista como um conjunto de procedimentos que empregam técnicas de comunicação e de pensamento criativo para que consi- gam construir soluções aceitáveis para as partes envolvidas”. Os conflitos são iniciados de diversas formas. Basta apenas colocarmos duas pessoas que pensem de maneira distinta sobre um assunto em um mesmo recinto e pronto: está configurado um conflito! A divergência de ideias é co- mum, saudável e interessante para qualquer ambiente corporativo, porém as consequências dessas diferenças é que precisam ser monitoradas. Para saber mais, acesse o link disponível em: <http://desenvolvimentoliderancas.blogspot.com.br/2009/11/negociacao- -para-solucao-de-conflitos.html>. Fonte: o autor. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E216 Assim, como vimos a matriz das estratégias para negociar ao longo das uni- dades deste livro, veremos agora, também, uma matriz que auxilia o negociador no gerenciamento dos conflitos. Na figura a seguir, que é baseada na Matriz de K. W. Thomas, o gerenciamento de conflitos pode ser explicado da seguinte forma: CooperativoNãoCooperativo Não Assertivo Assertivo Thomas Esforço para satisfazer os próprios interesses Esforço para satisfazer os interesses dos outros Competitivo Colaborativo COMPROMISSO AcomodativoEvitar Figura 3 - Gerenciamento de conflitos Fonte: baseada em Martinelli e Ghisi (2006). De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 179), “o gerenciamento de conflito, não depende apenas dos tópicos representados na matriz (Competitivo, Colaborativo, Evitar, Acomodativo), mas depende principalmente da boa vontade do negocia- dor”. De maneira mais detalhada, podemos destacar o funcionamento da matriz do gerenciamento de conflitos da seguinte forma: Evitar o conflito ■ Ignora conflitos/deseja que eles não ocorram. ■ Usa de procedimentos lentos para abafar o conflito. Negociação como Estratégia na Resolução de Conflitos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 217 ■ Faz valer-se do silêncio para evitar o confronto. ■ Uso das regras burocráticas na resolução dos conflitos. Acomodativo ■ Desiste ou/e submete-se e concorda com a outra parte. Competitivo ■ Acelera situações de negociação ganha-perde. ■ Cria rivalidades. ■ Usa o poder para obter o que quer. ■ Força a submissão da outra parte. Colaborativo ■ Faz de tudo para resolver o problema. ■ Deixa de lado as diferenças, troca ideias e informações. ■ Busca soluções integrativas em que todos podem ganhar. ■ Conhece os diferentes pontos de vista. ■ Encontra interesses comuns. ■ Avalia as opções. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E218 Compromisso ■ Busca acordos e soluções aceitáveis ou satisfatórias para todos. A negociação, além de usada por executivos para se conseguir algum determi- nado produto, condição de pagamento ou bônus, por exemplo, pode e deve ser usada para resolucionar diversos conflitos, o que pode ser feito por meio dos seguintes mecanismos (MARTINELLI; ALMEIDA, 1997): ■ Estabelecer acordos mútuos. ■ Apresentar diversos tipos de opções para a resolução do problema. ■ Buscar alternativas para a resolução do problema. ■ Aprender com erros passados permitem não cometer novos erros. ■ Esclarecer as opções, evitando que existam dúvidas. ■ Criar um ambiente positivo durante uma negociação. ■ Devolver gentilizas. Quanto mais tempo uma negociação demorar para ser finalizada, mais chan- ces ela tem de não dar certo. Saber utilizar o fator tempo pode ser positivo, mas certamente pode ser arriscado, caso alguma estratégia venha a mudar. Assim, é necessário que se busque dar uma atenção especial aos fatores que desencadeiam os conflitos, ou seja, fazer de tudo para que ele não aconteça. Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero. (Nelson Mandela) Ética nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 219 Para uma melhor efetividade do uso da negociação como mecanismo de gerenciamento de conflitos, Fisher e Ury (1995, p. 211) nos recomendam que “é necessário separar as pessoas do problema - levar em conta emoções, percep- ções e comunicação. Concentre-se nos interesses e não nas posições, criando várias opções de ganhos mútuos”. Por fim, os autores finalizam sua recomen- dação dizendo que é importante insistir em critérios objetivos. Ainda, para os autores, a resolução de conflitos pode ser dividida em negociação, mediação e conciliação, como processo estruturado. ÉTICA NAS NEGOCIAÇÕES Caro(a) aluno(a), vivemos em uma época muito conturbada, em que os valores éticos são constantemente postos à prova pela sociedade. Nas organizações não é muito diferente. Em um processo de negociação, sempre há discussões sobre o comportamento do negociador e se são éticos ou não, e isso vai depender dos valores pessoais de cada negociante e também do ambiente corporativo. Buscar um posicionamento ético ou antiético é de escolha de cada negociador. O dicionário Aurélio (FERREIRA, 2000, p. 834) define a ética como “o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de classificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto”. De acordo com Mello (2007,p. 28): [...] a ética como exercício da razão surgiu no mundo há 25 séculos com a finalidade de dirimir dúvidas entre comportamentos certos e ações erradas na busca de uma forma que permitisse ao ser humano viver em sociedade, respeitando e sendo respeitado. