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Farmacologia aplicada a fisioterapia
Aula 6- Medicamentos de ação na dor e no processo inflamatório : glicocorticoides e anestésicos locais.
Anti-inflamatorios esteroides ou hormonais ou glicocorticoides
São fármacos produzidos à semelhança do hormônio cortisol. Esse hormônio é produzido pela glândula suprarrenal, que está localizada sobre os rins, apesar de não possuir ligação direta com esse órgão.
O córtex da suprarrenal possui três camadas de células, sendo que o hormônio cortisol é produzido na zona fasciculada por estímulo do hormônio hipofisário ACTH. 
Zona glomerulosa- mineralocorticoides ( aldosterona)
Zona fasciculada- glicocorticoides( cortisol)
Zona reticulada- adrenal androgens
A glândula suprarrenal obedece ao controle do eixo hipotálamo-hipofisário-suprarrenal.
O hipotálamo e a hipófise estão localizados no SNC e são responsáveis pelo controle de diversas funções corporais, bem como o controle de algumas glândulas endócrinas como a suprarrenal. O hipotálamo produz um hormônio liberador do hormônio hipofisário: o CRH, que por sua vez, estimula a liberação na adeno-hipófise do hormônio ACTH (imagem).
ATENÇÃO: O ACTH estimula a zona fasciculata no córtex da suprarrenal a produzir o cortisol. Este é liberado na corrente sanguínea e irá exercer suas ações. Quando alcança uma devida concentração no sangue, o próprio cortisol irá inibir a produção do CRH no hipotálamo e de ACTH na adeno-hipófise. Essa ação fará com que sua própria concentração no sangue diminua. Esse sistema é chamado de feedback ou retroalimentação negativa.
A suprarrenal pode produzir duas classes de corticoides: os glicocorticoides e os mineralocorticoides.
Os glicocorticoides apresentam controle sobre o metabolismo dos carboidratos, enquanto que os mineralocorticoides controlam o metabolismo hidroeletrolítico - a aldosterona é o principal mineralocorticoide.
Os efeitos dos corticosteroides são diversos e abrangem inclusive a manutenção do equilíbrio de Na+. Entretanto, o que chamou a atenção sobre eles foi sua ação sobre o sistema imunológico, isto é, suas ações anti-inflamatória e imunossupressora.
Mecanismo de ação do hormônio esteroidal ou corticoide
. Seu receptor pode estar no citoplasma ou no núcleo. Uma vez que há a formação do complexo ligante/receptor, ele se liga em regiões específicas do DNA, podendo iniciar ou inibir a transcrição de genes – produção de RNAm. Os receptores desses fármacos são os mesmos receptores para o hormônio cortisol e estão no interior da célula. São os receptores intracelulares. O cortisol, bem como os seus derivados sintéticos, são lipossolúveis e atravessam livremente as membranas celulares.
Ao se ligar ao seu receptor no interior da célula, o fármaco forma um complexo ativo receptor/ligante que é translocado para o núcleo, onde se liga a regiões específicas do DNA. Essa ligação ao DNA pode ativar ou inibir a transcrição de genes. Ativa ou inibe a produção de RNAm (imagem). O RNAm produzido, então, vai para o citoplasma dar início à produção de proteínas. As proteínas produzidas nesse processo podem ficar no citoplasma da célula por vários dias.
Ações ou efeitos farmacológicos
Redução da permeabilidade do endotélio capilar – inibe a vasodilatação e, consequentemente, diminui o edema.
Diminui a transcrição do gene da COX-2.
Inibe a fosfolipase A2, inibindo a produção de ácido aracdônico e prostaglandinas inflamatórias e de leucotrienos (quimioatração de neutrófilos).
Inibem a liberação de histamina (vasodilatação, broncoconstrição e urticária) pelos mastócitos.
Diminuição da produção de citocinas, TNF, fatores de adesão celular e da IgG.
Redução da ativação de linfócitos T-helper.
Diminuição da produção de colágeno – reparo e cicatrização.
Redução da concentração do sistema complemento no plasma.
Outras ações adversas: Os corticoides agem em todos os sistemas do corpo, uma vez que influenciam a maioria das células e seus efeitos indesejáveis irão depender da dose utilizada e da duração do tratamento. A prescrição desses fármacos deve ser bem avaliada pelo médico, pois seus efeitos adversos são muitos e potencialmente fatais. 
Hiperglicemia – Aumentam a gliconeogênese de todos os tecidos, principalmente o hepático. Estimulam a quebra de proteínas e de lipídeos e a conversão destes em glicose.
Aumentam a reabsorção de Na+ - alguns glicocorticoides possuem ação de mineralocorticoides.
Diminuem a produção de matriz óssea e colágeno ósseo – osteoporose.
Supressão do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. O corticoide causa inibição da produção do CRH no hipotálamo e do ACTH na hipófise. A interrupção súbita de altas doses deve ser feita de forma lenta, para não causar risco de insuficiência adrenal ou suprarrenal.
Aumentam a pressão arterial pela retensão de Na+ e aumento da ação do sistema simpático (ação permissiva – aumenta o número de receptores do simpático nas células do sistema cardiovascular).
Estimulam a maturação dos pneumócitos do tipo II nos pulmões dos fetos e aumentam a produção de surfactante.
Depressão, insônia, psicose.
Aumenta o depósito de gordura na face (face de lua cheia), nuca (giba ou corcova de boi) e no abdome.
Fraqueza muscular e fadiga pela perda da massa muscular pela quebra das proteínas–miopatia reversível.
Pele fina e inelástica pela diminuição do colágeno.
Usos clínicos dos corticoides
No edema cerebral ocorre aumento da pressão intracraniana, que é prejudicial ao paciente, visto que isto comprime as estruturas ali armazenadas. As células neuronais do encéfalo não se multiplicam mais, e uma vez lesionadas, podem morrer e perder sua função.
A indicação do uso desses fármacos no edema cerebral é pela sua ação na inibição da vasodilatação, diminuindo o edema cerebral. O fármaco de escolha é a dexametasona. O tratamento é bastante eficaz quando o edema é do tipo vasogênico, isto é, devido ao extravasamento de líquido do plasma sanguíneo por vasodilatação, assim como ocorre em tumores cerebrais primários. Ainda há dúvidas na eficácia do tratamento nos edemas causados por isquemia.
Os resultados são bastante benéficos nos traumas raquimedulares, se utilizado em altas doses iniciadas até oito horas após o acidente.
Outros usos
Doenças alérgicas: Asma brônquica (resistente a outras medicações); urticárias (coceiras); anafilaxia; edema angioneurótico.
Maturação do pulmão de prematuros – na iminência de parto prematuro, onde não ocorreu ainda o desenvolvimento completo dos pneumócitos do tipo II, com quantidades suficientes de surfactante, o obstetra inicia a terapia com altas doses de corticoide na mãe para acelerar esse processo.
