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O PARÁGRAFO-CHAVE: 18 FORMAS PARA COMEÇAR UM TEXTO Antonio Carlo Viana Ana Valença Denise Porto Cardoso Sônia Maria Machado Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criativa. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo de hoje, a cada dia que passa no mundo em que vivemos, na atualidade. Listamos aqui dezoito formas de começar um texto. Elas vão das mais simples às mais complexas. 1. Uma declaração (tema: liberação da maconha) É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor. 2. Definição (tema: o mito) O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, não crítico e anterior a toda reflexão de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo, Moderna, 1992. p. 62. A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave, sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o primeiro parágrafo. 3. Divisão (tema: exclusão social) Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público E a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginal idade social em Nova York vem contando com intensivos esforços do poder público e à ampla participação da iniciativa privada. Folha de São Paulo, 17 dez. 1996. Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte. 4. Oposição (tema: a educação no Brasil) De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil. As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado/de outro) que estabelecerá o rumo da argumentação. Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo: Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra; esperança por observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e quase sempre como forma de resistência e/ou transformação. FEIJÓ, Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985. p. 7. 5. Alusão histórica (tema: globalização) Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos Leste-Oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição. O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema. 6. Uma pergunta (tema: a saúde no Brasil) Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação. 7. Uma frase nominal (FRASES SEM VERBOS), seguida de explicação (tema: a educação no Brasil) Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano do 2º grau submetidos ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4ª série e da 8ª série do 1 º grau em todas as regiões do território nacional. Folha de São Paulo, 27 de novembro de 1996 8. Adjetivação (tema: a educação no Brasil) Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação (adjetivo) para a política educacional do governo. A adjetivação inicial será a base para desenvolver o tema. O autor dirá, nos parágrafos seguintes, por que acha a política educacional do governo equivocada e pouco racional. 9. Citação (tema: política demográfica) "As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora." O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. DI FRANCO, Carlos Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. p. 73. A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra comentário da segunda frase. 10. Citação de forma indireta (tema: consumismo) Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata. Cláudio de Moura e Castro, Veja, 13 novembro 1996. Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É melhor citar de forma indireta que de forma errada. 11. Exposição de ponto de vista oposto (tema: o provão) O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino superior. Para isso, vem ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha publicitária, ensinando como gastar mais dinheiro que deveria ser investido na educação. Orlando Silva Júnior e Eder Roberto Silva, Folha de 5. Paulo, 5 novembro 1996. Ao começar o texto com a opinião contrária, delineia-se, de imediato, qual a posição dos autores. Seu objetivo será refutar os argumentos do opositor, numa espécie de contra- argumentação. 12. Comparação (tema: reforma gráfica) O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p. 101. Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de comportamento entre elas. 13. Retomada de um provérbio (tema: mídia e tecnologia) O corriqueiro adágio de que “o pior cego é o que não quer ver” se aplica com perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar ignorar os incríveisavanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente impossível. Sempre que usar esse recurso, não escreva o provérbio simplesmente. Faça um comentário sobre ele para quebrar a ideia de lugar-comum que rodos eles trazem. No exemplo acima, o autor diz "o corriqueiro adágio" e assim demonstra que está consciente de que está partindo de algo por demais conhecido. 