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E220 Para Lopes e Stoeckicht (2009, p. 28), “a ética está ligada ao conjunto de valores de uma sociedade ou associação, e é preciso conhecê-los para segui-los e enten- der o comportamento de determinados setores”. Martinelli e Ghisi (2006, p. 171) nos apresenta a seguir, um quadro com várias definições sobre ética: Quadro 4 - Definições de ética AUTOR DEFINIÇÃO DE ÉTICA Maximiano (1974) Disciplina ou campo do conhecimento que trata da definição e avaliação de pessoas e organiza- ções, dispondo sobre o comportamento adequa- do e os meios de implementá-lo. Ferreir (1986) Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relevante- mente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. Daft (1991) Código de princípios e valores morais que gover- nam o comportamento de uma pessoa ou grupo, no tocante ao que é certo ou errado. Wyley (1997) Obrigação moral, responsabilidade e justiça social que refletem a natureza ou o caráter do indivíduo e das empresas, uma vez que estas são formadas por um conjunto de indivíduos. Reale (1999) Ciência normativa dos comportamentos huma-nos. Marcílio e Ramos (1999) Arte que torna bom aquilo que é feito (operan-tum) e que o faz (operantem). Vázquez (2001) Teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Valls (2001) Um estudo ou uma reflexão, científica ou filo- sófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas, podendo ser representada pelo estudo das ações e dos costumes, ou pela própria realização de um tipo de comportamento. Ética nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 221 Arruda, Whitaker e Ramos (2001) Parte da filosofia que estuda a moralidade dos atos humanos como livres e ordenados. De modo natural, a inteligência adverte a bondade ou a malícia dos atos livres, haja vista o remorso ou a satisfação que se experimenta por ações livremente realizadas. Sempre cabe a dúvida, no entanto, sobre o que é o bom e o mal, ou por que tal ação é boa ou má. Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001) Problema, situação ou oportunidade que exige que um indivíduo decida entre vários cursos de ação que precisam ser avaliados como certos ou errados, éticos ou antiéticos. Moreira (2002) Disciplina integrante da ciência da filosofia e conjunto de regras. Como parte da filosofia, a ética é o estudo das avaliações do ser humano em relação às suas condutas ou em relação às condutas dos outros. Essas avaliações são feitas da política do bem e do mal, de acordo com um critério que geralmente é ditado pela moral. Fonte: Martinelli e Ghisi (2006, p. 171). Caro(a) aluno(a), todo relacionamento é baseado no respeito, na verdade e na conduta ética. Assim, discute-se o termo ética numa negociação para tentar diri- mir quaisquer chances de trapaça por parte dos integrantes envolvidos. Nesse caso, a trapaça pode ser vista como uma fraude, disfarce, blefe ou hesitação. De acordo com Martinelli (2006, p. 37), “fraude e disfarce são palavras comuns em negociação, podendo assumir diferentes formas tais como: blefe, falsificação, adulteração de uma posição perante o oponente, fraude e exposição seletiva ou adulteração de elementos”. Para Martinelli (2006, p. 34), “um dos principais motivos pelos quais as pes- soas se envolvem em comportamentos não éticos é a busca de vantagens, em termos de poder”. Os comportamentos antiéticos se mostram de várias manei- ras, como por exemplo: APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E222 ■ Falsificar documentos. ■ Publicidade enganosa. ■ Utilizar poderosa força de persuasão. ■ Fazer promessas para proteger suas vendas em contingências certas. Essas e outras formas de manifestações antiéticas são muito comuns em uma negociação. O que se espera de todo negociador é exatamente o contrário, como por exemplo preservar valores e princípios éticos independente da interação da outra parte, que pode estar imbuída ou não do mesmo espírito. Lewicki et al. (2001, p. 217), como processo da negociação, sugerem a aná- lise de comportamentos éticos e legais: ■ Comportamentos que não sejam éticos nem legais: tática de negociação ampla- mente perigosa e arriscada. ■ Comportamentos que sejam éticos, porém não legais: considera o comporta- mento como ético, porém não sendo legal, está sujeito às sanções da justiça. ■ Comportamento legal, porém não ético: embora aceitos pela