Plano de aula 1   Resposta

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DisciplinaPrática Jurídica I – Área Cível6 materiais42 seguidores
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA ___ DA COMARCA DE _____ DO ESTADO DO _____
JOANA, brasileira, solteira, estudante, inscrito no CPF sob n.º..., portador do RG n.º..., residente na..., CEP..., com endereço eletrônico ..., residente e domiciliada á rua ..., por intermédio de sua advogada legalmente constituída, conforme instrumento procuratório, vem à presença de Vossa Excelência, propor a presente
				AÇÃO CONDENATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA E DANOS MORAIS
Pelo rito comum, em face do FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO \u2013 FNDE, com endereço sito, Setor bancário Sul, Quadra 2, bloco F, edifício PNDE \u2013 Brasília/DF \u2013 CEP: 70.070-929, representada pela Procuradoria Federal em..., cujo endereço é na Av..., e da universidade... , devidamente inscrita no CNPJ sob n.º..., com sede na..., pelos motivos de fato e de direito a seguir: 
I - GRATUIDADE DE JUSTIÇA
Consoante o disposto na Constituição Federal, artigo 5º, LXXIV e pela Lei 13.105/2015, art. 98 e seguintes, a Promovente declara para os devidos fins e sob as penas da lei, ser pobre, não tendo como arcar com o pagamento de custas e demais despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de sua família pelo que requer os benefícios da justiça gratuita.
II - DA OPÇÃO DO AUTOR PELA REALIZAÇÃO OU PELA NÃO REALIZAÇÃODA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO
III \u2013 DOS FATOS
A Autora é acadêmica do curso de Engenharia de Produção na Universidade Cuiabá e, para continuar seus estudos diante de mensalidades que consomem parte substancial de sua renda, entrou para o programa do Ministério da Educação do Governo Federal denominado FIES \u2013 Fundo de Financiamento do Ensino Superior.
Para tanto, em 21 de novembro de 2011, assinou com a Ré o Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento Estudantil \u2013 FIES n. º... 
Tal contrato só foi assinado pois não havia a necessidade de fiador, visto que a Requerente fazia jus ao financiamento sem fiador por força da renda per capita familiar
Se a Autora tivesse que apresentar fiador no ato da assinatura do contrato, teria ela desistido no negócio jurídico, pois a Requerente teria dificuldades em encontrar uma pessoa que comprove uma alta renda e propriedade de imóveis, que não tenha nenhuma restrição cadastral e que se disponha, junto com o cônjuge a comparecer pessoalmente na agência da Ré, e aguardar mais de 40 minutos para assinar o contrato. Conforme reza o contrato este deverá ser aditado semestralmente., então em 24 de maio de 2016, a Autora entrou no sistema da sua Universidade, \u201cportal do aluno\u201d para realizar o aditamento, como de costume, e então começaram os problemas. 
O seu sistema impedia que avançasse a página pois pedia que fosse cadastrado um fiador. Dessa forma, a Requerente procurou a Faculdade para informar que seu contrato não tem fiador e saber qual era o problema, pois ela está no último semestre e nunca ocorrera isso antes. 
Avisaram então que a partir de agora se exigia o fiador por força de uma liminar judicial, assim a Autora deveria conseguir um fiador comparecer à agência bancária para aditar o contrato. A partir de então, a Autora passou a uma busca desenfreada por um fiador. Note, MM. Julgador que, ao mesmo tempo em que o fiador deve cumprir exigências econômicas que revelam privilegiada situação financeira, esta pessoa deve ter com a Autora uma relação de confiança absoluta. Entretanto, a Requerente provém de família humilde. A mãe, falecida, e ela mora com os avós que auferem, apenas, aposentadoria do INSS. 
Dessa forma, a parte Autora procurou um tio que se dispôs a fazer, contudo, no banco eles foram informados que não seria possível, uma vez que o contrato inicial dela era sem fiador, conforme documento anexado que demonstra o impedimento de alteração do contrato.
Insta salientar que a data MÁXIMA para aditamento do contrato é 12 de setembro de 2016, a Requerente já procurou todos os meios administrativos de resolver o problema e até hoje não tem nenhuma resposta da Ré ou qualquer outro órgão.
De todo o exposto se infere que a não realização do aditamento de renovação contratual não adveio de conduta negligente da acadêmica, restando, perante este quadro, apenas a trilha do processo judicial para que esta não veja sua vida acadêmica gravemente prejudicada por conta de questões burocráticas por parte dos operacionalizadores do FIES. 
IV \u2013 DO DIREITO
a) Do direito à Educação 
O fundo de Financiamento Estudantil (FIES), criado pela Lei 10.260/2001, é destinado à concessão, para alunos carentes, de financiamento dos encargos concernentes ao curso superior em instituições particulares de ensino, visando concretizar a política pública, constitucionalmente exigida, de promoção da igualdade material e democratização do acesso aos níveis superiores de ensino \u201csegundo a capacidade de cada um\u201d (art. 208, V, CF). 
Contudo, dos fatos narrados se visualiza que em razão dos erros meramente operacionais, o objetivo do FIES, assim como o direito à educação da Autora, sendo vigorosamente afrontados.
A situação de ilegalidade \u2013 ocasionando seu impedimento de realizar o aditamento e matricular-se regularmente no semestre 02/2016 junto à instituição de ensino \u2013 merece ser prontamente sanada, garantindo-se à parte autora a possibilidade de frequentar o curso de Engenharia de Produção na UNIC, com o valor de todas as mensalidades financiadas por meio do FIES, sem qualquer entrave.
A educação, nos termos do art. 6º, caput, da CF, constitui um dos direitos sociais especialmente protegidos e almejados pelo Estado Brasileiro:
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Já o art. 205 da Constituição traz a seguinte disposição:
Art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Sendo assim, resta claro que o impedimento sofrido pela Autora, por não ter condições de arcar com o valor da mensalidade do seu curso, fere um dos direitos fundamentais, podendo vir a causa sérios danos na continuidade de sua qualificação profissional. 
De outro giro, oportuno relembrar que o acesso ao ensino superior restou por um longo período limitado as classes sociais mais abastadas, sendo a proposta política pública inclusiva do FIES justamente a de permitir que os alunos pobres, que não tenham condições de custear a universidade particular, possam cursa-lo mediante financiamento do Poder Público e, somente após dezoito meses de conclusão da graduação, passem a pagar as parcelas deste financiamento.
Salta aos olhos, pois, que os beneficiários do FIES são pessoas de baixa renda e que não possuem condições de custear (seja parcial ou integralmente) as mensalidades de um curso universitário particular, sem prejuízo ou comprometimento de seu sustento.
Sendo assim, frisa-se que a Autora e nenhum outro estudante pode ser prejudicado por omissões e falhas operacionais atribuídas às demandadas, uma vez que, por inúmeras vezes, já fora anunciado que o SisFIES apresentou, por exemplo, erro sistêmico e demora no processamento.
b) Da ausência de culpa/ Da regulamentação administrativa do FIES
Relevante consignar que a regulamentação interna do Ministério da Educação, especificamente o art. 25, da Portaria Normativa nº 01/2010, prevê que erros operacionais por parte dos gestores do FIES e da CPSA que resultem na perda de prazo, devidamente comprovados, não geram óbices a realização de procedimentos e ainda possibilitam a prorrogação do prazo para solicitação de aditamentos:
Art. 25. Em caso de erros ou da existência de óbices operacionais por parte da Instituição de Ensino Superior (IES), da CPSA, do agente financeiro