Transplante de enxertos - supressão do sistema imunológico evitando a rejeição do órgão transplantado.
Transfusão de sangue - evitar choque anafilático.
Doenças autoimunes - suprimir o excesso de ativação do sistema imunológico.
Anti-inflamatório - sistema músculoesquelético e osteoarticular.
Anestesicos locais
São fármacos que bloqueiam de forma reversível a condução do potencial de ação nos nervos. Uma vez gerado o potencial de ação no neurônio na região do cone de implantação, ele irá se propagar na direção do terminal axonal e liberará o neurotransmissor que está aí armazenado.
Os nervos aferentes sensoriais são responsáveis pela entrada das informações sensoriais no SNC. Esses nervos são formados por um conjunto de neurônios pseudounipolares, cujo corpo celular está fora da medula em um gânglio denominado gânglio da raiz dorsal. 
Esses nervos aferentes entram na medula dorsalmente e formam a raiz dorsal, enquanto que a raiz ventral é formada por nervos motores.
A informação sensorial segue até a medula por esse neurônio e depois ascende da medula até o tálamo, através de um segundo neurônio, e do tálamo para o córtex somatossensorial primário, através de um terceiro neurônio. Somente quando a informação chega ao córtex somatossensorial primário é que teremos a discriminação da informação sensorial. Isto é, de que tipo ela é, e em qual local do corpo ocorre.
ATENÇÃO- Com exceçãoda visão que ocorre diretamente no córtex occipital, as outras informações sensoriais serão primeiramente analisadas pelo tálamo e depois distribuídas ao seu córtex correspondente.
Propagação da condução nervosa
A atividade elétrica ou despolarização que ocorre no nervo ou neurônio se propaga através da membrana, abrindo canais iônicos de sódio que dependem de voltagem.
O potencial de ação, que é a resposta elétrica do neurônio, é uma variação de voltagem da membrana dessa célula. 
Essa variação de voltagem é suficiente para alterar a carga elétrica, gerando um campo elétrico ao seu redor, o que abre um canal de sódio próximo a ela.
A propagação do potencial de ação. Há um acúmulo de cargas negativas na face interna da membrana e positivas na face externa. Durante a propagação, a abertura de canais de Na+ permite a entrada de carga positiva e mudança dessas cargas. Propagação ponto a ponto – sem mielina.
Tipos de condução do potencial de ação
Ponto a ponto: em axônios sem bainha de mielina. Por esse motivo, a velocidade é lenta. Exige que o potencial de ação despolarize canal por canal de sódio voltagem dependente da membrana do axônio.
Saltatória: em axônios que possuem bainha de mielina. Por esse motivo, a velocidade é mais rápida. O potencial de ação somente despolariza os canais de sódio presentes nas regiões do nodo de Ranvier.
EXEMPLOS DE ANESTESICOS LOCAIS
lIdocaina, bupivacaina, prilocaina, procaína, tetracaína.
Mecanismo de ação dos anestésicos locais:
Os anestésicos locais bloqueiam a propagação do potencial de ação por bloqueio do canal de sódio dependente de voltagem. Esses fármacos mantêm o canal de sódio fechado, impedindo a propagação do potencial de ação.
Efeitos adversos:
Possuem vida curta e em geral são rapidamente hidrolizados pela colinesterase. Seus efeitos adversos geralmente decorrem do extravasamento para a corrente sanguínea. Normalmente são:
- No SNC: Agitação, confusão e tremores, que podem evoluir para convulsões e coma.
- Cardiovascular: vasodilatação e diminuição da força de contração, o que causa diminuição da PA.
- Hipersensibilidade.
Usos clínicos:
- Anestesia superficial – normalmente aerossol - nariz, boca, árvore brônquica, córnea – não é eficaz na pele.
- Anestesia infiltrativa – injetada diretamente nos tecidos. Pequenas cirurgias.
- Anestesia por bloqueio nervoso – injetado próximo aos troncos nervosos – grandes plexos nervosos.
- Anestesia espinhal – injetado no espaço subaracnoide, onde há líquor, para atuar nas raízes nervosas e medula espinhal.
- Anestesia epidural – no espaço epidural, para bloquear as raízes nervosas.
ATENÇÃO: Algumas vezes os anestésicos locais podem vir associados a adrenalina. Nesse caso, a adrenalina terá ação vasoconstritora, diminuindo a absorção do anestésico local, isto é, o fármaco permanecerá mais tempo no tecido. Essa associação aumenta o tempo da anestesia local.
Futuras aplicações dos anestésicos locais
Futuras aplicações dos anestésicos locais
Epilepsias
Doenças degenerativas
Avc
Dor neuropática
Miopatias
ATIVIDADE PROPOSTA
Medicamentos de ação na dor e processo inflamatório: glicocorticoides de anestésicos locais.
Um individuo necessitou utilizar um corticoide por mais de 15 dias, o que caracteriza-se uso crônico dessa medicação. Descreva quais os riscos que essa medicação pode promover, isto é, quais efeitos adversos esses fármacos podem provocar?
O indivíduo pode apresentar hiperglicemia; osteoporose; retensão de sódio e água; acúmulo de gordura na face, nuca e abdome; linfopenia (diminuição do número de  linfócitos); aumento da susceptibilidade a doenças infecciosas; osteonecrose e supressão da supra-renal.
Farmacologia aplicada a fisioterapia
Aula 7- Medicação de ação no sistema respiratório
A fisioterapia respiratória possui uma ampla gama de reabilitações de doenças que envolvem o aparelho respiratório e o fluxo de ar das vias aéreas superiores ou dos pulmões.
Além de todas as manobras e aparelhos, os fisioterapeutas podem contar com vários medicamentos que irão auxiliar a melhorar o fluxo de ar através das estruturas anatômicas que compõem as vias aéreas superiores.
A retenção de muco, juntamente com o broncoespasmo, consiste em uma importante dificuldade respiratória para o paciente, sendo responsável pelas DPOC por angústia respiratória e aumento da PCO2. A consequência é a geração de acidose respiratória.
Os pacientes podem apresentar tosse progressiva (com ou sem produção de escarro), dispneia, sibilos e dor no peito. Normalmente, a dispneia progride com o avanço da doença.
Medicamentos usados em casos de DPOC
Classes de medicamentos utilizados para o tratamento auxiliar das DPOC e outras afecções respiratórias:
Broncodilatadores ( de eleição para o tratamento)
Agonistas B2- seletivos
São fármacos amplamente utilizados no tratamento da bronquite asmática. A asma é uma das doenças crônicas mais comuns em crianças, podendo persistir ou aparecer em adultos.