14. Ilustração (tema: aborto) O Jornal do Comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida, mas não queria a criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto. O tema é tabu no Brasil. ( ... ) Antonio Carlos Viana, O Quê, edição de 16 a22 julho, 1994. Você pode começar narrando um fato para ilustrar o tema. Veja que a coesão do parágrafo seguinte se faz de forma fácil: a palavra tema retoma a questão que vai ser discutida. 15. Uma sequência de frases nominais (frases sem verbo) (tema: a impunidade no Brasil) Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru. Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajás. Muitos meses já se passaram e esses fatos continuam impunes. O que se deve observar nesse tipo de introdução são os paralelismos que dão equilíbrio às diversas frases nominais. A estrutura de cada frase deve ser semelhante. 16. Alusão a um romance, um conto, um poema, um filme (tema: a intolerância religiosa) Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjani, ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto de 1572, as tropas do rei de França, sob ordens de Catarina de Médicis, a rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais tenebrosas carnificinas da História. (...) Desse horror a História do Brasil está praticamente livre. (...) O resumo do filme A rainha Margot serve de introdução para desenvolver o tema da intolerância religiosa. A coesão com o segundo parágrafo dá-se através da palavra horror, que sintetiza o enredo do filme contado no parágrafo inicial. 17. Descrição de um fato de forma cinematográfica (tema: violência urbana) Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média. Choperia Bodega - um bar da moda, frequentado por jovens bem-nascidos. Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas pessoas mortas: Adriana Ciola, 23, e José Renato Tahan, 25. Ela, estudante. Ele, dentista. Josias de Souza, Folha de S.Paulo, 30 set. 1996. O parágrafo é desenvolvido por flashes, o que dá agilidade ao texto e prende a atenção do leitor. Depois desses dois parágrafos, o autor fala da origem do movimento "Reage São Paulo". 18. Omissão de dados identificadores (tema: ética) Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude? Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grandes decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcísio Padilha, ética é um estudo filosófico da ação e da conduta humanas cujos valores provêm da própria natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e da sociedade. O Globo, 13 set. 1992. As duas primeiras frases criam no leitor certa expectativa em relação ao tema que se mantém em suspenso até a terceira frase. Pode-se também construir todo o primeiro parágrafo omitindo o tema, esclarecendo-o apenas no parágrafo seguinte. Material retirado do livro: Viana et al (2001) Roteiro de Redação: Lendo e Argumentando. São Paulo. Ed. Scipione Ltda. Exercícios 1 – Leia os parágrafos seguintes e identifique qual foi a técnica utilizada em cada um deles. Nokia se alia à Microsoft e adota sistema operacional Windows Phone Nokia. A empresa, maior fabricante mundial de telefones celulares, anunciou nesta sexta-feira um amplo acordo estratégico com a Microsoft para criar um novo sistema conjunto baseado no Windows Phone, que concorra com o iOS, da Apple, e o Android, do Google. A companhia finlandesa assegurou em comunicado que adotará o Windows Phone como principal sistema operacional para seus smartphones e deixará em segundo plano o MeeGo, sua própria plataforma. Site consultado http://tecnologia.terra.com.br/noticias. Acesso em 11 de fevereiro de 2011 Técnica Utilizada: _____________________________ b. Não é Brinquedo não O cenário não poderia ser mais hostil: sete participantes têm de atravessar um lago protegido por uma criatura medonha. Embora a equipe tivesse formulado uma estratégia com base em informações colhidas antes, todos acreditavam que as chances de sucesso eram reduzidas. Após uma primeira tentativa, quase toda a equipe se afogou e teve de preparar uma nova estratégia. A cena descrita acima faz parte de um jogo de grande sucesso criado pela Sony Entertainment chamado EverQuest. Para ter sucesso nessa fantasia medieval é preciso cooperar com os outros participantes. Mas o que esse jogo tem em comum com o mundo dos negócios? Na verdade, o que parece um simples game para crianças é uma das ferramentas mais inovadoras que estão sendo utilizadas pelos departamentos de Gestão de Pessoas: os serious games. Revista MELHOR – Gestão de Pessoas, seção capacitação, Agosto/2009, p.68 Técnica utilizada: __________________________ c. A nova demanda do mundo corporativo Mudar ou não mudar? A resposta é mudar. Mas é preciso estar pronto e ter boa comunicação. “O estar pronto é tudo", afirma William Shakespeare, na “voz” de um de seus imortais personagens, Hamlet, diante de um duelo que pode custar-lhe a vida. Menos dramático, mas