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Otimização do transporte público

Artigo com estudo de caso da linha semiurbana Itabuna–Salobrinho (2013) que apresenta um instrumento gerencial, com base em Lean Management, para avaliar melhorias nos processos da empresa Rota segundo percepção de usuários e equilíbrio entre demanda e capacidade.

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OTIMIZAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO:
O potencial de uso no caso do transporte coletivo semiurbano no trecho Itabuna-Salobrinho
 Herick Santos Pereira
 Discente do Curso de Graduação em Engenharia de Produção-UESC
E-mail:herickpereira@gmail.com
Irlani Passos Lima
 Discente do Curso de Graduação em Engenharia de Produção-UESC
E-mail: nanni_passos@hotmail.com
Kelson Rafael Sousa da Silva
 Discente do Curso de Graduação em Engenharia de Produção-UESC
E-mail: kelson_rafael@hotmail.com
RESUMO
Este artigo apresenta os dados obtidos a partir de estudo de caso da empresa de transporte coletivo rodoviário na linha Itabuna-Salobrinho, estudo este realizado no segundo semestre de 2013. O objetivo da pesquisa foi apresentar um instrumento gerencial para a avaliação do potencial de melhoria dos processos de organizações de transporte coletivo rodoviário semiurbano, da empresa Rota, no trecho Itabuna – Salobrinho, apresentando sua importância para a população universitária da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC, visando conscientizar os gestores da empresa Rota Transportes, na melhoria do transporte de passageiros oferecendo conforto, pontualidade e rapidez. Para desenvolver o instrumento de diagnóstico foi considerada a realidade do setor de transporte por ônibus nesta cidade e a base teórica referente aos sistemas de gestão baseado na melhoria do processos, como o Lean Management. A definição do valor a ser oferecido pelo serviço de transporte, com base na percepção dos usuários, é um ponto que aparece como de grande potencial de melhoria, bem como o equilíbrio entre demanda e capacidade instalada.
1.INTRODUÇÃO 
A versão brasileira da Primavera Árabe, expressão criada para designar a onda de protestos que marcou os países árabes a partir do final do ano de 2010, teve início no Brasil em Junho de 2013 com o acréscimo na passagem de ônibus de 0,20 centavos. O gigante tinha realmente acordado, as manifestações traziam a melhoria do transporte público como uma das principais demandas. Todo esse movimento trouxe à tona, entre outros problemas, um recorrente que afeta as cidades brasileiras, qual seja, os preços das tarifas de transporte público coletivo, bem como a precariedade na prestação desse serviço.
O transporte coletivo é um serviço essencial nas cidades, pois democratiza a mobilidade, constitui um modo de transporte imprescindível para reduzir congestionamentos, os níveis de poluição e o uso indiscriminado de energia automotiva, além de minimizar a necessidade de construção de vias e estacionamentos. A Constituição de 1988 definiu a competência municipal na organização e prestação do transporte coletivo (Gomide, 2006). Um sistema de transporte coletivo planejado aperfeiçoa o uso dos recursos públicos, possibilitando investimentos em setores de maior relevância social e uma ocupação mais racional e humana do solo urbano, pois exerce papel de fixador do homem no espaço urbano, podendo influenciar na localização das pessoas, serviços, edificações, rede de infraestruturas e atividades urbanas (Cardoso, 2008).
Contudo, é patente a constatação de que existem falhas na operação do sistema de transporte coletivo que tensionam a lógica de benefícios inerentes a sua existência planejada. Uma das falhas materializa-se na privação do acesso aos serviços de transporte coletivo e nas inadequadas condições de mobilidade urbana dos mais pobres. Dois fatores convergem para a exclusão do acesso dos mais pobres aos serviços de transporte coletivo: (a) as altas tarifas dos serviços, incompatíveis com os rendimentos dos segmentos mais pobres (nos últimos 10 anos, as tarifas dos ônibus urbanos foram o setor que mais sofreu aumento, o que contrasta com a evolução da renda média do trabalhador no período) e (b) a inadequação da oferta dos serviços, principalmente para as áreas periféricas das cidades (pesquisas apontaram as baixas frequências e as dificuldades de acesso físico aos serviços nas áreas periféricas como os principais problemas) (Gomide, 2006)
A oferta inadequada de transporte coletivo, além de prejudicar a parcela mais pobre da população, estimula o uso do transporte individual, que aumenta os níveis de poluição e congestionamentos. Esses, por sua vez, drenam mais recursos para a ampliação e construção de vias. O uso ampliado do automóvel favorece a dispersão das atividades na cidade, espraiando-a, o que dificulta a acessibilidade urbana por aqueles que dependem unicamente do transporte coletivo (Gomide, 2006).