É uma doença inflamatória das vias de condução do ar, onde ocorre obstrução reversível à passagem do ar. Normalmente de origem alérgica a estímulos irritantes.
A consequência é o broncoespasmo  e aumento da produção de muco das vias aéreas. O muco produzido durante a reação inflamatória, além de ser em maior quantidade, é mais espesso, o que dificulta sua retirada pelas células ciliadas que revestem a mucosa respiratória . Podem ser administrados por via oral, inalatória ou injetável.
Esse epitélio representa uma barreira mecânica de proteção para o sistema respiratório, representada pela depuração mucociliar ou clearance mucociliar. O acúmulo do muco irá formar um tampão ou “rolha”, impedindo o fluxo de ar juntamente com a broncoconstrição das vias aéreas
Os agonistas B2 causam broncodilatação direta por ação no musculo lisos dos bronquios.
São eles: salbutamol e terbutalina (ação curta – 3 a 5 horas) e salmeterol e formoterol (ação mais longa – 8 a 12 horas).
Efeitos adversos: tremores, taquicardia e arritmias cardíacas.
Mecanismo de ação: ativam os receptores β2-noradrenérgicos.
Usos clínicos: asma brônquica, além de poderem ser utilizados no tratamento de suporte do enfisema pulmonar para melhorar o fluxo de ar para os pulmões (aumento do volume corrente).
Metilxantinas
São a teofilina, a teobromina e a cafeína, encontradas em alimentos como chás, chocolate amargo e café respectivamente. A aminofilina é um complexo de teofilina-etilenodiamina com fins terapêuticos.
As metilxantinas também são broncodilatadores potentes, sendo a teofilina a mais potente e a mais utilizada. Entretanto, por causa de seus efeitos adversos, somente devem ser utilizados se houver métodos disponíveis para determinar os níveis sanguíneos do fármaco.
Exercem efeitos na melhora da contratilidade e na reversão da fadiga do diafragma em pacientes com DPOC e aumentam a depuração mucociliar.
Podem ser administradas por via oral ou injetável.
Efeitos adversos: anorexia, náusea, vômito, desconforto abdominal (aumento da produção de ácido gástrico e enzimas digestivas), arritmias, hipotensão, convulsões e morte.
Mecanismo de ação: inibidores das enzimas fosfodiesterases (PDE), que degradam nucleotídeos cíclicos como o AMPc  e o GMPc . Ocorre o aumento desses nucleotídeos cíclicos, principalmente de AMPc, promovendo o desacoplamento da actina da miosina no músculo liso dos brônquios – relaxamento – broncodilatação.
Usos clínicos: asma brônquica, além de poderem ser utilizados no tratamento de suporte do enfisema pulmonar para melhorar o fluxo de ar para os pulmões.
ATENÇÃO: Alguns autores afirmam que as metilxantinas não oferecem efeitos adicionais aos β2-agonistas. Entretanto, com frequência são associadas nas emergências dos hospitais, em internações no tratamento do status asmaticus (crise grave de bronquite).
Anticolinergicos ou antimuscarinicos
O ipratrópio e o tiotrópio são os antimuscarínicos utilizados na maioria das vezes em associação aos agonistas β2. Na asma, o reflexo vagal de broncoconstrição está hiperativadoe esses fármacos irão bloquear a ação parassimpática proveniente do nervo vago (liberação de acetilcolina). O ipratróprio (AtroventR) é administrado por via inalatória diretamente na árvore brônquica.
Produzem broncodilatação por bloqueio do parassimpático. São associados aos agonistas β2, pois potenciam sua ação broncodilatadora. Como os mecanismos de ação são diferentes, a potenciação ocorre com concentrações (doses) pequenas de cada um, o que diminui a quantidade de efeitos adversos.
Mecanismo de ação: antagonista muscarínico não seletivo.
Usos clínicos: asma brônquica, além de poderem ser utilizados no tratamento de suporte do enfisema pulmonar, para melhorar o fluxo de ar para os pulmões (aumento do volume corrente).
Efeitos adversos: praticamente isento de efeitos adversos (pouco absorvido por causa de sua estrutura química); boca seca.
Expectorantes mucoliticos (fármacos mucoativos)
Diversas doenças do sistema respiratório – como gripes e resfriados, bronquite asmática e outras DPOC – podem causar alterações da produção, assim como da depuração do muco. Como consequência, ocorre obstrução das vias aéreas e infecções. 
Alguns fármacos foram desenvolvidos no sentido de aumentar a fluidez do muco, facilitando assim sua saída, isto é, sua expectoração. Aqui, somente citaremos os fármacos mais utilizados de cada subclasse
Acetilcisteina
É classificada na subclasse dos agentes modificadores das características físico-químicas das secreções, isto é, o fármaco rompe as ligações químicas das mucoproteínas em cadeias menores e menos viscosas (mecanismo de ação). Ainda não há consenso no seu uso nas DPOC. É preferencialmente utilizada por nebulização; entretanto, pode ser administrada por via oral ou injetável.
Efeitos adversos: hipersensibilidade; broncorreia (aumento da secreção brônquica), que pode ser prejudicial para quem não consegue tossir, náuseas e vômitos.
Usos clínicos: bronquite asmática, rinites, sinusites, bronqueolites ou afecções onde haja aumento de produção de secreções sem expectoração.
Ambroxol genfar
Classificado como estimulador da atividade das glândulas e células secretoras da árvore brônquica. É um análogo da bromexina, que também é utilizada com a mesma finalidade. Ambas são bem toleradas pelo organismo. Pode ser administrado por via oral ou aerosol.
Mecanismo de ação: admite-se que liberem enzimas lizossomais das células, digerindo as fibras mucopolissacarídicas, mas não DNA, o que aumenta a fluidez do muco.
Efeitos adversos: raramente causa desconforto gástrico e náuseas.
Indicações clínicas: bronquite asmática, rinites, sinusites, bronqueolites ou afecções onde haja aumento de produção de secreções sem expectoração.
Descongestionantes
São drogas que causam a vasoconstrição da mucosa nasal e dos seios paranasais, desobstruindo a passagem do ar pela cavidade nasal. Esses fármacos são agonistas adrenérgicos de ação predominante sobre os receptores α1. São: oximetazolina; nafazolina; xilometazolina e fenilefrina.
Mecanismo de ação: agonistas dos receptores α1-adrenérgicos.
Podem ser utilizadas por via tópica (instilação nasal) ou via oral.
Efeitos adversos: via tópica - congestão de rebote; espirros; cefaleia; insônia; anosmia  e paralisia ciliar. Via oral - tremor, insônia, nervosismo; hipertensão arterial moderada, alucinações e miocardiopatia.
ATIVIDADE PROPOSTA
Explique porque motivo as medicações como agonistas B2 adrenergicos ( salbutamol ou fenotrol) e antimuscarinicos ou antagonistas muscarinicos (ipratropio) são administrados juntos, isto é, em associação durante uma crise aguda de bronquite?