vital da mesma forma para saúde das empresas, profissionais de RH e consultorias especializadas concordam: é preciso estar pronto, só que para as mudanças que a competitividade e a tecnologia da informação vêm impondo ao mundo corporativo (...) Um jogo cada vez mais veloz e exigente - no qual quem não estiver pronto pode ter a ponta de uma espada apontada para si. Técnica utilizada: __________________________ d. O código das Vestes Até que ponto a escolha de um acessório ou de uma gravata pode exercer influência em uma ocasião importante da vida profissional? A vestimenta pode, por exemplo, eliminar um candidato em uma entrevista de emprego? [...] Colunista de moda e comportamento, Inês de Castro aconselha a pessoa a se informar sobre o perfil da organização. A necessidade de adequação se dá porque a maneira como as pessoas se vestem é também um código pelo qual a organização se expressa. "Toda empresa tem uma imagem a passar, mais despojada ou mais séria. [...] Ela também afirma que a impressão visual não é fator eliminatório, mas pode dar indícios do perfil do candidato. Por exemplo: Se você entrevista uma mulher que vem de terninho e colar de pérolas e depois outra que vem com vestido de alça, sandálias e colar de pedras vermelhas, observa que isso é um pouco da personalidade da pessoa”. Técnica utilizada: __________________________ e. Computação sem fronteiras Tecnologia em nuvem. O conceito de computação em nuvem (em inglês, cloud computing) refere-se à utilização da memória e das capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet, seguindo o princípio da computação em grade. A "nuvem" é um espaço de processamento e armazenamento de dados que não depende de nenhuma máquina específica para existir. Ela vai mudar a economia e o cotidiano – e permitir que qualquer objeto esteja ligado à internet.Técnica utilizada: __________________________ f. O melhor passo é o seguinte “Pensar fora da caixa”. Este ditado popular, sugere que nos libertemos daquilo que conhecemos, enquanto pensar dentro da caixa significa usar o que conhecemos de novas maneiras. Pesquisas, e a história, mostram que todas as grandes rupturas criativas e inovações são geradas por pessoas muito capacitadas e familiarizadas com aquilo que fazem. O problema para a maioria de nós é que não usamos nossas habilidades e conhecimentos de novas maneiras. Técnica utilizada: __________________________ g. Violência em São Paulo Medo. Insegurança. Essas palavras tornaram-se comuns nas conversas do paulistano. Palco de atos de extrema violência, em especial nos últimos anos, São Paulo é a maior cidade brasileira e do hemisfério sul, com uma significativa comunidade portuguesa que se confronta com a tensa situação atual. Técnica utilizada: __________________________ h. Geração da tecnologia Nas equipes de TI há um consenso de que os jovens pertencem a uma geração em que a tecnologia já faz parte da vida, enquanto que aos mais velhos sobra o sentimento de que estão obsoletos. Porém, o mesmo estudo mostra que essa é uma visão equivocada e ingênua, pois o conhecimento legado é rico e de valor imensurável para as organizações. Técnica utilizada: ____________________________ i. Nós e a tecnologia: uma faca de dois gumes Somos uma geração mimada pelas facilidades da tecnologia. Em termos comportamentais, o indicativo mais evidente desse processo é que nos tornamos extremamente intolerantes à frustração. Tolerância à frustração é um termo psicológico que descreve o quanto conseguimos lidar com o fato das coisas não serem como queremos. Se por um lado é maravilhoso que a tecnologia nos permita fazer coisas cada vez mais rápida e facilmente, por outro a tendência é que nos tornemos cada vez mais dependentes da tecnologia e impacientes frente às mínimas dificuldades. Técnica utilizada: ____________________________ j. Linux e Windows: Entrada e Saída Nos sistemas Linux em geral, existe uma grande preocupação pela uniformidade dos atendimentos - o sistema deve garantir o atendimento de um HD da mesma forma que atende uma impressora, por exemplo. Todos os tratamentos de E/S são feitos de maneira síncrona. Um processo que requisita uma E/S é suspenso pelo Sistema Operacional até que tenha sua solicitação atendida, quando então é liberado para prosseguir. Como em quase todos os Sistemas Operacionais, cada dispositivo do sistema precisa de um driver apropriado para funcionar. Os Drivers são adicionados ao Kernel sempre que se acrescenta um novo dispositivo ao sistema. Os dispositivos de E/S são integrados ao sistema de arquivos e são acessíveis da mesma forma que qualquer arquivo no Linux, com comandos de leitura e gravação. Assim, gravar em um arquivo de texto e imprimir em uma impressora são ações idênticas ao usuário Técnica utilizada: __________________________________