 Este artigo traz como principal objetivo apresentar um instrumento gerencial para a avaliação do potencial de melhoria dos processos de organizações de transporte coletivo rodoviário semiurbano, da empresa Rota, no trecho Itabuna – Salobrinho, apresentando sua importância para a população universitária da Universidade Estadual de Santa Cruz, visando conscientizar os gestores da empresa Rota Transportes, na melhorai do transporte de passageiros oferecendo conforto, pontualidade e rapidez.  A questão de pesquisa que surge é: como a empresa Rota pode identificar os principais processos a serem melhorados, e aumentar a eficiência nos serviços?
2.REFERENCIAL TEÓRICO
Diversas opções teóricas, técnicas e ferramentas, casos e aplicações, cujos princípios convergem para a idéia central de eliminação de perdas e melhoria em processos, são disponíveis na literatura, tais como em: Ballard (2003); Cerra e Bonadio (2000); Cunningham, Young e Lee (2000); Cypriani e Guedes (2002); Fullerton, McWatters e Fawson (2003); Henderson e Larco (2002); Johnston et al. (2001); Nilsson, Johnson e Gustafsson (2003); Sánchez e Pérez (2001); Kaynak (2003).
A abordagem de
Lean Management
O Lean Management, segundo Jackson e Jones (1996), busca alinhar as estratégias da organização, e por meio de uma estrutura apropriada e do fortalecimento das forças competitivas, garantir a melhoria dos processos. Para tanto, os autores estabeleceram nove diretrizes, denominadas de áreas chaves, a serem estruturadas e desenvolvidas na busca de um sistema enxuto. As mesmas são descritas na seqüência.
1) Foco no cliente: alinha-se com a idéia de um nível zero de insatisfação dos clientes. 
2) Liderança e estratégia: é a capacidade do time gerencial de traduzir os requerimentos dos clientes em uma política concreta e objetiva, com metas claras e comunicáveis. 
3) Organização enxuta: refere-se à estrutura de interação entre times e áreas, que deve ser estabelecida para minimizar redundâncias e capacidade administrativa requerida pelas operações. 
4) Parcerias: é o conjunto de relacionamentos e alianças de longo prazo, baseado na confiança e que envolve empregados, fornecedores e sociedade. 
5) Arquitetura da informação: refere-se à estrutura de criação e distribuição de informações que dê suporte à estrutura organizacional. 
6) Cultura de melhoria: diz respeito à capacidade de times e indivíduos analisarem as defasagens em relação à estratégia e problemas de qualidade para encontrar as causas raízes e conceber, implementar e padronizar as soluções efetivas. 
7) Produção enxuta: inclui a utilização de técnicas para a redução de perdas. 
8) Manutenção enxuta: refere-se à abordagem da Manutenção Produtiva Total (TPM) que garante eficiência, precisão e facilidade na operação e manutenção, além de disponibilidade de máquinas, equipamentos e sistemas. 
9) Engenharia enxuta: refere-se à prática da engenharia simultânea ou outros métodos para o desenvolvimento de novos produtos de forma rápida e consistente.
3. METODOLOGIA 
A abordagem aqui proposta almeja avaliar e classificar a qualidade dos serviços do setor de transporte público urbano realizado por ônibus a partir da mensuração do grau de satisfação dos usuários, incorporando critérios técnicos relacionados à qualidade dos transportes públicos urbanos e à qualidade de serviços.
Segundo Malhotra(2006), a pesquisa exploratória é usada em casos nos quais é necessário definir o problema com maior precisão, identificar cursos relevantes de ação ou obter dados adicionais antes de poder desenvolver uma abordagem conclusiva. A amostra, selecionada para gerar o máximo de discernimento, é pequena e não-representativa.
Ao analisar criticamente as três abordagens do referencial teórico, procura-se identificar elementos que atendam os objetivos de pesquisa. Caso se entenda que não seja função de teorias ou filosofia as fundamentais a prescrição de práticas operacionais, algumas lacunas surgem e podem ser preenchidas por pesquisa específicas. O modelo de gestão baseado no Prêmio ANTP de Qualidade 2005 não vincula ferramentas ou práticas de gestão aos critérios do referido Prêmio, podendo-se escolher as mais convenientes para o caso. A Mentalidade Enxuta não prescreve como questões estratégicas e de vantagem competitiva devem ser consideradas na definição de valor ou com medir desempenho. Sellitto, Borchardt e Pereira (2006) propuseram uma estrutura de mensuração de desempenho em Mentalidade Enxuta que foi aplicada em transporte urbano de passageiros. O Lean Management introduz elementos capazes de sustentar a implementação de sistemas enxutos,por meio da estratégia, da estrutura e das forças competitivas,mas, como esperado, não menciona aspectos relativos aos resultados nem sugere ferramentas e técnicas para implementação.

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