Porquê eles possuem mecanismos de ação diferentes o que faz com que um potencie a ação do outro. Essa potenciação possibilita uma menor quantidade de cada um com efeitos adversos também menores.
Farmacologia aplicada a fisioterapia
Aula 8- Medicamentos utilizados no sistema cardiovascular
Hipertensao arterial
A hipertensão arterial é uma das doenças mais comuns entre a população adulta em nível mundial e é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, como a já citada insuficiência cardíaca, o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular encefálico ou cerebral (AVE ou AVC) e a insuficiência renal.
Pode ser uma doença silenciosa, isto é, não apresenta sintomas, o que dificulta seu diagnóstico precoce. Além disso, é uma doença sem cura e há uma intensa necessidade de mudança nos hábitos de vida do paciente, para que o tratamento seja realmente eficaz.
Os casos de hipertensão estão divididos de acordo com sua causa básica:
Hipertensão essencial ou idiopática: a própria doença – 90 a 97% dos casos de hipertensão.
Hipertensão secundária – originária de outra doença, cuja causa pode ser tratada com o tratamento da doença primária – 3 a 10% dos casos.
Mecanismos de controle da pressão arterial
A pressão arterial é controlada por alguns mecanismos:
Um mecanismo neural, o sistema nervoso representado pelo sistema de barorreceptores comandado pelo SNA;
E um mecanismo humoral ou endócrino, que age sobre os rins.
O sistema humoral mais importante envolvido no controle da pressão arterial é o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Os rins liberam o hormônio renina, que converte a pró-enzima angiotensinogênio, produzida pelo fígado, em angiotensina I.
A angiotensina 2 possui algumas ações que irão culminar no aumento da pressão arterial:
Ação vasoconstritora potente
Estimulo da glândula suprarrenal a liberar o hormônio aldosterona, o que aumenta a absorção de Na e indiretamente, de H20
Estimulo da ingestão de agua( sensação de sede). O SRAA também esta ativado nos pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, agravando os sintomas.
ATENÇÃO: O aumento da atividade simpática(SNA) estimula o centro vasomotor no tronco encefálico, produzindo vasoconstrição e aumento da pressão arterial no nível central.
Farmacos utilizados no tratamento da hipertensão
Diureticos:
Agem nos néfrons, que são a unidade básica dos rins (figura ao lado), causando depleção de, com consequente perda de água, o que acarreta a diminuição do volume plasmático.
A diminuição do volume plasmático tem como consequência a diminuição do débito cardíaco e, consequentemente, da pressão arterial (PA).
Mecanismo de ação: A maioria dos diuréticos inibe a reabsorção de Na+ nos túbulos renais (diuréticos de alça e tiazídicos); contudo, cada classe de diurético possui seu mecanismo de ação específico. Por exemplo: os poupadores de potássio são antagonistas da aldosterona (figura  ao lado).
Efeitos adversos: Desidratação, hipotensão e impotência sexual. Ototoxicidade (diuréticos de alça). Hipocalemia (diminuição dos níveis séricos de K+ - de alça e tiazídicos). Em idosos, pode ocorrer hipotensão ortostática.
Observação: Os diuréticos tiazídicos diminuem a excreção renal de cálcio, e esse efeito está associado à baixa incidência de fraturas.
Indicações clínicas: Edemas (pulmonar, periféricos, ascite), insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, síndrome nefrótica, cirrose hepática, diabete insípido.
2- Inibidores do sistema nervoso simpático
Drogas de ação central. 
Esses fármacos agem no tronco encefálico, diminuindo a atividade simpática. Por isso, diminui o nível de vasoconstrição e a frequência cardíaca. Essas ações culminarão com a diminuição do débito cardíaco e da pressão arterial (PA). São os fármacos clonidina e alfametildopa.
Mecanismo de ação: São agonistas seletivos dos receptores α2-adrenérgicos nos terminais pré-sinápticos dos neurônios pré-ganglionares. Esses receptores, ao serem ativados, diminuem a liberação de noradrenalina nas fendas dos neurônios adrenérgicos, amenizando a ativação simpática.
Efeitos adversos: Clonidina - boca seca e tonturas; hipertensão rebote, com a interrupção abrupta do fármaco.
Alfametildopa - sedação, tonturas, boca seca e cefaleia. Podem ocorrer também (raramente): diarreia, alteração do sono, congestão nasal, impotência sexual e depressão.
Betabloqueadores
Estes fármacos previnemsequelas cardiovasculares e são especialmente indicados na isquemia do miocárdio. A princípio, os betabloqueadores que não possuem atividade simpaticomimética intrínseca  possuem boa ação anti-hipertensiva. 
São indicados no tratamento da IC , pois diminuem o DC , a taquicardia e o trabalho do coração, poupando o miocárdio, o que diminui o risco do remodelamento do músculo cardíaco.
Mecanismo de ação:  Bloqueiam os receptores β-adrenérgicos – nadolol, propranolol, sotalol, timolol (não seletivos) e atenolol, metoprolol e besofnolol (seletivos β1).
Efeitos adversos: Fadiga, letargia, frieza das extremidades e insônia. Alterações metabólicas, com agravamento do diabetes e da aterosclerose. Aumento dos triglicerídeos. O propranolol pode causar crise de bronquite, pois bloqueia os receptores β2 (antagonista não seletivo).
Alfabloqueadores
Bloqueiam os receptores alfa-adrenérgicos, produzindo vasodilatação arterial potente, com acentuada redução da resistência vascular periférica (RVP), que normalmente se encontra elevada na hipertensão. São a prazosina e doxazosina.
Mecanismo de ação: Bloqueiam ou antagonizam de forma seletiva os receptores α1-adrenérgicos, produzindo vasodilatação.
Efeitos adversos: Hipotensão ortostática de primeira dose, que pode ser evitada usando 0,5 mg à noite.
3- Vasodilatadores diretos
Hidralazina
Produz vasodilatação arterial, porém não venosa. Normalmente usada em associação com diuréticos e betabloqueadores, por causa de seus efeitos adversos (terapia tripla). Aplicada na hipertensão grave e nas emergências hipertensivas, pode ser utilizada de forma parenteral.
Mecanismo de ação:Aparentemente, ativa os canais de K+, causando hiperpolarização do músculo liso dos vasos, o que impede sua contração.
Efeitos adversos: Cefaleia, náuseas, hipotensão postural ou ortostática e taquicardia. Pode precipitar angina em pacientes com insuficiência coronariana, e em altas doses, podem provocar síndrome semelhante ao lúpus eritematoso (reversível). O diurético é associado quando tem retenção de Na+ e o betabloqueador para taquicardia.