legislação, esses comportamentos podem ser questionados pelos padrões éticos, de acordo, é claro, com os valores das pessoas envolvidas. ■ Comportamento legal e ético: modelo de comportamento considerado “ideal”, pois é aceitável por todos os lados (grupos). Discutir ética no ambiente corporativo é uma questão complexa e universal, atualmente colocada, com urgência, para toda a sociedade - pessoas, individu- almente, família, escola e governo, e em todos os setores da atividade humana - política, economia, saúde, educação e até mesmo na religião. Nosso caráter é o resultado da nossa conduta. (Aristóteles) Ética nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 223 Os Negociadores e a Ética De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 114): [...] dentro das organizações, é possível encontrar vários tipos de com- portamentos éticos, dentre eles o comportamento ético e não legal, comportamento não ético e não legal, comportamento legal e não ético e comportamentos éticos e legal. Normalmente, para os negociadores, uma negociação e todo seu processo é enca- rado como uma disputa, pois, obviamente além de envolver disputas comerciais e financeiras, envolve também uma questão pessoal: a de sair vencedor. Assim, cada negociador pode adotar uma postura básica durante uma negociação. Para Mello (2007, p. 30), “essas posturas são a postura do jogador, a postura do ide- alista e a postura do pragmático”. Postura do Jogador Nessa postura, normalmente o blefe e outras táticas enganosas são aceitas por todas as partes, que, se supõe, conhecem as regras do jogo. De acordo com Mello (2007, p. 30) nesse tipo de postura há limites: “Como no jogo de pôquer ou em nosso popular jogo de truco, é permitido blefar e enganar, mas não é permitido quebrar as regras do próprio jogo, como esconder cartas, por exemplo”. Para o autor, essa postura tem alguns problemas: ■ Parte do princípio de que todos conhecem as “regras do jogo” e as usam, o que nem sempre é verdade. ■ É difícil determinar com precisão onde termina o blefe e começa a fraude. ■ Quase sempre leva a resultados “ganha x perde”. ■ Prejudica a reputação do negociador. Os jogadores consideram que se conduzir dentro das regras do jogo é ético, e fora delas é antiético. Porém, muitas discussões podem vir à tona sobre essa questão. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E224 A definição de ética, em muitos casos, é uma questão pessoal.O que muitas vezes pode ser certo para uns, para outros não é, o que pode gerar atritos, desconfian- ças e negociações de baixo ganho (MELLO, 2007). Postura idealista A postura idealista considera, ao contrário da postura anterior, que a negociação é um aspecto da vida social e não uma atividade especial com seu próprio con- junto de regras (MELLO, 2007). A postura idealista entende que, se a utilização de blefes e de táticas enganosas é errada nos relacionamentos sociais, também é errada nas negociações. Na postura de negociação idealista, os negociadores preferem ser honestos e sinceros quando negociam, mesmo que isso prejudi- que sua posição estratégica. Vale ressaltar que, mesmo na postura idealista, os negociadores não são “san- tos”. De acordo com Mello (2007, p. 31): [...] é comum os negociadores não admitirem sua posição se não lhes forem perguntados, não respondem a uma pergunta se isso lhe for pre- judicial e usam “mentiras sociais” como respostas, para preservar sen- timentos da outra pessoa, por exemplo. Porém, essa postura pode apresentar os seguintes problemas: ■ O negociador quase sempre tem menos poder. ■ Seus padrões éticos elevados podem impedir o acordo. ■ Fica vulnerável quando o outro negociador é um jogador. ■ Tem problemas quando o negociador está defendendo os interesses do outro. Esta postura é, a princípio, a mais adequada, e o negociador que a adota man- tém uma reputação elevada na sociedade, mas nem sempre é possível agir dessa maneira (MELLO, 2007). Ética nas Negociações Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 225 Postura Pragmática A postura pragmática pode ser considerada como um modelo intermediário entre as duas anteriores. Considera a mentira às vezes necessária no processo de negociação, mas prefere não a utilizar se tiver uma alternativa melhor (MELLO, 2003). Os negociadores que adotam essa postura a seguem mais por prudên- cia do que por razões idealistas. Os blefes e as táticas maldosas causam danos à reputação e à credibilidade do negociador, o que seguramente prejudica as nego- ciações futuras. De acordo com Mello (2007, p. 32), “os pragmatistas, sabendo disso, tentam não utilizar mentiras e blefes, mas o fazem por conveniência e não por princí- pio”. Em outras palavras, a postura pragmatista considera o balanceamento entre as vantagens da mentira (acordos mais vantajosos a curto prazo) e os possíveis riscos à reputação. Mas não é somente a postura, em uma negociação, que deve ser avaliada. É necessário observar alguns critérios em uma decisão quando o assunto é ética. Martinelli e Almeida (1997, p. 180) recomendam o que acreditam ser critérios que devam ser usados para uma decisão ética: 1. Enfoque utilitário: é o conceito ético de que comportamentos morais pro- duzem o maior bem, para o maior número possível de pessoas. 