4- Antagonistas dos canais de cálcio ou bloqueadores do cálcio
Di-hidropiridinas
Possuem afinidade pelos canais de cálcio somente dos vasos, e não do miocárdio. Utilizadas de forma eficaz no tratamento da hipertensão leve a moderada, como monoterapia, e como terapia combinada na hipertensão grave.
Podem ser utilizados para o tratamento da angina e da insuficiência cardíaca. São eles: nifedipina, anlodipina, lecarnidipino, nitrendipino.
 Mecanismo de ação: Bloqueiam a entrada de cálcio (Ca2+) no músculo liso dos vasos sanguíneos.
Efeitos adversos: Cefaleia, rubor facial e edema maleolar. A nifedipina pode causar hiperplasia gengival.
5- Inibidores da enzima conversora da angiotensina( IECA)
O sistema renina-angiotensina-aldosterona é o principal sistema hormonal de controle da pressão e está anormalmente ativado na hipertensão. Os IECA irão inibir a enzima conversora da angiotensina (vide imagem ao lado e no próximo ítem).
São fármacos amplamente utilizados no tratamento da insuficiência cárdica, com bons resultados, já que há o envolvimento do sistema renina na fisiopatologia dessa doença.
Mecanismo de ação: Inibem a ECA, impedindo a conversão da angiotensina I em angiotensina II.
Efeitos adversos: Hipotensão, hipercalemia (aumento de K+ no sangue), tosse seca pelo aumento da bradicinina (deixa de ser quebrada pela ECA - vide imagem Cascata do sistema renina ao lado). Se o paciente apresentar tosse, deve-se interromper o medicamento e substitui-lo por outro. O edema angioneurótico é raro e ocorre logo após as primeiras doses. Causa más formações fetais – por isso, é contraindicado na gravidez.
6- Antagonistas do receptor da angiotensina 2(ARA-II)
Ao contrário dos demais fármacos, estes não alteram a cascata de formação da angiotensina II, nem a produção de bradicinina.
Mecanismo de ação: Bloqueiam os receptores AT1 da angiotensina II. Os receptores AT1 são os responsáveis pela vasoconstrição e pela produção de aldosterona na suprarrenal. Se esses receptores estiverem bloqueados pelos fármacos, essas ações deixarão de ser produzidas.
Efeitos adversos: Mesmos efeitos adversos dos IECA, com exceção da tosse seca.
Cardiotonicos- tratamento da insuficiência cardíaca
Na insuficiência cardíaca, o miocárdio não consegue se contrair de forma eficaz para bombear sangue suficiente para todos os tecidos do corpo. Em consequência, ocorre a diminuição do débito cardíaco, causando a hipóxia.
A falência do miocárdio pode ser direita ou esquerda, ou até mesmo de ambos os lados do coração. Normalmente evolui por anos e, por isso, pode ser considerada crônica.
O tratamento inclui vários fármacos dos quais já falamos nesta aula, como:
IECA;
Antagonistas da angiotensina II;
Betabloqueadores;
Diuréticos;
Vasodilatadores;
Cardiotônicos.
Digitalicos
Derivados de plantas cujas folhas parecem dedos e por isso são chamadas de digitálicos. 
São a Digoxina e a Digitoxina que possuem ação inotrópica positiva, isto é, aumentam a força de contração do miocárdio.
Mecanismo de ação: Bloqueia a bomba de Na+/K+ causando aumento de Na+ intracelular. No miocárdio, o Na+ acumulado será trocado pelo Ca2+ através da ativação de uma segunda bomba. O aumento de Ca2+ intracelular irá aumentar a força de contração do músculo cardíaco.
Efeitos adversos: Anorexia, náuseas, vômitos, diarreia e arritmias cardíacas. Entretanto, o maior perigo é a diminuição de potássio que esses fármacos podem causar. Para prevenir essa alteração pode-se associar com fármacos poupadores de potássio (diuréticos) como a espironolactona.
Arritmias- antiarrítmicos
O coração possui a propriedade de ser automático, isto é, produzir sua própria atividade elétrica. Essa atividade é produzida nos tecidos especiais e então conduzida a todo o miocárdio por um tecido próprio de condução.
Já no miocárdio, ele mesmo funciona como um sincício, uma sinapse elétrica, onde uma fibra passa a atividade elétrica ou potencial elétrico para outra fibra.
Qualquer pequena interferência em um desses componentes – desde o tecido gerador da atividade elétrica, os nodos, ou condutores ou mesmo o próprio miocárdio – causa distúrbios do ritmo cardíaco ou arritmias cardíacas.
Classes de antiarrítmicos
Os fármacos antiarrítmicos interferem com a condutância dos íons e são classificados em quatro classes.
CLASSE I- bloqueadores dos canais de sódio 
Classe Ia – desopiramida, quinidina e procainamida.
Usos: arritmias ventriculares; prevenção de fibrilação atrial paroxística.
Classe Ib – lidocaína, fenitoína, mexiletina e tocainida.
Usos: prevenção e tratamento de taquicardia ventricular e fibrilação ventricular pós-IAM (infarto agudo do miocárdio).
Classe Ic – flecainida, propafenona, indecainida e encainida.
Usos: fibrilação atrial paroxística; taquiarritmias.
Classe II- bloqueadores beta adrenérgicos ou betabloqueadores:
Propranolol e timolol.
Usos: redução da mortalidade pós-IAM; impedimento da recorrência de taquiarritmias.
Classe III- Bloqueadores dos canais de potássio
Amiodarona, bretílio, e sotalol.
Usos: taquicardias e taquiarritmias.
Classe IV- Bloqueadores dos canais de cálcio
Verapamil e diltiazem.
Usos: Fibrilação atrial e taquicardia supraventricular.
ATIVIDADE PROPOSTA
Classifique os principais diuréticos utilizados tanto para o tratamento da hipertensão, quanto da insuficiência cardíaca e edema cerebral.
Os diuréticos são na ordem de potência:
- Diuréticos de alça – agem na alça de henle e são os mais potentes. Bloqueiam a bomba de Na+/K+/Cl-
- Diuréticos tiazídicos – agem no tubo distal. Bloqueiam a bomba de Na+/K+
- Diuréticos poupadores de potássio -  agem no duto coletor. São antagonistas da aldosterona
- Diuréticos osmóticos -  agem por todo o néfron – Sua molécula possui poder de atração sobre a água, impedindo que está seja reabsorvida.
Farmacologia aplicada a fisioterapia
Aula 8-Medicamentos de ação dermatológica
A utilização de medicamentos sobrea pele pode tanto ter motivação curativa quanto estética. Atualmente, o emprego de fármacos cosméticos tem aumentado em progressão geométrica. As indústrias farmacêuticas têm investido milhões a cada ano em pesquisas em cosméticos e agentes terapêuticos.
Histologia da pele
A pele é um epitélio de revestimento que recobre toda a extensão do corpo, podendo atingir uma área de ate 2 m². forma uma barreira semipermeável de proteção e defesa contra germes.
Epiderme: 
Está subdividida em quatro camadas (ou estratos) de células: córnea; granulosa; espinhosa e camada de células basais. É avascularizada, recebendo nutrição da derme.
A camada basal possui células germinativas que estão em constante proliferação e dão continuidade à renovação celular da pele. Também está apoiada sobre a derme e possui bordas irregulares, o que permite maior adesão da epiderme. Nesta camada, são encontradas células denominadas melanócitos, que produzem pigmento. A camada espinhosa possui células denominadas ceratinócitos (ou queratinócitos), que produzem a ceratina ou queratina, que por sua vez, forma a camada ou estrato córneo. A camada granulosa possui células poligonais que, em seu interior, abrigam grânulos de querato-hialina, polissacarídeos, glicoproteínas e lipídeos, que auxiliam a formação da camada córnea. A camada córnea é formada por células mortas, queratinizadas e sem núcleo e varia de espessura com a região do corpo: é mais espessa na palma das mãos e planta dos pés.
 Derme :
Tecido conjuntivo elástico, bastante vascularizado e inervado. Possui fibras de colágeno e fibras elásticas, produzidas pelo principal tipo celular do tecido, que é o fibroblasto.
É responsável pela nutrição da epiderme. É nesta camada que estão localizados os anexos da pele, como o folículo piloso, as glândulas sudorípara e sebácea e as unhas.
 Hipoderme: 
É um tecido celular subcutâneo fino, profundo e que une a pele, de maneira pouco firme, a outros tecidos.
Farmacoterapia dermatológica
Por causa da função de barreira protetora da pele, um dos maiores desafios para os fármacos dermatológicos é de serem desenvolvidos para absorção pela pele.
Para os fármacos dermatológicos, os veículos onde eles são diluídos têm extrema importância para a função de absorção do fármaco. A liberação e absorção dos princípios ativos são influenciadas pelas propriedades do veículo das preparações (Penildon Silva, 2010).
Tratamento anti acne
É um agente antimicrobiano de ação bacteriostática, isto é, paralisa o micro-organismo por um tempo suficiente para que o sistema imunológico possa combatê-lo. Sua ação é contra a bactéria Propionibacterium acnes, reduzindo a produção de ácidos graxos irritantes no folículo.
 Mecanismo de ação: antimicrobiano bacteriostático.
Efeitos adversos: irritação local e hipersensibilidade tardia.
Acido retinoico e derivados
O ácido retinoico (derivado da vitamina A) reduz a coesão entre as células da epiderme e aumenta a renovação dessas células. Essas ações diminuem as lesões chamadas de comedões e, por esta razão, esses agentes são chamados de comedolíticos.
Tretinoina- Usada topicamente no tratamento da acne vulgar (ácido retinoico). Reduz a coesão das células e aumenta a mitose das células epiteliais. Pode haver um agravamento no início do tratamento, porém há melhora após 3 a 4 meses.
Torna a camada córnea mais fina, facilitando a absorção de outros fármacos antiacne. Não deve ser aplicada na pele eczematosa, nem deve ser associada a outros fármacos ceratolíticos (enxofre, ácido salicílico, peróxido de benzoíla e sabões abrasivos).
Efeitos adversos: ressecamento e vermelhidão (eritema), que podem desaparecer após a primeira semana de uso.
Isotretinoina- Usada somente na acne cística ou naquela que não responde a outros tratamentos. É administrada por via oral. Possui ação teratogênica (contraindicada para mulheres grávidas). 
Efeitos adversos: ressecamento e prurido da pele e mucosas; cefaleia; anorexia; alopecia; dores musculares e articulares; opacidade da córnea.
Farmacos que afetam a pigmentação
Hiperpigmentação- São utilizados fármacos que diminuem a atividade dos melanócitos: hidroquinona (despigmentação temporária) e monobenzona (despigmentação irreversível). São utilizados para diminuir a hiperpigmentação da pele. Há necessidade de uso de protetores solar durante o tratamento.
Mecanismo de ação: inibem a síntese de melanina, pela inibição da enzima tirosinase.
Efeitos adversos: irritação local e hipersensibilidade (reação alérgica).
Hipopigmentação- São utilizados fármacos que induzem a repigmentação de regiões despigmentadas, como nas máculas do vitiligo e na psoríase. Geralmente recebem o nome de psoralenos. Esses fármacos devem ser ativados por luz ultravioleta de comprimento de onda longo, na faixa entre 320 e 400nm(UVA) para produzirem um efeito benéfico. São o trioxsaleno (via oral) e metoxsaleno (via oral e tópica). Há necessidade de uso de protetor solar durante o tratamento.
Mecanismo de ação: ainda incerto, entretanto sabe-se que ocorre melanogênese, isto é, aumento da produção de melanina e a transferência deste pigmento dos melanócitos para os queratinócitos. 
Efeitos adversos: desconforto gástrico (via oral); catarata, câncer de pele, eritemas e formação de bolhas.
Antifungicos
O tratamento de infecções fúngicas pode ser tanto via oral quanto tópica. A recomendação é que, no caso de infecção localizada ou restrita, o tratamento seja tópico, sendo por via oral somente quando a infecção é disseminada. No caso das onicomicoses (infecções fúngicas da unha), é necessário utilizar ambos os fármacos para o tratamento ser eficaz.
Para o tratamento tópico, estão disponíveis os antifungicos das classes:
Azois(miconazol,econazol e cetoconazol)- tratamento das tinhas e candidíase
Alilaminas (nafitifina e terbinafina)-tratamento das tinhas e da candidíase
Nistatina e Anfotericina B- tratamento da candidíase
A anfotericina B ainda pode ser encontrada na forma de loção ou creme e causar uma coloração amarelada na pele, principalmente se usada com veículo creme.
Efeitos adversos: eritema, prurido, sensação de picada e irritação local.
Mecanismo de ação: diminuem a síntese de ergosterol dos fungos, necessária para a produção da membrana celular. Enquanto as células animais utilizam o colesterol, as fúngicas utilizam o ergosterol.
ATENÇÃO: Ambas as classes de antifúngicos tratam as infecções fúngicas, como a tinha versicolor, tinha dos pés não complicada e candidíase cutânea, com exceção da nistatina. A exceção é a anfotericina B, que trata a candidíase oral e vaginal.
ATIVIDADE PROPOSTA
Isotretinoina é um fármaco utilizado pela medicina no tratamento da acne severa ou da rosácea. É utilizado também como medicamento na quimioterapia de certos tipos de câncer de pele. Trata-se quimicamente de acido 13-cis-retinoico, isômero sintético da tretinoina, um . Explique seu mecanismo de ação e cite alguns efeitos adversos.