2. Enfoque individualista: trata-se do conceito de que as ações são morais, caso elas promovam o interesse individual, em termos de longo prazo. 3. Enfoque moral: parte do pressuposto de que seres humanos têm direitos e liberdades que não podem ser sobrepujados por decisões individuais. 4. Enfoque de justiça: considera que as decisões morais devem ser baseadas em padrões de equidade, probidade e imparcialidade. A ética é a balizadora de comportamento de nossa sociedade. Mas qual é a melhor postura ou critérios para se adotar em uma negociação? A melhor pos- tura varia com a estratégia (competitiva ou cooperativa) que se deseja utilizar e com a postura ética do outro negociador (MELLO, 2007). Não faria sentido se APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E226 todos adotassem a postura de jogador em uma negociação, por exemplo. Assim, a decisão é estritamente pessoal, porém deve ser balizada com a seguinte ques- tão: você faria para os outros o que não gostaria que fizessem para você? TENDÊNCIAS E ATUALIDADES SOBRE NEGOCIAÇÃO O atual cenário do mundo dos negócios é predador, e os amadores não têm mais espaço. A relação que envolve os negócios está cada vez mais competitiva, acirrada e dinâmica. Graças à globalização que a internet tem dado aos merca- dos, é fato que os clientes estão ficando cada vez mais exigentes, pesquisadores e questionadores. Com a evolução ou mudança do perfil desse cliente, muda-se também a forma de alcançá-lo e convencê-lo a comprar um produto ou serviço, ou seja, muda-se a forma de negociar-se com ele. Negociar nunca foi tão difícil e desa- fiador quanto nesses últimos anos. E é com esse cenário de grande com- petitividade entre as empresas, em que cada cliente é disputado com grande interesse, que as organizações estão exigindo profissionais (negociadores) versáteis, dinâmicos e inovadores. Mas como inovar em uma área que é consi- derada saturada? É possível? A resposta é: sim! Hoje, o negociador precisa sair da zona de conforto e da área de domí- nio. Nesse mercado altamente rotativo, é necessário que a autocrítica seja Tendências e Atualidades Sobre Negociação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 227 permanente, assim como a avaliação de métodos praticados e das estratégias utilizadas para se negociar. Cada cliente possui uma situação particular de neces- sidade, e é fundamental para o negociador compreender que caminhos trilhar para tirá-lo do tradicionalismo ou mesmice em suas escolhas. Aprimorar, conhecer e buscar novas técnicas de negociação em um mer- cado altamente disputado pelas empresas não é mais uma simples necessidade, e sim obrigação. O que o mercado apresentará para os próximos anos é um cliente altamente informado e questionador. Os clientes estarão mais aptos e prontos para buscarem as alternativas que melhor for-lhes interessantes. Os produtos e marcas, por si só, não se vende- rão mais. Será necessário um esforço ainda maior em publicidade, propaganda e marketing. Os investimentos nessas áreas citadas, e que influenciam a venda de produtos, certamente mudarão. Caberá ao negociador reverter a condição de negociação a seu favor. Com este cenário de competitividade, as oportunidades de fechamento em uma negociação ficarão cada vez mais escassas. Assim, o negociador deverá saber aproveitar o “timing” certo de cada situação para fechar o negócio. De acordo com Martinelli e Ghisi (2006, p. 211), algumas novas técnicas difundidas nos últimos tempos podem ajudar na negociação, que são: ■ Conhecimentos mais profundos sobre linguagem corporal. ■ Práticas de “extrair” informações sem que o cliente perceba. ■ Explorar a intuição de maneira mais profunda. ■ Possuir senso de adaptação instantânea. ■ Disciplina em manter o objetivo inicial, pré-estabelecido. Essas “novas” técnicas não devem ser consideradas como receitas infalíveis de negociação. Como estudamos ao longo deste material, em negociação não exis- tem receitas prontas do que pode dar certo ou não. Existem outros aspectos que vão além desses, além de outras técnicas que podem auxiliar o negociador, como por exemplo os estudos que abordam o neuromarketing. APLICAÇÕES E Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E228 Caberá a cada negociador avaliar quais métodos são mais ou menos eficien- tes, e como ele irá conduzir uma negociação. Vale lembrar que as escolhas dos métodos e técnicas utilizados estarão alinhadas com o perfil de cada negocia- dor. O que é preciso compreender