A isotretionina ativa os receptores da vitamina A (RAR) e diminui a proliferação celular das células nas glândulas sebáceas diminuindo a produção de sebo ou óleo. Também possui um papel anti-inflamatório.
Efeitos adversos: ressecamento labial, ressecamento da pele, queimaduras, queda de cabelo, sangramento nasal, alteração das enzimas hepáticas. 
Farmacologia aplicada a fisioterapia
Aula 10- Medicamentos de ação no sistema nervoso central
Relaxantes musculares
A contração dos músculos estriados esqueléticos ocorre através da estimulação pelo neurônio motor ou motoneurônio, cujo corpo celular está localizado no corno ventral na medula espinhal.
Esse neurônio motor emite seu axônio até o músculo estriado esquelético e libera acetilcolina (neurotransmissor) na fenda sináptica da junção neuromuscular.
A placa motora é o potencial elétrico produzido na junção neuromuscular, através da ligação da acetilcolina aos seus receptores nicotínicos no músculo estriado esquelético. Esses receptores abrem canais de sódio, permitindo a entradade sódio no músculo, ocorrendo assim uma despolarização do músculo estriado esquelético (imagem).
A despolarização (entrada de sódio) percorre a membrana do músculo até os túbulos T, onde ativam o retículo endoplasmático liso (REL). O REL libera o cálcio (Ca2+) armazenado no citoplasma do músculo, e esse cálcio tem contato com o maquinário contrátil (actina e miosina) da célula muscular, induzindo a contração.
Consequências da contração muscular
Quando aumenta o tônus ou contração muscular, pode ocorrer incapacidade e dor. A contração excessiva das fibras musculares gera consumo de oxigênio, causando anaerobiose, com consequente produção de ácido lático. O excesso de ácido lático causa lesão do tecido, provocando dor.
Pacientes com lesões neurológicas que apresentam espasticidade  grave, com a reabilitação prejudicada, devem ser tratados com algum tipo de relaxante muscular. Em longo prazo, a espasticidade pode levar a contraturas e anquilose  de articulações.
Infelizmente, este é um sintoma de uma série de doenças neurológicas e tem sido tratado com relaxantes musculares. Entretanto, a ausência de descritivos científicos impede uma conclusão sobre o assunto.
O espasmo muscular é uma contração involuntária, dolorosa, que pode causar ou não movimento. Além dos relaxantes musculares, também são usados anti-inflamatórios e analgésicos. As câimbras são um tipo de espasmo muscular.
Doença de Parkinson e parkinsomismo
Estão classificados dentro do grupo de doenças neurológicas que alteram o movimento.
Doença de Parkinson: Doença neurodegenerativa de caráter idiopático e progressivo, caracterizada por rigidez, bradicinesia, tremor e alterações posturais. Ocorre pela morte dos neurônios dopaminérgicos da substância negra do cérebro. É um tipo de parkinsonismo.
Parkinsonismo: Série de doenças de causas diferentes, que possuem em comum os sintomas semelhantes à Doença de Parkinson. Esta, por sua vez, é considerada um tipo de parkinsonismo primário, já que ela é a própria doença, ou melhor, não é secundária a nenhuma outra.
Classificação dos relaxantes musculares
Relaxantes musculares de ação central ou espasmolíticos - São fármacos que agem no SNC, e seus mecanismos de ação ainda não são totalmente esclarecidos. São utilizados para diminuir os espasmos musculares que ocorrem durante os distúrbios musculoesqueléticos e neuromusculares.
Os mecanismos da espasticidade envolvem tanto o reflexo de estiramento dos membros (imagem) quanto os centros superiores do SNC envolvidos no controle motor. A lesão de alguma área citada pode refletir no excesso de excitabilidade dos neurônios motores, resultando na espasticidade ou espasmos musculares.
Arco reflexo de estiramento ou miotatico- o estimulo é dado em uma estrutura no membro em questão e sensibiliza um neurônio sensorial que leva essa informação ate a medula espinhal, que é o próprio centro integrador dos reflexos. Na medula, um neurônio inibe os músculos antagonistas da extensão do membro ( osmusculos flexores estão relaxados), enquanto ocorre a ativação dos músculos extensores. Na espasticidade, todos os grupos são ativados, causando rigidez do membro.
São eles:
Benzodiazepínicos(bz)
Mecanismo de ação: agonistas dos receptores GABAA (imagem abaixo). A ligação dos benzodiazepínicos ao seu sítio de ligação, que é diferente do sítio de ligação do GABA (um não interfere com o outro, conforme a figura), aumenta a entrada de Cl- no neurônio. Isto o deixa ainda mais negativo, isto é, hiperpolarizado e, portanto, inibido de produzir atividade elétrica.
Exemplos: Diazepam (mais utilizado); Clonazepam. Ambos possuem ação antiespasmódica eficiente.
Efeitos adversos: sedação, alteração da memória (amnésia), sensação de “ressaca” e favorecimento da depressão respiratória.
São drogas relativamente seguras, pois possuem antagonistas que podem ser utilizados em caso de superdosagens (intoxicações) – Flumazenil, que compete pela ligação no sítio de ligação dos BZ, e não do GABA.
Usos: relaxante muscular, ansiolíticos e hipnóticos, anticonvulsivantes e anestésicos.
Baclofeno
Mecanismo de ação: agonistas dos receptores GABAB. Causam hiperpolarização pelo aumento da saída de K+ do neurônio. A hiperpolarização pré-sináptica também ocorre com o uso desse fármaco, promovendo uma diminuição da liberação de neurotransmissores no cérebro e na medula espinhal. Pode reduzir a dor em pacientes com espasticidade, pois reduz a liberação de substância P na medula espinhal. A substância P reduz o limiar de excitabilidade nas fibras que transmitem informações de dor.
Efeitos adversos: sonolência, porém o paciente pode se tornar tolerante (parar de se sentir sonolento). Aumento da atividade convulsiva em pacientes epilépticos. Fraqueza, vertigens, confusão, hipotensão, euforia, alucinações e depressão.
Usos: distonias, soluços intratáveis, síndromes dolorosas associadas ao espasmo. Não possui atividade analgésica, porém potencializa essa ação dos opioides (morfina).
Carisoprodol
Mecanismo de ação: ainda incerto, porém sabe-se que bloqueia os interneurônios na formação reticular descendente e na medula espinhal.
Efeitos adversos: fraqueza grave, hipotensão ortostática, taquicardia, angioedema e broncoespasmos. A sonolência pode ser potencializada pelo álcool ou outros agentes depressores do SNC.
 Usos: relaxante muscular. Ao ser metabolizado pelo fígado, forma o meprobamato, que causa tolerância e dependência, dependendo da dose – fármaco de abuso. No Brasil, está associado com a dipirona (DorflexR).
Tizanidina
Mecanismo de ação: Agonista dos receptores α2 adrenérgicos na medula, de forma semelhante ao da clonidina. Inibe a transmissão nos neurônios nociceptivos (dor).
Efeitos adversos: sonolência, boca seca, hipotensão, fadiga, vertigem, dor muscular, fraqueza, distúrbios do sono e ansiedade.
Usos: relaxante muscular, anticonvulsivante, ação protetora contra a isquemia cerebral.
Bloqueadores neuromusculares -Utilizados normalmente em cirurgias, para produzir intenso relaxamento muscular. Podem ser de dois tipos: despolarizantes e não despolarizantes.
Normalmente empregados durante cirurgias, para a obtenção de intenso relaxamento muscular. São fármacos que atuam na junção neuromuscular – sinapse do neurônio com o músculo estriado esquelético, bloqueando os receptores nicotínicos da acetilcolina.
Os receptores nicotínicos da acetilcolina, nos músculos estriados esqueléticos, são canais iônicos regulados por ligantes ou receptores ionotrópicos (vide aula 2). Uma vez que a acetilcolina se liga ao seu sítio de ligação do receptor, essa ligação abre um canal de sódio que permite a entrada de Na+ no músculo estriado esquelético.
A entrada de sódio despolariza a membrana do músculo, e essa despolarização se propaga até os túbulos T, onde ativam o retículo sarcoplasmático. Ocorre a liberação de Ca2+ pelo retículo, produzindo assim a contração muscular.
Podem ser divididos em dois tipos:
Despolarizantes- Induzem a depolarização contínua do músculo estriado esquelético;
Não despolarizantes- São antagonistas dos receptores nicotínicos.
São os fármacos:
Succinilcolina, decametônio :
Mecanismo de ação: são agonistas dos receptores nicotínicos. É administrada de forma repetitiva, até que provoque uma dessensibilização do receptor nicotínico, que para de responder. 
Efeitos adversos: fasciculações musculares transitórias, bradicardia sinusal ou taquiarritmias ventriculares com elevação da PA, hipertermia maligna e dor muscular.
Usos: em cirurgias, para intenso relaxamento muscular. O paciente normalmente deve ser entubado, pois existe risco de parada respiratória
Tubocurarina, pancuronio, vecuronio, mivacurio, atracurio, rocuronio: 
Mecanismo de ação: antagonistas dos receptores nicotínicos da acetilcolina – ligam-se aos receptores nicotínicos e impedem a abertura dos canais de sódio desses receptores nos músculos estriados esqueléticos.
Efeitos adversos: hipotensão, alterações da frequência cardíaca, parada respiratória pelo bloqueio neuromuscular. A tubocurarinaprovoca a liberação de histamina dos mastócitos, podendo provocar broncoespasmos.
Usos: em cirurgias, para intenso relaxamento muscular. O paciente normalmente deve ser entubado, pois existe risco de parada respiratória.
Anticonvulsivantes ou antiepilepticos
A epilepsia é caracterizada por descargas elétricas neuronais episódicas ou recorrentes. Dados demonstram que cerca de 1% da população mundial apresenta epilepsia. As causas são várias e vão desde doenças neurológicas, infecções, neoplasias, lesões ou traumatismos cranioencefálicos. Até mesmo a hereditariedade está envolvida.
As epilepsias se originam a partir de um foco no córtex cerebral e podem estar associadas à preservação da consciência, com exceção da epilepsia do tipo parcial complexa. A maioria das epilepsias tem origem no lobo temporal. As crises parciais podem ter descargas em:
Neurônios motores - A manifestação é motora, podendo ser limitada a um membro ou grupo muscular;
Neurônios sensitivos - Se manifestará por alucinações, formigamento, sensações gustatórias, olfatórias, sudorese ou midríase.
Alguns fármacos:
Fenitoina
Mecanismo de ação: bloqueia os canais de Na+ voltagem dependentes, impedindo a geração de potenciais de ação repetidos, diminui a entrada de Ca2+ no neurônio e estabiliza a membrana neuronal. Possui ação bastante seletiva sobre o córtex cerebral. Sua ação anticonvulsiva é não sedativa.
Efeitos adversos: nistagmo, diplopia, ataxia, náuseas, hiperplasia gengival, anemia megaloblástica, agranulocitose, má formação congênita se utilizada durante a gravidez e depressão.
Usos: indicada no tratamento da epilepsia parcial e generalizada.
Carbamazepina
Mecanismo de ação: Bloqueia os canais de Na+, impedindo a geração de potenciais de ação repetidos.
Efeitos adversos: sedação, diplopia, tontura, neutropenia, hipertensão, sonolência e arritmias cardíacas.
Usos: crises parciais e neuralgia do trigêmeo.
Lamotrigina
Mecanismo de ação: Bloqueia os canais de Na+, impedindo as descargas rápidas e sustentadas dos neurônios.
Efeitos adversos: tontura, diplopia, tremores, insônia, agressividade e ataxia.
Usos: epilepsia generalizada ou parcial, podendo ser utilizada de forma avulsa ou associada.
Valproato ou acido valproico
Mecanismo de ação: Bloqueia os canais de Na+ e impedem a degradação do neurotransmissor GABA.
Efeitos adversos: tremores, ganho de peso, náuseas, vômito, anorexia, alopecia e anemia aplástica .
Usos: Crises de ausência associadas a crises tônico-clônicas . Distúrbio bipolar e tratamento da enxaqueca.
Fenobarbital
Mecanismo de ação: agonista dos receptores GABAA aumentando a entrada de cloro e inibindo a atividade elétrica neuronal – semelhante aos benzodiazepínicos. Diminui a ativação dos receptores AMPA do glutamato.
 Efeitos adversos: sedação, depressão (idosos), nistagmo, ataxia, dependência e tolerância.
 Usos: Em todas as crises parciais e tônico-clônicas generalizadas.
ATIVIDADE PROPOSTA
Com relação aos anticonvulsivantes:
A carbamazepina é um bloqueador dos canais de sódio das membranas dos neurônios. Ela é específica para o estado conformacional dessa proteína que ela adapta logo após abrir o seu poro. Assim, a carbamazepina inibe a função dos canais mais usados. Como o influxo de sódio é que inicia a propagação do potencial de ação, os neurônios que apresentam a maior frequência de disparo (incluindo aqueles que disparam desreguladamente dando origem às convulsões, mas também outros) reduzem a sua atividade. Potencializa a ação do GABA um neurotransmissor fisiológico que inibe a geração de potenciais de ações.
Cite outros fármacos anticonvulsivantes que possuem o mesmo mecanismo de ação.
Fenitoína; Oxicarbazepina; Lamotrigina; Felbamato; Topiramato;

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